Archive for Fevereiro, 2019

BRASIL DE FATO: HÁ 41 ANOS, O GALO DA MADRUGADA DESPERTA O RECIFE PARA INICIAR A FESTA POPULAR

Fevereiro 28, 2019

CARNAVAL

Dois milhões de corações pulsam todos os anos no maior bloco de rua do mundo

Marcos Barbosa

Brasil de Fato | Recife (PE)

28 de Fevereiro de 2019.

Em 2016, com o tema “Galo, Frevo e Manguebeat”, o desfile homenageou Chico Science, um dos maiores ícones da música pernambucana - Créditos: EBC
Em 2016, com o tema “Galo, Frevo e Manguebeat”, o desfile homenageou Chico Science, um dos maiores ícones da música pernambucana / EBC

As prévias da Folia de Momo já estão a todo vapor em Recife e Olinda. No entanto, como acontece há mais de 40 anos, oficialmente o “carnaval começa no Galo da Madrugada”, como já anuncia o hino do maior bloco de rua do mundo. O primeiro desfile do Galo aconteceu na madrugada do sábado de Zé Pereira do ano 1978, quando um grupo de amigos, liderados pelo empresário Enéas Freire, realizou o primeiro Clube de Máscaras O Galo da Madrugada, com o objetivo de reviver antigos carnavais de rua e dando continuidade à tradição carnavalesca recifense.

A estreia ocorreu em 23 de janeiro de 1978, às 5h da manhã, antes da abertura do comércio no centro da cidade, despertando os recifenses para os dias de folia que se iniciavam. O itinerário começou com a saída da sua sede na Rua Padre Floriano, 43, no bairro de São José. Reunindo 75 foliões fantasiados de alma, o Galo desfilou pelas ruas dos bairros de São José e Santo Antônio, no centro do Recife. 

O trajeto foi mantido por 32 anos, até sofrer alterações. Atualmente, o Galo começa em frente ao Forte das Cinco Pontas e dispersa na Rua do Sol. A saída oficial do bloco também não é mais de madrugada. Hoje em dia, o Galo sai às 10h da manhã e a folia se estende até o final da tarde. 

Na Ponte Duarte Coelho, é montada a estátua do Galo gigante, de mais de 30 m de altura. De um pequeno grupo de foliões, a folia do Galo passou a arrastar multidões, chegando a contar com mais de 2 milhões de pessoas a cada ano. Por isso, é considerado, desde 1995, o maior bloco carnavalesco do mundo, registrado no livro dos recordes. 

Mas a festa do Galo não envolve apenas quem ocupa as ruas para festejar. São centenas de trabalhadores comercializando água e comida para repor as energias dos foliões, ou vendendo os mais mirabolantes adereços e fantasias de plumas, tule e paetês, que vão desde personagens da cultura popular a máscaras de figurões da política. Até mesmo a vizinhança não deixa de festejar. Moradores ficam de suas janelas nos edifícios do centro acenando para o bloco que passa, jogando confetes e serpentinas. Os mais solidários atiram água para refrescar a multidão que torra sob o calor do verão, mas sem perder o sorriso. 

No meio daquela muvuca, sempre está Gildázio Moura, recifense que mora há cinco anos em Afogados da Ingazeira, a 386km da capital pernambucana. A distância geográfica não impede que ele saia todos os anos na madrugada da sexta-feira para o sábado, rumo a Recife, para cumprir seu ritual de carnaval, que ele já mantém permanentemente há cerca de 20 anos. “Meu carnaval sempre foi o Galo da Madrugada. Não curto o carnaval inteiro, mas o Galo é simbólico”, afirma. 

No Recife, Gildázio conta todos os anos com o apoio de colegas, que possuem uma casa localizada em uma rua sem saída no bairro da Boa Vista. No local, amigos e familiares se reúnem para compartilhar feijoada, cerveja, tira-gostos e risadas, confraternizando como exige a festa do Galo da Madrugada. 

