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DUAS VEZES ÓPERA, POR WALNICE NOGUEIRA GALVÃO

Dezembro 10, 2019

 

La Monnaie

por Walnice Nogueira Galvão*

A certa altura da ópera Nabucco, de Verdi, a ária coral “Va, pensiero” (Vai, pensamento) é cantada por hebreus cativos na Babilônia de Nabucodonozor. Expressando a nostalgia da pátria, própria de exilados que a revisitam em imaginação, a ária está entre as mais célebres e populares de toda a história da ópera.

O episódio bíblico do exílio na Babilônia foi glosado em prosa, verso, música e mesmo pintura, tornando-se uma alegoria dos anseios de liberdade e emancipação. Inspirou muitos poetas e não escapou a Camões, que lhe dedicou belas décimas de redondilha maior: “Sobolos rios que vão/ Por Babilônia me achei/ Onde sentado chorei/ As lembranças de Sião…”.

Acontece que essa ária ressoou especialmente na Itália, à época dominada por invasores estrangeiros, na longa jornada de lutas pela independência em que se distinguiu Garibaldi. Conta-se que, em seguida à estreia de Nabucco em 1842, surgiram grafites por todo o país, que rezavam: “Viva Verdi”. O que, decifrado enquanto sigla, resultava em: “Viva Vittorio Emmanuele Re d`Italia”,  reivindicação de um rei compatriota e não mais estrangeiro.

No século do Romantismo, a coincidência histórica entre o apogeu da ópera italiana e o processo do Risorgimento, como foi chamada a tardia unificação da Itália enquanto nação, resulta em composições libertárias, que se manifestam contra a tirania e o jugo do opressor, não importando os anacronismos. E isso mesmo em meio a cenários e personagens exóticos como o Egito da Antiguidade (Aída, de Verdi); a dominação de Roma sobre os povos bárbaros (Norma, de Bellini); os senhores feudais da Idade Média ou posteriores (Il Rigoletto, também de Verdi; Guilherme Tell, de Rossini; Fidelio, única ópera de Beethoven); ou uma princesa sanguissedenta (Turandot, de Puccini). Tiranos e ditadores, reis, duques, déspotas abundam nas óperas, que denunciam sua prepotência, confrontada pelos heroicos protagonistas,  paladinos da liberdade.

Em 2011, o presidente Berlusconi cortou as verbas do Ministério da Cultura. Numa récita de Nabucco no Teatro dell´Opera di Roma, na presença do presidente, ao final da apresentação da ária coral “Va, pensiero” o público prorrompeu em pedidos de bis. Antes de atender, o maestro Riccardo Muti voltou-se para a plateia e, após protestar contra o recente corte dos subsídios para a cultura, convidou o público a cantar o bis junto com o coro, dizendo que naquele momento a Itália o fazia lembrar do verso “O mia patria, si bella e perduta!”.

Entoando conjuntamente, público e coro foram às lágrimas. E a tudo Berlusconi assistindo… Sabe-se que o maestro foi convocado a uma audiência com o presidente, a que se seguiu uma restauração das verbas sonegadas. Um a zero para o poder da arte.

Outro exemplo impressionante, e raríssimo, de poder da arte, no caso a ópera, é relacionado à conquista da independência pela Bélgica. Passou-se no teatro La Monnaie em Bruxelas, que  então integrava o Reino Unido dos Países Baixos. Nesse período, atores famosos como Talma e cantoras como a Malibran – mencionada entre outros pelo fã de ópera Machado de Assis – apresentaram-se na casa. O corpo de baile era comandado pelo bailarino e coreógrafo Jean-Antoine Petipa, pai do grande Marius Petipa  que viria a ser o fundador do balé moderno. Este último dirigiu por trinta anos o Balé de São Petersburgo, formando estrelas da categoria de Nijinsky, Ana Pavlova e Mikhail Fokine. Suas numerosas coreografias são até hoje reencenadas.

O teatro La Monnaie viria a desempenhar um proeminente papel na formação do Reino da Bélgica. Após ter sido banida dos palcos pelo rei Guilherme II, a ópera de Daniel Auber La Muette de Portici foi reabilitada. Encenando uma revolta dos napolitanos contra o jugo espanhol, quase dois séculos antes, a obra é nacionalista e exalta a pátria, pregando a derrubada do imperialismo estrangeiro.

Na performance desta ópera na noite de 25 de agosto de 1830 em Bruxelas, uma revolta eclodiu, o público inflamado extravasou do teatro e ocupou as ruas, conclamando os cidadãos àquela que se tornaria a Revolução Belga e que resultaria na independência da Bélgica. Esse sim é um caso único e extraordinário.

*Walnice Nogueira Galvão é Professora Emérita da FFLCH-USP.

