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SINTONIA COM SENTIMENTO POPULAR EXPLICA SUCESSO DA TUIUTI, DIZ INTÉRPRETE DA ESCOLA

Fevereiro 17, 2018

CAMPEÃ DO POVO

Moacyr Luz, cantor e compositor da escola de samba Paraíso do Tuiuti, fala sobre dificuldades enfrentadas pela escola e a repercussão do samba-enredo, fator essencial para o sucesso no desfile deste ano
por Redação RBA.
 
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‘Responsabilidade era muito grande porque a escola vinha de um problema sério com um carro alegórico no ano passado’

São Paulo – “Parece que nunca houve na história da Sapucaí uma escola pequena que entrasse em um ano e, no ano seguinte, fosse vice-campeã com um décimo de diferença”, afirmou o músico Moacyr Luz, compositor da escola de samba carioca Paraíso do Tuiuti. A agremiação do bairro de São Cristóvão, região central do Rio de Janeiro, ficou atrás apenas da campeã Beija Flor no desfile do grupo especial do carnaval deste ano.

A Tuiuti ganhou notoriedade e o apoio popular ao trazer para a avenida a temática da escravidão pós abolição, como persiste esse grande problema na história brasileira. Entre os destaques, duras críticas ao governo de Michel Temer (MDB), e a suas propostas de ataques a direitos, especialmente a reforma trabalhista que, entre outros retrocessos, dificulta o acesso à Justiça da parcela mais frágil da sociedade.

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“Sou um amador na questão política, meu sentimento é extremamente popular. Tenho uma pessoa que passa roupa na minha casa. Não consigo cobrar nada dela porque é injusto demais. Mora a quilômetros de distância e o transporte é péssimo. Como posso cobrar dela se o país não dá condições mínimas”, afirmou Moacyr, em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta sexta-feira (16). 

A Tuiuti veio de um sério problema no ano anterior. Antes do desfile, um incêndio nas alegorias dos componentes deixou uma pessoa morta. O músico ressalta a volta por cima da escola. “A responsabilidade era muito grande porque a escola veio de um problema no carro alegórico no ano passado. As chances eram muito poucas. Sentei com Claudio Russo (outro interprete do tema), pensamos na história e bate com o que temos observado das pessoas do Brasil”, disse.

O samba-enredo foi o grande destaque da Tuiuti, aliado à bela execução. Com o tema “Meu Deus, Meu Deus, está extinta a escravidão”, a apresentação chocou o público ao escancarar a realidade. Comissão de frente representada por escravos torturados, fantasias de “manifestoches”, em referência àqueles que saíram às ruas em defesa do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), o que iniciou o governo neoliberal de Temer, patos de borracha com cifrões nos olhos, representando o apoio da Fiesp ao impeachment e o presidente vestido de vampiro com uma fantasia intitulada “Vampiro Neoliberalista”.

A repercussão junto ao público foi imensa. Internautas clamaram que a escola “lavou a alma” dos brasileiros. A hashtag #TuiutiCampeãDoPovo ficou dias entre as mais comentadas do país.

Ouça a entrevista completa de Moacyr Luz à Rádio Brasil Atual:

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LONGA CRITICA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA: O LUCRO VALE MAIS QUE A VIDA

Fevereiro 16, 2018

CINEMA NACIONAL

‘Antes do Fim’, de Cristiano Burlan, traz Helena Ignez e Jean-Claude Bernadet em uma discussão filosófica sobre o suicídio como resistência à longevidade imposta: ‘Viver não é um dever; é um direito’
por Xandra Stefanel, especial para RBA.
 
                                          MARINA DE ALMEIDA PRADO/DIVULGAÇÃOMorte

‘Antes do Fim” não é uma ode ao suicídio, mas um grito pelo direito a uma vida com qualidade

“A imensa máquina da medicina (hospitais, laboratórios, farmácias, médicos, inseguro saúde, máquinas de diagnósticos por imagem etc., e mais cosméticos, alimentação…) produz a nossa longevidade. Somos um produto dessa indústria. Produto e fonte de riqueza. A máquina precisa manter nossa longevidade para se expandir e lucrar. A preocupação da máquina capitalista não é nos manter em vida com qualidade de vida, mas manter em nós a bio. À máquina não interessa o ser vivo, mas a bio de que ele é portador. Um primeiro passo para resistir à máquina que nos alienou de nossos corpos é se recusar a técnicas de prorrogação da bio em nós. Passo mais radical para eliminar a fonte de riqueza da máquina: o suicídio consciente e lúcido como forma de resistência extrema e de reapropriação de nossos corpos.”

O cineasta, ex-crítico de cinema, escritor e ator francês radicado no Brasil publicou o texto acima em seu blog em abril de 2015 e foi esta reflexão que inspirou o cineasta gaúcho Cristiano Burlan a fazer o filme Antes do Fim, que estreia nesta quinta-feira (15) em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e João Pessoa. O longa, que traz Helena Ignez e Jean-Claude no elenco, é uma ficção que filosofa sobre o direito à morte quando a vida já não pode mais ser vivida com qualidade.

O longa-metragem mergulha na vida do casal de idosos que na ficção leva o mesmo nome dos atores. Ao se sentir preso à lógica de longevidade imposta pela indústria farmacêutica, Jean decide planejar um suicídio consciente e convida Helena para que isso seja feito a dois. Cheia de vitalidade e com a certeza de que ainda tem muito a viver – mesmo que seja só –, ela hesita, mas decide ajudá-lo com todos os preparativos e detalhes para o funeral. “Ele dança a morte enquanto ela segue ensaiando a vida. Nesse processo, os dois se darão conta de que antes do fim, ainda há uma vida inteira.”

“O filme não é sobre a morte, mas sobre a vida. Viver não pode ser um dever, mas um direito, um desejo”, afirma Cristiano Burlan. Também não se trata de uma ode ao suicídio, mas um grito pelo direito a ter uma vida com qualidade e, quando isso não for mais possível, de poder decidir se se quer continuar ou se a melhor saída é encarar a morte com dignidade.

A temática da morte, aliás, é recorrente na obra de Cristiano. Ele encerra este ano sua Trilogia do Luto, com três documentários sobre a morte de seu pai, irmão e sobre o assassinato de sua mãe, Elegia de um Crime, este último com previsão de estreia em 2018.

Também não é a primeira vez que o diretor trabalha com Jean-Claude Bernardet, que integra o elenco dos filmes FomeHamletNo Vazio da Noite Amador. No entanto, é o primeiro trabalho de Burlan com a soteropolitana Helena Ignez, atriz de vanguarda com intensa participação no Cinema Marginal. Ela atuou em O Assalto ao Trem PagadorO Bandido da Luz VermelhaCopacabana Mon Amour e outros clássicos dos anos 1960 e 1970.

Além da crítica à indústria farmacêutica e da ode ao livre arbítrio, outro ponto forte do longa é a atuação visivelmente livre de Jean e Helena, seus silêncios, suas danças, introspecções e provocações. “É sempre um desafio trabalhar com Helena e Jean-Claude, eles são intensos, rebeldes e embarcam comigo nesse abismo que é produzir filmes nas circunstâncias em que faço”, declara Burlan, em referência à sua (já) habitual produção independente.

Antes do Fim traz na trama muitas referências cinematográficas (do cinema mudo à Helena Ignez, ainda muito jovem, gritando seu horror à velhice, em Copacabana Mon Amour), literárias (com Albert Camus e o intenso Carta à D., de André Gorz) e de dança (com o hipnotizante butô de Kazuo Ohno). Tudo isso, mais as discussões filosóficas, os silêncios e a contrastada fotografia de Helder Martins, faz do longa uma obra ousada e bastante densa, que vale cada um de seus 86 minutos.

CartazAntes do Fim
Direção: Cristiano Burlan
Roteiro: Ana Carolina Marinho e Cristiano Burlan
Produtora executiva: Priscila Portella
Coprodução: Canal Brasil
Som direto: Gustavo Canovas (técnico) e Valney Damacena
Direção de fotografia: Helder Martins
Assistência de direção: Emily Hozokawa
Assistente de produção executiva: Etrus Pedrosa
Still: Marina de Almeida Prado
Fotografia adicional: Renato Maia
Produção de set: Amanda Bortolo
Direção de arte: Tiago Marchesano
Figurino: Lucas Navarro e Paula Navarro
Montagem: Renato Maia e Cristiano Burlan
Desenho e mixagem de som: Edson Secco
Trilha sonora original: Edson Secco
Elenco: Helena Ignez, Jean-Claude Bernardet, Ana Carolina Marinho, Henrique Zanoni, Rodrigo Sanches, André Gatti e Edson Ferreira
Gênero: ficção
Cor: preto e branco
Duração: 86 minutos
País: Brasil

DOCUMENTÁRIO SOBRE O GOLPE CONTRA DILMA É SELECIONADO PARA O FESTIVAL DE BERLIM

Fevereiro 15, 2018

O documentário O processo, que retrata o golpe contra a presidente Dilma Rousseff, foi selecionado para o Festival de Berlim, na Alemanha. O filme, dirigido por Maria Augusta Ramos, será exibido no evento no dia 21 de fevereiro.

 Foram mais de 450 horas de filmagens de coletivas de imprensa e dos acontecimentos nos corredores do Congresso Nacional, em Brasília. Sem fazer entrevistas ou intervir nos acontecimentos, a equipe circulou por corredores do Congresso Nacional, filmaram coletivas de imprensa, registraram as votações na Câmara dos Deputados e no Senado e testemunharam bastidores nunca mostrados em noticiários.

A diretora é conhecida por sua narrativa de observação consolidada na trilogia Justiça (2004), Juízo (2007) e Morro dos Prazeres (2013), vencedor de três Candangos no 46º Festival de Brasília (2013), incluindo o troféu de melhor direção na categoria.

MOSTRA 2018 EM TRANSE APRESENTA 18 FILMES NA CINEMATECA DE CURITIBA

Fevereiro 15, 2018

As exibições são gratuitas; o evento propõe reflexões sobre jornalismo e cinema

Redação

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

Entre os participantes da Mostra está o curta paranaense "Tentei", ganhador de três prêmios no Festival de Brasília do Cinema Nacional - Créditos: Jandir Santin
Entre os participantes da Mostra está o curta paranaense “Tentei”, ganhador de três prêmios no Festival de Brasília do Cinema Nacional / Jandir Santin

Novas narrativas a partir do diálogo entre jornalismo e cinema marcam a mostra “2018 Em Transe — Cinema e Jornalismo”. O evento acontece nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro, na Cinemateca de Curitiba, no bairro São Francisco. De acordo com os organizadores, o objetivo é refletir sobre cinema, jornalismo e comunicação, propondo novos modos de percepção e apreensão do mundo.

Serão exibidos 17 curtas e um longa-metragem de diretores de várias partes do Brasil, como Paraná, Ceará, Alagoas, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Goiás e São Paulo. O evento, que tem entrada gratuita, também possibilita o diálogo com o diretor do documentário “A Grande Nuvem Cinza”, Marcelo Munhoz, na noite de abertura. Já o encerramento da mostra será um debate com  Milla Jung, Jessica Candal e Sonia Procopio sobre construção de novas narrativas.

A curadoria é feita por Bea Gerolin, Michel Urânia, Vinicius Carvalho e Teia Werner.

Premiado 

Entre os curtas participantes da Mostra está “Tentei”, filme criado e produzido no Paraná e que destacou-se no Festival de Brasília do Cinema Nacional, em setembro do ano passado. Dirigido por Laís Melo e construído por uma equipe encabeçada por mulheres, o curta ganhou três prêmios da mostra competitiva de curtas nacionais, nas categorias de melhor filme, melhor fotografia – pelo trabalho de Renata Correa -, e melhor atriz  – pela atuação de Patricia Saravy. O curta foi um dos 12 selecionados entre 608 produções inscritas para competir no festival. 

“Tentei” retrata a realidade vivida por muitas mulheres: a protagonista, Glória, tenta confrontar uma relação abusiva, na qual é cotidianamente violentada pelo marido. Clique aqui para ver o trailer

Confira a programação:

Dia 16/02 (sexta-feira) – Sessão de abertura

19h: documentário “A Grande Nuvem Cinza”, de Marcelo Munhoz, e debate com o -diretor após a sessão

Dia 17/02 (sábado) – Sessão de Curtas

A partir das 18h:

-“Vidas Cinzas”, de Leonardo Martinelli – DOC – 15′ – Rio de Janeiro

-“Os Anos 3000 Eram Feitos de Lixo”, de Ana Luisa Meneses, Luana Rosa, Ana Elisa Alves, Clara Chroma, Cleyton Xavier, Eduardo Sa Cin – EXP – 14′ – Rio de Janeiro

-“O Lamento da Serpente”, de Guilherme Dacosta – FIC – 16′ – Governador Valadares

-”Translúcidos”, de Asaph Luccas e Guilherme Candido – EXP/DOC – 14′ – São Paulo

-”Luiza”, de Caio Baú – DOC – 15′ – Curitiba

-”Eu me preocupo”, de Paulo Silver – DOC – 19′ – Maceió

A partir das 20h:

– “Intervenção”, de Isaac Brum Souza – FIC – 18′ – Goiânia

-”Universo Preto Paralelo”, de Rubens Passaro – DOC – 12′ – São Paulo

-”Mercadoria”, de Carla Villa-Lobos – FIC – 15′ – Rio de Janeiro

-“Tentei”, de Laís Melo – FIC – 14′ – Curitiba

-”Na Missão com Kadu”, de Pedro Maia de Brito, Aiano Bemfica e Kadu Freitas – DOC – 28′ – Belo Horizonte

Dia 19/02 (domingo) – Sessão de Curtas e mesa de debates

A partir das 18h:

-”Onipresença”, de Anderson Rodrigues – DOC – 9′ – São Paulo

-”Candeias”, de Ythallo Rodrigues e Reginaldo Farias – DOC – 19′ – Juazeiro do Norte

