MIRÓ DA MURIBECA LANÇA SE 11° LIVRO CELEBRANDO A CULTURA MARGINAL

Agosto 15, 2017

“Meu filho só escreve besteira”, é o título que ganhou as ruas do Recife

Vanessa Gonzaga, especial para o Brasil de Fato PE

Brasil de Fato | Recife (PE)

O lançamento do livro aconteceu no Teatro do Mamulengo, no Recife Antigo - Créditos: Priscilla Buhr / Divulgação Facebook
O lançamento do livro aconteceu no Teatro do Mamulengo, no Recife Antigo / Priscilla Buhr / Divulgação Facebook

No último domingo, o Teatro Mamulengo, no Recife Antigo, foi palco da cultura popular pernambucana. No dia do seu aniversário de 57 anos, o poeta Miró da Muribeca lançou seu 11º livro, “Meu filho só escreve besteira”. De produção independente e limitada, com 100 exemplares, o livro é um envelope de papel pardo com cada capa feita à mão pelo poeta com 17 poemas descartáveis sentimentalmente, como disse Miró. “É o meu terceiro livro nesse formato e eu costumo dizer que ele não é egoísta, por exemplo, você sente vontade de distribuir, e daqui a pouco esse livro não é mais seu, ele vai embora pro povo”.

Com microfone aberto, a Rua da Guia foi ponto de encontro do Maracatu Várzea do Capibaribe e outros poetas e poetisas que se valeram do microfone aberto para um recital em conjunto com o aniversariante, que vinha sendo cobrado pelos leitores para lançar algo novo. “Mas aí eu queria fazer alguma coisa, tá muito perto [do aniversário], então voltei aos envelopes, um livro original feito por mim, vendido por mim”.

A fila montada na sessão de autógrafos confirma o espanto de Miró ao ver a quantidade de jovens procurando poesia de rua, coisa que ele afirmava ser rara quando era jovem e se tornou a exceção da regra: criado pela mãe solteira, negro, pobre, da periferia e que faz uma poesia que furou o cerco e ultrapassou a Muribeca, chegando a países como a Argentina. Em 2015, foi um dos homenageados da Bienal do Livro de Pernambuco, junto com Luzilá Gonçalves Ferreira e Ascenso Ferreira.

O título do lançamento, “Meu filho só escreve besteira”, escrito de pincel cuidadosamente em cada capa de papel pardo faz referência a mãe, que não entendia muito a poesia do filho e ao invés de poeta, o intitulava como um fofoqueiro da rua. “Quando ela foi embora, cinco dias antes de ir me chamou no quarto e disse que eu cuidasse da única coisa que sei fazer. Porque ela não gostava e nem entendia, mas tinha quem entendia, gostasse e comprasse”.

Pela poesia que transborda os livros com crivo de editoras e está nas ruas, na internet e a qualquer momento pronta para ser dita, ele também se considera um poeta popular, forjado no fim da década de 70, com a poesia marginal. Se nunca teve a oportunidade de estudar numa universidade por admitir que não gostava de estudar, Miró foi objeto de estudo na Academia com a poesia que é entendida da camareira ao engenheiro, como ele observa.

Se no papel versos como “Todos os dias o ônibus de Deus vem buscar alguns” nos incita a reflexão sobre pequenezas da vida urbana, a performance do poeta impressiona. Ele se orgulha de ser, segundo ele mesmo, o único escritor a vender 5 livros enquanto passava numa ponte. Miró é uma raridade nas livrarias até mesmo de sua cidade natal, pela produção independente e por se incumbir da tarefa de vender os livros enquanto recita versos nas ruas e ônibus da cidade.

O gosto pela escrita veio com Maurício Silva, que indicava autores como Drummond, Chacal, Leminski, Cida Pedrosa e lhe instigou a escrever o primeiro poema, quando tinha 24 anos. A inspiração para recitar veio de longe, com o amigo Manuca Almeida, de Juazeiro da Bahia, com quem viajou por 5 cidades vivendo da venda dos livros e da generosidade de desconhecidos. Miró já passou por São Paulo e Teresina, mas é na capital pernambucana que vive e vê a poesia saltar das ruas, UTI’s e até cemitérios.

