“É PRECISO FALAR DE DITADURA E VIOLÊNCIA, SÃO TEMAS CONTINENTAIS”, DIZ CINEASTA CHILENO

Outubro 11, 2017

PAIXÃO DE MEMÓRIA

Mostra sobre Patricio Guzmán apresenta principais obras do documentarista que dedica a vida e a carreira em retratar a brutalidade do regime autoritário e seus efeitos na sociedade
por Luciano Velleda, da RBA.
 
DIVULGAÇÃO

Patricio Guzmán acredita que a memória e o olhar para o passado indicam o caminho do futuro

São Paulo – Reconhecido como um dos maiores documentaristas da América Latina, o chileno Patricio Guzmán tem pela primeira vez uma mostra cinematográfica no Brasil exclusivamente dedicada a sua obra. Iniciada no último dia 5, no cine Caixa Belas Artes, em São Paulo, a mostra Paixão de Memória apresenta, até a próxima quarta-feira (18), 11 filmes dirigidos pelo cineasta, além de um documentário sobre ele, Filmar Obstinadamente(2014), de Boris Nicot.

Na programação estão desde a clássica trilogia A Batalha do Chile (1975, 1976 e 1979) até obras mais recentes, como Nostalgia da Luz (2010) e O Botão de Pérola (2015), além de outros filmes menos conhecidos, mas não menos importantes. É o caso de Em nome de Deus (1978) e A Cruz do Sul (1992), obras em que o documentarista se afasta da ditadura chilena – seu grande tema na carreira – e investiga as culturas latino-americanas pré-colombianas e a influência da religião.

Na noite de segunda-feira (9), Guzmán participou de um debate sobre cinema documental ao lado do professor Reinaldo Cardenuto, de História do Cinema na Fundação Armando Alvares Penteado, de Carolina Amaral de Aguiar, pós-doutora em cinema, e Ignacio Del Valle, professor de cinema latino-americano na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

A seguir, os principais depoimentos de Patricio Guzmán durante o debate:

Relação com a luta popular e o governo de Salvador Allende

“Meu primeiro filme, O Primeiro Ano (1972), era uma descrição do momento, um período de celebração, de alegria com a vitória de Allende. É um filme divertido, num momento em que não havia oposição e a direita não sabia o que fazer. Estávamos todos entusiasmados, então não havia autocrítica. Mas nunca fui militante de uma única força política e excluindo as outras. Sempre tive o governo Allende como um fenômeno de massa e não como de um partido ou outro. Na terceira parte de A Batalha do Chile (1979), o filme mostra como os grupos populares que apoiavam o governo queriam mais rapidez nas reformas. Apesar da minha posição pessoal, fui tolerante com todos os personagens, pois não queria tomar partido dentro das legendas de esquerda.”

Morar fora do Chile ao mesmo tempo em que seus filmes tratam dos últimos 40 anos de memórias do país

“Não tenho uma definição exata do que faço. Também vivo fora não sei por quê, me acostumei a morar em outro lugar (atualmente Guzmán vive na França) e isso me ajuda. Gosto de não estar em nenhum lugar, me acostumei com essa sensação de não viver fixo em nenhum lado. Vou seguir fazendo filmes sobre o Chile até morrer, e não sei por quê. Tenho ideias claras sobre o Chile, mas não conheço o dia a dia. A pátria é o de menos, o importante é a justiça e os valores que se defende. Muitas vezes, quando estou no Chile, me sinto sozinho, chateado e preciso sair.”

Método de filmar

“Sempre escrevo um guia antes de começar um filme. Invento paisagens que sei que existem, mas nunca vi; invento personagens que depois preciso encontrar. Coloco no guia sobre o que vai ser o filme, onde será, com quem vai ser. É uma intenção de como tratar o tema, mas quando começo a filmar, as coisas mudam. Mesmo assim, o guia é fundamental, não é preciso, mas é muito útil.”

Diferentes modos de documentar

“No começo fazia o cinema direto, o cinema verdade. Depois em outros filmes há mais reflexão, a busca por personagens, uma história que se abre para algo maior. São dois estilos. A batalha do Chile é cinema verdade porque não tinha outro modo de fazer.”

A união do poético e do político

“Quando era jovem não me interessava muito por política. Comecei a aprender mais quando fui morar na Espanha e passei a ler sobre a ditadura de Francisco Franco. No Chile fui aprendendo com amigos, porque não conhecia a cultura política do país. E isso depois foi útil para retratar a vida do país, também com humor, algo que fica muito melhor do que quando a pessoa atua como um militante, o que acaba tirando a criatividade com a câmera. Os chamados ‘feitos invisíveis’ ou ‘quem fez o quê’ é um conceito que ajuda muito. Quando se descobre isso, é algo extraordinário, é um motor documental estupendo se filmar o que não se vê.”

A falta de coragem do cinema latino-americano em abordar temas das forças armadas, do sistema financeiro e da mídia

“São temas complicados e poucos tomam a iniciativa de enfrentá-los, sobretudo sobre o Exército e o capital financeiro. Não sei por que não se fala disso. Mesmo no Chile faltam filmes sobre as forças armadas. Acredito que é preciso seguir falando da ditadura e da violência, são nossos grandes temas continentais, tem que se continuar por toda a vida. Temos um só tema, que é falar de nossos problemas até o fundo, aconteça o que acontecer há que se continuar nesse caminho de combate, com todas as linguagens. Esse é um tema perpétuo.”

A importância da memória

“Acredito que o presente se compõe de memória. Se olha para frente, mas também se olha para trás. É um tema magnífico para avançar. É no passado que está o futuro. O ângulo do olhar é melhor quando se olha para trás. O passado é toda a nossa vida e tem que se pensar nele porque ali está o futuro.”

Como filmar a dor humana

“Simplesmente entrevistando frente a frente, até encontrar a essência. Não há problema teórico que impeça de caminhar e seguir adiante. Todas as perguntas são lícitas, até as mais terríveis, desde que se saiba perguntar. É preciso falar do tema para que se possa superá-lo.”

A relação entre a história e o fantástico em Nostalgia da Luz, filme rodado no deserto do Atacama e que mostra a busca dos astrônomos ao lado de mulheres que procuram pelos restos mortais de parentes

“É uma procura para baixo e outra para cima, numa região linda e misteriosa. É estupendo filmar na região. O fantástico é a maneira como se chega ali, os telescópios enormes, templos da sabedoria humana e da curiosidade. Também é fantástico quando as mulheres contam que estão há 40 anos procurando seus parentes no solo e só acham pequenos ossos. Na região há muitos arqueólogos e eles ensinaram para essas mulheres técnicas para se vasculhar o solo. É um território incrivelmente interessante para conhecer o passado da terra e do mundo, um lugar que parece não ter nada e parece ter uma única cor. Tem uma pureza enorme nesse pedaço do Chile, um lugar magnífico.”

