O TRABALHO DOS TRILHOS

Dezembro 1, 2017

Músicos que trabalham no metrô do Recife estão atentos para não atrapalhar o sono ou telefonema dos passageiros.

PH Reinaux

Brasil de Fato | Recife (PE)

Repórter fotográfico do Brasil de Fato Pernambuco acompanhou a dupla Yalle e Batatinha durante parte da jornada de trabalho - Créditos: PH Reinaux
Repórter fotográfico do Brasil de Fato Pernambuco acompanhou a dupla Yalle e Batatinha durante parte da jornada de trabalho / PH Reinaux

– Boa Tarde Pessoal!!!!!

– Boa Tarde Pessoal!!!

– Eu sou Yalle e esse é meu amigo Batatinha, nós somos o Sapukai.

– Somos artistas de rua e gostaríamos de trazer um pouco de música para vocês.

– Podemos cantar???

– Podemos? 

– Podemos?

– Mas, mesmo assim, se alguém se incomodar, basta falar conosco que nós paramos imediatamente e saímos do vagão.

– Certo?

– Meu amigo Batatinha, vamos de quê?

E assim começa o dia de trabalho dos artistas de rua Yalle e Batatinha. Yalle, 27 anos, casado, tem quatro filhos. “Três são filhos de sangue e um de criação”. Batatinha há quatro anos trabalha nas ruas. “Eu tocava com uma parceira, Luiza, depois iniciamos esse projeto com Yalle”. Está no terceiro casamento e tem uma filha de 10 anos.

Trabalham oito horas por dia, seis dias da semana. Durante a viagens acontecem alguns blocos de música. No repertorio entra clássicos da música popular, gospel, brega e aquela música que faz lembra do amor. “Já fizemos vários passageiros chorar, levamos músicas e muita positividade”. Durante as apresentações sempre soltam “Radio MetroRec trilhando os caminhos do seu coração”.

Trata-se de uma rotina de trabalho bem difícil. Por diversas vezes não é possível suportar essa jornada semanal de trabalho. É preciso se alimentar bem, tomam muito chá de gengibre, maçã. Os músicos contam que já chegaram a fazer mais de 16 viagens em um dia. Tudo depende do fluxo de passageiros do metro, o vagão não pode estar muito cheio, nem muito vazio. É preciso tomar cuidado para não incomodar crianças dormindo, pessoas atendendo o celular.

Os artistas dividem o local de trabalho com os ambulantes e é bem tranquilo. Através de olhar, gestos, gentilezas os espaços seguem sedo respeitado. A condição de trabalhador, as obrigações e aquela nossa capacidade criativa de se virar com o que tem demarcam as regras de convivência.

Durante minha passagem com a dupla pelas linhas férreas da Região Metropolitana do Recife, conversei com vários trabalhadores e ouvi diversos relatos de conflitos entre ambulantes e os trabalhadores da segurança do metro. Hoje já existem alguns relatos de violência contra os músicos, o que deixa todos apreensivos. Complicado você sair de casa para trabalhar e voltar apanhado, desmaiado de choque. Com as mercadorias apreendidas. 

Ao final do dia de trabalho, chega a hora de contar o apurado. Tudo é repartido igualmente entre Yalle e Batatinha. Muitas moedas, o que certamente vai facilitar a rotina de trabalho dos cobradores de ônibus no Terminal Integrado. A unidade entre os trabalhadores da arte no metrô do Recife é algo marcante. Trata-se de uma proposta de trabalho justa, honesta e, apesar das incertezas, é a fonte de renda de diversas famílias recifenses.

Edição: Monyse Ravena

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JORGE SANJINÉS: FILMES DE PREMIADO DIRETOR BOLIVIANO SERÃO EXIBIDOS EM SÃO PAULO

Novembro 30, 2017

CINEMA

Mostra exibida no CCSP e na Casa do Povo tem o objetivo de difundir o trabalho cinematográfico comunitário e indígena

Redação

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Ouça a ma

téria:

O diretor já foi premiado nos Festivais de Berlim, Veneza e Locarno, tendo dirigido mais de uma dezena de longas-metragens - Créditos: Reprodução
O diretor já foi premiado nos Festivais de Berlim, Veneza e Locarno, tendo dirigido mais de uma dezena de longas-metragens / Reprodução

O Centro Cultural São Paulo (CCSP) e a Casa do Povo exibirão entre os dias 28 de novembro e 3 de dezembro, a Mostra Jorge Sanjinés: Um Cinema Junto ao Povo, que apresentará nove filmes do cineasta boliviano.

A mostra tem o objetivo de difundir o trabalho cinematográfico comunitário e indígena boliviano. Nascido na capital La Paz, em 1936, o diretor Jorge Sanjinés, ao longo de seus mais de 50 anos de carreira, tem sido o primeiro cineasta do país a incorporar as línguas Quéchua e Aymara nos filmes bolivianos. Também professor e escritor, Sanjinés é autor do livro Teoria e Prática de um Cinema Junto ao Povo, tendo desenvolvido uma estética cinematográfica voltada para um imaginário contra-hegemônico, junto às comunidades indígenas.