EM FESTIVAL, RESTAURANTES LEVAM À MESA INGREDIENTES DOS POVOS INDÍGENAS E QUILOMBOLAS

Dezembro 10, 2019
DIVERSIDADE E PRESERVAÇÃO
Cardápio do Festival pelos Povos da Floresta, em São Paulo, traz diversidade ambiental e cultural de diferentes regiões do país. Oito restaurantes e bares participam do evento até domingo
   
DIVULGAÇÃO

Para a valorização destas cadeias sustentáveis, pratos destacam a produção de castanha, farinhas, especiarias, óleos, mel, entre outros.

São Paulo – Oito restaurantes e bares da cidade de São Paulo apresentam pratos preparados com ingredientes cultivados no Vale do Ribeira, em São Paulo, no Xingu, no Mato Grosso e no Pará, e no Rio Negro, entre o Amazonas e Roraima. É o Festival pelos Povos da Floresta, iniciativa do Instituto Socioambiental (ISA) e da rede Origens Brasil que valoriza a economia da biodiversidade dos povos indígenas e das comunidades extrativistas e quilombolas.

Ganham destaque no cardápio castanhas, farinhas, especiarias, óleos, mel, entre outros produtos cultivados de modo sustentável, sem uso de agrotóxicos e que mantêm a floresta em pé. O festival, que teve início no sábado (7), segue até domingo (15) levando diversidade ao público e valorizando a cultura desses povos, como destaca o assessor do ISA Rodrigo Junqueira em entrevista à Rádio Brasil Atual. 

“Fizemos essa parceria para que, através desses pratos, eles consigam aproximar essas culturas e essa realidade tão pouco conhecida do brasileiro para cada um que está nos centros urbanos. Foi assim que surgiu essa ideia, ainda mais em um momento tão difícil que a gente está vivendo em que há intolerância e desrespeito a toda essa diversidade socioambiental e cultural de inúmeros povos que habitam nosso Brasil”, destaca o assessor.

Entre os restaurantes que participam do festival está o Tordesilhas, localizado no bairro dos Jardins, zona oeste da capital paulista, que no cardápio apresenta uma moqueca de pupunha com óleo de pequi Kisêdjê, do parque indígena do Xingu, e farinha de mandioca do Quilombo Porto Velho, do Vale do Ribeira. Chef do restaurante, Mara Salles explica que o uso desses alimentos dos povos tradicionais é fundamental para evidenciar que existem outras maneiras de produzir que permitem que a floresta sobreviva, ao contrário do agronegócio.

“Esses produtos que nos chegam agora, especialmente, são verdadeiras jóias, são feitos pelas mãos de pessoas que compreendem o ciclo das estações, que guardam a floresta e têm um profundo respeito pela terra. E, cada dia mais, a gente está precisando desses guardiões, viver com um pouco mais de ar puro e menos com os impactos do aquecimento global”, observa Mara, que é também pesquisadora e autora do livro Ambiências: histórias e receitas do Brasil, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

Os pratos variam de R$ 12 a R$ 75. Você pode conferir a lista de restaurantes que participam do Festival pelos Povos da Floresta e os cardápios, clicando aqui.

Ouça a entrevista completa

 

HORA DO RANGO ENTREVISTA PÉRI COM SEU Ó BEM DO MAR’, CANÇÕES DA FASE PRIMEIRA DO MESTRE DORIVAL CAYMMI

Dezembro 10, 2019
CAYMMI HOJE E SEMPRE
Cantor e compositor baiano reúne em seu último álbum 15 músicas de Caymmi, interpretadas no formato voz e guitarra semi-acústica
  
JOÃO QUESADO/DIVULGAÇÃO

Péri diz que Caymmi continua sendo um dos maiores influenciadores de todos compositores, autor de metáforas e construções que continuam atuais. “O que ele fala continua acontecendo, é um grito de alerta para todos”

 

 

São Paulo — O programa Hora do Rango desta terça-feira (10) recebe o cantor e compositor Péri, a partir do meio-dia, no estúdio da Rádio Brasil Brasil. O baiano lançou em outubro seu 9º álbum, O Bem do Mar, com um repertório de 15 músicas da fase praieira da obra de Dorival Caymmi (1914 – 2008), gravadas numa versão voz e guitarra semi-acústica.

Apesar de terem nascido com meio século de diferença, Péri diz que desde a infância esteve ligado ao mar, a música e a Bahia, assim como pelo propósito de compartilhar com as pessoas a sua interpretação do mundo, tal qual o mestre da música brasileira homenageado no disco.