Ele,que se define um misto de cronista, alegrista e poeta tem uma relação íntima com as ruas do Recife. Apesar de hoje viver no Hotel Central, no bairro da Boa Vista, sempre fez da rua sua casa e matéria prima principal. Após “aDeus”, um livro com reflexões sobre a morte e o período em que foi internado, “Meu filho só escreve besteira” intercala a brincadeira com as paixões cotidianas e leves com reflexões curtas e mais aprofundadas. “Esse livro é um tapa na bunda do ‘aDeus’, que é bom, que vende até hoje, é mais vendido, mas agora eu quero dizer umas coisas mais hilárias.

Edição: Monyse Ravena

‘ALMA LAVADA’: JURISTAS COMENTAM LIVRO QUE DESMONTA SENTENÇA DE MORO CONTRA LULA

Agosto 14, 2017

Motivação da sentença precisava ser embasada em provas de cometimento de crime. Se não há crime, a única sentença possível é absolvição. É uma situação dramática’, diz uma das autoras

Redação da Rede Brasil Atual.

São Paulo – O livro “Comentários a uma sentença anunciada: o processo Lula” foi lançado hoje (14) na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Participaram do evento os autores Juarez Tavares, Carol Proner, Gisele Cittadino, João Ricardo Dornelles, Gisele Ricobom Gabriela Araújo, Laio Correia Morais, Marco Aurélio de Carvalho, Paulo Teixeira e Vitor Marques, além de estudantes da Faculdade de Direito da PUC-SP, do Coletivo Contestação e do Sindicato dos Advogados de São Paulo.

Após o lançamento com os autores, os presentes puderam assistir a um debate com professores da faculdade, entre eles, Pedro Serrano, Weida Zancaner, Álvaro Luiz Travassos de Azevedo Gonzaga, José Eduardo Cardozo e Celso Antônio Bandeira de Mello. O livro traz uma crítica com embasamento jurídico da sentença do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Criminal de Curitiba, que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e meio de prisão.

Ainda cabem recursos contra a condenação, que deve ser analisada por colegiado do Superior Tribunal Federal da 4ª Região. De acordo com Lula, “esse livro é um instrumento de luta. É importante que 122 juristas tenham colocado seus nomes. É uma prova de coragem e de compromisso com o país”, disse em evento de lançamento que foi realizado na sexta-feira (11), no Rio de Janeiro.

A jurista Carol Proner, uma das autoras da obra, avalia que a recepção do trabalho foi positiva no mundo do direito, e que muitos juristas classificam a sentença de Moro como “frágil” e sem materialidade, visto que ignorou a defesa do ex-presidente. “Houve 70 testemunhas de defesa que atestaram a inocência do acusado; ignorar isso em uma decisão tem que ter uma razão de ser. Silenciar sobre essas testemunhas é algo no mínimo curioso”, disse. De acordo com a conclusão do próprio livro, a condenação “carece dos elementos necessários não só de convicção, mas também de provas”.

“Podemos combater a corrupção de muitas maneiras. Ninguém aqui é contra isso. Mas usar exceção, ninguém vai estar de acordo com isso. A motivação da sentença precisava ser embasada em provas cabais de cometimento de crime. Se não há crime, a única sentença possível é a absolvição. É uma situação dramática. Esse caso é paradigmático. O juiz assim desejou, por isso foi à rede de televisão de ampla audiência. E agora vai ter que explicar porque julgou sem provas”, completou a jurista.

