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COM BOAS ENERGIAS E MISTURANDO RITMOS, RAEL LANÇA O ÁLBUM ‘CAPIM-CIDREIRA’

Setembro 16, 2019
MÚSICA COMO MEDICINA
Artista apresenta seu quarto trabalho em carreira solo no programa “Hora do Rango” desta quinta-feira, a partir do meio-dia, na 98.9 FM
    
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‘Capim-Cidreira’ partiu da experiência pessoal do artista paulista, que transformou o período depressivo num repertório leve, dançante e de boas energias

 

São Paulo – Rael é o convidado do programa Hora do Rango desta segunda-feira (16), a partir do meio-dia, na Rádio Brasil Atual. O cantor, compositor e rapper está lançando seu quarto álbum de estúdio, Capim-Cidreira. De acordo com ele, o novo trabalho, assim como a erva medicinal, tem o poder de cura através de uma sensação agradável materializada em 10 faixas.

“Capim-Cidreira” partiu da experiência pessoal do artista paulista, que transformou o período depressivo em um repertório leve, dançante e de boas energias. “Eu precisei ter pensamentos que não conseguia brecar para entender a importância de falar em amor próprio. É importante falar sobre isso, até mesmo para desmistificar. Acredito que as palavras têm poder de cura”, explica Rael.

A nova fase do rapper paulista ajudou na produção do novo álbum, que foi feita por ele mesmo, considerada uma mudança em seu processo criativo no qual Rael concebe a obra do começo ao fim, pensando na parte instrumental e na estrutura, para depois compor a letra em cima do que foi criado. As recentes visitas a três países da África – Angola, Zimbábue e Tanzânia – o aproximaram de referências locais, o que também contribuiu para a identidade do álbum.

Com sonoridades que passam pelo soul, R&B, afrobeat, reggae e até pelo um pop mais leve, Rael mostra que é possível explorar os mais diversos gêneros em um só trabalho. Uma das canções marcantes do álbum é Só Ficou o Cheiro“, gravada com a banda Melim, que agrega com as suas good vibes. “Eu já tinha feito parceria com quase todo mundo do rap, queria flertar com outras paradas, experimentar. Rolou uma sintonia com eles”, disse.

Rael começou na música nos anos 2000, no coletivo Pentágono, ao lado de Apolo, Massao, Dodiman, Paulo Msário e DJ Kiko. Após dois discos e um EP com o grupo, Rael entrou em um processo criativo de composição que lhe permitiu pensar também em um primeiro trabalho solo: MP3 – Música Popular do Terceiro Mundo (2010). As atividades do Pentágono se encerram em 2012, quando o cantor e compositor paulista passou a se dedicar totalmente à própria caminhada com o lançamento de três discos: Ainda Bem Que Eu Segui As Batidas Do Meu Coração (2012); Diversoficando (2014)e Coisas do Meu Imaginário  (2016).

O programa

Hora do Rango, apresentado por Colibri Vitta e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), recebe ao vivo, de segunda a sexta-feira, ao meio-dia, sempre um convidado diferente com algo de novo, inusitado ou histórico para dizer e cantar. Os melhores momentos da semana são compilados e reapresentados aos sábados e domingos, no mesmo horário.

LUPICÍNIO RODRIGUES: “VINGANÇA”

Setembro 15, 2019

TRADUÇÃO DE “GUERRAS HÍBRIDAS” SERÁ LANÇADA EM BH DIA 18

Setembro 15, 2019

GEOPOLÍTICA

Livro articula conceitos de “revolução colorida” e “guerras não-convencionais” para explicar o que são guerras híbridas

Wallace Oliveira

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

Setembro de 2019.

Autor caracteriza um novo padrão de atuação do imperialismo estadunidense - Créditos: Foto: Reprodução
Autor caracteriza um novo padrão de atuação do imperialismo estadunidense / Foto: Reprodução

A editora Expressão Popular completa 20 anos com centenas de publicações de destaque no pensamento crítico brasileiro internacional, difundidas de maneira acessível aos trabalhadores. Por ocasião desse momento importante, em 2019, a editora traduziu para o português o livro “Guerras Híbridas”, do russo Andrew Korybko. No dia 18 de setembro, a tradução será lançada em Belo Horizonte. O evento é fruto de uma parceria entre a Expressão Popular, diversas entidades da Frente Brasil Popular, o Projeto Brasil Cidades e o Indisciplinar, grupo de pesquisas da Faculdade de Arquitetura da UFMG.