A crise política do Brasil

Todo mundo conhece a crise brasileira. Não sei e creio que ninguém sabe o que vai acontecer. É uma crise grave porque o Brasil influencia todo o continente. No Chile há uma espécie de fadiga, os problemas continuam e ninguém tem a solução, um certo cansaço. Algo parecido pode acontecer no Brasil, uma fadiga da sociedade diante dos problemas do país.

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50 CANÇÕES PARA CHE GUEVARA

Outubro 10, 2017

MEMÓRIA

No dia em que se completam 50 anos da morte do Che, o Soy Loco Por Ti preparou uma seleção de canções em sua homenagem

Redação

Portal Soy Loco Por Ti

Uma das mais conhecidas é a canção “Hasta Siempre, Comandante”, composta pelo músico cubano Carlos Puebla. - Créditos: Reprodução
Uma das mais conhecidas é a canção “Hasta Siempre, Comandante”, composta pelo músico cubano Carlos Puebla. / Reprodução

Nove de outubro de 1967. Há exatos 50 anos Ernesto “Che” Guevara era executado numa pequena escola no povoado de La Higuera, na Bolívia. Morria o homem, nascia o mito.

A força de sua figura e sua brusca morte causaram comoção nos círculos militantes da época e influenciaram nas gerações seguintes,  gerando uma riquíssima obra poética e musical em sua homenagem, que reforça a imagem de herói do argentino-cubano.

Para a data de hoje, o programa de rádio Soy Loco Por Ti preparou para o Brasil de Fato uma seleção de 50 canções em homenagem ao Che, que você pode ouvir a seguir.

Uma das mais conhecidas é a canção “Hasta Siempre, Comandante”, composta pelo músico cubano Carlos Puebla, um dos principais cantores da Revolução. “Aquí se queda la clara, la entrañable transparencia, de tu querida presencia, Comandante Che Guevara”, quem não conhece? Além disso, Puebla compôs “Un Nombre”.

Silvio Rodriguez, talvez o maior gênio da música cubana do período pós-revolucionário, também compôs várias canções inspiradas em Che Guevara, como relata num discurso ao receber o título de doutor honoris causa na Argentina.

Mas Silvio adota um estilo distinto ao de Puebla. Ao discurso direto e panfletário deste, Rodriguez impõe seu estilo repleto de metáforas, como em “La era está pariendo un corazón”, sucesso na voz de Omara Portuondo.

Em mais de cinco obras inspiradas ou dedicadas a ele, raramente chega a mencionar o nome do guerrilheiro morto, exceto no título de uma canção: “América, te hablo de Ernesto”, composta em visita ao Chile, quando ao ver um mural com homenagem a diversos próceres da luta revolucionária latino-americana não encontrou a imagem do Che.

Em outra canção diz: “seu nome e sobrenome são fuzil contra fuzil”. E ele explica: “mencionei a conclusão extrema a que havia chegado um homem: que aos fuzis dos opressores, podiam responder os fuzis dos oprimidos”. Outra composição refinada é de Pablo Milanés, compatriota e parceiro de Silvio, que canta “Si el poeta eres tú”. “O que eu posso te cantar Comandante, se o poeta és tu?”

Os grandes nomes da Nueva Canción Chilena também dedicaram canções a Ernesto Guevara. O “cantautor” Victor Jara compôs “Zamba del Che” e “El Aparecido”, que fala da perseguição sofrida pelo guerrilheiro. Além dele, Patricio Manns e os grupos Inti Illimani e Quilapayún também homenagearam Che em suas composições.

Da Venezuela, Ali Primera, cantor e militante de voz marcante compôs “Comandante amigo”. O uruguaio Daniel Viglietti escreveu a “Canción del guerrilero heroico”, gravada numa interpretação emocionante pela cubana Elena Burke.

Da Argentina, terra natal de Ernesto, as lembranças vêm desde o trovador camponês Atahualpa Yupanqui até La Mona Giménez, ídolo do ritmo quarteto.

No Brasil, a vida e morte de Che também gerou homenagens. Gerando Vandré compôs “Che”. Dante Ledesma, argentino radicado no Rio Grande do Sul, compôs “Memorias del Che”.

Na poesia, grandes escritores como Nicolás Guillén (Guitarra en duelo mayor, dedicada ao militar que executou Che), Mario Benedetti (Consternados, rabiosos) e Julio Cortázar (Yo tuve un hermano) também deixaram versos marcantes, alguns deles musicados.

A imagem do homem que lutou e triunfou numa revolução popular armada, mas logo deixou uma possível vida de governante de alto escalão para seguir na luta armada pela libertação dos povos do mundo, o transformou num símbolo do “Homem Novo”, do exemplo de um revolucionário de sua geração, que permanece inspirando até hoje.

Eduardo Galeano chamou Che de “O nascedor”. “Por que será que o Che tem este perigoso costume de seguir sempre renascendo?” Certamente, o “cancionero latinoamericano” contribui para isso.

Edição: Simone Freire

DEDO NA FERIDA: NOVO FILME DE SILVIO TENDLER-“TENHO CONVICÇÃO DE QUE EXPELIREMOS O ‘CANCRO'”

Outubro 10, 2017
Novo filme do cineasta aborda as consequências, sobre a política e a vida das pessoas, do crescente poder do sistema financeiro
por Vitor Nuzzi, da RBA.
 
DEDO NA FERIDA/DIVULGAÇÃO

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Tendler traz depoimentos, imagens e números que demonstram papel do sistema financeiro na miséria do mundo

São Paulo – Silvio Tendler, 67 anos, aborda em seu novo documentário a urgente questão do poder do sistema financeiro em relação à política. Dedo na Ferida, que começou a ser feito no ano passado e foi selecionado para a mostra competitiva do Festival do Rio, será exibido naquela cidade nas próximas quinta e sexta (12 e 13), com debate no primeiro dia entre o autor e a economista Laura Carvalho. Mesmo falando em “tragédia anunciada”, o cineasta acredita em mudança de rumos, lembrando que os movimentos históricos são lentos. “Hoje o cancro é o sistema financeiro, mas tenho convicção de que o expeliremos e viveremos num mundo solidário e feliz”, afirma.

Com duração de 90 minutos, o filme tem como “fio de ligação” o cotidiano do podólogo Anderson Ribeiro, residente em Japeri – cidade na região metropolitana do Rio com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado –, que trabalha em Copacabana, na zona sul carioca. “O tempo de deslocamento dele todo dia é o tempo de uma sessão de cinema. Dedo na Ferida discute uma sociedade na qual ele é um cidadão à margem, não tem uma conta no banco, não vai ao cinema, nem ao teatro. Não tem uma vida ativa, é um cara que trabalha para sustentar a família”, diz o cineasta.

