Archive for the ‘América Latina’ Category

8° ENCONTRO DE CINEMA NEGRO ZÓZIMO BULBUL – BRASIL, ÁFRICA E CARIBE

Maio 29, 2015

encontro179626O 8° Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África e Caribe que teve sua abertura no dia 27 e vai ser exibido até o dia 4 de junho, tem como objetivo a troca de experiência de diversos cineastas de outras localidades e resgatar a presença do negro no cinema nacional e internacional.

Durante esse período serão apresentadas várias obras cinematografias com a temática da cultura negra em sua total abrangência. São cinemas que não se reduzem apenas a mostrar o preconceito e as discriminações que sofre o negro, mas também mostrar seu princípio ontológico de ser em sua negritude. Negritude como dimensão política do negro em sua liberdade e identidade. 

A abertura do encontro que ocorreu no Cine Odeon, teve como exibição o filme do guineense Cheick Fantamady Camara, Morbayassa.

De acordo com Joel Zito Araújo, curador do encontro, os negros devem se prepara para o diálogo com o Brasil inteiro e não entre eles nos “guetos” do movimento negro.

“Existe uma naturalidade das narrativas, como se o ser humano fosse naturalmente branco e o negro ou o índio a exceção. Há muita história para contra, não só da população negra, mas da representação do Brasil como um país da diversidade racial. Não queremos ficar no gueto nem ficar falando para o gueto.

A temática negra não é só a discussão do racismo, envolve também aspectos da cultura negra. É um olhar do negro sobre o mundo, sobre a sua contemporaneidade.

Hoje, efetivamente, há uma nova geração de participantes negros: no Rio o pessoal do Nós do Morro e do Cufa, na Bahia há um núcleo negro importante; em São Paulo também. Estamos em um novo momento no Brasil.

O negro deixou de ter vergonha de ser negro e começou a dizer: queremos mostrar o nosso ponto de vista sobre a realidade, os nossos sonhos, os nossos desejos, as nossas angústias, as nossas vergonhas, as nossas alegrias”, analisou Zito Aráujo.

Participando do encontro, a escritora Ana Maria Gonçalves, disse que as formas de expressões artísticas culturais dos negros é muito singular.

“O universo que a gente retrata ao contar histórias, ao escrever, ao fazer cinema, ou seja o que for, é um universo muito próprio nosso, de nossas experiências pessoas e até experiências externas.

Acho que a importância em se ter mais negros em posição de escolha, do que contar e como contar, permitirá que eles contem histórias próprias, de experiências, que não têm sido contadas pelo mercado branco elitizado.

Por anos, a oralidade do negro não foi considerada literatura, e, em muitos lugares, ainda não é. Talvez o cinema realize essa nossa luta de escritores negros para que a oralidade seja considerada literatura”, observou Ana Gonçalves. 

Também participando do encontro, o escritor e roteiristas Paulo Lins, disse que o negro agora se define como um ser que está fazendo cinema.

“O pessoal negro está fazendo cinema. Antes não fazia. Só quem fazia era branco. O negro está ganhando espaço, está produzindo, usando novas tecnologias, fazendo videoclipe, botando no Youtuby”, disse Paulo Lins.

As sessões cinematográficas também poderão ser assistidas na Biblioteca Parque e no Museu de Arte do Rio. E o que também é bom: gratuitamente.

Quem necessitar de arte e pretender vivenciar novas formas visuais, auditivas e cognitivas, é o momento! É preciso fazer os sentidos e a cognição ultrapassarem o que já se encontra estabelecido como realidade-imutável e necessária como dogmática da vida

REVOLUÇÃO SEXUAL EM CUBA, DOCUMENTÁRIO DO CINEGRAFISTA JOAN ALPERT

Abril 25, 2015

248e3ec7-5989-469e-b4f4-49f3dc7070edEm 47 minutos, o documentário longa-metragem Revolução Sexual em Cuba, do cinegrafista norte-americano Jon Alpert, mostra a luta da comunidade LGBT contra a discriminação, o preconceito e a opressão. A promoção é da competência da programação Cine Direitos Humanos.