-”Travessia”, de Safira Moreira – DOC – 5′ – Rio de Janeiro

-”Barbie Contra” Ataca, de Yan Whately – DOC/EXP – 10′ – Campinas

-”Fervendo”, de Camila Gregório – FIC – 16′ – Cachoeira

-”Balança Brasil”, de Carlos Segundo – DOC – 25′ – Porto Seguro

Após a sessão de curtas:

Mesa de debate: “A construção de outras (ou novas) narrativas”, com Milla Jung, Jessica Candal e Sonia Procopio

Edição: Júlia Rohden

BEIJA FLOR É CAMPEÃ DA GLOBO E PARAÍSO DE TUIUTI CAMPEÃ DA DEMOCRACIA DO POVO BRASILEIRO

Fevereiro 14, 2018

Foto Mídia Ninja

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sorrindo, texto

Produção Esquizofia.

Como se sabe, toda manifestação artística é simulação do sério. No carnaval oficial das escolas de samba do Rio de Janeiro faz parte dessa simulação do que se quer passar por sério. Há um corpo de jurados que acredita sintetizar o gosto e a opinião do público. O que não é real. O que significado que todo resultado dos desfiles tem caráter pessoal de alguns componentes deste corpo. Esses são os se curvam às imposições de alguns grupos. Principalmente, de mídia. Como é ocaso dos seguem os ditames da Globo.

  O resultado desse ano não mudou essa prática. A Escola de Samba Beija Flor, preferida da Globo, atavicamente, levou o campeonato. A Beija Flor foi a escola que mais defendeu a Lava Jato sem tocar na realidade que hoje passa o Brasil com a manipulação das chamadas elites, que lutam sempre por seus interesses.

 Já a Escola de Samba Paraíso de Tuiuti, por um décimo, ficou com o segundo lugar. Um segundo lugar que pela sua nobreza, inteligência e autonomia, Tuiuti, se torna a campeã da democracia do povo brasileiro. Tuiuti conseguiu, na avenida, sintetizar q realidade perversa que sociedade brasileira, em sua maioria, vivencia. Não tergiversou e não delirou uma outra realidade que não a do golpe que contou com a forte participação  da própria Rede Globo. 

   Diante desse resultado, manipulado pela Globo, senhora de todos os tipos de golpes contra às liberdades, a Escola Paraíso de Tuiuti confirma sua sensibilidade, inteligência e ética através de uma estética que nenhum tirano consegue ofuscar. 

     Quando escolheu o samba enredo e criou os elementos-cênicos, Tuiuti, já havia se revelado a escola da democracia do povo brasileiro. O povo brasileiro não é escravo de ninguém!

FLÁVIO AGUIAR: O MELHOR CARNAVAL DO MUNDO, OU O BRASIL É OUTRA COISA

Fevereiro 14, 2018

INTRADUZÍVEL

Parodiando e invertendo Castro Alves: “Existe um povo que a bandeira empresta, Pra descobrir tanta criação e alegria…”

por Flávio Aguiar.

                      DHAVID NORMANDO/RIOTURcomissão de frente tuiuti que o “Classe Médião” quer é devolver o Povão às senzalas e à escravidão do trabalho precário

Li, consternado, as observações de quem lamenta que o povo brasileiro se compraza com “a catarse” do desfile da escola Paraíso Tuiuti, com seu vampirão, e que um povo que assim se comporte jamais fará qualquer Revolução, sequer a Francesa. Respeito a opinião, mas discordo em gênero, número, grau, corpo e alma.

Além de se basear numa compreensão equivocada do que seja “catarse” a observação pula por cima do fato de que o Brasil é outra coisa. Não é a França tardia (como queriam os positivistas), não é a Rússia de 1917 nem o da revolução burguesa postergada (como queriam os comunistas), a China dos anos 40 (como queriam os maoistas), a Cuba de 59 (como queriam os foquistas) etc. O Brasil é o Brasil, e a gente, que fica escrevendo e pensando sobre ele, tem de entender isto, e pensa-lo a partir do que ele é, e não a partir do que a gente quer pensar que ele deveria ser. Sérgio Buarque fez isto. Raimundo Faoro, Antonio CandidoCelso Furtado… 

Uma das faces do complexo de vira-lata que assola a intelectualidade brasileira é a ideia de que as outras línguas são muito mais complexas do que o português do Brasil, e por isto são “melhores” e são um sinal de como outros povos são “melhores” do que nós, embora quem pense assim talvez goste de usar a expressão “de que o nosso”, sem se misturar com ele. Em outras línguas há palavras e conceitos que não conseguimos traduzir.

