Archive for Novembro, 2017

MUNDO COLORIDO:A HISTÓRIA DA EDITORA MARIA E DA MAZZA

Novembro 24, 2017

RESISTÊNCIA

Especializada em publicações étnico-raciais, iniciativa se pauta pela igualdade

Raíssa Lopes

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

Maria Mazarello Rodrigues criou uma editora com uma visão de mundo que valoriza e propaga a igualdade racial e social - Créditos: Divulgação
Maria Mazarello Rodrigues criou uma editora com uma visão de mundo que valoriza e propaga a igualdade racial e social / Divulgação

Uma mulher negra que, vivendo na década de 1980, criou uma editora com uma visão de mundo que valoriza e propaga a igualdade racial e social. Essa é a história de Maria Mazarello Rodrigues e da Mazza, empresa belo-horizontina especializada em publicações étnico-raciais que está em atividade até os dias atuais.

“Foi difícil, e não quer dizer que hoje é mais fácil”, diz ela, que agora tem 76 anos. Desde os 18 trabalhava com edição. Aos 38, quando fazia seu mestrado em Paris, na França, percebeu o quanto era comum a veiculação do trabalho de autores e poetas negros na Europa. Voltou ao Brasil com um plano nas mãos e um sonho na cabeça. Tudo começou com uma velha máquina de imprimir, que ganhou de amigos.

A Mazza ela define como algo que vai muito além de uma editora. Em suas palavras, é uma casa de cultura. Lá, vender não é o objetivo. A editora trabalha com a criação de livros para professores que ensinam às crianças que o mundo é feito por e para pessoas coloridas. “Temos uma publicação que conta a história da Rapunzel, e ela não tem essas longas tranças loiras que dizem, mas sim tranças afro. Ela é lindíssima, uma gracinha, e se apaixona por um príncipe negro”, conta.

As dificuldades do início da Mazza não mudaram muito. Se era penoso o racismo de antes, hoje o projeto que obrigava o ensino da diversidade racial nas escolas está suspenso pelo governo não eleito. E a onda conversadora também não abandonou as salas de aula. Em muitas delas, como afirma Maria, não podem entrar livros que falam de Iemanjá, de Oxum, de Nanã. Assim como não podem aqueles que falam do amor entre dois – ou duas – iguais, obras também prioritárias para a editora.

“Não podemos depender de uma mídia que é branca, de um grupo editorial branco. Seguimos em frente por conta da militância, de movimentos negros que nos divulgam”, afirma.

O sentido da Mazza, para Maria, é fazer com que escolas que preparem peças teatrais, por exemplo, pensem em chamar meninas negras para atuar antes de pintarem os rostos das alunas brancas do elenco. E de que mães não briguem porque a filha ficou de dançar quadrilha com um amigo negro.

“Temos esse compromisso com o nosso povo, com a nossa gente. É um compromisso assumido, não tem papel assinado, mas, da minha parte, é uma contribuição que a gente pode dar para tornar esse mundo mais humano”, declara. 

 Edição: Joana Tavares

SUSPENSE ABORDA ESQUIZOFRENIA, HOMOFOBIA E VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Novembro 23, 2017

CINEMA NACIONAL

Longa-metragem ‘Quando o Galo Cantar Pela Terceira Vez Renegarás Tua Mãe’, de Aaron Sales Torres, acompanha a relação conturbada entre uma mãe ressentida e seu filho esquizofrênico e homossexual
por Xandra Stefanel, especial para RBA.
 
                                                                        DIVULGAÇÃO

Família

Saúde mental, homofobia, opressão feminina, desigualdade social são alguns dos temas do filme

Zaira (Catarina Abdalla) teve de deixar seu trabalho como costureira para se dedicar integralmente aos cuidados com o filho esquizofrênico Inácio (Fernando Alves Pinto). A família mora na zona sul do Rio de Janeiro porque o pai, Guilherme (Tião D’Ávila), era zelador do prédio e a ele foi cedido um apartamento minúsculo e escuro. Quando o pai fica doente e morre, o medo e a insegurança invadem o ambiente. Este é o ponto de partida do longa-metragem Quando o Galo Cantar Pela Terceira Vez Renegarás Tua Mãe, que estreia nesta quinta-feira (23).

