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Theatro Municipal do Rio encena versão para balé de Carmina Burana, inédita no Brasil

Agosto 23, 2013

da Agência Brasil

A versão para o balé da cantata Carmina Burana, uma das mais conhecidas obras sinfônicas com coral do século 20, chega pela primeira vez ao Brasil, no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A estreia ocorre hoje (22), às 20h, e a temporada vai até o próximo dia 31, com mais seis apresentações. Composta em 1937 pelo alemão Carl Orff, a obra ganhou coreografia do argentino Mauricio Wainrot e terá como solistas Cecília Kerche, Cláudia Mota, Márcia Jaqueline e Francisco Timbó, primeiros bailarinos do Balé do Theatro Municipal.

Cantada em francês antigo, alemão medieval e latim, Carmina Burana é baseada em textos poéticos do século 13, pertencentes a um manuscrito encontrado em 1803 no convento de Benediktbeuern, na Baviera, Alemanha. Além de compor, Orff fêz o arranjo para orquestra e coro, estruturando a obra em um prólogo e três partes, que exaltam, respectivamente, a deusa Fortuna, o encontro do homem com a natureza, o vinho e o amor. Ao final, repete-se o coro de invocação à Fortuna.

De acordo com o coreógrafo Mauricio Wainrot, o balé segue a mesma estrutura, mantendo as seções em que a música de Orff é dividida. “Em cada parte o corpo de baile tem muito a dizer e a dançar, como também há diferentes solistas principais e solos importantes. Carmina Burana é uma obra coreográfica para uma companhia de balé inteira”, disse.

A coreografia foi criada para o Royal Ballet de Flandres, na Bélgica, e hoje integra o repertório de companhias da França, do Canadá, dos Estados Unidos, da Turquia e Argentina. No Theatro Municipal do Rio, Carmina Burana envolve, além do balé, os demais corpos artísticos da casa: o coro e a orquestra sinfônica, regidos pelo maestro convidado Abel Rocha.

Para a presidenta da Fundação Theatro Municipal, Carla Camurati, “este trabalho proporciona aos nossos bailarinos a chance de mostrar seus talentos em coreografias contemporâneas, junto com solistas e cantores de nosso coro e os músicos de nossa orquestra”. Os solistas são Lina Mendes (soprano), Sebastião Câmara (tenor) e Homero Velho (baixo) e o espetáculo também tem a participação do coral infantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Além de Carmina Burana, mais duas coreografias de Mauricio Wainrot completam o programa. Chopin nº 1 é baseada no Concerto nº 1 para Piano e Orquestra, de Frederic Chopin, e Ecos, elaborado sobre a música Adágio para Cordas, de Samuel Barber.

Uma hora e meia antes de cada apresentação, o Theatro Municipal promoverá mais uma edição do projeto Falando de Balé. Trata-se de palestras sobre o espetáculo, a cargo do maestro assistente da orquestra sinfônica do teatro, Tobias Volkmann. A entrada é franca, mediante apresentação do ingresso para Carmina Burana.

Devir/dançar

Agosto 23, 2012

Nossa coluna Devir/Dançar traz hoje mais uma página da história da dança clássica, envolvendo esta vez um grande nome da história do balé. Grande não apenas em seu trabalho de palco e performances, mas grande devido a sua importância em toda a concepção que hoje temos do ballet.

Trata-se de uma mulher que criou um dos mais importantes métodos de balés e cujo os ensinamentos são usados até hoje em todos os países onde há o estudo de balé. Trata-se de Agrippina Vaganova, criadora do conhecido e difundido Método Vaganova de Ballet que foi elaborado na Rússia e formou grandes bailarinos em todo mundo.

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Agrippina Yakovlevna Vaganova foi uma distinta bailarina, coreografa e  bailarina russa. Ela criou seu próprio método de ensino do ballet, o  Método de Balé Vaganova, enquanto seu livro “Princípios básicos do  Balé Clássico” (1934), é ainda respeitado como um dos padrões na  instrução do balé. Nele Vaganova deliniou suas idéias sobre a técnica  e pedagogia do balé.

Nascida no dia 26 de junho de 1879, em São Petersburgo, filha de um  lanterninha do Teatro Mariinsky e foi exposta ao balé desde cedo. Ela  atendeu a Escola Imperial de Balé se graduando em 1897, sendo aluna de  Lev Ivanov, Ekaterina Vazem, Pavel Gerdt e Nikolai Legat. Então entrou  no mesmo ano para o Corpo de Balé de Mariinsky.

O talento de Vaganova foi logo reconhecido pelo coreografo veterano  Marius Petipa. Ela se tornou conhecida pelos críticos como “Rainha das  variaçãoes ” de tão brilhante que eram seu solos em  Coppelia,  Don  Quixote, The Little Hump-backed Horse e nos papéis de Odette-Odile  (Lago dos cisnes), the Mazurka. Vaganova  recebeu o titulo de  Bailarina em 1915, um ano antes de sua performance de despedida.

Agrippina Vaganova ensinando Anna Pavlova

Pouco antes da revolução russa de 1917, Vaganova deixou o palco e  passou a lecionar. Por um tempo ela deu aulas na escola particular de  Balé Russo de Andru H. Volinsky, mas depois se transferiu para a  escola coreográfica de Leningrado. A partir de 1921 Agrippina Vaganova  ensinou os três ultimos níveis da Academia Coreográfica de Leningrado.

Entre 1931 e 1937 a bailarina teve a posição de diretora artística do  Balé GATOB, posteriormente chamado Ballet Kirov. Durante este período  ela montou suas versões de O lago dos Cisnes (1933) e Esmeralda (1935)  que inovava particularmente no virtuoso pas de deux no segundo Ato  “Diana e Actaeon”.Enquanto isso,Vayonen montou As chamas de Paris e  Zakharov produziu A fonte de Bakhchisarai . Estes balés do período  Vaganova ainda são considerados clássicos vivos. Em 1936 ela recebeu o  título de Artista da Federação Socialista da República da Rússica.

Contudo o que foi de real importância- O Método Vaganova, que foi  desenvolvidos ambos nas salas de ensaio de Teatro Kirov (Mariinsky) e  na Escola Coreográfica Leningrado, agora Academia de Balé Vaganova.  Nesta época o balé russo era dominado pelo velho estilo imperial- uma  plasticidade romantica aliada com a bravura italiana- e misturando a  movimentos atléticos e acrobáticos do balé russo, para formar o que se  tornaria conhecido como seu método. Este não isolava uma parte  particular do corpo, mas treinava-o como um todo harmônico e dava uma  atenção ao desenvolvimento das costas, permitindo fazer saltos  elevados e manobras no ar. Ao invés de vagas correções dadas aos  pupilos, e usando uma análise da musculatura, Vaganova deu correções  precisas para a colocação própria. Podemos dizer que Vaganova também  aprendeu muito observando Enrico Cecchetti e sua estudante, a prima  ballerina Olga Preobrajenska.
 

Durante 30 anos que ela passou ensinando balé e pedagogia, desenvolveu  uma precisa técina e sistema de instrução. De seu ensino emergiram  bailarinas brilhantes. A primeira, em 1925 foi Marina Semeonova, uma  bailarina de grande profundidade e eloquência. Logo seguiram outras  personalidades e talentos, mestrandos da Escola Vaganova.Olga Jordan  foi brilhante e doce, Galina Ulanovsa trouxe mais a suas performances  do que perfeição técnica- ela revelou profundezas não realizadas em  seus velhos papéis e quando notícias de sua fama alcançaram Josef  Stalin, ele ordenou sua transferência para o Balé de Bolshoi, onde ela  se tornou a estrela ou prima ballerina assoluta durante 16 anos. Outra  estudante de Vaganova- Tatiana Vetcheslova com seus dons de uma atriz  alcançava as alturas nas partes cômicas e dramáticas. Natalia  Dudinskaya, a mais amada das pupilas de Vaganova se tornou a estrela  do balé de Leningrado, e além de sobressair nos balés tradicionais ela  criou muitos papéis em repertórios modernos. Alla Shelest podia  transmitir a mais sutis nuâncias psicológicas.

Cada primavera trazia adiante uma nova bailarina de brilhantismo  superador instruido por Agrippina Vaganova. Em 1950 Alla Osipenko se  graduou pela escola. Sua beleza primorosa de linha não tinha igual. Em  1951 o último pupilo de Vaganova apareceu: Irina Kolpakova, uma  dançarina cujo refinamento ainda é lembrado hoje. Porém no dia 5 de  novembro deste mesmo ano Vaganova parou sua produção e ensino em  Leningrado.

Seu método de ensino foi preservado por instrutores como Vera  Kostrovitskaya. Em 1957, a escola foi nomeada “A Academia de Balé  Vaganova”, em reconhecimento da realização da professora e bailarina.  Há na entrada da Academia russa de Balé um retrato escultural que  guarda o nome Vaganova.


 

Notas soltas

Julho 21, 2012

  • Aquela que o samba está nas veias, Mart’nália, estará hoje (21) em Recife no Baile Perfumado  a partir das 21 horas com uma grande roda de samba colocando a cidade abaixo com muita  alegria e com a presença do Samba  de Luxo. Sambárretado…
  • O grafiteiro e tatuador carioca Rodrigo Zerkowski  – o GODRI – abriu inscrições até o dia 29  de julho para a oficina Janelas da aula que inclui 16 aulas de grafite, estêncil e escultura  destinadas a adolescentes de 14 a 17 anos moradores de espaços populares da região do Rio  Comprido. As aulas rolarão a partir de 13 de agosto de segunda à quinta, das oito às doze  horas, incluem café da manhã e almoço e são gratuitas. Ficou afin? Inscreva pela página do  facebook ou pelo email oficinasgodri@gmail.com e começe a transformar a realidade das  quebradas com arte. Se estiver afin de ajudar o projeto financeiramente de uma olhada na  proposta e meta bronca na arte rouca das ruas.
  • O projeto Meu Caro Amigo Chico B. do Clube do Choro fecha o mês com apresentações de Daniela  Spielman que en-canta de quarta a sexta (25, 26 e 27) ao lado do Grupo Choro Livre. E no  próximo sábado (28) quem solta a voz é Carlos Jansen e Lúcia e Maria.Bora que a coisa aqui tá feia…
  • O Festival Flamenco de Curta-Metragens (FFLAC) chega ao Brasil a partir desta terça (24) no  Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, onde em curta temporada promove cinema,  dança, canto, poesia, música e comportamento. Infelizmente o Centro não divulgou (outra vez)  a programação fo Festival…

