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Belém do Pará recebe importante curso gratuito sobre História da Arte

Julho 19, 2013

Serão apenas três dias, intensos, porém. De 8 a 10 de agosto, em parceria com o Itaú Cultural, traz o curso “História da Arte – da Moderna à Contemporânea”, de forma gratuita, como parte do programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais 2011/2013, que está percorrendo nove cidades das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste do país, promovendo cursos com especialistas da área.

 

Levando em consideração os principais eventos e movimentos artísticos do modernismo até a contemporaneidade, o curso está estruturado para acontecer em três dias, como desdobramento do programa Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural.

 

São três diferentes ministrantes para abranger em cada um dos módulos períodos que vão da década de 1980 até a atualidade, com Milton Machado; da década de 1950 a 1970, com Felipe Scovino e da década de 1920 a 1940, com Paulo Miyada. A iniciativa tem como objetivo aprimorar os conhecimentos dos profissionais de todas os segmentos artísticos e amplia a parceria que o IAP vem concretizando com Instituto Itaú Cultural.

 

 Saiba quem são os ministrantes Felipe Scovino é professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi curador das exposições Décio Vieira: investigações geométricas (Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, 2010), O lugar da linha (Paço das Artes, São Paulo e MAC, Niterói, 2010), Lygia Clark: uma retrospectiva (Itaú Cultural, São Paulo, 2012) ao lado de Paulo Sergio Duarte, entre outros.

 

 

É um dos curadores do Rumos Artes Visuais 2011-13. É organizador dos livros: Arquivo Contemporâneo (7Letras, 2009), Cildo Meireles (Azougue Editorial, 2009) e Carlos Zilio (Museu de Arte Contemporânea de Niterói, 2010). Também é curador, ao lado de Pieter Tjabbes, da retrospectiva de Abraham Palatnik para o CCBB de Brasília.

 

Milton Machado é artista plástico, escritor e pesquisador. Arquiteto formado pela FAU-UFRJ (1970), Mestre em Planejamento Urbano pelo IPPUR-UFRJ (1985) e PhD em Artes Visuais pelo Goldsmiths College University of London (2000). É Professor Associado do Departamento de História e Teoria da Arte e do PPGAV-Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Escola de Belas Artes EBA/UFRJ.

 

Desde 1970, realizou inúmeras exposições individuais e participou de coletivas, no Brasil e no exterior. Tem textos publicados em meios impressos e digitais. É pesquisador do CNPq. Paulo Miyada é arquiteto e urbanista pela FAU-USP, onde cursa seu mestrado com orientação do Prof. Dr.

 

Agnaldo Farias, na área de História e Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo. Atualmente coordena o Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake. Trabalhou como assistente de curadoria da 29º Bienal Internacional de São Paulo e, como curador, nas exposições coletivas “Em Direto” (Nov 2011) e “É Preciso Confrontar as Imagens Vagas com os Gestos Claros” (Set 2012), ambas na Oficina Cultural Oswald de Andrade em SP.

 

 

Além de exposições que incluem a seção brasileira de “Beuys e bem além – Ensinar como Arte” (com Agnaldo Farias, no Instituto Tomie Ohtake, 2011), “Exposição” de Theo Craveiro (Galeria Mendes Wood, 2012) entre outras, Agnaldo também colaborou com o livro “Logo depois da vírgula – Livro de Geo-Grafia”, de Mattia Denisse (Portugal, 2011) e publicou ensaio crítico na revista Elástica n.2 (2012).

 

Ministra cursos livres no Instituto Tomie Ohtake desde 2011 e apresentou uma série de aulas de história da arte no Centro Cultural Usiminas, em Ipatinga, em 2012. Serviço Curso História da Arte – da Moderna à Contemporânea. No IAP – Instituto de Artes do Pará – Praça Justo Chermont,235, Nazaré. De 8 a 10 de agosto, das 9h às 17h (intervalo: das 12h às 14h) – 70 vagas. Inscrições no IAP. Mais informações (91) 4006-2911.

O mundo da arte em uma obra

Junho 14, 2013

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O MUNDO DA ARTE EM UNA OBRA

“A Moça (com um livro

De Almeida Júnior
Moça de Almeida Júnior grande

““A importância de Almeida Júnior é a sua brasilidade. Ele retrata o que está a sua volta, as pessoas e a paisagem de sua terra, com claridade tropical. Gente de carne e osso, como o “Derrubador Brasileiro”, e não mais figurando nas óperas de Alencar cheia de bons sentimentos portugueses”
GLAUCO RODRIGUES

 

A linguagem acadêmica e a visão quase fotográfica que se revelam nos quadros de Almeida Júnior situam-no como um pintor convencional. Entretanto, a originalidade do tema, a captação da realidade brasileira, através das representações de cenas caipiras, denotam um certo espírito renovador, antecipando o ideal que animará os modernistas, pesquisadores, dos motivos típicos de nossa terra.