Sanjinés também foi diretor do Instituto de Cinematografia Boliviana, e um dos fundadores do movimento Nuevo Cine Latinoamericano.

O diretor já foi premiado nos Festivais de Berlim, Veneza e Locarno, tendo dirigido mais de uma dezena de longas-metragens.

Entre os filmes exibidos, estará seu longa mais recente, Juana Azurduy, guerrilheira da pátria, que estreou no Festival de Berlim em 2016 e foi premiado como melhor filme no 2º Festival Internacional de Cinema de Guayaquil, no Equador. Também comporão a mostra os filmes Ukamau, primeiro longa-metragem do diretor; A Coragem do Povo; e O Inimigo Principal, que será exibido em película 35mm.

O evento também contará com uma conferência para debater a produção cinematográfica latino-americana, que terá a presença da professora da Universidade de Buenos Aires (UBA) María Aimaretti, e da professora de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Yanet Aguilera. A atividade acontecerá no dia 2 de dezembro.

A Mostra Jorge Sanjinés tem o apoio da Fundação Rosa Luxemburgo, da Prefeitura Municipal de São Paulo, do CCSP e do Circuito SPCine, e é produzida pela Associação Cultural Fábrica de Cinema em parceria com a Buena Onda Produções. O evento tem entrada gratuita e a bilheteria será aberta às 14h para retirada de ingressos das sessões do dia. Mais informações sobre o evento podem ser acessadas neste link.

Edição: Mauro Ramos

CONCURSO LITERÁRIO SELECIONA CONTOS E POESIA LGBT EM MINAS GERAIS

Novembro 30, 2017

Textos serão publicados em livro que será lançado em 2018

Larissa Costa

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

O livro pretender ser mais uma ferramenta no combate ao preconceito e à intolerância - Créditos: Mídia NINJA
O livro pretender ser mais uma ferramenta no combate ao preconceito e à intolerância / Mídia NINJA

Poetas e escritores LGBT – lésbicas, gays, bissexuais e transexuais – de Minas Gerais podem participar do concurso literário promovido pelo Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos-MG). Os textos selecionados farão parte do livro Famílias Invisíveis -Coletânea de Contos e Poemas LGBT, que será lançado em 2018, no Dia Mundial de Combate à Homofobia, em 17 de maio.

Darlan Carling von Dollinger, diretor do Cellos, conta que ideia surgiu durante a construção da 4ª Jornada pela Cidadania LGBT, que aconteceu em julho deste ano na capital mineira. O evento promoveu atividades culturais, debates e palestras que buscam o diálogo com a sociedade e a conscientização política sobre a diversidade sexual. Darlan conta que o tema do concurso segue o assunto abordado pela jornada, que foi “Famílias e Direitos – Nossa Existência é Singular, nossa Resistência é Plural”.

“A escolha do tema foi natural ao observar a realidade de grande parcela das pessoas LGBT. Ainda hoje lamentamos os altos índices de rejeição por seus próprios familiares. Por outro lado, celebramos ao saber que um número crescente de famílias vem abrindo o diálogo e saindo do armário junto com seus filhos”, comenta.

Literatura LGBT

O livro pretende ser mais uma ferramenta no combate ao preconceito e à intolerância, em uma perspectiva de potencializar o diálogo com a sociedade por meio da produção artística.

“A publicação tem entre seus principais objetivos estimular a produção literária com temática LGBT, que discuta a diversidade sexual e de gênero e promova a integração artístico-cultural da população LGBT mineira, fortalecendo sua identidade e posicionamento político-social”, afirma Darlan.

A inscrição é gratuita e pode ser feita até 17 de dezembro. Mais informações, aqui.

Edição: Joana Tavares

JUVENTUDE DA CUT CELEBRA 20 ANOS COM SHOW DE ANA CAÑAS E FERNANDO HADDAD

Novembro 29, 2017

NESTA QUARTA

Também participam a cantora Preta Rara e o grupo Slam das Minas. Ocupa CUT promove debate sobre os impactos da reforma trabalhista para os jovens trabalhadores

por Redação RBA.
 
REPRODUÇÃO
Ana Cañas e Fernando Haddad

Ana Cañas divide o palco com Fernando Haddad em show da juventude da CUT

São Paulo – Jovens sindicalistas de 22 estados participam, entre terça e quinta-feira (28 a 30), do Ocupa CUT – Juventude Fazendo História, que celebra os 20 anos de criação da secretaria da Juventude pela CUT. Com debates e atividades culturais, eles pretendem discutir estratégias de resistência às medidas do governo Temer, como as novas regras do mercado de trabalho, que impactam ainda mais diretamente os jovens. 

