BRASIL DE FATO: “O PAÍS DOS 6 BERLUSCONIS” DENUNCIA CONCENTRAÇÃO DE MÍDIA E SEU IMPACTO NA DEMOCRACIA

CINEMA

Documentário realiza campanha de financiamento coletivo para poder circular pelo Brasil e alcançar pessoas e movimentos

Luciana Console

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Ator Paulo César Pereio fará a personificação da mídia brasileira no filme "O País dos 6 Berlusconis" - Créditos: Rogério Che
Ator Paulo César Pereio fará a personificação da mídia brasileira no filme “O País dos 6 Berlusconis” / Rogério Che

“Os 6 principais grupos de comunicação no Brasil concentram mais de 90% da audiência”, é o que afirma o diretor Pablo Guelli, realizador do documentário “O País dos 6 Berlusconis”. O filme tem previsão de estreia para abril de 2019 e traz entrevistas com pensadores renomados como Noam Chomsky, Luis Nassif, Glenn Greenwald, Jessé de Souza e Xico Sá, entre outros, e faz uma referência à Silvio Berlusconi, ex-Primeiro Ministro italiano, dono de uma rede de televisão e bilionário.

Ao longo dos 70 minutos de duração, o documentário revela como funciona o oligopólio de mídia no Brasil e como ela é usada para beneficiar poderosos e gerar lucro em detrimento do interesse público. 

A ideia de retratar o assunto no audiovisual começou a surgir desde a época em que Guelli trabalhava como jornalista para as grandes empresas de mídia. “Comecei a perceber que a imprensa brasileira sempre tem conflito entre o que é interesse da empresa e do que é interesse público. ‘O país dos 6 Berlusconis’ é o primeiro filme que fala concretamente sobre como a concentração de mídia influencia a democracia brasileira.” 

Produzido inicialmente para o canal CINEBRSILTV pela Salamanca Filmes, “O país dos 6 Berlusconis” foi um dos projetos brasileiros selecionados pela DOCSP e Doc Society, além de ter sido escolhido para o Laboratório de Convergência Audiovisual do Ministério da Cultura e Spcine pelo teor de impacto social. No entanto, Pablo explica que o financiamento não foi suficiente e a produção está com uma página no Catarse para arrecadar fundos. 

“A gente conseguiu verba para produzir o filme, mas não tivemos verba para divulgar nos cinemas de todo o Brasil. Então a gente precisa desse valor para que o filme não seja restrito a um canal à cabo. A gente quer mostrar o filme pra todo o Brasil e quer que as pessoas vejam”, diz. 

A produção será lançada em um momento delicado da política brasileira que, segundo Guelli, é resultado de um ciclo que começou em 2005. O diretor se refere ao escândalo do Mensalão e a forte atuação da mídia brasileira na construção do ódio à um grupo político específico. 

“Acho que todos que começamos a observar como funciona a imprensa brasileira, começamos a ver que existem dois pesos e duas medidas. Por que você dá um peso para o ministro que comprou uma tapioca com cartão corporativo e aquilo rende um mês de reportagens, com direito a capas de jornais e Jornal Nacional?“.

Além das salas de cinema, a campanha no Catarse tem como intuito financiar várias ações de impacto social em torno do tema da concentração da mídia brasileira. A intenção é realizar cine-debates, exposições, peças teatrais e também levar o filme para ONGs, faculdades e governos. 

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira

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