Para uma das autoras e organizadora Gisele Cittadino, a sentença de Moro “não é só importante porque envolve o ex-presidente Lula. Essa sentença envolve a soberania popular, porque ela tem como objetivo afastar Lula do processo eleitoral. Afastar ele do processo eleitoral faz dessa sentença um instrumento político. No Brasil, temos uma tradição de quebra da institucionalidade, então, nos últimos 30 anos estávamos quase confortáveis em uma posição que não teríamos mais golpes e violações na Constituição. Esse livro é uma reação de juristas e da sociedade”, disse.

Gisele afirmou que a reunião dos juristas foi um processo natural após a divulgação do conteúdo da sentença. “Organizar esse livro foi muito fácil. A reação dos juristas foi muito espontânea. Percebemos isso e reunimos essas pessoas através de vários grupos. Estamos muito alegres, a maioria aderiu instantaneamente. Não temos somente penalistas e processualistas. O pessoal da área do direito Constitucional, filosofia do direito, especialistas abordaram o tema de diversos pontos de vista”, disse.

O advogado Anderson Bezerra, que trabalha na defesa do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, se disse “de alma lavada” com a publicação do livro. “Muitas das questões tratadas nesta obra a defesa vem anunciando desde o início do processo. Ilegalidades em todo o processo, mesmo na investigação. Quando a comunidade jurídica se debruça nessa sentença insustentável, para quem vinha lutando por isso, há um sentimento de reconhecimento por parte de grandes nomes de juristas brasileiros. Agora esperamos que o Tribunal faça uma reparação dessa sentença injusta.”

Também marcaram presença políticos como o ex-prefeito de São Paulo, e também advogado, Fernando Haddad (PT), e o vereador paulistano Eduardo Suplicy (PT). “Esse livro ajudará muito o presidente Lula. Os juristas mostram com clareza como a sentença do Moro não tem provas de ilicitudes do Lula. Conversei com o ex-presidente, que garante que comprovará na segunda instância que não cometeu nenhuma ilegalidade, nem de dez reais ou dez centavos”, disse Suplicy.

O jornalista Luis Nassif classificou a obra como “ponto central” de uma justiça histórica para “quando a democracia voltar a imperar no Brasil”. “Nenhuma pessoa ousa defender essa sentença”, disse. A obra pode ser comprada no site da Editora Praxis.

COLETIVO DE ARTISTAS DENUNCIAM SEXISMO RACISMO EM TRIENAL DO SESC

Agosto 14, 2017

Em ‘Departamento de Reclamações’, em cartaz na segunda edição de ‘Frestas – Trienal de Artes do Sesc’, público pode protestar, reivindicar e registrar qualquer tipo de queixa.

Redação da Rede Brasil Atual.

Em 1985, um grupo de mulheres se reuniu nos Estados Unidos para protestar contra o sexismo e o racismo no mundo das artes. Com pseudônimos de artistas mortas e sempre vestindo máscaras de gorilas para manter o anonimato, o coletivo Guerrilla Girls utiliza desde então dados estatísticos sobre a presença de obras de mulheres em museus e galerias para criar cartazes bem-humorados, persuasivos e repletos de críticas.

O coletivo passou décadas atuando fora do circuito e do mercado de arte, mas com o tempo, as Guerrilla Girls começaram a levar suas ações e protestos para o interior dos grandes museus. Ironicamente, essas obras fazem parte dos acervos ou já passaram por importantes instituições pelo mundo. Realizado pela 1ª vez no ano passado na Tate Modern, em Londres, o Departamento de Reclamações chega agora na segunda edição de Frestas – Trienal de Artes do Sesc, aberta neste final de semana e em cartaz até 3 de dezembro no Sesc Sorocaba.

Sexismo“As mulheres precisam estar nuas para entrar no Met. Museum? Menos de 5% dos artistas nas sessões de arte moderna são mulheres, mas 85% dos nus são femininos”, protestam as Guerrilas Girls em uma de suas obras.

