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Mostra em São Paulo exibe 18 filmes produzidos na África

Maio 28, 2013

da Agência Brasil

Dezoito filmes, entre média e longa-metragens de cineastas do Senegal, da Tunísia, de Moçambique, do Egito, da Inglaterra e dos EUA, produzidos na África, podem ser vistos até o dia 2 de junho na Caixa Cultural São Paulo. As produções fazem parte da programação da segunda edição da mostra de documentários África Hoje, que tem o objetivo de oferecer um panorama da produção contemporânea. A maioria dos filmes é inédita no circuito comercial, terá sessão única na capital paulista e entrada franca.

De acordo com a organização da mostra, os documentários apresentam temas amplos do universo dos países africanos, muito próximos da realidade brasileira, despertando uma reflexão sobre as diversas maneiras de lidar com questões complexas. O filme que abriu a mostra na terça-feira (21) foi Rouge Parole (Tunísia/2011), que mostra a Revolução da Tunísia e foi eleito um dos 12 melhores documentários de 2012 pelo Museu de Arte Moderna de Nova York.

O evento traz ainda como destaque o filme Onde a Água Encontra o Céu ( Reino Unido/2008), narrado por Morgan Freeman e escrito por Jordan Roberts (Marcha dos Pinguins). O longa mostra a história de um grupo de mulheres em um local ao Norte da Zâmbia que faz um filme para falar sobre suas vidas. A principal questão discutida por elas é a situação das mulheres jovens órfãs devido à Aids.

A Copa do Mundo também é um dos temas com o documentário Fahrenheit 2010 ( África do Sul/2009), ao mostrar o significado dos jogos no país para seus habitantes. O documentário Na Espera dos Homens (Senegal/2007) retrata o povo e a cultura da África. No filme um grupo de mulheres fala de sua relação com os homens de maneira bastante aberta.

Em Benda Bilili ( República Democrática do Congo/2010) é mostrada a história de um grupo de músicos portadores de deficiência física resultante da poliomielite e que já se apresentou em diversos países do mundo.

A mostra fica em cartaz até o dia 2 de junho, na Caixa Cultural SP. Em novembro, os filmes serão exibidos em Salvador. Veja a programação completa .

Nossa gente

Novembro 21, 2012

nossa gente também veio
pra ser feliz e ter sorte

nossa gente é quente
é bela e forte

mas às vezes essa gente
passa, inconsciente

sofre, mas não se mexe
ri, mas não se gosta

nossa gente inconsciente
sofrendo, fica fraca

nem vê que por dentro ainda
traz a força da mãe áfrica

nem vê que pode vencer
pois tem energia nos braços

e pode ter liberdade
alegria e espaço

superando a pobreza
socializando a riqueza

inventando unidade
solidariedade, abraços

nosso povo é lindo
nosso povo é afro

e perfeito vai destruindo
ódios e preconceitos

“esse povo negro
que se diz moreno”

com suas cores, com seu jeito
é um povo pleno

nossa gente é ventania
é ousadia, é mar cheio

nossa gente também veio
par ser feliz e ter sorte

Nossa gente- Márcio Barbosa (IN: O negro em versos, Luiz Carlos dos Santos, Maria Galas e Ulisses Tavares, orgs, Ed. Salamandra)

DAS NEGRAS CONSCIÊNCIAS BRASILEIRAS

Novembro 20, 2012

Dia da Consciência Negra para as todas consciências brasileiras. Hoje, o dia em que se comemora e se reflete sobre a existência negra no país e sua importante produção para o que chamamos cultura brasileira. Afinal estes brasileiros que há tempos para cá vieram trabalhar se miscigenaram não apenas na cor da pele que resultou nos mulatos, mamelucos chamados de mestiços mas em sua então de suas formas de cultivos (cultura) e composições com os corpos aqui já existentes, muitas vezes estes corpos de opressão de uma cultura alienigena que se queria dominante, soberana e que busca alijar-se que qualquer forma de miscigenação ou contato que estava presente em seu delírio. Estes valores colonialistas que se pautam pelo racismo e pela irracionalidade e ainda hoje estão presente nas atitudes cotidianas.