Com a morte de Guilherme, a situação fica insustentável porque mãe e filho se dão conta de que podem ser despejados a qualquer momento. Inácio, esquizofrênico (até então) funcional, conseguiu a vaga de porteiro graças ao trabalho do pai no prédio, mas não se sabe por quanto tempo ele conseguirá manter o emprego, única renda da família. Tudo piora quando Inácio fica obcecado por um morador do prédio e a mãe passa a vigiá-lo e persegui-lo na tentativa de frear seu interesse sexual por homens, em especial pelo vizinho.

O primeiro impulso do espectador é se indignar contra a violência emocional de Zaira contra o marido doente e, depois, contra o filho

Zaira é puro ressentimento e agressividade. Antes da morte de Guilherme, ela culpava o marido pela miséria na qual se enfiou; depois é o filho que vira alvo de sua raiva incontida. Afinal, ela foi obrigada a deixar de lado sua vida independente para cuidar de Inácio e da casa. A única coisa que lhe desperta algum carinho e compaixão é o galo que mora em cima da pia – e que ela insiste em chamar de galinha. A ave parece ser o símbolo da solidão dos moradores daquele apartamento sufocante, ela não sai do lugar e vive sempre ameaçada pela fome que ronda a família.

O filme conduz o espectador a indignar contra a violência emocional de Zaira contra o marido doente e, depois, contra o filho. Mas seria um ressentimento gratuito?

O roteiro faz com que o conflito e a tensão – presentes desde os primeiros minutos – sejam crescentes; a fotografia esverdeada transmite uma sensação sufocante dos personagens, tão isolados e solitários dentro de seus mundos interiores. O título do longa foi inspirado em um trecho do conto Feliz Aniversário, de Clarice Lispector, e a música Perigos Razões, composta pelo próprio diretor, é interpretada por Ney Matogrosso.

Inácio fica obsecado pelo vizinho e a mãe passa a vigiá-lo e persegui-lo na tentativa de frear seu interesse sexual por homensSaúde mental, homofobia, opressão feminina, desigualdade social e o despreparo do estado para lidar com situações como a desta família são temas que compõem o primeiro longa-metragem do cineasta sul-matogrossense. Aaron Sales Torres afirma ter se inspirado em personagens reais, seus vizinhos de prédio. “Escutei aquelas discussões do meu apartamento. Por isso demorei três anos para escrever o roteiro, foi muito difícil me distanciar daquilo”, afirma. “Eu também quis falar sobre os marginalizados, seres invisíveis e ao mesmo tempo tão reais e presentes em nossa sociedade.

Quando o Galo Cantar Pela Terceira Vez Renegarás Tua Mãe
Apresentação: Georgois Filmes
Direção e roteiro: Aaron Salles Torres
Produção: Valeria Amorim e Aaron Salles Torres
Produção executiva: Aaron Salles Torres, Martin D. Johnson, Catarina Abdalla, Sylvia Ramos, Elza Salles Fernandes Silva Torres, Nilton Silva Torres, Nicholas Salles Fernandes Silva Torres e Naymi Salles Fernandes Silva Torres
Elenco: Catarina Abdalla, Fernando Alves Pinto, Tião d’Ávila, Thiago Ristow, Lucas Malvacini, Alice Morena, Silvana Stein, Karine Teles, Marcelo Mello, Robson Santos e Sílvio Guindane
Produção de elenco: Vania Ferreira e Athenea Bastos
Executiva de pós-produção: Sylvia Ramos
Diretor de fotografia: Léo Vasconcellos
Diretor de fotografia adicional: Flávio Borges
Montagem: Paulo Varella
Montagem adicional: Rená Tardin
Direção de arte: Nathalia Siqueira
Figurino: Bella Cardoso
Caracterização e efeitos: Max Vitor
Correção de cor e efeitos especiais: Cristiano Costa
Trilha sonora original: Lucas Vasconcellos
Edição de som: Vinícius Leal e Daniel Vellutini
Mixagem: Vinícius Leal e Jesse Marmo
Distribuição: Elo Company

