Debate sobre O Capital celebra atualidade e força da obra de Marx

Junho 9, 2017

Entre os anos 1956 e 1964, um grupo de jovens professores universitários se reuniu para estudar a obra de Karl Marx, estes encontros ficaram conhecidos à época como Seminários Marx. Agora, mais de 50 anos depois, três destes já não tão jovens professores, se reuniram novamente, durante a 3º edição do Salão do Livro Político, em São Paulo, para celebrar a obra do filósofo alemão e debater a atualidade do Capital.

Por Mariana Serafini

A noite desta terça-feira (6), foi de celebração à obra de Marx durante o Salão do Livro Poítico, realizado na PUC-SP, na capital paulista. O painel “Nós que amávamos tanto O Capital” reuniu os professores José Arthur Giannotti, João Quartim de Moraes e Roberto Schwarz, com a mediação de Lidiane Rodrigues Soares, para debater a atualidade da máxima obra do filósofo alemão, O Capital.

O filósofo e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), João Quartim, destacou a permanência do marxismo como movimento de ideias que se mantém atual graças ao caráter duplo da obra: por um lado se propõe a emancipar a humanidade, e por outro pretende ser fundamento na lógica objetiva da evolução social.

“A força do marxismo não é apenas este movimento de emancipação adotado desde a origem por uma fração importante do movimento operário internacional, mas também o fato de remeter a um projeto político de emancipação universal da humanidade”, afirmou.

Arthur Giannotti, por sua vez, fez questão de relembrar o período em que o grupo se reuniu pela primeira vez e esclareceu os motivos que levaram estes jovens intelectuais a buscar respostas para o Brasil no marxismo. “Quando nós começamos a estudar Marx era basicamente para estudar um autor que nos desse ferramentas para entender a atualidade. Era um grupo basicamente universitário tentando entender a modernidade brasileira [no final da década de 50]”.

Passados mais de 50 anos da dispersão do grupo, Giannotti ressaltou que a leitura de O Capital é crítica. O intelectual acredita que sempre que houve supressão forçada da propriedade privada, característica que fundamentaria o capitalismo, criaram-se problemas sérios.

Já o crítico literário e professor de teoria literária Roberto Schwartz, falou sobre a configuração e a importância dos Seminários Marx para a consolidação do marxismo na academia brasileira, bem como as rupturas que ele implicou. Segundo ele, à época, os professores da USP reunidos no seminário entenderam que a realidade brasileira não cabia no marxismo, mas obrigava a teoria a se reformular, rompendo sua crosta dogmática.

O nome do painel é inspirado na obra homônima lançada recentemente pela editora Boitempo. Trata-se de uma coletânea de artigos dos três participantes da mesa, além do cientista político Emir Sader, cujo objetivo é retomar os estudos de meio século e refletir sobre a atualidade do tema.

O Salão do Livro Político começou na segunda-feira (5) e segue até a quinta-feira (8) com palestras, debates e exposições sobre diversos temas, entre eles o marxismo, a Revolução Russa, feminismo e a questão dos refugiados e dos povos indígenas. A programação completa pode ser conferida no site oficial do evento.

‘Nunca me sonharam’ expõe realidades e utopias de alunos no ensino médio do país

Junho 8, 2017

Documentário de Cacau Rhoden registra depoimentos de alunos de escolas públicas das cincos regiões do Brasil. “A sociedade precisa ouvir os jovens. Disso depende o futuro do país”, diz o diretor.

por Xandra Stefanel

“Como meus pais não foram bem sucedidos na vida, eles também não me influenciavam, não me davam força para estudar. Achavam que quem entrava na universidade era filho de rico. Acho que eles não acreditavam que o pobre também pudesse ter conhecimento, que pudesse ser inteligente. Para eles, o máximo era terminar o ensino médio e arrumar um emprego: trabalhador de roça, vendedor, alguma coisa desse tipo. Acho que nunca me sonharam sendo um psicólogo, nunca me sonharam sendo professor, nunca me sonharam sendo um médico, não me sonharam. Eles não sonhavam e nunca me ensinaram a sonhar. Tô aprendendo a sonhar.”

A declaração do estudante Felipe Lima dá nome e sintetiza bem o espírito do documentário Nunca Me Sonharam, longa-metragem de Cacau Rhoden, que estreia nesta quinta-feira (8) em circuito comercial em São Paulo e Rio de Janeiro, com sessões grátis no primeiro final de semana. Nas cidades onde ele não estiver em cartaz nos cinemas, ele estará disponível para exibições públicas gratuitas no Videocamp, uma plataforma de distribuição online de filmes de interesse social.

