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A JORNALISTA-ESCRITORA MÁRCIA ANTONELLI ENTREVISTA O FILÓSOFO-POETA DA TRANS VERSALIDADE, MARCOS NEY

Agosto 29, 2020

PRODUÇÃO ESQUIZOFIA.

 

Márcia Antonelli é uma artista que escapa da imobilidade da semiótica-paranoica do sistema de opressão e sujeição capitalista. Como escritora sempre se colocou na pós-vanguarda: o sujeito não sujeito que não se submete a força-sedutora fantasmagórica da sociedade de consumo.

Márcia, como escritora, cria, como diz o psiquiatra-filósofo, Félix Guattari, em deslocamento-maquínico: o que escapa da força imobilizadora do estruturalismo. Márcia, em seu escritos, se desloca sem ligar para os enunciados que iludem através de suas ofertas de recompensas-fálicas. A vantajosa forma que os fantasmagorizados põem fé: o reconhecimento pelas classes alienadas. Márcia Antonelli é Márcia Antonelli nela mesma. Nada além de si mesma.

Pois foi exatamente essa Márcia Antonelli, com formação e desenformação literária universitária, mas composição-comunalidade-literária quem entrevistou o outsider, o aritista-maldito, o que escapa das determinações-paranoicas do sistema-delirante-capitalístico, Marcos Ney.

Marcos Ney, é o tipo-original do cara que entendeu o grafiteiro uruguaio que escreveu em um muro o marxismo sem universidade-institucionalizada no glamour burguês: “Quem trabalha não tem tempo para ficar rico”. Marcos Ney sabe que a riqueza da burguesia é produto da sua inutilidade-produtora. Sua preguiça-social. De sua negação do real sustentada pela potência-produtiva do trabalhador. O burguês fica rico porque o trabalhador, que não tempo para ficar rico, trabalha para ele.

É nesse contexto, sem texto, das implicações da transversalidade, a possibilidade de mudança mesmo na ignorância do que pode e deve ser mudado, que Marcos Ney cria suas obras-literárias. Escapa da opressão horizontal-vertical da percepção-concepção-burguesa.. Por tal, quem nunca leu o psiquiatra-filósofo Félix Guattari, ao se envolver com as criações de Marcos Ney entende o psiquiatra-filósofo. Suas obras, esquizas, não contemplam os enunciados bem postos, e bem agraciados, da chamada literatura-clássica sem sequer desconfiarem que jamais Shakespeare foi clássico.

Então, moçada, vocês que em seus deslocamento ouviram o bizum-transversal  atentem para a entrevista de Márcia Antonelli, em sua TV Literatura da Gente do Amazonas, cujo talento auxiliou a performance-transversal de Marcos Ney.

Vamos nessa, que deixar de ser reificado é bom à beça.  

 

CINEMATECA SE MOBILIZA CONTRA TENTATIVA DE BOLSONARO DE LEVAR ACERVO PARA BRASÍLIA

Julho 21, 2020

Gestão Bolsonaro tenta tirar independência da Cinemateca ao transferi-lá. Antes disso, tática foi de destruição. Instituição está sem verbas desde o fim do ano passado.

São Paulo – O governo Bolsonaro mantém indefinido o imbróglio em relação ao futuro da Cinemateca BrasileiraAbandonada desde o fim do ano passado, a instituição virou um campo de batalha ideológica pelos bolsonaristas. A mais nova investida anunciada pelo governo é a transferência do acervo, o maior do tipo na América Latina de São Paulo para Brasília, de acordo com reportagem darevista Veja. Os trabalhadores e a comunidade denunciam o risco de aparelhamento da instituição.

Os ataques contra a Cinemateca começaram no fim do ano passado, quando o então ministro da Educação, Abraham Weintraub, suspendeu o repasse de verbas, após promover ataques ideológicos, chamando o local de “marxista”, entre outros chavões dos radicais de extrema direita. Na realidade, a Cinemateca abriga 120 anos de história audiovisual brasileira. Estão ali registros cinematográficos de diferentes períodos do país, retratos da memória e da construção da identidade nacional.

abandono promovido por Bolsonaro ameaça a instituição de colapso. Trabalhadores estão sem salários há mais de três meses. Faltam recursos para manter os equipamentos de prevenção a incêndios e segurança. Nem mesmo a conta de eletricidade está sendo paga em dia. Muito do material ali armazenado, especialmente rolos de filmes, são compostas por substâncias que, sem climatização correta, podem queimar.

A prefeitura e a Câmara de São Paulo intervieram e verbas emergenciais foram repassadas, como doação, para a Cinemateca pagar despesas básicas. A ação desagradou o governo federal, que agora anuncia a transferência do acervo. Entretanto, o contrato que rege a ligação entre a Cinemateca e a União sequer permite a mudança.

O contrato, de 1984, também prevê autonomia financeira, administrativa e técnica, o que vai de encontro com a intenção de transformar a instituição em um “bunker” olavista, seguindo a ideologia extremista do “guru” da família Bolsonaro, o auto-declarado filósofo Olavo de Carvalho.

Mobilizações

Questões contratuais sobre a função e a independência da Cinemateca já foram alvos de ação do Ministério Público Federal contra a União. No instrumento, o órgão exige cuidados emergenciais com o acervo e as instalações. Também determina o retorno dos repasses financeiros para a fundação mantenedora (Roquette Pinto), por um ano, para restabelecimento das atividades.

O movimento em defesa da Cinemateca veio após intensa agenda de mobilização dos trabalhadores e da população. Após dias de greve e de atos para sensibilizar a sociedade sobre o cenário delicado, hoje (21) mais uma manifestação foi realizada, agora em frente à sede da prefeitura, na região central da capital paulista.