A história de amor entre Gildázio e o Galo começou quando ele trabalhava no comércio no centro da cidade e o bloco ainda não era tão conhecido, há mais de 20 anos. Da sexta-feira para o sábado, virava a noite com os amigos até o amanhecer, quando iam vera saída do Galo. “A gente já chegava turbinado de manhã cedo. O Galo não era ainda o que é hoje. Naquela época o carnaval era diferente, a orquestra ia tocando com o povo desfilando, a poeira cobria o povo, que ia fazendo o passo atrás”, relembra. O bloco foi crescendo “extraordinariamente” e Gildázio tem algumas críticas a como esse processo se deu. No entanto, ele reconhece que “o Galo é, ainda, um ícone importante da abertura do carnaval”, mas reforça que ele deveria retornar mais à sua raiz. 

Ao longo dos anos, Gildázio pulou o bloco com diferentes fantasias. “Cada ano é especial”, explica. Em 2019, ele manterá a tradição e irá fantasiado de palhaço Bozo, vestindo uma faixa presidencial, em uma sátira ao presidente Jair Bolsonaro.  

Edição: Monyse Ravenna

BRASIL DE FATO: QUANDO A POLÍTICA VIRA CARNAVAL, O CARNAVAL VIRA POLÍTICA

Fevereiro 27, 2019

FOLIA

É bom já ir se preparando. A folia vai pegar pesado com o governo Bolsonaro, suas trapalhadas e esquisitices, talkey?

Ayrton Centeno

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

27 de Fevereiro de 2019.

Em 2018, o desfile da Paraíso da Tuiuti fez história, ao levar para avenida a crítica a reforma Trabalhista de Temer - Créditos: Foto: Tânia Rego / Agência Brasil
Em 2018, o desfile da Paraíso da Tuiuti fez história, ao levar para avenida a crítica a reforma Trabalhista de Temer / Foto: Tânia Rego / Agência Brasil

No Rio de Janeiro, por exemplo, duas escolas de samba do primeiro grupo, Mangueira e Paraíso do Tuiuti, tratarão do assunto. A primeira homenageando a vereadora Marielle Franco, assassinada há quase um ano, crime político ainda sem solução. A segunda fazendo referências cifradas a Lula no seu samba-enredo O Salvador da Pátria. 

Em 2018, a Paraíso do Tuiuti irritou o Palácio do Planalto ao exibir Michel Temer como um vampiro estilizado. E ainda zombou dos ingênuos que saíram à rua contra a corrupção, chamando-os de manifestoches. Agora, mais sutilmente, vai contar a saga do bode Ioiô, um nordestino baixinho e de barbicha que se elegeu e conquistou o país. E vai irritar de novo os poderosos de Brasília.

O prefeito que vai virar diabo

“Quem foi de aço nos anos de chumbo/ Brasil chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles e Malês/ Mangueira, tira a poeira dos porões/ Ô, abre alas/ Pros seus heróis de barracões”, vai cantar a Mangueira na Marquês de Sapucaí. É um trecho do samba-enredo Canção para Ninar Gente Grande, que resgata personagens esquecidos pela história oficial do Brasil.

Também no Rio, a Acadêmicos do Sossego, do segundo grupo, vai pegar no pé de Marcelo Crivella, que reduziu os recursos para o Carnaval. Segundo promete a escola, o prefeito surgirá com feições de diabo na passarela. Não se Meta com Minha Fé, Acredito em Quem Quiser” é o samba-enredo que questiona o prefeito, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e apoiador de Bolsonaro.

Glória a Deus, chegou a Ursal!