Em Itú, onde nasceu em 8 de maio de 1850, José Ferras de Almeida Júnior aprende a amar o seu ambiente rústico da roça e desenvole seu talento artístico, através do desenho. A vocação da infância prolonga-se até a mocidade e, em 1869, ele vai para o Rio de Janeiro, com a intenção de matricular-se na Academia Imperial de Belas-Artes. Terminado o curso, volta para a terra natal em 1874. Um ano depois, Dom Pedro II vai a São Paulo e, vendo o tetrato do Comendador Antonio de Queirós Teles, pintado por Almeida Júnior, reconhece o valor do artista e lhe concede uma bolsa de estudos na Europa. Entre 1876 e 1882, o jovem pintor lá permanece, estudando inclusive com Alexandre Cabanel, um dos mais renomados coloristas franceses da época.  Neste período de aprendizado, Almeida Jr. expõe no Salão de Paris em 1881 e 1882 obras como O Derrubador, Remorso de Judas, Fuga para o Egito e O Descanso do Modelo. Da arte francesa se inspira no realismo de Jules Breton e Jean-Fraçois Millet.

Quando volta traz consigo novas experiências e uma enorme saudade do Brasil.Superada a fase dos temas bílicos, surge em sua obra a série de quadros caipiras como Caipiras Nagaceando, Caipira picando fumo, O violeiro Em 1899, Almeida Júnior é um pintor consagrado e sua produtividade continua cada vez mais intensa. Entretanto neste ano, um trágico acontecimento rouba-lhe a vida. No dia 13 de novembro o artista é assassinado à porta de um hotel de Piracicaba.O Dia do Artista Plástico brasileiro é comemorado a 8 de maio, data de nascimento do pintor.

O mundo da arte em uma obra

Maio 31, 2013

Nossa coluna de arte sextavada traz uma “nobra” obra. E uma obra que é considerada um dos grandes clássicos da arte moderna, sendo um dos quadros apreciados mas indescritível  Por seu formato largo como um painel, e suas formas estranhas, nem sempre é apreciado pelo público.

Seu pintor foi bastante ativo nos mais diversos meios da expressão plástica. Independente do meio ele teve uma notável fama em vida e pintou grandes obras primas que são até hoje consideradas vanguardistas. 

A nossa una obra de hoje traz uma de suas principais telas e que além de ser bastante conhecida, muitas vezes não consegue ser “analisada” tamanho sua singularidade. Muitos somente conseguem a remeter ao artista. Por isto trazemos uma obra importante, além de sua história e concepção.

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O MUNDO DA ARTE EM UNA OBRA

“Guernica

De Pablo Picasso
guernica

“Arte não é a aplicação de um cânone de beleza mas o que o instinto e o cérebro podem conceber além de qualquer cânone. Quando amamos uma mulher nós não começamos a medir seus membros.”

Picasso_signature

O escultor, pintor, gravurista, ceramista, pintor de cenários Pablo Picasso ou Pablo Ruiz Picasso nasceu no dia 25 de outubro de 1881, em Malaga na Espanha filho do artista Jose Ruiz, e de Maria Picasso. Um artista prodígio aos 14 anos, completou um exame de qualificação de um mês para a Academia de Belas Artes de Barcelona (Academy of Fine Arts in Barcelona) em um dia. Ele foi para a Academia de San Fernando em Madri, voltando para Barcelona em 1900, onde frequentava o cabaré mais famoso da cidade, Els Quatre Gats, repleto de intelectuais e artistas.

Picasso foi um dos fundadores do movimento cubista, ou cubismo, e foi criador da escultura construída  da colagem. Teve diversas fases como a azul, rosa, afro, e sofreu influência do simbolismo e realismo. Além do cubismo teve contato com outras vanguardas europeias e tem obras ligadas ao surrealismo, neo-expressionismo e classicismo.

Guernica é certamente a mais poderosa declaração política de Picasso, pintada como uma reação imediata a devastação feita por bombas nazistas na cidade basca de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola. Guernica retrata as tragédias da guerra e o sofrimento que inflinge sobre indivíduos, particularmente cidadãos inocentes. Este trabalho ganhou status monumental, se tornando um lembrete perpétuo das tragédias da guerra, um símbolo anti-guerra, uma materialização da faz. Após terminar a obra, ela foi mostrada por todo mundo em uma tour breve, se tornando famosa e amplamente aclamada, além de levar atenção do mundo a guerra civil espanhola.

Guernica é uma cidade que durante a guerra civil foi considerada como um bastião nortista do movimento de resistência republicano e o epicentro da cultura basca, além de sua significação como um alvo. As forças republicanas eram compostas de  diversas facções (Comunistas, socialistas, anarquistas etc) com ampla diferença no que se refere a metas de um eventual governo, mas com uma oposição comum aos nacionalistas do General Franco. Os nacionalistas também se faccionaram e buscaram um retorno aos dias dourados da Espanha com base na lei, na ordem e nos valores tradicionais da família católica. Foi em Guernica que a árvore de carvalho tornou-se o símbolo sagrado da liberdade Basca e suas tradições.

Por volta das 16:30 de uma segunda, 26 de Abril de 1937, aviões da Legião Condor alemã, comandada pelo coronel Wolfram von Richthofen, bombardearam Guernica por três horas, matando mais de 1.900 pessoas, todas civis. Desta vez comandada por Hitler, a Alemanha tinha emprestado material de apoio dos nacionalistas e estavam usando a guerra como oportunidade para testar novas armas e táticas. Posteriormente, o intenso bombardeio aéreo se tornou um passo crucial na tática do Blitzkrieg.

Após o bombardeio, Picasso estava ciente de o que tinha acontecido em seu país de origem. Na época trabalhava em um mural para “Paris Exhibition” do verão de 1937, comissionado pelo governo republicano da espanha. Ele desertou sua ideia original e no dia 1 de maio de 1937 começou Guernica. Este cativou sua imaginação ao contrário de sua ideia anterior, na qual ele estava trabalhando de certa forma sem paixão, por alguns meses. É interessante notar, também, que em seu desvelamento na Exibição de Paris, ganhou pouca atenção. Só teria seu poder posteriormente como um potente símbolo da destruição de vidas inocentes na guerra.

Este trabalho aparenta ser a junção dos estilos épicos e pastorais. Guernica é azul e branca com 3,5 metros (11 pés) de altura e 7,8 metros (25,6 pés) de largura, uma tela do tamanho de um mural pintada em óleo. Esta pintura atualmente pode ser vista no Museo Reina Sofía em Madrid. Não há aviões nem armas na tela, somente um grito, um emblema do horror das guerras.

Interpretações de Guernica variam profundamente e se contradizem. Isto se extende, por exemplo para os dois elementos
dominantes do quadro: o touro e o cavalo. Para a historiadora da arte Patricia Failing “o touro e o cavalo são personagens importantes na cultura espanhola. O próprio Picasso certamente usou estes personagem para brincar com muitos papeis ao mesmo
tempo. Isto fez a tarefa de interpretar os significados do cavalo e do touro muito difícil. Sua relação é um tipo de balé que foi concebido em uma variedade de formas através da carreira de Picasso.

Alguns críticos alertam contra a mensagem política em Guernica. Por exemplo, o touro alvoroçado, um dos maiores motivos de destruição na obra, foi anteriormente usado, como um touro ou um Minotauro, como o ego de Picasso. Além disto, o touro provavelmente representa o ataque violento do Facismo. Picasso disse que ele significava brutalidade e escuridão, presumidamente remanescente do seu profético. Ele também falou que o cavalo representava as pessoas em Guernica.

Em 1950, os cineastas franceses Alain Resnais e Robert Hessens fizeram um documentário poiético sobre o quadro e sua história. O diretor Emir Kusturica também realizou em 1978 um curta homônimo sobre um avô e seu neto que visitam um museu e vêem o trabalho de Picasso. Há ainda um drama surrealista de 1975 chamado “A árvore de Guernica” do diretor Fernando Arrabal.

“Artistas ruins copiam. Bons artistam roubam” Pablo  Picasso ou

Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Crispiniano de la Santísima Trinidad.

O mundo da arte em uma obra

Maio 17, 2013

Nossa coluna de sexta-feira traz uma obra proveniente de uma das mais famosas vanguardas européias: o surrealismo. A obra é referência mundial na história da arte e já teve diversas releituras por artistas.

Porém mais do que uma simples obra do surrealismo trata-se em uma arte indagadora, sobre a sexualidade, o amor e a existência humana. Seu pintor auxiliou a pensar pelo surrealismo a presença do homem e suas ações na terra. O filósofo Michel Foucault fez um de seus livros com base em um questionamento presente em sua obra: Isto não é um cachimbo.

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O MUNDO DA ARTE EM UNA OBRA

“Os amantes

De René Magritte
Rene Magritte - The lovers 1928 MoMa (le perreux sur marne )

“Há uma afinidade secreta entre certas imagens; ocorrem igualmente para as imagens que representam estas imagens (…) A palavra dá brilho a imagem, define a mágica.” 

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René Magritte ou René-François-Ghislain Magritte (1898-1967) foi um pintor, esbocista, gravurista, escultor, fotografo e cinegrafista belga, ligado ao movimento surrealista belga e posteriormente o movimento surrealista francês e que estudou na Academia de Belas Artes de Bruxelas.

O movimento surrealista tem boa influência na psicanálise principalmente na teoria da interpretação dos sonhos de Freud onde deram muita importância aos símbolos constituídos.

O pintor foi influenciado movimento de arte abstrata De Stijl e pelo pintor  Giorgio De Chirico, o criador da pintura metafísica ou metafílistica. Em seu trabalho embora falte o drama do desenvolvimento estilístico tradicional, teve grande popularidade e no fim de sua vida lhe rendeu um grande sucesso mundial.

A obra acima mostra como um ato de paixão pode se tornar frustrado e ser isolado. Há uma dificuldade de se tirar os véus, o que pode ser interpretado como a inabilidade de desvelar por completo a natureza real até mesmo dos nossos mais íntimos companheiros (quem sabe inclusive uma menção ao inconsciente freudiano).

Além disto muitos relacionam os trabalhos (há mais de um) de Magritte envolvendo o asfixiamento, com o fato de sua mãe ter cometido suícidio por afogamento, quando o artista tinha 14 anos, e testemunhou sua mãe sendo retirada do rio tendo sua cabeça envolta em sua camisola.

O próprio Magritte em condição de “analizado” descordava destas interpretações negando qualquer relação das pinturas e a morte de sua mãe. Ele escreveu “Minha pintura são imagens visíveis que não oculta nada (…) elas evocam mistério e, de fato, quando alguém vê uma de minhas pinturas, se pergunta esta simples questão “O que ela significa?” Ela não significa nada, pois mistério também não significa nada, é incogniscível”.

Eis aí a versão repressiva de Eros e Psique: dois seres, enclausurados num cubiculo e em suas vestes, sem corpo e sem rosto, enlaçados pelas convenções. Encontro sem contato (as bocas não se beijam, beijam trapos e sem intimidade, pois, no cubículo fechado e sob panos que cobrem seus corpos, se descobre a presença da sociedade inteira, vigiando o pobre par.

Marilena Chauí em Repressão Sexual essa nossa (des)conhecida

O mundo da arte em uma obra

Maio 10, 2013

Nossa coluna sextante traz uma obra pré-moderna mas que é considerada moderna. Realista mas quiça erótica. Poiética porém polêmica. Uma obra que por muito tempo foi escondida em coleções particulares e hoje está revelada.

Trata-se de uma das obras do realismo francês que traz a cena originária da existência por onde todos nós, independente das diferenças passamos. Corpos, vidas, realidades.

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O MUNDO DA ARTE EM UNA OBRA

“A origem do mundo

De Gustave Courbet
 Gustave Courbet- L'origine du monde The origin of the world 1966 Musee d'orsay

“Pintura é uma arte essencialmente concreta e pode somente consistir da representação de coisas reais e existentes. É uma linguagem completamente física, as palavras que consistem todos objetos visíveis. Um objeto que é abstrato, não visível, não existente, não está no domínio da pintura.” 

signature Gustave Courbet

Gustave Courbet foi um artista francês conhecido por ser o principal nome da arte realista em seu país. Conhecido por suas pinturas nada acadêmicas, Courbet foi uma das grandes influências para os pintores impressionistas e pós-impressionistas. Seu estilo impreciso, autodidata lhe rendeu muita admiração e também muitas críticas. Percebe na frase acima que o pintor apenas concebe a arte como uma representação do existente, do real constituído, mas que pode se tornar arte somente quando o transforma. 

O primeiro dono deste quadro, e muito provável que tenha sido encomendado, foi o diplomata turco Khalil-Bey. Futuramente esta pintura foi comprada e pertenceu ao famoso psicanalista francês Jacques Lacan. Para alguns estudiosos esta é uma das obras pioneiras da arte erótica moderna e muitos a consideram uma obra voyeurista.

