CARTA MAIOR CINEMA: BERGMAN HITCOCKIANO

 

 

Enquanto via ou revia os filmes iniciais da carreira de Ingmar Bergman nesses dias de quarentena, me surpreendi com algo de que nunca tinha ouvido falar. Bergman costumava fazer aparições fortuitas, à maneira de Hitchcock, em alguns de seus filmes. Extraí as cenas e as reuni no vídeo abaixo.

A primeira foi em Sede de Paixões (1949). A câmera apenas passa por ele no corredor de um trem. A aparição é tão rápida que eu tive que ralentar a cena para que se possa notá-lo.

Em Quando as Mulheres Esperam (1952) ele tem a autoexposição mais ostensiva. Maj-Britt Nilsson sai do ginecologista enquanto Bergman entra no saguão do edifício e para em pose diante do espelho em que ela se mira, um leve sorriso maroto no rosto.

Uma Lição de Amor (1954) tem Ingmar novamente no corredor de um vagão de trem, agora lendo um jornal. Gunnar Björnstrand precisa pedir licença duas vezes para passar. Em Sonhos de Mulheres (1955), Eva Dahlbeck e Harriet Andersson dão entrada num hotel e cruzam com ele, que passa sorridente conduzindo um cachorro.

Nas quatro aparições anteriores, o cineasta enverga seu conhecido gorro, que parecia estar colado a sua cabeça ao longo dos anos 1940 e 1950. Já em O Rito, de 1969, ele traz adereço bem diferente sobre a careca. A cena se passa num confessionário, e o resto é surpresa.

 

 

*Publicado originalmente no blog do autor

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