“Trabalhadores da Cinemateca reivindicam salários, uma definição, a inclusão dos trabalhadores, do corpo técnico. Queremos continuar trabalhando na Cinemateca. Vamos para quatro meses sem salário. Queremos a permanência da Cinemateca em São Paulo, permanência do quadro técnico especializado. O acervo corre risco, toda a instituição e os trabalhadores correm risco”, afirmaram durante o ato.

“PARTIDA”: A ESPERANÇA VIAJA NUM ÔNIBUS

Julho 4, 2020

No filme de Caco Ciocler o ônibus é um personagem que carrega as histórias, se desloca e se transforma.

Estreou em algumas plataformas de streaming o filme dirigido por Caco Ciocler,

“Partida”, que conta a história de uma trupe que sai do Brasil para tentar falar com Pepe Mujica. A ideia nasceu da vontade da atriz Georgette Fadel em se candidatar à presidência em 2022, após a esquerda perder as eleições em 2018. Para isso, Fadel pensou em ouvir os conselhos do ex-presidente do Uruguai.

Partida escancara a polarização que se instalou no Brasil desde as manifestações de julho de 2013. Dentro do ônibus que leva a “comitiva” ao país vizinho, vamos tendo contato com as diferentes visões políticas que se cristalizaram no país: pela esquerda com Georgette, e pela direita com Léo Steinbruch.

A mão do diretor

A primeira é a direção de Caco. A sua narrativa expõe didaticamente os desafios do cinema de guerrilha, produzido com baixo orçamento e uma boa dose de improvisos. Em Partida, essas dificuldades são evidentes. Além da já mencionada falta de recursos financeiros, o filme tem uma equipe reduzida e, como quase tudo é filmado no ônibus em movimento, são muitos closes, e muitos diálogos.

Todas essas “imperfeições” parecem ser calculadas pelo diretor, que mostra uma força narrativa impressionante. Quando Caco Ciocler instiga os atores ao confronto, ele nos leva à dúvida sobre se sua provocação é real ou ficção, uma espécie de “Jogo de Cena” de Eduardo Coutinho. É sem dúvida um trabalho majestoso.

Um vulcão chamado Georgette

O segundo elemento de força é a atuação de Georgette. Não se escreve uma crítica com palavrões, mas é preciso dizer que ela é Foda! Com “F” maiúsculo.

Georgette é um vulcão na interpretação. Ela sabe usar todas as expressões da face para preencher e dialogar com a câmera. Um casamento perfeito com a direção de Caco.

A atriz constrói seus diálogos na desconstrução do outro. Com suas frases duras, ela coloca Léo na lona. Ele, por sua vez, repete o senso comum, com frases ralas sem problematizar os reais problema brasileiros.

Acho curioso que Georgette, mesmo afirmando ser comunista convicta, se apega na fé em alguns momentos do filme. Logo no início, vemos santinhos espalhados pela sua casa. Dentro do ônibus, ela toca atabaque para Ogum abrir os caminhos. E quando um personagem põe a mão em sua cabeça, ela fecha os olhos e chora de emoção, como se estivesse recebendo uma energia indescritível de algum deus. Essa mistura é um caldo de brasilidade. O povo brasileiro, mesmo sendo marxista ou comunista, não deixa a fé de lado, típico da nossa cultura.

O ônibus como set e ringue…

Por fim, o ônibus é um personagem que carrega as histórias, se desloca e se transforma. Apesar de ser focado em Georgette e Léo como um antagonista, os demais personagens estão ali, interagindo entre eles. Até o motorista dá a sua versão sobre a política do Brasil. Entre a equipe está a garotinha Luíza, filha da cineasta Julia Zakia, que assina a fotografia com Manoela Rabinovitch.

O ônibus que leva esperança, se transforma também num ringue, onde os personagens confrontam suas opiniões políticas, ideológicas e comportamentais. É a visão do brasileiro atual, das opiniões das redes sociais, entre esquerda e direita e aqueles que preferem ser isentões. Uma difícil conciliação. Mas é possível se conciliar?

E ele não deixa nunca de ser um set, presente em todo o filme. O percebemos no vidro do ônibus, que mostra o reflexo do diretor, no vazamento do boom do microfone, ou na equipe que interfere em alguns momentos. Mais uma vez, essa interação nos faz questionar se estamos diante de uma ficção ou não.

Uma das falas mais fortes no filme vem do responsável pelo som e também ator Vasco Pimentel. Ele, português, descreve na sua visão o que é o povo brasileiro. É notável. Põe o dedo na ferida. Escancara uma realidade dura para nós.

Lula Livre

Partida ainda tem uma parada fora do roteiro. Um desvio no trajeto do ônibus para o acampamento Lula Livre, em Curitiba, onde o ex-presidente estava preso. Isso é uma amálgama entre os dois presidentes que vivenciaram uma América Latina dirigida por representantes progressistas. Caco não esconde seu lado. Não há espaço para o meio termo quando se elege um presidente como Bolsonaro.

Uma referência longínqua

Bem de longe, podemos dizer que o enredo lembra o documentário estadunidense “Don’t You Forget About Me”. Nele, uma trupe de cineastas sae numa Van em busca do diretor John Hudgens, célebre por seus filmes adolescentes dos anos de 1980, como Clube dos Cinco, Curtindo a Vida Adoidado, entre outros. O objetivo é encontrar o diretor para entrevistá-lo e, se isso não for possível, deixar uma carta. A carta também é uma opção de Partida.

Baixo Orçamento e Alto Astral

Segundo Caco, numa entrevista, o filme não custou mais do que 150 mil. É um valor baixíssimo para um filme brasileiro, mesmo para um documentário. Basta pensar numa viagem com uma equipe para o Uruguai, com diárias, equipamentos, vários dias de filmagem e “trocentas” horas na ilha para editar todo o material, isso já representaria um custo bem maior.