 
 
 

CARTA DE FERNANDA MONTENEGRO EM DEFESA DO OFICINA DE ZÉ CELSO E DO PÚBLICO

Novembro 22, 2017

VIOLONISTA SEBASTIÃO TAPAJÓS ESTREIA BRASIL DE TODOS OS CHOROS

Novembro 22, 2017

Imagem: Reprodução/Facebook

Jornal GGN –  Promovido pelo Clube do Choro de Brasília, o projeto “Brasil de Todos os Choros – Origens, Sotaques, Encontros e Caminhos”, estreia hoje, terça-feira, 21 de novembro. A iniciativa pretende fazer um mapeamento dos diferentes sotaques do estilo musical em cada região brasileira, destacando suas histórias e influências, contanto com a participação de músicos do norte ao sul do país. Os encontros acontecem entre novembro e dezembro.

E quem abre o evento, hoje, é o violonista paraense Sebastião Tapajós que palestrará a partir das 17h; e, na sequência, às 18h30, comandará uma oficina aberta ao público. A noite, encerrando o encontro, Sebastião subirá ao palco acompanhado de Igor Capela (violão 7 cordas), Andresson Dourado (piano), Daniel de La Tuch (trompete) e Márcio Jardim (percussão).

Durante os encontros do projeto acontecerão shows, palestras e oficinas, com diferentes compositores e intérpretes, que irão expor as características do choro em seus estados de origem. Fazem parte da iniciativa, pensada e promovida pelo Clube do Choro de Brasília, nomes de todas as regiões brasileiras.

Entre os artistas confirmados está o violonista paraense Sebastião Tapajós, o saxofonista pernambucano Spok, o bandolinista baiano Armandinho Macedo, o pianista mineiro Wagner Tiso, o bandolinista paulista Danilo Brito, o violonista gaúcho Luiz Machado, o violonista Maurício Carrilho e o clarinetista Paulo Sérgio Santos do Rio de Janeiro, além do violonista Henrique Neto e o bandolinista Dudu Maia, ambos de Brasília.

Abrindo o evento nesta tarde, o violonista Sebastião Tapajós tem 60 títulos em sua discografia, a maioria lançado na Alemanha, onde era radicado na década de 1990. “Alguns dos meus discos trazem choros de minha autoria, mas num deles homenageei dois grandes maestros: Radamés Gnattali e Guerra Peixe, que saiu em 1998. Quatro anos depois lancei o Choros e valsas, de produção independente”, contou o músico ao Correio Braziliense.

E quem dá continuidade ao projeto, nesta quarta-feira, dia 22, é o pianista mineiro, Wagner Tiso, com programação durante a tarde e show, às 21h, como violoncelista Márcio Mallard. Wagner Tiso também é maestro, arranjador e compositor.

Confira programação:

Dia 21 de novembro – Sebastião Tapajós

Dia 22 de novembro – Wagner Tiso

Dia 28 de novembro – Danilo Brito

Dia 29 de novembro – Armandinho Macedo
Dia 5 de dezembro – Spok
Dia 6 de dezembro – Luiz Machado
Dia 22 de dezembro – Maurício Carrilho, Paulo Sérgio Santos, Henrique Neto e Dudu Maia

Serviço

Brasil de Todos os Choros, com Sebastião Tapajós

Local: Clube do Choro de Brasília 

Quando: hoje, 21 de novembro, a partir das 17h 

Palestra e oficina: Para participar é preciso fazer inscrição, na secretaria do Espaço Cultural do Choro (Eixo Monumental). Para os inscritos essas atividades são gratuitas.  