Os negros por sua vez vem lutando e não “acreditou na besteira” discriminatória do branco como versou Itamar. Há em todo país foruns de discussão, comunidades quilombola, grupos de rap e hip-hop, pontos de cultura, terreiros (seja estes de umbanda, candomblé, tambor de mina, tambor de crioula, fundo de quintal onde sempre rolou os pagodes, ou qualquer outra forma de expressão),  projetos culturais nas escolas, que vem produz formas de ser e pensar culturalmente negras e brasileiras, fazendo com que haja a educação das novas gerações extingua as consciências medievais do racismo e o etnocídio.

NOVEMBRO DE NOVAS CONSCIÊNCIAS

Como a cada dia somos uma nova pessoa (tanto cronobiologicamente quanto na psicologia dos afectos), novas consciências e formas de relação constituem aquilo que chamamos de real ou realidade. Portanto nosso país também está em constante transformação de seus cidadãos, de seus valores e consciências. Este dia 20 de novembro, é mais do que uma homenagem, ou um dia, uma semana ou um mês de luta. É um espaço temporal que faz parte da transformação intempestiva dos valores sociais que tem também em seu discursos a prática do racismo colonialista e escravocata.

Em um país onde mais da metade da população é negra ou mestiça, ainda temos uma televisão, rádio e outros meios de comunicação onde a programação não é educativa, transformadora e é repleta de preconceitos de todos os tipos. Estudos como de Joel Zito Araújo mostra como o negro é retratado na programação e principalmente nas telenovelas somente expõe as concepções retrogradas da casa grande.

Devemos sim exigir que os meios de comunicação concessionados tragam uma programação de qualidade para todos os brasileiros e que seja fruto de nossa cultura feito pelos vários movimentos que vão além das três raças tristes que Belchior cantava em seu rock em parceria com Levi-Strauss. Além disso a busca pelo respeito e livre produções da cultura negra e mestiça deve ser buscado em todas relações.

DA NEGRA CULTURA BRASILEIRA

E a cultura que os brasileiros, negros, brancos, índios, mestiços produziram como o jongo, a congada, o lundu, o samba, a umbanda, a capoeira, a feijoada, a ‘marvada’ cachaça, e fizeram aparecer diversos pensadores brasileiros que não deixaram ser abalados pela estrutura linha dura do colonialismo,  criaram suas produções que aumentaram a potência do povo brasileiro e abalaram a estrutura da casa grande como o jogador Paulo César Caju, os geografos Milton Santos e Josué de Castro,  o teatrologo e criador do Teatro Experimental do Negro Abdias do Nascimento, músicos como Chiquinha Gonzaga, Gilberto Gil, Robson Miguel, Monarco, Ivone Lara, Clementina de Jesus, B’Negão, Candeia, Roberto Ribeiro, Itamar Assumpção, Luiz Melodia, Milton Nascimento, Tony Tornado, Tim Maia, Gerson King Combo, Criolo,  Gog e tantos outros, o fotografo Mário Cravo Neto, os cineastas Zózimo Bulbul, Joel Zito Araújo,  pensadores como Muniz Sodré, Celso Prudente e tantos outros negros e brancos que independente de qualquer dosagem de melanina mostraram sua negri-ati-tude na diluição destes discursos e valores retrógrados.

Abaixo deixamos o curta O Xadrez das Cores que discute o racismo latente e iminente nas atitudes diárias de cada um, e os modos de transformação progressiva destes.

A poesia angolana de Agostinho Neto

Fevereiro 28, 2012

 

Sons de grilhetas nas estradas
cantos de pássaros
sob a verdura úmida das florestas
frescura na sinfonia adocicada
dos coqueirais
fogo
fogo no capim
fogo sobre o quente das chapas do Cayatte.
Caminhos largos
cheios de gente cheios de gente
em êxodo de toda a parte
caminhos largos para os horizontes fechados
mas caminhos
caminhos abertos por cima
da impossibilidade dos braços.
Fogueiras
dança
tamtam
ritmo

Ritmo na luz
ritmo na cor
ritmo no movimento
ritmo nas gretas sangrentas dos pés descalços
ritmo nas unhas descarnadas
Mas ritmo
ritmo.