Não há luxo no filme. As imagens revelam um ônibus convencional, hotéis simples e é 70% filmado no mesmo ambiente. O que garante toda a magia é o comprometimento da equipe, isso faz brilhar. Como dizia no Manifesto BOAA (Baixo Orçamento e Alto Astral) lançado por Domingos de Oliveira em 2005.

Tudo é muito coerente, muito poético, muito brasileiro, muito Cinema!

E é claro que um grande filme tem que ter um grande final. E ele tem!

Evoé, Caco, Georgette e toda trupe de Partida!

A REVOLUÇÃO BRASILEIRA, VISTA POR QUEM SEGUIU SUA CHAMA

Junho 4, 2020

Livro de Luiz Pericás desenha, em mosaico, uma história do esforço para superar o capitalismo no país. Para fazê-lo, regata e articula 19 textos escritos, entre os anos 1920 e 80, por participantes diretos da luta revolucionária.

Por Deni Alfaro Rubbo

O enigma da revolução

As revoluções fazem parte dos grandes mistérios da história que despertam anseios, inquietações e esperanças. Essa “imprudência criadora”, como falava Daniel Bensaïd, carrega a imagem de um mar agitado, moldada por reviravoltas imprevisíveis. “Elas nascem no nível do solo, do sofrimento e da humilhação”i. Plurais em sua natureza, as revoluções são temidas e desejadas, tecidas por múltiplos processos em ritmos desiguais e combinados.

E, na periferia do capitalismo, especialmente no Brasil, teria ocorrido uma revolução? Ela é, afinal, uma ação, um processo ou um acontecimento? Definitivamente a resposta não é fácil. Desvendar o enigma da revolução brasileira (mesmo em sua imaginação histórica-sociológica) implica equacionar a formação social do país e suas idiossincrasias culturais, com a dinâmica contraditória do capitalismo e as antinomias da modernidade. Este é o assunto do livro Caminhos da revolução brasileira, organizado pelo historiador Luiz Bernardo Pericás. Um de seus grandes méritos é salvar do esquecimento ou da indiferença textos e autores – uns mais, outros menos – da tradição marxista brasileira que, longe ser homogênea, revela uma longa controvérsia pluralista, de seus termos, formas e conteúdos adotados.

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Pericás faz uma introdução crítica de praticamente noventa páginas e apresenta um caleidoscópio de “intérpretes” que deslindaram sobre a revolução brasileira, estruturada em diversos períodos na história política do país no século XX. Em sua prosa sóbria e objetiva, cercada por um extenso aparato bibliográfico, costura pacientemente os nexos entre autores, textos e contextos. De partida, é possível constatar rapidamente que os profusos usos da noção “revolução” pelo campo da esquerda brasileira (ainda que a direita também a incorpore) parece, muitas vezes, mais um sofá velho e grande, em que todos os segmentos se acomodam, cada qual na peleja sobre a “melhor” definição. Segundo o autor:

No painel ideológico daquele momento, ativistas de diferentes vertentes políticas, debateram intensamente os caminhos da revolução no território nacional. Nesse sentido, é possível perceber claramente, nas discussões sobre o assunto ao longo das décadas, um amplo leque de influências sobre as distintas tendências e partidos, como o leninismo clássico, o stalinismo, o trotskismo, as políticas khruschovianas, o maoísmo e as ideias de Fidel Castro e Che Guevara, assim como aquelas oriundas do arcabouço teórico cepalino, do nacionalismo de esquerda e da T[eoria] M[arxista] [da] D[ependência]ii.

É mais do que claro, por conseguinte, que mediações políticas e ideológicas tiveram um peso significativos nos esquemas de explicações sobre a “revolução brasileira” entre as décadas de 1920 e 1980. Muitos dos personagens trazidos no livro viveram intensamente o desenvolvimento cultural e político do país, o que inclui oposição ou colaboração com governos, criação de editoras, participação de coleções, edição de revistas e jornais, militância em partidos, debates públicos, presença em universidades e produção de textos. Embora a “realidade nacional” fosse o prato principal, a maior parte das abordagens realizadas cruzava-se umbilicalmente com acontecimentos internacionais, como a Revolução Russa e a Revolução Cubana, bem como as revoluções anticoloniais e lutas de libertação nacional na África e na Ásia.

Uma (longa) controvérsia pluralista

Eis aqui os nomes e as respectivas datas de seus textos dos dezenove autores presente no livro. Octavio Brandão (texto de 1924), Luiz Carlos Prestes (de 1930), Caio Prado Júnior (de 1947), Astrojildo Pereira (de 1948), Leôncio Basbaum (de 1960), Alberto Passos Guimaraes (de 1960), Ana Montenegro (de 1960); Nelson Wenerck Sodré (de 1962), Elias Chaves Neto (de 1963), filiados ao Partido Comunista do Brasil (PCB); Mário Pedrosa e Lívio Xavier (de 1930), de origens trotskistas; Roberto Sisson (de 1935) da Aliança Nacional Libertadora (ANL); Carlos Marighella (de 1966) da Aliança Libertadora Nacional (ANL); Franklin de Oliveira (de 1962), Florestan Fernandes (de 1964) e Luciano Martins (de 1965), sem partido; Luiz Alberto Moniz Bandeira (de 1957), Ruy Mauro Marini (de 1969) e Éric Sachs (de 1970) da Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop); Theotonio dos Santos (de 1985), ex-militante da Polop e do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

São manifestos, palestras, programas, textos publicados em jornais, revistas e mimeografados. Muitos dos “intérpretes” (eram, em sua maioria, jornalistas e professores universitários) produziram avaliações durante décadas, e, portanto, na medida em que os câmbios políticos e históricos se alteravam, mudaram de posicionamento sobre suas ideias políticas, bem como nem sempre permaneceram na mesma agremiação. Por exemplo, o texto redigido por Moniz Bandeira “O caráter socialista da revolução no Brasil”, ainda que antecipasse caminhos da Polop, havia sido elaborado antes de sua fundação.

