Archive for Junho, 2018

LIVRO O MARXISMO OCIDENTAL, DE LOSURDO, CHEGA AO BRASIL

Junho 23, 2018

A mais recente obra de Losurdo chega ao Brasil

Nascido no coração do Ocidente, o marxismo se disseminou, com a Revolução de Outubro, por todos os cantos do mundo, desenvolvendo-se de maneiras diferentes e contrastantes, de acordo com o contexto histórico, social e econômico. À diferença do oriental, o marxismo ocidental perdeu o vínculo com a revolução anticolonialista mundial – ponto de virada decisivo do século 20 – e acabou sofrendo um colapso.

Em seu novo livro, Domenico Losurdo conta a parábola do marxismo ocidental: seu nascimento, sua evolução e sua queda. Uma obra polêmica e combativa, que pode ser considerada uma espécie de acerto de contas com o percurso do marxismo ocidental, repassando toda a sua trajetória até suas figuras atuais, como Slavoj Žižek, David Harvey, Alain Badiou, Giorgio Agamben e Antonio Negri, sem deixar de visitar pensadores já clássicos como Theodor W. Adorno, Max Horkheimer, György Lukács, Herbert Marcuse, Louis Althusser, Ernst Bloch e Jean-Paul Sartre. 

Nesta obra, Losurdo diagnostica a “morte” do marxismo ocidental, retraça sua gênese e coloca questões decisivas: seu renascimento seria possível nos dias atuais? Sob quais condições?
Para o professor da Unicamp, João Quartim de Moraes, trata-se de uma obra fundamental para este tempo. “Domenico Losurdo põe em evidência, entre outros, os efeitos politicamente esterilizantes do radicalismo retórico dos pensadores eurocêntricos. Mas a crítica, para ele, não se exaure em seu momento negativo; ela se inscreve na construção histórica da ideia de uma humanidade efetivamente universal. É indispensável, para a reativação do marxismo nos países ocidentais, uma nova síntese programática que ultrapasse a separação entre as lutas diretamente anticapitalistas e as lutas anti-imperialistas e incorpore, em escala internacional, todas as grandes lutas de nosso tempo contra as diferentes modalidades de opressão étnica, racial e sexual.” 

Trecho da obra

“A história que me proponho reconstruir começa a se delinear entre agosto de 1914 e outubro de 1917, entre a eclosão da Primeira Guerra Mundial e a vitória da Revolução de Outubro. Na esteira desses dois acontecimentos históricos, o marxismo conhece uma difusão planetária que o projeta para além das fronteiras do Ocidente em que permanecera confinado na época da Segunda Internacional. No entanto, há o outro lado da moeda desse triunfo: o encontro com culturas, situações geopolíticas e condições econômico-sociais tão distintas entre si estimula um processo interno de diferenciação, com o surgimento de contradições e conflitos antes desconhecidos. Para compreendê-los, somos obrigados a nos questionar sobre as motivações de fundo que levam à adesão ao movimento comunista e marxista que toma forma naqueles anos.”

O lançamento da obra no Brsil é fruto de uma parceria entre a editora Boitempo e a Fundação Maurício Grabois. 

Sobre o autor

Domenico Losurdo nasceu em 1941, na Itália. Professor de História da Filosofia na Universidade de Urbino, doutorou-se com uma tese sobre Karl Rosenkranz. Tem diversas obras publicadas no Brasil, entre elas: Contra-história do liberalismo (Ideias & Letras, 2006), Liberalismo: entre civilização e barbárie(Anita Garibaldi, 2006), Nietzsche, o rebelde aristocrata(Revan, 2009), A linguagem do império: léxico da ideologia estadunidense (Boitempo, 2010), A luta de classes: uma história política e filosófica (Boitempo, 2015) e Guerra e revolução: um século após Outubro de 1917 (Boitempo, 2017). 

Do Portal Vermelho, com Fundação Maurício Grabois

TIROS DE BACAMARTE SÃO HOMENAGENS A SÃO JOÃO

Junho 23, 2018

Em Pernambuco, o 24 de junho também é dia dos bacamarteiros.

Rani de Mendonça

Brasil de Fato | Recife (PE)

"O que tem acontecido em Caruaru também é a falta de incentivo público", afirma estudioso. - Créditos: Foto: Chico Santana/Secult-PE
“O que tem acontecido em Caruaru também é a falta de incentivo público”, afirma estudioso. / Foto: Chico Santana/Secult-PE

São João é uma festa de inúmeras expressões e ritmos culturais. Os bacamarteiros há anos homenageiam os santos com seus tiros e danças. Não há precisão na data que nasceu a tradição dos bacamarteiros, mas a versão mais difundida sobre a origem dos batalhões é que teria surgido após a ocorrência da Guerra do Paraguai (1865). Porém, alguns pesquisadores afirmam que o uso do bacamarte, especificamente no estado, deu-se para saudar aos santos juninos, e teve início com a invasão holandesa em Pernambuco, enquanto que os brincantes afirmam que a origem é anterior a citada guerra, que a tradição surgiu quando do nascimento de São João Batista.

A manifestação cultural, consiste em uma apresentação performática de pessoas, vestidas com calça e camisa de zuarte, lenço no pescoço e chapéu de palha ou couro, reúnem-se em grupos, troças ou batalhões, sob a chefia de um sargento e o controle geral de um comandante, que responde, perante às autoridades, pelos atiradores durante as apresentações. O nome vem da bacamarte, que é uma arma de fogo de cano curto e largo, reforçada na coronha usada por eles. Não se sabe ao certo se é uma arma originalmente brasileira, nem como ela chegou no Nordeste. O que é sabido é que ela foi adaptada para o folguedo, antes era usado com chumbo, agora é com pólvora, porque produz mais barulho e fumaça. 

Segundo o estudioso George Michael, em sua dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), “Os bacamarteiros não são exclusivos da cidade de Caruaru. O folguedo é e encontrado em outras cidades e regiões do estado de Pernambuco e do Nordeste. Contudo, há grande número de grupos na cidade, assim como pela expressividade na cultura regional. A informação quanto ao número de bacamarteiros no município é de aproximadamente 150 brincantes divididos em 8 batalhões”, escreve. No dia 24 de Junho já é festejado no Brasil todo o dia de São João. Em Pernambuco, a data também reverencia os bacamarteiros. Sancionada pelo ex-governador Eduardo Campos, a Lei nº 15.152 institui, no Calendário de Eventos de Pernambuco, o Dia Estadual do Bacamarteiro, mas não é considerada feriado por esse motivo. Mesmo assim, é uma expressão que sofre com pouca fomentação governamental. 

Elivânia Ferreira, 37 anos, sente saudade dos grupos de bacamarteiros que eram tão presentes na infância dela, em Caruaru. Moradora da cidade, Elivânia conta que a ansiedade pela chegada do São João para ver as apresentações dos bacamarteiros deu lugar a preocupação de ser uma expressão que esteja sumindo.  “Antes eram mais valorizados, não sei se porque aqui em caruaru as festas eram mais nas comunidades feitas nas próprias comunidades, nos próprios bairros e agora não é mais. Quase todos os lugares tinha uma palhoça onde os moradores dançavam suas quadrilhas e tinha as apresentações dos bacamarteiros. Naquela época essa expressão é mais forte, hoje não vejo essa força mais. E precisa ser mais valorizada, porque é uma coisa tão linda de se ver”, conta. 

Na cidade de Ibirajuba, no agreste pernambucano, os bacamarteiros eram religiosamente presentes nas festas juninas, mas foi se perdendo, principalmente por causa de muitas prisões de bacamarteiros por porte ilegal de arma. Depois de muita luta por parte dos brincantes e da Prefeitura Municipal da época, os bacamarteiros foram legalizados em uma associação de Caruaru e hoje o transporte da arma pode ser feito com uma guia de tráfego especial, onde consta o nome do bacamarteiro, associação à qual pertence, quantidade de pólvora e um aviso: o documento não garante porte de arma. Para fomentar ainda mais a tradição na cidade, desde 2012 é realizado o Encontro dos Bacamarteiros, que reúne mais de 500 bacamarteiros da região. Os encontro realiza-se em apenas um dia, onde os brincantes assistem uma missa na Igreja de Santa Quitéria e depois seguem em desfile para o centro da cidade, onde começam as apresentações. Segundo Adilson Siqueira, chefe do Batalhão 07 de IIbirajuba, mesmo com o encontro anual, a expressão cultural é pouco incentivada. “ Vivemos ainda com recursos próprios e um pouco da prefeitura do município. E isso é difícil para conseguirmos continuar deixando essa história viva”, afirma. 