Enquanto o primeiro documentário de longa-metragem de Cacau Rhoden tratava sobre a importância das brincadeiras infantis para a formação social, intelectual e afetiva (Tarja Branca – A Revolução que Faltava), Nunca Me Sonharam se volta com a mesma sensibilidade para o universo dos adolescentes. Desta vez, o diretor se debruça sobre os desafios do presente, as expectativas para o futuro e os sonhos de quem vive a realidade do ensino médio nas escolas públicas brasileiras.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad-IBGE, 2015), 82% das crianças e jovens até 19 anos que estão estudando no Brasil são atendidos pela escola pública e 1,6 milhão de adolescentes de 15 a 17 anos estão fora das salas de aula. O filme traz histórias de alunos que tiveram de abandonar os estudos para trabalhar, de estudantes que deixaram as salas de aula por se sentirem incapazes de acompanhar o desenvolvimento dos outros colegas, de jovens que simplesmente não entendem como o que eles aprendem na escola pode lhes ser útil para a vida e para conseguirem um lugar ao sol… Mas o filme vai muito além disso.

A primeira parte do documentário mostra como a castração dos sonhos geralmente é cruel, daí o panorama desanimador porém realista constatado hoje em dia no sistema público de educação. Nisso, pode até não haver novidade. O que surpreende, no entanto, é que aos poucos, sem que seja óbvio, o filme vai se transformando em uma agradável e realista proposição de como é possível mudar este cenário educacional brasileiro.

Gestores, professores e especialistas dão depoimentos muito precisos, mas são sobretudo os alunos que mostram que têm voz e iniciativa para promover mudanças, basta que suas ideias e opiniões sejam ouvidas e levadas em consideração. Nunca me Sonharam reflete sobre o valor da educação, mostra que é preciso deixar os jovens sonharem e que os sonhos deles podem, sim, fazer do Brasil um país menos desigual.

“Para a juventude mais vulnerável, menos favorecida, a infância se encurta: você brinca menos, você está assediado pela iminência de trabalhar mais cedo, você tem uma relação com a aprendizagem e com a educação que é fortemente instrumental, ou seja, aprender uma atividade ou um ofício para a profissão, aprender a versão mais simples das coisas, aprender sem ambicionar muito. Essa compressão da adolescência e da infância produz o que me parece ser a principal sequela psicológica, que é o encurtamento dos sonhos. Isso é pior do que oferecer oportunidades reais não equitativas. Isso é matar o futuro”, aponta o psicanalista Christian Dunker.

Longa mostra juventude preocupada com o futuro, ávida para estabelecer diálogo com instituições educacionais

Sonhar no coletivo

“É muito sonho, muita ideia e pouca gente escutando para realizar”, declara o diretor teatral, escritor e cineasta Marcus Faustini. O que Cacau Rhoden faz neste filme é exatamente isso: escutar o que os jovens têm a dizer sobre o que esperam da vida e do mundo. E em suas andanças pelo Brasil, o diretor encontrou uma juventude interessada e preocupada com o futuro, ávida para estabelecer diálogo e aproximação com as instituições educacionais.

“Ao começar a desenvolver o filme, fui investigar em que condições se dá o ensino médio nas escolas públicas do Brasil e porque os jovens estão abandonando a escola. Os obstáculos que os estudantes enfrentam no convívio em sociedade impactam diretamente não só suas vidas particulares, mas a escola e a educação como um todo, o que gera um ciclo vicioso. Ao dar voz aos jovens, percebemos que, apesar de todas as adversidades enfrentadas, eles estão se autoproclamando protagonistas de seus caminhos, da sua educação, em busca de seus sonhos”, declara o diretor.

Em tempos de tanta desesperança nas ruas, Nunca Me Sonharam chega a ser um bálsamo para aqueles que andam descrentes quanto ao futuro do país. Assim como o documentário Resistência, de Eliza Capai (também disponível no Videocamp), este filme evidencia que aqui, bem debaixo dos nossos olhos, vivem e lutam juventudes que querem um futuro mais gentil com todos, independentemente de classe social, raça ou orientação sexual.