Ingresso para show, às 21h: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia/inscritos)

Como comprar: Clube do Choro de Brasília – SDC BLOCO “G” – Funcionamento da bilheteria: 2ª a 6ª feira: 10:00 às 22:00 horas – Sábado a partir de 19:00 as 21:30 horas, ou através do site: http://www.clubedochoro.com.br

Programação não recomenda para menores de 14 anos.

Mais informações: 3225-1199 e 3226-3969

‘EU NÃO CONHEÇO MAIS ESSA PESSOA’, DIZ O MUTANTE SÉRGIO DIAS SOBRE RITA LEE

Novembro 21, 2017
Em entrevista à Rádio Brasil Atual, músico fala de novo álbum, brinca sobre medo de Trump, lamenta falta de revoluções no Brasil e diz que não lerá biografia de ex-parceira
por Redação RBA.
 
                                                                           DIVULGAÇÃO

Sergio Dias

Músico se considera dono da marca Mutantes: ‘A Rita saiu, o Arnaldo saiu várias vezes, então acho que é minha’

São Paulo – Sergio Dias volta a reunir Os Mutantes e prepara o lançamento de um novo álbum. Em entrevista a Fabiana Ferraz, na programação da tarde desta segunda-feira (20) na Rádio Brasil Atual, o músico apresenta a faixa Black and Grey, em que apela ironicamente para a primeira dama Melania Trump para conter as sandices do marido no comando da maior potência econômica e militar do planeta.

De Las Vegas, por telefone, Sergio falou sobre Donald Trump, o cenário político do Brasil, a propriedade do nome Mutantes, a biografia de Rita Lee e sobre o público e a atual composição da banda que desde os anos 1960 trata com irreverência e inovação a MPB, voltou em 2006 com Zélia Duncan e mantém quase a mesma formação desde então. Sergio lamenta a ausência de “revoluções” em seu país. 

Sobre a direito de propriedade da marca Mutantes, Sergio se considera o dono por jamais ter deixado o grupo. “A Rita saiu há uns 40 anos, o Arnaldo saiu um monte de vezes (risos), então acredito que é minha”, brinca. 

O mutante diz que não leu a autobiografia lançada por Rita Lee, que despontou ao lado de Sergio e Arnaldo Batista no final dos anos 1960 e deixou o grupo no inicio da década seguinte.

“Olha, eu não conheço mais essa pessoa, entende? É uma pessoa que eu conheci, que amei, que amo, mas não conheço mais. Sei que ela fala mal de mim, de um monte de gente, sei de todas as mentiras. Então é uma coisa que é uma pena. Fico triste. Não vejo razão pra isso. Vejo uma alma extremamente torturada”, diz o músico.

Ouça a entrevista:

FESTIVAL MIXBRASIL DISCUTE INCLUSÃO LGBTQ NO CINEMA

Novembro 21, 2017

VIVERSIDADE

CineSesc promove sessão de debate à luz de vela sobre representatividade de personagens negras e periféricas no audiovisual e no cinema LGBTQ
por Redação RBA.
 
                                                     REPRODUÇÃO
Longa

Cena do filme ‘God’s Own Country’, de Francis Lee, que será exibido no mesmo dia do debate no CineSesc

São Paulo – Na próxima terça-feira (21), a programação da 25ª edição do Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade contará com uma sessão especial de debate sobre inclusão LGBTQ no cinema. Inspirado nas rodas de samba realizadas desde 2000 em Santo Amaro, zona sul da capital paulista, o eventoCinema da Vela debate – à luz de velas – a representatividade de personagens negras e periféricas no audiovisual e no cinema LGBTQ.

A discussão, que começa às 19h30, terá a participação de Bruno Ribeiro, diretor do curta-metragem Pele Suja Minha Carne, e de Carol Rodrigues, diretora de A Boneca e o Silêncio, integrante da equipe da websérie Empoderadas e idealizadora do site Mulheres Negras no Audiovisual Brasileiro. O debate será mediado pelo jornalista Guilherme Genestreti, repórter e autor do blog Sem Legenda. Entre os temas que eles devem debater com o público estão questões ligadas à autoria, ao poder de fala e aos espaços de exibição.