Em Porto Alegre, surgiu o bloco Ai que Saudade do Meu Ex, referência a Lula. “Ai que saudade do meu ex/ Que lutou pra nos libertar/ O povo tá de olho em vocês/ O que o nosso Lula fez/ Vocês não vão apagar”, adverte a canção-tema do bloco. Também da capital gaúcha é a Nau da Liberdade que defende uma sociedade sem manicômios. “Hospício guarda/ Hospício caixa!/ Eu, não me encaixo!” diz um trecho da sua marcha. A proposta da Nau é “festejar a nossa resistência que se alinha às lutas contra as opressões dos machismos, racismos e lgbtfobias”. 

“Daciolo anunciou/ Pra este Carnaval/ Glória a Deus/ Chegou a Ursal”… É assim que começa o Samba da Ursal, do bloco de mesmo nome que vai desfilar em Pelotas. Outro Bloco da Ursal desfila em São Paulo. Se o Sul vem com a Ursal, Olinda vem com a Ursene – União das Repúblicas Socialistas dos Estados do Nordeste, deboche com direito a camiseta vermelha com foice e martelo…  

Eu Avisei virou nome de bloco em São Paulo e em Belo Horizonte. É troça na cabeça dos eleitores que viajaram na maionese na hora do voto. Seus foliões envergarão um abadá laranja… O paulistano Acadêmicos do Baixo Augusta, que desfilará com o tema Que País é Esse?, igualmente vem disposto a cutucar.

“Traz a mamadeira de piroca”

Mas Bolsonaro e sua turma já estão penando mesmo é com as implacáveis marchinhas. Ele, sua família, seus ministros e suas confusões com laranjas. Ironicamente, quem mais abastece de sarcasmo a folia é uma família de Curitiba, sede da Operação lava-Jato.

“Mamãe não deu pra comprar arma/ Me dá o liquidificador/ Traz a mamadeira de piroca/ Goiaba, açaí e a laranja, por favor/  Traz a mamadeira de piroca/  Vou preparar um suco violento e opressor”. É um trecho da Marcha do Pobre de Direita que Marilda, Ligia, Nilson e Isis Passos cantam em vídeos no You Tube com milhares de visualizações. Mas é apenas um dos hits da Família Passos, aplaudida também por A Culpa é do PT, Marchinha da Barbie, Nossa Bandeira Jamais Será Vermelha, Marchinha do Foro Privilegiado, entre muitas. Confira – e ria – nas páginas seguintes.


Este conteúdo foi originalmente publicado na versão impressa (Edição 10) do Brasil de Fato RS. Confira a edição completa.

Edição: Marcelo Ferreira

BRASIL DE FATO: CENTENÁRIO DO BONECO ZÉ PEREIRA É COMEMORADO EM EVENTO NESTA QUARTA-FEIRA (27)

Fevereiro 27, 2019

CARNAVAL

Criado no sertão pernambucano, Zé Pereira é o primeiro boneco gigante do Brasil

Da Redação

Brasil de Fato | Recife (PE)

Fevereiro de 2019.

Boneco Zé Pereira e sua esposa Vitalina - Créditos: Seturpe/Divulgação
Boneco Zé Pereira e sua esposa Vitalina / Seturpe/Divulgação

Pernambuco já está em clima de carnaval, com apresentações culturais e prévias dos blocos de rua. Além das cores e ritmos, tão característicos da festa popular pernambucana, outro elemento da nossa identidade que sempre é lembrado nesta época são os bonecos gigantes, cujos personagens são parte da história do estado. O primeiro de todos eles, o Zé Pereira, está comemorando 100 anos, com direito a festa no Recife.  A comemoração acontece nesta quarta-feira (27) às 17h, no Espaço Umbuzeiro do Centro Cultural Cais do Sertão. 

No último dia 10, Zé Pereira foi recebido em Belém de São Francisco, sua cidade natal, que ainda preserva a tradição de chegada dos bonecos gigantes de barco, pelo rio São Francisco. Agora, ele encerra sua viagem com destino à capital, acompanhado de sua esposa Vitalina. O evento contará com a presença de 25 bonecos gigantes de Olinda, muito frevo e alegria para comemorar o centenário. A ação é promovida pelo o Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Turismo e Lazer e da Empetur. 

