SEGURANÇAS DE TERMINAL EM SÃO PAULO ENTREGAM JOVEM ATOR A AGRESSORES

RACISMO

Caso aconteceu na madrugada do feriado do dia 15. Depois de ser abordado, ator procurou as dependências do terminal para pedir proteção, mas por ser negro foi devolvido pelos seguranças aos agressores

por Redação RBA.
 
                                         ARQUIVO PESSOAL / FACEBOOK
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Diogo fala da situação de horror que enfrentou. Ele também fez um relato dramático nas redes sociais

São Paulo – Mais um caso de racismo ocorreu na manhã de quarta-feira (15), dia do feriado de Proclamação da República. O jovem ator Diogo Cintra foi agredido nas proximidades do Terminal Parque Dom Pedro II, centro de São Paulo, depois de, segundo relatou, ser entregue aos agressores pelos próprios seguranças do local.

Ao ser abordado pelos agressores, ainda nas proximidades, Diogo se desvencilhou e procurou as dependências do terminal para receber proteção. Ele foi seguido pelos agressores, entre os quais havia dois homens brancos, que já dentro das dependências do terminal e diante dos seguranças inverteram a história, acusando Diogo de roubo.

Em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta sexta-feira (17), Diogo falou da situação de horror que enfrentou. Ele também fez um relato dramático nas redes sociais.

“À noite, eu tinha feito a peça que apresento às terças-feiras. E como era feriado a gente ficou pra comemorar. E aí eu estava voltando para a casa e como era de madrugada, eu tinha que ir para o terminal e lá pegar o ônibus para Santo Amaro. E nas proximidades do Parque D. Pedro dois caras me abordaram, pedindo o que eu tinha”, contou. “Eu disse ‘não tenho nada’. E um deles falou, ‘olha aí no bolso’, e eu comecei a olhar e saí correndo para dentro do terminal. Só que, quando cheguei lá dentro e pedi ajuda, uma vigilante falou assim, ‘só corre, só corre e sai daqui’. E aí eu corri e quando eu estava saindo, vieram mais cinco ou seis seguranças, eu pedi ajuda, e aí vieram os caras que me abordaram com pedaço de pau, e mais três com cachorros. E ai eu falei, ‘gente eles querem me roubar, querem me bater – e o cara (agressor) disse, ‘não, é ele que quer roubar a gente’. Eu perguntei, ‘o que eu quis roubar de vocês?’, e o segurança disse pra eu calar a boca”.

Diogo conta que foi levado para fora da estação, junto com os seguranças. “Lá fora, os seguranças me deixaram e os caras (agressores) foram me levando. Chegando próximo do rio (Tamanduateí), eu comecei a me debater e foi aí que eles começaram a me bater, a me espancar com pau, soco, chute em todo o corpo. E quando eu estava conseguindo fugir, eles falaram para os cachorros me pegarem e então começaram a me morder. Eu tentava levantar e os cachorros me jogavam no chão. Uma menina que estava com eles disse, ‘já está bom, ele já apanhou demais’. E ela espantou os cachorros. Foi quando eu consegui sair correndo para o terminal de novo.”

“Por que os seguranças não acreditaram em você?”, indagou a repórter da rádio Nahama Nunes. “Porque eu saí correndo e no ato do meu desespero, por eu ser negro, eles não acreditaram em mim. Os dois agressores que me abordaram eram brancos. Só que tinha gente morena no meio. Mas os dois que me abordaram eram brancos. Eu só queria a segurança lá dentro, achando que tinha segurança e não tinha. Eles me botaram pra fora para os caras me espancarem”, afirmou.

Ouça a entrevista completa com Diogo:

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