“Sempre senti que de alguma forma ele influenciou minha obra, minha atitude, minha visão de mundo como artista. O entendimento dele do mar e das pessoas do mar sempre me encantou e assim eu o mantive perto da minha necessidade de ser artista, de ser compositor e de também expressar meus sentimentos. Tomei Caymmi como uma inspiração, uma régua importante, um companheiro de jornada. Caymmi sabe tudo, é nosso eterno farol”, afirma Péri. 

Ele explica que estava começando a gravar um novo álbum autoral quando, no meio do processo dos arranjos, ficou burilando e tocando algumas canções de Caymmi, músicas da primeira fase dele, as chamadas canções praieiras, que retratam como Caymmi enxergava o mar e as pessoas de Salvador e do Recôncavo Baiano.

“Fui lembrando das canções, depois peguei song books, gravações antigas e aí esse sentimento foi tomando conta de mim e quando me vi estava parando a gravação do meu disco. Peguei a guitarra e comecei a gravar essas canções dele, estava dentro do estúdio. Caymmi se impôs, não me preparei pra isso, mas aconteceu, tomou conta de mim. E como diz outro mestre, Gilberto Gil, quando Buda Nagô toma conta e se impõe, não se vai contra isso e então eu me deixei levar pela corrente de Caymmi”, explica.

O resultado é um álbum com canções como O Bem do Mar, que também dá o título ao disco, e pérolas como O marHistória de pescador e Milagre. Péri defende ser importante mostrar o quanto a obra de Caymmi é ainda atual. Segundo o cantor e compositor, Caymmi foi e continua sendo um dos maiores influenciadores de todos compositores que vieram depois dele, autor de metáforas e construções que continuam atuais.

“O trabalho, o tempo, as alegrias, desilusões, a relação com a natureza, o desafio da lida, o amor, a saudade, a esperança. Tudo o que Caymmi percebeu do mundo e de sua época se transporta até hoje. Não quis cantar uma simples interpretação lírica sobre o que é o mar, a natureza, um lugar idílico, uma Bahia que se foi com sua doçura, que talvez não exista mais, precisava entender o que ele quis dizer e ao mesmo tempo entender porque eu entendia que aquilo era tão atual e necessário, hoje. O que ele fala continua acontecendo, é um grito de alerta para todos, podemos entender isso e usar Caymmi para compreender o mundo e tentar transformá-lo, melhorá-lo. Essa foi minha epifania”, diz.

No programa, Péri contará ainda os planos a partir do lançamento do álbum, que incluem uma turnê nacional, começando pela Bahia e, depois, um giro internacional, com expectativa de se apresentar inclusive no Japão. “Pretendo interpretar essas canções em um show e talvez apresente também uma ou duas músicas da minha autoria para ilustrar de que forma um compositor pode influenciar outro compositor”, adianta.

O programa

Hora do Rango, apresentado por Colibri Vitta e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), recebe ao vivo, de segunda a sexta-feira, ao meio-dia, sempre um convidado diferente com algo de novo, inusitado ou histórico para dizer e cantar. Os melhores momentos da semana são compilados e reapresentados aos sábados e domingos, no mesmo horário.

LUCIANO HORTÊNCIO: MENINO ACORDADO PRO MUNDO, NO VASTO SERINGAL DO ACRE…

Dezembro 9, 2019

09/12/2019

Resgate de Luciano Hortencio

Patrícia Oliveira (soprano) Ana Maria Adade (piano) interpretam FESTA PRIMITIVA de Waldemar Henrique

Menino acordado pro mundo
No vasto seringal do Acre
Vida ocre, saudade, solidão
Minha mãe chorando, rezando
Pedindo a todos os santos
Regresso a Belém do Pará.

Um rio chamado Muruka, Chinauava Tizô
Mandou juntar pororoca, coisa de nome juru
Fez caçamba de água parreba pajé
Fui despejar no Amazonas
É de mulher parindo varão
Lutador de cingoê
Namicabiaba
Guerreira de peito cortado, coitadinha

Sobre o frio encantado nos mistérios da terra
Lá no espelho da lua vou pecar Muiraquitã
Riscou no peito um pedido
Quero amazoninhas durinhas, bonitinhas, enjoizinhas
Todas elas com peitinhos.

Cabelo fofo de cumaru
Levitando sobre as águas
A brincar de arco e flecha
Um menino de seringal.
Do Acre não tão acre
Um pouco doce somente da doçura
De infância

Menino acordado pro mundo
No vasto seringal do Acre
Vida ocre, saudade, solidão
Minha mãe chorando, rezando
Pedindo a todos os santos
Regresso a Belém do Pará.

 

Patrícia Oliveira (soprano) Ana Maria Adade (piano) FESTA PRIMITIVA – Waldemar Henrique.
Álbum: Waldemar Raro e Inédito Henrique.
Ano de 2005.
http://pqpbach.sul21.com.br/category/…
Coisas que o tempo levou.
luciano hortencio.