Nesta quarta (29), dia da programação cultural do evento, o Ocupa CUT terá as apresentações das cantora Ana Cañas, Preta Rara e o grupo Slam das Minas. Ana Cañas dividirá o palco com ex-prefeito Fernando Haddad, agora no “cargo” de guitarrista. 

Antes dos shows, ocorre o debate “Me Explica: O que a reforma trabalhista muda na minha vida”. A secretária nacional da Juventude da CUT, Edjane Rodrigues, lembra que são os mais jovens os mais afetados pela atual onda de desemprego. Em entrevista à Rádio Brasil Atual, ela cita estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que prevê que, até o final de 2017, 30% da juventude estará desempregada no Brasil.

Segundo ela, frente a esse desânimo, é função das organizações de juventude promoverem o resgate da esperança, mas isso só vai ocorrer “a partir do momento em que a juventude comece a perceber a importância do movimento sindical na sua vida. O caminho inverso também é válido, acrescenta, pois os sindicatos também precisam entender o que pensa a juventude. 

O ato-show Juventude em Defesa dos Direitos ocorre nesta quarta (29), a partir das 18h, na Casa Baixo Augusta, que fica no cruzamento da Rua da Consolação com a Rua Rego de Freitas, região central de São Paulo. 

Ocupa CUT juventude

Ouça a entrevista

NOCAUTE: “NINGUÉM ESTÁ OLHANDO” MOSTRA A FRUSTRAÇÃO NA TERRA DAS OPORTUNIDADES

Novembro 29, 2017

Longa conta a história de um ator argentino que vai a Nova York para tentar dar um salto na vida profissional

 

Estreou na última quinta-feira, 23 de novembro, “Ninguém está olhando”, da diretora argentina Julia Solomonoff, e co-produzido pela brasileira Lucia Murat. O filme conta a história do Nico, um ator interpretado pelo Guillermo Pfening, que vai a Nova York em busca de oportunidades.

Ele é um ator com um certo prestígio na Argentina e ele quer dar um salto na carreira, e vai para a Nova York. Só que o que acontece não é exatamente um salto. Ele aguarda um projeto deslanchar, ele circula pela cidade enquanto ele espera. Ele já tem o convite, mas o projeto não anda, depende de investidores, tem algumas restrições. Enquanto isso, ele precisa dar os pulos dele.

A ideia é mostrar um pouco como, para além daquela ideia de glamourização dos atores, quando eles vão para Nova York, até a glamourização de Nova York, mostra os perrengues pelos quais as pessoas passam, sobretudo quando elas vêm de países periféricos.

É um ator que precisa fazer alguns bicos, ele trabalha de garçom à noite, ele mora de favor na casa de uma amiga, alguma um apartamento no airbnb, depois ele vai para outro lugar. Enfim, ele vive uma rotina inconstante enquanto esse projeto não deslancha. E ele começa a trabalhar também como babá de uma amiga íntima que se casou em Nova York. Ele começa a cuidar do filho dessa. E mostra também uma relação de exploração quando a pessoa está em baixa, quando ela não tem ainda dinheiro suficiente como ator, um ator reconhecido internacionalmente, aí as pessoas vão abusando dele.

Veem que ele está disponível e mandam ele fazer uns pequenos favores. Tem uma tensão entre ele e o marido dessa amiga, que trata ele como se fosse um sujeito que está em baixa, para explorá-lo. Vai mostrando esse desencanto com a terra de oportunidades que ele foi buscar em Nova York, que não é tão de oportunidades assim.

O filme é com alguns outros trabalhos que se passam na cidade. Por exemplo, a gente lembra do Francis Ha, que também é um filme recente, feito em NY, filmado em preto e branco, mas que mostra como nessa terra de sonhos, os sonhos precisam ser encaixados numa outra realidade. Essa terra onde cabe tanta coisa, às vezes o sonho não está bem adaptado ali e precisa sofrer alguns ajustes. A gente não vai conseguir fazer exatamente o projeto que tínhamos em mente, a gente vai ter que se contentar fazendo outros tipos de trabalho, como era o caso da personagem do Francis Ha.

Outro filme que também ecoa é o Helena, da Petra Costa, que inclusive aparece nesse filme. Não é por acaso. Ela conta, no Helena, a história de uma irmã que foi fazer a vida em NY e não deu certo. O drama de uma irmã que acaba cometendo suicídio – e isso não é um spoiler, é falado desde o início do filme. Então mostra as angústias de um ator em busca do seu espaço.

E num momento que a gente fala tanto em assédio e na correlação de forças entre essa mão de obra, a dependência dos produtores, dos chefões dos grandes empreendimentos. A gente não está falando de Hollywood exatamente, mas de NY, que é uma cena mais alternativa, mas ele tem um encontro com uma produtora e a gente já tem um indício de como as relações pessoais acabam passando na frente do talento e esforço. Tem outras variáveis que entram em campo quando as pessoas estão em busca de espaço num meio assim.

E tem a relação com o produtor de uma novela com quem ele trabalhava na Argentina. E a partir da relação com esse produtor, que é descrito como um canalha, em determinado momento do filme, e a gente não entende muito o porquê. Aí o filme começa a desvendar essa relação.