Para George Michel, o que tem acontecido em Caruaru também é a falta de incentivo público. “O que existe é uma atuação específica por parte da prefeitura, no período junino e que atende as demandas de uma “indústria cultural”, um apelo midiático que “vende” a maior festa da cidade, que chama a atenção de turistas e, consequentemente, movimenta a economia do município. Isso acaba por enfraquecer o folguedo, por que mesmo com toda a força própria dos bacamarteiros em manter viva a tradição, é essencial que agências de fomento, que no caso seria a prefeitura, incentivem através de patrocínio contínuo, pensando na manutenção dos grupos culturais”, escreve

Edição: Monyse Ravenna

JAZZ E MODERNIDADE COM SAMBARANDA EM SÃO PAULO

Junho 22, 2018

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Jornal GGN – O grupo Sambaranda está de volta ao Brasil, após uma temporada nos Estados Unidos. O giro pelo país lhe rendeu o título de segundo melhor álbum de feriado a Capella, com o CD ‘Um Natal Meio Christmas’. Para comemorar, o grupo marcado por uma sonoridade moderna se encontra com o público em um show no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, no dia 30 de junho, às 21h.

Nos EUA, o Sambaranda concorreu ao Prêmio Contemporary A Cappella Recording Awards (CARA), na categoria Best Holiday Album, ficando em segundo lugar. Em 2017, o grupo também participou da competição internacional, onde ganhou o título de Melhor Álbum de Jazz, com o cd ‘Delírios Vol. 1’ (2017).

O CARA (Contemporary A Cappella Recording Awards) é o reconhecimento americano para os melhores álbuns e gravações de música a capella no mundo e o Sambaranda foi o primeiro grupo brasileiro indicado e premiado.  

Para comemorar, Sambaranda irá apresentar um repertório com canções de ‘Delírios Vol. 1’, entre elas estão Capim (Djavan), Lamento Sertanejo (Dominguinhos e Gilberto Gil), Delírio Carioca (Aldir Blanc e Guinga) Água de Beber (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), entre outras.

Sambaranda foi criado a partir da ideia de Rafael Carneiro de unir sua paixão pela música vocal à música brasileira. Desde 2011, Rafael é acompanhado por músicos que compartilham do mesmo sonho musical, Nani Valente, Penélope Celano, Fredson Torres, Cristiano Santos e Diego de Jesus.

 

Serviço

Sambaranda

Local: Auditório Ibirapuera

Endereço: Pedro Álvares Cabral – Parque do Ibirapuera – Portão 2

Quando: sábado, 30 de junho, às 21h

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

SP: OCUPAÇÃO NOVE DE JULHO TERÁ ARRAIAL DE SÃO JOÃO. CONFIRA PROGRAMAÇÃO

Junho 21, 2018
FIM DE SEMANA
Organizada pelo Movimento Sem Teto do Centro (MSTC), festa terá shows de Maria Gadú e Edgard Scandurra
por Redação RBA.
DIVULGAÇÃO
arraial nove de julho

Festa feita pelos moradores dos dez prédios ocupados na região central pretende criar esse laço de união com a comunidade

São Paulo – A ocupação Nove de Julho, em São Paulo, realizará no próximo sábado e domingo (23 e 24) um arraial que contará com a presença de Maria Gadú e Edgar Scadurra. Organizada pelo Movimento Sem Teto do Centro (MSTC), a festa terá cozinha típica de São João e atividades culturais.

A festa feita pelos moradores dos 10 prédios ocupados na região central pretende criar esse laço de união com a comunidade. Com o lema “O Verdadeiro São João é na Ocupação 9 de Julho”, a festa tem direito a fogueira, quadrilha adulta e infantil, brincadeiras, prendas e shows.

As atrações principais da festa, além de Maria Gadú, Edgard Scandurra, são Taciana Barros, Luedji Luna e Diego Moraes. A fotógrafa Mônica Zarattini fará a abertura da sua exposição Plano, Seco e Pontiagudo, no sábado, às 17h, que exibe imagens de grandes dimensões na fachada das ocupações da Frente de Luta por Moradia (FLM). As imagens pertencem ao livro homônimo que retrata a história da Guerra de Canudos, no sertão da Bahia.