Ele pretende refletir sobre o avanço do sistema financeiro e seus reflexos sobre o cotidiano das pessoas, desde a perda de direitos até a qualidade de vida. O documentário foi patrocinado pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro e pela Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros. A parceria com as entidades já havia rendido o documentário Privatizações – A Distopia do Capital, de 2014.

Dezenove pessoas foram entrevistadas, sendo 12 brasileiros, como o diplomata e ex-ministro Celso Amorim, o economista Paulo Nogueira Batista Jr., (Banco dos Brics), os professores Ladislau Dowbor, Laura Carvalho e Guilherme Mello e ativistas como Guilherme Boulos (MTST) e João Pedro Stédile (MST). Entre os estrangeiros, falam o ex-ministro grego Yanis Varoufakis, o cineasta Costa-Gavras e os intelectuais Boaventura de Sousa Santos (Universidade de Coimbra, Portugal), David Harvey (University of New York, Estados Unidos) e Maria José Fariñas Dulce (Universidade Carlos III, Espanha).

O filme procura mostrar como o sistema financeiro se beneficia de crises e aumenta a concentração de renda. “Os bancos ficam com a parte gorda da carne, para o povo restam os ossos”, comenta Tendler. Um retrato dos verdadeiros donos do poder. Ele defende um novo projeto, sem saber ainda qual será. Sobre o avanço conservador no Brasil e as eleições marcadas para 2018, diz se preocupar mais com “a inapetência e desorganização da esquerda”.

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Das 20 empresas mais de maior lucro em 2016 no Brasil, 6 são bancos. Entre os maiores prejuízos, nenhum banco

 

Há um ano, durante a coleta de informações e depoimentos para o documentário, você dizia que o mundo “não aprendeu” com a crise de 2008. Os mercados financeiros seguem livres e influenciam fortemente o poder político. Essa “ferida” tem cura?

Sou um otimista da geração que nasceu protegida pela vacina anti-pólio e pela penicilina. Não tivesse sido assim e poderia ter tido paralisia infantil. ou morrido de sífilis. Hoje o cancro é o sistema financeiro, mas tenho convicção de que o expeliremos e viveremos num mundo solidário e feliz.  

De que forma(s) o podólogo de Japeri sofre os impactos da financeirização e da globalização?

Ele ganha mal, não tem acesso a um sistema de saúde digno, nem de educação para os filhos. Leva uma hora e meia para ir e outras tanto para voltar do trabalho, tempo para assistir diariamente dois longas metragens o que nunca faz por falta de tempo e ânimo. 

Os bancos ficam com a parte gorda da carne, para o povo restam os ossos. Isso tem que mudar.

Poucos dias atrás, foi divulgada a informação de que seis brasileiros detêm a mesma renda dos 100 milhões mais pobres do país. Os 5% mais ricos concentram o mesmo que os outros 95%. A concentração de renda é a face mais perversa desse processo?

A concentração de renda é apenas a gota d’água que entorna um dique represado de injustiças e um libelo gritante que revela o mundo em que estamos vivendo. Entre os extremos existe muita desigualdade que tem que ser superada. Senão os remediados viveremos numa zona de conforto que também gera miséria. 

Em termos mundiais, existe saída política para isso ou os Estados já se renderam? Vê movimentos com força suficiente para combater a força do chamado mercado?

Os movimentos históricos são lentos, nos cabe iniciá-los ou dar sequência mesmo sem a certeza de ver o mundo melhor. Pensemos em nossos netos e seremos mais felizes. 

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Cineasta Costa-Gavras vê desmandos do mercado por trás dos conflitos do Brasil de 2017 e da Grécia de 2015

O Brasil vive um processo de venda de patrimônio público e intensa desregulamentação, com perda de direitos por meio de uma reforma trabalhista, já aprovada, e ainda com a tramitação de um projeto sobre a Previdência. O debate sobre um projeto nacional de desenvolvimento – que a sua geração, por exemplo, testemunhou – foi definitivamente abandonado? Ou pode ser retomado a partir das eleições de 2018, por exemplo? 

Está muito difícil para nós, mas para eles também. Não estão entrando com bola e tudo como imaginaram que seria. Continuemos lutando. 

Você já tem alguma clareza sobre o cenário eleitoral? O avanço conservador lhe preocupa?

Me desespera mais a inapetência e desorganização da esquerda. Por aí me desespero. Sei em quem não votarei, mas ainda não sei em quem e com que programa votarei. 

Um ano atrás, você também dizia que o enfraquecimento do Estado e o domínio do capital poderiam levar o mundo a uma tragédia…

Estamos assistindo essa tragédia anunciada configurar-se. Temos que nos organizar em torno de um projeto que hoje não conheço. 

Dos diversos depoimentos, algum lhe chamou mais a atenção?

Todos são muito fortes. 

Com cinco décadas de trabalhos que abrangem grande parte da história do Brasil e suas mazelas, quais projetos devem vir à tona? 

Uma série de filmes muito fortes, espero.

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Professora Maria Dulce, da Universidade Carlos III (Espanha): capitalismo improdutivo conduz mundo ao colapso

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GUARDIAN: VOCÊ TOCA A TECLA DO TELEFONE 2.617 VEZES POR DIA. CUIDADO, ESTÃO SEQUESTRANDO SEU CÉREBRO

Outubro 9, 2017

Da Redação do Viomundo.

O diário britânico Guardian publicou reportagem sobre designers, programadores e executivos do Vale do Silício, na California, que desistiram ou restringiram seu uso das redes sociais temendo o “sequestro” mental a que os usuários dos smartphones estão sujeitos — aquela coisa de acordar com o celular ao lado da cama e dar likes e checar fotos no Instagram antes mesmo de tomar o café da manhã.

Abaixo, traduzimos o trecho relativo a Tristan Harris, 33 anos de idade, ex-empregado do Google, que se tornou um dos maiores críticos das tecnologias de informação:

“Todos nós fomos sequestrados pelo sistema”, ele diz. “Todos os nossos cérebros podem ser sequestrados. Nossas escolhas não são tão livres quanto a gente pensa”.

Harris, que foi chamado de “a coisa mais próxima que o Vale do Silício tem de uma consciência”, insiste que bilhões de pessoas tem pouca escolha sobre se usam ou não essas tecnologias e desconhecem, na maior parte, as formas invisíveis com as quais um pequeno número de pessoas do Vale do Silício estão definindo suas vidas.

Formado na Universidade de Stanford, Harris estudou com BJ Fogg, um psicólogo comportamental reverenciado no meio tecnológico por ter desenvolvido formas através das quais o design pode persuadir as pessoas. Muitos dos seus estudantes tiveram carreiras prósperas no Vale do Silício.

“Não sei de um problema mais urgente que este” diz Harris. “Está mudando a democracia e está mudando nossa capacidade de ter as conversas e os relacionamentos que queremos ter uns com os outros”.

Harris tornou sua aflição pública — fazendo palestras, escrevendo textos, encontrando legisladores e fazendo campanha por reformas, depois de três anos tentando provocar mudanças por dentro no quartel-general do Google, em Mountain View.

Tudo começou em 2013, quando ele trabalhava como gerente de produtos do Google e fez circular entre dez colegas um memorando, Chamada para Minimizar a Distração & Respeitar a Atenção dos Usuários.

Causou e logo o memorando chegou a 5.000 empregados do Google, inclusive a executivos sênior, que deram a Harris uma nova colocação, de nome impressionante: ele se tornou encarregado pela ética e filosofia por trás dos produtos.

Em retrospectiva, Harris diz que caiu pra cima.  “Não me deram uma estrutura de suporte social”, diz. E acrescenta: “Fiquei sentado num canto pensando, lendo e tentando entender”.

Ele aprendeu como o LinkedIn explora o desejo de reciprocidade social para aumentar sua rede; como o YouTube e o Netflix colocam seus vídeos e próximos episódios em autoplay, tirando dos usuários a escolha do quanto querem ver; como o Snapchat criou seu viciante Snapstreaks, encorajando comunicação praticamente constante entre os usuários adolescentes.

As técnicas que as companhias usam nem sempre são genéricas: podem ser desenhadas para cada pessoa, por algoritmo.

[Nota do Viomundo: As redes sociais coletam informações sobre os usuários permanentemente e por algoritmo podem desenhar incentivos muito específicos para cada um]

Um relatório interno do Facebook, que vazou este ano, revelou que a companhia pode identificar quando adolescentes se sentem “inseguros”, “sem valor” e precisam “de um empurrão de confiança”. Tal informação detalhada, diz Harris, “é um modelo perfeito sobre qual botão você pode apertar em uma pessoa”.

As companhias podem explorar tais vulnerabilidades para fisgar as pessoas; manipular, por exemplo, quando elas recebem likes em seus posts, garantindo que eles apareçam só quando o indivíduo está se sentindo vulnerável, precisando de aprovação ou apenas entediado.

Essas mesmas técnicas podem ser vendidas para quem paga mais. “Não existe ética”, diz.

Uma companhia que paga ao Facebook para usar suas ferramentas de persuasão pode ser uma empresa que desenvolve anúncios específicos para quem está querendo comprar um carro novo. Ou pode ser uma rede de robôs de Moscou, determinada a mudar votos numa eleição decisiva em Wisconsin.

Harris não acredita que as empresas de tecnologia deliberadamente criaram produtos para viciar. Elas responderam aos incentivos da economia da publicidade, experimentando com técnicas que conseguem capturar a atenção das pessoas, às vezes acertando no design dos produtos por mero acidente.

Um amigo do Facebook disse a Harris que os designers inicialmente decidiram que o ícone de notificação, que alerta a pessoa sobre novas atividades —  como pedidos de amizade ou likes –, deveria ser azul. Era adequado para o estilo sutil e inócuo do Facebook. “Mas ninguém usou”, Harris conta. “Então eles mudaram para vermelho e todo mundo passou a usar”.

O ícone vermelho agora está por toda parte. Quando os usuários de smartphones olham para suas telas, centenas de vezes por dia, enxergam pequenos pontos vermelhos ao lado de seus aplicativos, pedindo para serem tocados.”Vermelho é a cor gatilho”, diz Harris. “Por isso é usado como um sinal de alarme”.

O design mais sedutor, segundo Harris, explora a mesma suscetibilidade psicológica que torna os cassinos tão compulsivos: recompensas variáveis.

Quando tocamos nos pontos vermelhos, não sabemos se vamos descobrir um e-mail interessante, uma avalanche de likes ou nada. É a possibilidade de frustração que torna tudo tão compulsivo.

É isso o que explica o mecanismo de ‘atualizar’, quando o usuário passa o dedo na tela e espera pelo novo conteúdo. Tornou-se o design mais presente — e viciante — da tecnologia moderna.

“Cada vez que você passa o dedo, é como um caça-níquel”, diz Harris. “Você não sabe o que vem em seguida. Às vezes é uma foto linda. Às vezes, apenas um anúncio”.

PS do Viomundo: É por isso que, aqui no Viomundo, todos nós usamos os celulares com as notificações desligadas.

PORTAL FORUM: FESTIVAL DE CINEMA EM SANTOS (SP) HOMENAGEIA QUIRINO E REFLETE MOMENTO ATUAL DA CULTURA

Outubro 9, 2017

‘Divinas Divas’, de Leandra Leal, e ‘Premê – Quase Lindo’, dirigido por Alexandre Sorriso, são alguns dos destaques da programação com mais de 30 filmes.

Da Redação

Entre os dias 17 e 23 de outubro, acontece em Santos, no litoral de São Paulo, o 2º Santos Film Fest. Ao todo, serão exibidos 31 filmes em mostra sem caráter competitivo e com entrada gratuita.

Com o tema “Cultura faz bem”, o evento busca refletir o atual momento de repressão que a cultura do país vem sofrendo e, também, refletir a importância da cultura na construção de uma sociedade mais justa. A programação é voltada à questões contemporâneas, desde a diversidade, histórias de superação, até relações amorosas e familiares.

Alguns dos filmes que serão exibidos ainda são inéditos na cidade, como ‘Black & White’, premiado no Califórnia Film Awards e que fala sobre o preconceito no Brasil. ‘Divinas Divas’, de Leandra Leal, e ‘Premê – Quase Lindo’, dirigido por Alexandre Sorriso também estão na programação.

Luciano Quirino, será homenageado na abertura do evento. Natural de Santos, o ator, que hoje mora no Rio de Janeiro, apresentará o curta-metragem “Os Bons Parceiros”, exibido em Cannes.

Na quarta-feira (18), a homenagem será para a atriz Ondina Clais, presente em filmes recentes como “João, o Maestro” e “O Filme da Minha Vida”. Este último com exibição especial no dia, junto ao curta-metragem “Noites Brancas em Sábado de Glória”, primeiro trabalho dela no cinema.