“Este jovem, eu acho que ele pode reinventar algo além. Ele está livre para poder inventar a sua narrativa, para andar pela cidade e para inventar um lugar. Deixem os jovens inventarem o mundo!”, reivindica Marcus Faustini. E a “reinvenção” do mundo pode começar pela escola. Como diz a professora, mestre em Educação e secretária de Educação de Minas Gerais, Macaé Evaristo, se “mesmo a escola mais chata salva milhares de vidas no nosso país”, imagine as transformações que um sistema educacional público mais eficiente e inclusivo não seria capaz…

Assim como as iniciativas mostradas no filme, Nunca Me Sonharam parece ser uma semente de um sonho que é bastante possível. Afinal, utopia não é um conceito ligado ao impossível, mas sim ao idealizado. “Eu gostaria que isso fosse um incentivo para toda a sociedade repensar a escola pública, para que a educação, efetivamente, possa formar cidadãos preparados para fazer um país mais justo, menos desigual, onde as pessoas possam sonhar e realmente ter oportunidades”, declara Cacau Rhoden.

CartazNunca Me Sonharam
Produtora:
Maria Farinha Filmes

Direção: Cacau Rhoden
Produzido por: Marcos Nis, Estela Renner e Luana Lobo
Produção executiva: Juliana Borges
Roteiro: Tetê Cartaxo, André Fino e Cacau Rhoden
Argumento: Tiago Borba, Ricardo Henriques e Cacau Rhoden
Direção de fotografia: Janice D’Avila e Carlos Firmino 
Montagem: André Fino 
Música: Conrado Goys
Desenho de som: Beto Ferraz
Coordenação de pós-produção: Geisa França 
Produção: Renata Romeu 
Assistência de direção: Camila Gentile 
Estratégia de distribuição: Luana Lobo e Marcos Nis
Distribuição: Maria Farinha Filmes e Videocamp

Apresentado por: Instituto Unibanco

Não nasci rodeada de livros, mas de palavras, conta Conceição Evaristo

Junho 6, 2017

Uma escritora negra de 70 anos, Conceição Evaristo, autora de livros de crítica social e com forte apelo à ancestralidade como: “Becos da Memória”, “Ponciá Vicêncio” e “Insubmissas Lágrimas de Mulheres”. Apesar da qualidade da obra, a mineira só ganhou reconhecimento depois dos 44 anos.

Por Norma Odara

Conceição relembra que cresceu num espaço de “miserabilidade”, onde é uma grande coisa. Ela conta com uma infância penosa não é tratada de apologia à pobreza, mas sim relembrar seus tantos anos como duros. E acrescenta que sempre esteve rodeada do imaginário, do lúdico e do fantástico, da “conceiversidade”.

“Era uma carência material muito grande. Mas por outro lado a vivência, uma riqueza cultural que a gente vivia, com contação de histórias, meu tio, muito próximo a mim era da congada, então eu tenho toda uma lembrança da organização. As línguas que fazem como iguarias, fazendo flores para enfeitar a capela. Das conversas que se davam depois das festas, nos encontros familiares, dos visitantes e servidores muito relacionados com a sobrevivência. Ir ao córrego lavar roupa, ir no mato buscar lenha. Esses O que é que é um problema de aprendizagem, mas a pobreza pode ser um lugar de aprendizagem. “Muito que eu aprendi vem da condição social que eu vivi”, conta Conceição.

A oralidade é marca presente de Conceição Evaristo. Ela rebate fortemente uma cultura vigente de que é necessário para o texto e o crescimento em um ambiente rodeado por intelectualidade para produzir literatura. “Eu não nasci rodeada de livros, nasci rodeada de palavras e também no sentido de ensaio que é uma cultura da oralidade e parte do nosso patrimônio”, lembra.

Por fim, Conceição fala sobre a felicidade que sente ao ver cada vez mais mulheres negras escrevendo e expandindo a literatura. “Eu vejo como meninas que estão produzindo agora, elas são mais explícitas com determinadas temáticas que a gente não era, falamos nos nossos desejos, dúvidas, carinhos, hoje eu vejo essa escrita mais nova trazendo esses temas com muita competência, com uma ousadia que nós não tivemos”.

Em 2015, Conceição foi vencedora do prêmio Jabuti, na categoria contos, com a obra “Olhos d’água”. Em 2017 foi convidada para a Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Quem mora em São Paulo pode conferir até o dia 18 de junho uma exposição que revela sua obra e carreira na 34ª edição da Ocupação do Itaú Cultural.

