CINEMA SÃO JOSÉ: 75 ANOS DE HISTÓRIA NO SERTÃO DO PAJEÚ

O prédio do cinema foi inaugurado em 1942

Marcos Barbosa

Brasil de Fato | Recife (PE)

O cinema é um dos principais espaços culturais da cidade - Créditos: Thiago Caldas
O cinema é um dos principais espaços culturais da cidade / Thiago Caldas

O Cine Teatro São José faz parte da memória e tradição de Afogados da Ingazeira, município do sertão pernambucano. Localizada a 386 km da capital Recife, a princesa do Pajeú, como também é conhecida, possui cerca de 36 mil habitantes e é uma das poucas cidades do interior do estado a ter um cinema em seu território.

História

O prédio do cinema foi construído pelo farmacêutico Helvécio César de Macedo Lima e inaugurado em novembro de 1942, com direito a evento comemorativo. Denominado, à época, Cine Teatro Pajeú, as máquinas operadoras e projetores importados da Alemanha.

Palco de grandes eventos na cidade, o Cine Teatro já foi anfitrião de peças teatrais, congressos religiosos, colações de grau e apresentações de artistas de cidades vizinhas, como Triunfo (PE) e Monteiro (PB). Com a instalação da Diocese de Afogados da Ingazeira, tendo como 1º Bispo o religioso Dom Mota, o cinema foi comprado pela Ação Diocesana e passou a chamar-se Cine Teatro São José, como segue sendo até os dias de hoje. Entretanto, a partir dos anos 1960, o cinema passou por um sério período de crise, chegando a ser fechado e colocado à venda pela Diocese.

Recuperação

Na década de 1990, a população de Afogados começa a se mobilizar, interessada em reverter o quadro de abandono do Cinema. Com a apresentação de uma Emenda à Lei Orgânica Municipal, prédio foi tombado como Patrimônio Histórico de Afogados da Ingazeira, o que conseguiu impedir sua venda. Entretanto, em decorrência da ação do tempo e da falta de manutenção, a estrutura do cinema estava bastante deteriorada. Com o intuito de reverter esse quadro, foi idealizado pelo Grupo de Teatro Raízes do Sertão, o Grupo Frente Jovem, que fez uma mobilização que culminou em ato público com grande participação popular em frente ao velho prédio. Na ocasião, foi formada uma comissão para lutar pela restauração do antigo Cinema.

Centenas de afogadenses participaram das ações de limpeza e restauração da construção. Com o objetivo de arrecadar recursos para financiar a reforma, uma série de movimentos foram realizados, como shows, serestas e bingos. As movimentações populares e o trabalho da comissão em busca de parcerias conquistou apoio de órgãos públicos e, em 26 de dezembro de 2003 houve, finalmente, a reinauguração definitiva do Cine Teatro São José, com atrações festivas que relembraram os “anos dourados” do cinema.

Patrimônio Popular

Desde que retornou a pleno funcionamento, o Cine São José tem conseguido servir de espaço de cultura e lazer para toda a região do Pajeú. Silmara Ferreira Marques, professora de história e geografia, mora há 30 anos em Afogados da Ingazeira e costuma assistir às películas no cinema da cidade.

Na sua opinião, o cine São José diz muito da história de Afogados da Ingazeira e, consequentemente, sobre seu povo, sua história e cultura. “O cine marca a história de um povo que a todo momento lutou para mantê-lo em funcionamento. Marca a história de rapazes que um dia sonharam em reerguer o mesmo. Marca um sonho, uma luta e muitas conquistas. O cine Teatro São José é o berço da Cultura do Pajeú” declara Silmara, que pretende levar seu afilhado de sete anos a alguma sessão infantil neste fim de semana.

Para o educador Valdeni Venceslau Bevenuto, também admirador da sétima arte e assíduo das salas do cinema, um dos filmes mais marcantes que já foi transmitido nas telas do Cine São José foi “Gonzaga: de pai para filho”, porque conseguiu atrair um grande público. “Vi o povo nas ruas comentando, vi que o cinema estava falando para a população”, declara.

Ainda de acordo com Valdeni, em outras cidades os valores dos ingressos costumam ser caros e dificultam a democratização do cinema, o que não acontece em Afogados da Ingazeira, onde os valores tendem a ser bastante populares. No entanto, o educador afirma que o cinema do interior precisa de mais incentivo e maior número de políticas públicas voltadas à sua manutenção e à maior integração com a população.

Edição: Monyse Ravena

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