A exposição fotográfica e cartográfica “Ocupar, Resistir, Construir, Morar”, do urbanista Jeroen Stevens também continua aberta a visita nos corredores do prédio durante o arraial.

Já no domingo, às 15h30, quem quiser conhecer o prédio da ocupação poderá participar de uma visita guiada conduzida pela arquiteta Carla Caffé, professora da Escola da Cidade,  e Carmen Silva, coordenadora do MSTC. A partir do mesmo horário, a escritora Neusa Maria faz uma sessão de autógrafo do seu livro Sobreminhapessoa.com, em que retrata a sua história e de sua filha, a cantora Maria Gadu.

A Ocupação Nove de Julho pode ser acessada por duas entradas: pela rua Álvaro de Carvalho, 427, ou pela Avenida 9 de Julho, 610. A festa é gratuita e será das 14h às 23h.

Confira a programação completa

Sábado, 23

14h – DJ Oriundo
15h – Carlos Patrício
16h – Quadrilha
17h – Mário De Granelli
17h – Abertura exposição Plano,Seco e Pontiagudo do fotolivro de Mônica Zarattini
18h – Forró de Corda
19h30 – Igor Veloso
20h20 – Poetisa Samantha Lucas
20h30 – Luedji Luna
21h30 – DJ Ivan Casabom (Festa Primavera Te Amo)
23h – DJ Pedro Barreira

Domingo, 24

14h – DJ Oriundo
15h – Igor Neva e Grupo Samba
15h30 – Visita orientada ao prédio com Carla Caffé e Carmen Silva
16h40 – Trio Pernambuco
18h – Debora Christian e Desirre
19h – Edgard Scadurra, Taciana Barros, Nana Rizinni, Helena Paini
20h – Samant D’Ledgent
21h – Diego Moraes e a poetisa Meg Alegria
21h30 – Maria Gadú
23h – DJ Andi Profano (Festa Profana)

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TVT TRANSMITE FESTA DE SÃO JOÃO A PARTIR DESTA QUINTA-FEIRA

Junho 21, 2018
CULTURA-PARCERIA
Elba Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo estão entre os destaques dos quatro dias das festas juninas na capital e no interior
por Redação RBA.
GOV BA
Pelourinho

Programação junina do Pelourinho é destaque no sábado e no domingo

São Paulo – A partir desta quinta-feira (21) até domingo, a TVT transmite os festejos de São João de Bahia, da capital, Salvador, e das cidades de Cruz das Almas e Amargosa, no interior, em parceria com a TVE Bahia. As cidades terão shows de artistas como Elba Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, dentre outras atrações, em uma das festas juninas mais tradicionais do país.

Elba Ramalho comanda as atrações, em Amargosa, na noite desta quinta-feira (21). Também animam a festa na cidade do Vale do Jiquiriçá os forrozeiros Flávio José e Santana, o grupo Seu Maxixe, o cantor Gabriel Diniz e a dupla sertaneja Henrique e Juliano. Na sexta-feira (22), é a vez da cidade de Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, com Elba Ramalho, Flávio José e a banda de forró Acarajé com Camarão. 

No sábado (23), as transmissões se dividem entre as atrações no Pelourinho, na capital, e Cruz das Almas. Já no domingo (24), as atenções se dividem entre Salvador e Amargosa. Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Lucy Alves são os destaques desses dois dias.

Você pode assistir a TVT no canal digital 44.1 para toda a grande São Paulo;  no canal 512 da NET, na região do ABC Paulista; no canal 513 da NET, em Mogi das Cruzes e no canal 12 da Vivo, em São Caetano do Sul. As transmissões também estarão disponíveis no aplicativo TVT de Bolso para celulares Android e iOS, e também pelo Facebook.

Confira os horários das transmissões

Quinta-feira (21): Amargosa, a partir das 20h 

Sexta-feira (22): Cruz das Almas, a partir das 22h 

Sábado (23): Pelourinho e Cruz das Almas, a partir das 17h 

Domingo (24): Pelourinho e Amargosa, a partir das 17h

registrado em:          

ENTRE VISTAS: JUCA KFOURI ENTREVISTA LECI BRANDÃO

Junho 20, 2018

LEGADO DA SEM-TERRA ROSE SELESTE SERÁ EXIBIDO NO CANAL BRASIL

Junho 20, 2018
CULTURA-MEMÓRIA
Agricultora que virou símbolo da luta pela reforma agrária e defensora dos direitos das mulheres teve sua vida interrompida aos 33 anos, em 1987. Emissora exibe três documentários sobre a ativista
por Redação RBA.
MST
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Rose foi uma das líderes na ocupação da Fazenda Annoni, em 1985 – a maior do MST no Rio Grande do Sul