BIÓGRAFO DE KARL MARX LANÇA EM SÃO PAULO NOVA EDIÇÃO DE ‘O CAPITAL’

Junho 5, 2017

São Paulo – Nesta segunda-feira (5), o biógrafo Michael Heinrich chega à cidade de São Paulo para duas atividades referentes ao lançamento do livro O capital (Livro III) e os 150 anos da primeira edição publicada por Karl Marx. O pesquisador é um dos destaques do 3º Salão do Livro Político, que ocorre na terça-feira (6), às 10h30, no Tucarena, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), na zona oeste. A mediação é do professor Antonio Rago Filho. 

Heinrich também apresentará um curso de dois dias sobre a história d’O Capital, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, no centro da capital. Nestas segunda e terça (5 e 6), ambos às 19h30.

Michael Heinrich é cientista político especialista em Marx, professor de Economia na University of Applied Sciences, em Berlim, e colaborador na Mega-2 (Marx-Engels-Gesamtausgabe), instituição detentora e curadora dos manuscritos de Karl Marx e Friedrich Engels.

Apesar de existirem mais de 25 biografias de Marx no mundo, para muitos, a obra de Heinrich é a mais equilibrada e se dedica em partes iguais à vida e à obra do autor. 

Confira os eventos em que o biógrafo estará presente:

Curso “A história de O capital de Marx”, com Michael Heinrich
Segunda e terça (5 e 6) | 19h30 às 21h00

CPF – Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 | 4º andar
Bela Vista, São Paulo Clique aqui para informações sobre inscrições

3º Salão do Livro Político – Sobre Marx, com Michael Heinrich. Mediação de Antonio Rago Filho.
Terça (6) | às 10h30

Tucarena
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo 
Rua Monte Alegre, 984, Perdizes | São Paulo

Caixa Cultural do Rio expõe destaques do fotojornalismo mundial

Junho 4, 2017

lalo de almeida

CCRJ recebe 60ª edição da World Press Photo, com 154 fotografias. Entre elas, o flagrante do momento do assassinato do embaixador russo, premiada. Até 18 de junho.

por Xandra Stefanel,

Em cartaz até 18 de junho na Caixa Cultural Rio de Janeiro (CCRJ), a 60ª edição da World Press Photo apresenta os mais impactantes registros do fotojornalismo mundial de 2016. Ao todo, estão expostas 154 fotografias de temas variados, entre eles política, economia, esportes, cultura e meio ambiente.

Neste ano, dois brasileiros foram selecionados neste que é um dos mais importantes concursos fotográficos do mundo e cuja exposição é realizada em 45 países. Lalo de Almeida recebeu o 2º lugar na categoria Assuntos Contemporâneos com o ensaio sobre bebês com microcefalia, vítimas do vírus da Zika, no Nordeste; e Felipe Dana ficou em 3º lugar na categoria Notícias em Destaque, com a imagem Batalha por Mosul, feita no Iraque durante a ofensiva das forças especiais iraquianas e das milícias aliadas para recuperar o controle da cidade tomada pelo Estado Islâmico.

O prêmio principal foi para a imagem Um assassinato na Turquia, do turco Burhan Ozbilici. O registro foi feito em dezembro de 2016, quando o policial Mevlüt Mert atirou contra o embaixador da Rússia Andrei Karlov em uma sala de exposições, em Ancara. Na imagem, o assassino aparece com a pistola na mão e o dedo em riste. Na ocasião, ele gritava: “Não se esqueçam de Aleppo. Não se esqueçam da Síria”.

A escolha causou polêmica dentro do próprio comitê de seleção, já que a imagem de um assassinato premeditado poderia, segundo o presidente do juri, Stuart Franklin, amplificar a mensagem de ódio. “Foi uma decisão muito, muito difícil, mas no final a maioria sentiu que a foto era uma imagem explosiva e muito representativa do ódio contemporâneo. Nós realmente achamos que ela resumia o que uma World Press Photo do Ano deve ser e representar”, afirmou Mary F. Calvert, membro do júri.