O Projeto Cine Direitos Humanos foi iniciado no ano de 2013 e tem como objetivo precípuo exibir produções cujas temáticas mostrem a realidade das minorias, suas formas de enfrentar as adversidades e suas lutas pelos direitos que lhes são negados. Os filmes que são exibidos no projeto são tanto nacionais como estrangeiros. Basta apresentar essa temática. O projeto é uma realização da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, apoiada pelo Grupo Espaço de Cinema.

O documentário, Revolução Sexual em Cuba, conta com a participação da filha do presidente de Cuba, Raúl Castro, e sobrinha do comandante Fidel Castro, Mariela Castro que é a principal militante da causa LGBT no país.

O documentário, Revolução Sexual em Cuba foi filmado em espanhol com legenda em inglês. Após a exibição haverá um debate sobre o tema e o documentário  com o diretor Jon Alpert, o secretário municipal de Direitos Humanos Eduardo Suplicy e o secretário-adjunto, Rogério Sottili.

 

VICTOR JARA, CANTOR, POETA E ATIVISTA MORTO PELA DITADURA CHILENA, SERÁ HOMENAGEADO POR FABIANA COZZA E RENATO BRAZ

Abril 16, 2015

imageNos dias 24 e 25 do mês corrente, os cantores e compositores Renato Braz e Fabiana Cozza estrão realizando homenagem a um dos mais importantes artistas do mundo. O chileno Victor Jara. Quem é Victor Jara (quem é, e não quem foi, porque a vida é movimento sem pontuação temporal)? Victor Jara canta e luta pela vida como liberdade de se fazer humana. Um homem-artista livre!

Salvador Allende é presidente do Chile. Uma experiência socialista na América do Sul. O princípio fundamental da vida se fazia cotidiano: a liberdade. Mas existem os que não suportam suas liberdades, porque não sabem como ser livre, e muito menos as liberdades dos outros. Daí que cultuam a morte sem o sentido natural, mas como valor de destruição sádica.

327233aa-5d9d-4303-992c-890e39321226O ano é 1973, o general, amante de Tânatos e não de Eros, Augusto Pinochet, consuma um golpe de Estado, implanta a ditadura no Chile e passa a perseguir, sequestrar, prender, torturar e matar os amantes da vida-liberdade. Victor Jara, cantor, compositor, poeta e ativista político é preso, torturado e morto. Durante a tortura os covardes militares entregam-lhe o violão e mandam-lhe tocar. Ele toca. Os covardes militares esmagam seus dedos e mandam outra vez, que ele toque. Ele pega o violão e toca. Os covardes batem com mais violência em suas mãos e mandam que ele toque. Ele segura o violão, com grande esforço, e toca. Os covardes, dominados pela fúria ao verem diante de si um homem livre que não se curva diante da irracionalidade e do ódio, o fuzilam.

renatobraz1É esse artista da liberdade que os artistas Fabiana Cozza e Renato Braz vão homenagear. Vão homenagear o criador das canções moventes Te Recuerdo Amanda e El Derecho de Viver em Paz. A dupla terá como acompanhantes musicais Beto Angerosa na Percussão, Gabriel Levy no acordeon, Sérgio Valdeos no violão, Fi Maróstica no contrabaixo e Celso Marques no sax e flautas.  

Além das participações dos músicos, a homenagem contará com a participação de Annie Murath, atriz e cantora chilena.

Se houver interesse para saber mais sobre o golpe no Chile a indicação é assistir o filme Chove Em Santiago.

Vamos nessa! É um canto pela liberdade e identidade da América Latina!

NO DEVIR EDUARDO GALEANO “AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA”

Abril 14, 2015

9891038b-ac20-4449-91ba-44ff187e23c0Ontem foi dia 13 de abril, Eduardo Galeano continua em fluxos mutantes e quantas desterritorializantes. A literatura filosoficamente engajada que leva a América Latina a sua condição de território de produção de libertação. A literatura que não pretende o descritivo, o interpretativo e o figurativo, mas o movimento.