A gente começa a se questionar também: de que maneira, quando a gente vai em busca de alguma coisa em um lugar que não seja a nossa casa, onde já existe uma zona de conforto, de que maneira a gente não está fugindo também? Ele está em busca de alguma coisa, a gente não sabe exatamente qual é o sonho dele, a gente não vê ele atuar em nenhuma momento. É um ator interpretando um ator que não atua e ao mesmo tempo a gente não sabe do que ele está fugindo.

Temos todo filme para tentar juntar essas elipses para fazer construir qual é a desse personagem, que é errático, vai perdendo a paciência ao mesmo tempo que ele parece muito seguro do que ele quer, muito orgulhoso. Ele acaba criando algumas narrativas quando ele avisa os amigos dele que permanecem na Argentina, colegas atores. Ele inventa histórias de que ele se deu bem, deslanchou. E não é bem assim, ele está ralando muito mais do que colhendo louros na profissão que ele sempre associou a um glamour, mas que tem uma série de peneiras que são necessárias atravessar, ou não necessariamente quando a gente pensa nessa relação com os grandes chefes, produtores.

Essa relação que a gente têm visto no noticiário não é sempre que funciona de maneira adequada, com o profissionalismo e distanciamento adequados. Então é um filme que estreou na última quinta-feira e é a minha dica dessa semana. Espero que vocês gostem. Um abraço e até semana que vem.

LEVANTES E LUTAS: AS MANIFESTAÇÕES POPULARES REPRESENTADAS PELAS ARTES

Novembro 28, 2017
Exposição transdisciplinar leva ao Sesc Pinheiros as emoções coletivas presentes nos atos populares, políticos e engajados nas transformações sociais, revoltas e revoluções
por Redação RBA.
 
                                   EDUARDO GIL/DIVULGAÇÃO

Protesto

‘Crianças desaparecidas. Segunda Marcha da Resistência’, de Eduardo Gil, faz parte do eixo Desejos na exposição

A insurgência como expressão artística e social é tema da exposição Levantes, que fica em cartaz até 28 de janeiro de 2018 na sede do Sesc Pinheiros, na zona oeste da capital paulista. Idealizada e organizada pelo instituto cultural parisiense Jeu de Paume, a mostra apresenta cerca de 200 obras que representam as mais diferentes formas de levantes, manifestações populares, atos políticos e/ou engajados na transformação social.

Instalações, pinturas, fotografias, vídeos, filmes contemporâneos e documentos fazem parte da exibição itinerante que tem curadoria do historiador de arte e filósofo francês Georges Didi-Huberman. Trata-se de uma mostra transdisciplinar que tem a intenção de fazer com que o público reflita sobre as manifestações populares por meio da arte sob o ponto de vista das emoções coletivas.

Há reproduções de fotografias de Marcel Duchamp, Man Ray, Cartier Bresson e Gilles Caron, textos do filósofo e psicólogo Michel Foucault, dos poetas Baudelaire e André Breton, instalações da fotógrafa e artista multimídia Lorna Simpson, a poesia dos Manifestos Pau-Brasil e Antropofágico de Oswald de Andrade e do movimento dos parangolés de Hélio Oiticica, entre outras obras.

'Beaubien Street', foto de Ken Hamblin, feita em 1971A visitação é dividida em cinco eixos: elementos, gestos, palavras, conflitos e desejos, quedemonstram ao espectador as “múltiplas maneiras de transformar quietude em movimento, submissão em revolta, renúncia em alegria expansiva”. O eixo elemento reflete sobre o exercício da imaginação como sendo o princípio dos levantes. Gestos traz a mudança da prostração que até então mantinha as pessoas submissas para a primeira ação deste processo de esperança e resistência que é o levantar-se.

Palavras resgata as exclamações do cantar, do pensar, do discutir, imprimir e transmitir, afinal, quanto de poesia não há nos panfletos e folhetos das manifestações populares? Na sessão que aborda os Conflitos, há a insurgência inflamada pelo desejo de ser livre e de viver melhor em sociedade. E aqui entra o poder da repressão que vitima e vitimou milhares de pessoas na história da humanidade.

O último eixo reflete sobre o desejo e a forma que ele sobrevive ao poder. “Mesmo quem sabe estar condenado – nos campos de concentração, nas prisões – busca meios de transmitir um depoimento, um apelo. Foi o que Joan Miró quis mostrar numa série intitulada L’Espoir du condamné à mort [do francês, A Esperança do Condenado à Morte], em homenagem ao estudante anarquista Salvador Puig Antich, executado pelo regime franquista em 1974”.

Uma das condições que o curador colocou para as instituições que recebem Levantes é que sejam adicionados temas locais a cada cidade por onde a exposição passa. No Brasil, Didi-Huberman pediu que fosse incluída uma série de conteúdos que enfatizassem a escravidão, a negritude e a pobreza, temas que estão representados em obras do fotógrafo Sebastião Salgado, do pintor Hélio Oiticica e do escritor modernista Oswald de Andrade.