História

Zé Pereira foi criado na pequena cidade de Belém de São Francisco, a 497 Km da capital pernambucana. Em 1919, o morador de Belém chamado de Gumercindo Pires, criou o personagem, após ouvir as histórias do padre belga Norberto Phallampin que passou a morar na cidade e celebrar missas na região. O religioso contava que utilizava bonecos grandes para chamar a atenção dos fiéis e convencê-los a assistirem às missas. Pensando nisso, o Gumercindo resolveu “tirar” os bonecos do sagrado e levar para o profano, criando assim o personagem e utilizando no Carnaval da cidade.

 

Segundo os dados da professora da Universidade Federal de Pernambuco e moradora de Belém de São Francisco Tercina Lustosa, o Zé Pereira se tornou um sucesso, mudando o cenário do Carnaval da região. “O sucesso de Zé Pereira era enorme entre as crianças e os idosos. Ele foi idealizado pelo Gumercindo e criado em equipe com sua tia e amigos. Cada um construiu um pedaço do boneco. O nome foi dado em homenagem a um português conhecido por José Nogueira de Azevedo Paredes, comerciante estabelecido no Rio de Janeiro em meados do século 19, que tinha no sangue as raízes e alegorias carnavalescas de sua terra”, comenta Tercina. 

Passados dez anos da idealização de Zé Pereira, Gumercindo da vida à companheira do seu boneco, e criou Vitalina. Nos anos seguintes, outros personagens foram criados, além de bichos e de bonecos com o Pierrot e a Colombina. Uma curiosidade é que, diferentemente dos bonecos gigantes vistos no Recife e em Olinda, os de Belém não incluem imagens de figuras conhecidas ou artistas, são sempre personagens criados pelo imaginário dos bonequeiros. 

 

Edição: Monyse Ravena

BRASIL DE FATO: EM ENSAIO, PARAÍSO DO TUIUTI IRONIZA CANDIDATURAS FALSAS DO PARTIDO DE BOLSONARO

Fevereiro 27, 2019

LARANJA

Último dia de ensaio técnico das escolas de samba foi marcado pela distribuição de laranjas para público na Sapucaí

Clívia Mesquita

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

Fevereiro de 2019.

Homem com fantasia de bode distribuiu laranjas ao público no Sambódromo no último domingo (24) - Créditos: Magaiver Fernandes/Carnavalesco
Homem com fantasia de bode distribuiu laranjas ao público no Sambódromo no último domingo (24) / Magaiver Fernandes/Carnavalesco

Vice-campeã do carnaval carioca em 2018, a Paraíso do Tuiuti levou para o último ensaio técnico na Marquês de Sapucaí uma crítica ao esquema de candidaturas falsas do atual governo envolvendo o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. Na Comissão de Frente, homens engravatados representavam políticos e bailarinas vestiam roupas e perucas monocromáticas na cor que virou assunto no país por causa do escândalo de corrupção: laranja.  

A entrada da escola de samba na avenida ainda contou com um homem fantasiado de bode que lançava a fruta em direção ao público do Setor 1, arquibancada mais próxima da concentração na Marques de Sapucaí. No entanto, a apresentação, que foi muito comentada na internet durante esta segunda-feira (25), não será a mesma do desfile oficial na próxima segunda (4). A última noite de ensaios técnicos deste domingo (24) encerrou com o desfile da Beija-Flor de Nilópolis, da Baixada Fluminense, campeã do ano passado.

Com samba-enredo “O Salvador da Pátria”, a Tuiuti fez a passagem de luz e som na passarela depois do ritual de lavagem do Sambódromo pelas baianas de várias escolas e mães de santo. A tradição pede proteção e boas energias aos orixás para o carnaval de 2019.