HORA DO RANGO ENTREVISTA A ECLÉTICA MANU SAGGIORO, COM SUA VISÃO DE MUNDO E DE MÚSICA EM “CLARÕES”

Dezembro 9, 2019
ÁLBUM DE ESTREIA
Com canções inéditas próprias e de outros compositores, ela reuniu um belo time de músicos para gravar o primeiro disco
   
DIVULGAÇÃO

Com influências de MPB, música regional, jazz e blues, nem Manu Saggioro sabe definir o estilo do seu disco de estreia. “Não sei dizer”, reconhece

 

São Paulo — O programa Hora do Rango abre a semana, nesta segunda-feira (9), recebendo a cantora e compositora Manu Saggioro, a partir do meio-dia, na Rádio Brasil AtualA paulista que saiu de Bauru, no interior paulista, rodou mundo lançou em 2019 seu álbum de estreia, Clarões, que define como “uma ode às paixões”.

Com 14 canções inéditas e direção musical da cantora Ceumar, o disco apresenta composições de Tetê Espíndola, Tavinho Limma, Levi Ramiro, Osvaldo Borgez, Tata Fernandes, Déa Trancoso e da própria Manu (solo ou em parceria com Manoel Carlos Rubira e Ceumar). Entre os músicos participantes, está o percussionista Ari Colares, os multi-instrumentistas Antonio Loureiro e Webster Santos, a violoncelista e pianista Adriana Holtz, além de Guilherme Ribeiro no acordeom, Daniel Coelho no baixo e Levi Ramiro na viola caipira.

Apesar de lançar o disco de estreia aos 36 anos, Manu Saggioro se movimenta pelos palcos e estúdios do Brasil e do mundo desde os 19. Em 2001, por exemplo, viajou durante quatros meses pelos sertões e litoral do Norte e Nordeste, de carona e com o violão nas costas, tendo visitado comunidades quilombolas e extrativistas, e sido apresentada a raiz do baião, da embolada, o côco, a umbigada, o tambor de crioula, as serestas, as romarias, as folias, o pífano, a rabeca, a alfaia, assim como aos repentistas, os poetas e os improvisadores do sertão.

Em 2006 viajou por nove países europeus, com o objetivo de ver de perto outros ritmos. Desse giro surgiu o convite oficial para participar, em 2008, do festival Jazzin’Albarracín, na histórica cidade espanhola de Albarracín, onde tocou com jazzistas da África do Sul, Bélgica, Austrália, França, Holanda e República Tcheca.

Manu diz que o álbum de estreia reúne um pouco das várias influências que arrematou pelo caminho trilhado até hoje. “Precisei encontrar, diante de tudo o que já experimentei e do que vinha compondo, onde eu mais me reconheço em profundidade. É como se eu tivesse feito uma enorme andança, identificado o meu local de origem”, explica a convidada do Hora do Rango, que transita com desenvoltura do rock ao mundo caipira.

O programa

Hora do Rango, apresentado por Colibri Vitta e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), recebe ao vivo, de segunda a sexta-feira, ao meio-dia, sempre um convidado diferente com algo de novo, inusitado ou histórico para dizer e cantar. Os melhores momentos da semana são compilados e reapresentados aos sábados e domingos, no mesmo horário.

QUANDO A POLÍCIA INVADIU O ENSAIO DA MANGUEIRA NO RIO E O MESTRE CARTOLA, IMPEDIDO DE SAMBAR, PROTESTOU CONTRA O SISTEMA

Dezembro 9, 2019
Quando a polícia invadiu o ensaio da Mangueira no Rio e o mestre Cartola, impedido de sambar, protestou contra o sistema
Foto: Eurico Dantas

08/12/2019.

por Conceição Lemes

Num dos grupos de whatsapp que participo, me deparei hoje à tarde com esta preciosidade, postada por Sylvio Souza.


— Sylvio, você teria o link de onde foi publicado?–, perguntei-lhe, de pronto. 

Afinal, dar o crédito é FUNDAMENTAL.

–– Eu e o Beto estamos procurando também….já achamos o dono do post original, mas não encontramos o post em si.

O Beto a que se Sylvio se refere é o Beto Mafra, que muitos leitores do Viomundo já conhecem por seus textos, aqui publicados.

A cantora Nani Menezes resgatou a foto e o texto e publicou em seu perfil de uma rede social publicou.

O texto, muito bom, é de Joel Paviotti. A foto histórica, de Eurico Dantas.

— Beto, quem achou essa preciosidade? 

— O Sylvio “achou”. Faz três dias que estamos procurando o post original. Fucei, fucei, sem achar…

Dois minutos depois, o Beto:

— ACHEI!!! Estava procurando pelo texto e o caminho era a foto. Dei um google, em 2 minutos achei.

Beto e Sylvio, obrigadíssima pela parceria e colaboração.

Sylvio volta à carga:

— O crédito é do Pivotti que trouxe à luz esse fato histórico que nunca tive conhecimento… Eu tinha 14 anos na época.

— Com isso descobrimos que o problema não é funk, não é samba…o problema se chama Globo e oligarquia.

Quando o rei do samba foi impedido de sambar.

por Joel Paviotti, em Iconografia da História

Em 1976, a polícia invadiu o Ensaio da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira que ocorria na rua Visconde de Niterói, no Rio de Janeiro.

Mestre Cartola, um dos fundadores da agremiação, sentou no asfalto para protestar e lamentar mais uma operação policial contra o Carnaval Carioca.

Na época, apesar da festa já aquecer a economia da cidade, o Samba era considerado pelas forças policiais como bagunça. Antes da construção do Sambódromo, os ensaios e desfiles ocorriam nas ruas do Rio, e a reunião das escolas eram constantemente interrompidas pela Justiça, Polícia e Ministério Público.

Uma das principais alegações era que os ensaios e desfiles geravam um ambiente promíscuo e fértil para uso de drogas, sexualização e incentivo ao jogo do bicho.

A imagem emblemática foi capturada por por Eurico Dantas e virou símbolo da resistência do samba contra o sistema.

BIA FERREIRA PÕE SUA ARTE A SERVIÇO DA LUTA CONTRA O ‘SISTEMA OPRESSOR’

Dezembro 8, 2019
MÚSICA QUE LIBERTA
Artista utiliza até técnicas de neurolinguística para compor e facilitar a compreensão da sua mensagem pelo público
   
LEANDRO GODOI

Com música sendo leitura obrigatória em vestibulares, Bia Ferreira se dedicou muito na sonoridade do álbum de estreia. “Se a pessoa não concorda com o que estou dizendo, ela vai ouvir porque a música é boa”

São Paulo — Depois de estourar com Cota não é esmola, canção que a colocou como uma das grandes revelações da música brasileira e da luta antirracista, Bia Ferreira lançou em setembro seu primeiro álbum, Igreja Lesbiteriana, Um Chamado. São oito músicas e um poema, formando um conjunto de forte crítica social e alta qualidade sonora.   

Cantora, compositora, multi-instrumentista, ativista, Bia Ferreira prefere mesmo se definir como “artivista”. “Gosto de usar várias ferramentas. Minha pretensão de vida é conseguir viver, até o fim, de arte, independente de ser cantando, compondo, produzindo, arranjando ou sendo musicista. Eu quero viver de arte”, afirmou, durante o programa Hora do Rango na última terça-feira (3), a artivista, que no momento está aprendendo a tocar saxofone.

O álbum de estreia inicialmente era pra ter saído no primeiro semestre, mas as dificuldades inerentes a uma produção independente atrasaram um pouco o processo. Nada que altere o conteúdo apresentado, pelo contrário. O disco confirma a expectativa formada em torno de Bia Ferreira e seu modo de cantar e dar o recado que lhe é caro.

Com guitarra, baixo e bateria gravadas num único dia, graças a horas de gravação que o baixista Vinícius Leslo tinha com o estúdio, o álbum reuniu artistas que se dispuseram a colaborar com a causa expressada nas canções compostas por Bia Ferreira, entre eles, a parceira Doralyce. “Todas as pessoas que participaram desse disco, nenhuma delas cobrou financeiramente para trabalhar nele, mas todas se comprometeram a não se calar diante do sistema opressor. Construímos coletivamente o disco”, enfatiza a cantora, que no teatro encarna Elza Soares no musical Elza, substituindo a atriz Larissa Luz nas apresentações em São Paulo.

O esmero com o álbum de estreia, a preocupação com os detalhes e a qualidade do som, segundo Bia, também é resultado da intenção de agradar até mesmo quem não se identificar com suas letras engajadas. “Se a pessoa não concorda com o que estou dizendo, ela vai ouvir porque a música é boa.”

Compreensão

Cota não é esmolaNão precisa ser Amelia e De dentro do AP, entre outras canções, revelam uma característica peculiar no modo de Bia Ferreira cantar. Para além do ritmo dançante e as influências do reggae, jazz, blues, soul, funk e R&B, há a característica de pronunciar determinadas palavras acentuando a separação por sílabas.

Segundo ela, estudiosa em programação neurolinguística, tal técnica ajuda o cérebro a assimilar melhor a mensagem. “É uma forma de se comunicar com as pessoas, fazer com que te entendam e prestem atenção naquilo que você está falando, absorvam melhor.”

Bia explica que constrói sua poesia pensando nas técnicas de neurolinguística, pois o álbum de estreia foi planejado para ser “didático”. “Ele foi pensado para quando você chegar na última música, você não falar que ‘não sabia’ ou ‘não entendeu’. Ele foi feito com esse propósito”, afirma. De forma simples e direta, o disco trata com vigor de questões raciais e sociais, do movimento LGBT e a intolerância religiosa.

Segundo Bia Ferreira, o álbum nasce da convicção de que a fala “cura, educa e liberta”. A cantora e compositora enfatiza a necessidade de mais pessoas serem “libertadas” e despertadas para o desejo de “revolução”. A música, ela acredita, tem a força para proporcionar a mudança de mentes.

Indicada ao prêmio de “Cantora Revelação” no Women Music Events, em 2018, a autora de Cota não é esmola hoje vê sua canção de maior sucesso ser leitura obrigatória para os vestibulares da Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), além de estar nos livros para alunos do sistema Sesi-SP.

“Isso é um avanço muito grande. Há muitas pessoas comprometidas em falar a respeito disso, passar informação. Não estamos sós”, analisa Bia.

Luta contínua

Ainda que novembro seja o Mês da Consciência Negra, Bia Ferreira avalia que há falta de interesse das pessoas em entender os verdadeiros motivos do trás da data, assim como da importância e pregar práticas antirracistas o ano todo.

Em suas letras, a crítica ferrenha ao racismo estrutural do Brasil é uma temática constante. Para ela, apesar do país ter lei que determina o estudo da cultura negra nas escolas, o não cumprimento da legislação é consequência do “bombardeio” que as instituições de ensino sofrem do conservadorismo, especialmente as pessoas que estão em cargos de direção e de supervisão. “Essas pessoas bloqueiam qualquer tipo de educação afrobrasileira por demonizar essa cultura”, afirma.

Por outro lado, ela enfatiza avanços obtidos recentemente, como a eleição de mulheres negras para o parlamento, entre elas, Erica Malunguinho (Psol-SP), Érika Hilton (uma das nove integrantes da Bancada Ativista do Psol na Assembleia de São Paulo), Talíria Petrone (Psol-RJ), Dani Monteiro (Psol-RJ), Renata da Silva Souza (Psol-RJ), Mônica Francisco (Psol-RJ) e Áurea Carolina (Psol-MG). “Conseguimos eleger muitas mulheres pretas para falar por nós”, comemora.

Bia costuma enfatizar que o racismo não é apenas um comportamento da elite brasileira.  A situação, para ela, é ainda pior devido as classes menos favorecidas “comprarem” a ideia da elite e reproduzi-la. “A classe que não é elite, o pobre, o proletário, também reproduz o racismo de forma automática. Por isso estamos vivendo o que estamos vivendo”, afirma. Para ela, o poder da elite advém justamente da reprodução do pensamento elitista por quem não é elite. “São com essas pessoas que a gente tem que conversar pra explicar pra elas: ‘você não é elite, amigo, cola com nós’. É o famoso ‘pobre de direita’. Eu tenho dó.”

Em seguida, Bia Ferreira emendou no Hora do Rango a canção inédita Deixa que eu conto. Uma música que diz estar “experimentando” e cujo ideia-síntese é um aviso: “Ninguém mais vai falar pela gente”, afirma.

Turnê

A repercussão do seu trabalho no Brasil a levou para uma turnê na Europa em 2019, com shows na Alemanha, França e Portugal, todos com ingressos esgotados. A artivista conta ter se surpreendido com a receptividade em países que não falam português. “O show foi incrível, as pessoas sabiam cantar as músicas, foram tocadas pela mensagem. Isso me deu um ‘quentinho’ no coração, ao entender que aquelas pessoas sentem o poder da música que você está cantando. Foi muito bonito fazer essa troca, independente do idioma.”

Em Portugal, se o idioma não é outro, a diferença foi o recado em sua perspectiva histórica. “Tocar em Portugal é uma coisa diferente. É conversar com pessoas que não entendem a cota…é explicar que eles não repararam a gente depois que nos trouxeram de África”, pondera.

Se definindo como “meia analógica”, Bia é uma compositora capaz de sair pedindo pedaço de papel e caneta pelo metrô quando bate uma ideia. Escrever direto no celular só em último caso. “Prefiro papel e caneta, posso riscar. Acho esquisito ficar olhando pro celular e pensando pra escrever”, explica a cantora inquieta, que reconhece sentir-se satisfeita cada vez que percebe a sua mensagem indo adiante e sendo compreendida.

“Quanto mais pessoas ouvindo, são mais pessoas tendo acesso à informação que a gente se disponibilizou a passar. É gratificante.”

Ouça o programa completo

NOME DA NOVA GERAÇÃO DE SAMBISTAS, MARINA IRIS HOMENAGEIA MARIELLE EM NOVO ÁLBUM

Dezembro 7, 2019

SAMBA

Mesclando música e poesia, disco conta com as vozes e textos de mulheres negras como Leci Brandão e Conceição Evaristo

Redação*

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

Dezembro de 2019 às 16:05

As cantoras Marina Iris e Fabiana Cozza em estúdio na gravação da faixa 'Velha senhora' - Créditos: Elisa Mendes
As cantoras Marina Iris e Fabiana Cozza em estúdio na gravação da faixa ‘Velha senhora’ / Elisa Mendes

Voz engajada das rodas de samba do Rio de Janeiro, a cantora Marina Iris lançou na última semana o novo álbum “Voz Bandeira”. Repleto de música e poesia, o terceiro disco levanta bem alto a bandeira da luta das mulheres, do resgate da ancestralidade e do combate ao preconceito e é dedicado a memória da vereadora Marielle Franco.

“Dedicar a Marielle é reforçar a pergunta “Quem mandou matar Marielle” e também reforçar a ideia de que nós mulheres negras seguimos firme no propósito de nos sentirmos representadas nos espaços de poder institucionais ou não. Dedicar esse disco a Marielle é uma forma de continuar perguntando qual foi o motivo e quem mandou executar e também reforçar que nosso encontro, nossa força coletiva segue viva. É um disco que fala de bandeiras, de luta e permanência dessa luta, no propósito de construir um mundo melhor, uma sociedade mais justa, igualitária, livre de discriminações e opressões”, explica.

Na faixa “Travessias”, o disco conta com participação da poeta e atriz Elisa Lucinda declamando trechos da obra da escritora Carolina Maria de Jesus, conhecida pelo livro “Quarto de Despejo” e também em “Mandiba”, uma homenagem ao presidente da África do Sul Nelson Mandela. Em “História pra ninar gente grande”, Marina entoa o samba-enredo da Mangueira ao lado da sambista Leci Brandão. A escritora Ana Maria Gonçalves, autora do elogiado livro “Um defeito de Cor”, faz leitura de um trecho da publicação. Outra voz que ecoa no trabalho é o da poeta Conceição Evaristo, vencedora do Prêmio Jabuti, em “Da Calma ao Silêncio”. Em “Velha Senhora”, Marina também faz um dueto com Fabiana Cozza.

“Estou nas nuvens com esse encontro. A gente pensa o projeto e ele vai tomando forma, vai crescendo, vai se emocionando cada vez mais. Quando ele está lá incipiente, a gente não tem noção de onde ele pode chegar e essa é uma característica da coletividade. A gente sabe o quanto mais a gente consegue construir coletivamente. Esses encontros foram também ganhando força ao longo da produção do disco. Foi uma honra imensa, está sendo. Dividir, compartilhar experiências e talentos com essas mulheres mais experientes do que eu, muito potentes e produtivas”, ressalta Marina.

Marina descreve o trabalho como um “disco de encontro”. Ela conseguiu reunir uma diversidade de mulheres letristas e melodistas, como é o caso de Teresa Cristina, Ana Costa, Fátima Guedes e Manu da Cuíca. Algumas dessas canções são assinadas em parcerias com outros compositores. Em entrevista ao Programa Brasil de Fato RJ, a cantora contou que a ideia do nome do disco surgiu em conversa com o carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira.

“As pessoas quando falam das vozes das cantoras citam timbre, alcance, potência vocal, emoção. Leandro Vieira frisou o quanto de outras vozes havia na minha voz, quantas outras mulheres estavam presentes no meu canto e como a minha vivência como mulher, negra e militante fazia com que a minha voz fosse uma voz carregada também de outras vozes”, conta Marina.

O repertório é composto por músicas trabalhadas pela artista em rodas de samba, como é o caso da faixa “Pra matar preconceito”, de Manu da Cuíca e Raul DiCaprio. Outro single importante é o “Travessias” lançado no Dia Nacional da Consciência Negra, de autoria também de Manu da Cuíca e Ana Costa, encomendado e sugerido pela própria Marina Iris. O disco pode ser ouvido no Spotify.

*Entrevista: Denise Viola

Edição: Vivian Virissimo

ENCONTRO DE BATUQUES DA PARAÍBA ACONTECE NESTE FINAL DE SEMANA, EM JOÃO PESSOA

Dezembro 7, 2019

TRADIÇÕES BRINCANTES

Grupos de cultura popular irão se reunir nos dias 07 e 08 no Espaço Cultural José Lins do Rego

Cida Alves

Brasil de Fato | João Pessoa – PB

Dezembro de 2019.