No mesmo dia, o MixBrasil terá outros quatro filmes exibidos no CineSesc. Às 15h, estará em cartaz God’s Own Country, de Francis Lee, sobre um jovem fazendeiro inglês que emprega um migrante romeno com quem acaba desenvolvendo uma intensa relação. Às 17h, é a vez do documentário Serguei, O Último Psicodélico, de Ching Lee, sobre o ícone do rock brasileiro. No mesmo horário do debate, às 19h30, será exibida a ficção Vergel, de Kris Niklison, sobre uma mulher que, ao vivenciar um luto repentino, chega à beira da loucura. E o último filme da noite, às 21h30, é o alemão Centro do Meu Mundo, de Jakob M. Erwa, que aborda a fragilidade do primeiro amor de Phil que, ao retornar de um acampamento de férias, se apaixona pelo colega Nicholas.

A 25ª edição do festival começou no dia 16 e segue até o dia 26 em diversas salas de cinema de São Paulo. A mostra exibe filmes cujas temáticas têm relação com as diversas formas de expressão da sexualidade e têm o objetivo de promover a liberdade de expressão da diversidade sexual em diferentes formatos. Tanto o debate como os filmes têm entrada gratuita.

Cinema da Vela – Cinema de inclusão
Quando: terça-feira (21), às 19h30
Onde: CineSesc
Rua Augusta, 2075, São Paulo
Quanto: grátis
Mais informações: (11) 3087-0550
Programação completa do MixBrasil: mixbrasil.org.br/programacao-cinema

PR: SARAU PERIFÉRICO HOMENAGEIA DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Novembro 20, 2017

Redação

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

MV Bill e Nega Gizza (foto) estão entre os artistas confirmados no 5º Sarau Periférico, que acontece neste domingo, em Curitiba    - Créditos: Divulgação
MV Bill e Nega Gizza (foto) estão entre os artistas confirmados no 5º Sarau Periférico, que acontece neste domingo, em Curitiba   / Divulgação

Batalha de break, declamação de poesia, mutirão de saúde e de assessoria jurídica, além de shows de artistas nacionais e locais. Tudo isso (e mais um pouco) estará reunido no 5º Sarau Periférico, que acontece neste domingo (19), entre 9h e 21h, ocupação Dona Cida, na Cidade Industrial de Curitiba.

A data escolhida é em homenagem ao Dia da Consciência Negra – 20 de novembro, organizada pelo coletivo Núcleo Periférico. Entre os artistas conformados estão grandes nomes do rap nacional e também da cena local: MV Bill, Inquérito, Nega Gizza DI Função e DMN.

“[…] chamamos as maiores referências do rap nacional para trocar uma ideia sobre nosso cenário político, visando encontrar soluções para que a resignação não afogue as esperanças de cada sofredor e sofredora desse Brasil Periferia”, explicam os organizadores.

O evento é gratuito e voltado a todas as idades. Para viabilizar o Sarau, os organizadores fazem uma vaquinha virtual. Para contribuir, acesse o site www.vakinha.com.br.

Para ficar por dentro:

Quando: dia 19, domingo, das 9h às 21h.

Onde: Ocupação Dona Cida, CIC, ao lado da Toshiba e das Moradias Corbélia, no CIC.

Como chegar de ônibus: 1ª opção: No terminal do CIC, pegue o ônibus Sabará/Corbélia, e vá até o ponto final. 2ª opção: No terminal do Caiuá, pegue o ônibus Mário Jorge e desça no ponto da Toshiba.

