Belchior fez último show para poucas pessoas na sexta-feira. Morreu no sábado

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Autor da canção “Como nossos pais”, cantor e compositor que morreu neste sábado, em sua casa, no RS, será velado em Sobral e em Fortaleza.

O cantor e compositor cearense Belchior será velado em Sobral, interior do Ceará, no Teatro São João. Depois o corpo será levado para Fortaleza, onde o velório não tem ainda local definido. São cogitados o Teatro José de Alencar ou o Palácio da Abolição. O enterro será no cemitério Parque da Paz, no túmulo dos familiares do artista.

De acordo com a família, Belchior fez um último show na noite anterior, em Santa Cruz do Rio Grande do Sul (RS), onde morava. Após reclamar de dores nas costas foi dormir. E não acordou mais. A polícia acredita que a morte tenha sido por causas naturais. O governo do Ceará já anunciou que fará o traslado do corpo para o estado em que o artista nasceu.

Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes nasceu em 26 de outubro de 1946, em Sobral. Despontou no cenário musical brasileiro nos anos 1970 junto com uma geração de talento de ficou conhecida como “pessoal do Ceará”, assim definido pelo conterrâneo Fausto Nilo, compositor e arquiteto: “Desde o início do grupo, chamado por setores do meio musical de ‘Pessoal do Ceará’, termo que não adoto e não gosto, cada um tinha um projeto singular e diferente, com o Bar do Anísio como ponto de encontro. Foi apenas a coincidência de um período de luta por um lugar ao sol”.

Em O Belchior que a crítica vulgar não viu, publicado no site Outras Palavras, o jornalista Alberto Sartorelli lembra que o artista sabe, desde muito tempo, que “Eles venceram / e o sinal está fechado pra nós / que somos jovens” (Como nossos pais, Alucinação, 1976).

E que ele teve sua poesia impregnada pela frustração de não ter podido colocar em prática o projeto por um mundo melhor. “Sua música é mais verdadeira e mais revolucionária por isso: não promete a felicidade, mas  a impossibilidade dela no estado de coisas vigente.”

Alucinação, um dos álbuns marcantes da década de 1970, completou 40 anos no ano passado. Foi o seu segundo LP. O crítico Mauro Ferreira lembra que o LP “abriu as portas das rádios e do sucesso popular” para o cantor cearense, que se projetou em 1972 a partir da gravação de Mucuripe (dele e de Fagner) por Elis Regina.

Alucinação começa com três dos maiores sucessos de BelchiorApenas um Rapaz Latino-Americano, Velha Roupa Colorida e Como Nossos Pais. As duas últimas ficaram marcadas pela interpretação de Elis no LP Falso Brilhante, também em 1976. Também estão lá faixas como Sujeito de Sorte, Como o Diabo Gosta e A Palo Seco

Em nota, o governador Camilo Santana (PT) decretou luto oficial de três dias no Estado e reconheceu a importância de Belchior para a música brasileira.

Confira a nota na íntegra:

“Recebi com profundo pesar a notícia da morte do cantor e compositor cearense Belchior. Nascido em Sobral, foi um ícone da Música Popular Brasileira e um dos primeiros cantores nordestinos de MPB a se destacar no País, com mais de 20 discos gravados. O povo cearense enaltece sua história, agradece imensamente por tudo que fez e pelo legado que deixa para a arte do nosso Ceará. Que Deus conforte a família, amigos e fãs de Belchior. O Governo do Estado decretou luto oficial de três dias. 

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