São Paulo – O canal de TV por assinatura Canal Brasil exibe, nesta quarta-feira e quinta-feira (20 e 21),uma trilogia de filmes que contam a história da agricultora sem terra Roseli Seleste Nunes da Silva. Rose, como era conhecida foi ativista pela reforma agrária e defensora dos direitos das mulheres, mas teve a sua vida interrompida aos 33 anos, em 1987.

Durante uma manifestação pacífica no trevo do município de Sarandi, interior do Rio Grande do Sul, ela foi atropelada por um caminhão carregado de ferro jogado contra as famílias do acampamento. Ela deixou três filhos pequenos. Um deles, Marcos Tiaraju, foi o primeiro bebê a nascer num acampamento de trabalhadores sem-terra, tornou-se médico e, hoje trabalha junto ao movimento,

O primeiro dos documentários sobre a vida da ativista será exibido nesta quarta às 18h. Terra Para Rose(1987) registra a ocupação na Fazenda Annoni, em 1985, um latifúndio improdutivo de mais de 9 mil hectares localizado no município de Pontão, na região Norte do Rio Grande do Sul.

Amanhã, mais dois filmes estão na programação da emissora. O primeiro é Sonho de Rose – 10 Anos Depois (2000), às 18h, que volta à rotina do acampamento da Fazenda Annoni, retratando o sonho de camponeses que conseguiram sua terra e resgata a história da família da agricultora.

Na sequência, às 19h35, o curta-metragem Fruto da Terra (2008) traz a história de Marcos Tiarajú que, aos 22 anos, tornou-se bolsista de medicina, em Cuba.

A ocupação da Fazenda Annoni foi a primeira e a maior já realizada por famílias organizadas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em território gaúcho. Rose se somou às fileiras de uma marcha de 300 quilômetros até Porto Alegre, onde os camponeses ocuparam a Assembleia Legislativa. Eles permaneceram por dois meses no local, até conquistarem uma solução para os trabalhadores que ainda estavam acampados na Annoni.

Em 31 de março de 1987, durante um protesto contra as altas taxas de juros e a indefinição do governo em relação à política agrária que se estendeu por vários municípios, um caminhão investiu contra uma barreira humana formada na BR-386, em Sarandi. A ação resultou em 14 agricultores feridos e em três mortos: Lari Grosseli, de 23 anos; Vitalino Antonio Mori, de 32 anos; e Roseli Nunes, 33.

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CONCEIÇÃO EVARISTO ENTREGA CARTA DE APRESENTAÇÃO E É OFICIALMENTE CANDIDATA À ABL

Junho 19, 2018

A premiada escritora mineira, Conceição Evaristo, entregou a carta de apresentação, o que confirma sua candidatura à Academia Brasileira de Letras (ABL). Ela pleiteia a cadeira número 7, que está vaga desde a morte do cineasta Nelson Pereira dos Santos. Depois da criação de uma petição online, em apoio à escolha de Conceição, a iniciativa repercutiu na internet e já ultrapassou 20 mil assinaturas. “Assinalo o meu desejo e minha disposição de diálogo e espero por essa oportunidade”, diz um trecho da carta.

A escritora já havia dito: “Eu quero entrar porque é um lugar nosso, porque temos direito”. Denise Carrascosa, professora de Literatura da Universidade Federal da Bahia, assinou o texto do abaixo-assinado: “A escritora mineira Conceição Evaristo reescreve a história do Brasil a partir do ponto de vista de quem a vivencia, desde a chegada forçada de seus ancestrais, a partir de todas as suas trágicas e cotidianas impossibilidades”.

Foto: Divulgação

Aos 71 anos, a autora pode ser a primeira mulher negra na ABL em 120 anos. Uma das mais reconhecidas escritoras do país, Conceição nasceu e vivei até a década de 70 na favela do Pindura Saia, em Belo Horizonte. Mudou-se para o Rio de Janeiro, fez mestrado, doutorado e se tornou escritora e professora universitária. Recebeu, em 2017, o Prêmio Govern o de Minas Gerais pelo conjunto de sua obra. Conquistou o Prêmio Jabuti, em 2015, com “Olhos d’água. É autora do romance “Ponciá Vicêncio (2003), de “Becos da Memória”, entre outros.