As veias da América Latina se abrem não somente como indignação, mas como produção de liberdade política, cultural, literária, artística, científica, antropológica, econômica como corpo de disjunção da força opressiva imperialista. Veias que pulsão em continua produção de um sempre vir a ser. Devir Eduardo Galeano como processual literário encantador e desbravador de novas potências

divulgacao_lusa3Um filósofo cuja literatura faz vibrar as paredes das artérias cerceadoras dos movimentos. Dos transcursos, dos percursos. Filósofo como condição de observar, examinar e apresentar o novo. Da quadratura do futebol à sua liberdade criativa. Eduardo Galeano tem o jogador como um artífice de seu esporte que não deve se submeter às regras dos cartolas que seguem as regras do mercado. O jogador deve criar fruindo com alegria para criar a alegria do povo. Seu livre futebol é sua dimensão política que escapa das grades cerceadoras.

4dc54bdd-c728-44d7-97ca-73f919e5a9b8Escrever filosofando é se movimentar entre todas as ambiências-histórias tocando de leve ou pesado em seus personagens e suas causas, com a condição de comprometer o presente como excitação-futuro. No caso da literatura nada de superficialidades negadoras da vida. E no caso da América Latina comprometer todas as causas e condições pela singularidade do home latino.

910866-feira do livro_galianiComo um literato-filosofante, Eduardo Galeano carrega o entendimento, o os sentidos no homem alegre, como seu amigo Jose Mujica, o presidente o revolucionário-movente. Os dois acreditam que as veias são corpos do movimento do sangue-vida. Que estejam abertas ou fechadas contanto que se movimentem.

Eduardo Galeano, a grandeza e a sobriedade exaltadoras da vida contra a “ditadura do medo”.

Veja a entrevista que Galeano concedeu ao sociólogo e escritor Emir Sader na TV Brasil.

SEGUNDA EDIÇÃO DO FESTIVAL DOIS PONTOS CONCEBE INTEGRAÇÃO COM A ARTE CÊNICA ARGENTINA

Março 14, 2015

festival-dois-pontos-promove-intercambio-com-nova-arte-cenica-argentinaCriado há dois anos, o Festival Dois Pontos realiza até o dia 29 a encenação de oito peças da dramaturgia argentina, com duas sendo estreia mundial. Este ano o festival tem como perspectiva a integração com a arte cênica argentina. Seguindo seu objetivo, no ano de 2013, o festival realizou seu intercâmbio cultural com a cena de Portugal.

O festival é decorrente das parcerias dos coletivos artísticos Á gora, Câmbio, No Lugar, Os Ciclomáticos, Projeto Entre e Vem responsáveis pela administração dos espaços Teatro Sérgio Porto, Café Pequeno, Gonzaguinha, Ipanema, Maria Clara Machado e Ziembinski.

A nova cena argentina vai encenar no festival, além de outras, os espetáculos Constanza Muere, dirigida por  Ariel Farace, e Capitán, dirigida por Agustín Mendilaharzu e Walter Jacob, que é uma parceria com a companhia Timbre 4. Pela cena brasileira um diálogo com dois autores argentinos Júlio Cortázar e a poetisa Alfonina Storni no texto, O Perseguidor – Um tribunal a Júlio Cortázar e Charlie Parker. A composição artista expressada através de música e leitura. Parker representa um dos maiores talentos do saxofone argentino. Cortázar, não precisa de comentários: é internacionalmente reverenciado por sua literatura do realismo fantástico.  

“As atrações selecionadas para o Festival Dois Pontos foram pensadas para cada um desses espaços. São produções que dialogam com a proposta da residência artística”, observou Maria Vieira, uma das realizadoras do festival.

2° ENCONTRO DE MÚSICOS LATINO-AMERICANOS

Fevereiro 2, 2015

Encontro_Anne_Vilela-2Já se encontram abertas as inscrições para o 2° Encontro de Músicos Latino-Americanos (Enangra) que ocorrerá entre os dias 5 e 9 de agosto em Angra dos Reis. Serão 25 vagas para músicos amadores ou profissionais envolvidos com a música que expressam a cultura da América Latina. As vagas estão distribuídas da seguinte forma: dez para músicos de outras localidades e quinze para músicos de Angra dos Reis.

A Comissão –Geral do Encontro afirmou que além dos músicos selecionados também participarão do encontro músicos de outros países como a cantora argentina Mariana Avena, cantor e flautista espanhol Emilio de Angeles, criador do Grupo Taracón. E ainda contará como coordenador-musical o baterista e percussionista o uruguaio Jonathan Andreoli. O encontro será apresentado em locais tradicionais da cidade e praças públicas. Durante o evento serão realizadas oficinas de instrumentos musicais.

“Você tem muitos músicos da América Latina morando no Brasil e fazendo sua arte de forma independente. Esse encontro, na verdade, é uma oportunidade de a gente fazer um intercâmbio, trazer todas essa pessoas que estão fazendo o seu trabalho para um local onde podem trocar experiências”, observou o músico Leandro Vieira, coordenador-geral do encontro.

EXPOSIÇÃO PAPAGAIO DE HUMBOLDT: RESGATE DE 15 LÍNGUAS INDÍGENAS DA AMÉRICA LATINA

Fevereiro 1, 2015

imagem-paulo-nazareth-maria-eugenia-728x444_0A exposição Papagaio de Humboldt começa no dia 3, no Rio de Janeiro. Ela mostra o resgate de 15 línguas indígenas da América Latina, sendo quatro do Brasil. A exposição mostra as últimas palavras de um idioma extinto na Patagônia que são expressões em forma de memorial e um vocabulário de 50 palavras restantes e um povo. São 550 idiomas escritos nas paredes das salas divididas de acordo com as regiões onde são falados. Costa Rica, Panamá, Nicarágua, Guatemala, Equador, Chile, Peru, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Venezuela, Argentina e Brasil.

Para realizar a exposição e o público possa vivenciar as línguas são usadas caixas de som nas salas para criar um ambiente polifônico o que leva o público a uma experiência linguística-sonora clara. A exposição foi criada pelo Instituto Goethe e conta com a curadoria de Alfons Hug.

As instalações sonoras foram produzidas por cineastas e artistas plásticos dos países que estão sendo representados. O material foi recolhido através de filmagens nas próprias regiões assim como entrevistas com descendentes dos povos.

“A ideia é criar um efeito de igreja. Quando você entra em uma igreja, ouve todos orando ao mesmo tempo. Ao se aproximar, você escuta de forma mais nítida, e o que chama atenção é a diversidade.

Sempre se fala da diversidade biológica e da preservação de animais e plantas. Mas essas línguas também representam a riqueza dos povos indígenas”, disse o curador.

CULTURA VIVA COMUNITÁRIA

Dezembro 6, 2014

image_preview (1)

Termina amanhã, dia 7, a Semana da Cultura Viva Comunitária que reúne 17 países latino-americanos representantes de organizações culturais cujo objetivo é tecer uma rede de acesso à produção cultural.

O que se vem discutindo é a criação de políticas culturais nos Estados latinos, visto que o Brasil é o único país que tem uma política própria para tratar do assunto que coloca em produção, pontos culturais itinerantes e comunitários. A Política Nacional de Cultura Viva encontra-se em fase de regulamentação. Foram precisos mais de dez anos de debate para a sua aprovação. E hoje serve de exemplo para outros países.

“Foi melhor política pública e cultural, a mais democrática”, afirmou Baby Amorim, do Ponto de Cultura Ilu Onã.  

A semana de Cultura Viva Comunitária que está sendo realizada em São Paulo, está tendo suas apresentações em vários territórios do estado como o ABC, Baixada Santista, Paço das Artes, Fundação Nacional de Artes (Funarte) e o Parque Ibirapuera.

O vídeo-reportagem da TVT, Televisão do Trabalhador.

 

2ª MOSTRA LATINO-AMERICANA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA

Dezembro 2, 2014

danca_-_barry_goyette_-_wikimedia_commonsAté o dia 8 de dezembro será apresentado no Centro de Referência de Dança, nos Baixos do Viaduto do Chá, a 2ª Mostra Latino-Americana de Dança contemporânea que contará com as participações de treze companhias do México, Colômbia, Venezuela, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Costa Rica, além de receber 25 companhias, coletivos e artistas independentes da Bahia, Ceará, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

A abertura ficou por conta do espetáculo Albedo, da Companhia Paulista Maurício de Oliveira e Siameses que tem a figura de Dom Quixote como condutor entre o imaginário e o real. Também serão apresentados os espetáculos Duo Para Dois Perdidos, da Cia, sobre a peça do dramaturgo Plínio Marcos, Dois Perdidos Numa Noite Suja. Lá Perforadora, companhia colombiana, apresentará p espetáculo Motación. O espetáculo mostra os bailarinos interagindo com imagens projetadas. Já o Núcleo de Dança e Performance Marcos Sobrinho, homenageará a cantora Carmen Miranda com o espetáculo, Um Poema Para Carmen.

Durante a mostra ocorreram intervenções, saraus, oficinas, fóruns de debates, videodança, workshop e um espaço Derivas Partilhadas onde coreógrafos e diretores traçarão uma roda de conversação.

“A mostra pretende agregar inúmeras companhias, coletivos e artistas independentes da dança contemporânea da América Latina.

Essa ideia de agregar é de provocar uma imersão. Eles não vêm apenas para apresentar e mostrar seus trabalhos: ficam imersos nessa pastilha de experiências durante oito anos. Há atividades que ocorrem a partir das 10h30 e se estendem até 22h30”, disse a diretora-geral do Dança à Deriva, Solange Borelli.

A CINEGRAFISTA, LÚCIA MURAT, PRESA NA DITADURA, É HOMENAGEADA NA MOSTRA “CINEMA E DIREITOS HUMANOS NO HEMISFÉRIO SUL”

Dezembro 1, 2014

2911_lucia71618

Com o tema 50 Anos do Golpe Militar de 1964, inicia no dia 4, a Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul. A mostra é eminentemente política, mas não se reduz apenas ao terror da ditadura imposta ao Brasil entre os anos de 1964 e 1985. A mostra também apresenta temas como a população LGBT, a homofobia, a população indígena, o racismo, a discriminação da pessoa dificuldade física entre outros temas que sofrem discriminação.

Mas o que o signo maior que fundamenta a mostra é a homenagem que será prestada a insigne cinegrafista Lúcia Murat, que durante a ditadura foi presa duas vezes, sadicamente torturada e ficou três anos e meio presa. O cinema de Lúcia Murat é eminentemente político, engajado e comprometido com as questões dos direitos e liberdade do homem. Por isso, a mostra tem como cinema de abertura a obra da cinegrafista de 1989, Que Bom Te Ver Viva.

“O cinema foi para mim, naquele momento, uma forma fundamental de sobrevivência. Quando sai da prisão era como recomeçar a vida. Fui torturada por dois meses e meio. Espancamento, choques elétricos e abuso sexual.

Uma mostra que reúne direitos humanos e cinema permite não somente ser informado do que se trata, mas trabalha com emoção”, comentou a cinegrafista.

A mostra será dividida em quatro sessões. Mostra Competitiva, Mostra Memória e Verdade, Mostra Homenagem a Lúcia Murat e Sessão Inventar Com a Diferença. Os 41 filmes que serão exibidos todos no sistema closed caption e audiodescrição para pessoas com alterações visuais.

A mostra Memória e Verdade selecionou filmes que tratam da ditadura. Entre eles Cabra Marcado Para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho, que morreu recentemente, Setenta (2013), de Emília Silveira Brasil. Na mostra Inventar com Diferença serão exibidos filmes-cartas produzidos por estudantes da rede pública de ensino.

“Temos visto algumas manifestações com alguns absurdos, pedindo intervenção militar. Parece-nos muito pertinente trazer esse tema para uma discussão de cinema e direitos humanos.

Ao mesmo tempo em que a diretora homenageada é uma cineasta cuja obra é também identificada com esta questão política, ela própria foi uma presa política.

Isso demonstra outro critério da curadoria na mostra competitiva . Agora, estamos recebendo filmes de outros continentes. Teremos países da Ásia, da África, entre os quais o Egito, a Índia e a Jordânia”, disse o curador Rafael Luna.

Os melhores filmes selecionados serão resultado da escolha da plateia. A produção da mostra é uma realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. A entrada? É grátis. Vai lá, mano e mana!