:: Confira mais dicas culturais para os próximos dias em Curitiba ::

FESTA | Festa do Rosário

O quê: É um ato interreligioso que reúne sacerdotes das mais diversas denominações para pedir paz e respeito entre as religiões. Após os cantos sacros e orações, é a vez da força e da beleza da lavação das escadarias da antiga Igreja do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito, marcada por música, flores e perfumes. 

Quando: Dia 19, domingo, das 9h às 15h

Onde: Igreja do Rosário

Quanto: Gratuito

TEATRO | Murro em Ponta de Faca

O quê: A peça é baseada no texto de Augusto Boal, escrito em 1971, enquanto era um exilado pela ditadura militar brasileira. O espetáculo contra a via-crúcis de três casais de brasileiros banidos do País, distintos uns dos outros – burgueses, operários e intelectuais – e obrigados a conviver no mesmo espaço físico.

Onde: Teatro José Maria Santos, Rua 13 de Maio, 655, São Francisco.

Quando: De 16 a 26, de quinta a sábado 20h, e no domingo às 18h.

Quanto: Entrada gratuita. Indicado para maiores de 14 anos.

EXPOSIÇÃO | Todas as pontas do Lápis

O quê: A mostra tem como tema o compositor paranaense Palminor Rodrigues Ferreira, o Lápis. A exposição resgata a memória e a obra de Lápis, que fez sucesso nos anos 1960 e 1970, embalando a boemia curitibana da época.

Quando: A abertura da mostra será no da 20, segunda-feira, às 18h30. Visitação de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 16h.

Onde: Todas as salas do Museu da Imagem e do Som do Paraná, Rua Barão do Rio Branco, 395, Centro.

Quanto: Entrada gratuita.

MÚSICA | Vocal Brasileirão e o show Brasil Gongá

O quê: A influência da música africana no Brasil dará o ritmo do show que o Vocal Brasileirão apresenta em homenagem ao mês da Consciência Negra no Conservatório de MPB, na Praça Jacob do Bandolim. Com uma percussão marcante, o show Brasil Gongá apresenta ritmos de diversas regiões brasileiras, como jongo, maracatu, congada, afoxé e samba-de-roda.

Quando: Dia 20, segunda-feira, às 19h. 

Onde: Conservatório de MPB de Curitiba. Rua Mateus Leme, 66.

Quanto: Entrada gratuita.

 Edição: Ednubia Ghisi

URUGUAI REDESCOBRE SEU PASSADO INDIGENA

Novembro 19, 2017

Dados oficiais dizem que eles não existem, mas os Charrua estão organizados e lutam pelo reconhecimento

Por Laura Ely

Depois da Argentina passar por uma situação de embate na luta pela terra dos mapuches, com grande mobilização nacional e internacional pelo desaparecimento e morte do ambientalista Santiago Maldonato, agora é a vez dos indígenas uruguaios cobrarem a sua conta. Sistematicamente atacada e dizimada ao longo de séculos, a etnia oriunda da banda Oriental do Uruguai, pampas argentino e sul rio-grandense soma duas mil pessoas, embora não seja reconhecida pelo país. De acordo com a história oficial, os índios tornaram-se extintos em 1831.

Para além das evidências culturais e tradições atribuídas aos gaúchos que derivariam dos indígenas, como o churrasco de carne na grelha e o chá de erva-mate, estudos genéticos realizados desafiam a crença popular de que o Uruguai foi exclusivamente povoado pelos “descendentes dos navios”, principalmente vindos da Espanha e da Itália, comprovando a existência de índios. Além do Uruguai, estão presentes no Rio Grande do Sul e na província argentina de Entre Rios.

Embora o país se considere o único da América Latina sem população indígena, grupos de ativistas reivindicam que os povos originais nunca se extinguiram. O principal deles é o Conselho da Nação Charrúa do Uruguai – Conacha, atualmente composto por 10 organizações e comunidades de diferentes partes do Uruguai.

Entre os seus principais objetivos está o reconhecimento da atual população indígena, a ratificação da Convenção 169 da OIT (que compreende especificamente os direitos dos povos indígenas e tribais) e aumentar a visibilidade da questão indígena, alcançando o aumento de auto identificação indígena no Uruguai.