CARTA CAPITAL: ‘A LITERATURA QUEBRA FRONTEIRA’, DIZ O ESCRITOR UNGULANI BA KA KHOSA

Junho 18, 2018

Literatura Africana

por Clarissa WolFF

O premiado autor moçambicano fala sobre a importância das artes, especialmente a literatura, na identidade cultural do seu país, de independência recente
Por Clarissa Wolff

ungulani

Ungulani escreveu quase dez livros e se aventurou também pela literatura infantil

Ungulani faz 61 anos em 2018, escreveu quase dez livros e se aventurou pela literatura infantil. Em 2016, esteve no Brasil para o lançamento de seu incrível Orgia dos loucos, lançado pela Editora Kapulana, onde a entrevista de quase uma hora de troca de experiências e ensinamentos gigantes aconteceu.

Moçambique conquistou sua independência num passado bastante próximo – 1975 – e as artes, especialmente a literatura, foram importantíssimas para a revolução (Ungulani cita a maravilhosa Noémia de Sousa). 

Ainda hoje é um país com grandíssimas discrepâncias entre o campo e a cidade, diferenças essas que ele explora em seu lançamento por nossas terras – embora Orgia dos loucos tenha sido publicada originalmente em 1990. Nele, o campo é quase um personagem, cenário árduo e sudorento dos histórias doloridas, cruéis, cruas. “A literatura tem que estar ligada a uma realidade cultural forte”, ele declara.

É assim mesmo que ele nos fala sobre violência, morte, pobreza. Aliás, fala talvez não seja o verbo certo: ele mostra, com imagens fortes, linguagem em sincronia perfeita com o tema, personagens pungentes e descrições certeiras e arrebatadoras.

O segundo conto do livro – e o meu favorito – explora com maestria a violência contra mulher, o que, saído de um escritor homem, é um tremendo elogio. O livro é curto, mas não é daqueles que devemos ler com rapidez: é preciso pensá-lo com calma.

Segundo o Ungulani, mesmo com escritores fortíssimos saídos de lá – Suleiman Cassamo e Aldino Muianga, por exemplo, ambos publicados no Brasil pela Editora Kapulana – o povo do país ainda sofre do “complexo de vira-lata”. Ele conta que ouviu o termo pela primeira vez em São Paulo e que ele é perfeitamente adequado para aquela realidade também.

Voltando ao nosso país, ele diz apreciar literatura brasileira, mas conhecer pouco. Em Moçambique, não existe acesso à literatura brasileira contemporânea, e os autores que chegam lá são os que já estão mortos.

Para ele, isso é motivo de muita tristeza. E faz uma provocação: percebe que mesmo no Brasil não existe muita comunicação entre as produções literárias regionais, que poucas vezes extrapolam os limites geográficos. Em geral, são autores do eixo Rio-São Paulo que conseguem atenção. Mas garante: “a literatura quebra fronteiras”.

A gente concorda.

Assista às melhores partes da entrevista:

 

orgiadosloucosORGIA DOS LOUCOS, Ungulani Ba Ka Khosa

Editora Kapulana, 2016

112 páginas

R$32,90

O DESAFIO DE INCLUIR A CULTURA COMO DIREITO BÁSICO E POLÍTICA PÚBLICA

Junho 17, 2018
PROPOSTAS
Ex-ministro Juca Ferreira considera que setor é atingido não só pelas políticas de austeridade, mas pela falta de visão global dos governos. E vê risco de o país tornar-se “parque temático neoliberal”
por Vitor Nuzzi, da RBA.
CC WIKIMEDIA
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Juca Ferreira foi ministro da Cultura dos governos Lula e Dilma e vê a pasta desvalorizada por Michel Temer

São Paulo – Como praticamente todos os setores, a cultura não escapou de cortes impostos por uma política de austeridade implementada pelo atual governo, mas já vinha sofrendo com escassez de recursos. Para um grupo que vem se dedicando a formular propostas no setor, uma mudança só ocorrerá com alteração da “direção política”, a partir da qual seria possível “avançar sobre uma agenda de reorganização do financiamento à cultura”. Algumas políticas melhoraram o acesso da população, avalia o ex-ministro Juca Ferreira, para quem um dos desafios é consolidar a cultura como política público e direito social básico.