Confira a programação completa:

Terça-feira, 17 de outubro

19h – Happy Hour Cinematográfico com Cigarra Elétrica
Local: Cine Café – Cine Roxy 5
20h – Abertura / Cerimonial / Homenagem à Vídeo Paradiso / Homenagem ao ator Luciano Quirino
Exibição de “Os Bons Parceiros” (Curta)
Ano: 2013 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Ação Dir.: Elder Fraga
20 minutos Classificação indicativa: 16 anos.
Concerto Banda Marcial de Cubatão “Música para Cinema”
Local: Cine Roxy 5

Quarta-feira, 18 de outubro

10h – Bate-papo com ator Luciano Quirino
Local: Instituto Arte no Dique

14h –“Detetives do Prédio Azul” (DPA)
Ano: 2017 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Infantil Dir.: André Pellenz
100 minutos Classificação indicativa: Livre
Local: Cine Roxy 5

14h30 – Bate-papo com ator Luciano Quirino
Local: Roxy Premium Lounge

14h30 – Lançamento da exposição “Além da Cor da Pele”.
Local: Shopping Pátio Iporanga

14h – “Território do Brincar”
Ano: 2015 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Documentário Dir.: David Reeks e Renata Meirelles
90 minutos Classificação indicativa: Livre
Local: Instituto Arte no Dique

15h – “Gonzaga – de Pai para Filho”
Ano: 2012 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Documentário Dir.: Breno Silveira
100 minutos Classificação indicativa: 12 anos
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto

17h30 – “Além das Palavras”
Título original: A Quiet Passion
Ano: 2017 Nacionalidade: Bulgária
Gênero: Biografia/Drama Dir.: Terence Davies
125 minutos Classificação indicativa: 13 anos
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto

16h às 18h – Oficina Básica de Edição de Vídeo, com Leonardo Soler, Felipe Spinelli,
Rogério Almeida e Mávila Rinara
Local: Unimonte – 20 vagas

16h às 18h – Oficina básica de produção audiovisual, com Nathan Tiepelmann e
Ana Paula Terra
Local: Unimonte – 20 vagas

18h – Happy hour cinematográfica com banda The Classics
Local: Cine café – Roxy 5

19h – Homenagem à atriz Ondina Clais
“Noites Brancas em Sábado de Glória” (Curta)
Ano: 2000 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Drama Dir.: Victor Lema Riqué e Willy Biondani
24 minutos
“O Filme da Minha Vida”
Ano: 2017 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Drama Dir.: Selton Mello
112 minutos Classificação indicativa: 14 anos
Local: Cine Roxy 5

21h30 – “Âmago” (Curta)
Ano: 2016 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Suspense Dir.: Izadora Andrade
10 minutos Classificação indicativa: 14 anos
Local: Cine Roxy 4 Pátio Iporanga

“Histórias Íntimas”
Ano: 2013 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Documentário Dir.: Júlio Lelis e Breno Pessurno
118 minutos Classificação indicativa: 16 anos
Local: Cine Roxy 4 Pátio Iporanga

Quinta-feira, 19 de outubro

14h – Bate-papo com o cineasta Júlio Lelis (Histórias Íntimas)
Local: Roxy Premium Lounge

15h – Oficina Introdução ao Audiovisual, com Fiama Virgínia, Artur de Abreu e Bruno Landin.
Local: Instituto Arte no Dique – 20 vagas

15h – “Domésticas, o Filme”
Ano: 2001 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Comédia/Drama Dir.: Thomas Lilti
90 minutos Classificação indicativa: 12 anos
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto

17h30 – “Insubstituível” Título Original: Médecin de campagne
Ano: 2017 Nacionalidade: França
Gênero: Drama/ Comédia Dir.: Fernando Meirelles e Nando Olival
102 minutos Classificação indicativa: 12 anos
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto

16h às 18h – Oficina básica de fotografia, com Vitor Santos de Araújo e Marcelo Colmenero.
Local: Unimonte – 20 vagas

16h às 18h – Oficina de Linguagem Audiovisual, com Giovanna Timon e Victoria Andria
Local: Unimonte – 20 vagas

18h – Happy Hour Cinematográfico
Local: Cine Café – Cine Roxy 5

19h – “A Plebe é Rude”
Ano: 2016 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Documentário Dir.: Diego da Costa e Hiro Ishikawa
75 minutos
Local: Cine Roxy 5

21h30 – “Headbanger Voice – A História da Rock Brigade”
Ano: 2017 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Documentário Dir.: Wladimir Cruz e Marcelo Colmenero
110 minutos Classificação indicativa: 14 anos
Local: Cine Roxy 4 Pátio Iporanga

Sexta-feira, 20 de outubro

10h – “Premê, Quase Lindo” e bate-papo com o diretor Alexandre Sorriso.
Ano: 2015 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Documentário Dir.: Alexandre Sorriso e Danilo Moraes
70 minutos Classificação indicativa: Livre
Local: Instituto Arte no Dique

14h – Debate: “Música em cena”, com os cineastas Alexandre Sorriso (Premê, Quase Lindo), Diego da Costa (A Plebe é Rude) e Wladimyr Cruz (Headbanger Voice)
Local: Roxy Premium Lounge

16h – “Divinas Divas”
Ano: 2017 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Documentário Dir.: Leandra Leal
110 minutos Classificação indicativa: 14 anos
Local: Instituto Arte no Dique

15h – “Além da Estrada” Título original: Por el camino
Ano: 2011 Nacionalidade: Uruguai/ Brasil
Gênero: Romance Dir.: Charly Braun
85 minutos Classificação indicativa: 14 anos
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto

17h – Show Carla Mariani (jazz e blues)
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto

19h30 – Vernissage da exposição “A Magia do Cinema”, de Waldemar Lopes
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto

16h às 18h – Oficina de tiros e efeitos especiais no cinema, com Delson Matos Gomes e Alexandre Valença Alves Barbosa – 20 vagas
Local: Unimonte – 20 vagas

16h às 18h – Oficina de atuação, com Juliana Fernandes
Local: Unimonte – 20 vagas

18h – Happy Hour Cinematográfico
Local: Cine Café – Cine Roxy 5

19h – “Noitada do Samba – Foco de Resistência”
Ano: 2010 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Documentário Dir.: Cély Leal
75 minutos Classificação indicativa: n/d
Local: Cine Roxy 5

21h30 – A Garota Ocidental Título original: Noces
Ano: 2017 Nacionalidade: Bélgica
Gênero: Drama Dir.: Stephan Streker
98 minutos Classificação indicativa: 12 anos
Local: Cine Roxy 4 Pátio Iporanga

Sábado, 21 de outubro

15h – “A Saga da Alma de um Poeta”
Ano: 2015 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Drama Dir.: Guga Coelho
Classificação indicativa: 14 anos
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto

17h – “Redemoinho”
Ano: 2017 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Drama Dir.: José Luiz Villamarim
100 minutos Classificação indicativa: 14 anos
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto

19h – “Black & White”
Ano: 2017 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Drama Dir.: Tristan Aronovich
93 minutos Classificação indicativa: n/d
Local: Pinacoteca Benedicto Calixsto

16h – Sessão comemorativa dos 35 anos de “Vitor ou Vitória?”
Ano: 1982 Nacionalidade: Estados Unidos
Gênero: Romance Musical Dir.: Blake Edwards
133 minutos Classificação indicativa: n/d
Local: Cine Roxy 4 Pátio Iporanga

18h30 – Exposição Julie Andrews: A Nossa Dama (itens raros, cartazes, discos, CDs e pôsteres sobre a atriz Julie Andrews, memorabilia de Waldemar Lopes)
Local: Shopping Pátio Iporanga

23h30 – Virada Cinematográfica
Três filmes em sequência + café da manhã
Local: Cinemateca de Santos

Domingo, 22 de outubro

15h – “Gaga, O Amor pela Dança” Título original: Mr. Gaga
Ano: 2017 Nacionalidade: Israel
Gênero: Documentário/ Biografia Dir.: Tomer Heymann
100 minutos Classificação indicativa: Livre
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto

17h30 – “O Cidadão Ilustre” Título original: El ciudadano ilustre
Ano: 2017 Nacionalidade: Argentina
Gênero: Comédia/ Drama Dir.: Gastón Duprat e Mariano Cohn
118 minutos Classificação indicativa: 14 anos
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto.

19h00 – “Jauja”
Ano: 2015 Nacionalidade: Espanha
Gênero: Drama/ Western Dir.: Lisandro Alonso
109 minutos Classificação indicativa: 16 anos
Local: Pinacoteca Benedicto Calixto

16h – A Crítica de Cinema na Baixada Santista.
Debate sobre possibilidade da criação de uma entidade representativa da classe.
Local: Sesc Santos

Segunda-feira, 23 de outubro

16h – “Nunca me Sonharam”
Ano: 2017 Nacionalidade: Brasil
Gênero: Documentário Dir.: Cacau Rhoden
90 minutos Classificação indicativa: 10 anos
Local: Instituto Arte no Dique

18h – Happy Hour Cinematográfico com Tha Classic
Local: Cine Café – Cine Roxy 5

20h – Encerramento

“Como Grãos” (curta)
Ano: 2017 Nacionalidade: Brasil
Dir.: Renata Giovannetti Classificação indicativo: n/d
Local: Cine Roxy 5

“Somos Todos Estrangeiros”
Ano: 2016 Nacionalidade: Brasil/Síria
Gênero: Documentário Dir.: Germano Pereira
100 minutos Classificação indicativa: 10 anos
Local: Cine Roxy 5

Endereços:

Cine Roxy 4 – Av. Dona Ana Costa, 465, Gonzaga
Cine Roxy 5 – Av. Dona Ana Costa, 443, Gonzaga
Cinemateca de Santos – Rua Ministro Xavier de Toledo, 42, Campo Grande
Instituto Arte no Dique – Rua Brigadeiro Faria Lima, 1349, Rádio Clube
Pinacoteca Benedicto Calixto – Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão
Roxy Premium Lounge – Avenida Dona Ana Costa, 465, 1º piso, Gonzaga
Sesc Santos – Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida
Shopping Pátio Iporanga – Avenida–Dona Ana Costa, 465, Gonzaga
Unimonte – Rua Comendador Martins, 52, Vila Mathias

Foto: Reprodução/Facebook

Victor Jara faria 85 anos, sua obra permanece atual na América Latina

Outubro 8, 2017

À direita, Victor Jara participa de ato político durante a campanha de Allende

Em 12 de setembro de 1973, cerca de 600 professores e estudantes da Universidade Técnica do Estado (UTE), em Santiago, faziam vigília no campus. O grupo manifestava seu apoio ao presidente Salvador Allende, deposto na véspera por um golpe militar patrocinado por Augusto Pinochet, quando foi conduzido ao Estádio Chile. Era um ginásio de esportes no qual se realizavam shows, partidas de vôlei e basquete, que tinha sido convertido desde o dia anterior em centro de detenção e quartel general da repressão. Entre os presos estava um conhecido compositor de cabelo encaracolado, logo identificado por um dos soldados. “Não o tratem como mulherzinha”, orientou o oficial. Seu nome era Víctor Jara.

Professor da Faculdade de Comunicação da UTE, Víctor Jara militava no Partido Comunista, havia apoiado a eleição de Allende pela Unidade Popular em 1971, e firmava-se como o maior nome da canção de protesto em seu país. Instantes depois de pisar no Estádio Chile, Víctor Jara foi brutalmente espancado. Seu rosto vertia sangue quando lhe esmigalharam também as mãos, a coronhadas, diante de todos. Seus torturadores afirmavam fazer aquilo para que ele nunca mais empunhasse um violão.

Cinco dias após a prisão, Víctor Jara foi assassinado. O laudo emitido após a autópsia, feita quando localizaram o cadáver num matagal, indicou uma porção de ossos quebrados e 44 marcas de balas. Antes de morrer, conseguiu redigir um poema, entregue aos companheiros de cárcere, que providenciaram cópias e conseguiram preservá-lo, dando-lhe mais tarde o título de “Estádio Chile“: “Somos cinco mil aquí/ en esta pequeña parte de la ciudad/ (…) Seis de los nuestros se perdieron/ en el espacio de las estrellas./ Uno muerto, un golpeado como jamás creí/ se podría golpear a un ser humano./ Los otros cuatro quisieron quitarse/ todos los temores, / uno saltando al vacío,/ otro golpeándose la cabeza contra un muro/ pero todos con la mirada fija en la muerte./ ¡Qué espanto produce el rostro del fascismo!”. Trinta anos depois, em setembro de 2003, o mesmo Estádio Chile foi nomeado Estádio Víctor Jara.

Filho de lavrador, Víctor Jara tocava e cantava num grupo de música folclórica quando conheceu Violeta Parra, na segunda metade dos anos 1950, e foi convencido por ela a continuar insistindo na carreira. Em 1965, já tinha gravado um disco com o conjunto quando passou a frequentar a Peña de los Parra. Seus dois primeiros LPs como artista solo foram lançados em 1967.

Aos poucos, a canção folclórica e os temas rurais foram cedendo espaço para a música de protesto, mais urbana e, ao mesmo tempo, profundamente alinhada às bandeiras políticas da época. Víctor apoia o líder vietnamita Ho Chi Min, citando-o nominalmente em plena guerra fria na canção “El Derecho de Vivir en Paz“. Grava “Cruz de Luz”, de Daniel Viglietti, solidarizando-se com o padre e guerrilheiro colombiano Camilo Torres. Monta um repertório com canções em homenagem a Pancho Villa, Che Guevara e Salvador Allende. Musica o poema de Neruda “Aquí me Quedo“: “Eu não quero a pátria dividida / cabemos todos na minha terra”.

Mais conhecido como compositor de “Te Recuerdo Amanda”, gravada por Mercedes Sosa, Joan Baez, Ivan Lins e muitos outros, Víctor Jara registrou sua missão na primeira estrofe da canção “Manifesto“: “Eu não canto por cantar/ nem por ter uma voz bonita/ Canto porque o violão/ tem sentido e razão.”

‘É PRECISO FALAR DO CÂNCER SEM MEDO’

Outubro 7, 2017
Jornalista e apresentadora Daniella Zupo lança livro e série documental sobre sua difícil e transformadora luta contra um câncer de mama
por Xandra Stefanel, especial para RBA.
 
                                                  MARIANA BOTELHO/DIVULGAÇÃO

Daniella

Daniella: ‘Ali começa uma jornada longa e difícil, mas que pode lhe trazer renovação e revolução em sua vida’

Segundo a Breast Cancer Research Foundation (do inglês, Fundação de Pesquisa sobre o Câncer de Mama), o câncer de mama é o tipo mais comum de câncer nas mulheres no mundo todo e o líder no índice de mortes nos países desenvolvidos, com cerca de 1,7 milhões de novos casos diagnosticados até 2012. Estudos apontam a tendência de que esses números subam de 14 milhões (dados de 2012) para 20 milhões nos próximos 20 anos. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva, em 2016, eram esperados 57.960 novos casos de câncer de mama só no Brasil.

A jornalista e apresentadora de TV Daniella Zupo entrou para essas estatíticas no final de 2015, quando, mesmo sem ter histórico algum na família, foi diagnosticada com câncer de mama. Como uma espécie de terapia, ela decidiu usar as ferramentas que domina para ressignificar a doença e combater o tabu que ainda a envolve. Ela acaba de lançar o livro Amanhã Hoje é Ontem (136 págs., Editora Ramalhete), em que divide sua experiência em 30 textos de diferentes formatos – minicontos, crônicas e ensaios. “Eles foram criados por um desejo quase terapêutico de organizar em forma de escrita tudo o que nascia do corpo e espírito em dor, para serem lidos como experiência de vida”, escreve Daniella.

Nos mesmos moldes, Daniella também lançou uma websérie documental de oito episódios que a ajudaram nesta dolorosa trajetória rumo à cura. “Da mesma forma que a vida é imprevisível, é também inspiradora, e o que poderia ser ‘apenas’ a minha traumática experiência pessoal, tornou-se uma história que tem apoiado outras pessoas que enfrentam a mesma jornada. Amanhã Hoje É Ontem – a websérie e, agora, o livro – me acompanham na superação diária pelos caminhos da cura. Uma cura ampla, que inclui corpo físico, emocional e espiritual. Hoje entendo que todos nós precisamos dela. Por isso talvez, pra minha grata surpresa, o caminho de AHO! inclua tantas pessoas que nada sabem da experiência de um câncer”, escreveu Daniella no site de seu projeto.

Com durações que variam entre 5 e 15 minutos, os vídeos abordam diversos temas de forma natural e intimista: as sessões de quimioterapia, o rito de passagem do corte do cabelo, a importância do apoio da família, as sessões de terapia, seus questionamentos sobre a vida e a morte, conversas com amigos etc. Já no primeiro episódio da série, Barcos Pela Noite, Daniella anuncia que a doença, apesar da dor e do medo, acabou trazendo renovação para sua vida e é isso que perpassa todos os episódios.

“O câncer é uma bolada nas costas. Esse foi o meu primeiro sentimento. Como se a vida lhe traísse quando você menos espera, quando você não está jogando. Mas depois do impacto e da dor, você percebe que não está sozinho. Esse é um diagnóstico que atinge milhões de pessoas em todo o mundo. Assim como milhões de pessoas passam por situações terríveis sem que você se dê conta. Você pode se sentir traído pela vida ou desperto: sentir que ali começa uma jornada longa e difícil, mas que pode lhe trazer renovação e revolução em sua vida. Porque se há uma experiência que se repete neste processo é o sentimento de que ninguém será o mesmo depois dessa jornada”, diz no primeiro episódio.

Segundo a jornalista, o título da websérie e do livro surgiu em uma conversa com a filha dela. “Amanhã Hoje é Ontem é uma pergunta que a minha filha me fez quando ela tinha uns cinco anos e tentava entender a diferença entre os tempos: passado, presente, futuro. Pois hoje sou eu quem responde afirmativamente: ‘Sim, amanhã hoje é ontem’. Tudo está conectado e tudo vai passar”.

CapaAmanhã Hoje é Ontem
Autora: Daniella Zupo
Editora:Ramalhete
Páginas: 136
Ano: 2017
Preço sugerido: R$ 35
Websérie: no Canal de Daniella Zupo no YouTube

AGENDA CULTURAL| MÚSICA, CINEMA E OFICINAS PARA CRIANÇAS NESTA SEMANA EM CURITIBA

Outubro 7, 2017

Confira os destaques culturais para os próximos dias na capital paranaense

Redação

Brasil de Fato | Curitiba (PR).

Na programação da semana, duas oficinas vão ensinar crianças de maneira lúdica - Créditos: Cido Marques / FCC
Na programação da semana, duas oficinas vão ensinar crianças de maneira lúdica / Cido Marques / FCC

A programação cultural desta semana em Curitiba está cheia de atrações para todas as idades. Confira:

[ OFICINAS ] “Ecoorquestra” e” Bonecos de Madeira” 

O quê: A sexta edição do “Centro Histórico Divertido” convida a criançada a colocar a mão na massa com as oficinas de brinquedos. A “Ecoorquestra” vai possibilitar que os pequenos brinquem e apreciem os instrumentos musicais e de percussão, feitos de materiais recicláveis. Já na oficina “Bonecos de Madeira”, objetivo é fazer com que as crianças tenham a emoção de dar vida ao seu próprio brinquedo.  

Quando: Dia 7, sábado, das 14h às 17h.  

Onde: O Centro Juvenil de Artes Plásticas (CJAP), rua Mateus Leme, 56, São Francisco. Curitiba-PR  

Quanto: Entrada franca  

[ CINEMA ]  Mostra para Sylvio Back 

O quê: Sylvio Back, um dos mais importantes diretores do cinema paranaense, chega aos 80 anos e ganha de presente uma Mostra com exibição de seu filmes. Uma seleção de 12 filmes representativos de sua carreira ocupará durante duas semanas as salas da Cinemateca e do Cine Guarani (Portão Cultural). A trajetória cinematográfica de Back é marcada pela constante participação em questões políticas, estéticas e sociais.  

Quando e onde: Os filmes serão exibidos na Cinemateca de 3 a 8 de outubro e serão reprisados no Cine Guarani de 10 a 15 de outubro.  

Quanto: Entrada franca. 

[ MÚSICA ] Espetáculo musical AVECrianças  

O quê: AVEduo trabalha com música popular sul-americana e composições para crianças. Formado pela brasileira Andréa Bernardini e pela argentina Viviana Mena, o duo traz canções infantis com temas cotidianos para rir e cantar. Logo após a apresentação musical é que a dupla vai ministrar uma oficina de canto e percussão. A prática propõe o resgate das raízes culturais da música brasileira e de sua importância na infância e adolescência, por meio de ritmos populares, tais como: samba, baião, marcha-rancho, frevo, maracatu, bumba-meu-boi, entre outros.  

Quando: Dia 7, sábado, às 14h30. 

Onde: Centro Cultural SESI Heitor Stockler De França, Av. Mal. Floriano Peixoto, 458, Centro. 

Quanto: Doação de um livro infantil 

Edição: Ednubia Ghisi

EXPOSIÇÃO SOBRE POPULAÇÕES NEGRAS DA AMAZÔNIA ESTREIA NESTE SÁBADO EM SÃO PAULO

Outubro 6, 2017

FOTOGRAFIA

(Re)Conhecendo a Amazônia Negra: Fotógrafa Marcela Bonfim resgata cultura negra e quilombola em série de 55 imagens

Luciana Console

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Menino brincando em comunidade ribeirinha de Nazaré - RO - Créditos: Marcela Bonfim
Menino brincando em comunidade ribeirinha de Nazaré – RO / Marcela Bonfim

Com um acervo de 55 imagens, a exposição (Re)Conhecendo a Amazônia Negra traz, nas captações das lentes da fotógrafa Marcela Bonfim, um resgate da resistência e cultura negra e quilombola amazônica. O trabalho passou pelos estados de Rondônia e do Pará durante o ano passado e, neste sábado (7), chega à Caixa Cultural, em São Paulo.

Marcela Bonfim é paulistana, mas mora em Rondônia há sete anos. A mudança para a cidade se deu após o término da faculdade, quando a dificuldade na busca por emprego em São Paulo fez com que ela tivesse que encarar sua negritude e, consequentemente, o racismo. Em entrevista concedida ao Brasil de Fato em no ano passado, a fotógrafa contou a importância que o projeto teve na formação de sua própria identidade.

Formada em economia na PUC-SP, Marcela conta que, desde a infância, se considerou uma “negra embranquecida”, na tentativa de ser aceita pelos colegas. Já na cidade de Porto Velho, ela começou a fotografar homens, mulheres e crianças do Vale do Guaporé, em busca da beleza da estética negra:

“Ao mesmo tempo em que é um resgate da minha história pessoal, é uma militância, aquela militância que eu nunca fiz.  A gente precisa reconhecer essa negritude amazônica, que é uma negritude esquecida. Eles [negros e negras] construíram a Amazônia, só que ninguém fala sobre isso. Ao mesmo tempo, o projeto também é essa tábua de salvação comigo mesma. Ele traz um pouco de dignidade não só pra mim, como para outros negros da Amazônia”.

As fotos foram tiradas no ano de 2013, período em que Marcela percorreu locais como quilombos, comunidades indígenas, penitenciárias, festejos religiosos e terreiros de candomblé. Foi aí que conheceu a história dos barbadianos, primeiros negros assalariados que chegaram no Brasil, vindo para a construção da estrada Madeira Mamoré: “Os negros do Maranhão e do Pará foram fluxos extremamente importantes, eles construíram Rondônia: as edificações, a borracha, o garimpo, a lavoura. A gente entra pelas linhas rurais, ela é toda negra, só que a terra não é do negro, a mão de obra é negra”.

Serviço:

Local: CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo – SP – (próxima à estação Sé do Metrô)

Abertura: Sábado, 7 de outubro, às 11 horas

Duração: De 7 de outubro a 17 de dezembro (terça-feira a domingo), das 9h às 19h

Entrada gratuita

Edição: Vanessa Martina Silva

ATRIZ, PRODUTORA CULTURAL E ATIVISTA POLÍTICA RUTH ESCOBAR, MORRE AOS 82 ANOS

Outubro 5, 2017

Atriz de renome, personalidade do teatro nacional, agitadora política e importante produtora cultural, Ruth Escobar sempre se manteve na vanguarda artística brasileira.

 

Por volta das 13h30 desta quinta-feira (5) a atriz e produtora cultural Ruth Escobar morreu no Hospital 9 de Julho, em São Paulo. A causa da morte ainda não foi divulgada. O velório será no teatro Ruth Escobar.

Nascida em Portugal, Ruth emigrou com sua mãe, Marília do Carmo, para o Brasil em 1951. Estudou interpretação na França e assim que voltou ao Brasil montou a companhia Novo Teatro em parceria com o diretor Alberto D’Aversa.

Em 1964 a atriz decide fazer teatro popular além de inaugurar seu próprio teatro situado na região da Bela Vista em São Paulo.

Como atriz e produtora se projetou ao montar a obra “Cemitério de Automóveis” do diretor argentino Victor García. Em 1969 Ruth Cardoso recebeu seu primeiro troféu Roquette Pinto como personalidade do ano ao montar “O Balcão” de Jean Genet.

Em julho de 1968, um grupo de cem pessoas invadem o Teatro Ruth Escobar para reprimir a peça de Chico Buarque de Holanda. O atentado foi logo atribuído ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC), grupo paramilitar de extrema direita criado um ano antes do golpe de 1964 e integrado por militares, policiais e jovens ligados a políticos de direita. O elenco da peça “Roda Viva”, foi espancado e o cenário foi inteiramente depredado.

Nos anos seguintes, trabalhou à frente do Centro Latino-Americano de Criatividade, centralizando em seu teatro importantes manifestações contra o regime militar, inclusive a fundação do Comitê da Anistia Internacional.

Eleita deputada estadual em 1980, dedicou-se a projetos comunitários e afastou-se parcialmente dos palcos. Em 1994 voltou aos festivais internacionais trazendo grupos de teatro, de dança, de formas animadas ou aqueles que uniam todas essas linguagens.

Em 1987 Ruth Escobar lançou “Maria Ruth – Uma Autobiografia”, contando parte da sua trajetória, na qual a produção cultural se mescla, de modo indissolúvel, à sua atuação política, voltada sobretudo para o inconformismo com as regras estabelecidas.

Em 2001, criou uma versão de Os Lusíadas, de Camões, seu último trabalho nos palcos, como produtora.

Há alguns anos Ruth lutava contra o Mal de Alzheimer.