“O objetivo maior da criação dessa editora foi auxiliar na formação política. Então, esse evento do dia 18 é um esquenta das comemorações por ocasião dos 20 anos da editora. Depois, entre os dias 7 e 12 de outubro, vamos fazer várias ações nacionais para fomentar o debate. Nesse sentido, o livro “Guerras Híbridas” é muito importante porque nos ajuda a compreender nossa conjuntura, a realidade de hoje”, afirma o professor Wilson Ferreira, da Editora Expressão Popular.

O livro

O livro “Guerras Híbridas – das revoluções coloridas aos golpes”, do jornalista e analista político Andrew Korybko, foi publicado em 2015. A obra parte do estudo dos recentes golpes na Síria e Ucrânia, impetrados pelos Estados Unidos com adesão de atores do Oriente Médio e Europa Oriental. Com base na compreensão desses dois casos e de uma farta documentação, o autor passa a caracterizar um novo padrão de atuação do imperialismo estadunidense, que tenta a todo momento depor governantes não alinhados e substituir regimes políticos na Eurásia, com vistas a inviabilizar a ascensão de Rússia, China e Irã.

Na epígrafe, Korybko cita um antigo estrategista chinês Sun Tzu, segundo o qual “o mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”. Nessa chave, o império ianque desenvolveria a arte de uma guerra mais eficaz e menos onerosa, econômica, política e socialmente para os Estados Unidos. Para tanto, busca desestabilizar regimes com o engajamento de atores locais e regionais, manipulando e mobilizando atores políticos civis por meio das redes sociais, provocando protestos rotulados como pacíficos, articulando grupos paramilitares e, enfim, perpetrando golpes de Estado com a aparência de mudanças legítimas, supostamente condizentes com a vontade das populações locais.

O fundamental na guerra híbrida é explorar diferenças socioeconômicas, étnicas, e geográficas, em países estratégicos do ponto de vista da geopolítica. Isso é feito, segundo o autor, articulando mecanismos de “revolução colorida” com “guerras não-convencionais”, os dois conceitos chaves para entender a teoria das guerras híbridas. Em 2018, em entrevista ao portal Tutameia, Andrew Korybko disse que há uma intensa guerra híbrida sendo travada no Brasil e que um de seus instrumentos é a Operação Lava Jato.

O lançamento

No dia 18 de setembro, às 19h, acontece o lançamento do livro na Faculdade de Arquitetura da UFMG. Na ocasião, haverá um debate, tendo à mesa a pesquisadora Ana Penido, do Instituto Tricontinental, o professor Juarez Guimarães, do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros, e o militante do movimento Levante Popular da Juventude, Artur Colito. As inscrições podem ser feitas pela internet. Os 50 primeiros inscritos serão presenteados com um exemplar do livro.

Endereço: Rua Paraíba, 697. B. Funcionários, BH

Link para inscrição: tinyurl.com/y2h4s3lq

Informações: (31) 9 8414-8686

Edição: Elis Almeida

LIVRO NASCIMENTO DA IMPRENSA BRASILEIRA MOSTRA QUE’FAKE NEWS’ E ÓDIO SOB ANONIMATO JÁ CIRCULAVAM NA IMPRENSA NACIONAL DO SÉCULO 19

Setembro 15, 2019
CRÍTICA
Cenas de disputa política e infâmia são encontradas no livro ‘O Nascimento da imprensa brasileira’, escrito pela pesquisadora Isabel Lustosa
   
REPRODUÇÃO Y.TUBE

Isabel escreve como uma cronista, com linguagem descomplicada e detalhes que conferem mais sabor à narrativa

FPA – Exceto países da África e alguns do Oriente, o Brasil foi o último, naquele planeta dividido entre metrópoles imperiais, colônias e povos em luta pela autonomia, a permitir a existência de jornais, panfletos e outros impressos. A autorização para a existência de máquinas capazes de imprimir e propagar ideias chegou junto com a Corte de D. João VI, em 1808. Porém, o surgimento de uma imprensa regular e diversa em solo brasileiro só aconteceria mesmo a partir da segunda década dos anos 1800.