Para a foliã Isabella Nunes, que desfilou na ala em homenagem a escritora Conceição Evaristo, a iniciativa de distribuir laranjas aumentou a expectativa sobre as surpresas que estão por vir. “Foi muito interessante e inesperado ver esse início jogando as laranjas porque já demonstra o tom que vai ser o desfile. Agora eu estou mais curiosa”, comenta a gestora de projetos culturais. 

A irreverência do humor nas críticas políticas marcou o desfile da escola de São Cristóvão, bairro da zona Norte do Rio de Janeiro, também no ano passado. O “vampirão” com faixa presidencial fez sucesso e causou polêmica na avenida em referência ao ex-presidente Michel Temer (MDB). “Acho que vai ser mais um desfile histórico, com uma crítica bastante forte a tudo que a gente tá vivendo desde o golpe”, completa Isabella. Em 2018, a Tuiuti ironizou os “manifestantes fantoches” que saíram às ruas com camisas do Brasil pedindo o impeachment da Dilma Rousseff (PT). 

Edição: Mariana Pitasse

PORTAL FÓRUM: MORRE O CANTOR E COMPOSITOR TAVITO, AUTOR DE RUA RAMALHETE E CASA DE CAMPO

Fevereiro 26, 2019

26 DE FEVEREIRO DE 2019.

De acordo com o comunicado, o músico lutava contra um câncer na língua

Foto: Divulgação

O cantor e compositor mineiro Luís Otávio de Melo Carvalho, conhecido de todos como Tavito, morreu na manhã desta terça-feira (26), aos 71 anos. A informação foi noticiada pelo amigo do artista, o também músico Sonekka Osmar Lazarini, em uma rede social. De acordo com o comunicado, o músico lutava contra um câncer na língua.

“Eu não queria dar esta notícia, mas a Celina me pediu pra avisar o pessoal. Com o coração estraçalhado comunico aos amigos que nosso imenso e insubstituível Tavito Carvalho acabou de partir para a grande viagem de volta ao pai.”

No post, Sonekka dá maiores detalhes: “Ele descobriu um câncer embaixo da língua. Aí foi tratar, acabaram com a boca dele, não podia beber, engolir, puseram sonda, que virou infecção, que passou para pulmão, que virou UTI e é isso”, escreveu.

Tavito nasceu Luís Otávio de Melo Carvalho, no dia 26 de janeiro, de 1948. Integrante meio afastado do Clube da Esquina, compôs, em parceria com Ney Azambuja, o sucesso “Rua Ramalhete”. É autor também, com Zé Rodrix, da canção “Casa no Campo”, imortalizada na década de 70 por Elis Regina.

 

PORTAL FÓRUM: OSCAR 2019: PREMIAÇÃO PARA MULHERES E NEGROS É RECORDE

Fevereiro 25, 2019
25 DE FEVEREIRO DE 2019.

Cerimônia do Oscar, que aconteceu na noite deste domingo (24), premiou 15 mulheres com a estatueta e 7 negros

Regina King, melhor atriz coadjuvante, e Spike Lee, melhor Roteiro Adaptado (Divulgação)

A edição 2019 do Oscar entregou mais estatuetas para mulheres e artistas negros do que qualquer outra na história da premiação. A cerimônia, realizada na noite deste domingo (24), em Los Angeles consagrou os filmes ‘Green Book: O Guia’, ‘Roma’ e ‘Bohemian Rhapsody’.

Segundo o “The Wrap“, foram 15 estatuetas para mulheres e 7 para pessoas negras. O recorde de premiações para artistas do sexo feminino havia sido estabelecido em 2007, quando 12 mulheres venceram o Oscar. A edição de 2015 igualou este número, mas não o ultrapassou.