  • Um dos mais importantes grupos de Ballet do mundo estará se apresentando no Theatro  Municipal do Rio de Janeiro neste fim de semana (21 e 22). Trata-se do Balé do Teatro Scala  de Milão que com trilha sonora interpretada pela Orquestra Sinfônica de Barra Mansa traz ao  palco o balé Giselle. As apresentações ocorrem a partir das 17 horas e tem ingressos módicos  a partir de 150 tocos…
  • Joinville é a capital mundial da dança, pois nesta semana rola o Festival de Dança de  Joinville que vai até terça (24). Com 30 anos de existência o festival traz apresentações de  todo o mundo na Mostra Contemporânea de Dança (não competitiva), o Festival Meia Ponta (para  crianças), a Feira da Sapatilha, o Encontro das Ruas, Rua da Dança, Palcos Abertos, cursos e  oficinas, e seminários de dança.
  • O SESC São Paulo está em todas suas unidades apresentando a enorme Mostra SESC de Artes que  rola até o fim do mês com uma programação extensa que inclui as mais diversas artes como a  performance visual alemã Glass, obras de Carmela Gross, Nuno Ramos, Ivan Puig, etc…  cinemas de Guy Maddin, Gustave Deutsch, Irmãos Lumiére, Win Wenders, Michel Ocelot, Werner  Herzog, a música hip-hop dos sul africanos  Tumi and the volume, Tom Zé, os catalãos do  Residual Gurus, os manamericanos do Denge Fever e muito mais artes…

 

  • A Cinemateca Brasileira em São Paulo exibe na próxima sexta (27) mais uma edição do Curta  Cinemateca Especial, com curta de novos realizadores. Quer exibir teu curta? Pode enviar seu  pedido para o e-mail programacao@cinemateca.org.br. Com entrada franca este mês rola All you  need is love, de Wagner Depintor; Aquém das nuvens, de Renata Martins; Livraria Ornabi, de  Camilo Cassoli; Nuanças, de Geraldo Blay e  Susana, de Rodrigo Chevas e Mc Fernandes.

  • Tadeu Jungle é um dos grandes artistas cineastas que trabalhou em publicidades, na televisão  e muitas outras piração… É por isso que a Cinemateca Brasileira exibe a partir de terça  (24) uma mostra deste artista trazendo cinemas com Amanhã Nunca Mais, Amazônia Niemeyer –  uma viagem pela estrada Belém-Brasília, Amores Expressos, Avesso Festa-Baile, Ela Faz  Cinema, Evoé, retrato de um antropófago, Frau, Heróis 2, Iemanjá, Isto teve roteiro?, O  Pograma do Ratão (sic), Passarela, Quem Kiss Teve. Videoclipes como Pesar, Poder, Proibida  pra mim, O silêncio e muito mais…

 

  • O The Who anunciou sua nova turnê Quadrophenia esta semana. Grandes coisa…. Mas o maluco  da coisa é que eles lembraram aqueles que iriam assistir uma apresentação que foi cancelada  em 1979 na cidade americana de Providence poderão utiliza-los no show da banda que vai rolar  no ano que vem na cidade. Se a maluquice fosse só esta tava de boa. O guitarrista depois de  velho brincou que experimentou a (hoje enrugada) caceta de Mick Jagger e que não esquece do  gosto… Ainda bem que brincadeiras não tem idade…

Arrigo Barnabé em celebração dionisíaca…

Devir/dançar

Maio 31, 2012

O Devir/Dançar de hoje mostra um pouco da vida e da obra de uma das mais importantes dançarinas de balé clássico em toda sua história. Hoje é lembrada como uma das mais talentosas e memoráveis bailarinas. Trata-se de Anna Pavlova, uma das pioneiras do ballet russo e talvez a primeira estrela mundial do ballet. Com sua leveza e maestria conquistou platéias e difundiu o balé em seu estágio mais alto até então.

Anna Pavlova ou Pavlowa (Анна Анатольевна Павлова em russo), foi em sua época e é talvez hoje a mais famosa dançarina do mundo. Ela teve uma longa carreira, com turnês mundiais, criando novas platéias para o balé em todos os lugares. Seu talento marcou a história e influênciou Sarah Bernhardt e Isadora Duncan, duas de suas admiradoras.