Segundo o censo oficial de 2011, cerca de 160 mil uruguaios declararam ter ascendência indígena. Isso representa quase 5% da população do país, de 3,395 milhões de habitantes. Por sua vez, 255 mil uruguaios se identificaram como afrodescendentes, 15 mil como asiáticos, e quase três milhões declararam ter ascendência branca, em sua maioria procedente de imigrantes europeus vindos da Espanha ou Itália.

Filme mostra o silenciamento dos Charruas

No documentário O País Sem índios, os diretores Nicolás Soto e Leonardo Rodríguez escolheram dois personagens para retratar a situação da população indígena do Uruguai a partir da história de Roberto, um trabalhador rural, e Mônica, uma professora de matemática. Descendentes charruas, eles vivem cada qual a sua maneira. Ao mesmo tempo, acadêmicos fornecem dados que permitem entender o cenário atual de uma perspectiva renovada e questionar o Uruguai que ainda se vê como “um país sem índios”.

Do seu lugar na terra, Roberto vive com base em seus valores com naturalidade e discrição. Respeitando a natureza e com um relacionamento especial com os cavalos, ele não sente a necessidade de uma luta política para reivindicar sua identidade. Mônica, por sua vez, tem um papel de liderança no movimento indígena: leva sua luta aos espaços jurídicos e acadêmicos dentro e fora das fronteiras, para obter o reconhecimento da existência do povo uruguaio e fazer justiça pelos crimes da história.

Assista ao trailer:

https://player.vimeo.com/video/212158881TEASER El país sin indios from El país sin indios on Vimeo.

NELSON AYRES E RICARDO HERZ LANÇAM ÁLBUM

Novembro 18, 2017

Jornal GGN – O pianista e maestro Nelson Ayres se une ao violinista Ricardo Herz em novo álbum, já disponível nas plataformas digitais. No cd instrumental, as duas gerações se encontram e dão vida às canções por meio da  improvisação, swing e fluência, sem perder o que é tradição. O trabalho é apresentado como “Nelson Ayres e Ricardo Herz DUO”.

Entre as músicas do novo cd estão “Céu de Outono” (Nelson Ayres), “Maracangalha” (Dorival Caymmi), “Mercedes” (Ricardo Herz), “Upa” (Ricardo Herz), “Chorinho Pro Sion” (Nelson Ayres), “Valsa Tímida” (Ricardo Herz), “Gira Gira” (Ricardo Herz), “Velha Senhora” (Nelson Ayres), “Inocente” (Ricardo Herz), “Salsinha com Limão” (Nelson Ayres) e “Seu Domingos” (Ricardo Herz). formam o repertório do disco.

O pianista, arranjador e compositor Nelson Ayres foi maestro, durante 10 anos, da Orquestra Jazz Sinfônica e também regeu outras orquestra no Brasil e no Exterior, como a Orquestra Filarmônica de Israel. Entre os trabalhos com o piano liderou o “Nelson Ayres Trio”, junto com Monica Salmaso.

Nelson já gravou e tocou com Benny Carter, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gal Costa, entre outros nomes do jazz e mpb.  Ainda, seu Concerto Percussão e Orquestra, feito para Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, foi indicado ao Grammy Latino 2011, como melhor cd de música clássica.

Já Ricardo Herz é marcado pela sua técnica com o  violino, que leva o instrumento ao resfolego da sanfona, o ronco da rabeca e as melodias do choro. Graduado em violino erudito pela USP, Ricardo também estudou na Berklee College of Music, nos Estados Unidos e no Centre des Musiques, do violinista de jazz Didier Lockwood.

No Brasil, o artista tem participados de projetos com Dominguinhos, Yamandú Costa, Hamilton de Holanda, Didier Lockwood, Gabriel Grossi. Ricardo também já tocou com a Orquestra Tom Jobim, a Orquestra Jazz Sinfônica, e a Orquestra Sinfônica da Paraíba. Além de liderar o “Ricardo Herz Trio”, com Pedro Ito na bateria e Michael Ruzitschka no violão 7 cordas.