Em seu discurso no Oscar 2019, Spike Lee, um dos consagrados na premiação em roteiro adaptado, “Infiltrado na Klan”, celebrou a ancestralidade e sua história:

“A palavra hoje é ironia. Hoje é 24 de fevereiro, o mês mais curto do ano. Também é o mês do ano da história negra. 1619… Há 400 anos nós fomos sequestrados da África e trazidos para a Virginia, escravizados. A minha avó, que viveu até 100 anos de idade, apesar de sua mãe ter sido escrava, conseguiu se formar. Ela viveu anos com seu seguro social, e conseguiu me levar para a universidade NYU. Diante do mundo, eu gostaria de reverenciar os ancestrais que construíram esse país, e também os que sofreram genocídios. Os ancestrais que vão ajudar a voltarmos a ganhar nossa humanidade. As eleições de 2020 estão chegando, vamos pensar nisso. Vamos nos mobilizar, estar do lado certo da história. É uma escolha moral. Do amor sobre ódio. Vamos fazer a coisa certa”, disse Lee.

Veja responsáveis pelo recorde dos negros:

Regina King (Atriz Coadjuvante, “Se a rua Beale falasse”)
Mahershala Ali (Ator Coadjuvante, “Green Book: O Guia”)
Spike Lee (Roteiro adaptado, “Infiltrado na Klan”)
Kevin Willmott (Roteiro adaptado, “Infiltrado na Klan”)
Hannah Beachler (Direção de arte, “Pantera Negra”)
Ruth Carter (Figurino, “Pantera Negra”)
Peter Ramsey (Animação, “Homem-Aranha no Aranhaverso”)

Veja responsáveis pelo recorde das mulheres:

Ruth Carter, figurino por “Pantera Negra”
Elizabeth Chai Vasarhelyi e Shannon Dill, documentário por “Free Solo”
Rayka Zehtabchi e Melissa Berton, documentário curta-metragem por “Absorvendo Tabu”
Kate Biscoe e Patricia DeHaney, maquiagem por “Vice”
Hannah Beachler, direção de arte por “Pantera Negra”)
Domee Shi eBecky Neiman-Cobb, curta de animação por “Bao”
Jaime Ray Newman, curta por “Skin”
Nina Hartstone, edição de som por “Bohemian Rhapsody”
Lady Gaga, canção original por “Shallow” de “Nasce uma estrela”

 

VÍDEO: JARDS NACALÉ CANTA TREVAS

Fevereiro 25, 2019

BRASIL DE FATO: OLINDA RECEBE 18ª NOITE PARA OS TAMBORES SILENCIOSOS

Fevereiro 25, 2019

AGENDA CULTURAL

Evento acontece na noite desta segunda-feira (25)

Da Redação

Brasil de Fato | Recife (PE)

25 de Fevereiro de 2019.

Cortejo mistura religiosidade e arte  - Créditos: PE no Carnaval
Cortejo mistura religiosidade e arte / PE no Carnaval

A Associação dos Maracatus de Olinda (AMO) realiza, na segunda-feira (25), a 18ª Noite para os Tambores Silenciosos, que mistura religiosidade e arte no tradicional cortejo. O evento tem início às 20h, com saída dos Quatro Cantos, em direção à Igreja Nossa Sra. do Rosário dos Homens Pretos, no Bonsucesso.

Se apresentarão os maracatus Nação Camaleão, Nação Badia, Nação PE, Nação de Luanda, Leão Coroado, Nação Maracambuco, Nação Tigre, Nação Estrela de Olinda, Nação Sol Brilhante e convidados. O evento é gratuito.

Edição: Monyse Ravena

BRASIL DE FATO: PARA VIVER DE ARTE TEM QUE GOSTAR DO AFETO E DO COLETIVO

Fevereiro 25, 2019

TEATRO

A atriz Ana Rosa Tezza é dona do espaço cultural Ave Lola diz que o teatro gera emprego e, principalmente, autoestima

Ana Carolina Caldas

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

25 de Fevereiro de 2019.