Ele participou recentemente de evento organizado pelo coletivo Brasil Debate e pela fundação alemã Friedrich Ebert Stiftung (FES), para refletir sobre o tema e apresentar propostas que poderão subsidiar o debate eleitoral. Texto do consultor João Brant, ex-secretário-executivo do Ministério da Cultura e ex-secretário municipal em São Paulo, fala em “morte lenta” das políticas federais para o setor, mas aponta saídas, desde que haja “uma reversão completa da trajetória dos últimos anos”. Hoje, diz ele, a tendência é “o ministério desaparecer”. 

Isso chegou a acontecer em maio de 2016. Brant recorda que duas horas depois da posse de Michel Temer foi publicada uma medida provisória extinguindo a pasta. Houve reação da classe artística, levando o governo a recuar. Mas um levantamento organizado pelo consultor mostra orçamento em queda livre. 

“Considerado desnecessário por Temer, prejudicado pelo teto de gastos públicos e desamparado pela falta de empenho de seu ministro em trabalhar por sua recuperação, o Ministério padece em morte lenta. Com ele, morre aos poucos também parte significativa das políticas culturais”, escreve Brant. Na prática, segundo ele, há uma perda entre 70% e 80% na chamada área finalística. “Hoje, o MinC tem R$ 100 milhões para executar.” O problema não é novo, mas tornou-se mais agudo – no texto, o ex-secretário cita a ação de uma “navalha” em 2015 e de uma “guilhotina” no ano passado.

Ex-secretário de Políticas Culturais do Minc e autor de livro sobre o assunto, Guilherme Varella cita conceito do ex-ministro Gilberto Gil: fazer políticas culturais é fazer cultura. Houve um início de mudança de postura institucional, em um Estado caracterizado pela falta de políticas públicas, em uma discussão que já não era mais apenas sobre orçamento, mas sobre diversidade. “Hoje, não existe capacidade operacional.”

Com Gil e Juca, cujas interinidades somam aproximadamente dois anos, o orçamento passou de R$ 476,1 milhões, em 2003, para R$ 1,65 bilhão em 2010. “A perspectiva era de criar uma política de Estado baseada não apenas em fomento a atividades culturais, mas em processos regulatórios e políticas públicas que contribuíssem para o desenvolvimento da cultura em três dimensões: simbólica, econômica e cidadã”, escreve Brant. “Estas três dimensões se desdobraram, naqueles oito anos, em ações concretas.” Ele cita, entre outras iniciativas, a criação do programa Cultura Viva, do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e do PAC Cidades Históricas.

O consultor lembra que o orçamento para o Cultura Viva, que já foi superior a R$ 100 milhões, passou para R$ 32 milhões. E o PAC “respira por aparelhos”. Ao mesmo tempo, há um “crescimento significativo” do FSA, “que sustenta grande parte das políticas voltadas para este setor”. 

Juca Ferreira avalia que as políticas de austeridades, isoladamente, não explicam a crise na cultura, que não é vista como parte de uma política pública. Ele recorda de conversas difíceis com técnicos da Fazenda e do Planejamento, que se queixavam de “barulho” vindo do Ministério da Cultura. As dificuldades aumentam com o predomínio do capital financeiro. O ex-ministro vê risco de o Brasil se tornar “um parque temático neoliberal”.  Mas a questão vem também da própria sociedade. “Só 5% vão a museus, só 13% vão a cinema, (se lê) um 1,7 livro por ano”, observa.

O Brasil cresceu sua produção de filmes no pós-Lula (“Fazia menos de 10 por ano, hoje faz mais de 150”) e conseguiu zerar as cidades sem biblioteca, mas parte desse avanço se perdeu. Mais de 600 bibliotecas fecharam, aponta Juca, para quem o número pode ser ainda maior. Ele defende que se discuta como a sociedade se relaciona com as políticas culturais. “Não pode haver dicotomia entre acesso à cultura e cultura como mercadoria”, diz Juca. Mas a cultura deve ser um bem universal – não como hoje, em que o rico tem acesso a tudo, diz, a classe média tem grande parte e os mais pobres ficam com a TV aberta.

Durante a reunião, foram feitos vários relatos sobre atividades culturais em áreas mais distantes nos grandes centros. “As pessoas não vão não porque não gostam.”