Sem descartar a importância e o caráter transformador daquela incipiente imprensa – entre outras razões, por ter criado algo outrora inexistente, uma arena política pública – esse setor comandado pelas camadas ilustradas do Brasil, país que caminhava para a Independência, já era marcado por artifícios que até nos nossos dias causam espanto ou prazer sádico, a depender de qual lado se está no fogo cruzado.

As fake news apareciam nas folhas da mídia de então. E o anonimato que permite os mais brutais ataques a desafetos, tão criticado como se fosse característico das redes sociais, era igualmente muito comum pelos idos de 1821-22. Um dos que mais frequentemente recorriam a esse estratagema era o próprio príncipe regente D. Pedro I, que sob pseudônimos empreendia ações de difamação e calúnia em O Espelho, contra adversários de longa duração ou circunstanciais.

Diferentemente de autoridades atuais, D. Pedro ao menos entendia que não era recomendável fazer ataques desse tipo com a cara limpa, em virtude da liturgia do cargo que ocupava. Não se tem notícia também de que ele dirigisse impropérios ou provocações contra autoridades estrangeiras, talvez por entender que relações internacionais exigem trabalhosa tessitura, por vezes facilmente desfeitas.

Um pouco dessas cenas de disputa e infâmia pode ser encontrado em O Nascimento da imprensa brasileira, escrito por Isabel Lustosa, doutora em ciência política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e autora de livros-referências como Insultos Impressos: a guerra dos jornalistas na Independência (Companhia da Letras, 2000) e Histórias de presidentes: a República do Catete (Vozes, 1989).

Lustosa escreve à moda de uma cronista, com linguagem descomplicada que, vez ou outra, pinça detalhes aparentemente mais vulgares de uma história coletiva ou trajetória pessoal não apenas para dar vivacidade e sabor à narrativa, mas também lembrar o leitor de que o aspecto comum pode conter significados que fazem muita diferença. Talvez essa experiência de pesquisadora incansável e detalhista de fontes originais e de interpretações de outros autores – Insultos Impressos, por exemplo, é riquíssimo –, combinada com a familiaridade que demonstra com o ato de escrever, tenha permitido a ela produzir igualmente textos de iniciação, como A História do Brasil Explicada aos Meus Filhos (Agir, 2007) e este Nascimento da imprensa brasileira.

“A liberação da imprensa se daria realmente a partir de 9 de março de 1821, quando foram promulgadas as bases da Constituição, reconhecendo a liberdade de pensamento como um dos mais preciosos direitos do homem”, descreve Isabel em Insultos Impressos. No entanto, num país que aprendia os primeiros passos de uma autonomia que nunca existira, as regras iam sendo aplicadas segundo conveniências internas e experiências externas, nem sempre adaptáveis, tudo sob a sombra do absolutismo que, em pleno Iluminismo corrente na Europa, não havia sido abolido totalmente nem mesmo em Portugal, quanto mais no Brasil. Por razões como essas, a tal liberdade de pensamento não se aplicava a ataques contra o trono nem o altar, os dois personagens da renitente Santa Aliança, nem a abordagens de conteúdo erótico.

O Brasil era uma terra que havia pouco superara a condição de colônia e acolhera seu rei e posteriormente o príncipe, mas que não superara totalmente a subordinação político-econômica à metrópole. Almejava assemelhar-se a países que haviam acabado com a monarquia e adotado o liberalismo, mas permanecia preso à convicção de que extinguir o regime escravocrata seria um passo rumo ao colapso econômico e à insubordinação das camadas populares. Carregava sobre si um zumbi que se negava a morrer totalmente e tinha por perto algo novo que não conseguia nascer.