World Press Photo 2017
Quando: até 18 de junho de 2017
De terça-feira a domingo, das 10h às 21h
Onde: Caixa Cultural Rio de Janeiro, Galeria 4
Avenida Almirante Barroso, 25, Centro, Rio de Janeiro (RJ)
Quanto: grátis
Mais informações: (21) 3980-3815
Classificação indicativa:
não recomendado para menores de 14 anos

Diretas Já em SP terá Mano Brown, Criolo, Tulipa Ruiz e outros

Junho 2, 2017

Artistas, ativistas e blocos de carnaval realizam manifestação em forma de show no próximo domingo (4) em São Paulo para exigir a saída do presidente Michel Temer (PMDB-SP) e a realização de eleições diretas como saídas para a atual crise política que atinge o país.

Estão previstas as presenças dos cantores Mano Brown, Criolo, Péricles, Emicida, Tulipa Ruiz, Simoninha, Otto, Maria Gadú, dentre outros, e a participação de cerca de 30 grupos que promovem o carnaval de rua em São Paulo, como o já tradicional bloco Acadêmicos do Baixo Augusta e o bloco Tarado Ni Você, que executa músicas de Caetano Veloso em ritmo de marchinha. O ato SP pelas Diretas Já será realizado no Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista, a partir das 11 horas.

O evento ocorre uma semana depois que mais de 100 mil pessoas foram até a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no último domingo (28), e puderam acompanhar apresentações do próprio Caetano Veloso, além de Milton Nascimento, Mano Brown, Rappin Hood, Mart’nália, BNegão e outros, que cantaram pelas Diretas Já e entoaram coros pelo “Fora, Temer”.

“Vamos ocupar o Largo da Batata com nossa música e nossos estandartes para defender o direito do povo eleger o próximo presidente da república”, afirmam os organizadores em chamado pelas redes sociais.

Eles refutam as articulações de bastidores de parte da classe política que propõe a realização de eleição indireta para eleger o sucessor de Michel Temer, pois ressaltam que o Congresso Nacional, com inúmeros parlamentares envolvidos em casos de corrupção “não tem condições morais de determinar como será o futuro do país.”

“Convidamos a todas e todos que compartilham desse pensamento a se vestirem de Diretas Já conosco para fazermos um ato histórico, digno do espírito democrático e inovador da nossa querida cidade”, convocam os artistas.

Mafalda aprende a falar em guarani

Maio 31, 2017

Depois de mais de cinquenta anos de seu lançamento, a astuta garotinha argentina Mafalda vai “aprender a falar” em guarani. O idioma é oficial no Paraguai, junto ao espanhol, e pela primeira vez as tirinhas de Quino serão traduzidas para uma língua indígena.

O projeto desenvolvido por linguistas paraguaios vai traduzir, aos poucos, a obra que traz as aventuras de Mafalda, Manolito, Felipe, Susanita e os demais personagens argentinos. O autor, Joaquín Salvador Lavado, o Quino, se emocionou ao tomar conhecimento da expansão de sua história.

Em junho deste ano será apresentado o primeiro, dos dez livros a serem traduzidos, durante a Feira Internacional do Livro de Assunção, capital paraguaia.

Para a tradutora Maria Gloria Pereira, a adaptação da obra de Quino servirá para fortalecer o idioma indígena e pode ser o começo de uma série de traduções de quadrinhos para popularizar e impulsionar o interesse infantil pela cultura guarani.

“Falta mais pessoas se animarem a investir em histórias em guarani, seja traduzindo já existentes ou criando personagens próprios, creio que isso seria um grande êxito”, afirmou a tradutora.


“Vejam este é um palito para amassar ideologias”, diz o quadrinho
Segundo Maria Glória, um dos grandes desafios deste projeto é manter um “guarani funcional”. Explica também que em alguns momentos será necessário “pegar emprestadas” palavras em espanhol para manter a riqueza e a sutiliza do idioma indígena. “O pior que poderíamos fazer é colocar Mafalda falando um guarani que não se entende”.

O projeto foi possível graças a um convênio do mercado editorial paraguaio com o Ministério de Relações Exteriores da Argentina através do Programa Sul, que busca a tradução de autores argentinos em outros idiomas. Todo o humor de Quino será mantido e Maria Gloria garante: Mafalda vai dizer muitos “nahániri” (“não”, em guarani), quando o assunto for tomar sopa!

São João, a festa completa

Maio 31, 2017

A festa de São João é , na minha opinião, a comemoração mais completa que temos no nosso calendário. O Carnaval é o momento mais celebrado, porém a “farra da carne” fica restrita às fantasias e aos ritmos. Já o São João vai muito além….

