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O mundo da arte em uma obra

Junho 14, 2013

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O MUNDO DA ARTE EM UNA OBRA

“A Moça (com um livro

De Almeida Júnior
Moça de Almeida Júnior grande

““A importância de Almeida Júnior é a sua brasilidade. Ele retrata o que está a sua volta, as pessoas e a paisagem de sua terra, com claridade tropical. Gente de carne e osso, como o “Derrubador Brasileiro”, e não mais figurando nas óperas de Alencar cheia de bons sentimentos portugueses”
GLAUCO RODRIGUES

 

A linguagem acadêmica e a visão quase fotográfica que se revelam nos quadros de Almeida Júnior situam-no como um pintor convencional. Entretanto, a originalidade do tema, a captação da realidade brasileira, através das representações de cenas caipiras, denotam um certo espírito renovador, antecipando o ideal que animará os modernistas, pesquisadores, dos motivos típicos de nossa terra.

Em Itú, onde nasceu em 8 de maio de 1850, José Ferras de Almeida Júnior aprende a amar o seu ambiente rústico da roça e desenvole seu talento artístico, através do desenho. A vocação da infância prolonga-se até a mocidade e, em 1869, ele vai para o Rio de Janeiro, com a intenção de matricular-se na Academia Imperial de Belas-Artes. Terminado o curso, volta para a terra natal em 1874. Um ano depois, Dom Pedro II vai a São Paulo e, vendo o tetrato do Comendador Antonio de Queirós Teles, pintado por Almeida Júnior, reconhece o valor do artista e lhe concede uma bolsa de estudos na Europa. Entre 1876 e 1882, o jovem pintor lá permanece, estudando inclusive com Alexandre Cabanel, um dos mais renomados coloristas franceses da época.  Neste período de aprendizado, Almeida Jr. expõe no Salão de Paris em 1881 e 1882 obras como O Derrubador, Remorso de Judas, Fuga para o Egito e O Descanso do Modelo. Da arte francesa se inspira no realismo de Jules Breton e Jean-Fraçois Millet.

Quando volta traz consigo novas experiências e uma enorme saudade do Brasil.Superada a fase dos temas bílicos, surge em sua obra a série de quadros caipiras como Caipiras Nagaceando, Caipira picando fumo, O violeiro Em 1899, Almeida Júnior é um pintor consagrado e sua produtividade continua cada vez mais intensa. Entretanto neste ano, um trágico acontecimento rouba-lhe a vida. No dia 13 de novembro o artista é assassinado à porta de um hotel de Piracicaba.O Dia do Artista Plástico brasileiro é comemorado a 8 de maio, data de nascimento do pintor.

O mundo da arte em uma obra

Maio 31, 2013

Nossa coluna de arte sextavada traz uma “nobra” obra. E uma obra que é considerada um dos grandes clássicos da arte moderna, sendo um dos quadros apreciados mas indescritível  Por seu formato largo como um painel, e suas formas estranhas, nem sempre é apreciado pelo público.

Seu pintor foi bastante ativo nos mais diversos meios da expressão plástica. Independente do meio ele teve uma notável fama em vida e pintou grandes obras primas que são até hoje consideradas vanguardistas. 

A nossa una obra de hoje traz uma de suas principais telas e que além de ser bastante conhecida, muitas vezes não consegue ser “analisada” tamanho sua singularidade. Muitos somente conseguem a remeter ao artista. Por isto trazemos uma obra importante, além de sua história e concepção.

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O MUNDO DA ARTE EM UNA OBRA

“Guernica

De Pablo Picasso
guernica

“Arte não é a aplicação de um cânone de beleza mas o que o instinto e o cérebro podem conceber além de qualquer cânone. Quando amamos uma mulher nós não começamos a medir seus membros.”

Picasso_signature

O escultor, pintor, gravurista, ceramista, pintor de cenários Pablo Picasso ou Pablo Ruiz Picasso nasceu no dia 25 de outubro de 1881, em Malaga na Espanha filho do artista Jose Ruiz, e de Maria Picasso. Um artista prodígio aos 14 anos, completou um exame de qualificação de um mês para a Academia de Belas Artes de Barcelona (Academy of Fine Arts in Barcelona) em um dia. Ele foi para a Academia de San Fernando em Madri, voltando para Barcelona em 1900, onde frequentava o cabaré mais famoso da cidade, Els Quatre Gats, repleto de intelectuais e artistas.

Picasso foi um dos fundadores do movimento cubista, ou cubismo, e foi criador da escultura construída  da colagem. Teve diversas fases como a azul, rosa, afro, e sofreu influência do simbolismo e realismo. Além do cubismo teve contato com outras vanguardas europeias e tem obras ligadas ao surrealismo, neo-expressionismo e classicismo.

Guernica é certamente a mais poderosa declaração política de Picasso, pintada como uma reação imediata a devastação feita por bombas nazistas na cidade basca de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola. Guernica retrata as tragédias da guerra e o sofrimento que inflinge sobre indivíduos, particularmente cidadãos inocentes. Este trabalho ganhou status monumental, se tornando um lembrete perpétuo das tragédias da guerra, um símbolo anti-guerra, uma materialização da faz. Após terminar a obra, ela foi mostrada por todo mundo em uma tour breve, se tornando famosa e amplamente aclamada, além de levar atenção do mundo a guerra civil espanhola.

Guernica é uma cidade que durante a guerra civil foi considerada como um bastião nortista do movimento de resistência republicano e o epicentro da cultura basca, além de sua significação como um alvo. As forças republicanas eram compostas de  diversas facções (Comunistas, socialistas, anarquistas etc) com ampla diferença no que se refere a metas de um eventual governo, mas com uma oposição comum aos nacionalistas do General Franco. Os nacionalistas também se faccionaram e buscaram um retorno aos dias dourados da Espanha com base na lei, na ordem e nos valores tradicionais da família católica. Foi em Guernica que a árvore de carvalho tornou-se o símbolo sagrado da liberdade Basca e suas tradições.

Por volta das 16:30 de uma segunda, 26 de Abril de 1937, aviões da Legião Condor alemã, comandada pelo coronel Wolfram von Richthofen, bombardearam Guernica por três horas, matando mais de 1.900 pessoas, todas civis. Desta vez comandada por Hitler, a Alemanha tinha emprestado material de apoio dos nacionalistas e estavam usando a guerra como oportunidade para testar novas armas e táticas. Posteriormente, o intenso bombardeio aéreo se tornou um passo crucial na tática do Blitzkrieg.

Após o bombardeio, Picasso estava ciente de o que tinha acontecido em seu país de origem. Na época trabalhava em um mural para “Paris Exhibition” do verão de 1937, comissionado pelo governo republicano da espanha. Ele desertou sua ideia original e no dia 1 de maio de 1937 começou Guernica. Este cativou sua imaginação ao contrário de sua ideia anterior, na qual ele estava trabalhando de certa forma sem paixão, por alguns meses. É interessante notar, também, que em seu desvelamento na Exibição de Paris, ganhou pouca atenção. Só teria seu poder posteriormente como um potente símbolo da destruição de vidas inocentes na guerra.

Este trabalho aparenta ser a junção dos estilos épicos e pastorais. Guernica é azul e branca com 3,5 metros (11 pés) de altura e 7,8 metros (25,6 pés) de largura, uma tela do tamanho de um mural pintada em óleo. Esta pintura atualmente pode ser vista no Museo Reina Sofía em Madrid. Não há aviões nem armas na tela, somente um grito, um emblema do horror das guerras.

Interpretações de Guernica variam profundamente e se contradizem. Isto se extende, por exemplo para os dois elementos
dominantes do quadro: o touro e o cavalo. Para a historiadora da arte Patricia Failing “o touro e o cavalo são personagens importantes na cultura espanhola. O próprio Picasso certamente usou estes personagem para brincar com muitos papeis ao mesmo
tempo. Isto fez a tarefa de interpretar os significados do cavalo e do touro muito difícil. Sua relação é um tipo de balé que foi concebido em uma variedade de formas através da carreira de Picasso.

Alguns críticos alertam contra a mensagem política em Guernica. Por exemplo, o touro alvoroçado, um dos maiores motivos de destruição na obra, foi anteriormente usado, como um touro ou um Minotauro, como o ego de Picasso. Além disto, o touro provavelmente representa o ataque violento do Facismo. Picasso disse que ele significava brutalidade e escuridão, presumidamente remanescente do seu profético. Ele também falou que o cavalo representava as pessoas em Guernica.

Em 1950, os cineastas franceses Alain Resnais e Robert Hessens fizeram um documentário poiético sobre o quadro e sua história. O diretor Emir Kusturica também realizou em 1978 um curta homônimo sobre um avô e seu neto que visitam um museu e vêem o trabalho de Picasso. Há ainda um drama surrealista de 1975 chamado “A árvore de Guernica” do diretor Fernando Arrabal.

“Artistas ruins copiam. Bons artistam roubam” Pablo  Picasso ou

Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Crispiniano de la Santísima Trinidad.

O mundo da arte em uma obra

Maio 17, 2013

Nossa coluna de sexta-feira traz uma obra proveniente de uma das mais famosas vanguardas européias: o surrealismo. A obra é referência mundial na história da arte e já teve diversas releituras por artistas.

Porém mais do que uma simples obra do surrealismo trata-se em uma arte indagadora, sobre a sexualidade, o amor e a existência humana. Seu pintor auxiliou a pensar pelo surrealismo a presença do homem e suas ações na terra. O filósofo Michel Foucault fez um de seus livros com base em um questionamento presente em sua obra: Isto não é um cachimbo.

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O MUNDO DA ARTE EM UNA OBRA

“Os amantes

De René Magritte
Rene Magritte - The lovers 1928 MoMa (le perreux sur marne )

“Há uma afinidade secreta entre certas imagens; ocorrem igualmente para as imagens que representam estas imagens (…) A palavra dá brilho a imagem, define a mágica.” 

Magritte_autograph signature

René Magritte ou René-François-Ghislain Magritte (1898-1967) foi um pintor, esbocista, gravurista, escultor, fotografo e cinegrafista belga, ligado ao movimento surrealista belga e posteriormente o movimento surrealista francês e que estudou na Academia de Belas Artes de Bruxelas.

O movimento surrealista tem boa influência na psicanálise principalmente na teoria da interpretação dos sonhos de Freud onde deram muita importância aos símbolos constituídos.

O pintor foi influenciado movimento de arte abstrata De Stijl e pelo pintor  Giorgio De Chirico, o criador da pintura metafísica ou metafílistica. Em seu trabalho embora falte o drama do desenvolvimento estilístico tradicional, teve grande popularidade e no fim de sua vida lhe rendeu um grande sucesso mundial.

A obra acima mostra como um ato de paixão pode se tornar frustrado e ser isolado. Há uma dificuldade de se tirar os véus, o que pode ser interpretado como a inabilidade de desvelar por completo a natureza real até mesmo dos nossos mais íntimos companheiros (quem sabe inclusive uma menção ao inconsciente freudiano).

Além disto muitos relacionam os trabalhos (há mais de um) de Magritte envolvendo o asfixiamento, com o fato de sua mãe ter cometido suícidio por afogamento, quando o artista tinha 14 anos, e testemunhou sua mãe sendo retirada do rio tendo sua cabeça envolta em sua camisola.

O próprio Magritte em condição de “analizado” descordava destas interpretações negando qualquer relação das pinturas e a morte de sua mãe. Ele escreveu “Minha pintura são imagens visíveis que não oculta nada (…) elas evocam mistério e, de fato, quando alguém vê uma de minhas pinturas, se pergunta esta simples questão “O que ela significa?” Ela não significa nada, pois mistério também não significa nada, é incogniscível”.

Eis aí a versão repressiva de Eros e Psique: dois seres, enclausurados num cubiculo e em suas vestes, sem corpo e sem rosto, enlaçados pelas convenções. Encontro sem contato (as bocas não se beijam, beijam trapos e sem intimidade, pois, no cubículo fechado e sob panos que cobrem seus corpos, se descobre a presença da sociedade inteira, vigiando o pobre par.

Marilena Chauí em Repressão Sexual essa nossa (des)conhecida

O mundo da arte em uma obra

Maio 10, 2013

Nossa coluna sextante traz uma obra pré-moderna mas que é considerada moderna. Realista mas quiça erótica. Poiética porém polêmica. Uma obra que por muito tempo foi escondida em coleções particulares e hoje está revelada.

Trata-se de uma das obras do realismo francês que traz a cena originária da existência por onde todos nós, independente das diferenças passamos. Corpos, vidas, realidades.

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O MUNDO DA ARTE EM UNA OBRA

“A origem do mundo

De Gustave Courbet
 Gustave Courbet- L'origine du monde The origin of the world 1966 Musee d'orsay

“Pintura é uma arte essencialmente concreta e pode somente consistir da representação de coisas reais e existentes. É uma linguagem completamente física, as palavras que consistem todos objetos visíveis. Um objeto que é abstrato, não visível, não existente, não está no domínio da pintura.” 

signature Gustave Courbet

Gustave Courbet foi um artista francês conhecido por ser o principal nome da arte realista em seu país. Conhecido por suas pinturas nada acadêmicas, Courbet foi uma das grandes influências para os pintores impressionistas e pós-impressionistas. Seu estilo impreciso, autodidata lhe rendeu muita admiração e também muitas críticas. Percebe na frase acima que o pintor apenas concebe a arte como uma representação do existente, do real constituído, mas que pode se tornar arte somente quando o transforma. 

O primeiro dono deste quadro, e muito provável que tenha sido encomendado, foi o diplomata turco Khalil-Bey. Futuramente esta pintura foi comprada e pertenceu ao famoso psicanalista francês Jacques Lacan. Para alguns estudiosos esta é uma das obras pioneiras da arte erótica moderna e muitos a consideram uma obra voyeurista.

Courbet acostumado em pintar de maneira libertina nús femininos, banhistas, entre outros aceitou a tarefa e se devotou a celebrar o corpo feminino. Com a imagem anatômica (quase genicológica) da genitália (ou sexo) feminina mostrando a origem do mundo, de onde todos saimos  o quadro, que vai aos limites da franqueza e ousadia, teve várias críticas principalmente dos mais puritanos que a consideraram obscena.

Graças a virtuosidade e o refinamento de seu esquema de cor âmbar, a pintura escapa de um status pornográficos. Esta nova linguagem direta e audaciosa  não teve contudo todas ligações com tradição: as pinceladas amplas e sensuais e o uso da cor lembram a pintura Veneziana de Ticiano, Veronese, Correggio e a tradição da pintura lírica carnal.

Em seu enfoque realista Courbet mostra a nudez feminina de uma forma realista e sem nenhum apelo a sensualidade. O corpo exposto revela uma mulher sem cabeça, quase anônima que assim como nossas mães colocou alguém no mundo. Mesmo com a noção de que “a mãe sempre é certa (no sentido filiativo)” esta mulher exposta mas reservada poderia ser nossa mãe, cujo o sexo e o desejo é edipianamente inconcebível se formos por um viés psicanalítico. Assim Courbet mostra uma mãe nua, que poderia ser a da nossa origem do mundo. Neste sentido o anonimato e o título nos coloca também em reflexão de que de que viemos deste lugar e continuaremos tendo o contato com a genitália replicada (no caso da mulher, ou trans a sua própria e do homem a de sua parceira).

No início deste ano o pesquisador Jean-Jacques Fernier acredita que Courbet pintou outro quadro com a cabeça da modelo de “A origem do mundo”. Porém nem o Musée d’Orsay onde a original está localizada e nem entidades ligadas ao pintor confirmaram a autenticidade. De qualquer forma colocamos abaixo uma suposta cabeça da modelo pintada em 1866 por Courbet. 

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O mundo da arte em uma obra

Maio 3, 2013

Nossa nova coluna semanal aborda a arte a partir de uma obra de arte. Junto com a obra falaremos um pouco sobre o contexto do artista dentro da história da arte e sobre uma obra. Uma que não é numero pois é único, una, infinita em si.

Cada nova obra, quando produção do novo, consegue elevar o estado de arte e desestabilizar o olhar que se espanta com o incogniscível do primeiro contato. Independente da prática cultural de um povo, ou da tradição de uma escola a obra de arte sempre é o novo, sempre tem partículas vibratórias de cor, formas e sentidos distintas. 

Esta é a razão de que é tão difícil ser artista, pois é preciso estar despojado do já conhecido para poder criar/ver o imperceptível. Assim nossa nova coluna “O mundo da arte em uma obra” inicia com 

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O MUNDO DA ARTE EM UNA OBRA

“Composição em vermelho, azul e amarelo

De Piet Mondrian
Piet Mondrian- Composition With Red, Blue and Yellow (1930), De stijl

“PARA APROXIMAR O ESPIRITUAL NA ARTE, SE DEVE FAZER O MENOR USO POSSÍVEL DA REALIDADE, POIS A REALIDADE É OPOSTA AO ESPIRITUAL” P.Mondrian

Piet Mondrian foi um artista holandês proveniente da Escola de Haia e que participou de diversas vanguardas europeias. Influenciado pelo Abstracionismo geométrico, o pintor passou pelo neo-plasticismo simbolismo, luminismo. neo-impressionismo, elementarismo e cubismo e passou por grupos artísticos como De Stijl and Nieuwe Beelding. Sua importância na história da arte está em ter um trabalho tão abrangente e rico em estilo sem esquecer também as diversas tendências da época que passam por sua obra.

Nesta obra de 1930, “Compositie met rood, blauw, en geel” ou “Composition with red, blue and yellow” de Mondrian vemos a presença do abstracionismo geométrico que a compõe quadrados e retângulos no quadro. Além do branco e preto as formas quando não são preenchidas pelo branco são pelas cores primárias que são azul, vermelho e amarelo.

Este é um quadro do auge da carreira de Mondrian que desde a década de 1910 já usava bastante a forma geométrica para expressar formas como seus Tableaus, árvores como a “The Grey Tree / De grijze boom” e “Trees in Blossom. / Bloeiende bomen”, lugares como a igreja pintada em “Church at Damburg. / Kerk te Domburg” e até um auto-retrato.

Este estilo de formas geométricas feitas com linhas ortogonais influênciou suas obras mais tardias como Broadway Boogie-Woogie e até a inacabada Victory Boogie-Woogie. Além disto obras geométricas como esta influenciam até hoje o mundo da moda, gráfico e é claro o mundo da arte. Seu trabalho influenciou escolas como a de Bauhaus, e minimalistas como Donald Judd, Frank Stella, Robert Morris e Carl Andre, além de Alfredo Volpi e outros pintores brasileiros.

Raridade sobre a história do cinema exclusivo da Afin para o mundo

Outubro 5, 2012

 

A Associação Filosofia Itinerante (Afin) pelo seu vetor kinemasófico vem trazer mais um documento sobre a história do cinema, como já haviamos feito no afinado Um Breve Toque sobre a História dos Cinema: um plano para as crianças. Este novo material conseguido em um antiquário é uma cartilha contando sobre a história do cinema.

Este livreto de cinema que está em domínio público por ser de 1930, é uma obra kinêmica de  R. Millaud, publicada em francês em 1925 e traduzida para o português por Costa Marques (Eng. Industrial I.I.C.P.) dentro da coleção Encyclopedia Pela Imagem. Esta cartilha conta desde os primeiros aparelhos que tentavam reproduzir as imagens com a velocidade da percepção da retina humana, e todos seus elementos como o obturador, mecanismos de desenrolamentos, tiragem da positiva, retardador, armazem, objetivas, mecanismos de arrastamento.

Além disso há capítulos sobre a fabricação dos filmes (sobre estúdio, iluminação, cenário, trajes, fotografia, animação, efeitos especiais, a tentativa de criar o cinema colorido e muito mais), sobre o cinema de amadores (sobre as máquinas para amadores, cinemas no ensino, entre outras coisas).

Não esquecendo que quando esta obra foi publicada ainda não havia o cinema totalmente colorido (somente havia a coloração a mão, ou mecânica, mais ainda não satisfatória). Além disso quando ocorreu a publicação em português, havia apenas um ano em que o cinema falado havia sido produzido em O Cantor de Jazz (The jazz singer, 1929).

DO TRATAMENTO

Esta edição foi escaneada afinadamente e teve um tratamento de imagem para retirar a o amarelamento da página via Photoshop, através de experimentos. Para saber como foi retirado o amarelado (ou as páginas amarelas) criados pelo tempo, nosso blog dá a receita.

Abra a imagem no Photoshop, na aba Camada (Layer) clique em nova camada de ajuste (New Adjustment Layer) e em Matiz/ Saturação (Hue/Saturation) e coloque a Saturação (Saturation) em -100% (toda pra esquerda). Pronto a página amarelada ficou branca. Isto só não funciona perfeitamente onde há manchas.

DOWNLOAD

Para baixar O Cynema da Coleção Encyclopédia pela imagem escolha uma das opções abaixo. Esta pode ser impressa, lida e distribuida gratuitamente, uma vez que se encontra em domínio público, ou quando uma obra passa mais de 70 anos de sua publicação.

Tamanho Completo (1350X1890)

Tamanho reduzido (1017 X 1416)

 

 

 

 

Arte Oriental

Janeiro 16, 2012

Mangas de quem? (Tagasode), Período Momoyama (1573–1615), fim do séc. XVI, Nova York, Metropolitan Museum of art

Nesta imagem, quimonos suntuosos envolvidos casualmente em maki-e (decoração de pó de ouro e/ou prata salpicados) engradado de verniz intimamente evocam seus desconhecidos portadores e instiga a questão, “Mangas de quem?” (Tagasode). A frase famosa cai na noção do que uma pessoa tinha em sua possessão pode ser a mais poderosa expressão de personalidade e presença física do que a semelhança convencional, e é tirado de um clássico poema japonês na seção primavera da antologia do séc. X “Coletânea de poemas japoneses antigos e dos tempos modernos” (Kokin wakashû).

    A fragrância parece ainda mais fascinante que a matiz,
    Mangas de quem  tem passado pinceladas?
    Ou seria esta ameixeira florescente aqui em casa?

    Iro yori mo
    ka koso awaredo
    omohoyure
    tagasode fureshi
    ado no ume zo mo

Nos períodos Momoyama (1573–1615) e Edo (1615–1868), protegem no estilo destas alusões populares em uma maneira contemporânea para esta tradição romântica. Padrões vivazes de ventiladores, rodas d’água, e personagens estilizados são combinados para criar ricos, decorativos efeitos nos kimonos kosode. Além da beleza visual implícita nestes padrões detalhados, as diferentes texturas do tecido de algodão e seda invocam a sensação de toque.  Mesmo a fragância do portador ausente é sugerido pela forma do verniz dobrável sustentado para o odor do kimono. Geralmente não  assinados, imagens tagasode são pensadas como se tivessem sido pintadas amplamente por “pintores da cidade,” artistas cujos trabalhos já-prontos ( ready-made) eram vendidos nas lojas em Kyoto.