Resultado disso, no plano legal e institucional, o país que almejava tornar-se Nação vivia a situação dupla do “barbeiro novo e a barba do tolo”, descreve a autora, recorrendo a uma das eloquentes anedotas recolhidas nas folhas do período. “Devem aprender às custas da Nação, como o barbeiro novo na barba do tolo?”, indagava um leitor na seção de cartas do Correio do Rio de Janeiro, ao se referir aos inexperientes deputados brasileiros, em Portugal, para debater uma nova Constituição conjunta com os traquejados colegas portugueses. Não só os deputados, o próprio país tentava se adaptar a uma nova etapa civilizatória para a qual não conhecia bem marcos legais.

Portanto, semelhanças com barbáries dos tempos atuais são ainda mais espantosas por se darem num cenário em que esses vazios políticos e institucionais de há muito teriam deixado de existir.

Uma fake news recorrente no Brasil pré-Independência era o exagero, ou mesmo a invenção, de reações populares de apreço a esta ou aquela liderança política. As acusações relativas a condutas sexuais ou éticas também.

Se o ódio sob condição do anonimato servia para derrubar os desestabilizar desafetos, quando assumido pelos redatores dos jornais propunha-se também a conferir prestígio e aparência de combatividade e independência. Porém, lá como cá, não faltavam polemistas de primeira hora que mudassem o tom, e quiçá, a linha, de suas verborragias, a depender dos ventos que soprassem na Corte e em seus arredores.

Um dos casos mais emblemáticos foi o de Luís Augusto May, vira-casaca que redigia A Malagueta. Sem fazer parte do grupo de José Bonifácio, foi por ele atraído com a promessa de uma indicação a cargo no exterior, mais precisamente em Washington, desde que deixasse de publicar seu jornal, no qual defendia a convocação de uma assembleia constituinte. May assim o fez, mas não recebeu sua contrapartida. Quis voltar à tribuna constitucionalista que abandonara, mas já desmoralizado, não teve sucesso.

Serviço
O Nascimento da imprensa brasileira
Jorge Zahar Editor, 2004, 71 páginas, R$ 39,90

DIA NACIONAL DO FREVO: TRADIÇÃO, FOLIA E RESISTÊNCIA POPULAR

Setembro 14, 2019

PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE

A manifestação cultural secular, nascida nas ruas do Recife, se relaciona com a formação da classe trabalhadora

Geisa Marques

Brasil de Fato | São Paulo

Setembro de 2019.

Ouça o áudio:

https://soundcloud.com/radioagenciabdf/dia-nacional-do-frevo-tradicao-folia-e-resistencia-popular

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Em 2012, o frevo foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO - Créditos: Andréa Regô Barros/PCR
Em 2012, o frevo foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO / Andréa Regô Barros/PCR

O som frenético dos instrumentos de sopro e percussão, o movimento rápido dos corpos dançantes, acompanhados de sombrinhas e roupas coloridas, dão o tom dessa manifestação cultural centenária reconhecida como patrimônio imaterial da humanidade: o frevo, símbolo maior do estado de Pernambuco.

Ele é celebrado nacionalmente no dia 14 de setembro. A data é uma referência ao nascimento do jornalista Oswaldo de Oliveira, que em 09 de fevereiro de 1907 mencionou pela primeira vez a palavra frevo no Jornal Pequeno do Recife.

O termo, segundo historiadores, quer dizer “ferver”. Criado através da influência do maxixe, capoeira, marcha, dobrado, polca e quadrilha, o ritmo tem como berço a capital pernambucana.

Sua origem data o final do século XIX e se relaciona diretamente com a formação social da camada trabalhadora do Recife, como explica a pesquisadora e historiadora Carmem Lélis.

“Ele tem uma relação social muito forte na construção territorial e geográfica da cidade e está vinculado a uma resistência que vem das camadas populares. Desde os negros que estavam sendo ‘libertos’ do processo de escravidão até a formação da classe trabalhadora urbana.”

Ela destaca que o carnaval, momento em que o frevo ganha maior visibilidade, “é apenas um exemplo emblemático da expansão desse movimento”.