Levantes
Quando: até 28/01/2018
De terça a sexta-feira, das 10h30 às 21h30; sábados, das 10h30 às 21h; e domingos e feriados, das 10h30 às 18h30
Onde: Espaço expositivo do Sesc Pinheiros, no 2° andar
Rua Paes Leme, 195, São Paulo (SP)
Quanto: grátis
Classificação etária: livre
Mais informações: (11) 3095-9400 e no site do Sesc

DOCUMENTÁRIO – EM NOME DA INOCÊNCIA: JUSTIÇA

Novembro 27, 2017

LIRINHA: “CENSURA ESTÁ VIVA COMO FERRAMENTA DE DOMINAÇÃO”

Novembro 27, 2017

Cantor falou sobre sua aproximação com o MST e a importância da arte em tempos de golpe

Marcos Barbosa*

Brasil de Fato | Natal (RN)

Em carreira solo desde 2010, o artista segue com sua arte, poesia e música aliada à militância política. - Créditos: Levante Popular da Juventude - RN
Em carreira solo desde 2010, o artista segue com sua arte, poesia e música aliada à militância política. / Levante Popular da Juventude – RN

O Brasil de Fato Pernambuco entrevistou o artista pernambucano José Paes de Lira Filho, o Lirinha, durante sua participação na 1ª Feira de Produtos da Reforma Agrária do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Rio Grande do Norte, no mês de setembro. Lirinha é natural de Arcoverde, no Sertão de Pernambuco, e é conhecido por sua diversidade artística: é cantor, poeta, ator e compositor. Foi no grupo Cordel do Fogo Encantado que se tornou mais conhecido nacionalmente, mas desde criança expressa sua veia artística através da poesia.

Em carreira solo desde 2010, o artista segue com sua arte, poesia e música aliada à militância política. Na conversa, ele falou sobre como se deu aproximação com o MST e seu encantamento ao conhecer as ações do movimento. Também sobre a importância da luta, principalmente nos dias atuais pós-golpe. E da importância da arte para o fortalecimento dessa luta, alertando para as censuras vividas nos últimos tempos contra artistas de diversas áreas.

Brasil de Fato – Como se deu sua relação com o MST e como faz da música com militância?

Lirinha – Conheci o MST foi na cidade em que nasci, Arcoverde. Foi uma grande surpresa conhecer aquele espaço tão diferente das outras reuniões na minha cidade. O dia foi inesquecível! Fui levado por Lula Calixto, que dava aulas de samba de coco na escola do assentamento Pedra Vermelha, do MST, um assentamento muito antigo já fruto da histórica luta em Pernambuco pela reforma agrária. E ao chegar na sala de aula, todas as crianças estavam com mamulengo [bonecos] tendo aula de português.

A professora era incrível, ela que tinha convidado Lula Calixto para dar aula sobre samba de coco, sobre a história daquele lugar, porque as músicas do samba de coco de Arcoverde, o Raízes de Arcoverde, trazem esses elementos da formação daquela região. Me encantei, e por isso, nunca mais perdi o contato, a relação. Ela se intensificou de dois anos para cá, quando comecei a participar de encontros, de debates, palestras e feiras organizadas pelo MST. Me identifico, acredito que tudo que sonho de melhoras pro país que vivo passa pelas demandas e pelos sonhos do Movimento Sem Terra.

BdF – De que forma sua relação com o cordel inspirou tua formação como artista?

Lirinha – O contato com a poesia dos violeiros e repentistas foi muito forte pra mim. Foi determinante porque a minha família, meus avós, gostavam muito e realizavam encontros de cantoria. Então desde os nove anos já estava começando as primeiras apresentações. Não sei o que me levou a decorar as poesias, qual foi o incentivo exatamente, porque me diferenciei nesse momento dos meus amigos da mesma idade, mas isso aconteceu e eu não consegui mais ser algo sem esses elementos. Hoje me sinto mais. Adquiro uma consciência responsável de ser guardião de segredos surpreendentes.

BdF – Quais os maiores desafios para os artistas nesse momento político que estamos vivendo?

Lirinha – Um momento que exige conhecimento histórico nosso, e quando ele não está disponível precisamos descobrir e investigar, porque a censura ela não morre com o fim da ditadura militar. Ela se transforma, ganha outros elementos e agora ela mostra sua força e o quanto está viva como ferramenta de dominação. Não devemos esquecer Gregório Bezerra ou de Graciliano Ramos, por exemplo, que foi preso quase por dois anos sem ter sido apresentado prova alguma contra ele, fruto do conteúdo de formação artística.

Então, somos descendentes dessas injustiças, estamos nos deparando com essas elas e acho que é se fortalecer para lutar. Saber que as coisas podem tomar rumos mais difíceis ainda, dessa censura ser mais estabelecida e até de uma forma aberta, por conta do apoio dos meios de comunicação a esse golpe que sofremos. Eu sinto que as grandes lideranças indígenas, as lideranças da luta pela reforma agrária nunca foram abandonadas pela censura. Talvez em nosso momento artístico é que temos pensado que ela não existisse, mas está aí.

*Colaborou Catarina de Angola

Edição: Monyse Ravena

OUSADO, ROMANCE LANÇA CAPITU NO CENTRO DA RESOLUÇÃO DO ENIGMA POLICIAL

Novembro 26, 2017
MACHADIANO
Com sua narrativa policial em O Legado de Capitu, sua nova obra, Flávio Aguiar dá ao casmurrento Bento Santiago um enigma a ser decifrado. E ao leitor, uma leitura rápida, voraz e difícil de largar
por Por Marina Ruivo publicado 26/11/2017 12h18, última modificação 26/11/2017 12h23
 
REPRODUÇÃO

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No livro, Aguiar apresenta um rocambolesco mistério envolvendo crime, política e maçonaria. Só um especialista em Machado de Assis pode desvendar

Muitos são os que se voltaram e continuam se voltando a esta personagem e a seus famosos olhos de ressaca, bem como às questões cruciais envolvidas em Dom Casmurro, de que se destacam a suspeita de traição e o fato de a história ser contada por apenas um dos envolvidos, o Casmurro do título, recordando-se de sua juventude e de seu amor por Capitu. Como sabemos, é só através do olhar dele que conhecemos Maria Capitolina.

Em seu mais novo romance, O legado de Capitu (Boitempo/e-galáxia, 2017), o escritor Flávio Aguiar retoma a personagem de forma ousada e corajosa, com a segurança de quem tem um conhecimento verdadeiramente enciclopédico e sabe bem o que fazer com ele. Considero sua retomada ousada porque lança Capitu no centro da resolução do enigma de uma narrativa policial – o que, em princípio, nos colocaria para bem longe do romance machadiano. Mas só em princípio, já que o próprio romance de Aguiar nos traz uma chave importante nessa direção, ao mencionar o crítico norte-americano Peter Brooks e sua concepção de que toda boa narrativa traz, em verdade, uma história por debaixo daquela que aparentemente é contada, e de que, em consequência, uma das funções do leitor é desvelar essa história que está por baixo, encoberta.
 
A narrativa policial estaria assim no cerne da ficção, o que significa que até mesmo Dom Casmurro traz algo do gênero policial, e que nós como leitores somos desafiados a deslindar a história que estaria por detrás de tudo que Bentinho confessa em seu texto. O então casmurrento Bento Santiago procura inclusive, com sua narração, decifrar um enigma, mas tudo o que consegue é jogá-lo para nós, em virtude de sua incapacidade de decifrá-lo por completo e em definitivo, para alcançar a paz que desejaria para sua velhice.
 
E paz na velhice é tudo o que o protagonista do romance de Flávio Aguiar não deseja. Ao contrário, se em alguns momentos ele até se identifica ao velho Santiago, sabe que não é casmurro e que não quer reconstruir sua juventude para ocupar o lugar de uma vida vazia, e isso muito embora tencione buscar, na atual Berlim do século XXI, a Berlim libertária dos anos 1970. Tudo o que ele vai ter, contudo, vai ser o oposto da rememoração incessante de seu passado, pois repentinamente se vê mergulhado num presente repleto de ação e perigos, em que sua vida é colocada em risco. Ele é lançado (ou, melhor dizendo, deixa-se ser lançado) como isca no centro de uma investigação cuja finalidade é desbaratar uma quadrilha internacional que mexe com tudo que é ruim: tráfico de drogas e de pessoas, evasão fiscal, crimes disso e daquilo e que, para completar, é envolvida com neonazistas e provavelmente com velhos sobreviventes do nazismo.
 
A quadrilha, procurada por uma equipe policial de vários países, tem um braço que age no Brasil, através do deputado federal Júlio Cina. Por intermédio desse braço brasileiro, o autor consegue levar a narrativa, que já articulava o presente histórico alemão com seu passado ainda ardente e complexo, a articular-se com o presente histórico brasileiro – contemporâneo em sentido estrito, tendo em vista que O legado de Capitu, que foi lançado no início deste nosso ano de 2017, se passa na sequência da reeleição de Dilma, quando a oposição questionava a validade da eleição e começava a arreganhar seus dentes. É a esse cenário que somos transportados também, o que não deixa de fazer com que o livro, ao falar de nosso passado recentíssimo, fale muito do que estamos vivendo agora, já depois da presidenta deposta.
 