Além de visitar a exposição, o público tem um espaço para fazer qualquer tipo protesto, queixa ou reivindicação. Quem não puder ir até Sorocaba (a 90 quilômetros da capital paulista) pessoalmente, pode protestar na versão online do projeto. “Trate as pessoas com respeito. Hoje você pode estar em uma posição privilegiada, mas ninguém sabe o dia de amanhã”; “Por que se espera que as mulheres sejam sempre solícitas, cordiais e gentis?” e “Por que o mundo tem tantos Temers no poder e tão poucas mulheres f*das nessa posição?” são algumas das queixas registradas no site do Departamento de Reclamações.

No mês de setembro, as artistas do coletivo feminista estarão em Sorocaba para performances e workshops que integram a programação de Frestas – Trienal de Artes. Com o tema “Entre Pós-Verdades e Acontecimentos” e curadoria de Daniela Labra, a mostra tem o objetivo de promover a descentralização dos polos de arte contemporânea no país, reunindo no interior de São Paulo obras de 60 artistas brasileiros e internacionais, que ocuparão diversos pontos da cidade. Além das Guerrilla Girls, participam da trienal Wanda Pimentel, Daniel Senise, Francesca Woodman, entre outras.

Departamento de Reclamações, em Frestas – Trienal de Artes
Quando: até 3 de dezembro
De terça a sexta-feira, das 9h às 21h; e sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30
Onde: Sesc Sorocaba
Rua Barão de Piratininga, 555, Jd. Faculdade, Sorocaba (SP)
Quanto: grátis
Mais informações: http://frestas.sescsp.org.br/2017

29 ANOS SEM BASQUIAT

Agosto 13, 2017

Com estilo espontâneo e visceral, grafiteiro tinha obra também com forte engajamento social

Redação

Brasil de Fato| São Paulo (SP)

 Jean-Michel Basquiat costumavam deixar bem claras as dicotomias sociais em suas obras - Créditos: Reprodução/Youtube
Jean-Michel Basquiat costumavam deixar bem claras as dicotomias sociais em suas obras / Reprodução/Youtube

Com um estilo original, espontâneo, humilde e visceral, foi um dos artistas plásticos  mais conhecidos nos anos 1980 e pioneiro do movimento underground.

Através da poesia, do desenho, da pintura e, em menor escala, da música, atacava estruturas de poder e o racismo e o colonialismo e a exploração dos negros e pobres através da luta de classes. Seus desenhos costumavam deixar bem claras as dicotomias sociais contemporâneas, como “riqueza x pobreza”, “integração x segregação”. Basquiat morreu em 12 agosto de 1988.

Trajetória

Nasceu em 1960, no bairro nova-iorquino do Brooklyn, de uma família de imigrantes: a mãe porto-riquenha e pai haitiano. Desde cedo, demonstrou aptidão e talento para artes plásticas, e fez seus primeiros rabiscos nos papeis de rascunho que seu pai trazia de casa do escritório de contabilidade em que trabalhava. Na época, os desenhos animados eram sua principal fonte de inspiração. Foi muito incentivado pela mãe, que tinha interesse em moda, e costumava desenhar ao seu lado. Com ela, aprendeu a tomar gosto pelas artes – frequentavam o Museu do Brooklyn, o Metropolitan e o Museu de Arte Moderna. “Eu diria que minha mãe me deu toda a noção primária. A arte veio dela”, dizia. Com o tempo, Alfred Hitchcok, carros e a revista MAD também se tornaram referências.

A tela sem título do artista Jean-Michel Basquiat leiloada a 110 milhões de dólares. ImagemL SOTHERBY’S (EFE)

O artista se tornou mais célebre em 1980, quando integrou uma mostra coletiva – The Times Square Show – financiada por uma empresa denominada ‘Colab’. Um ano depois, sua trajetória profissional foi alavancada mundialmente de uma vez por todas, graças a uma crítica positiva escrita por René Ricard, um nome de grande destaque nos meios culturais da época.

O ano de 1982 decisivo em sua vida, pois ele passou a circular nos circuitos artísticos ao lado de ‘experts’ como Julian Schnabel, David Salle e outros tantos curadores, colecionadores de arte e estudiosos desta área, vistos na época como adeptos do ‘neo-expressionismo’. Nesta mesma época ele se envolveu afetivamente com a então anônima Madonna, e travou contato com o artista pop Andy Warhol, com o qual Jean estabeleceu fecunda parceria profissional.

Em 1984, porém, Jean estava completamente viciado em heroína e os companheiros se preocupavam com seu destino. Mesmo assim, no dia 10 de fevereiro de 1985 o artista tornou-se capa do célebre veículo The New York Times, o que lhe rendeu mostras internacionais nas mais conhecidas capitais da Europa.

Jean morreu de overdose em 1988, no próprio estúdio. Sua vida foi levada às telas postumamente, sob a direção de seu amigo Schnabel, protagonizado por Jeffrey Wright. Suas obras ainda causam profunda impressão em artistas contemporâneos e, não raro, são negociadas em leilões de arte por preços muito elevados.

Em maio deste ano, a obra que ilustra essa matéria foi leiloada por $110 milhões.

Edição: Juliana Gonçalves

Venezuela para além dos conflitos políticos, um país que pulsa cultura

Agosto 13, 2017

Nos últimos dias a Venezuela toma conta dos noticiários em todo o Brasil. Porém, o foco é apenas um: crise política. É impossível que um país desta dimensão não tenha nada a oferecer além de um conflito entre governo e oposição. Foi assim que a redação do Portal Vermelho decidiu ir a fundo para saber um pouco mais sobre a cultura do país vizinho.

Por Alessandra Monterastelli e Mariana Serafini

Sem saber nada além da existência do músico Ali Primera e do filme Pelo Malo, começamos a pesquisa, com um pouco de pânico, é verdade. Mas “pasito a pasito” fomos descobrindo uma Venezuela surpreendente, que pulsa cultura em todas as esferas. A busca acabou sendo muito mais rápida e rica do que imaginávamos.

Para apresentar a literatura venezuelana aos amantes dos livros brasileiros selecionamos dez obras fundamentais do país vizinho. Fizemos uma viagem no tempo, desde os contos e poesias clássicas da década de 20 até uma cena considerada “Beatnik” no final do século 20.

Nas telas, o país impressiona: Pelo Malo está entre diversos outros filmes vencedores de prêmios no mundo todo. Passando pela sua criação no final do século 19, por um dos ápices nos anos 70, até um período de baixa nos anos 80 e 90, o cinema venezuelano nunca se deixou vencer: produziu e batalhou pela sua visibilidade, gerando inúmeras grandes obras. Abordando desde temas sociais e políticos até filmes sensíveis e intimistas, passando pela comédia romântica e pelo terror, aproximou-se da população, sua grande mantenedora. Lutou e conquistou leis de incentivo e políticas públicas que viabilizam a sua produção, passado o período mais crítico, alçou o sucesso. Agora, esse cinema busca cada vez mais aprimorar sua identidade para buscar reconhecimento não só pelo seu povo, mas além do território nacional.

Com relação à música, como nos demais países da América Latina, o que domina as paradas de sucesso e as pistas nas baladas é o reggaeton porto-riquenho. Então destacamos a união deste ritmo com a Orquestra Sinfônica Simón Bolívarem 2011, quando o Calle 13 convidou os 220 jovens dirigidos por Gustato Dudamel para uma apresentação no Grammy Latino.

Nas artes plásticas destacamos o “pintor da luz”. Armando Reverón é o grande artista homenageado no país, no dia de seu aniversário, 10 de maio, é comemorado o “Dia Nacional do Artista Plástico”. Sua obra flerta com a loucura e a genialidade e inspira os jovens artistas contemporâneos.

Esta pesquisa nos mostrou uma Venezuela diversa, contemporânea e urbana. Um país movido a política, que na cultura se volta para os conflitos humanos, as questões do cidadão comum. Enfim, uma arte para o povo.

VERMELHOS 2017: MÚSICA E NATUREZA EM ILHABELA

Agosto 12, 2017

Nocaute foi conferir a terceira edição do festival Vermelhos – Música e Artes Cênicas, que acontece de 04 a 13 de agosto.

O Festival Vermelhos é a principal ação do Instituto Baía de Vermelhos. Ambos têm direção executiva de Giane Martins e direção artística de Eser Menezes.

Ute Lemper e Orquestra Jazz Sinfônica

O Nocaute foi conferir esta edição do Festival, que contou com a apresentação de Cristian Budu com o Grupo de Dança Núcleo Artístico Virgínia Úngari e a São Paulo Companhia de Dança, Lívia e Arthur Nestrovski, Almir Clemente e Júlio Bittencourt Jazz Trio, Laércio Ilhabela, Yamandu Costa, Ute Lemper e Orquestra Jazz Sinfônica, Orquestra Jovem da Américas e Ricardo Castro, Aaron Goldberg, Leo Gandelman quarteto e Fábio Zanon. Nessa sexta (11) o multi-instrumentista Egberto Gismonti se apresenta no Teatro Vermelhos. No sábado (12) as atrações ficam por conta de Antonio Meneses e André Mehmari e da Orquestra Jovem do Estado sob regência de Cláudio Cruz.

Reportagem Lydia Abud e Camila Fresca

 

CONTRA O PRECONCEITO, PIMP MY CARROÇA DÁ VISIBILIDADE A CATADORES

Agosto 12, 2017

O idealizador do Pimp My Carroça e catadores de materiais recicláveis criticam o Programa Cidade Linda, da Prefeitura de São Paulo. A ONG luta por melhores condições de trabalho para os catadores.

EVENTOS DE FUNK E RAP AGITAM UBERLÂNDIA (MG)

Agosto 11, 2017

Além de promover os estilos, eventos arrecadarão alimentos e roupas para a população em situação de rua

Diego Leão

Brasil de Fato | Uberlândia (MG)

Batalha contra o Frio, em julho, arrecadou agasalhos distribuídos à população em situação de rua - Créditos: Fabiano Sousa
Batalha contra o Frio, em julho, arrecadou agasalhos distribuídos à população em situação de rua / Fabiano Sousa

O rap e o funk marcam presença na programação cultural da cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, durante o mês de agosto. A iniciativa é de grupos culturais que pretendem apresentar uma visão positiva de trabalhos desenvolvidos por artistas da região.

“Além de promover a cultura da periferia, queremos arrecadar itens que vão ajudar famílias que hoje estão vivendo nas ruas da cidade. Em julho fizemos uma primeira edição, chamada Batalha contra o Frio, em que conseguimos roupas e alimentos que ajudaram muitas pessoas”, conta Fabiano Sousa, também conhecido como o rapper CHK, produtor cultural e coordenador do projeto SLV Maloka 034.

Contra a criminalização da cultura da periferia

Por sugestão de um empresário paulistano, chegou ao Senado, em junho deste ano, uma proposta que pretende transformar o funk em “crime de saúde” contra crianças e adolescentes. A ideia não foi bem recebida por grande parte dos grupos culturais das periferias de várias cidades brasileiras.

Nas redes sociais, a hashtag #FunkNãoÉCrime atingiu ampla repercussão, chegando a ser postada por artistas com projeção nacional. A cantora Anitta, em sua conta no Twitter, afirmou que os autores da proposta deveriam “conhecer melhor a realidade das áreas menos nobres do país” e que o funk gera emprego e renda.

Desde junho, quando foi divulgada a proposta, foram organizadas diversas atividades contra a criminalização do funk. Para o rapper CHK, o objetivo é “quebrar essa imagem que se tem de que o funk seria algo criminoso”. Segundo o produtor cultural, há um grande preconceito contra as culturas das periferias urbanas e os eventos viriam para mostrar uma outra perspectiva não apenas do funk, mas também do rap.

Também organizador das atividades, o rapper e microempresário Maxwel Roberto acredita que é preciso considerar que o funk e o rap movimentam o mercado fonográfico das periferias: “Conheço muitos MC’s, DJ’s e donos de produtoras da cidade que têm a música como seu principal meio de sustento”, argumenta.

Os eventos ocorrem no final de semana, nos dias 12 e 13 de agosto, em dois locais. O primeiro evento acontece no sábado (12), em um clube da maior ocupação urbana da cidade, o Bairro Elisson Prieto, também conhecido como Glória, com destaque para o funk. A atividade é uma iniciativa da DJ Produções e tem a SLV Maloka e a EternaMente Produções como parceiras.

Já no domingo (13) acontece a Batalha contra a Fome, que reunirá MC’s, DJ’s, dançarinos e skatistas no centro da cidade. O evento contará com premiações e dá continuidade à atividade ocorrida em julho, que arrecadou roupas e cobertores para a população em situação de rua da cidade.

Serviço

Funk solidário

Quando: 12/8 (sábado) –  a partir das 16h 

Onde: Buscapé Show – Bairro Glória

Entrada: R$5,00 + 1Kg de alimento não perecível

Batalha contra a fome

Quando: 13/8 (domingo) – 15h às 22h

Onde: Teatro de Arena da Praça Sérgio Pacheco (Redondo)

Entrada franca. Coleta de alimentos e agasalhos no local.

Edição: Joana Tavares

O QUE TU INDICA?| A ROSA DO POVO, DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Agosto 11, 2017

Época de produção da obra também foi período em que Drummond se aproximava de Prestes e flertava com ideais comunistas

Marcelo Montanini*

Brasil de Fato | Recife (PE)

A Rosa do Povo é uma obra sensacional e merece ser lida - Créditos: Divulgação
                                 A Rosa do Povo é uma obra sensacional e merece ser lida / Divulgação

Aos amantes de poesia e política, indico “A Rosa do Povo”, de Carlos Drummond de Andrade: uma coletânea de 55 poemas, que retratam a personalidade do poeta, o erotismo, o cotidiano e a História, com alta carga política. Com poemas escritos em meio à Segunda Guerra Mundial e à Era Vargas, publicada em 1945, a obra registra o momento histórico, mas transcende a época retratada e mostra-se atual.

Exemplo irônico de um poema que representa outrora, sem deixar de refletir a atualidade é “Nosso Tempo”, que é dividido em oito partes e começa falando da cisão ideológica daquela época – ou desta, como queiram: “Este é tempo de partido/ Tempo de homens partidos”. E finaliza: “O poeta/ declina de toda responsabilidade/ na marcha do mundo capitalista/ e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas/ promete ajudar/ a destruí-lo/ como uma pedreira, uma floresta,/ um verme.”

O poema “A Flor e a Náusea” é outro que merece atenção. “Preso à minha classe e a algumas roupas,/ vou de branco pela rua cinzenta./ Melancolias, mercadorias espreitam-me./ Devo seguir até o enjoo?/ Posso, sem armas, revoltar-me?”/ (…) “Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde/ e lentamente passo a mão nessa forma insegura./ Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se./ Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico./ É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.” O autor narra um mundo em que tudo é igualado a mercadoria e provoca-o angústia ou náusea. E, apesar de tanto desencanto, o nascer de uma rosa reflete o desabrochar de um mundo novo.

A época de produção da obra também foi um período em que Drummond se aproximava de Luís Carlos Prestes e flertava com os ideais comunistas. O lirismo da guerra se faz presente, assim como os ideais de justiça e solidariedade, sem deixar de falar dos afetos e do passado familiar. Não raro ouço ou leio que esta é a melhor obra de Drummond, não discordo. A Rosa do Povo é uma obra sensacional e merece ser lida.

*Marcelo Montanini é jornalista e mestrando em Relações Internacionais pela Universidade de Lisboa.

Edição: Monyse Ravena

OUÇA O CLIPE OFICIAL DA MÚSICA “TUA CANTIGA”, DE CHICO BUARQUE

Agosto 10, 2017