Anna Pavlova nasceu no dia 31 de janeiro de 1881, em São Petersburgo, Russia, filha de Lyubov Feodorovna, uma lavadeira, e de pai cujo a identidade não é conhecida. Quando Anna era bem pequena sua mãe casou com o soldado de reserva Matvey Pavlov, que morreu logo depois de Anna fazer dois anos. Ela e sua mãe viveram uma vida muito pobre, e passavam os verões na casa da avó. De acordo com Pavlova, ela queria ser dançarina a partir dos oito anos, quando assistiu uma apresentação de  “A bela adormeçida” no Teatro Maryinsky. Dois anos depois ela foi aceita como estudante na Escola Imperial de Balé de São Petesburgo. Esta escola para dançarinos clássicos oferecia a seus estudantes proteção material vitalícia; o czar Alexander III foi o principal apoiador e em retorno a escola exigia completa dedicação física.

Embora a jovem Pavlova era considerada frágil e não exatamente bela, ela era contudo muito flexível (capaz de dobrar e torcer com facilidade e graça). Seus talentos impressionaram o mestre do balé Marius Petipa, que se tornou o professor favorito. Anna também aprendeu com outros famosos professores da Maryinsky e coreografos como Christian Johanssen, Pavel Gerdt, e Enrico Cecchetti, que lhe deram uma base na tradição clássica. Sua estreia na companhia foi em setembro de 1899.A competição com outras dançarinas era intensa, mas Anna Pavlova logo atraiu atenção com a qualidade expressiva e poética de suas atuações. Em 1906 torna-se a primeira bailarina do balé russo.

A primeira de suas muitas viagens (é estimado que ela viajou mais de 400.000 milhas e foi vista por milhões) foi à Moscou, em 1907. No ano seguinte estreou em Paris, no Théâtre du Châtelet, com o Ballets Russes de Serguei Diaghilev. Em Fevereiro de 1910 com o masculo dançarino Mikhail Mordkin fez sua primeira aparição na America, no Metropolitan Opera House. Como a maioria do público nunca tinha visto balé clássico antes, os críticos não sabiam como descrever o que Pavlova fez no palco, e ficaram maravilhados.

Anna Pavlova com Enrico Cecchetti, o famoso criador do método de balé Cecchetti

Embora estas primeiras turnês eram realizadas com o consenso do czar a última viagem da bailarina à Rússia foi no verão de 1914. Ela estava viajando pela Alemanha e indo para Londres, quando a Alemanha declarou guerra a sua pátria em agosto daquele ano, e a proteção de Pavlova e obrigações ao czar e seu Maryinsky Theatre tinham chegado ao fim. Neste ponto e até sua morte, Pavlova continuou a fazer turnês exaustivas, sempre com sua própria companhia cujos membros vieram de diferentes paises e não eram sempre tão talentosos como ela.

Ele retornou para América do Norte várias vezes e foi para América do sul em 1917, visitando Bahia e Salvador em 1919. Uma nova turnê pelos Estados Unidos foi feita em 1921, e posteriormente sua companhia viajou para Japão, china, Índia, Burma, e Egito em 1923. Africa do Sul, Austrália e Nova Zelânde receberam sua visita em 1926 e os anos seguintes foram dedicados a uma turnê européia.

Embora as apresentações de Pavlova mudaram e foram influenciadas pelas culturas extrangeiras e novos métodos de dança, ela permaneceu de certa forma uma bailarina conservadora, apresentando com sua companhia clássicos como Giselle e A bela adormecida. Ela também criou seus próprios espetáculos populares como O Bacanal, um dueto com seu então
amigo-estudante Mikhail Fokine, e seu sinistramente belo O Cisne.

A habilidade de aceitar seu papel como portavoz de sua arte, geralmente com bom humor e sempre com devoção e pose, trouxe vasta audiência para si e eventualmente para o balé. Ela sempre quis apresentar em diferentes lugares, do mais famosos teatros da Europa até salas de concerto de Londres ou até mesmo o gigante hipódromo de Nova York.

Pavlova morou em Ivy House em London, onde tinha uma larga coleção de pássaros e animais, inclusive cisnes de estimação. Seu companheiro, produtor e talvez esposo (Pavlova deu diferentes relatos da exata natureza de suas relações) foi Victor D’andré, um amigo nativo de São Petesburgo.

Pavlova morreu de pneumoniaem Haia, na Holanda em 23 de Janeiro de 1931. Ela dançou constantemente até sua morte; suas últimas palavras foram para pedir que seu traje de Cisne estivesse preparado, e finalmente, “Faça aquele último compasso suavemente”.

Devir/Dançar

Abril 19, 2012

Nosso baile devir/dançar traz mais uma vez uma nova experiência através da arte cinematográfica. Desta vez escolhemos um belo cinema de uma grande sensibilidade ao tratar a dança. Não pela técnica ou dedicação em si, mas na transformação que a dança propicia nos corpos e existências.