Mas e onde entra Capitu? Entra porque em meio a tudo isso há um mistério a se decifrar, de cuja solução depende a vida de uma pessoa, um ex-aluno do professor Edmundo Wolf – que é o nome de nosso protagonista. Esse aluno, Arruda, é um jornalista contratado pelo senador Reginaldo Ribeiro com a missão de decifrar duas mortes ligadas à família do senador. Primeiro a da mãe dele, muitos anos antes do presente da narrativa, uma morte violenta e nunca solucionada. Pouco tempo depois do crime, foi a vez do pai dele se suicidar, num suicídio nunca muito bem compreendido. O senador gostaria de ver finalmente explicadas essas mortes, especialmente porque estava sendo ameaçado pelo deputado Cina – membro do seu partido, mas de tendência rival –, que o chantageava com supostas revelações que manchariam a reputação do senador e impediriam seus planos de se eleger vice-presidente ou mesmo presidente do País.
 
O jornalista Arruda, ex-aluno de Wolf, fora contratado com essa tarefa de investigação, tendo partido para a Porto Alegre natal dos dois políticos. Mas, ao voltar para Brasília, simplesmente desaparecera, pouco depois de haver combinado por telefone uma reunião com o senador. As suspeitas recaíam todas sobre o deputado, mas ninguém sabia onde o jornalista estaria, nem mesmo se ele ainda estaria vivo. Não era possível acionar nenhuma das polícias, por conta das sabidas infiltrações existentes nelas, divididas em várias tendências e facções e seus correspondentes múltiplos interesses.
 
Quem foi então recrutado para decifrar o enigma? O professor Wolf. Afinal, Arruda deixou um recado secreto, antes de desaparecer, direcionado a seu antigo professor. Um recado que envolve Capitu, ou o que Arruda chama de “O legado de Capitu”. É da solução dessa charada – e Arruda trabalha como charadista para vários jornais internacionais – que depende a vida de seu ex-aluno, bem como a descoberta do mistério envolvido naquelas mortes, além da desmontagem e prisão da quadrilha internacional, que possuía um de seus líderes máximos morando no prédio do professor, em Berlim.
 
O professor Wolf, portanto, está no centro dos episódios, sendo de se destacar que, construindo-se como um romance policial, O legado de Capitu não criou um tipo de personagem que é tão usual nessa ficção, o detetive ou investigador. O que temos é um professor universitário especialista em romances policiais, já aposentado, e que, com seus conhecimentos literários, pode solucionar o enigma e salvar a vida de um antigo aluno. Essa escolha de Flávio me pareceu não só original, como perfeita. Afinal, o que seria melhor, ao escrever um romance policial que dialoga com uma das maiores obras de nossa literatura, e com uma de suas personagens mais enigmáticas, do que um personagem que é um crítico literário, ou seja, um especialista em literatura, e que terá de resolver tudo com seus conhecimentos sobre a matéria? Jogada de mestre.
 Claro que Wolf terá ajuda. E essa ajuda parte dos lugares mais inesperados também. A começar pela figura que lhe traz todo o problema: Aroeira, um antigo policial que jogou bola com Wolf na juventude de ambos, em Porto Alegre, sob a batuta de outro professor de literatura, o Paco, militante das esquerdas como quase todos que se reuniam em volta da bola no campinho atrás do colégio Júlio de Castilhos. Mas, misteriosamente, Paco havia aceitado a presença de Aroeira e de vários outros policias para jogar no time contrário, e isso em tempos de ditadura militar. Agora, Aroeira ressurge dizendo-se agente da Abin, nossa agência de inteligência que sucedeu ao SNI. Ou seja, apesar desse agente ter o nome de uma canção de Geraldo Vandré que fala de luta do povo contra os patrões, Aroeira esteve desde sempre do outro lado. Mas será que os lados são tão nítidos assim?
 
Mais do que a ajuda de Aroeira, que é quem lhe põe na roda da confusão, Wolf terá o auxílio da polícia alemã (também com suas várias rixas internas, originadas ainda da antiga divisão entre Alemanha Ocidental e Oriental) e de mais várias polícias e órgãos de inteligência internacionais – um auxílio que às vezes semelha ser justamente o oposto disso. Mas, dentre esses homens todos, uma boa surpresa para Wolf: uma linda mulher, Zuleika, que se apaixona por ele (e vice-versa) e que não era exatamente membro de nenhum daqueles serviços secretos, mas apenas uma tradutora e ex-professora de português para estrangeiros. Alguém, em consequência, do universo da linguagem.
 
Wolf terá ainda uma ajuda fundamental, vinda de um grande amigo, Tarciso, o poeta e tradutor que não optou pela carreira acadêmica e que escolheu quase nunca sair de sua Porto Alegre, em oposição ao viajante Wolf. O professor o compara ao irmão mais velho de Sherlock Holmes, que era quem o famoso detetive considerava como o gênio verdadeiro da família, Mycroft Holmes. É não só nos conhecimentos de literatura de Tarciso que Wolf confia, mas sobretudo em sua capacidade de compreensão e interpretação.
 