Confira o lançamento de Nelson Ayres e Ricardo Herz:

SEGURANÇAS DE TERMINAL EM SÃO PAULO ENTREGAM JOVEM ATOR A AGRESSORES

Novembro 17, 2017

RACISMO

Caso aconteceu na madrugada do feriado do dia 15. Depois de ser abordado, ator procurou as dependências do terminal para pedir proteção, mas por ser negro foi devolvido pelos seguranças aos agressores

por Redação RBA.
 
                                         ARQUIVO PESSOAL / FACEBOOK
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Diogo fala da situação de horror que enfrentou. Ele também fez um relato dramático nas redes sociais

São Paulo – Mais um caso de racismo ocorreu na manhã de quarta-feira (15), dia do feriado de Proclamação da República. O jovem ator Diogo Cintra foi agredido nas proximidades do Terminal Parque Dom Pedro II, centro de São Paulo, depois de, segundo relatou, ser entregue aos agressores pelos próprios seguranças do local.

Ao ser abordado pelos agressores, ainda nas proximidades, Diogo se desvencilhou e procurou as dependências do terminal para receber proteção. Ele foi seguido pelos agressores, entre os quais havia dois homens brancos, que já dentro das dependências do terminal e diante dos seguranças inverteram a história, acusando Diogo de roubo.

Em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta sexta-feira (17), Diogo falou da situação de horror que enfrentou. Ele também fez um relato dramático nas redes sociais.

“À noite, eu tinha feito a peça que apresento às terças-feiras. E como era feriado a gente ficou pra comemorar. E aí eu estava voltando para a casa e como era de madrugada, eu tinha que ir para o terminal e lá pegar o ônibus para Santo Amaro. E nas proximidades do Parque D. Pedro dois caras me abordaram, pedindo o que eu tinha”, contou. “Eu disse ‘não tenho nada’. E um deles falou, ‘olha aí no bolso’, e eu comecei a olhar e saí correndo para dentro do terminal. Só que, quando cheguei lá dentro e pedi ajuda, uma vigilante falou assim, ‘só corre, só corre e sai daqui’. E aí eu corri e quando eu estava saindo, vieram mais cinco ou seis seguranças, eu pedi ajuda, e aí vieram os caras que me abordaram com pedaço de pau, e mais três com cachorros. E ai eu falei, ‘gente eles querem me roubar, querem me bater – e o cara (agressor) disse, ‘não, é ele que quer roubar a gente’. Eu perguntei, ‘o que eu quis roubar de vocês?’, e o segurança disse pra eu calar a boca”.

Diogo conta que foi levado para fora da estação, junto com os seguranças. “Lá fora, os seguranças me deixaram e os caras (agressores) foram me levando. Chegando próximo do rio (Tamanduateí), eu comecei a me debater e foi aí que eles começaram a me bater, a me espancar com pau, soco, chute em todo o corpo. E quando eu estava conseguindo fugir, eles falaram para os cachorros me pegarem e então começaram a me morder. Eu tentava levantar e os cachorros me jogavam no chão. Uma menina que estava com eles disse, ‘já está bom, ele já apanhou demais’. E ela espantou os cachorros. Foi quando eu consegui sair correndo para o terminal de novo.”

“Por que os seguranças não acreditaram em você?”, indagou a repórter da rádio Nahama Nunes. “Porque eu saí correndo e no ato do meu desespero, por eu ser negro, eles não acreditaram em mim. Os dois agressores que me abordaram eram brancos. Só que tinha gente morena no meio. Mas os dois que me abordaram eram brancos. Eu só queria a segurança lá dentro, achando que tinha segurança e não tinha. Eles me botaram pra fora para os caras me espancarem”, afirmou.

Ouça a entrevista completa com Diogo: