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Festança afinina no Novo Aleixo

Julho 10, 2012

No último domingo o Bairro do Novo Aleixo em Manaus caiu na festa afinina e não faltou animação nesta produção das crianças e jovens afinados. Com muita dança, brincadeiras, música e comida a festança mais tradicional deste meiod’ano começou antes do sol de por e terminou na bela noite de luar.

Durante o arraiá tiveram várias brincadeiras. A primeira delas era a criação de uma forma de dança que fosse diferente da quadrilha e qualquer outra que foi ensignada no corpo.

E como logo a produção de novos movimentos os corpos estavam prontos para se unir ao corpo das outras crianças na animada quadrilha. E como a quadrilha afinada é feita a partir da alegria e potência coletiva, a festa ficou ainda mió.

Ao som das diversas e conhecidas composições juninas como Olha pro céu, Festa na roça, Polca Fogueteira, Pagode Russo e Piriri do centenário Mestre Lua, também conhecido como Luiz Gonzaga a quadrilha começou seus movimentos. E neste arrasta-pé homem canta e dança também, mostrando que o forró é de todos.

E como toda quadrilha além do tunel, da grande roda, do caracol, também tem a hora do casamento. A brincadeira do casório bota na roda o casamento burguês, o falso contrato feito para a partir das “paixões objetais” como escreveu o filosofo Sartre.

Assim a brincadeira propõe mostrar as duas formas de união: uma a partir do contrato falocrático que é dominada pelo “poder familiar” dos homens e outro em uma relação de amizade e companheirismo em uma tentativa de encontros e novas produções. E na teatralização da existência as jovens noivas e  noivos atuaram nestes casamentos da roça.

E a animação continuoucom mais brincadeiras como a teatralizante produção de rostidades, onde as expressões faciais tinham de uma criança tinha que ser repetida por outra. Porém como as festas juninas sempre ocorrem junto com as festividades do folguedo do bumba-meu-boi, as  brincadeiras também se voltaram ao nosso amigo boi.

A primeira delas foi de laçar a cabeça boi, onde com a corda tinha que laçar por inteiro a cabeça. Mesmo  muitas tentativas depois, o boi continou livre, já que o máximo que conseguiram lançar foi um dos chifres do boi que se movimentava contente, pois nem o grande laçador de boi Anderson Vizinho conseguiu laça-lo.

Depois de tentarem laçar o boi foi a vez de colocar o rabo no boi. Com os olhos vendados e depois de algumas giradinhas, a concentração espacial e sonora tem que guiar o corpo em sua nova posição em direção a anca do boi, onde finalmente o rabo encontraria o corpo. E foram várias tentativas para achar o boi, mas era mais fácil colocar o rabo na parede, na porta, ou até em outro colega.

A última brincadeira foi a pescaria, onde  todas crianças tinham que escolher uma linha e puxar seu próprio destino presente. Com muitos brindes como um kilo de alimento, brinquedos, roupas, acessórios, aneis, entre muitos outros.

Com tantas brincadeiras, danças e vivências também não pode faltar a hora do repouso e reposição das energias. E como a festança é para os três santos juninos João, Pedro e Antônio, a comida não poderia ser mais típica com vatapá, mingau de mungunzá, bolo de milho, paçoca e o sorvete delicioso do Nelson Noel.

 

E a comilança foi apreciada por todos com as deliciosas iguarias que foram servidas. E logo a festança chegou a fim como a fogueira que se torna cinzas. Porém assim como fenix a alegria é revivida durante todo o ano e renasce em um novo fogo na próxima festa junina.

E as crianças afinadas continuarão em sua produção durante todo o ano, pois no domingo o encontro kinemasófico continua agitando as noites que produzem novas imagens e relações.