E este cinema faz com leveza que uma dura vida seja desmontada para que o verdadeiro movimento e afeto necessário a vida possam surgir.

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Nosso cinesquizo dançar de hoje conta uma história onde dançar é algo que vai além da dureza da moral e do já constituido. O ato de se dançar é se libertar de um mundo certo, saturado por si mesmo. Dançar é permitir que se veja que há a necessidade de se caminhar em qualquer caminho.

CINESQUIZO DANÇAR

ENUNCIA

BILLY ELLIOT

Ano: 2000
Diretores: Stephen Daldry
País: Reino Unido
Duração : 69 minutos
Billy Elliot é um jovem garoto que mora em um suburbio inglês, filho de um pai que era ex-campeão de boxe e que assim como seu irmão trabalha no duro serviço de uma mina. Seu pai tem planos para Billy, que ele venha a ser um grande lutador, ou estude para ter melhores condições. Billy passa então a frequentar aulas de boxe no ginásio municipal, porém ele é um garoto sensivel e franzino e acaba sendo o saco de pancadas. Logo após o treino, o ginásio é ocupado pelas garotas e suas aulas de ballet. Num destes dias, Billy recebe um convite.
Billy sabe que esta atitude desagradará seu pai e toda a cidade, que está embrutecida e lutando em uma greve por melhores condições para os mineiros.Mesmo assim a possibilidade não é algo tão desagradável, e a treinadora de ballet, começa a perceber o interesse e dedicação que aos poucos vai rendendo novos passos.
Após muito treino a professora convida Billy para treinar em busca de uma audição para o Royal Ballet School, uma das mais tradicionais escolas da Inglaterra.
Porém logo a repressão a greve aumenta e o pai de Billy descobre o segrego que o garoto achava tão bem escondido. Porém, sem nada a temer, Billy mostra a clareza de suas ideias e movimentos contra os preconceitos sem argumentação do pai. Logo este será um novo conflito moral baseado na exploração, não de uma mão de obra trabalhista, mas de um poder dentro da família.
Os dias passam, Billy é proibido de fazer balé e o talento e sonho de Billy vai ficando cada vez mais distante, assim como os dias cada vez mais negros.
Mas isto não faz Billy desistir e logo ele volta a treinar escondido. Sua paixão pelo movimento quando dança, uma vontade de ultrapassar estes preconceitos fazem que o garoto confie cada vez mais em si e não ter vergonha de nada.
O tempo passa, as coisa mudam, chega o natal. O pai de Billy ainda porém ainda não mudou em seu machismo, mas logo a transformação terá que ocorrer a partir do conflito. Não de um choque entre as classes, mas de concepções e crenças. E quem sabe um menino que deixe o boxe para fazer ballet um dia possa a ser algo bom a cidade, que deixe suas velhas tradições para traz…

Com a audição de ballet que se aproxima, tanto Billy e a treinadora decidem enfrentar a brutalidade da família. O conflito tende por se romper no lado mais fraco: da brutalidade, da violência, do corpo rijo. Mesmo que não se rompa, Billy Elliot sente que o mais importante é a dança fazer parte de si, o libertar, criar outros movimentos. Mesmo que o próprio mundo da dança se mostre inflexivel, é preciso transforma-lo, ele e qualquer mundo constituido.
Ao ser questionadocomo se sente ao dançar,Billy responde com sua simplicidade: “Eu me sinto bem.No começo é duro… mas quanto eu começo, então me esqueco de tudo e…Pareço desaparecer. Sinto algo mudando no meu corpo todo. Como um fogo dentro de mim. Eu fico lá voando como um pássaro. Como a eletricidade…”
O futuro de Billy por si só deixa de ser importante. Não por uma questão de talento ou não. Mas pois ele deixou o fluxo vital passar por si e deu um salto pela vida, pela transformação, contra a realidade opressiva, normativa, rija. O que o faria preocupar com isso se ele sente a liberdade ao voar. Não importa o futuro, nem a profissão. Desde que se continue  com sua força saltitante.

Devir/Dançar

Março 29, 2012

O Devir/Dançar em seu movimento semanal traz nesta quinta mais um encontro dançante que desta vez inclui uma nova biografia de uma das mais brilhantes dançarinas de ballet brasileiras da atualidade, a saudada bailaria principal do Royal Ballet de Londres, Roberta Marquez.

Com uma carreira internacional de sucesso desta brasileira já é reconhecida como uma das mais talentosas artistas em atuação hoje no mundo.

Roberta Marquez é uma bailarina conhecida mundialmente. Talvez ela seja a mais importante bailarina a representar o país na atualidade, onde ocupa o posto de bailarina principal do Royal Ballet de Londres. Pesando 43 quilos e com estatura de 1,56, Roberta é casada com o também bailarino André Valadão.