Pois bem, no Brasil há uma palavra que não dá pra traduzir em outra língua: “Povão”. Como traduzir? “Das grosse Volk”? “The big People”? “Le grand peuple”? “El pueblón”? “Il grande popolo”? Não faz o menor sentido. Mas a gente sabe que no Brasil existe esta coisa chamada “o Povão”, este que inventa e se compraz com o vampirão da Tuituti, com a ala das carteiras do trabalho, com a alegoria da manipulação dos coxinhas pelas mídias reacionárias.

O que quer o Povão no Brasil? É óbvio: quer votar. Porque este é o jeito, por ora, do Povão. Porque para o Povão este é o jeito de reconduzir Lula ao Palácio do Planalto. Pode ser que não dê. Pode ser que seja uma ilusão. Mas este – está mais do que óbvio – é o jeito do Povão, hoje, no Brasil. Contra o Classe Medião, a parcela da classe média que teima em querer devolver o Povão ao lugar de onde nunca deveria ter saído: a Senzala. Para continuar a ser identificar, ilusoriamente, com a Casa Grande, onde a elite gosta de ir a Miami fazer compras e de se imaginar em Davos – aliás, nome de rua num dos bairros chiques de Campos do Jordão, o “Nova Suíça”.

Pode ser que depois o Povão queira outra coisa. Mas uma coisa é certa: o Povão não é burro, ao contrário do que se pensa, à esquerda e à direita. Não vai dar murro em ponta de faca. Derrubar Temer nas ruas? Para quê? Para entronizar Rodrigo Maia? Que forças organizadas podem prometer um outro destino? Nas esquerdas reina grande balbúrdia, esta é a verdade. Lula unifica, mas de forma precária, pelas injunções legais, ou ilegais, melhor dizendo, que se tramam nos bastidores dos tribunais e debaixo das togas. O resto ainda é incógnita: Ciro? Manuela? Boulos? Wagner? Haddad? À direita, um deserto, exceto a certeza de Bolsonaro fascista e a incerteza de Marina vai com os outros.

Tem razão o Povão em hesitar, desconfiado, no Brasil: nisto que não cabe nos manuais já sabidos e decorados. Não cabe nos manuais da Revolução Francesa, da Norte-Americana, da Inglesa, da Russa, da Mexicana, da Cubana, da Chinesa, da Vietnamita, da Etc. Nem mesmo no manual do FMI o Brasil cabe. O Brasil é outra coisa.

Mas é uma coisa cheia de criatividade. Não vai fazer, esperemos, a Revolução Francesa, com sua guilhotina, nem a Cubana, com seu paredón, e olhem só no que deu a Russa e no que deu a Chinesa. Esperemos que nosso caminho seja outro.

O nosso, por mais incerto e não sabido que seja. Terra incógnita. Mas cheia de Povão, uma coisa que não existe em outras línguas nem plagas.

E sem euforias: isto não significa que sejamos melhores do que outros povos. Mas também não significa que sejamos piores nem inferiores. E este Carnaval de 2018 foi o melhor do mundo e dos últimos tempos.

registrado em: carnaval desfiles 2018 escolas de samba paraíso do tuiuti governo Temer revolução lula manifestoches pov

SAMBA ENREDO DA TUIUTI A ESCOLA DA DEMOCRACIA QUE GANHOU O FAMOSO PRÊMIO TAMBORIM DE OURO

Fevereiro 13, 2018

VIOMUNDO: GLOBO FOI AO RATO DA BEIJA FLOR, MAS NÃO AO TUCANO DA TUIUTI

Fevereiro 13, 2018

A emissora fez uma descrição minuciosa do desfile da Beija Flor, justamente o que faltou no caso da Tuiuti; o rato mereceu grande destaque, mas o tucano sumiu

por Luiz Carlos Azenha

O telespectador que assistiu ao desfile da Beija Flor, na madrugada desta segunda-feira, embalado por um belíssimo samba, notou que os encarregados de descrevê-lo na TV Globo fizeram com a escola de Nilópolis o que deixaram de fazer no domingo, com a Paraíso do Tuiuti.

O enredo desta era claro: Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão? Uma pergunta que deveria conduzir à resposta que a emissora não deu, ao menos em sua plenitude.

Uma das formas de escravidão moderna a Tuiuti explicitou de maneira absolutamente cristalina: a perda dos direitos trabalhistas no Brasil, fruto de um golpe promovido por patos e paneleiros. A presidí-la, o vampiro com faixa presidencial. Estava tudo lá, para quem quisesse ver. A Globo não viu — ou fez que não viu.

Já o enredo da Beija Flor, Monstro é aquele que não sabe amar, baseado na figura de Frankenstein, requeria explicações que a Globo deu desde o início do desfile, com ênfase em argumentos que às vezes refletiam muito mais as prioridades dos próprios comentadores.

Logo na primeira intervenção, um dos repórteres deixou claro, bem ao lado de um carro alegórico, um rato gigante à frente: “Os ratos tomaram conta da Petrobrás, segundo a visão da Beija Flor aqui na avenida. É a crítica social, a crítica política no desfile da Beija Flor”, sublinhou.

Nas arquibancadas, uma entrevista ecoou: “Eu achei uma crítica em favor do povo brasileiro, que tá tão sofrido”, respondeu uma senhora, ao que o repórter acrescentou: “Isso aqui é bonito: samba, cultura e consciência”.

Mais adiante, noutra intervenção: “É uma crítica social forte que a Beija Flor está trazendo para a avenida”.

Um dos comentaristas lembrou que a escola denunciava também a “carga tributária que é uma das maiores do mundo”. O “peso dos impostos nos ombros de todos nós”, segundo um narrador, não seria compensado por serviços à altura.

Ora, se a Beija Flor estava ali para denunciar injustiças, seria necessário ao observador — honesto ou ao menos bem informado — lembrar que a carga tributária no Brasil incide justamente sobre os mais pobres.

Seria demais esperar que fosse dito que os irmãos Marinho, donos da Globo, pagam relativamente ao seu patrimônio menos impostos que os moradores de Nilópolis.

Mais adiante, a interpretação dada por um comentarista global ao carro alegórico que trazia o prédio da Petrobrás foi de que as favelas seriam “consequência dessa corrupção”.

Ora, talvez a explicação dada pela própria Tuiuti faça muito mais sentido: os descendentes de negros libertos, abandonados depois da escravidão, é que formam o grande contingente populacional das favelas, hoje submetidos a novas formas de escravidão.

E, se a corrupção é um grande flagelo, o que dizer da imensa desigualdade de renda?

Mas, é Carnaval! Cobrar explicações sociólogicas da Globo sobre cada fantasia ou carro alegórico seria um absurdo.

Cabe notar, do ponto-de-vista estritamente jornalístico, que a Globo se esforçou para explicar o enredo da Beija Flor de uma maneira que não fez com a Paraíso do Tuiuti — com entrevistas e comentários.

Quando figurantes da Beija Flor apareceram de guardanapo na cabeça, Fátima Bernardes contextualizou: “Fazendo referência àquela cena em que o ex-governador Sérgio Cabral foi fotografado com amigos no Exterior, em Paris, com guardanapos enrolados na cabeça”. Foi o que faltou fazer, por exemplo, com a ala Manifestoches, da Tuiuti.

Observações in loco de repórteres sobre os carros alegóricos da Beija Flor não foram feitas a respeito dos da Tuiuti, especialmente o Neo Tumbeiro, que trazia no topo o vampiro e mãos gigantes manipulando figurantes vestidos com a camisa da seleção brasileira.

Não houve, assim, registro contextualizado da presença dos paneleiros, dos patos da Fiesp e nem do tucano engaiolado, outra fina ironia da Tuiuti que a Globo sonegou a seus telespectadores.

Como tudo isso ficou de fora não só da transmissão, mas também do resumo do desfile exibido segunda-feira e de todos os telejornais da Globo (com exceção de uma frase um tanto vaga noJornal Nacional), sabemos que não foi por acaso.

LIVRO PASSEIA POR ‘PLAYLIST SENTIMENTAL’ DO JPORNALISTA OLÍMPIO CRUZ NETO

Fevereiro 13, 2018
MÚSICA E LITERATURA
“Playlist – Crônicas Sentimentais de Canções Inesquecíveis” conta histórias e mostra os contextos culturais e sociais do momento em que 27 canções marcaram a vida do autor
por Xandra Stefanel, especial para RBA.
 
REPRODUÇÃO/ILUSTRAÇÃO OLÍMPIO CRUZ NETO
Baianos

‘Mistério do Planeta’, de Os Novos Baianos é uma das canções do livro: ‘O arranjo é de Moraes e Pepeu, que executa um dos mais memoráveis solos de guitarra de todos os tempos’

Uma leitura para apaixonados pela música pop. Assim pode ser definido Playlist – Crônicas Sentimentais de Canções Inesquecíveis, o primeiro livro do jornalista brasiliense Olímpio Cruz Neto. Mas, na verdade, é mais que isso, já que é uma obra escrita com o coração de um apaixonado pela música e pelo Brasil. O autor comenta 27 canções que foram marcantes em sua vida e permeia as histórias com bem mais do que o contexto musical nos quais essas músicas se enquadravam. Ele apresenta ao leitor informações históricas dos momentos culturais, sociais e políticos da época das músicas.

Com ilustrações do próprio jornalista, Playlist passa por canções brasileiras, inglesas e americanas dos últimos 80 anos. Com músicas famosas e outras nem tanto, as crônicas são escritas a partir de canções dos Beatles, Jards Macalé, George Harrison, Michael Jackson, Gilberto Gil, David Bowie, Legião Urbana, Charles Chaplin, The Smiths, Os Novos Baianos, Frank Sinatra, Beto Só, Art Garfunkel, entre outros.

O jornalista e escritor Nagib Jorge Neto escreve no prefácio que trata-se de um livro com um ritmo narrativo cheio de leveza, graça, entusiasmo e engajamento. “A escrita de Olímpio Cruz Neto – que há algum tempo vai além do jornalismo ético, comprometido – ganha destaque com um trabalho singular de pintor, artista, que recria momentos de ação, movimento, alegria, tristeza, violência, tensão, sensualidade e paixão. No conjunto, todos (as) são expressões de sua geração, dos anos 1950/60 – do rock, do jazz, do blues, do foxtrot, de Woodstock – três dias de paz e amor –, da contracultura, dos seriados, filmes de violência, mistério e clássicos que marcaram outras gerações.”

Lá estão trilhas sonoras de Charles Chaplin e sua respectiva crítica à exploração do trabalhador pelo capitalismo; a romântica You Do Something to Me, que ganharam vida nas vozes de Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e Sinéad O’Connor; a clássica Space Oddity, em que o personagem Major Tom, criado por David Bowie quer viver longe de tudo; um dos hinos dos beatleamaníacos, Let It Be; o samba com pitadas de acid rock Mistério do Planeta, de Os Novos Baianos; Música Urbana 1 e 2, da banda ícone do rock brasiliense Legião Urbana e tantas outras canções que com certeza marcaram o século 20 e a vida de muita gente.

O autor trava, na verdade, um diálogo caloroso com a história a partir de sua memória afetiva, de seu amor pela música e do conhecimento que adquiriu nos seus 51 anos de vida. “A maioria dos textos reunidos em Playlist – Crônicas sentimentais de canções inesquecíveis foi veiculada originalmente no blogue que manteve na internet, entre 2008 e 2014. Ali, publicava quase diariamente crônicas, gravuras, ensaios, artigos, fotos, além de comentários sobre episódios da conjuntura política. Cada um dos textos sobre música era acompanhado do vídeo da canção disponível no YouTube. Essas crônicas eram motivadas por episódios reais – a morte de Michael Jackson, o aniversário de John Lennon ou lembranças de experiências pessoais”, escreve Olímpio na introdução.

                                                                RBACapaCapa do livro ‘Playlist – Crônicas Sentimentais de Canções Inesquecíveis’Golpe: o início de tudo

Escapar da amargura que trouxeram os acontecimentos políticos do ano passado. Segundo o autor foi esse o impluso inicial para organizar seus textos e publicar Playlist. “Em 2017, durante a experiência de compilar dados e organizar os textos e arquivos para a elaboração de uma reportagem sobre o golpe de Estado ocorrido no Brasil no ano anterior, episódio traumático da política nacional, buscava escapar da amargura de ter vivido de perto o afastamento da presidente da República, ouvindo músicas e arrumando outros afazares. Para não ficar mergulhado apenas na política, comecei a organizar ilustrações e textos que fiz e haviam sido publicados no blogue. E aí me ocorreu a possibilidade de lançá-los como um livro de crônicas, com gravuras que fiz a partir de 2013, como um presente para meus filhos, Clara e Antônio.”

A crônica que abre o livro é sobre a canção Smile, composta por Charles Chaplin em 1936, com letra que John Turner e Geoffrey Parsons fizeram em 1954. Olímpio relembra o mágico verão de 1978, quando, aos 11 anos de idade, ele foi visitar os tios em Olinda e esteve em um festival de filmes em homenagem à Chaplin. “Descortinava-se ali um pouco do legado humanista que ele sempre passou como sua mensagem principal. Eu tomei um pouco daquilo e comecei a construir, mesmo ingenuamente, dentro de mim, esse sentimento. Acho que o gatilho era o olhar de Chaplin. Desolador, mesmo nos momentos de graça. Humano. Frágil. Caloroso. Um misto de desamparo e solidariedade”, escreve.

Na sequência, Over the Rainbow, gravada por Judy Garland em 1937, por Frank Sinatra em 1950, eternizada em 1961 por Ella Fitzgerald e com versão jazzy que Eric Clapton gravou em 2002. “A canção embalou os soldados norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial e foi adotada pelo exército dos Estados Unidos quase como um hino naquela terrível época de horrores e mortes. Pudera. É uma injeção de esperança e ânimo na veia diante do pavor da trincheira com o inimigo nazista. Claro que a canção é outra nos tempos atuais”, pontua a crônica.

