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AGORA QUE OS COXINHAS VÃO EXPELIR MAIS COLESTEROL! A EDITORA BOITEMPO VAI PROMOVER CURSO SOBRE MARX E ENGELS NA PERIFERIA DE SÃO PAULO

Junho 25, 2015

 

0473883f-3a7a-4c64-94c8-b6401ffdddbcNos desfiles nazifascistas promovidos pelos coxinhas de São Paulo havia toda forma grotesca de irracionalidade usada como expressão de quem nem precisa se expressar por ser tão óbvia. Formas delirantes lançadas como bumerangue: em direção a Dilma com volta sobre os próprios coxinhas.

Entre esses delírios havia os que pediam a volta da ditadura militar e a condenação do método do educador transformador Paulo Freire: A Pedagogia do Oprimido. Os cartazes afirmavam que Paulo Freire era marxista. Lógico que os que afirmavam mostravam que não tinham nunca lido Marx. Por dois evidentes motivos: não sabem quem é Marx, e não tem elementos epistemológicos para entendê-lo. 

Agora, a forma se obscureceu, a linha tremeu e o plano ficou mais vazio para os coixinhas. A Editora Boitempo em parceria com a Secretaria de Cultura de São Paulo, do prefeito Fernando Haddad vai promover na periferia cursos de introdução as obras e vidas de Karl Marx e Friedrich Engels. Colesterol vai espirrar.

Com data marcada para os meses de setembro e outubro o primeiro encontro se dará no Centro Cultural da Juventude da Zona Norte. Para realização da singular iniciativa estão convidados os intelectuais, o cineasta Felipe Bragança, a socióloga Silvia Viana e o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o filósofo Guilherme Buolos.

A Editora Boitempo que realiza seus 20 anos de grande difusão cognitiva e afetiva ao publicar autores e autoras singulares que escapam da segmentaridade dura da expressão burguesa dominante, já realizou um seminário com personalidades nacionais e internacionais com o tema fundamental para a pós-modernidade: Cidades Rebeldes.

“A editora está organizando uma série de eventos no segundo semestre para comemorar seus 20 anos e um dos planos é organizar uma nova edição do Curso Marx e Engels, junto com a Secretaria Municipal de Cultura.

Muitas vezes pensamos no que não queremos, mas pensar o que queremos concretamente, pensar utopias e uma cidade construída por afirmações é um grande desafio e esses eventos vão no sentido de responder a esse desafio.

Temos o entendimento que organizar eventos inclusivo, democráticos e agregadores é importante para promover o pensamento crítico, sobretudo porque é uma forma de ocupar o espaço público”, observou Kim Doria, representante da editora.

O evento toca dolorosamente nos coxinhas e excita suas invejas e ódios que lhes deixam mais inferiorizados. E o pior, para eles, é que colesterol de coxinha não serve para reciclar.

VIVA O VINIL: Das mais negras consciências de nosso Mestiço Brasil

Novembro 23, 2011

Em mais linha de corte da consciência negra nosso bloguinho traz uma outra ligação nesta semana como tantas outras conectadas a negri-ati-tude. Obviamente é importante discutir uma semana com temas voltados a questão negra ainda mais com tanto racismo e irracionalidade. Caso não houvesse tanta desrazão, não seria necessária uma semana para a negritude, já que ela estaria inserida na vida e todos os dias  se viveria e produziria a cultura humana, negra, branca, parda, india. 

Além disso o negro não é uma mera cor da pele, quantidade diferente de melanina. O negro é o corte na dominação branca, européia, macho. O negro é a minoria livre, que se produz alegremente sem amarras. Sabendo disso entende que Obama, Pelé, Will Smith, e muitos outros que são a imagem de um mundo ditado pelo capital. Mas se todos viemos da Africa por que esta divisão… Pergunte aos segregadores, ou ao capitalismo e seus fetichulentos.

Neste Viva o Vinil sempre especial trazemos um disco de uma cantora “branca”, mas que sabia que a força da terra (assim como ela) é negra. Clara Nunes foi uma cantora  que em todos os disco cantou, interpretou e envolveu a negri-ati-tude em seu cantar.

Neste disco em especial “Brasil Mestiço” vemos uma alegria mestiça de ritmos sons e cores. Com sambas, modas, e outros ritmos Clara cantou um Brasil mestiço e unido em sua grandeza musical, cultural e sua produção cotidiana.

Na capa já vemos alguns elementos cheios de alegria e beatitude, como um negro ogam tocando um atabaque tendo ao fundo a crescente natureza; algumas mulheres com suas roupas de ração, axós, colares e fio-de-contas e os ojás na cabeça. Clara, sempre bela e radiante,  também vestida de branco dança ao som dos tambores.

Mesmo não sendo um disco religioso, Clara sempre foi muito respeitada nas religiões afrobrasileiras e esteve presente na  luta contra o preconceito e na construção de uma religião menos mística.

A idéia de Brasil Mestiço é exatamente saber deste respeito as origens e as tradições de todos os brasileiros, e que a nossa cultura é fruto desta miscigenação e  sincronia (não sincretizante), mas em uma composição de bons afetos. O disco começa cheio da presença afro com a lindissima e batucante composição de Chico Buarque, Morena de Angola. Além do suingue sambastico de Wilson das Neves esta música conta com diversos percussionistas como Gordinho, Marçal, Cuscus e Dazinho. Todo um grupo mestiço com uma musica de disco mestiço.

O vinil continua rodando em diversas composições de mestres como Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros,  Candeia, Paulo Cesar Pinheiro e Noca da Portela. O disco contou com a presença de diversos músicos como Helio Delmiro, Zé Menezes, Dinho, Doca da Portela, Francinete, e regência do maestro Gaya e daquele que nunca foi branco o mestre Sivuca.

Com este time de músicas e músicos e uma alegria de viver Clara cantou em uma voz multicolorida e mestiça um disco que ficará guardado na memória da cultura musical brasileira. Nossa cultura dos sambas,  dos candomblés, dos forrós e Clara do respeito a toda diversidade e produção que liberte os homens e mulheres de imposições estrangeiras.

A voz de Clara é leve e penetrante, mas deixa marcas e dá o toque das nossas atitudes e valores. Percebemos uma alegria tamanha em Clara, que imaginamos eua voz misturada com sua dança e movimento, em todo axé e produção de uma liberdade para todos.

Abaixo deixamos a letra tema do disco Brasil Mestiço Santuário da fé que mostra nossa construção cultural que foi feita em uma história desigual e dominadora, mas que acha liberdade em espaços como este LP. E Viva o negro vinil

BRASIL MESTIÇO

(Mauro Duarte e Paulo Cesar Pinheiro)

 

Vem desde o tempo da senzala
Do batuque e da cabala
O som que a todo povo embala (2x)
E quanto mais forte o chicote estala
E o povo se encurrala
O som mais forte se propala (2x)
E é o samba
E é o ponto de umbanda
E o tambor de Luanda
é o maculelê e o lundu
É o jogo do caxambu
É o cateretê, é o cõco e é o maracatu
O atabaque do caboco, o agogô de afoxé.
É a curimba do batucajé
É a capoeira e o candomblé
É a festa do Brasil mestiço, santuario da fé.
E aos sons a palavra do poeta se juntou
E nasceram as canções e os mais belos poemas de
amor.
Os cantos de guerra e os lamentos de dor
E pro povo não desesperar
Nós não deixaremos de cantar
Pois esse é o único alento do trabalhador

Desde a senzala.

Cidade de São Cristovão em Sergipe recebe hoje o título de Patrimônio da Humanidade

Julho 8, 2011

A comunidade de São Cristovão (SE) receberá o Diploma de Patrimônio Cultural da Humanidade, conferido à Praça São Francisco, o 18º bem brasileiro a entrar para a lista dos Patrimônios da Humanidade. O documento será entregue ao governador Marcelo Déda (PT), em solenidade de comemoração do 191º aniversário de Emancipação Política de Sergipe, às 16h30, pela ministra da Cultura, Ana de Holanda.

Construída entre os séculos XVI e XVII, a Praça São Francisco, demonstra de forma singular a fusão das influências das legislações e práticas urbanísticas espanhola e portuguesa na formação de núcleos urbanos coloniais. Desta forma, sua autenticidade está explícita em seu desenho, entorno, técnicas, uso, função, contexto histórico e cultural. O sítio é composto pela Igreja de Misericórdia, pelo Palácio Provincial e Casario Antigo, pela Igreja e Convento de São Francisco, pela Capela da Ordem Terceira (hoje Museu de Arte Sacra)  e pela Santa Casa.

Um dos aspectos ressaltados foi o Conjunto Arquitetônico da Praça, em que está erigido o Convento de São Francisco, um dos mais expressivos remanescentes entre os que foram edificados pela Ordem Franciscana no Brasil Colônia. O local possui uma composição dinâmica própria, em função da monumentalidade do adro, do cruzeiro e da ruptura com a ideia de equilíbrio e simetria comuns a outros conventos franciscanos, sendo que a Praça remete claramente às disposições da Lei IX das Ordenações Filipinas, o que a torna única no processo de ocupação do território brasileiro.

“A Praça São Francisco representa um registro íntegro e autêntico de um fenômeno urbano singular no Brasil, que tem como contexto um período representativo de sua história: a aliança das coroas portuguesa e espanhola sob o domínio dos reinados de Felipe II e Felipe III”, destacou o documento brasileiro.

Haverá ainda apresentação dos grupos populares como Caceteira, Samba de Coco, Reisado e Chegança da cidade de São Cristóvão; São Gonçalo, de Laranjeiras; e Parafusos, de Lagarto; além da Lira Sancristovense e da Orquestra Sinfônica de Sergipe.

São Cristovão

A CIDADE

São Cristóvão é uma das mais antigas cidades do país (considerada por alguns a 4a cidade mais antiga) e foi a primeira capital de Sergipe, fundada em janeiro de 1590, no contexto da Dinastia Filipina em Portugal. Os principais monumentos, na Cidade Alta, são cerca de 10 prédios em torno da praça.

A construção teve início em 1693, a partir das doações da comunidade aos franciscanos. Quando a cidade era a capital da Província, o convento abrigou a Assembléia Provincial e o salão da Ordem Terceira era ocupado pela Tesouraria Geral da Província. Já na República, São Cristóvão também aquartelou as tropas do batalhão que combateu os seguidores de Antônio Conselheiro, em Canudos, em 1897.

A cidade foi tombada pelo Iphan em 23 de janeiro de 1967. Na praça se localiza Museu de Arte Sacra com acervo considerado o terceiro mais importante do país, oMuseu de Sergipe, além de outros prédios importantes.