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BLOGS AFINSOPHIA E ESQUIZOFIA ENTREVISTAM BELCHIOR JÁ QUE “SEMPRE É DIA DE IRONIA NO MEU CORAÇÃO”

Maio 2, 2017

Os Blogs Afinsophia e Esquizofia, da Associação Filosofia Itinerante (AFIN), publicam a entrevista, alegria como aumento de potência de agir, com o Rapaz Latino-Americano Belchior.

BREVE APRESENTAÇÃO

Antônio Carlos Gomes Belchior Fonteneles Fernandes – cearense da simpática cidade de Sobral -, gostaríamos de fazer um acordo com você nessa entrevista trans-histórica, na névoa inassinalável, ou hecceidade. O acordo é o seguinte: como nós vamos recorrer as nossas faculdades memorativas, além de informações extraídas de nossa arqueologia do saber-Belchior, é possível que venhamos cometer alguns equívocos em relação a fatos aqui apresentados por nós atribuídos a personagens em relação a você. Se por acaso você perceber que algumas enunciações nossas são lendas ou mitos, queira nos corrigir. Certo?

Belchior você é da geração que “por força desse destino um tango argentino” pegava “bem melhor” que “uns blues”. A ditadura civil-militar que dominou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Você, como muitos brasileiros, por força da ditadura, não teve adolescência, e se quer pode vivenciar as fragrâncias de maio de 68. Enquanto a França, e grande parte da Europa explodia, produzindo linhas de cortes, fissuras através das potências dos trabalhadores e estudantes. Ao contrário, em 68, o Brasil era submetido à força do AI5, implantado pelos militares da repressão-nacional. Foi o ano que começou para valer as perseguições, prisões, sequestros, torturas e mortes.

Todavia, arigó Belchior, você já havia sido traspassado pelas enunciações políticas, estéticas, filosóficas, antropológicas, históricas, psiquiátricas, etc., e podia com clareza entender as notas desterritorializadas de Sartre, Marcuse, Foucault, Deleuze, Guattari, Simone Beauvoir, entre outros que se movimentavam em latitudes e longitudes capazes de lhe afetar spinozianamente: aumentar sua potência de agir. Já havia sido afetado pela potência da comunalidade em forma de erudição. Erudição que levou certa vez Caetano chamar de cultura inútil. Sem falar que você já havia encontrado Marx, Cristo, aliás, o Homem de Nazaré foi quem primeiro lhe encontrou, daí sua vida de noviço, depois rebelde (Gargalhadas), quem sabe a influência a posteriori para criar o projeto de tradução do latim A Divina Comédia, de Dante Alighieri.

Musicólogo roqueiro, corpo que lhe moveu com “os pés cansados e feridos de andar léguas tiranas, a ponto de lhe deixar “com lágrimas nos olhos de ler o Pessoa, e ver o verde da cana”, compôs com as baladas de Bob Dylan, composição que levou o compositor do Maracatu Atômico, George Mautner, a afirmar que entre o original e a cópia preferia o original. Declaração que confirmava que sua entrada no mercado musical brasileiro já estava incomodando. Claro, você como sobralense nunca negou que ouvira muito as baladas de Dylan. E, aliás, quem daquela época, não ouviu? Quem, preocupado com a Napalm lançada pelos Estados Unidos no Vietnã, não ouviu Dylan? E não só Dylan, como também Neil Young, entre outros cantores e compositores de opunham a ferocidade genocida do império. Você sempre foi um homem engajado. Mas um cara que não fazia gênero de rebelde sendo um puta burguês, como seu conterrâneo Fagner. Poucas sabem, mas você participou, convidado pela talentosíssima atriz de teatro Lélia Abramo, no lançamento do primeiro manifesto do Partido dos Trabalhadores, em 1981. O que confirma que suas baladas são politizadas não por dependência de Dylan. Como invejavam seus detratores. E para piorar – para eles, é claro -, você foi parceiro do companheiro Lula na luta pela redemocratização do Brasil. ão do Brasil.

Mesmo só com a adolescência biológica, já havia traçado o compromisso, com Bertolt Brecht, de não deixar seu “charuto apagar-se por causa da amargura”, mostrado na canção Não Leve Flores. Daí que sua obra, apesar de manter alguns elementos regionais, melhor dizendo, nordestinos, foi na “Selva das Cidades”, empurrado pelo teatrólogo da Exceção e a Regrar, que você fez movimentar sua arte como forma de afetar o corpus da urbe atomizada. Como você mesmo diz: “se não for para balançar o coreto, não adiante fazer arte”.

E balança. Belchior, você instituiu no país a música urbana inspirada e alocada no concreto das cidades como corpo da poesia concreta. Você verseja concretamente. A poesia concreta é seu território de práxis e poieses. “Vamos andar, pelas ruas de São Paulo, por entre os carros de São Paulo, meu amor vamos andar e passear. Vamos sair pela rua da consolação, dormir no parque em plena quarta-feira. Sonhar com o domingo em nosso coração. Meu amor, meu amor, meu: a eletricidade dessa cidade me dá vontade de gritar que apaixonado eu sou. Nesse cimento, o meu pensamento e meu sentimento espera o momento de fugir no disco voador. Meu amor, meu amor”, nada de sentimentalidade compassiva, do tipo Roberto Carlos, nesse Passeio do seu primeiro LP, Mote Glose, pela gravadora Chantecler, com a regência do talentoso músico pernambucano Marcus Vinícius, do PCBão, um disco profundamente experimental, onde salta livre a poesia concreta.

Dizem que você canta a liberdade, claro que é uma afirmação abstrata, já que a liberdade não se canta se vive, mas nos diga: nessa tão concreta e cruel realidade produzida pelo capitalismo paranoico com sua dogmática opressora, você é um “passarinho urbano”, ou um “Robô Goliardo” (Gargalhada geral)?

A ENTREVISTA

AFINSOPHIA E ESQUIZOFIA – Começando pelo meio. O que é melhor? Viver, sonhar ou um canto?

Belchior (Sorrindo cúmplice) – “Viver é melhor que sonhar. Eu sei que o amor é uma coisa boa, mas sei também que qualquer canto é menor que a vida de qualquer pessoa”.

AE – Nesse momento em o Brasil encontra-se sob o cutelo de um perverso golpe contra a democracia, você tem alguma paixão?

B – “Você me pergunta pela minha paixão, digo que estou encantado com uma nova invenção, eu vou ficar nessa cidade, não vou voltar pro sertão, pois vejo vir vindo no vento cheiro da nova estação”.

AE – Verdade? Maravilha! Belchior, você é uma cara que viveu as décadas de 60, 70, não teve adolescência no sentido ontologicamente-social, por força da ditadura, mesmo assim conseguiu construir uma das mais inquietantes estéticas do Brasil, todavia, muitas pessoas não conhecem essa obra. E entre essas pessoas têm os nazifascistas. Se por um acaso algumas dessas pessoas, como uma variável-política, perguntasse de você, por onde você andava nesse tempo, o que você responderia?

B (Pensativo) – “Amigo, eu me desesperava!”.

AE – Você tem estilo. Não estilo no conceito burguês, mas como diz o filósofo Deleuze, você cria em sua singularidade como ninguém poderia criar de forma igual. Por isso você faz corte no estado de coisa petrificado. Você libera potências. Como você responderia se alguém pedisse para você compor de outra forma?

B – “Não me peça que eu lhe face uma canção como se deve correta, branca, suave, muito limpa, muito leve, sons palavras são navalhas, e eu não posso falar como convém sem querer ferir ninguém”.

AE (Vibrando) – Cacete! Esse cara é foda, moçada. Ainda nessa linha. Não precisa nem dizer, mas você tem Nietsche e Spinoza na veia: você é exaltação da “vida que ativa o pensamento e o pensamento que afirma a vida”. Até quando se encontra “mais angustiado que um goleiro na hora do gol”. A onda é essa: se um pessimista, um compassivo, uma baixa potência de agir, lhe dissesse que queria lhe ajudar, o que você diria para ele?

B (Gargalhando) – “Saia do meu caminho! Eu prefiro andar sozinho! Deixem que eu decida a minha vida. Não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração”.

AE (Explodindo de emoção) – Coisa de louco, moçada! “Você pode até dizer que eu estou por fora e que até estou inventando”, mas para o nosso entendimento, há uma confissão aí nesse “não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração”. O sol nasce no Leste, até Galileu já sabia. E o Leste europeu tem Marx, mano. Não precisa responder.

B (Interferindo) – “É claro que eu quero o clarão da lua! É claro que eu quero o branco no preto! Preciso, precisamos da verdade nua e crua, mas não vou remendar vosso soneto. Batuco um canto concreto pra balançar o coreto…”.

AE (Tentando uns movimentos afros) – Grande saída, hein cara? Ok, baby! Diz uma coisa cara. Já viu que há muita gente pessimista diante do desgoverno golpista acreditando que ele será eterno. O que você diz para essa gente?

B – “Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer meu amigo, que uma nova mudança, em breve vai acontecer”.

AE (Palmas) – É o devir-povo! Dando uma deslocada. O que você quer agora?

B (Sorrindo) – “Quero uma balada nova, falando de broto, de coisas assim: de money, de lua de ti e de mim, um cara tão sentimental…”.

AE – Você estudou medicina até o quarto ano, lógico que deve ter entrado em contato com algumas noções freudianas. Freud diz que é muito difícil uma geração se libertar da anterior. Há sempre fantasmas. Vendo o mundo como se encontra, qual a sua maior dor?

B – “Minha dor é perceber que, apesar de termos feito tudo, tudo, o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

AE – Bel, aproveitando essa questão de continuar o mesmo, tem também aquela questão dos que pousaram como revolucionários, e hoje são tremendos reaças, inclusive muitos operando como golpistas, como é o caso do senador do PSDB, Aloysio Nunes que foi motorista do Marighella. Você poderia descrever para nossos seguidores quem são esses simuladores e nos dizer quem são eles?

B (Dando uma boa baforada no cachimbo) – “Os filhos de Bob Dylan, clientes da Coca-Cola: os que fugimos da escola, voltamos todos pra casa. Um queria mandar brasa; outro ser pedra que rola… Daí o money entra em cena e arrasa e adeus caras bons de bola”.

AE – Esse cara vai na ferida dos caras, mas não confundir com “a ferida viva do meu coração”, não é? O quê? Ainda tem mais? Então, manda brasa.

B (Continuando) – “Donde estás los estudiantes? Os rapazes latino-americanos? Os aventureiros, os anarquistas, os artistas, os sem-destino, os rebeldes experimentadores, os benditos malditos – os renegados – os sonhadores? Esperávamos os alquimistas…  E lá vem os arrivistas, consumistas, mercadores. Minas, homens não há mais? Entre o céu e a terra não há mais que sex, drugs and rock ‘n’roll? Por que o adeus às armas? Não perguntes por quem os sinos sobram… Eles dobram por ti! O último a sair apague a luz azul do aeroporto. E ainda que mal pergunte: a saída será mesmo o aeroporto?”.

AE (Vibrando) – Loucura, moçada! O quê? Ainda tem mais? Manda brasa, arigó!

B – “Onde anda o tipo afoito que em 1-9-6-8 queria tomar o poder? Hoje, rei da vaselina, correu de carrão pra China, só toma mesmo aspirina e já não quer nem saber”.

AE –Loucura, loucura, loucura! Ainda agora você disse que “uma nova mudança vai acontecer”. Qual a forma para essa mudança?

B – “A única forma que pode ser nova é nenhuma regra ter; é nunca fazer nada que o mestre mandar. Sempre desobedecer. Nunca reverenciar”.

AE – A noite tem para você um signo profundo?

B – “Anoite fria me ensinou a amar mais o meu dia. E, pela dor eu descobri o poder da alegria e a certeza de que tenho coisas novas pra dizer”.

AE – Você é nordestino, e como você sabe, há hoje no Brasil uma consciência nazifascista que discrimina violentamente o povo do Nordeste. Como você concebe esse comportamento genocida contra o Nordeste?

 B (Sorrindo) – “Nordeste é uma ficção! Nordeste nunca houve! Não! Eu não sou do lugar dos esquecidos! Não sou da nação dos condenados! Não sou do sertão dos ofendidos! Você sabe bem: conheço o meu lugar”.

AE – E o medo de avião?

B (Balançando a cabeça sorrindo) – “Agora ficou fácil. Todo mundo compreende aquele toque Beatles: – “I WANNA HOLD YOUR HAND!”.

AE – E aquela namorada e aquele teu melhor amigo?

B – “Minha namorada voltou para o norte, ficou quase louca e arranjou um emprego muito bom, meu melhor amigo foi atropelado voltando pra casa. Caso comum de trânsito”.

AE – Os filósofos Epicuro, Spinoza, Nietzsche dizem quase o mesmo sobre falar sobre a morte. É claro que ninguém pode falar sobre a morte, porque é a última experiência e a única que não se pode contar nada sobre ela. Eles dizem que falar sobre a morte enquanto se está vivo é imundo. Mas vamos conceder uma cortesia sobre esse tema. Como você cogita sua morte?

B (Sorrindo) – “Talvez eu morra jovem: alguma curva do caminho, algum punhal de amor traído completará o meu destino”.

AE – Belchior você é uma cara corajoso. Sua obra e sua existência comprovam sua coragem. Mas nos responda: você tem Medo?

B – “Eu tenho medo. E medo anda por fora, medo anda por dentro do meu coração. Eu tenho medo em que chegue a hora em que eu precise entrar no avião. Eu tenho medo de abrir a porta que dá pro sertão da minha solidão. Apertar o botão: cidade morta. Placa torta indicando a contramão”.

AE – O que você pode nos dizer sobre a sorte na vida?

B – “Coisa muito complicada o amigo tem ou não tem. Quem não tem sucesso ou grana tem que ter sorte bastante para escapar salvo e são das balas de quem lhe quer bem”.

AE – Temer, o golpista-mor junto com sua escória, vem desmontando as leis democráticas do país. Porém, ele tem, com ajuda da mídia capitalista também golpista, feito pronunciamentos como se tudo estivesse às mil maravilhas. Como você concebe o presente e estes pronunciamentos?

B – Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca. Não há motivo para festa: ora esta! Eu não sei rir à toa!”.

AE – Você como pintor e desenhista pode nos apresentar um quadro da família-nuclear-burguesa-patriarcal?

B – “No centro da sala, diante da mesa no fundo do prato, comida e tristeza, a gente se olha se toca e se cala e se desentende no instante em que fala. Medo, medo, medo, medo. Cada um guarda mais o seu segredo a sua mão fechada, a sua boca aberta, o seu peito deserto, a sua mão parada, lacrada e selada e molhada de medo. Pai na cabeceira…”.

AE – Essa família lhe concedeu um prêmio no começo de 70, certo? Contam que na noite que você recebeu o prêmio os canas deram uma chegada em você, certo (Belchior sorrir)? Se alguém tentasse lhe obrigar a parar de cantar, o que você diria?

B – “E eu vos direi, no entanto”: enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer Não! Eu canto”.

AE – O que você diz sobre a vida?

B (Com ar apaixonado) – “Eu escolhi a vida como minha namorada com quem vou brincar de amor a noite inteira. Vida, eu quero me queimar no teu fogo sincero. Espero que a aurora chegue logo. Vida, eu não aceito não a tua paz, porque meu coração é delinquente e juvenil, suicida, sensível demais. Vida, minha adolescente companheira, a vertigem, o abismo me atrai: é esta minha brincadeira”.

AE – Observando sua temporalidade ontológica como você concebe sua existência?

B (Pensativo) – “Até parece que foi ontem minha mocidade, meu diploma de sofrer de outra universidade, minha fala nordestina, quero esquecer o francês. E vou viver as novas que também são boas o amor/humor das praças cheias de pessoas, agora eu quero tudo, tudo outra vez”.   

AE (Afetados de alegria) – Chegado a esse platô, você gostaria de desejar algo às pessoas?

B (Muito contente) – “Quero desejar, antes do fim, pra mim e os meus amigos, muito amor e tudo mais: que fiquem sempre jovens e tenham as mãos limpas e aprendam o delírio com coisas reais”.

AE – Belchior, nós trouxemos alguns instrumentos, você aceitaria terminar a entrevista cantando uma de suas músicas que tocam diretamente ao momento atual do golpe que estanca o Brasil. Como somos seus fãs de carteirinhas, nós até poderíamos fazer o backing vocal. Mote e Glosa? Vamos nessa! Aí, moçada, acessante do Afinsophia e Esquizofia, um abração e beijos. Logo, logo estaremos novamente com Belchior “balançando o coreto”. Não é. Belchior (Ele balança a cabeça gargalhando)?

“é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

passarim no ninho

(tudo envelheceu)

cobra no buraco

(palavra morreu)

você que é muito vivo

me diga qual é o novo

me diga qual é o novo

me diga qual é o novo

                            novo

                            novo

                            novo

me diga qual é o novo

me diga qual é

me diga qual é o novo

me diga qual é

me diga qual é o novo

me diga qual é”.

Obs: Embora Belchior tenha musicalizado várias letras de outros companheiros seus,  como por exemplo, Jorge Melo, Fausto Nilo, Francisco Casaverde, Gracco, até com o reacionário coxinha Fagner, entretanto, a maioria das letras aqui expostas são de sua autoria.

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ARTISTAS GRAVAM VÍDEO EM DEFESA DA CAUSA INDÍGENA: “DEMARCAÇÃO JÁ!”

Abril 26, 2017

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BANDINHA DO OUTRO LADO FAZ FESTA MOSTRANDO QUE É NETA SINGULAR-ORIGINAL DE DIONÍSIO

Fevereiro 28, 2017

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Entre os vários vetores fluxos mutantes e quantas desterritorializantes da Associação Filosofia Itinerante (Afin) que agenciam há mais de 14 anos em Manaus produções-moventes como corpos de novas formas de existir, sentir, ver, ouvir e pensar, a Bandinha do Outro Lado é festa singular e original da potência dionisíaca.

p1090569p1090574p1090576p1090577p1090581p1090584p1090589p1090590p1090599p1090600A Bandinha do Outro Lado se imbricou como corpo dionisíaco há nove anos na Rua Jaú do Bairro Novo Aleixo, zona Leste de Manaus. Uma das muitas regiões populacionais desassistidas pelos governos reacionários que se apossaram do estado do Amazonas e da capital Manaus. Na linguagem politicofastra (linguagem do falso político, o tagarela do Legislativo, Executivo e Judiciário, corpos alienados da democracia), é um curral eleitoral onde esses personagens exploradores da miséria do povo, que eles mesmos fomentam, conseguem suas eleições, reeleições constantes.

Desde sua inicial apresentação nas ruas do bairro que a Bandinha do Outro Lado se atualiza como real através das próprias criações das crianças. Suas fantasias são concebidas e elaboradas por elas. Certo que com o auxilio de alguns moradores. Como Dona Antônia, por exemplo.

p1090602p1090604p1090609p1090622p1090627p1090640p1090652Como a Afin é um corpo comunalidade e sua atuação é sempre um processual coletivo, não seria coerente a Bandinha do Outro Lado, como expressão do personagem que forneceu corpos para a emergência do Teatro Grego, a Filosofia e a Política, que os moradores ficassem fora da composição festeira de seus netos.

p1090653p1090663p1090665p1090678Nesse carnaval, que apesar de Temer e seus cúmplices golpistas, a Bandinha do Outro Lado fez sua festa em outra zona abandonada pelos exploradores governantes: Bairro Nova Cidade, que de novo só tem o nome: segue a antiga violência administrativa de outras zonas que não têm seus direitos urbanos garantidos. Fica no extremo de Manaus. Agora, a Bandinha do Outro Lado se apresenta na última rua, número 72, do bairro no limiar da mata, fronteira com um cemitério indígena. Porém, a potência dionisíaca-contínua segue a movimentação intensiva da poieses.

p1090686p1090690p1090691p1090697p1090702p1090723p1090742p1090749p1090757p1090761Aqui a letra desse ano do carnaval da Bandinha do Outro Lado. Carnaval que vibrou por todo Brasil em um uníssimo Fora Temer! Para o bem da Democracia!

     A Bandinha do Outro Lado está na Nova Cidade Ô, Ô,Ô

     Veio lá do Novo Aleixo com sua festa vontade Ô,Ô

     Para fazer o carnaval Dionísio da criança

     Por isso, ninguém vai ficar fora da dança.

     “Corre, corre lambretinha”,” se a canoa não virar”,

     “Eu vou pra Maracangalha” “abre alas que eu quero passar”

     “Viva o Zé Pereira, viva o carnaval,

      Viva o Zé Pereira que a ninguém faz mal”.

     Vejam algumas imagens dionisíacas.

  Vejam um breve vídeo. 

PROGRAMA “FALA, BURACO!” MOSTRA MANAUS A CAPITAL-BURACO

Julho 27, 2016

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Leia o diálogo entre o apresentador do programa virtual “Fala, Buraco!”, e um transeunte. Os dois ao analisarem os buracos que dominam Manaus durante décadas e que servem de cabos eleitorais para eleger candidatos, principalmente prefeitos, concluem que Manaus não é uma cidade, mas tão somente um buraco-orbital onde seus habitantes e visitantes acreditam que se movimentam e se relacionam na superfície e não suspeitam que se encontram na voracidade de sua profundidade buraco-negro.

HOMEM (Um homem se aproxima de outra que se encontra fotografando um buraco) – O senhor está fotografando esse buraco?

DSC01915DSC01919DSC01926DSC01935DSC01937DSC01938DSC01943HOMEM II – É. Eu fotografo buracos.

H – Mas para quê? Buraco é tão feio.

H II – Depende.

H – Não. Buraco é sempre feio.

H II – Nem todos têm essa opinião.

H – Não acredito que exista alguém que goste de buraco.

H II – Tem.

H – Quem?

H II – O prefeito. Se ele não gostasse de buraco ele não deixava a cidade cheia de buracos. Quando a gente gosta de uma coisa, a gente mantém. Não é.

H – É, mas buracos.

H II – Pois é, cada um com seus gostos, e gosto não se discute.

H – Então, o senhor fotografa buracos por que gosta?

H II – Não. Eu fotografo porque eu tenho um programa na internet em que os buracos são os principais personagens.

H – E qual é o nome do programa?

H II – Fala Buraco. No programa eu apresento as entrevistas que eu faço com os buracos onde eles contam suas vidas, quando apareceram, como estão se sentindo nessa prefeitura, quais seus planos para o futuro.

H – Então, o senhor tem muito material, porque Manaus é cheia de buracos.

H II – Na verdade, Manaus é um buraco só. Tem buraco da Zona Leste que se junta com buraco da Zona Norte. Tem buraco que nasceu na Zona Sul e se junta com buracos do Centro.

H – É verdade! Um amigo me contou que uma vez um cara muito lombrado, colega dele, caiu em um buraco na compensa. Quando acordo, tudo escuro, ele não onde se encontra. Olhou para sua direita e viu uma luzinha longe, e começo a andar na direção. Andou, andou, andou e quanto mais andava a luz ia aumentado. Aí, ele sentiu que pisava em uma s coisas duras, parecidas com pedaços de pau. Quando olhou bem, eram esqueletos de pessoas, correu e subiu em um buraco, que era uma sepultura. Sabe onde ele saiu? No cemitério dos índios na no fim da Nova Cidade.

H II – Semana passada ocorreu um caso parecido com este. No fim da tarde de um sábado, no Jorge Teixeira III, uma senhora cansada de tanto trabalhar, caiu em um buraco. Os moradores correram para acudi-la, mas não conseguiram: ela desapareceu. Chamaram o bombeiro, e o prefeito, para fazer onda, compareceu no local. Olhou o buraco e negou que a mulher tivesse desparecido no buraco porque o buraco tinha fundo. Uma mulher protestou afirmando que não tinha porque ninguém via. O prefeito contestou afirmando que estava vendo o fundo. Aí alguém disse se ele estava vendo o fundo que ele pulasse no buraco e tirasse a senhora. O prefeito deu uma de ‘migel’ e se mandou. Cinco horas depois a senhora apareceu no meio do palco do Teatro Amazonas onde estavam realizando uma festa às autoridades locais. Quando o diretor viu a mulher toda suja de barro, bosta e lama tentou tirá-la à força do palco. Ela se desviou e gritou que as autoridades deveriam era saber o que tinha embaixo daquele teatro. Milhares de corpos de índios e cabocos que foram mortos na construção daquela casa de vaidade da burguesia. Esse caso foi bem divulgado.

H – Saiu na TV Globo?

H II (Indignado) – Porra nenhuma! A Mulher não era globotária. Bem que a Globo tentou fazer uma matéria com ela, mas a equipe de jornalistas foi expulsa na porrada. A comunidade unida gritou palavras de ordem: Fora Globo golpista! O Povo não é bobo, abaixa a Rede Globo! A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura! Se a Globo acabar o Brasil vai melhorar! A Globo é corrupta, não tem nada de justa! Fora Globo e Leva Temer Contigo! A Globo é imoral, ataca Lula e Dilma em seu jornal! E na correria, o carro de reportagem ainda caiu no buraco.

H – Só estes dois casos mostram que os buracos formam uma família só.

H II – Exatamente. Todos os buracos são parentes. Essa relação de parentesco, e mais o gosto do prefeito, faz com eles se mantenham.

H – O senhor muitos buracos velhos, ou na sua maioria são novos?

H II – Tem muitos buracos novos nascidos nessa prefeitura, mas têm alguns velhíssimos, do tempo do vai pra porra. Mais velhos do que a mentira.

H – Cacete! Então é velho mesmo, porque a mentira nasceu antes de Adão e Eva. Mas como o senhor sabe que eles são tão velhos?

H II – É fácil entender, embora a população não perceba por ignorância e cumplicidade com os políticos.

H – Como assim?

H II – Os buracos são verdadeiros cabos eleitorais. Buraco elege prefeito e deselege. Por exemplo, só para ilustrar. Os últimos quatro prefeitos foram eleitos através dos buracos. As campanhas eleitorais deles tinham como objeto principal o combate aos buracos.  Todos eles afirmaram que iam acabar com os buracos.

H – E o povo acreditou na mentira.

DSC01945DSC01946DSC01947DSC01948DSC01950DSC01952DSC01956DSC01958H II – Pois é. O quarto prefeito passado jurou acabar com os buracos. Não acabou: aumentou mais. O terceiro prefeito aproveitou os buracos que o quarto tinha deixado e fez sua campanha prometendo acabar com os buracos. Também só aumentou. O segundo na mesma cadência. Só aumentou. E esse agora não deixou barato. Hoje, tem buraco dentro de buraco.

H – Meu Deus! É mesmo?

H II – É. Um dia desse eu fui entrevistar um buraco-abismo onde já havia caído uma família inteira, um ônibus, uma Kombi, uma moto e uma carroça.

H – Uma carroça?

H II – Sim. Com cavalo e tudo. Quando eu comecei a entrevista percebi que não era só o buraco-abismo que falava. Comecei a ouvir outras vozes-buracos. Olhei para todo lado para ver se os outros buracos em redor de mim estavam falando, mas nenhum deles falava. Me concentrei bem, e percebi que as vozes vinham do mesmo buraco-abismo. Era um monte de buraco falando, querendo falar sobre suas vidas e aparecer nas fotos.

H – Que coisa impressionante.

H II – Não é impressionante não, porque o povo não ver. Se o povo prestasse atenção aos buracos ele não votava em quem afirma que vai acabar com eles, porque é mentira.

H – Sem querer defender os prefeitos, que eu sei bem quem eles são, adoram fingir que falam a verdade, mas a chuva também é responsável pelos buracos.

H II – Na-na-ni-na-não! Durante todo ano Manaus é cheia de buraco. Com a mudança climática, tem chovido menos na cidade, e mesmos assim os buracos estão sempre na moda.

H – Bem, com toda essa sua afirmação sobre o predomínio dos buracos em Manaus, e sua capacidade de eleger prefeitos, não seria melhor que os buracos se candidatassem?

H II – É verdade. Mais tem um problema.

H – Qual é?

H II – Na verdade são dois. Se eles se candidatam prometendo acabar com os buracos, e eles são os buracos e são muito éticos, se eles acabarem com os buracos eles desaparecem, morrem e a cidade fica sem prefeito.

H – Essa é uma verdade. E o outro problema?

H II – O outro é muito preocupante. Como Manaus é um único buraco gigante formado por milhares de outros buracos, se eles acabarem com os buracos Manaus desparece. E aí, dança eu, dança tu, dança até a mãe do Jaú.

H – Cara, essa é uma cruel verdade! A que ponto chegamos! Estamos refém dos buracos! E alguns desses prefeitos ainda querem se candidatar.

H II – Mas tem uma saída para Manaus não acabar.

H – Qual?

H II – O prefeito de Manaus deve ser sabe quem?

H – Quem?

H II – O povo!

H – Mas você não disse que ele é ignorante não se compromete.

H II – Mas com uma boa orientação política sobre os direitos dos moradores da cidade, não há analfabeto político que não seja educado democraticamente e passe a ser senhor de seu próprio destino. O povo entendendo que ele criou a sociedade civil, o Estado, e as instituições não tem que lhe engane.

DSC01962DSC01964DSC01967DSC01967DSC01970DSC01965DSC01971DSC01961DSC01972H – É verdade. O povo entendendo que ele existe por si mesmo, que foi ele quem produziu seu ser-social, adeus candidatos exploradores.

HII – É a verdadeira democracia!

70 ANOS DE SAUDOSA EXISTÊNCIA DE SAMBA DE BETH CARVALHO

Maio 8, 2016

19 de abril: Dia de reconhecer o Brasil

Abril 20, 2016

“Meninos e meninas fazem papel de índio no Boi durante as festas juninas”, diz a música “Tudo Índio” do roraimense Eliakin Rufino.Nesta quarta-feira, 19 de abril, é dia do índio, e também dia de pintar o rosto e se enfeitar de cocares nas escolas pelo Brasil.“Tão perto geograficamente e tão distantes cultural e filosoficamente”, lembrou o ator Wesley Leal, um dos protagonistas da peça “Meu Vo(o) Apolinário”, baseada em obra do escritor indígena Daniel Munduruku.

Wesley (a esquerda), Daniel (centro) e J.Lopes Índio. Wesley (a esquerda), Daniel (centro) e J.Lopes Índio.
Ao contrário da visão predominante do tipo indígena “o primitivo de tanguinha que bate a mão na boca e faz “u-u-u”, o espetáculo desconstrói essa visão estereotipada, comentou Wesley.

“Levamos à cena a cultura dos Mundurukus, e a realidade desse povo durante a infância de Daniel Munduruku (minha personagem). Indígenas de bermudas e camisetas, como os encontraremos hoje”, explicou Wesley através de e-mail ao Portal Vermelho. Ele interpreta um adolescente indígena que sofre discriminação na cidade grande por sua origem.

Raízes e identidade
As dúvidas do jovem personagem começam a ser superadas a partir dos ensinamentos do avô Apolinário, interpretado por J. Lopes Índio, que transmite ao pequeno índio (foto) o orgulho das suas raízes. Nesse caso, a caracterização física mais próxima da realidade de muitos povos atualmente não o separa da própria história.

“Poucas vezes o público não se surpreendeu ao ver na cena, um outro conceito de índio diferente do pré-concebido. Gosto quando vejo o espanto sadio e curioso do público diante dessa descoberta”, disse Wesley.

Para o autor Daniel Munduruku, a peça estimula a reflexão sobre a identidade nacional. “O espetáculo oferece uma rara oportunidade no cenário brasileiro, ao tratar a temática dos povos indígenas sob a ótica de um autor indígena. O Brasil precisa caminhar para uma aceitação real da sua própria diversidade para construir, assim, sua própria identidade nacional”, diz Daniel.
Nova civilização
O escritor contou que a experiência de um casal de amigos que conhecem o mundo todo foi a inspiração para o livro falar das raízes. “Para eles os índios têm algo que falta ao brasileiro: a ancestralidade. Pensei sobre isso e descobri um bonito significado: raízes. Concluí que esses amigos diziam que ser índio é ter raízes. Isso me fez buscar – na memória – minhas raízes ancestrais. Aí me lembrei de meu avô. Foi ele quem me ensinou a ser índio.”
O jeito de interpretar o mundo que os povos indígenas têm é citado por Wesley como uma nova perspectiva de civilização. “No espetáculo, Apolinário diz ao seu neto “As angustias dos homens da cidade têm seu remédio na terra e eles olham para o céu”. Acredito que precisamos tirar os olhos do céu, do alto, do futuro e olhar para o agora, para a terra; é preciso viver o presente como um presente”, ponderou o ator paulista de 23 anos.
Vínculo comunitário
“O que define um índio como índio não é sua aparência, mas todas as relações que ele tem com sua comunidade”, define o portal Povos Indígenas no Brasil Mirim, projeto do Instituto Sócio-Ambiental (ISA), que tem por objetivo desconstruir uma ideia genérica de que os povos indígenas ficaram no passado e que não existem mais no Brasil contemporâneo. Como mostra a peça Meu Vo (o) Apolinário eles continuam ligados às suas raízes mesmo usando roupas, por exemplo.
Acesse aqui o portal Povos Indígenas no Brasil Mirim para conhecer mais sobre a história dos povos indígenas. A peça Meu Vo (o) Apolinário tenta patrocínio através de editais para realizar novas apresentações. Em 2015, foram realizadas inúmeras apresentações em Centros Educacionais Unificados de São Paulo. Quem se interessar pode entrar em contato com José Sebastião pelo número (11) 3251-3070.

O TESTAMENTO DE JUDAS 2016 SEGUNDO JESUS CRISTO

Março 26, 2016

Sem título

Há anos, todos os sábados de Aleluia, este Blog Afinsophia publica o Testamento de Judas. Neste sábado, por motivo excepcional, Judas Escariotes não publicará seu testamento. Porém, o testamento será publicado sem qualquer vazamento seletivo e privilégio de mídia. Será divulgado a todos os brasileiros de forma democrática.

Depois de visitar várias cidades do Brasil conhecendo seus habitantes, seus costumes, tradições, expressões, anseios, dúvidas, certezas e expectativas, o homem chegou a um bairro na periferia da última cidade visitada por ele, entrou em uma taverna e pediu um copo com vinho. O proprietário da taverna, um senhor de meia idade, gordinho e sorridente, disse que seu estabelecimento, por ser simples, não vendia vinho, mas só cachaça.

O homem balançou a cabeça aquiescente e pediu a cachaça. O taverneiro pegou a garrafa no balcão e colocou uma dose. O homem lhe perguntou:

– Qual é essa medida?

– Uma dose. – respondeu o taverneiro.

– Coloque, então, mais duas doses. – pediu o homem.

O taverneiro encheu o copo do homem e, sorrindo, disse:

– Acabou. Era a última garrafa. Dizem que é a melhor cachaça do pedaço. Vem do Nordeste.

Nesse momento entrou um trabalhador, alegre e falante.

– Solta uma dose da ‘santa’!

– A ‘santa’ acabou. O parceiro aí comprou a última dose. – respondeu o taverneiro.

– Não pode ser! Logo hoje, dia santo falta a ‘santa’?

O homem sorriu e pediu ao comerciante para pegar outro copo. O comerciante entregou o copo, o homem dividiu a cachaça nos dois copos e deu um ao trabalhador.

– Valeu, companheiro!- pegou o copo e sorveu uma talagada e em seguida comentou: – Essa é pureza, pura. É quente.

– Quente como a vida. “Quem está perto de mim, está perto do fogo. Quem se distancia de mim, se distancia da vida”. – disse o homem.

– Grande filosofia da cachaça. Por isso que eu digo: a cachaça boa é como o rock. Como disse o roqueiro Neel Young: “nunca vai morrer”.

Entrou uma mulher e pediu uma dose de cana. O taverneiro respondeu que as últimas doses os dois fregueses estavam tomando. A mulher ficou triste, mas homem propôs um acordo: os dois dariam um pouco da cachaça para ela. O taverneiro trouxe outro copo e fizeram a divisão. O homem afirmou:

– Onde bebe um bebe três ou, talvez, mil.

– Assim já é o milagre do pão em forma de cachaça. – disse a mulher muito alegre.

O trabalhador olhou firmemente o homem e disse:

– Eu acho que te conheço.

– Pode ser. Um homem é ele, a sociedade e o mundo. Respondeu o homem.

– Tu és um filósofo! – afirmou o trabalhador.

Começaram a contar histórias, opinar sobre os acontecimentos no Brasil e cantar samba. A mulher, que tinha uma voz semelhante à de Jovelina Pérola Negra, cantou Sorriso Aberto, o taverneiro pegou um atabaque, o trabalhador tirou um som na garrafa seca e sambou. O homem sorria enquanto tentava alguns passos miudinhos.

Nesse momento, passando na frente da taverna uma menina de uns cinco anos se soltou da mão da mãe e olhando para dentro do estabelecimento, bradou:

– É Jesus Cristo!

– Tu tá doida menina! Que Jesus Cristo! – a mãe repreendendo a criança, puxou-a       pelo braço.

A menina se soltou e continuou bradando na frente da taverna:

– É Jesus Cristo! É Jesus Cristo! Eu sei que é ele. – Bradava convicta a criança.

– Não é Jesus Cristo! Jesus só vai voltar a terra no Juízo Final, para julgar os vivos e os mortos  elevar os bons para o paraíso – replicou a mãe.

– Ele é Jesus Cristo! E esse Juízo Final é mentira. Jesus Cristo está ali! 

– Como que tu tem certeza que esse homem é Jesus Cristo? – perguntou a mãe.

– Eu sei que é ele porque ele tem esse cabelo, usa essa roupa e calça essa sandália.

– Então aquele teu tio cachaceiro é Jesus Cristo, porque ele parece com esse homem. – debochou a mãe.

– O titio não é Jesus Cristo, mas é filho dele. –respondeu a menina.

O taverneiro, o trabalhador e a mulher olharam intrigados para o homem. A mulher de forma suave, falou:

– Essa criança não está mentindo. – ficou em silêncio e perguntou: – Tu és mesmo Jesus Cristo? O filho de Maria?

O homem sorriu para os três, foi até a criança na rua e disse:

– Vinde a mim as criancinhas!

A menina alegre, cheia de contentamento, se jogou nos braços do homem, e disse:

– Eu sabia que tu eras Jesus Cristo. Eu sabia que tu eras Jesus Cisto, porque tu és diferente dos Jesus que os pais, professores e pastores falam. O Jesus que eles falam é triste, sofredor, causa pena, castiga, julga, cobra para ser amado. Um Deus que quer ser amado não é Deus. Isso não pode ser uma pessoa que ama. O amor não é triste. O amor não cobra amor. Quando eu te vi eu tive certeza, Tu és alegre.

A menina foi interrompida com a mãe chamando:

– Vamos embora encontrar teu pai na feirinha.

– Não precisa ir. Ele já estar em casa, – disse o homem.

A mulher, desconfiada, pegou o celular, ligou ao marido, ele atendeu e disse que já estava em casa. A mulher tremeu. Puxou a menina com força e disse:

– Vamos já embora, esse homem é o diabo!

– A senhora não acredita em sua filha. Não é uma boa mãe. Como não é uma boa mãe, por que vai ter outro filho? – perguntou o homem.

– Meu Deus! – gritou a mulher que antes havia recebido informação de sua médica que estava grávida.

– Eu vou ter um irmãozinho? – perguntou a menina abraçando o homem.

Como a conversa estava ocorrendo na frente da taverna logo outras pessoas foram chegando para saber o que estava ocorrendo. Um homem em uma cadeira de rodas se aproximou, o homem foi até ele e perguntou o motivo dele se encontrar naquele estado.

– Eu sofri um acidente, e o médico disse que eu estava paralítico e agora minha vida é essa cadeira. – respondeu.

O homem foi até ele, pegou em suas pernas, examinou músculos, ossos, nervos, apertou-os, e o cadeirante deu um breve gemido. O homem pediu que ele levantasse e andasse. Com receio foi levantando, até que ficou em pé e começou a andar e gritou:

– É milagre! Estou curado! É milagre!

– Não, não é milagre! O seu médico é inimigo de Hipócrates. O seu médico é um charlatão. O seu problema era apenas uns nervos de suas pernas que estavam sobre outros. Por isso que quando o senhor movimentava as pernas elas doíam e o senhor não andava.

– Agora eu vou tocar fogo nessa cadeira miserável. – disse o ex-paralítico.

– Não! O senhor deve doar a quem verdadeiramente necessite. – aconselhou o homem.

Nesse momento chegou perto do homem um rapaz com o braço direito em forma de foice pedindo que ele lhe ajudasse, porque ele não suportava mais ser apelidado de braço de remo. O homem pediu que ele imaginasse um acontecimento de lhe enchesse de forte alegria e em seguida pulasse com o braço socando para cima. O rapaz fechou os olhos se concentrou e gritou:

– Goooooool! – parou, viu o braço no estado normal, gritou que era milagre e se ajoelhou diante do homem.

– Levanta-te! Não é milagre. O teu medo te impedia de esticar o braço, por isso essa forma de foice.

Aproximou-se um homem de paletó, a gravata bem apertada pedindo que o homem currasse uma dor de cabeça insuportável que só ocorria quando ele ia trabalhar como porteiro de um clube. O homem pediu que ele afrouxasse o laço da gravata. Ele afrouxou e a dor desapareceu. O homem explicou que a dor de cabeça é causada pelo forte laço da gravata que impedia a irrigação do sangue.

De repente a rua foi tomada por milhares de pessoas que queriam ver Jesus Cristo e pedir cura. Um idoso se aproximou do homem e disse:

 – Eu não quero nada para mim, senhor. O que eu quero é para todos. Eu quero que o senhor ajude a vida do pobre melhorar.

O homem sorriu e disse:

– É por isso que estou aqui no Brasil. Mas a vida do pobre já começou a melhorar. Lula e Dilma já começaram o trabalho tirando mais de 40 milhões de brasileiros da faixa da extrema pobreza. O meu trabalho é apenas de auxiliá-los.

– “Não vai ter golpe! Não vai ter golpe!”. – os milhares bradaram.

Uma senhora se aproximou e disse que o problema dela era problema de toda a comunidade: falta de água. Nesse momento um caminhão passou com força sobre um buraco e quebrou um grosso cano de conduzia água. As pessoas ficaram eufóricas e passaram a tomar banho e beber água. O homem então falou:

Não é melhor consertar o cano, colocar uma torneira e transformar em água coletiva?

Todos aplaudiram e uns operários se encarregaram de fazer o serviço hidráulico.

A dois quilômetros de distância do local, uma mulher muito enferma, desenganada, esperando a morte, ouviu o brado coletivo. Com esforço se levantou, foi ao banheiro, tomou um bom banho, vestiu seu melhor vestido vermelho, azul e branco, se maquiou, meteu seu salto alto, e foi ao encontro de Jesus Cristo. Enquanto caminha pelas ruas dizia:

– Morrer sem conhecer Jesus Cristo é não ter nascido. – e todos que a ouviam seguiam-na.

Diante da multidão o homem disse que naquele sábado de Aleluia ele tinha uma missão a realizar. Divulgar o testamento de seu amigo Judas.

–  Judas não teu amigo! Ele te traiu! – bradou um homem colérico.

– Não, Judas não me traiu. Vocês acreditam em uma inverdade propagada pelo império romano e por Paulo para mudar minha história. Judas era um militante que queria a liberdade do povo. Eu também perseguia esse ideal, mas diferente de Judas. Para mim, para que um povo seja livre é preciso primeiro que cada um tenha sua alma libertada, primeiro. Judas queria logo a liberdade da alma coletiva.

– Judas lhe traiu por 30 moedas e tu morrestes para nos salvar – bradou outro homem.

– Não. A história dessas moedas é falsa. Você sabe quanto está custando o dólar? – perguntou o homem.

– Não. – respondeu o homem das 30 moedas.

– Pois é, se você não entende da moeda atual como entender da moeda de há dois mil anos. Quanto a eu ter morrido por vocês, ninguém morre por ninguém. Cada um morre em si sem sequer saber que morreu. Como diz meu amigo filósofo Epicuro: “quando estamos vivos a morte não existe, e quando morremos somos nós que não existimos”. Quer dizer nós não sabemos o que é morrer. – respondeu ao homem e continuou. – Judas não pôde vir aqui apresentar seu testamento e em seu lugar vim eu. Espero que vocês gostem 0000000000de meu testamento de Judas.

Judas me falou que o brasileiro

É um povo inteligente e maravilhoso

Mas também me alertou

Sobre um número mal e horroroso.

Que não sabe conviver na democracia

Com quem tem espírito grandioso.

TESTAMENTO DE JUDAS SEGUNDO JESUS CRISTO

 

Minha corajosa amiga Dilma

Mulher do coração guerreiro

Acredite que não vai haver golpe

Porque Deus é brasileiro.

 

 

Continue governando seu povo

Com, ética, sentimento e razão

Pois não vai ser a estupidez

Que vai abalar essa nação.

 

 

A democracia é o regime

Em que a potência-política se alinha

E ela não será destruída

Pela inveja e ódio de coxinha.

 

 

Eles fingem ser honestos

Mas não enganam ninguém

O povo já entendeu

Que eles só querem se dar bem.

 

 

Quanto ao meu amigo Lula

Preso coercitivamente

No ano de 2018

Será outra vez presidente.

 

 

Seu nome é uma potência

Que deixa as direitas enlouquecidas

Quanto mais elas lhe atacam

Mais elas ficam perdidas.

 

 

As direitas não têm em seu meio

Nenhum nome para a presidência

Por isso para Lula vai ser sopa

Ganhar dessa indigência.

 

 

Aos movimentos sociais

Que lutam pelos direitos dos brasileiros

Deixo-lhes coragem, vontade,

Além de muito dinheiro.

 

 

Para todos os movimentos que agora

Defendem a democracia

Deixo-lhes a certeza inconteste

Os traidores não destruirão a soberania.

 

 

Aos que defendem o Estado de Direito

Uma lição é importante não esquecer:

Lutar, é verdade, é preciso,

Mas sempre visando vencer.

 

 

Ao meu amigo Chico Buarque

Que não compõe com nazifascista

Deixo-lhe mais inspirações

Para que sua obra resista.

 

 

Para minha amiga blogosfera

Imprensa livre e inteligente

Deixo a certeza inconteste

Do fim da mídia que mente.

 

 

Aos candidatos das esquerdas

Que vão disputar eleição

Trabalhem e não desesperam

O povo vai estourar a boca do balão.

 

 

Às direitas farisaicas

Que posam de imaculadas

Deixo a sabedoria do povo

Que mostra como são taradas.

 

 

Para burguesia-ignara

Ímpar na moral depravada

Deixo material de limpeza

Pra fossa, esgoto e privada.

 

 

Para o telespectador cordeiro

Que ainda acredita na Globo

Deixo o brio e a coragem

Do nobre e inteligente lobo.

 

 

À família Marinho

Que nega ser dona da Paraty Mansão

Deixo o Movimento Sem Terra

Com título de apropriação.

 

 

Para TV Globo golpista

Que 2018 termina a concessão

Deixo Lula eleito

Para acabar com a esculhambação.

 

 

Ao honesto Fernando Henrique

Que na hipocrisia se oculta

Deixo os documentos

Da namorada Miriam Dutra.

 

 

Ainda para o ‘príncipe’ sem trono

Que comprou sua reeleição

Deixo documentos de Pedro Correa

Que mostra como sua corrupção.

 

 

Ao ‘honesto’ Eduardo Cunha

Que do impeachment quer aceleração

Deixo o ministro Teori

Pedindo sua prisão.

 

 

Ao deputado Eduardo Cunha

Pelo STF investigado

Deixo-lhe a cadeia

A corrente, a chave e o cadeado.

 

 

Aos parlamentares corruptos

Que querem Dilma cassar

Deixo delação premiada

Para cada um consolar.

 

 

Ao ressentido Aécio Neves

De delação o hexacampeão

Deixo-lhe uma calculadora

Para saber seus anos de detenção.

 

 

Ao senador Aécio Neves

Que perdeu para Dilma nas urnas

Deixo-lhe mais uma derrota

Dessa vez no processo de Furnas.

 

 

Ao rei da bolinha José Serra

Entreguista da riqueza da nação

Deixo-lhe o livro otimista

“O Futuro de Um Vilão”.

 

 

Aos golpistas do PSDB e PMDB

Que querem assaltar o Brasil

Deixo-lhes a coleção completa

“Os Homens de Um Estado Vil”.

 

 

Ao governador Geraldo Alckmin

Desviante da merenda escolar

Deixo-lhe pão e água

Para bem se alimentar.

 

 

Ao ministro do TCU Augusto Nardes

Que pediu o impeachment da presidenta

Deixo a delação de Pedro Correa

Que mostra a moral que não se sustenta.

 

 

Ao prefeito Arthur Neto

Que na lista ganha quinhetão

Deixo ao povo de Manaus

A alegria de sua não reeleição.

 

 

Ao governador José Melo

Cassado por mau uso de capital

Deixo-o ao lado de Arthur

Na canoa do balatal.

 

 

Portanto, amiga Dilma

Não tema da besta o galope

Porque onde há povo livre

Não há qualquer tipo de golpe

A valentia das direitas

Não passa de um xarope.

 

 

Trabalhe como vem trabalhando

Para isso o povo lhe elegeu

E quando se unem o povo e Deus

Não vence nenhum fariseu

A voz do povo é a voz de Deus

E a democracia é a Comunalidade-Eu.

 

 

Agora peço licença

Porque vou me retirar

Vou seguir pra outro rumo

Encontrar outro lugar

Em que o povo seja feliz

Como esse que viu “a estrela brilhar”.

 

 

Parto levando saudade

Na mente e no coração

Pois jamais esquecerei

Desse povo meu irmão

Que luta contra os golpistas

Para não cair na escravidão!

A todos os brasileiros e brasileiras

Beijos no coração!

NO DEVIR EDUARDO GALEANO “AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA”

Abril 14, 2015

9891038b-ac20-4449-91ba-44ff187e23c0Ontem foi dia 13 de abril, Eduardo Galeano continua em fluxos mutantes e quantas desterritorializantes. A literatura filosoficamente engajada que leva a América Latina a sua condição de território de produção de libertação. A literatura que não pretende o descritivo, o interpretativo e o figurativo, mas o movimento.

As veias da América Latina se abrem não somente como indignação, mas como produção de liberdade política, cultural, literária, artística, científica, antropológica, econômica como corpo de disjunção da força opressiva imperialista. Veias que pulsão em continua produção de um sempre vir a ser. Devir Eduardo Galeano como processual literário encantador e desbravador de novas potências

divulgacao_lusa3Um filósofo cuja literatura faz vibrar as paredes das artérias cerceadoras dos movimentos. Dos transcursos, dos percursos. Filósofo como condição de observar, examinar e apresentar o novo. Da quadratura do futebol à sua liberdade criativa. Eduardo Galeano tem o jogador como um artífice de seu esporte que não deve se submeter às regras dos cartolas que seguem as regras do mercado. O jogador deve criar fruindo com alegria para criar a alegria do povo. Seu livre futebol é sua dimensão política que escapa das grades cerceadoras.

4dc54bdd-c728-44d7-97ca-73f919e5a9b8Escrever filosofando é se movimentar entre todas as ambiências-histórias tocando de leve ou pesado em seus personagens e suas causas, com a condição de comprometer o presente como excitação-futuro. No caso da literatura nada de superficialidades negadoras da vida. E no caso da América Latina comprometer todas as causas e condições pela singularidade do home latino.

910866-feira do livro_galianiComo um literato-filosofante, Eduardo Galeano carrega o entendimento, o os sentidos no homem alegre, como seu amigo Jose Mujica, o presidente o revolucionário-movente. Os dois acreditam que as veias são corpos do movimento do sangue-vida. Que estejam abertas ou fechadas contanto que se movimentem.

Eduardo Galeano, a grandeza e a sobriedade exaltadoras da vida contra a “ditadura do medo”.

Veja a entrevista que Galeano concedeu ao sociólogo e escritor Emir Sader na TV Brasil.

CIRCUITO SÃO PAULO DE CULTURA VAI TER ELBA RAMALHO, ORIGINAIS DO SAMBA, TEATRO MÁGICO, ENTRE AS 600 ATRAÇÕES

Março 17, 2015

image_largeA partir do dia 22 até o mês de julho a Prefeitura de São Paulo, gestão Fernando Haddad, estará realizando o Circuito São Paulo de Cultura quando serão apresentadas, em todas as regiões da cidade, 600 atrações sendo 200 exclusivamente para as crianças. Ciro, teatro, cinema, dança e música são as expressões que materializarão a edição deste ano.

“Das 600 atividades, 200 são para crianças. Nós demos um salto com uma programação de muita qualidade, que é exatamente importante para a criança”, observou Ana Estela Haddad, companheira do prefeito Fernando Haddad.

Lançado em 2014, o projeto tem como objetivo maior descentralizar as atrações culturais e aumentar o público nas produções públicas de cultura. Esse ano a edição vai ser iniciada com a cantora francesa Zaz, na foto, que é tida como a grande revelação da música contemporânea. São 40 espaços culturais que atuarão como realizadores dos eventos. Teatros, bibliotecas e pontos de cultura. Nesses territórios culturalmente pulsantes se exibirão Elba Ramalho, Originais do Samba, Teatro Mágico, Caubi Peixoto, Ângela Ro Ro, Zizi Possi, Tetê Spíndola, Wanderleia, Mombojó, entre outros.

A Secretaria Municipal de Cultura, que fez parceria com a empresa municipal de cinema, SPCine, o que possibilitou a projeção de produções brasileiras e argentinas no circuito, vai distribuir filmes para os acervos das bibliotecas públicas. Uma das atrações infantis é o espetáculo circense Tirando os Pés do Chão, encenado pela Companhia Nau de Ícaros. Na dança um olhar delicado para a Companhia Focus de Dança que executará a peça Saudade de mim.    

“Agora temos uma programação distribuída pela cidade, ao logo do ano. A prefeitura é principal promotora de atividades culturais na cidade. O circuito não esgota as atividades culturais dos equipamentos, que muitas vezes tem uma programação própria, que é mantida”, afirmou Nabil Bonduke, secretário municipal de Cultura.

A incomparável as relação de gestões municipais entre São Paulo e Manaus. Enquanto em São Paulo a “prefeitura é a principal promotora de atividades culturais na cidade”, em Manaus, sob o governo do prefeito Arthur Neto, do partido da burguesia-ignara, PSDB, só patrocina passeata contra o governo Dilma.

O Circuito São Paulo de Cultura é fundamental para que se possa vivenciar, esteticamente, a sensibilidade. Uma oportunidade de mostrar ao país e ao mundo que a cidade não é só habitada por ressentidos coxinhas-reacionários e invejosos conspiradores.

Vai, lá moçada!

“O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS”, DOCUMENTÁRIO DE LÍRIO FERREIRA

Janeiro 3, 2015

homem-engarrafava-nuvensQuem é o engarrafador de nuvens? Humberto Texeira. Que é Humberto Teixeira? O compositor dos maiores sucessos cantados por Luiz Gonzaga, o Gonzagão. Humberto Teixeira é o “doutor do baião”, segundo seu amigo Gonzagão.

Só mais uma nota: O engarrafador de nuvens é o autor de Asa Branca que o cinegrafista Lírio Ferreira criou através da narrativa de sua filha, interpretada por Denise Dumont. Da narrativa da filha vai brotando, ou se revelando, o Nordeste. Ou melhor, o povo nordestino em vigor e potência de vida.

São nuvens engarrafadas como estética nordestina-ontológica. O ser-nordestinação.

Vejam e flutuem na poiética intencional criada no ano de 2008.