As festas juninas envolvem ritmos e danças como forró, coco, ciranda e tantos outros, que geralmente exaltam temas alegres e festivos. As quadrilhas juninas enaltecem as cores, os tecidos, as rendas e realizam grandiosas apresentações numa espécie de desfile de escolas de samba onde todos os componentes atuam , cantam e dançam como uma grande comissão de frente.

Há até quem ache o forró meio brega, mas não dispensa uma pamonha ou canjica. A culinária das festas juninas é de uma riqueza irresistível com seus mais variados bolos , comidas de milho e um quentão ou uma boa cachacinha para acompanhar. Sem falar no queijo ou aquela linguiça assada na fogueira, onde a fuligem da brasa dá aquele sabor especial.

Por falar em fuligem, como não falar da fumaça? O São João tem um cheiro próprio, aquele “perfume” de fumaça em toda parte, seja das fogueiras ou dos fogos que colorem o céu celebrando a vida.

E há ainda as brincadeiras, adivinhas e simpatias, que vão do desafio do pau de sebo à conquista da pessoa amada.

Seja numa grande cidade ou naquele interior mais longínquo, o São João faz-se presente como a festa mais completa que celebramos.

*Diego Santos é produtor cultural, coordenador do Coletivo de Cultura de Pernambuco e membro da Direção do PCdoB Recife.

Paul Singer terá filme dirigido por Ugo Giorgetti, com financiamento coletivo

Maio 30, 2017

Campanha começou nesta segunda e vai até 5 de julho.

São Paulo – Começou nesta segunda-feira (29) a campanha de financiamento coletivo para a filmagem de Paul Singer – uma história do Brasil, que será dirigido por Ugo Giorgetti, autor de, entre outros, Uma Noite em Sampa (2016), Cara ou Coroa (2012), O Príncipe (2002) e Boleiros – Era uma Vez o Futebol (1998). A campanha vai até 5 de julho. Nesses 40 dias, o objetivo é arrecadar R$ 130 mil.

Com 85 anos, completados em março, Paul Singer permaneceu 13 anos à frente da Secretaria Nacional de Economia Solidária, desde que foi criada, em 2003, no primeiro ano do governo Lula. Saiu há um ano, depois do impeachment. Militante de um novo modelo de consumo e de distribuição da riqueza, o economista defende os empreendimentos coletivos, vendo na modalidade uma volta às origens do socialismo. Na primeira edição da Revista do Brasil, em maio de 2006, ele falou sobre o tema, informando que a secretaria havia conseguido identificar 15 mil empreendimentos no país.

Austríaco de nascimento, Paul Singer veio com a família para o Brasil em 1940 – obteve a cidadania em 1954. Formou-se em eletrotécnica, foi trabalhador metalúrgico, filiado ao sindicato da categoria em São Paulo, e um dos líderes da chamada greve dos 300 mil, em 1953. Estudou Economia na Universidade de São Paulo (USP), onde se graduou em 1959. Foi um dos fundadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Militante do PSB, em 1980 ele ajudou a criar o PT, um projeto que sempre defendeu, mas sem perder o senso crítico em relação a posturas internas. “Houve deslumbre, desbunde e descontrole”, disse, por exemplo, na entrevista de 2006, ao comentar sobre contribuições eleitorais.

Há um mês, Paul Singer participou do 4º Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Solidário, em Brasília. E no começo deste mês esteve na 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária, em São Paulo. Ele foi um dos signatários do Projeto Brasil Nação, organizado por Luiz Carlos Bresser-Pereira, que propõe novo modelo de desenvolvimento para o país.

Interessados em participar do projeto  podem acessar o link https://www.catarse.me/paulsinger. Serão aceitas contribuições a partir de R$ 10.

O paulistano Ugo Giorgetti, 75 anos, assume  um projeto, como diz o material de divulgação, “de registrar essa forma de pensar autônoma e livre”, referindo-se a Paul Singer. ” O resultado é uma trajetória de um personagem que nos leva a refletir sobre o presente, o passado e o futuro do Brasil e do mundo. O filme é também, inevitavelmente, um retrato intelectual da própria cidade de São Paulo em anos particularmente conturbados.”