Nascida no Rio de Janeiro em 1980 , ela foi treinada na Escola Estadual Maria Olenewa de dança a partir dos oito anos de idade. Em 1994 ela entrou no Balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, trabalhando com Nathalia Makarova, se tornando a bailariana principal em 2002. Recebeu prêmios como Melhor dançarina do Ano (Rio, 2001) e a medalha de prata individual além de melhor casal (Competição Internacional de dança de Moscow,2001).

No ano de 2004, entrou para o The Royal Ballet of London e já assumiu o papel de bailarina principal. Um ano antes ela havia sido convidada para dançar em A bela adormecida para substituir uma bailarina contundida, e ela encantou os britânicos. Desde que entrou no Royal já dançou O lago do cisne de Balanchine, Cinderela, A tarde de um Fauno, La fille mal gardée, e muitos outros.

Um sucesso tão grande de uma bailarina brasileira no exterior talvez só seja comparado ao de Márcia Haydée, ex-diretora do Balé Nacional de Stuttgart e parceira de Rudolf Nureyev, que brilhou em outra época.

No fim de 2011 Roberta participou do Dia Mundial de Luta contra a fome, de um projeto mundial contra a fome no espetáculo “The Royal Ballet’s Gary Avis and Friends”. O evento ocorreu na cidade americana de East Anglia.

Devir/Dançar

Fevereiro 23, 2012

Nossa coluna deviriana da dança continua seus trabalhos pós-folia trazendo mais uma biografia de um dos mais importantes bailarinos soviéticos que se naturalizou norte-americano. Com uma grande experiência em palcos, Mika experimento as mais variadas formas da dança e por isto merece um espaço deviriano.

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Mikhail Baryshnikov é um bailarino natural de Riga, na Letônia, nascido em 27 de janeiro de 1948, Mikhail começou a estudar ballet aos nove anos e durante a adolescência (em 1964) entrou na tradicional Acadêmia Vaganova em Leningrado estudando com Aleksander Pushkin e logo vencendo o grande prêmio da divisão júniod da Competição International de Varna. Com o tempo ele passa de estudante para o principal dançarino do Ballet Kirov em 1969, apenas dois anos após de sua estréia na companhia no espetáculo “Giselle” apresentado no Maryinsky Theater. Logo ele se torna o principal bailarino soviético e diversos coreógrafos como Oleg Vinogradov, Konstantin Sergeyev, Igor Tchernichov e Leonid Jakobson criam ballets para ele.


Em 1974, ele deixa a União Soviética como desertor para dançar com as maiores companhias de ballet do mundo incluindo o American Ballet Theatre em Nova York onde dançou Giselle com Natalia Makarova no mesmo ano. Em 1980 ele passa a integrar o New York City Ballet e onde ele trabalhou com George Balanchine e Jerome Robbins. Em 1980 ele começa uma estabilidade de 10 anos como diretor artístico do American Ballet Theatre, promovendo uma nova geração de dançarinos e coreografos em espetáculos como “Metamorfose”. Logo Baryshnikov passa a trabalhar no cinema com Momento de Decisão (1977) e Dancers (1987) ambos de Hebert Ross, além de atuar no filme com tons autobiográficos “O sol da Meia-Noite” e policiais como “Companhia de Assassinos”.

Entre 1990 e 2002, Baryshnikov foi diretor e dançarino com o”White Oak Dance Project”, onde fora co-fundador com o coreógrafo Mark Morris e nasceu do desejo de Mikhail de “ser uma força condutora na produção da arte”, e, notavelmente expandiu o repertório e visibilidade da Dança Moderna Americana.

Em 2005, ele abriu o Baryshnikov Arts Center (BAC), um lar criativo para artistas locais e internacionais desenvolverem e apresentarem trabalhos. Dentre os vários prêmios de Baryshnikov estão Kennedy Center Honors, a medalha de honra nacional (dos Estados Unidos), o Prêmio do Bem-estar e recentemente oficial da Legião da Honra (da França).

Como diretor de ballet e também como dançarino Mikhail teve muita liberdade em diversos trabalhos, inclusive dançando em trabalhos de Adam à Tchaikovsky, de Dmitri Shostakovich à Philip Glass, de Duke Ellington à Frank Sinatra. Ele ainda fez várias expêriencias de dançar com o silêncio ou com a própria batida do coração, sempre com uma grande sensibilidade pós-moderna. Até hoje ele surpreeende muito dançando com seus mais de 60 anos.

Mikhail Baryshnikov e Liza Minelli

Devir/Dançar

Janeiro 19, 2012

Nosso devir/dançar traz mais uma biografia de um grande nome da dança. Na verdade uma das grandes pioneiras da dança moderna que estudou a dança popular de diversos povos e foi uma ativista negra.

Trata-se de Katherine Dunham, uma estudiosa da dança no mundo.