A seleção de textos nos conduz ao âmago das preocupações do sentido da revolução brasileira: cortes cronológicos na formação histórica (chegada da família real em 1808, abolição da escravidão de 1888, “revolução” de 1930, o Estado Varguista, o “desenvolvimentismo” de Juscelino Kubitschek, o golpe civil-militar de 1964 etc.); possíveis alianças entre grupos sociais e políticos (burguesa “nacional”, pequena burguesia urbana, campesinato e proletariado); caráter da revolução (“agrária”, “nacional”, “anti-feudal”, “anti-imperialista”, “democrático-burguesa”, “socialista”).

De maneira geral, a tradição comunista do PCB, com exceção de Caio Prado Júnior, encontrou mais um refúgio no dogmatismo de textos teóricos do que uma reflexão profunda sobre as peculiaridades do Brasil. Tudo parecia ser definido a priori. Sob um prisma eurocêntrico e positivista, o desenvolvimento socioeconômico do Brasil seguia a evolução histórica da Europa através de uma concepção de história por etapas inexoráveis. Baseada na ideia de que o “atraso” era passível de “superação”, fazia-se uma apologia do “desenvolvimento” industrial para remoção dos resquícios “feudais” do país e projetava-se aliança com uma “burguesia local” que compartilhasse com as classes subordinadas o projeto “emancipatório”. A revolução (burguesa) brasileira parecia que tinha hora marcada para ocorrer de acordo com o relógio mórbido da Internacional Comunista e do stalinismoiii.

A tradição dissidente do marxismo, por seu turno, ainda que com contradições e posições eventualmente voluntaristas, conseguiu interrogar-se com mais êxito sobre as particularidades históricas do país e permanecer mais distante do etapismo mecanicista, que vigorou com força na tradição “oficial” no marxismo do século XX. O arcaico versus moderno, era substituído por uma análise mais matizada em um país que trazia em sua historicidade múltiplas temporalidades que não obedeciam às “leis” das sociedades da Europa Ocidental. O Brasil lançava-se no mundo capitalista “ocidental” de um modo singular e problemático, e, desse modo, sua revolução também seria necessariamente um não enquadramento de seu modelo “clássico”. A situação de dependência ao imperialismo estadunidense, os arranjos internos de uma burguesia aliada aos proprietários de terras e com poder econômico construído por meio da especulação financeira são indícios da impossibilidade de um programa de autonomia nacional conduzida por ela.

Ainda que muitos de seus intelectuais tenham nuances significativas em seu pensamento sobre a revolução brasileira, trata-se de um material de pesquisa de extrema relevância. Pericás não apenas traz autores consagrados e banidos, mas optou por textos desconhecidos mesmo por autores mais renomados. Por exemplo, “Os fundamentos econômicos da revolução brasileira”, de Caio Prado Júnior, publicado em 1947 no Boletim de Discussão do órgão A Classe Operária; “A ‘revolução brasileira’ e os intelectuais”, de Florestan Fernandes um discurso de paraninfo para a turma da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) em 1965.

É claro que toda seleção de documentos históricos suscita objeções sobre a ausência de textos e autores, quase como um efeito natural desse tipo de investigação. Dissabores à parte, o livro não pretende esgotar o tema, tampouco os autores e textos eleitos. Aliás, no minucioso prefácio elaborado por Pericás, ele não somente analisa e contextualiza os dezenove intelectuais-militantes e seus respectivos textos, mas insere outros personagens nos registros sobre as discussões em torno do Brasil e a revolução. Aparecem em cena Jacob Gorender, Maurício Tragtenberg, Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Candido, Osvaldo Peralva, Charles Wagley, Celso Furtado, Alberto Guerreio Ramos, Moisés Vinhas, Roland Corbisier, etc. Outro empreendimento similar a esse, organizado também por Luiz Bernardo Pericás (e Lincoln Secco), Intérpretes do Brasil: clássicos, rebeldes renegados (2014)iv, obra em que resgatam trajetórias de “intérpretes” do Brasil, pode-se apreciar igualmente de maneira positiva.

O rescaldo de Caminhos da revolução brasileira, portanto, é um mapeamento vigoroso ao remexer nos alicerces de uma parcela heterogênea da tradição marxista brasileira. Nessa fornada de avaliações, frequentemente arriscadas e polêmicas, sob um frenético cabo de guerra, nem toda abordagem é aceita enquanto potência de análise, o que não significa que devemos ignorar as “ilegítimas”. Com todas as discordâncias que se faça sobre alguns diagnósticos, elas merecem ser conhecidas e estudadas para que se possa fazer um incontornável balanço crítico.

O Brasil hoje: a contrarrevolução armada

O desenho dos horizontes intelectuais e políticos sobre os impasses históricos da revolução brasileira termina na década de 1980, seguindo a narrativa do organizador do livro. O fim da ditadura civil-militar, o advento da Nova República e o fim do socialismo de Estado abriram uma nova fase da história do Brasil e de renovação da esquerda tradicional. Nas décadas subsequentes a “globalização e o “neoliberalismo” moldaram uma nova fase do capitalismo contemporâneo. A tradição intelectual de esquerda apegada a um projeto de modernização capitalista mostrara sinais de esgotamentov. Seria preciso romper com dos ciclos vertiginosos do “progresso” e do “desenvolvimento” que, são, na realidade, condutores performáticos da nova exclusão. Todo “progresso” (das mineradoras ao agronegócio que desterritorizam a vida e a natureza) se reatualiza como catástrofe social sob um capitalismo dependente e destruidor.

Um livro com todos os temperos de Caminhos da revolução, lançado em meio a um país imerso a uma crise política, social e econômica sem precedentes, suscita um comentário final. Nesse compasso, resgatamos outro intérprete dissidente da “revolução” no Brasil e um dos intelectuais que buscou compreender o caráter especial da periferia diante do “neoliberalismo”, exemplo paradigmático e conhecido por suas críticas agudas em relação à tradição intelectual e política “desenvolvimentista”: Francisco de Oliveira (1933-2019).

Em seu ensaio “Vanguarda do atraso e atraso da vanguarda: globalização e neoliberalismo na América Latina”, de 1997, publicada na extinta revista Praga, o sociólogo pernambucano analisava os componentes da singularidade histórica e contemporânea do Brasil diante da nova posição subalterna nos processos de expansão global capitalista. Segundo ele, o “atraso da vanguarda” são “complexos processos de nova direitização, neoconservadorismo, racismo físico e cultural, intensa transformação dos sujeitos sociais, desemprego que no fundo expressam uma radical exasperação dos limites da mercadoria. Uma crise da modernidade que volta a tangenciar os limites do totalitarismo, numa espécie de Auschwitz sem chaminés de crematório”vi.

O retorno de um suposto totalitarismo transformado pelas mesmas instituições que processam a democracia traria seu antípoda, a “vanguarda do atraso” que, em linhas gerais, “consiste em chegar aos mesmos limites superiores do capitalismo desenvolvido sem ter atingido seus patamares mínimos”. Trata-se de contradições internas que se cruzam e intercruzam com o capitalismo mundial: “É nisto”, sentencia Oliveira, “que consiste tanto a especificidade quanto a singularidade do subdesenvolvimento como a negação do desenvolvimento linear”. Chico prognosticou de maneira lapidar o buraco que nos enfiamos. Não se trata mais de uma “nação” em construção, mas de um resultado, de uma hecatombe social gestada através do “circuito global de apropriação colonial”, como falava Florestan Fernandesvii, entregue irrestritamente às exigências de uma economia internacional agroexportadora, da dominação territorial e de políticas diuturnamente racistas e misóginas. Vivemos uma naturalização extrema do estado de exceção, da desigualdade impiedosa e da destruição avassaladora. Como vaticinou Chico de Oliveira: “É a absoluta transparência, colada imediatamente em si mesma. É o ‘ovo da serpente’ bergamiano, a violência sans ambagesviii.

Discutir os desafios de uma “revolução brasileira” é também estar conectado com uma memória das lutas do passado e do presente de um Brasil profundo, renegado e rebelde, distante dos centros metropolitanos. Isso perpassa as heresias indígenas em suas retomadas por terras e nas lutas constantes dos povos quilombolas. São mediações fundamentais – e não meros apêndices – para o entendimento da formação social brasileira, enquanto sujeitos sociais históricos atuantes. Desse modo, à luz do contexto das dinâmicas do capitalismo contemporâneo na formação periférica de origem colonial, com reiterados processos de espoliação e de opressão sobre as classes subalternas, o tema da revolução brasileira não se extingue. Ao contrário: ganha mais complexidade diante de novas relações sociais e mentais, em nível teórico e político.

i Daniel Bensaïd, Marx, o intempestivo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.

ii Luiz Bernardo Pericás, Introdução: caminhos da revolução brasileira. ____ (org.). Caminhos da revolução brasileira. São Paulo: Boitempo, 2019, p. 14.

iii Sobre o eurocentrismo no marxismo latino americano, ver Michael Löwy, Introdução: Pontos de referência para uma história do marxismo na América Latina. ___ (org.). O marxismo na América Latina: uma antologia de 1909 aos dias atuais. São Paulo: Perseu Abramo, 1999, p. 9-66.

iv Luiz Bernardo Pericás e Lincoln Secco, Intérpretes do Brasil: clássicos, rebeldes renegados. São Paulo: Boitempo, 2014.

v Osvaldo Coggiola, A agonia da tradição crítica brasileira e latino-americana. Crítica Marxista, Campinas, pp. 90-110, 2005.

vi Francisco de Oliveira, Vanguarda do atraso, atraso da vanguarda: globalização e neoliberalismo na América Latina, Praga, São Paulo, Hucitec, 1997, p. 33.

vii Florestan Fernandes, A revolução burguesa no Brasil. São Paulo: Globo, 2005.

viii Francisco de Oliveira, Diálogo na nova tradição: Celso Furtado e Florestan Fernandes. Adauto Novaes (org.). A crise do Estado-nação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 480.

Deni Alfaro Rubbo é doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e professor de Ciências Sociais na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS).

BANDINHA DO OUTRO LADO, DA ASSOCIAÇÃO FILOSOFIA ITINERANTE (AFIN), REALIZA MAIS UMA FOLIA DIONISÍACA-INFANTIL

Fevereiro 24, 2020

PRODUÇÃO ESQUIZOFIA

Pela décima terceira vez, a Bandinha do Outro Lado, folia das crianças, da Associação Filosofia Itinerante (AFIN) realizou seu carnaval. Desta vez, com a parceria do Clube de Mães do Amazonas Voluntários Sem Fronteira. Como não poderia ser diferente, as criança mostraram que também se identificam com as marchinhas de carnaval que historicamente criaram o caráter da folia nacional. Cantar e dançar só marchinhas de carnaval, é o tom da Bandinha do Outro Lado. Sé é carnaval, é carnaval! Nada mais do que carnaval. 

O folguedo carnavalesco infantil, neste ano contou com a presença do famoso saxofonista Antônio Frazão que no auge de seus 84 anos deitou e rolou com seu som no embalo das crianças e seus pais. Frazão é um músico com história-musical invejável. Já tocou em todo o estado do Amazonas. Principalmente nas cidades do interior. Sua participação foi sua contribuição para a política pedagógica da comunidade na qual ele é envolvido.

A folia da Bandinha do Outro Lado é dividida em quatro partes: A dança e o canto em si. A dança individual do frevo. O desfile das fantasias, criadas pelas próprias crianças, e e o enfrentamento gastronômico: o encontro com as comidas e sucos. Além, da pipoca, bom-bom e sorvete. 

Valeu, criançada!

FILÓSOFO MARCOS JOSÉ PUBLICA SEU NOVO LIVRO: SOB A ORDEM DA ZONA ESCURA

Novembro 27, 2019

PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG

O novo livro do filósofo amazonense Marcos José, Sob A Ordem da Zona Escura pode ser considerado como um devir que corta o corpus atual da obscuridade-perversa que tenta imobilizar o Brasil em seu movimento-original. Partindo do entendimento dos conceitos do filósofo Leibniz sobre Zona Escura e Zona Clara, ele traça a cartografia da ordem nazifascista com sua impossibilidade de vivenciar o mundo como uma práxis e poiesis originária da percepção clara e distinta que mostra o filósofo Spinoza.  

Encadeando conceitos dos filósofos Leibniz, Spinoza, Marx, Nietzsche, Marx, Sartre, Elias Canetti, Deleuze, Guattari, Freud, além dos antipsiquiatras David Cooper e Ronald Laing, entre outros, o livro Sob A Ordem da Zona Escura mostra os estados aberrantes das criaturas da Zona Escura atrofiadas em sua estruturas sensorial, intelectiva e ética que impedem de experimentar o devir-social da homologia e da homonoia que fundamentam o corpus-democracia. As verdadeiras criaturas-corrompidas, como expressa o filósofo Nietzsche.

Como o conceito aberração remete ao sujeito que caminha, perambula, para fora, se entende clara e distintamente que ele faz sua caminhada fora do território-pulsante da democracia. Logo, trata-se de criaturas-horrorosas que não são traspassadas pelas partículas-democráticas que compõem as condições-políticas de viver, viver bem, com outros. Que resulta da composição das potências-singulares de todas as mulheres e homens como Bem Comum. Ou, estatuto político-social dos que vivem no território-ativo-democrático.

Estes sujeitos-sujeitados, em suas aberrações, impossibilitados de afetar, com suas tristezas, as pessoas-alegres que habitam a Zona Clara, estão condenados a perambular, impulsionados por suas atrofias, até enquanto não se façam transformadores de si mesmos, já que ninguém da Zona Clara pode lhes afetar com suas potência-alegres para que eles possam sair de suas condições escura, cinza e obscura. Isto, em função de não existe qualquer noção-comum entre as duas Zonas que possam levar estas criaturas, a composição de novas forma de sentir, ver, ouvir e pensar em outras dimensões. Elas são elas nelas mesmas. Em suas atrofiadas-condições. Em entendimento simples, não há noção-comum entre a democracia e a tirania. 

E o que é bem visível nessas criaturas da Zona Escura, é o desconhecimento de seus aguilhões. O que para o filósofo-historiador Elias Canetti, trata-se de uma ordem que um indivíduo recebe e ele não sabe quem foi o autor e em que momento foi atingido por ela. O que o torna sujeito-passivo da execução, já que a ordem se forma com um conteúdo. Como não são dotados de percepção clara e distinta, eles jamais desconfiam que são meros executores desta ordem sedimenta por partículas aberradoras da a-história. 

Escravizado pela força-dominante da ordem-aguilhão, essas horrendas-criaturas, não podem sequer cogitar a vida social em igualdade, em alteridade, em solidariedade com os outros. São solipsistas. Insuportáveis em-si. Nada entra, nada sai. Por isso, são facilmente identificáveis. Embora habitantes da Zona Escura, carregam revelante visibilidade. Suas condutas se expressam pela inveja, ódio, vingança, castigo, medo, covardia. Nos territórios do sexo, étnico, gênero, pedagógico são homofóbicos, racistas, misógino, pedófilo (o que odeia criança), xenófobos… Signos cultuados por todos nazifascistas

Sob A Ordem da Zona Escura, não delimita território único para estas criaturas-horrendas. Elas perambulam por todos os quadrantes sociais entulhando-os. Encontram-se em todas instituições e fora das instituições. 

 

Marcos José é filósofo, teatrólogo, teórico da psiquiatria-materialista, membro da Associação Filosofia Itinerante (AFIN), entre outros livros, escreveu Um Jogo Filosofante e Tagarelando em Nietzsche. 

 

Livro: Sob A Ordem da Zona Escura.

Autor: Marcos José.

Páginas: 133.

Preço: R$ 30

Publicação: Editora Garcia Edizioni

TESTAMENTO DE JUDAS 2019

Abril 20, 2019

PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG

Judas Iscariotes, ao se certificar do que vem ocorrendo no Brasil, onde a democracia foi ferida gravemente pela força da irracionalidade obsessiva impulsionada pelo ódio projetado no povo brasileiro por grupos nazifascistas, resolveu voltar ao país, nesta Semana Santa, para in loco vivenciar a desumanidade teratogênica que se disseminou pelo território brasileiro.

Senhor de inigualável sensibilidade, inteligência e moral para com a práxis e a poiesis política, razão de sua perseguição pelos extremistas e ditadores do Império Romano que lhe acusaram de haver traído seu companheiro Jesus Cristo por trinta moedas, uma dos grandes fake News da história que vem se mantendo através das superstições dos incautos, quando em verdade era de família rica e poderosa, Judas Iscariotes, chegou na terra dos índios, negros, quilombolas, trabalhadores, MST, LGBTS, feministas, sambistas, atores, atrizes, artistas engajados, deu um rolê pelo país e constatou o que lhe fora comunicado lá em Roma e Jerusalém.

Convidado por várias entidades e pessoas engajadas na luta pela liberdade democrática, soberania e Estado de Direito do Brasil, para apresentar seu Testamento 2019, ele agradeceu cortesmente os convites, e decidiu proclamar seu testamento junto com os companheiros de Lula na VIGÍLIA LULA LIVRE, em Curitiba, nesse território pulsante onde o espírito-devir é a liberdade do mais respeitado líder-politico do mundo, confinado injustamente como preso político pela ambição e força do império norte-americano e a subserviência de brasileiros antipatriotas e antinacionalistas. Verdadeiros edipianos que com suas insignificâncias não conseguem ser adultos para auxiliar o Brasil a produzir sua verdadeira História como nação crescida e independente.   

Depois de cantar a estrofe:

Liberdade para Lula

É o que pede a razão

Porque o Brasil não será feliz

Com Lula na prisão;

 

Judas cumprimentou alegremente os presentes dizendo que recebera do filósofo Spinoza à incumbência de passar ao povo brasileiro a seguinte mensagem: “Sempre compor bons encontros. Sempre compor alegria. Jamais compor tristeza. Que é a impotência da tirania”.

Envolvido nos aplausos da potência de agir VIGÍLIA LULA LIVRE, o companheiro Judas iniciou seu Testamento 2019.

 

Ao meu companheiro Lula

Que da injusta sofre violência

Deixo-lhe o espírito do guerreiro

Amor, coragem e resiliência,

Para devolver ao Brasil

A democracia e sua inteligência.

 

Junto com sua gente

Que não desiste jamais

Que sob chuva ou sol

Sua força aumenta mais

Deixo-lhe com toda honra

O Prêmio Nobel da Paz.

 

Sei que o companheiro Lula

Não precisa de minhas lembranças

Pois sabe do significado

O que é perder esperanças

Mas mesmo assim lhe digo:

Já vejo vindo às bonanças.

 

Saiba companheiro Lula

Que por onde ando peço sua absolvição

Para que você seja solto

Dessa indigna prisão

Forjada pelos que temiam

Sua nova eleição.

Que começou com o golpe

Que tirou Dilma da presidência da nação.

 

E por falar em Dilma

Aqui vai o meu abraço

Para essa mulher guerreira

Que ninguém mata no cansaço

Pois tem da vida o sentido

Temperado com amor e aço.

 

Ao golpista Temer

Que fez um breve tour pela prisão

Deixo a certeza inconteste

Que o tour vai virar habitação.

 

Três anos estão fazendo

Que o Brasil foi tomado por golpistas

Por isso deixo para eles

O troféu dos arrivistas.

 

Também deixo para eles,

Por estarem o Brasil destruindo,

A nau da insensatez

Para leva-los ao vale do infindo.

 

Para o falador Bolsonaro

Que vive a se desdizer

Deixo-lhe o meu livro famoso

“Os Fantasmas do Falso Poder”.

 

Ainda para Bolsonaro

Que disse: “não nasci para presidente”

Deixo-lhe o GPS

Para voltar pra sua gente.

 

Para o ministro Guedes

Com sua deforma da Previdência

Deixo-lhe a aposentadoria do trabalhador

Para ver se sua velhice tem decência.

 

Aos companheiros trabalhadores

Cuja deforma da Previdência quer lhes matar

Deixo a têmpera de Hefesto

Para contra a maldade lutar.

 

 

Para o ministro Moro

Que à língua portuguesa causa ais

Deixo-lhe a gramática e o dicionário

De meu amigo Antônio Houaiss.

 

Para a ministra Damares

Que pendurou Cristo na goiabeira

Deixo-lhe a mão de Pilatos

Para lavar sua visão de obreira.

 

Ao ministro Ricardo Salles

Que ataca a preservação ambiental

Deixo o Curupira

Para evitar esse mal.

 

Ainda para ministra Damares

Que popularizou Cristo na goiabeira

E quer que a escola seja em casa

Deixo-lhe de Paulo Freire, À Sombra Desta Mangueira.

 

Ao ministro Ernesto Araújo

Que afirma ser de esquerda o nazismo

Deixo-lhe Hitler e Mussolini

Com o trepidar do antissemitismo.

 

Para os ideólogos da escola sem partido

Que opinam sem qualquer noção

Deixo a obra de Paulo Freire,

Política e Educação.

 

Aos nazifascistas do fake news

Que habitam a zona escura do medo

Deixo-lhes a informação:

O Brasil faz seu próprio enredo.

 

Aos professores do Amazonas em greve

Que só querem o que lhe é de direito

Deixo-lhes o valor do educar

Que vale mais que governador e prefeito.

 

Aos blogueiros independentes

Cuja linha de ação é progressista

Deixo-lhes a certeza

Que o Brasil vai viver sem golpista.

 

Ao cinegrafista Padilha

Que se diz desiludido com Moro

Deixo uma cama de prego

Para excitar o seu choro.

 

E para todos companheiros presentes

Nesta festa do Lula Lá!

Deixo o que há de bom

Neste meu testamento de cá

Esperando que em muito breve

Festejemos o nosso político maná.

 

Bom-dia e boa-noite Lula!