Ó vozes dolorosas de África!

Fogo e ritmo (Sagrada esperança) de Agostinho Neto

 

The sound of chains on the roads
the songs of birds
under the humid greenery of the forest
freshness in the smooth symphony
of the palm trees
fire
fire on the grass
fire on the heat of the Cayatte plains
Wide paths
full of people full of people
an exodus from everywhere
wide paths to closed horizons
but paths
paths open atop
the impossibility of arm
fire
dance
tum tum
rhythm

Rhythm in light
rhythm in color
rhythm in movement
rhythm in the bloody
cracks of bare feerhythm on torn nails
yet rhythm
rhythm

Oh painful African voices

Fire and rhythm (Sacred hope) from Agostinho Neto

Devir/Dançar

Janeiro 19, 2012

Nosso devir/dançar traz mais uma biografia de um grande nome da dança. Na verdade uma das grandes pioneiras da dança moderna que estudou a dança popular de diversos povos e foi uma ativista negra.

Trata-se de Katherine Dunham, uma estudiosa da dança no mundo.

Katherine Dunham é provavelmente mais conhecida como uma dançarina legendária que propulcionou a consciência das culturas da Diaspora Africana através de sua coreografia. Sua  famosa técnica de dança reflete uma fusão de muitas culturas. Miss. Dunham foi uma verdadeira mulher da renascença, sendo uma artista, antropóloga, autor ativista, diretora, estrela de cinema, produtora, educadora, esposa, mãe e muito mais. Como dançarina ela revolucionou a dança durante várias décadas e foi um marco no respeito as danças africanas e afroamericanas. Seu papel como ativista traz o respeito à todos os povos deste mundo cheio de injustiças, segregação e racismo.


Nascida no dia 22 de junho de 1909 em Chicago, começou seus estudos de ballet em 1928 com Ludmilla Speranzeva, Vera Mirova, Mark Turbyfill e Ruth Page. No ano seguinte entrou para a Universidade de Chicago em antropologia, se focalizando na dança e morando com os nativos da Indias Orientais. Em 1930, Katherine Dunham formou o Ballet Negre, que era uma das únicas companhias de ballets disponivel para estudantes negros na época e que teve sua estréia no ano seguinte no Baile anual de Belas Artes em Chicago. Logo depois, lutando contra a falta de suporte financeiro, a companhia debandou.

Katherine Dunham na Africa, 1962–1963


No ano de 1933 ela criou uma nova companhia para jovens negros, a Negro Dance Club de Chicago, e esta experiência possibilitou reviver o Bellet Negre que exibiu “Dança espanhola e  Fantasia Negra”. Katherine ainda dançou e fez parcerias na companhia de Ruth Page. Em 1935 recebe uma bolsa de estudo do Fundo Julius Rosenwald, que lhe levou a viagens onde pesquisou a dança (principalmente negra)de Jamaica, Martinica, Trinidad e Tobago, Haiti. Ao retornar em 1936 recebe bacharelado em filosofia da Universidade de Chicago e começa a ensaiar Rara Tonga, Premiered Trópics. Logo se torna uma coreografa e diretora de vários espetáculos como Son,  A las montanas, Pins and needles, Bahiana,  entre outros.

Em 1939, sua carreira teve um grande reconhecimento, se tornando a dançarina de dança da New York Labor Stage, participou de seu primeiro cinema como coreografa “Carnaval do Ritmo”,  (e posteriormente atriz) publicou “ Livro de esboços de uma jovem dançarina em La Martinique” e dois artigos na Esquire.