Documentário amplifica a voz das ocupações contra o impeachment

Maio 29, 2017

Resistência

Filme ‘Resistência’, de Eliza Capai, acompanha movimentos de ocupação e manifestações de luta por direitos constitucionais como igualdade de gênero, educação, cultura e pela democratização da mída.

por Xandra Stefanel

São Paulo – Cinquenta e cinco minutos. É este o tempo que a documentarista Eliza Capai (Severinas e Tão Longe é Aqui) leva para dizer – por meio de imagens, de discursos, entrevistas e de muita luta – que, por mais que a situação seja ou esteja difícil, é possível (e é preciso) ter esperança. Seu documentário Resistência, lançado na semana em que o afastamento de Dilma Rousseff completou um ano, apresenta a energia mobilizadora e obstinada de milhares de jovens e militantes que ocuparam edifícios públicos para reivindicar que suas vozes e suas demandas fossem ouvidas. Já na semana de pré-lançamento, o filme foi exibido em mais de 70 sessões em todas as regiões do Brasil, e também na Europa e Estados Unidos.

Tudo começou com uma série que Eliza estava fazendo sobre democracia em que um dos temas era educação. Em meio às ocupações estudantis na Assembleia de São Paulo pela instalação da CPI da Merenda, em maio de 2016, ela entrou em contato com os estudantes, que prontamente abriram a porta para sua entrada. Surpresa com a maneira com que aqueles jovens se organizavam, Eliza decidiu ficar e registrar aquilo que ressoava como uma nova forma de fazer política.

É assim que nasce o documentário Resistência: da percepção de que os estudantes que instigaram outras ocupações em escolas em vários cantos do país faziam parte de uma geração que se articula de maneira diferente e que alinha suas demandas políticas e sociais com questionamentos de gênero e de papéis em prol da construção de um futuro melhor para todos.

Eliza registrou como aquele grupo relativamente pequeno de adolescentes dividia as funções dentro do movimento, como se organizavam para atingir seus objetivos, como pautaram a mídia alternativa e a tradicional e se fizeram ouvir por políticos, artistas e pela sociedade como um todo. Ao constatar a grandiosidade daquele movimento, Eliza decidiu que só sairia de lá quando o prédio fosse desocupado. E foi o que fez.

A semente de Resistência estava plantada. Entre maio e agosto de 2016, o Poder Legislativo votou o afastamento da primeira mulher eleita presidenta do Brasil, Dilma Rousseff e, como resposta, outras dezenas de edifícios públicos foram ocupados e surgiram dentro e fora deles manifestações que exigiam direitos constitucionais como cultura, educação, igualdade de gênero e democratização da mídia.

Entre abril e agosto do ano passado, Eliza Capai acompanhou de perto as ocupações no prédio do Ministério da Cultura do Rio de Janeiro, da Funarte de São Paulo, a Marcha das Vadias na capital carioca e a Parada LGBTT de São Paulo.

A forma como ela costura a grave situação política no Brasil e todas essas manifestações de resistência são de uma força e delicadeza raras. As legítimas demandas desses movimentos são apresentadas sob diversos pontos de vista: do protagonismo feminino e negro, da quebra de estereótipos de gênero e da ocupação de espaços de poder por setores até pouco tempo completamente excluídos das tomadas de decisão. A mensagem que fica é que a luta só está começando.

Impossível não chegar ao final do filme triste por ver na tela a triste situação política do país. Mas ao mesmo tempo, o espectador é invadido por uma onda de esperança em uma geração que está reiventando a todo tempo as formas de lutar por um país melhor. A associação com a música E Vamos À Luta, de Gonzaguinha, é inevitável, apesar de ela não fazer parte do filme: “Eu acredito é na rapaziada/ Que segue em frente e segura o rojão/ Eu ponho fé é na fé da moçada/ Que não foge da fera e enfrenta o leão/ Eu vou à luta com essa juventude/ Que não corre da raia a troco de nada/ Eu vou no bloco dessa mocidade/ Que não tá na saudade e constrói/ A manhã desejada”.

Onde ver

Nem adianta procurar o documentário Resistência nos cinemas. Segundo Eliza Capai, ele foi feito para ser um filme compartilhado, para servir como um instrumento de reflexão sobre tudo o que está acontecendo no país. Portanto, a equipe do filme incentiva que qualquer cidadão organize sessões gratuitas para sua exibição. Para saber onde serão as próximas sessões e como organizar uma exibição de Resistência, visite o link www.videocamp.com/pt/movies/resistencia.