Logo, logo nos encontraremos!

Vamos fazer aquela festa

Que só nós democratas sabemos.

E vamos mostrar aos golpistas

Qual é o néctar que nós bebemos!

 

Brasil 20/4/19

MARIELLE VIROU SEMENTE

Março 14, 2019

#FlorescerPorMarielle

Dia 14 de março completa um ano sem Marielle Franco, defensora do povo negro, LGBT e de periferia.

E para ecoar a sua voz não deixaremos que sua história e sua memória sejam esquecidas.

No dia 14 de Março, nós do Coletivo Rosa Zumbi e do Juntas faremos um ato didático em memória de Marielle Franco com a seguinte programação:

Simpósio e Aula Pública: Marielle Virou Semente! 
Horário: 15h às 20h 
Local: Casa das Artes, no Largo de São Sebastião

15h às 17h Painel: Mulheres na política, ocupar por Marielle Franco.
#PartidosPolíticos #NovasNarrativas #OcuparParaTransformar

17h30 – Aula Pública: Basta de Feminicídio, Marielle Presente! 

Professoras e Professores se unem para falar de feminicídio.

1º tempo: Feminicídio e educação
2º tempo: Mulheres negras e direitos humanos
3º tempo: Saúde da mulher
4º e 5º tempo: Debate 

DJ Naty Veiga abertura e encerramento.

Mais informação: http://bit.ly/MarielleVirouSemente14M

A programação é pública e aberta para todas e todos que se interessarem em participar. Esse é um momento muito importante, onde lutaremos pela memória e justiça à Marielle, e todas as vítimas de violência. Exigimos que o caso seja solucionado e que os culpados responsabilizados.

JOHN LENNON E YOKO DIZEM OS DIZERES CONTINUAM ATUAIS…

Janeiro 1, 2019

EM MANAUS, COMPANHIA DE TEATRO CAMCRU, MOSTRA LUZ NAS TREVAS (LUX IN TENEBRIS), DE BRECHT

Novembro 25, 2018

Produção Afinsophia.

Paduk, um homem perigoso, depois de gozar durante muito tempo, no bordel da senhora Hooge, dos prazeres que o sexo prostituído oferece através do capital, se viu expulso exatamente pela força daquilo que lhe permitia tal prazer: a falta do capital.

Proibido de frequentar o bordel pela madame Hooge, sua proprietária, por não ter mais dinheiro para bancar suas taras sexuais junto às meninas que vendiam seus corpos, ele não deixou barato: planejou uma forma de vingança. O mesmo que todo capitalista faz quando se sente impossibilitado do lucro. No caso de Paduk, a impossibilidade do sexo e do álcool usados para prostituir as meninas do bordel.

Para concretizar seu plano de vingança, ele montou uma barraca para exposição dos perigos das doenças sexuais ao lado do bordel, e, assim, atrair o público incauto e promover a falência da casa de tolerância. Usou o mesmo recurso que a moral capitalista oferece a todo despudorado: misturou religião, doenças venéreas e moral. Paduk fez o mesmo que a campanha eleitoral de Bolsonaro fez: aproveitou os baixos sentimentos da massa, como diz senhora Hooge, em forma de mistificação, superstição para conseguir público. Aproveitou o sentimento de culpa sexual da massa, o que o psiquiatra alemão W. Reich, chama de excitação sexual inconsciente sublimada no consciente como excitação religiosa usada pelo nazismo de Hitler, e passou a ganhar dinheiro. Essa repressão sexual sublimada em forma de religião foi o mesmo signo usado na campanha de Bolsonaro em forma de Fake News. Principalmente o delirante kit gay.

  Pode-se aventar que os mesmos tristes sentimentos que levaram o público de Paduk acreditar em suas conferências contra a prostituição e sua vocação para combater o mal, são os mesmos que levaram grande parte dos eleitores de Bolsonaro a votarem nele. É o que nos mostra a psiquiatria. Exaltação da culpa. Ou, com Freud, magnificação da histeria coletiva. Não esquecer que a peça Lux In Tenebris, Luz Nas Trevas, foi escrita em 1919. Vai fazer 100 anos e continua atualíssima, principalmente no Brasil. Coisa da pós-modernidade de Brecht.

Depois, como ocorre na lógica do capitalismo, quando a concorrência é muito forte a decisão mais mais economicamente certa é se unir com o inimigo. Foi o que fizeram madame Hooge e Paduk. 

A montagem da peça é o produto do Encontro Sobre a Práxis e a Poiesis na Estética Marxista criado com estudantes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) executado pelo filósofo Marcos José sob a coordenação do filósofo e professor da instituição Vitor Leandro tendo como coadjuvante o historiador, ator e fotógrafo Alci Madureira.

Durante o movimento do tema do Encontro, occurso, como diz o filósofo Spinoza, os estudantes participaram de exercícios de criação do ator e direção teatral. Como resultado foi a montagem da peça e a criação da Companhia Artística Momento Cru (CAMCRU) que resultou na apresentação na UEA para uma platéia que, em sua maioria, nunca tinha assistido um espetáculo teatral e na sua totalidade muito menos uma peça de Bertolt Brecht. Foi uma noite inolvidável. Não podia ser diferente. Brecht mostrado pelas magníficas interpretações das atrizes e atores. O verdadeiro encontro spinozista com produção de afetos alegres. Aumento da potência de agir.

ELENCO

Paduak————————————Maurício 

Madame Hooge e outros————-Ayene

Jornalista e outros———————-Jamine

Capelão e outros————————Matheus

FICHA TÉCNICA

Encenação——————————Marcos José

Assistente——————————-Alci Madureira

Contra-Regar————————– Vitor Leandro                            

Música———————————–Composição Coletiva