ERIC CLAPTON PRODUZIU UMA DAS MAIS ANTOLÓGICAS GRAVAÇÕES DE BLUES. POR AUGUSTO DINIZ

por Augusto Diniz

Outro dia saiu a notícia de que os problemas de saúde de Eric Clapton, 73 anos, talvez o afastem dos palcos. Mas ressalta-se que o cantor e compositor inglês tem uma deferência especial ao blues, o gênero musical surgido nos Estados Unidos intimamente ligado à diáspora africana naquele país.

No ano de 1991, em mais uma série de shows no Royal Albert Hall, imponente casa de espetáculos londrina, ele fez uma gravação antológica com seus músicos favoritos de blues. Há CDs e gravações lançados dos 24 shows realizados por Clapton naquele início de ano no Royal Albert Hall.

Mas uma noite especial dessa série de shows ocorreu no dia 25 de fevereiro de 1991 – nesta data, Eric Clapton reuniu para cantar e tocar de uma só vez no palco os principais músicos de blues da época que ele admirava.

A lista era formada por Buddy Guy (guitarrista e lenda do blues), Albert Collins (brilhante guitarrista falecido 2 anos depois desse show), Robert Cray (guitarrista ícone do blues hoje), Jimmie Vaughan (outro exímio guitarrista e irmão de Stevie Ray Vaughan, conhecido blues player), Johnnie Johnson (falecido, começou a tocar piano com o lendário Muddy Water; conta-se que parou de beber nessa temporada de shows com Clapton, depois de quase sofrer um AVC no palco), Chuck Leavell (mais um brilhante músico tocando teclados), Jerry Portnoy (os solos desse mestre da gaita nesse show são arrepiantes, ao lado dos solos de guitarra), Joey Spampinato (baixo) e Jamie Oldaker (bateria) – esses dois últimos requisitadíssimos músicos norte-americanos.

Esse show foi transmitido ao vivo por uma das rádios da estatal inglesa BBC. Atualmente, o áudio desse específico dia de show está disponível na web aqui.

Destaca-se que as falas do locutor não aparecem nesta versão – cheguei a gravar este show no rádio na versão com a locução. Na época, eu vivia em Londres. Quando trouxe a fita ao Brasil e apresentei a amigos, não havia quem não pedisse cópia – afinal, sem acesso à internet, a gravação era uma raridade por aqui. Certo dia, a minha gravação em fita cassete arrebentou – mas já detinha uma coleção de CDs dos grandes do gênero, como Robert Johnson, Sonny Boy Williamson, Muddy Waters, Albert King, entre outros.

Na ocasião, pedi a um amigo, o Francis, que até hoje vende discos raros em rodas de samba de São Paulo, para reparar a fita e passá-la para um CD – ele ficou também impressionado com o registro.

Essa gravação do Eric Clapton tem alguns clássicos do blues de todos os tempos. Trata-se de um irreparável registro. Desde então passei a respeitar mais esse virtuoso guitarrista. Aquilo que a gente vive pregando no samba de exaltação ao legado, ele fez com maestria no blues, o gênero que toca a alma como o samba.

Imagens

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: