Archive for the ‘Literatura’ Category

SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS DIZ QUE AUMENTOU A VENDA DO OBJETO LITERÁRIO

Setembro 29, 2015

feira_do_livroEntre os meses de agosto e setembro desse ano, comparado com o ano passado, houve um aumento na venda de livros no varejo. O aumento foi de 0,8% em volume e 2,2% no valor, de acordo com divulgação do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).

A mensuração da politica de venda de livros é possível ser confirmada através do uso do Painel das Vendas de Livros no Brasil que foi criada para permitir maior transparência no desempenho do setor. É um serviço de monitoramento de vendas de livros que atua em dez cujos dados são coletados diretamente do caixa das livrarias, do e-commerce e outros varejistas. É um método conhecido como BookScan.

“Vamos aguardar os números do próximo painel para ver se os lançamentos da Bienal do Livro do Rio tiveram o impacto esperado no mercado”, disse Marcos da Veiga Pereira, presidente do Snel, que acredita que o ano feche em 6% de receita da indústria editorial brasileira.

TRÊS POEMINHAS DE FERNANDO PESSOA TOCANDO DE LEVE NAS INTENSIDADES DO TEMPO

Setembro 19, 2015

Fernando Pessoa poeta escritor writer bebendoPalavras do Pórtico

“Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: “Navegar é preciso; viver não é preciso.”

Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar…(Nota solta de Fernando Pessoa)”

Não há o que falar sobre um poeta. Data do seu nascimento, data de sua morte, nomes de seu pais, e até sua nacionalidade, nada há o que falar, porque o poeta é um devir e como devir não se mostra como corpo perceptível. O poeta é uma hecceidade, impessoal, evanescente, sempre transcendente. Muito diferente de um sujeito estriado, segmentado, organizado, identificado e subjetivado expresso como sujeito de enunciado.

Os poetas se distinguem por seus movimentos que liberam a linguagem de suas armaduras sociais aprisionada na tirania do significante. Quem tenta identificar os poetas são os que não poetizam. Eles afirmam: esse é um poeta simbolista, realista, naturalista, romântico, popular, modernista… E por aí vão clivando, inscrevendo, laminando os poetas, mas eles escapam.

É porque a poesia é linha de fuga, corte, variável, livre. A poesia não é um canto de liberdade, como acreditam os incautos. Não há na poesia categorias que possam ser capturadas para serem analisadas e qualificadas. A poesia só se movimenta. Ela é só devir. Nada mais.

Fernando pessoa escreveu na revista Águia, depois no Atheneu e na Atena, mas não se tornou uma letra-morta após suas expressões literárias. As revistas foram apenas vetores desterritorializantes de seus corpos ontológicos poetizantes.

Os três poeminhas que vocês esuizofílicos vão ler mostra o movimento intempestivo de Fernando Pessoa. Sempre deslocamentos sem territórios fixos. Na verdade, desterritorializações sem reterritorializações. 

 pessoa1“Uns COM OS OLHOS postos no passado,

Vêem o que não vêem; outros fitos

Os mesmos olhos no futuro, vêem

O que não pode ver-se.

Porque tão longe ir por o que está –

A segurança nossa? Este é o dia,

Esta é a hora, este o momento, isto

É que somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora

Que nos confessa nulos. No mesmo hausto

Em que vivemos, morreremos. Colhe

O dia, porque és ele.

Fernando-Pessoa00                            

NÃO QUEIRAS, Lídia, edificar no ‘spaço

Que figuras futuro, ou prometer-te

Amanhã. Cumpre-te hoje, não ‘sperando.

                   Tu mesmo és tua vida.

Não te destines, que não és futura.

Quem sabe se, entre a taça que esvazias,

E ela de novo enchida, não te a sorte

                 Interpõe o abismo?

 

NÃO SEI de quem recordo meu passado

Que outrem fui quando o fui, nem me conheço

Como sentindo com minha alma aquela

Alma que a sentir lembro.

De dia a outro nos desamparamos.

Nada de verdadeiro a nós une –

Somos quem somos, e quem fomos foi

Coisa vista por dentro”.

Os poeminhas encontram-se na obra Ficções do Interlúdio 2/3 – Odes de Ricardo Reis Para Além do outro Oceano de C[oelho] Pacheco.

POR DENTRO DA AMAZÔNIA, UMA VIAGEM AO CORAÇÃO DA FLORESTA, LIVRO DE SÍLVIO AMORIM

Julho 14, 2015

e6cfaad7-c9b5-41f1-b010-a3aa5ef7a5eeO sentido da aventura, uma intenção, uma moto e um mapa amazônico. Lá foi Sílvio Amorim, de Recife ao coração da Amazônia traçando os percursos geopolíticos da Transamazônica: 4.332 quilômetros. Uma ponte urbana-florestal: Recife-Floresta Amazônica. No todo foram 76 municípios percorridos.

Dessa aventura em que a moto foi a inseparável companheira, Sílvio Amorim, produziu sua obra narrativa Por Dentro da Amazônia, Uma Viagem ao Coração da Floresta. Um relato que conta os lugares, costumes, tradições, festividades as pessoas, suas realidades social, econômica, antropológica, religiosa, estética e as perspectivas dos habitantes das localidades.

Índios, colonos, comerciantes, religiosos são alguns dos muitos personagens que Sílvio Amorim contatou na viagem de Recife até o município de Lábrea no Amazonas. 

download“Recomendo para aquele que deseja conhecer o Brasil real, que faça o trajeto da Transamazônica de motocicleta, ou em veículo 4×4. E que não vá só! Além do perigo é cansativo. O sentimento de liberdade, no início, passa a ser de exaustão mais adiante. Faça-o ao lado de pessoas amigas, com todo cuidado e sem pressa, para aproveitar ao máximo o que a Floresta Amazônica tem a lhe oferecer”, disse Sílvio Amorim.

O livro foi publicado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). Para o publicitário José Nivaldo Junior, que comentou a obra, o livro é atraente e envolvente.

“O texto de Amorim envolve porque, primeiro, tudo que acontece é atraente. Leva o leito a paisagens mais diversificadas, apresenta tipos humanos e descreve situações pessoas e físicas espetaculares, mostrando contrates e uma natureza que a gente sabe que é exuberante”, disse Junior.

FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL E A ACADEMIA CARIOCA DE LETRAS ELEGEM 45 AUTORES SELETOS DO RIO

Julho 7, 2015

biblioteca_nacionalAinda em comemoração a passagem dos 450 anos do estado do Rio de Janeiro, a Fundação Biblioteca Nacional e a Academia Carioca de Letras, elegeram, através de votação, entre 130 autores, 45 autores como expressões da realidade literário do Rio.

Os autores selecionados, assim como os que não foram selecionados, são aqueles que escreveram sobre o Rio, refletiram sobre o Rio e conseguiram assimilar e apresentar a alma carioca em suas obras.

Uma comissão mista composta por 80 membros passou um mês estudando as obras dos inscritos para poder eleger os 45 autores. A comissão foi formada por personagens ligadas à literatura, a Academia Carioca de Letras e os presidentes da Academia Brasileira de Letras, União Brasileira de Escritores, Academia Luso-Brasileira de Letras, Instituto Histórico Geográfico Brasileiro e Pen Clube.

Machado-008O escritor mais votado foi Machado de Assis com 53 votos, seguido por Lima Barreto com 39 votos, João do Rio, com 33 votos, Nelson Rodrigues, com 25 votos, Rubem Braga, também com 25 votos, Joaquim Manuel de Mcedo, com 24 votos, Carlos Drummond de Andrade, também com 24 votos, Vinícius de Moraes, também com 24 votos, entre os outros que tiveram votação inferior.

“Não há nenhuma outra que chegue à intimidade com os costumes e a mentalidade da época, maior que o próprio Machado, mas toda a lista dos 45 é muito boa.

 Um dos maiores propósitos dentro das comemorações dos 450 anos do Rio é justamente resgatar e revisitar essa memória carioca e especialmente dessas pessoas que tanto contribuíram para nossa identidade”, observou Geraldo Holanda Cavalcanti, presidente da Academia Brasileira de Letras.

A REALIZAÇÃO DA FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATY FEZ CRESCER OS NÚMEROS DE BIBLIOTECAS E LIVROS NA CIDADE

Julho 6, 2015

966538-_abr9481Não era para ser diferente já que se trata de um evento que está relacionado diretamente com a literatura e, consequentemente, com livros. De sua primeira edição, em 2003, até hoje, o evento contribuiu para o aumento das bibliotecas e livros. São 44 quatro bibliotecas na cidade e 40 mil livros que foram doados para a cidade. Antes a cidade tinha apenas uma biblioteca municipal e duas bibliotecas escolares.

“Estamos chegando a 40 mil livros doados para Paraty, que entraram na cidade com o Flip. O número de bibliotecas subiu para 44. Estamos fortalecendo a rede de bibliotecas comunitárias e a Secretaria de Cultura está dando força para uma rede municipal de bibliotecas”, disse Izabel Costa Carmelli, curadora do evento.

Para Mauro Munhoz, este ano, a escolha do nome de Mário de Andrade, para ser homenageado, contribuiu para maior aproximação dos moradores da cidade com a Flip.

“Na década de 1960, Paraty teve a experiência de receber intelectuais,o que deu essa identidade à cidade, que está muito relacionada com a Flip, como território que acolhe o evento. A escolha de Mário de Andrade teve essa reverberação interessante, integrando as ações,, como trabalho de memória oral”, observou Munhoz.

Embora seja um evento eminentemente literário, há espaço para discussões sobre temas científicos, que segundo o curador Paulo Werneck tem tido boa repercussão.

“Sempre teve mesas de ciência, não foi ideia minha. Não sei bem porque, mas ciência tem o envolvimento do público, no ano passado foi astronomia. Este ano tivemos o livro Amor e Matemática como o quarto livro mais vendido”, disse Werneck.

AGORA QUE OS COXINHAS VÃO EXPELIR MAIS COLESTEROL! A EDITORA BOITEMPO VAI PROMOVER CURSO SOBRE MARX E ENGELS NA PERIFERIA DE SÃO PAULO

Junho 25, 2015

 

0473883f-3a7a-4c64-94c8-b6401ffdddbcNos desfiles nazifascistas promovidos pelos coxinhas de São Paulo havia toda forma grotesca de irracionalidade usada como expressão de quem nem precisa se expressar por ser tão óbvia. Formas delirantes lançadas como bumerangue: em direção a Dilma com volta sobre os próprios coxinhas.

Entre esses delírios havia os que pediam a volta da ditadura militar e a condenação do método do educador transformador Paulo Freire: A Pedagogia do Oprimido. Os cartazes afirmavam que Paulo Freire era marxista. Lógico que os que afirmavam mostravam que não tinham nunca lido Marx. Por dois evidentes motivos: não sabem quem é Marx, e não tem elementos epistemológicos para entendê-lo. 

Agora, a forma se obscureceu, a linha tremeu e o plano ficou mais vazio para os coixinhas. A Editora Boitempo em parceria com a Secretaria de Cultura de São Paulo, do prefeito Fernando Haddad vai promover na periferia cursos de introdução as obras e vidas de Karl Marx e Friedrich Engels. Colesterol vai espirrar.

Com data marcada para os meses de setembro e outubro o primeiro encontro se dará no Centro Cultural da Juventude da Zona Norte. Para realização da singular iniciativa estão convidados os intelectuais, o cineasta Felipe Bragança, a socióloga Silvia Viana e o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o filósofo Guilherme Buolos.

A Editora Boitempo que realiza seus 20 anos de grande difusão cognitiva e afetiva ao publicar autores e autoras singulares que escapam da segmentaridade dura da expressão burguesa dominante, já realizou um seminário com personalidades nacionais e internacionais com o tema fundamental para a pós-modernidade: Cidades Rebeldes.

“A editora está organizando uma série de eventos no segundo semestre para comemorar seus 20 anos e um dos planos é organizar uma nova edição do Curso Marx e Engels, junto com a Secretaria Municipal de Cultura.

Muitas vezes pensamos no que não queremos, mas pensar o que queremos concretamente, pensar utopias e uma cidade construída por afirmações é um grande desafio e esses eventos vão no sentido de responder a esse desafio.

Temos o entendimento que organizar eventos inclusivo, democráticos e agregadores é importante para promover o pensamento crítico, sobretudo porque é uma forma de ocupar o espaço público”, observou Kim Doria, representante da editora.

O evento toca dolorosamente nos coxinhas e excita suas invejas e ódios que lhes deixam mais inferiorizados. E o pior, para eles, é que colesterol de coxinha não serve para reciclar.

POR UNANIMIDADE STF LIBERA BIOGRAFIAS NÃO AUTORIZADAS

Junho 11, 2015

a55a1aff066b59c851eea891d15fa249Você é dado a escrever biografias sem antes consultar o biografado, mas sem ofendê-lo em sua honra, sua privacidade, apenas por querer contribuir literariamente com o leitor sobre a vida do personagem? Pois bem, o Supremo Tribunal Federal (STF) em votação ontem, dia 10, liberou as biografias não autorizadas. Para os ministros que votaram a favor proibir seria uma forma de censura.

O caso ganhou caráter jurídico quando o cantor e compositor, rei da depressão, Roberto Carlos, entrou na Justiça para retirar de circulação a sua biografia não autorizada Roberto Carlos em Detalhes, escrita pelo jornalista Paulo César de Araújo. Com o desdobramento do litigio biográfico-literário se posicionaram também compactuando com o rei da depressão como Caetano, Gil e Djavan e outros.

O certo é que diante do litígio a Associação Nacional de Editores e Livros (Anel) entrou no STF com uma ação direta de inconstitucionalidade para derrubar a proibição das biografias não autorizadas. E assim ocorreu. Nove ministros presentes na sessão de votação foram unânimes em segui o voto da relatora, ministra Carmen Lúcia.

“O que não admite a Constituição é que sob o argumento de ter direito a ter trancada sua porta, abolir-se a liberdade de outro de se expressar, pensar, criar obras especialmente, no caso, obras biográficas, que dizem respeito não apenas ao biografado, mas a toda coletividade. Cada boca já morreu”, relatou a ministra.   

Então, fica combinado. Aquela biografia que estava guardada naquela gaveta, agora pode ser publicada, meu irmão! Ou aquela que já foi apresentada, mas com todo o cuidado, não lançada, mas que já se encontra prontinha da silva escrita pelo jornalista e escritor Vitor Nuzzi, Geraldo Vandré – Uma Canção Interrompida, já pode ir para as livrarias. Escrita e financiada por ele mesmo, a biografia tem 400 paginas de importantes revelações sobre o ícone do protesto artístico dos idos da década de 60 que foi preso, torturado e exilado pela ditadura civil-militar que dominou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985.

“OS RICOS TAMBÉM MORREM”, LIVRO DA LITERATURA MARGINAL DO ESCRITOR FERRÉZ

Maio 5, 2015

image_largeOs Ricos Também Morrem, embora como canalhas não envelheçam. Ferréz, o grande ícone da literatura marginal usou o óbvio, já que todos morrem, nenhum homem é imortal, como diz o filósofo Aristóteles, em sua lógica, uma forma de tautologia para mostrar a condição burguesa do rico através de seus personagens anti-heróis. Na verdade a injustiça situada e sitiada nas veias urbanas.

Antes de produzir sua condição de famoso escritor mundialmente conhecido Ferréz fez passagem pelos territórios dos balconistas, auxiliar-geral e arquivista. Como não gostava de arquivar a vida, se mandou a escrever o que via, sentia e pensava. Dessa experiência sensorial, cognitiva, socialmente pulsante saiu sua primeira grande porrada literária, Fortaleza da Desilusão, lançada em 1997. Entretanto, foi Capão Pecado, enviado aos olhos e cérebros no ano de 2000, que a parada se tornou-se circular em viagens pelo planeta.

ferrez_medioDepois, mano-mana, foi só fruir as letras apanhadas nas vielas, becos, palacetes e favelas, ruas, metrôs e noites sem luas. Manual Prático do Ódio e Deus Foi Almoçar. Capando com sua literatura a realidade social opressiva, Ferréz é geo-lítero de Capão Redondo, periferia de São Paulo.

Hoje, dia 5, data do nascimento do mais grave filósofo do planeta Terra, Karl H. Marx. O Mouro de Trier, de 1818, lança a partir das 19h, na Livraria Martins Fontes, na Avenida Paulista, território fúnebre de muitos ricos, seu livro Os Ricos Também Morrem.

Se você é vivo, mesmo sendo rico ou não, vá lá e compre um exemplar e ajude um escritor marginal viver de sua arte, mesmo na marginalidade.

ec4bf6f6-b9d3-4ab0-87c6-431dce90e878É claro que lançar um livro na Livraria Martins Fontes, na Avenida Paulista, o escritor já não é marginal. Pelo menos para o mercado de consumo literário burguês.  

BNDES ANUNCIA APOIO A PROJETOS CULTURAIS DE LITERATURA E MÚSICA

Fevereiro 12, 2015

brasiliaO Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) depois de divulgar o investimento de R$ 22,5 milhões em projetos culturais no ano de 2014, onde só para os festivais de cinema coube R$ 8,3 milhões, anunciou seu apoio a projetos culturais de literatura e música para o ano de 2015.

Assim, entre os meses de março e agosto 12 projetos de música e literatura, selecionados previamente, vão ser patrocinados pelo BNDES.  

Categoria Música:

  • 4° Festival de Música Barroca de Alcântara, no Maranhão.
  • Rio Cello Encounter, no Rio de Janeiro e Ceará.
  • Festival de Música em Trancoso, na Bahia.
  • 2ª Conferência Internacional Multiorquestra, em Minas Gerias.
  • 3° Festival Internacional de Sanfona, em Pernambuco e Bahia.
  • Orquestra Sinfônica de Heliópolis.
  • Plano Anual Cultural 2015 do Mozarteum Brasileiro.
  • 6° Circuito Música Brasilis – Música, Doce Música.

Categoria Literatura:

  • 4ª Festa Literária da Periferia (Flupp – 2015).
  • 3° Festival de História (Festhist 2015).
  • 10ª Feira Nacional do Livro/Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços 2015).
  • 15ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto.

“TERRA FÉRTIL”, DE JENYFFER NASCIMENTO

Outubro 31, 2014

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Para fortalecer e proporcionar a política de produção artística entre as mulheres negras, femininas, feministas, vindas da periferia, foi criado no ano de 2004, como zine, o Coletivo Mjiba, Jovem Mulher Revolucionária. E foi exatamente ele que ontem, dia 30, lançou o livro de poesia, Terra Fértil, da pernambucana que mora há 30 anos no Jardim Ibirapuera, zona sul de São Paulo, Jenyffer Nascimento               

O talento poético de Jenyffer Nascimento se revelou na adolescência quando ela encadeou palavras e ritmos com hip-hop. Pode-se afirmar que foi essa expressão própria da periferia que compôs o devir poético da poetisa. E foi essa estética literária que a levou a participar desde o ano de 2007, dos saraus da periferia paulistana. Essa sensibilidade é confirmada quando Jenyffer Nascimento afirma que foi “definitivamente arrebatada pela força transformadora da poesia”.

Para conhecer um pouco da poetisa, nada como observa o que escreveu no prefácio a organizadora da obra Terra Fértil, Carmen Faustina.

“Jenyffer Nascimento é mulher negra periférica, escritora, mãe, estudante, educadora, boêmia, raiz, ventania e liberdade… Mulheres negras são assim, escrevem, amam e lutam! Assim, tudo ao mesmo tempo, até porque para nós foi negado o direito à escolha, a dúvida e ao tempo do conhecimento. E ainda assim estamos em todos os cantos, espalhando sementes férteis de amor e luta mesmo invisíveis, a literatura negra feminina resiste, pois é forte e viva”, escreveu Carmen Fautsina.

O livro tem 168 páginas e custa apenas R$ 25. Um preço simbólico pela potência-poética que carrega.

Um pouco da elevação revolucionariamente poética de Jenyffer Nascimento, em seu poema O Grito.

“Carrego comigo o legado

De minha mãe, de minha avó

E de tantas outras que me antecederam.

O grito que carrego também é delas.

Pelos prazeres que não puderam ter

Pelo corpo feminino que não puderam explorar

Pelo voto e palavras negadas

Pelo potencial não exercido

Pelo choro em lágrimas secas.

Tenho um grito entalado na garganta.

Um grito denso, volumoso,

Um grito ardido, de veias saltadas.

E hoje ele vai sair.

– O corpo é meu!”