Katherine Dunham é provavelmente mais conhecida como uma dançarina legendária que propulcionou a consciência das culturas da Diaspora Africana através de sua coreografia. Sua  famosa técnica de dança reflete uma fusão de muitas culturas. Miss. Dunham foi uma verdadeira mulher da renascença, sendo uma artista, antropóloga, autor ativista, diretora, estrela de cinema, produtora, educadora, esposa, mãe e muito mais. Como dançarina ela revolucionou a dança durante várias décadas e foi um marco no respeito as danças africanas e afroamericanas. Seu papel como ativista traz o respeito à todos os povos deste mundo cheio de injustiças, segregação e racismo.


Nascida no dia 22 de junho de 1909 em Chicago, começou seus estudos de ballet em 1928 com Ludmilla Speranzeva, Vera Mirova, Mark Turbyfill e Ruth Page. No ano seguinte entrou para a Universidade de Chicago em antropologia, se focalizando na dança e morando com os nativos da Indias Orientais. Em 1930, Katherine Dunham formou o Ballet Negre, que era uma das únicas companhias de ballets disponivel para estudantes negros na época e que teve sua estréia no ano seguinte no Baile anual de Belas Artes em Chicago. Logo depois, lutando contra a falta de suporte financeiro, a companhia debandou.

Katherine Dunham na Africa, 1962–1963


No ano de 1933 ela criou uma nova companhia para jovens negros, a Negro Dance Club de Chicago, e esta experiência possibilitou reviver o Bellet Negre que exibiu “Dança espanhola e  Fantasia Negra”. Katherine ainda dançou e fez parcerias na companhia de Ruth Page. Em 1935 recebe uma bolsa de estudo do Fundo Julius Rosenwald, que lhe levou a viagens onde pesquisou a dança (principalmente negra)de Jamaica, Martinica, Trinidad e Tobago, Haiti. Ao retornar em 1936 recebe bacharelado em filosofia da Universidade de Chicago e começa a ensaiar Rara Tonga, Premiered Trópics. Logo se torna uma coreografa e diretora de vários espetáculos como Son,  A las montanas, Pins and needles, Bahiana,  entre outros.

Em 1939, sua carreira teve um grande reconhecimento, se tornando a dançarina de dança da New York Labor Stage, participou de seu primeiro cinema como coreografa “Carnaval do Ritmo”,  (e posteriormente atriz) publicou “ Livro de esboços de uma jovem dançarina em La Martinique” e dois artigos na Esquire.

No solo Dança Espanhola


Em 1945 Katherine abre a “Dunham School of Dance” em Nova York, que no ano seguinte mudou para o nome de “Katherine Dunham School of Arts and Research” e também dirigiu vários espetáculos de danças na Broadway. Seu trabalho acadêmico como antropóloga e ativista também continua em atividade, e a fazendo respeitada em todo mundo.

Katherine Dunham e John Pratt

Em 1949 viaja com sua companhia pelo mundo, se apresentando no Théatre National de l’Opéra em Paris e apareceu no filme italiano “Botta e risposta”. Neste mesmo ano casa com o desenhista de roupas John Pratt e adota Marie-Christine. Em 1951 publica “Danças do Haiti” com prefácio de Claude Lévi-Strauss e faz turnê pela América do Sul, Europa, e Norte da África. No ano seguinte recebe o titulo de Cavaleira da Legião de Honra e Mérito do Haiti, e ao mudar o nome novamente da companhia para “Katherine Dunham School of Cultural Arts” compõe uma homenagem a Dorival Caimmy, Acarajé.

Katherine Dunham Companhia de dança

Com uma rica produção cultural da dança, a companhia Dunham se desmembra em 1960 e Katherine raramente aparece em palco, se focando no ensino, coreografia estudos e projetos e tendo cada vez maior reconhecimento. Em 1977 abre o Katherine Dunham Museu e Oficina Infantil, recebendo o seu primeiro doutorado causa honoris da Universidade de Atlanta. Em 1986 recebeu a condecoração Cruz do Sul do governo brasileiro, além da Medalha de mérito artístico em dança da Unesco, mas recebe a notícia da morte de seu marido. No ano de 1991 publica seu livro “Dança negra: de 1619 até hoje” e no ano seguinte protesta através de greve de fone contra a situação dos haitianos refugiados que buscam asilo nos Estados Unidos e cujo presidente George Bush  ordenou a extradição.


No dia 21 de Maio de 2006, Katherine Duncan partiu desta vida deixando um legado incontável no mundo da dança. Uma performance da Técnica de Dunham envolve a imersão de estilos de dança poliritmicos em continuo movimento. Katherine Dunham foi a primeira a combiner os movimentos individualisticos da cultura Caribenha e Africana com o ballet de estilo europeu. Ela foi mais longe misturando pesquisas antropológicas no campo da dança artística por incluir unicamente rituais culturais e sociais em performances públicas. Em seus estudos de antropologia ela buscava as raizes da dança negra, e ela fundou-as em muitos lugares  diferentes. Ela entrelaçou estas raises em uma nova forma de dança e criou a primeira companhia de dança negra. Fundadora de mais de 60 escolas, ela é considerada a “matriarca negra” da dança moderna. Em 2003, durante um tributo em Nova York, ela voltou para o público com a seguinte declaração:


“Há uma coisa que gostaria de dizer: estou cansada de ser considerada uma lider da dança negra. Eu sou apenas uma pessoa que neste pais é chamada “negra”. Eu insistirei em ser chamado, única, uma pessoa, e duas, um ser humano.”