No solo Dança Espanhola


Em 1945 Katherine abre a “Dunham School of Dance” em Nova York, que no ano seguinte mudou para o nome de “Katherine Dunham School of Arts and Research” e também dirigiu vários espetáculos de danças na Broadway. Seu trabalho acadêmico como antropóloga e ativista também continua em atividade, e a fazendo respeitada em todo mundo.

Katherine Dunham e John Pratt

Em 1949 viaja com sua companhia pelo mundo, se apresentando no Théatre National de l’Opéra em Paris e apareceu no filme italiano “Botta e risposta”. Neste mesmo ano casa com o desenhista de roupas John Pratt e adota Marie-Christine. Em 1951 publica “Danças do Haiti” com prefácio de Claude Lévi-Strauss e faz turnê pela América do Sul, Europa, e Norte da África. No ano seguinte recebe o titulo de Cavaleira da Legião de Honra e Mérito do Haiti, e ao mudar o nome novamente da companhia para “Katherine Dunham School of Cultural Arts” compõe uma homenagem a Dorival Caimmy, Acarajé.

Katherine Dunham Companhia de dança

Com uma rica produção cultural da dança, a companhia Dunham se desmembra em 1960 e Katherine raramente aparece em palco, se focando no ensino, coreografia estudos e projetos e tendo cada vez maior reconhecimento. Em 1977 abre o Katherine Dunham Museu e Oficina Infantil, recebendo o seu primeiro doutorado causa honoris da Universidade de Atlanta. Em 1986 recebeu a condecoração Cruz do Sul do governo brasileiro, além da Medalha de mérito artístico em dança da Unesco, mas recebe a notícia da morte de seu marido. No ano de 1991 publica seu livro “Dança negra: de 1619 até hoje” e no ano seguinte protesta através de greve de fone contra a situação dos haitianos refugiados que buscam asilo nos Estados Unidos e cujo presidente George Bush  ordenou a extradição.


No dia 21 de Maio de 2006, Katherine Duncan partiu desta vida deixando um legado incontável no mundo da dança. Uma performance da Técnica de Dunham envolve a imersão de estilos de dança poliritmicos em continuo movimento. Katherine Dunham foi a primeira a combiner os movimentos individualisticos da cultura Caribenha e Africana com o ballet de estilo europeu. Ela foi mais longe misturando pesquisas antropológicas no campo da dança artística por incluir unicamente rituais culturais e sociais em performances públicas. Em seus estudos de antropologia ela buscava as raizes da dança negra, e ela fundou-as em muitos lugares  diferentes. Ela entrelaçou estas raises em uma nova forma de dança e criou a primeira companhia de dança negra. Fundadora de mais de 60 escolas, ela é considerada a “matriarca negra” da dança moderna. Em 2003, durante um tributo em Nova York, ela voltou para o público com a seguinte declaração:


“Há uma coisa que gostaria de dizer: estou cansada de ser considerada uma lider da dança negra. Eu sou apenas uma pessoa que neste pais é chamada “negra”. Eu insistirei em ser chamado, única, uma pessoa, e duas, um ser humano.”

Katherine Dunham fala com mulheres em Cuba

O escritor, cineasta e artista Jean Cocteau disse uma frase célebra sobre Katherine

“‘Se nós escritores pudessemos dizer com nossas canetas o que Katherine Dunham diz com suas pernas, nossas escritas seriam proibidas”.

Longa fila…

Janeiro 9, 2012

Longa fila de carregadores
domina a estrada
com os passos rápidos

Sobre o dorso
levam pesadas cargas

Vão
olhares longínquos
corações medrosos
braços fortes
sorrisos profundos como águas profundas

Largos meses os separam dos seus
e vão cheios de saudades
e de receio
mas cantam

Fatigados
esgotados de trabalhos
mas cantam

Cheios de injustiças
calados no imo das suas almas
e cantam

Com gritos de protesto
mergulhados nas lágrimas do coração
e cantam

Lá vão
perdem-se na distância
na distância se perdem os seus cantos tristes

Ah!
eles cantam…

CONTRATADOS- AGOSTINHO NETO, poeta angolano