Temos ainda no romance outro ingrediente: o protagonista não tem o nome de seu autor, mas tem seu sobrenome do meio, o incomum Wolf. E o prenome do protagonista é nada mais que Edmundo, como o de Edmond Dantès, o famoso conde de Monte Cristo. E, como seu inspirador, vê-se no meio de aventuras por diversos territórios, passando por Berlim, São Paulo, Brasília, Porto Alegre e Paris. Edmundo é de Porto Alegre, como Flávio, mora em Berlim, como Flávio, mas pela segunda vez, pois se exilou lá durante a ditadura, em contraposição a Flávio, que ficou no Brasil, ainda que, como seu criador, não tenha participado da luta armada. Diferentemente do escritor, porém, Edmundo era especialista em romances policiais.

No entanto tinha um colega na mesma universidade que Flávio lecionou por anos, a USP, e este colega sim era especializado em literatura brasileira como o autor. Seu nome? Flávio Aguiar. É apenas um personagem mencionado no romance, mas que compõe esse jogo de espelhos presente em O legado de Capitu, em que uma coisa espelha a outra sem que se consiga direito saber a resposta. Se é que ela há, ou se é que é possível chegar até ela. Em nossa realidade política, por exemplo, há alguma verdade definitiva? Há alguma resolução de nossos enigmas? Flávio fala de nosso destino como povo, como nação, interrogando, por meio de um intricado jogo de suspense e mistério, quem somos e como tudo é tão fluido em nossa realidade.
 
O romance se encerra (quase) como um happy end, como é parte da convenção do gênero policial, mas há um indício de enigma que não se resolve e que será retomado pelo autor, como dizem as suas palavras finais: “Continua no próximo romance”. Excelente para nós, que terminamos o livro querendo mesmo muito mais. Como boa narrativa policial que é, O legado de Capitu faz que não queiramos largar de suas páginas virtuais, lendo as suas três partes numa rapidez devoradora. E faz ainda que se instaure aquela espécie de segunda percepção diante da realidade que a boa ficção de mistério traz, aquela que faz que desconfiemos de nossa realidade, nos múltiplos sentidos dessa palavra, e sintamos certo receio de qualquer estalido leve na calada da noite. Confesso que em alguns momentos optei por acender as luzes de casa.
 
Marina Ruivo é doutora e mestre em Letras pela USP, professora do Centro de Estudos Latino-Americanos da USP e autora de Geração armada: literatura e resistência em Angola e no Brasil (Alameda, 2015).

‘JORNADA AFRICANIAS’: HERANÇA AFRICANA NA MÚSICA ERUDITA BRASILEIRA

Novembro 25, 2017
CONSCIÊNCIA NEGRA
Na UFRJ, professores e pesquisadores mostram que diversos gêneros de música brasileira são legados da cultura negra
por Redação RBA.
 
REPRODUÇÃO/TVT

Evento foi realizado na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

São Paulo – Na semana da Consciência Negra, uma jornada musical para mostrar que a ligação entre Brasil e África também influenciou a música erudita. Esse foi o objetivo da primeira Jornada Africanias, realizada na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizada entre terça (21) e quinta-feira (23).

Professores e pesquisadores de diversas partes do país se reuniram para debater esse legado. Segundo eles, tal herança pode ser percebida na obra dos principais compositores clássicos brasileiros. “Waldemar Henrique, Lorenzo Fernández, Francisco Mignone e Luciano Gallet. Eu acho mais fácil você me dizer um nome e eu te dizer se tem, ou não esse legado. Todos, de alguma forma, utilizaram elementos que não foram trazidos por povos europeus, mas por povos africanos”, explica Andrea Adour, pesquisadora da instituição, em entrevista à repórter Viviane Nascimento, da TVT.

O encontro propõe a compreensão da presença africana em diversos gêneros de música brasileira, especialmente a música tradicional de concerto. “A história do nosso país que até hoje invisibiliza a presença dos povos africanos, das mais variadas formas. É muito importante o grupo Africanias essa presença num campo em que as pessoas procuram desconsiderar”, acrescenta Andrea.

O evento também discutiu a ocupação pelo povo negro de espaços elitizados, como as salas de concerto. “Aqui no brasil tem uma primazia mais das brancas, mas eu acho que está surgindo boas cantoras líricas negras também”, diz a cantora Ana Lia Alves.

desvalorização da cultura negra se dá pela falta de debate dentro das salas de aula. Para Caroline Jango, pedagoga do Instituto Federal de São Paulo, é essencial inserir a diversidade cultural do povo africano no currículo escolar. “Foi um conhecimento historicamente apagado e negligenciado. Temos 50% da população negra e a história não foi contada. Ou seja, para valorizar a diversidade étnico racial que compõem a nossa população, eu preciso que todos os segmentos tenham a sua representatividade”, afirma.

“A gente pensar numa educação antiracista tem a ver com o enfrentamento a discriminação racial, um outro elemento é a questão do currículo e do conhecimento. Eu não aprendo a valorizar aquilo que eu não conheço, eu só consigo respeitar e valorizar aquilo que eu conheço”, acrescenta a pedagoga.

Assista à reportagem: