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Devir/dançar

Agosto 23, 2012

Nossa coluna Devir/Dançar traz hoje mais uma página da história da dança clássica, envolvendo esta vez um grande nome da história do balé. Grande não apenas em seu trabalho de palco e performances, mas grande devido a sua importância em toda a concepção que hoje temos do ballet.

Trata-se de uma mulher que criou um dos mais importantes métodos de balés e cujo os ensinamentos são usados até hoje em todos os países onde há o estudo de balé. Trata-se de Agrippina Vaganova, criadora do conhecido e difundido Método Vaganova de Ballet que foi elaborado na Rússia e formou grandes bailarinos em todo mundo.

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Agrippina Yakovlevna Vaganova foi uma distinta bailarina, coreografa e  bailarina russa. Ela criou seu próprio método de ensino do ballet, o  Método de Balé Vaganova, enquanto seu livro “Princípios básicos do  Balé Clássico” (1934), é ainda respeitado como um dos padrões na  instrução do balé. Nele Vaganova deliniou suas idéias sobre a técnica  e pedagogia do balé.

Nascida no dia 26 de junho de 1879, em São Petersburgo, filha de um  lanterninha do Teatro Mariinsky e foi exposta ao balé desde cedo. Ela  atendeu a Escola Imperial de Balé se graduando em 1897, sendo aluna de  Lev Ivanov, Ekaterina Vazem, Pavel Gerdt e Nikolai Legat. Então entrou  no mesmo ano para o Corpo de Balé de Mariinsky.

O talento de Vaganova foi logo reconhecido pelo coreografo veterano  Marius Petipa. Ela se tornou conhecida pelos críticos como “Rainha das  variaçãoes ” de tão brilhante que eram seu solos em  Coppelia,  Don  Quixote, The Little Hump-backed Horse e nos papéis de Odette-Odile  (Lago dos cisnes), the Mazurka. Vaganova  recebeu o titulo de  Bailarina em 1915, um ano antes de sua performance de despedida.

Agrippina Vaganova ensinando Anna Pavlova

Pouco antes da revolução russa de 1917, Vaganova deixou o palco e  passou a lecionar. Por um tempo ela deu aulas na escola particular de  Balé Russo de Andru H. Volinsky, mas depois se transferiu para a  escola coreográfica de Leningrado. A partir de 1921 Agrippina Vaganova  ensinou os três ultimos níveis da Academia Coreográfica de Leningrado.

Entre 1931 e 1937 a bailarina teve a posição de diretora artística do  Balé GATOB, posteriormente chamado Ballet Kirov. Durante este período  ela montou suas versões de O lago dos Cisnes (1933) e Esmeralda (1935)  que inovava particularmente no virtuoso pas de deux no segundo Ato  “Diana e Actaeon”.Enquanto isso,Vayonen montou As chamas de Paris e  Zakharov produziu A fonte de Bakhchisarai . Estes balés do período  Vaganova ainda são considerados clássicos vivos. Em 1936 ela recebeu o  título de Artista da Federação Socialista da República da Rússica.

Contudo o que foi de real importância- O Método Vaganova, que foi  desenvolvidos ambos nas salas de ensaio de Teatro Kirov (Mariinsky) e  na Escola Coreográfica Leningrado, agora Academia de Balé Vaganova.  Nesta época o balé russo era dominado pelo velho estilo imperial- uma  plasticidade romantica aliada com a bravura italiana- e misturando a  movimentos atléticos e acrobáticos do balé russo, para formar o que se  tornaria conhecido como seu método. Este não isolava uma parte  particular do corpo, mas treinava-o como um todo harmônico e dava uma  atenção ao desenvolvimento das costas, permitindo fazer saltos  elevados e manobras no ar. Ao invés de vagas correções dadas aos  pupilos, e usando uma análise da musculatura, Vaganova deu correções  precisas para a colocação própria. Podemos dizer que Vaganova também  aprendeu muito observando Enrico Cecchetti e sua estudante, a prima  ballerina Olga Preobrajenska.
 

Durante 30 anos que ela passou ensinando balé e pedagogia, desenvolveu  uma precisa técina e sistema de instrução. De seu ensino emergiram  bailarinas brilhantes. A primeira, em 1925 foi Marina Semeonova, uma  bailarina de grande profundidade e eloquência. Logo seguiram outras  personalidades e talentos, mestrandos da Escola Vaganova.Olga Jordan  foi brilhante e doce, Galina Ulanovsa trouxe mais a suas performances  do que perfeição técnica- ela revelou profundezas não realizadas em  seus velhos papéis e quando notícias de sua fama alcançaram Josef  Stalin, ele ordenou sua transferência para o Balé de Bolshoi, onde ela  se tornou a estrela ou prima ballerina assoluta durante 16 anos. Outra  estudante de Vaganova- Tatiana Vetcheslova com seus dons de uma atriz  alcançava as alturas nas partes cômicas e dramáticas. Natalia  Dudinskaya, a mais amada das pupilas de Vaganova se tornou a estrela  do balé de Leningrado, e além de sobressair nos balés tradicionais ela  criou muitos papéis em repertórios modernos. Alla Shelest podia  transmitir a mais sutis nuâncias psicológicas.

Cada primavera trazia adiante uma nova bailarina de brilhantismo  superador instruido por Agrippina Vaganova. Em 1950 Alla Osipenko se  graduou pela escola. Sua beleza primorosa de linha não tinha igual. Em  1951 o último pupilo de Vaganova apareceu: Irina Kolpakova, uma  dançarina cujo refinamento ainda é lembrado hoje. Porém no dia 5 de  novembro deste mesmo ano Vaganova parou sua produção e ensino em  Leningrado.

Seu método de ensino foi preservado por instrutores como Vera  Kostrovitskaya. Em 1957, a escola foi nomeada “A Academia de Balé  Vaganova”, em reconhecimento da realização da professora e bailarina.  Há na entrada da Academia russa de Balé um retrato escultural que  guarda o nome Vaganova.


 

Devir/dançar

Junho 7, 2012

Nossa coluna Devir/Dançar vem trazendo o balanço das letras que envolvem o tema da dança. Mais uma vez a poesia usa de seu processual para também dançar neste tema. Além das poesias tratarem de um tema de dança, elas por si só já mostram um ritmo e movimento.

E trazemos dois grandes poetas brasileiros que poetizaram em dança: Paulo Leminsky e Antonio Risério. Junto a eles está uma poesia de um dos grandes nomes das letras mexicanas, o poeta Octávio Paz.

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senhorita chuva
me concede a honra
desta contradança
e vamos sair
por esses campos
ao som desta chuva
que cai sobre o teclado

Paulo Leminsky– Dança da Chuva

Uau uruá Kaluana
hica-nuca hurricane aiabá
essa doideira de dançar

câimbra no corpo Kaluaná
em cada fibra febre de dançar
mamãe manucaiá aché

tameáup yeah maraucá yeah
banda elétrica kamaiurá
zanza no ar

essa doideira de danças

Do poeta bahiano Antonio Risério

Já imóvel na luz, porém dançante
teu movimento na quietude que cria
na cimeira da vertigem se alia,
detendo, não ao voo, sim ao instante.

Chama que não se verte, já diamante,
sedento resplendor que não esfria
a si mesmo se queima noite e dia,
de cinzas e fogo equidistante.

Espada, língua, incêndio cinzelado,
minha sede nem suspende nem a mata,
gelada luz, luzeiro ensimesmado,

relâmpago sedento que desata
as geométricas vozes, ternura
com que fixo tua dança em escultura.

Octávio Paz, poeta mexicano em Soneto II

Devir/dançar

Maio 31, 2012

O Devir/Dançar de hoje mostra um pouco da vida e da obra de uma das mais importantes dançarinas de balé clássico em toda sua história. Hoje é lembrada como uma das mais talentosas e memoráveis bailarinas. Trata-se de Anna Pavlova, uma das pioneiras do ballet russo e talvez a primeira estrela mundial do ballet. Com sua leveza e maestria conquistou platéias e difundiu o balé em seu estágio mais alto até então.

Anna Pavlova ou Pavlowa (Анна Анатольевна Павлова em russo), foi em sua época e é talvez hoje a mais famosa dançarina do mundo. Ela teve uma longa carreira, com turnês mundiais, criando novas platéias para o balé em todos os lugares. Seu talento marcou a história e influênciou Sarah Bernhardt e Isadora Duncan, duas de suas admiradoras.

Anna Pavlova nasceu no dia 31 de janeiro de 1881, em São Petersburgo, Russia, filha de Lyubov Feodorovna, uma lavadeira, e de pai cujo a identidade não é conhecida. Quando Anna era bem pequena sua mãe casou com o soldado de reserva Matvey Pavlov, que morreu logo depois de Anna fazer dois anos. Ela e sua mãe viveram uma vida muito pobre, e passavam os verões na casa da avó. De acordo com Pavlova, ela queria ser dançarina a partir dos oito anos, quando assistiu uma apresentação de  “A bela adormeçida” no Teatro Maryinsky. Dois anos depois ela foi aceita como estudante na Escola Imperial de Balé de São Petesburgo. Esta escola para dançarinos clássicos oferecia a seus estudantes proteção material vitalícia; o czar Alexander III foi o principal apoiador e em retorno a escola exigia completa dedicação física.

Embora a jovem Pavlova era considerada frágil e não exatamente bela, ela era contudo muito flexível (capaz de dobrar e torcer com facilidade e graça). Seus talentos impressionaram o mestre do balé Marius Petipa, que se tornou o professor favorito. Anna também aprendeu com outros famosos professores da Maryinsky e coreografos como Christian Johanssen, Pavel Gerdt, e Enrico Cecchetti, que lhe deram uma base na tradição clássica. Sua estreia na companhia foi em setembro de 1899.A competição com outras dançarinas era intensa, mas Anna Pavlova logo atraiu atenção com a qualidade expressiva e poética de suas atuações. Em 1906 torna-se a primeira bailarina do balé russo.

A primeira de suas muitas viagens (é estimado que ela viajou mais de 400.000 milhas e foi vista por milhões) foi à Moscou, em 1907. No ano seguinte estreou em Paris, no Théâtre du Châtelet, com o Ballets Russes de Serguei Diaghilev. Em Fevereiro de 1910 com o masculo dançarino Mikhail Mordkin fez sua primeira aparição na America, no Metropolitan Opera House. Como a maioria do público nunca tinha visto balé clássico antes, os críticos não sabiam como descrever o que Pavlova fez no palco, e ficaram maravilhados.

Anna Pavlova com Enrico Cecchetti, o famoso criador do método de balé Cecchetti

Embora estas primeiras turnês eram realizadas com o consenso do czar a última viagem da bailarina à Rússia foi no verão de 1914. Ela estava viajando pela Alemanha e indo para Londres, quando a Alemanha declarou guerra a sua pátria em agosto daquele ano, e a proteção de Pavlova e obrigações ao czar e seu Maryinsky Theatre tinham chegado ao fim. Neste ponto e até sua morte, Pavlova continuou a fazer turnês exaustivas, sempre com sua própria companhia cujos membros vieram de diferentes paises e não eram sempre tão talentosos como ela.

Ele retornou para América do Norte várias vezes e foi para América do sul em 1917, visitando Bahia e Salvador em 1919. Uma nova turnê pelos Estados Unidos foi feita em 1921, e posteriormente sua companhia viajou para Japão, china, Índia, Burma, e Egito em 1923. Africa do Sul, Austrália e Nova Zelânde receberam sua visita em 1926 e os anos seguintes foram dedicados a uma turnê européia.

Embora as apresentações de Pavlova mudaram e foram influenciadas pelas culturas extrangeiras e novos métodos de dança, ela permaneceu de certa forma uma bailarina conservadora, apresentando com sua companhia clássicos como Giselle e A bela adormecida. Ela também criou seus próprios espetáculos populares como O Bacanal, um dueto com seu então
amigo-estudante Mikhail Fokine, e seu sinistramente belo O Cisne.

A habilidade de aceitar seu papel como portavoz de sua arte, geralmente com bom humor e sempre com devoção e pose, trouxe vasta audiência para si e eventualmente para o balé. Ela sempre quis apresentar em diferentes lugares, do mais famosos teatros da Europa até salas de concerto de Londres ou até mesmo o gigante hipódromo de Nova York.

Pavlova morou em Ivy House em London, onde tinha uma larga coleção de pássaros e animais, inclusive cisnes de estimação. Seu companheiro, produtor e talvez esposo (Pavlova deu diferentes relatos da exata natureza de suas relações) foi Victor D’andré, um amigo nativo de São Petesburgo.

Pavlova morreu de pneumoniaem Haia, na Holanda em 23 de Janeiro de 1931. Ela dançou constantemente até sua morte; suas últimas palavras foram para pedir que seu traje de Cisne estivesse preparado, e finalmente, “Faça aquele último compasso suavemente”.

Devir/Dançar

Março 29, 2012

O Devir/Dançar em seu movimento semanal traz nesta quinta mais um encontro dançante que desta vez inclui uma nova biografia de uma das mais brilhantes dançarinas de ballet brasileiras da atualidade, a saudada bailaria principal do Royal Ballet de Londres, Roberta Marquez.

Com uma carreira internacional de sucesso desta brasileira já é reconhecida como uma das mais talentosas artistas em atuação hoje no mundo.

Roberta Marquez é uma bailarina conhecida mundialmente. Talvez ela seja a mais importante bailarina a representar o país na atualidade, onde ocupa o posto de bailarina principal do Royal Ballet de Londres. Pesando 43 quilos e com estatura de 1,56, Roberta é casada com o também bailarino André Valadão.

Nascida no Rio de Janeiro em 1980 , ela foi treinada na Escola Estadual Maria Olenewa de dança a partir dos oito anos de idade. Em 1994 ela entrou no Balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, trabalhando com Nathalia Makarova, se tornando a bailariana principal em 2002. Recebeu prêmios como Melhor dançarina do Ano (Rio, 2001) e a medalha de prata individual além de melhor casal (Competição Internacional de dança de Moscow,2001).

No ano de 2004, entrou para o The Royal Ballet of London e já assumiu o papel de bailarina principal. Um ano antes ela havia sido convidada para dançar em A bela adormecida para substituir uma bailarina contundida, e ela encantou os britânicos. Desde que entrou no Royal já dançou O lago do cisne de Balanchine, Cinderela, A tarde de um Fauno, La fille mal gardée, e muitos outros.

Um sucesso tão grande de uma bailarina brasileira no exterior talvez só seja comparado ao de Márcia Haydée, ex-diretora do Balé Nacional de Stuttgart e parceira de Rudolf Nureyev, que brilhou em outra época.

No fim de 2011 Roberta participou do Dia Mundial de Luta contra a fome, de um projeto mundial contra a fome no espetáculo “The Royal Ballet’s Gary Avis and Friends”. O evento ocorreu na cidade americana de East Anglia.

Devir/Dançar

Fevereiro 23, 2012

Nossa coluna deviriana da dança continua seus trabalhos pós-folia trazendo mais uma biografia de um dos mais importantes bailarinos soviéticos que se naturalizou norte-americano. Com uma grande experiência em palcos, Mika experimento as mais variadas formas da dança e por isto merece um espaço deviriano.

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Mikhail Baryshnikov é um bailarino natural de Riga, na Letônia, nascido em 27 de janeiro de 1948, Mikhail começou a estudar ballet aos nove anos e durante a adolescência (em 1964) entrou na tradicional Acadêmia Vaganova em Leningrado estudando com Aleksander Pushkin e logo vencendo o grande prêmio da divisão júniod da Competição International de Varna. Com o tempo ele passa de estudante para o principal dançarino do Ballet Kirov em 1969, apenas dois anos após de sua estréia na companhia no espetáculo “Giselle” apresentado no Maryinsky Theater. Logo ele se torna o principal bailarino soviético e diversos coreógrafos como Oleg Vinogradov, Konstantin Sergeyev, Igor Tchernichov e Leonid Jakobson criam ballets para ele.


Em 1974, ele deixa a União Soviética como desertor para dançar com as maiores companhias de ballet do mundo incluindo o American Ballet Theatre em Nova York onde dançou Giselle com Natalia Makarova no mesmo ano. Em 1980 ele passa a integrar o New York City Ballet e onde ele trabalhou com George Balanchine e Jerome Robbins. Em 1980 ele começa uma estabilidade de 10 anos como diretor artístico do American Ballet Theatre, promovendo uma nova geração de dançarinos e coreografos em espetáculos como “Metamorfose”. Logo Baryshnikov passa a trabalhar no cinema com Momento de Decisão (1977) e Dancers (1987) ambos de Hebert Ross, além de atuar no filme com tons autobiográficos “O sol da Meia-Noite” e policiais como “Companhia de Assassinos”.

Entre 1990 e 2002, Baryshnikov foi diretor e dançarino com o”White Oak Dance Project”, onde fora co-fundador com o coreógrafo Mark Morris e nasceu do desejo de Mikhail de “ser uma força condutora na produção da arte”, e, notavelmente expandiu o repertório e visibilidade da Dança Moderna Americana.

Em 2005, ele abriu o Baryshnikov Arts Center (BAC), um lar criativo para artistas locais e internacionais desenvolverem e apresentarem trabalhos. Dentre os vários prêmios de Baryshnikov estão Kennedy Center Honors, a medalha de honra nacional (dos Estados Unidos), o Prêmio do Bem-estar e recentemente oficial da Legião da Honra (da França).

Como diretor de ballet e também como dançarino Mikhail teve muita liberdade em diversos trabalhos, inclusive dançando em trabalhos de Adam à Tchaikovsky, de Dmitri Shostakovich à Philip Glass, de Duke Ellington à Frank Sinatra. Ele ainda fez várias expêriencias de dançar com o silêncio ou com a própria batida do coração, sempre com uma grande sensibilidade pós-moderna. Até hoje ele surpreeende muito dançando com seus mais de 60 anos.

Mikhail Baryshnikov e Liza Minelli