Katherine Dunham fala com mulheres em Cuba

O escritor, cineasta e artista Jean Cocteau disse uma frase célebra sobre Katherine

“‘Se nós escritores pudessemos dizer com nossas canetas o que Katherine Dunham diz com suas pernas, nossas escritas seriam proibidas”.

Devir/dançar

Janeiro 12, 2012

Nosta coluna semanal devir/dançar traz uma nova composição dançante. Desta vez trazemos o mundo da dança a partir da realidade ‘corte-a-carne-de-vocês’ do documentário. Esta união que temos trazido entre as artes e a dança agora ficará em uma real-idade da dança brasilis.

Por se tratar de um doc. a película se distancia um pouco do ficcional e vem mostrar um pouco o que é ser dançarino em um país como o Brasil: cheio de desigualdades, mas de muita corporiedade e alegria. Em um país cheio de danças (e quantas) ainda há muitas barreiras quando se trata de danças não-populares ou clássicas como o Ballet. “Qual a chance de uma negra fazer parte do Ballet do Teatro Municipal do Rio” pergunta a negra bailante; “Nenhuma” responde a  dona da academia. E esta idéia segregadora do ballet ainda persegue quem é pobre e quer ser um artista da dança.

DEVIR/DANÇAR
ENUNCIA

SOMENTE QUANDO EU DANÇO

(Ou Vida Ballet)

Título Original: Only when I dance

Direção: Beadie Finzi

Ano/País: 2009 / Reino Unido

Duração: 78 minutos

Quando nascemos todos nós dançamos desinibidamente, mesmo que escondidos dos olhares de juizo dos pais. Isto pois a dança é parte do movimento da vida e todos nós nascemos sem bloquear esta força.

Porém crescemos e alguns resolvem utilizar esta força como expressão artística da dança e se torna um ‘profissional’ artista. Esta escolha porém devido as ainda grandes desigualdades sociais está longe das perspectivas dos mais pobres que ainda lutam para suprir as necessidades básicas, e que ‘não tem’ como conceber as artes como as artes como movimento vital. Porém quando eles descobrem que podem ir além eles desconstroem a lógica do capital e da servidão.

O documentário conta a história de dois garotos pobres brasileiros que estão lutando para se tornar dançarinos.  Irlan Santos da Silva é um jovem de 17 anos que mora no Complexo do Alemão no Rio e estudo junto com Isabela Coracy A. N. Santos que também vive uma vida difícil frente a real-idade social que são impostos. Ambos  estudam no Centro de Dança Rio, uma escola onde a proprietária Mariza Estrella dá bolsa de estudos para Irlan e Isabela para que eles possam conseguir se tornar bailarinos no exterior.

Percebe-se que ambos tem uma grande dedicação e sonham conseguir uma oportunidade. Obviamente com seus talentos seria fácil serem profissionais no Brasil. Mas o proselitismo e preconceito são muito grandes. A única chance é através das competições onde os bailarinos se degladiam frente aos juris para dançar dois minutos no máximo em busca de uma vaga.

Em uma seletiva nacional para ir pra Nova Yorke participar do prêmio “Youth America Grand Prix” haviam 120 jovens para 25 vagas. Para os jovens mais carentes além do nervosismo e pressão do palco, há a dificuldade financeira e investimento feito, havendo quase uma ‘impossibilidade’ de falhar. Mas sabemos que há frustrações frente a um mundo triste como este.  E esta vida de incertezas, lutas, frustrações são mostradas no documentário, junto com muita beleza e envolvimento nas danças e coreografias. Vemos que Irlan, Isabella e muitos outros são graciosos no palco e que ao menos alí eles tem como se igualar frente aos bailarinos vindo de meios mais abastados.

As viagens para o exterior são um duro passo para os pais dos dois que vivem nas favelas. Mas eles também mostram que é preciso ultrapassar estas barreiras que o mundo capitalizante impõe, de que um pobre negro não pode brilhar como bailarino pelo seu empenho. E assim o documentário tece sem envolver muito pieguismo a saga dos dois, e suas super-ações através do seu produzir artistico e da vontade transformadora de saber. Irlan e Isabella terminam a história em trajetórias diferentes, mas como não sabemos os acasos que comporemos no amanhã podemos sempre aprimorar e melhorar.

No vídeo abaixo temos uma das apresentações belissimas que Irlan fez no Prix de Lausanne (um prêmio suiço) que se mostra baseado um pouco da vida e dança do genial bailarino russo Vaslav Nijinsky.