Tem também outra trilha sonora da indignação, Lost in the Supermarket, registrada pela banda britânica The Clash no álbum London Calling. É outra crítica à vilania do capitalismo: “A voz de Strummer soa desesperada e a convocação é quase um apelo para que tomemos os rumos da vida e do planeta com nossas próprias mãos. O destino é nosso, a convocação à luta é libertária e reveladora de uma gana de sentir que temos chance de viver a nossa vida”, escreve Olímpio.

Legião Urbana não poderia ficar de fora da seleção afetiva do jornalista. A faixa Música Urbana é, em suas palavras, a cara Brasília nos tempos enfurecidos de sua mocidade: “A visão da Rodoviária, da Torre de TV, os carros, o cheiro de gasolina, a sensação de abandono da cidade… Aqueles vazios desesperadores de Oscar Niemeyer na urbe que pareciam refletir os descampados existenciais de toda uma geração asfixiada pelos tecnocratas e milicos”.

Mas não há apenas indignação e crítica social no livro. Os textos de Playlist – Crônicas Sentimentais de Canções Inesquecíveis também transportam o leitor para o universo musical e romântico de Olímpio Cruz Neto, alguns deles “aquecidos, solares, cheios de tesão e de desejo”, com linhas claramente escritas por alguém que ainda acredita – e muito – no poder de canções.

A edição eletrônica do livro está à venda na Amazon brasileira e as 27 canções selecionadas ganharam uma playlist no YouTube.

TEREZA CRUVINEL: TUIUTI E BLOCOS MOSTRAM QUE ANESTESIA POLÍTICA ESTÁ PASSANDO…

Fevereiro 12, 2018

 Mídia Ninja

      Quem rompeu o grito que estava parado no ar foi a Paraíso do Tuiuti,  ao levar para o sambódromo do Rio o presidente-vampiro, os manifestantes-fantoches a favor do golpe do impeachment, os paneleiros vestidos de verde-amarelo, a crítica aos retrocessos  e aquele formidável “Fora Temer” no final, acompanhado por boa parte das arquibancadas. Mas não apenas o desfile da escola de São Cristóvam, ao longo do carnaval, trouxe a indicação de que pode estar passando a longa anestesia política que tomou conta do Brasil desde o golpe de 2016.  Em Salvador,  o samba de Léo Santana, “Vai dar PT”, levantou a massa que seguia  o trio elétrico “Pipoco” no circuito Ondina.  Em Belo Horizonte, blocos entoaram  com frequência o “Olê, Olá, Lu-lá”.  Teve gente com cartaz pedindo uma “Operação Lava-Toga”, houve o levante da Mangueira contra o anti-sambismo do prefeito Crivella e não faltaram, até agora, Brasil afora, os gritos de Fora Temer. E na Rocinha, em tom nada carnavalesco,  ainda apareceu uma faixa: “Se prenderem Lula o morro vai descer”.

         Carnaval é uma coisa, participação política é outra, está claro. Mas começa bem o ano que decidirá o futuro do Brasil e de sua jovem democracia,  o ano da disputa entre a vontade popular e a vontade dos senhores que estão tentando controlar a eleição pela exclusão do candidato favorito.

         Em recente evento com artistas e intelectuais no Rio, Lula falou da anestesia que a mídia,  o discurso anti-política e a Lava-Jato conseguiram aplicar no povo brasileiro. Uma anestesia daquelas para longas cirurgias, comparou Lula.  Os gritos e imagens que vêm do Carnaval estão dizendo que ela pode estar passando. Que, encerrada a festa, ficará o inconformismo com as mazelas, passadas e contemporâneas, descritas pelo desfile da Tuiuti com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”  Imagens fortíssimas falaram sobre a crueldade imposta aos milhões de africanos escravizados por mais de três séculos,  mas não ficaram nas correntes e açoites do passado. Chegaram ao golpe de 2016 com todos os seus retrocessos. Afinal, o trabalhador intermitente será quase um novo tipo de escravo, alguém que não sabe o quando vai trabalhar nem quanto vai ganhar no final do mês,  alguém que terá uma situação previdenciária precária e uma vida financeira absolutamente imprevisível.     

         Os gritos a favor de Lula e contra Temer sintetizam o momento. O golpe é Temer, e sua continuidade é a tentativa de inabilitar Lula.  A anestesia parece estar passando mas nem por isso serão prováveis grandes atos ou manifestações de massa.  Como parece claro há algum tempo, o brasileiro comum desistiu do ativismo político, decepcionou-se com as falsas primaveras de 2013 e 2015 e está se guardando para quando a eleição chegar.  Se Lula puder ser candidato, será eleito, e o povo terá vencido o golpe.  Se não puder, de todo modo a resposta será dada nas urnas.