Ana  conta com uma equipe que chama de “trupe”, responsável por concretizar os projetos do Ave Lola. - Créditos: Arquivo pessoal
Ana conta com uma equipe que chama de “trupe”, responsável por concretizar os projetos do Ave Lola. / Arquivo pessoal

Há oito anos, a atriz e diretora Ana Rosa Tezza é proprietária do espaço cultural Ave Lola, situado no centro de Curitiba, próximo à Universidade Federal do Paraná.  Ana, que tem mais de 30 anos atuando nas artes cênicas, acredita que para se viver de arte é preciso gostar do afeto e do coletivo. Por isso, conta com uma equipe que chama de “trupe”, responsável por concretizar os projetos do Ave Lola.

Em entrevista para o Brasil de Fato, a atriz e diretora conta que para se tornar dona de um teatro, trilhou um longo caminho de aprendizado. “Trabalho com arte desde os 18 anos. Para chegar neste lugar, de ter um teatro, foi um aprendizado longo, pois minha família não é das artes, sou filha de médica e advogado. Foi algo que fui descobrindo sozinha, encontrei pessoas que me trouxeram até aqui”.

Sobre viver de arte no Brasil, Ana diz que o teatro por si não gera lucro, mas gera trabalho. “O que fazemos é Teatro Experimental, que requer pesquisas, um público menor a cada exibição e, portanto, não estamos inseridos na indústria de massas. Não acho que o teatro por si só seja lucrativo. Mas ele gera emprego sim e, principalmente, autoestima”. 

 

Edição: Laís Melo

LILIAN MILENA: ATOR COM DEFICIÊNCIA EMOCIONA O PÚBLICO NO GOYA AWARDS 2019

Fevereiro 24, 2019

Ganhador do prêmio de melhor ator revelação, Jesús Vidal, destaca o papel da inclusão e o apoio da família

Reprodução

Jornal GGN – O discurso do melhor ator revelação do Goya Awards 2019 emocionou o público na entrega na premiação da academia espanhola de filmes. Jesús Vidal tem 44 anos e é portador de deficiência mental. Ele fez parte do elenco do filme Campeones.

A película, dirigida por Javier Fesser, conta a história de Marcos Montes, o assistente técnico do time de basquete CB Estudiantes, o clube mais conhecido da cidade de Madri. Sua arrogância acaba fazendo ele perder o emprego após uma briga com seu treinador durante um jogo.

Depois de beber exageradamente e sair dirigindo, o assistente se envolvendo em um acidente batendo na traseira de um carro de polícia. O homem é condenado a fazer serviço comunitário, quando conhece a equipe de basquete Los Amigos, formada por pessoas com deficiência.

Ao receber o prêmio de melhor ator revelação, Jésus Vidal que interpretou o personagem Marín, emocionou o público da 33ª edição do Goya ao falar do tema da inclusão.

“Senhoras e senhores da academia, vocês escolheram como melhor ator revelação um ator com deficiência. Vocês não sabem o que isso significa. Me vem à cabeça três palavras: inclusão, diversidade, visibilidade. Que emoção! Muitíssimo obrigado”, disse.

“Esse trabalho representa também meus 9 companheiros, da equipe de Los amigos”, continuou Vidal, se referindo aos outros atores com deficiência que participaram do filme.

“Companheiros, sem o seu frescor, espontaneidade e talento isso não seria possível”, completou.

O ator também agradeceu aos pais, arrancando lágrimas da mãe que estava na plateia.

“Mãe, obrigada por dar me a vida, obrigada por dar me tudo, por ter feito nascer em mim o amor às artes e porque me ensinou a ver a vida com os olhos da inteligencia e do coração (…) Don José Vidal Conde, meu pai, obrigada por ter vivido, por lutar tanto por mim, porque foi a pessoa com mais ternura do planeta, sem pretender isso, e porque com um só sorriso mudava o mundo”, concluindo:

“Queridos pais, sim, eu gostaria de ter um filho como eu, porque tenho pais como vocês”.

Além do prêmio de Melhor Ator Revelação, Campeones foi agraciado com o Prêmio de Melhor filme no Goya 2019.