Card - Créditos: Divulgação
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Um verdadeiro festival da cultura popular paraibana, reunindo 10 grupos de dança e música tradicionais, feira de artesanato e gastronomia da Paraíba: trata-se do III Encontro de Batuques da Paraíba, que acontece nos dias 07 e 08 de dezembro, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa, com realização do Ponto de Cultura Maracastelo. O objetivo é promover formação de público, e a difusão e valorização da cultura popular tradicional da Paraíba. 

No sábado (07), haverá oficinas que acontecem simultaneamente, das 14h às 17h, ministradas por mestres da tradição paraibana, seguidas de uma mesa-redonda onde eles/elas irão compartilhar suas histórias e dos seus folguedos. Quem quiser se inscrever, acessa o IG ou no F/coletivomaracastelo. À noite estará acontecendo mais uma edição do Coco do Gurugy/Ipiranga, que promete ser mais um ponto alto desse encontro, numa festa in loco no Quilombo milenar localizado na cidade de Conde.

Já no domingo (08), os grupos de cultura popular da Paraíba irão se apresentar a partir das 13h. Nesse mesmo dia, no evento, serão recebidos dois grupos convidados: o Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife-PE, e a Comunidade Jongueira Dito Ribeiro, de Campinas-SP. além disso, estarão acontecendo a feira gastronômica e de artesanato, expondo seus produtos através de uma rede colaborativa de produtores locais.

Segundo Angela Gaeta, uma das organizadoras do evento, este encontro existe para unir os laços das tradições: “O encontro de batuques surgiu porque eu tinha essa vontade muito grande de vê-los reunidos. O objetivo da gente é formar público para os artistas populares paraibanos, promover o fortalecimento deles, criar uma rede de articulação para que se fortaleçam”, comenta ela.

Ponto de Cultura Maracastelo

O Maracastelo atua em espaços públicos de João Pessoa, dentro e fora do contexto da educação formal, a fim de promover relações étnico-raciais positivas, a partir das expressões culturais e tradicionais brasileiras de matriz africana, por meio de grupo de estudos, oficinas, eventos, projetos de iniciação à docência, palestras e vivências com mestres da tradição oral e professores e pesquisadores da área.

Recebeu os prêmios Elo Cidadão 2016 e 2018 da UFPB e é reconhecido como ponto de cultura pelo Prêmio Culturas Populares – Edição Leandro Gomes, do Ministério da Cultura. Todas as atividades são gratuitas e as inscrições para as oficinas poderão ser realizadas através da página do evento no Facebook. Os participantes das oficinas e da mesa-redonda receberão certificado. Neste encontro, além dos apoios de vários órgãos, o Coletivo Maracastelo irá preparar e cozinhar toda a alimentação para os brincantes/mestres da cultura popular, convidados do evento. Viva a cultura popular do estado da Paraíba sinhô!

Para inscrever-se nas oficinas, acesse o formulário: https://forms.gle/TDdvbdyW6wfsQN5T7 – o valor da inscrição é R$ 20,00

Edição: Redação BdF

PERSEGUIÇÃO À CULTURA POR PARTE DE BOLSONARO EXCLUI DO MEI PROFISSIONAIS DA ÁREA DA ARTE

Dezembro 7, 2019
07 DE DEZEMBRO DE 2019.

Estão entre as categorias cantor e músico independentes, DJ, VJ, humorista ou contador de histórias, instrutor de artes cênicas, instrutor de arte e cultura, professor particular independente, instrutor de música e proprietários de bar com entretenimento

Espetáculo Ciclocênico. Foto: Julinho Bittencourt

Perseguidas pelo governo de Jair Bolsonaro, várias profissões ligadas à produção cultural não poderão mais ser enquadradas como MEI (Microempreendedor Individual), a partir de janeiro de 2020.

De acordo com resolução feita pelo Comitê Gestor do Simples Nacional e publicada no Diário Oficial da União, nesta sexta-feira (6), estão entre as categorias excluídas do MEI: cantor e músico independentes, DJ, VJ, humorista ou contador de histórias, instrutor de artes cênicas, instrutor de arte e cultura, professor particular independente, instrutor de música e proprietários de bar com entretenimento.

As novas regras da resolução assinada por José Barroso Tostes Neto, secretário especial da Receita Federal, passam a valer em janeiro de 2020. Neto foi nomeado para o cargo em setembro, em substituição de Marcos Cintra, que deixou o cargo em meio à polêmica sobre a recriação de um novo imposto sobre movimentação financeira, nos moldes da extinta CPMF.

O MEI permite ao pequeno empresário com faturamento anual de até R$ 81 mil o pagamento de valores menores para tributos como INSS, ICMS e ISS. Segundo levantamento do Sebrae divulgado em setembro, cerca de um terço dos empresários registrados como MEI atuavam na informalidade anteriormente.

Com a formalização, o MEI pode emitir nota fiscal e ter benefícios previdenciários.

Com informações da Folha