“O carnaval é o momento da festa. Mas o frevo se sobressai e tem uma relação muito forte na construção das camadas populares, na busca de um lugar social, de um espaço de história, que faz parte da memória desses moradores do Recife”, pontua.

Em 2012, o frevo foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

A expressão popular é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro desde 2007, ano do seu centenário. O dossiê que deu o título ao frevo foi conduzido por Carmem Lélis.

Ela avalia que a partir desses reconhecimentos, as ações de salvaguarda da manifestação progrediram. Ela cita como exemplo a criação do Paço do Frevo, centro cultural responsável por difundir e fomentar o ritmo pernambucano. No entanto, a pesquisadora destaca que ainda há aspectos em que é preciso avançar.

“A gente precisa ter uma relação de visibilidade maior, onde esses detentores sejam mais respeitados: os bailarinos, os músicos, as costureiras, os artesãos que fazem os bonecos e nós todos que amamos o frevo. É preciso que essas práticas de patrimonialização sejam mais referendadas, não só pelo poder público, mas também pela sociedade civil. Inclusive para a formação de plateia que não seja apenas para o processo da festa, o carnaval”, afirma.

A passista Adriana Roberta, conhecida popularmente como Adriana do Frevo, também defende que os “fazedores de frevo” sejam reconhecidos pela sua contribuição com a manifestação popular. Ela é diretora do clube Vassourinhas de Olinda há mais de 20 e participa de projetos sociais que atuam na formação de bailarinos na cidade.

“É preciso reconhecer como nós somos importantes culturalmente. A gente é cultura, história, tradição e patrimônio. Então, os desafios, para mim, em um primeiro momento, é o reconhecimento da arte e, em outro momento, o valor financeiro, que ainda não conseguimos alcançar”, diz.

Outro ponto destacado pela pesquisadora Carmem Lélis é que, ao longo da história, o frevo passou por um processo de branqueamento para ser referendado como símbolo popular.

“A gente não tem o hábito de colocar a negritude do frevo. Ele foi ‘branqueado’ para depois servir como identidade nossa, pelas classes dominantes. Hoje ele volta a buscar nas suas bases a relação do capoeira. Essa população que estava nas ruas nesse momento de formação social era basicamente negra”, ressalta a historiadora.

Ela acrescenta que o mesmo aconteceu em relação à presença da mulher nesses espaços.

“Hoje a documentação começa a trabalhar nisso e a mostrar que você tem a presença feminina forte, embora sido dito que não”, completa.

Esse complexo sistema cultural, que envolve música, dança e a identidade de um povo, arrasta, todos os anos, milhões de foliões, de diversas localidades, para o carnaval pernambucano. E é difícil ficar parado quando se ouve o primeiro acorde tocar.

E se você acha que os passos são difíceis e que dançar frevo é uma missão quase impossível, Adriana do Frevo, a passista que entende do assunto, diz que não tem nada disso. É só sentir a música e ser levado meu ritmo contagiante.

“Eu costumo dizer que desde a gênese, da formação do ser, pode dançar frevo. É só querer. Quando se envolve, você já dança. Então, o mais importante é você se entregar. Eu uso uma palavra dentro do contexto da ‘frevância’, do ‘frevarte’, da criação, que é: você precisa pertencer. Se você pertence ao ambiente e vem pra trabalhar, você consegue”, finaliza.

Edição: Michele Carvalho

MOSTRA TATURANA DE CINEMA TRAZ O PAPEL DA DEMOCRACIA NA VIDA DO PAÍS

Setembro 14, 2019
ATÉ DOMINGO
Primeiro ciclo de exibições da plataforma Taturana ocorre nas salas do Circuito SPCine, com debates e aulas públicas após as exibições

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Cena do filme “Slam – Voz de Levante”, da cineasta Tatiana Lohmann, em cartaz na 1ª Mostra Taturana de Cinema

São Paulo —Permanece em cartaz até o próximo domingo (15), em São Paulo, a 1ª Mostra Taturana de Cinema, que reúne curtas e longas-metragens documentais que abordam a temática da Democracia a partir de diferentes pontos de vista. Com curadoria da Taturana e do Pacto pela Democracia, estão presentes na mostra filmes sobre o direito de protesto; a renovação política e novas formas de representatividade; a defesa das instituições democráticas; comunicação e fake news; reprodução da violência de Estado; cultura e liberdade de expressão, entre outras abordagens.

As exibições ocorrem nas salas do circuito SPCine, como o Centro Cultural São Paulo  (CCSP), Cine Olido, CFC Cidade Tiradentes, CEU Três Lagos e CEU Jaçanã, além da livraria Tapera Taperá. As sessões são seguidas de debates, bate-papos e aulas públicas. 

Segundo Carol Misorelli, sócia-fundadora da Taturana Mobilização Social, o cinema é um importante espaço social de mudanças, ainda mais relevante no atual momento do Brasil e do mundo, em que se torna imprescindível criar espaços de conversa e debate sobre a democracia. A crença foi reforçada após participações em outros festivais de cinema no exterior, onde constatou a “onda conservadora” como um fenômeno global.

“É importante olhar para isso com uma visão mais ampla, para entender e amadurecer como democracia”, diz Carol Misorelli, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual.

Membro da equipe do Pacto Pela Democracia, Yuri Esteves explica que o movimento surgiu há dois anos e reúne atualmente mais de 130 organizações em uma plataforma de ação conjunta. “No momento em que a democracia é atacada, as expressões de arte, de cultura e de liberdade expressão também são alvo. Fortalecer o cinema, o debate sobre a arte e a diversidade de opiniões é fundamental”, afirma.

Yuri Esteves vê a 1ª Mostra Taturana de Cinema como uma grande oportunidade de debate para reunir movimentos sociais, acadêmicos e público em geral em torno de temas relacionados à democracia como a desinformação, a violência de Estado e a ocupação dos territórios. “Tudo isso está presente na mostra e faz muito sentido pra gente estar junto.”

Diretora do filme Slam: Voz de Levante, presente na mostra, a cineasta Tatiana Lohmann explica que as “batalhas” de poesia no Brasil têm a característica de acontecer na rua e mostrar a face negra das periferias do país. “Ele se tornou um fenômeno de ocupação de espaços públicos com poesia”, diz.

De acordo com Tatiana, o filme com o tempo foi adquirindo um caráter político e se relaciona com o atual debate sobre democracia. “O slam é um instrumento da cidadania e um exercício da liberdade de expressão.” Para ela, no momento em que há a tentativa de revisionismo histórico por parte do governo de Jair Bolsonaro (PSL), os artistas que trabalham com a narrativa são “convocados a trabalhar”. “É um momento importante de se posicionar contra esse governo, mas precisamos também de um trabalho maciço de conscientização da opinião pública.”

Acompanhe a entrevista na íntegra

LUCIANO HORTÊNCIO MOSTRA EDITH VEIGA

Setembro 14, 2019

REGIME DE MILICOS, MEGANHAS E MILICIANOS CENSURA FILME SOBRE CHICO BUARQUE NO URUGUAI

Setembro 13, 2019
Regime de milicos, meganhas e milicianos censura filme sobre Chico Buarque no Uruguai
Reprodução

DENÚNCIAS

13/09/2019.

‘CÁLICE’

 

 

POR ANCELMO GOIS, em O Globo

A JBM Producciones do Uruguai comunicou ao diretor Miguel Faria Junior que seu filme “Chico: Artista Brasileiro”, 2015, sobre o grande músico brasileiro, foi censurado pela Embaixada brasileira em Montevideo.

A Embaixada, uma das patrocinadoras do Festival Cine de Brasil 2019, a ser realizada em outubro, avisou aos produtores do evento que o filme, que narra a trajetória musical de Chico nos últimos 50 anos, estava proibido de integrar a mostra.

Leia abaixo a carta enviada pela produtora ao diretor Miguel Faria:

“Querido Miguel

Quiero informar cómo van las cosas camino al estreno, finalmente, de CHICO en Uruguay. Junto a nuestra asociada ENEC quien además de distribuidores son exhibidores, habíamos planificado estrenar el filme en el Festival de Cine de Brasil 2019 que se lleva a cabo en octubre y entre otros es auspiciado por la Embajada de Brasil en Montevideo. Esta mañana recibo un sorpresivo mensaje del exhibidor diciéndome que los llamaron de la embajada para “pedirles” que NO se exhiba el filme de CHICO en ese festival. Si bien es lógico debido a la situación política de Brasil, en Uruguay es muy grave que se censure la exhibición de una película siendo que en este caso JMB Filmes de Uruguay es el distribuidor y este acto afecta nuestros intereses. Adjunto mas abajo copia del mensaje oficial de ENEC (dueños socios de la sala ALFA/BETA) comunicándomelo y un archivo adjunto de audio de la llamada de una señora, suponemos desde Brasil, que avisa a la sala de la desición de la embajda de Brasil en Uruguay.”

PS do Viomundo: A censura está instalada oficialmente no Brasil.

O FILME QUE NÃO CONSEGUE ESTREAR: ‘MARIGHELLA’ TEM EXIBIÇÃO CANCELADA POR RESTRIÇÕES DA ANCINE

Setembro 13, 2019
CENSURA
Em nota, produção do filme disse que “não conseguiu cumprir a tempo todos os trâmites exigidos pela agência”. Nas redes, escritores, políticos e artistas falam em censura
    
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“É esta a história que não querem que seja conhecida.  É este o personagem que pretendem condenar ao esquecimento”, afirma autor da biografia sobre Marighella

São Paulo – Para o jornalista e escritor Mário Magalhães, a vida do militante comunista Carlos Marighella é a história que uma parte da sociedade não quer que seja conhecida. A prova disso são os constantes atropelos à exibição do filme Marighella que, nesta quinta-feira (12), teve sua estreia cancelada por seus produtores. Em nota à imprensa, a O2 Filmes afirmou não ter “conseguido cumprir a tempo todos os trâmites exigidos pela Ancine (Agência Nacional do Cinema)”.

O longa-metragem que entraria em cartaz no Brasil no dia 20 de novembro, para marcar os 50 anos da morte de Marighella e o Dia da Consciência Negra, ainda não tem nova data prevista de estreia. Para escritores, políticos e artistas, a situação só confirma as suspeitas de censura e boicote por parte da agência em meio ao governo de Jair Bolsonaro. “É esta a história que não querem que seja conhecida. É este o personagem que pretendem condenar ao esquecimento. O esquecimento é amigo da barbárie”, avalia pelo Twitter Magalhães, que é autor do livro biográfico Marighella – O homem que incendiou o mundo, usado como base para a produção da obra cinematográfica.

Mário Magalhães

@mariomagalhaes_

É este o filme que não consegue estrear no Brasil. É esta a história que não querem que seja conhecida. É este o personagem que pretendem condenar ao esquecimento. O esquecimento é amigo da barbárie.

Vídeo incorporado

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Em agosto, o filme, que marca a estreia do ator Wagner Moura na direção, teve dois recursos negados pela agência, que indeferiu uma análise de ressarcimento de despesas pagas pela produtora no valor de mais de R$ 1 milhão pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), além de também ter negado o recurso que questionava se a verba para comercialização do filme poderia ser liberada antes da assinatura do contrato com FSA que, de acordo com a O2 ao jornal Folha de S. Paulo, estaria demorando para ser acordado. Ao impedir a liberação, a produtora precisou adiar a estreiacomo anunciado nesta quinta.

Para a deputada federal Margarida Salomão (PT-MG) as imposições da Ancine sobre o longa-metragem não deixa de ser uma consequência da gestão de Bolsonaro sobre a agência, que tenta controlá-la por critérios quase que próprios. “O ‘não cumprir os trâmites exigidos’ deve ser compreendido como cristalina perseguição do governo Bolsonaro”, avalia a parlamentar.

Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos, também por meio do Twitter, lembrou da declaração do presidente que, em julho, chegou a dizer que “se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine”. “O filtro tem outro nome: censura!”, ironiza Boulos. O ex-deputado federal Chico Alencar apontou o cancelamento como “um ataque à cultura e à economia brasileira”. “Bolsonaro cortou 43% do fundo audiovisual. Ele tá destruindo um setor q movimenta R$ 20 bilhões ao ano e gera mais de 400 mil empregos”, explica o ex-parlamentar em referência às recentes medidas promovidas pelo governo.

O filme Marighella segue sendo exibido em festivais de cinema no mundo, além de já ter sido aplaudido no Festival de Berlim. A produtora O2 afirma que agora o objetivo principal é garantir a estreia no Brasil, mas o que se especula é que a obra seja lançada só após abril de 2020. “As pessoas precisam saber q no Brasil tem gente resistindo. E que essa luta é justa”, escreveu a professora universitária, blogueira feminista e pedagoga Lola Aronovich, referindo-se à frase destacada no trailler do filme . “Qualquer semelhança com os tempos atuais não é mera coincidência”.

A vez do Chico 

A coluna do jornalista Ancelmo Gois, do Jornal O Globo, divulgou ainda nesta sexta-feira (13) que o filme Chico: Artista Brasileiro foi censurado pela Embaixada brasileira em Montevidéu. Em nota enviada ao diretor da obra Miguel Faria Junior, a JBM Producciones do Uruguai disse que o filme foi proibido de integrar a mostra do Festival Cine de Brasil 2019 por decisão da Embaixada.

CURITIBA RECEBERÁ O IV ENCONTRO DA REDE PARANAENSE DE TEATRO DE RUA

Setembro 12, 2019

TEATRO

Evento promove intervensões artísticas e plenárias

Redação

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

12 de Setembro de 2019.

De acordo com os realizadores, o encontro em Curitiba é de extrema importância - Créditos: Divulgação
De acordo com os realizadores, o encontro em Curitiba é de extrema importância / Divulgação
De 13 a 16 de setembro acontece em Curitiba o 4º Encontro da Rede Paranaense de Teatro de Rua. O evento conta com a participação de grupos de teatro de rua de Curitiba, Londrina e Maringá, que se reunirão em plenárias para debater sobre políticas públicas e sobre as demandas do trabalhar com arte nas ruas. Além das plenárias, haverão intervenções e apresentações artísticas gratuitas e abertas ao público, nas Ruínas São Francisco, na rua XV de Novembro, no espaço Marielle Franco e na Vigília Lula Livre, movimentando a cena cultural da cidade e promovendo um intercâmbio entre artistas do Paraná. No sábado pela manhã, será feito o tradicional cortejo do Encontro, com trabalhadores e simpatizantes das artes, especialmente, as artes nas ruas.

A Rede Paranaense de Teatro de Rua (RPTR) faz parte da Rede Brasileira de Teatro de Rua (RBTR), uma rede nacional que se subdivide em redes estaduais. Seu papel consiste em ampliar reflexões e possibilidades para o teatro de rua, com encontros, movimentos e ações artísticas e políticas por todo o Brasil. Assim, todos os anos acontece um encontro nacional, da rede brasileira e um encontro em cada rede estadual, para articular as demandas regionais. Na Rede Paranaense, foram realizados três encontros até o momento: em Cascavel (2016), Londrina (2017) e Maringá (2018). Em 2019 será a primeira vez que o evento acontecerá na capital.

De acordo com os realizadores, o encontro em Curitiba é de extrema importância, por trazer à capital questões de grupos das cidades do interior e por somar força aos enfrentamentos dos artistas daqui. “Especialmente nesse momento, em que a prefeitura e alguns empresários fecham o cerco contra os artistas de rua da cidade, em um movimento que intensificou em janeiro deste ano, quando veio à tona um decreto sigiloso e inconstitucional do prefeito Rafael Greca, colocando várias restrições que inviabilizam o trabalho dos artistas. As repressões seguem até hoje, incluindo ameaças e prisões de  músicos e seus equipamentos de trabalho e a recente agressão de um transeunte da rua XV contra o Palhaço Chameguinho”, explicam.

Edição: Laís Melo