Courbet acostumado em pintar de maneira libertina nús femininos, banhistas, entre outros aceitou a tarefa e se devotou a celebrar o corpo feminino. Com a imagem anatômica (quase genicológica) da genitália (ou sexo) feminina mostrando a origem do mundo, de onde todos saimos  o quadro, que vai aos limites da franqueza e ousadia, teve várias críticas principalmente dos mais puritanos que a consideraram obscena.

Graças a virtuosidade e o refinamento de seu esquema de cor âmbar, a pintura escapa de um status pornográficos. Esta nova linguagem direta e audaciosa  não teve contudo todas ligações com tradição: as pinceladas amplas e sensuais e o uso da cor lembram a pintura Veneziana de Ticiano, Veronese, Correggio e a tradição da pintura lírica carnal.

Em seu enfoque realista Courbet mostra a nudez feminina de uma forma realista e sem nenhum apelo a sensualidade. O corpo exposto revela uma mulher sem cabeça, quase anônima que assim como nossas mães colocou alguém no mundo. Mesmo com a noção de que “a mãe sempre é certa (no sentido filiativo)” esta mulher exposta mas reservada poderia ser nossa mãe, cujo o sexo e o desejo é edipianamente inconcebível se formos por um viés psicanalítico. Assim Courbet mostra uma mãe nua, que poderia ser a da nossa origem do mundo. Neste sentido o anonimato e o título nos coloca também em reflexão de que de que viemos deste lugar e continuaremos tendo o contato com a genitália replicada (no caso da mulher, ou trans a sua própria e do homem a de sua parceira).

No início deste ano o pesquisador Jean-Jacques Fernier acredita que Courbet pintou outro quadro com a cabeça da modelo de “A origem do mundo”. Porém nem o Musée d’Orsay onde a original está localizada e nem entidades ligadas ao pintor confirmaram a autenticidade. De qualquer forma colocamos abaixo uma suposta cabeça da modelo pintada em 1866 por Courbet. 

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O mundo da arte em uma obra

Maio 3, 2013

Nossa nova coluna semanal aborda a arte a partir de uma obra de arte. Junto com a obra falaremos um pouco sobre o contexto do artista dentro da história da arte e sobre uma obra. Uma que não é numero pois é único, una, infinita em si.

Cada nova obra, quando produção do novo, consegue elevar o estado de arte e desestabilizar o olhar que se espanta com o incogniscível do primeiro contato. Independente da prática cultural de um povo, ou da tradição de uma escola a obra de arte sempre é o novo, sempre tem partículas vibratórias de cor, formas e sentidos distintas. 

Esta é a razão de que é tão difícil ser artista, pois é preciso estar despojado do já conhecido para poder criar/ver o imperceptível. Assim nossa nova coluna “O mundo da arte em uma obra” inicia com 

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O MUNDO DA ARTE EM UNA OBRA

“Composição em vermelho, azul e amarelo

De Piet Mondrian
Piet Mondrian- Composition With Red, Blue and Yellow (1930), De stijl

“PARA APROXIMAR O ESPIRITUAL NA ARTE, SE DEVE FAZER O MENOR USO POSSÍVEL DA REALIDADE, POIS A REALIDADE É OPOSTA AO ESPIRITUAL” P.Mondrian

Piet Mondrian foi um artista holandês proveniente da Escola de Haia e que participou de diversas vanguardas europeias. Influenciado pelo Abstracionismo geométrico, o pintor passou pelo neo-plasticismo simbolismo, luminismo. neo-impressionismo, elementarismo e cubismo e passou por grupos artísticos como De Stijl and Nieuwe Beelding. Sua importância na história da arte está em ter um trabalho tão abrangente e rico em estilo sem esquecer também as diversas tendências da época que passam por sua obra.

Nesta obra de 1930, “Compositie met rood, blauw, en geel” ou “Composition with red, blue and yellow” de Mondrian vemos a presença do abstracionismo geométrico que a compõe quadrados e retângulos no quadro. Além do branco e preto as formas quando não são preenchidas pelo branco são pelas cores primárias que são azul, vermelho e amarelo.

Este é um quadro do auge da carreira de Mondrian que desde a década de 1910 já usava bastante a forma geométrica para expressar formas como seus Tableaus, árvores como a “The Grey Tree / De grijze boom” e “Trees in Blossom. / Bloeiende bomen”, lugares como a igreja pintada em “Church at Damburg. / Kerk te Domburg” e até um auto-retrato.

Este estilo de formas geométricas feitas com linhas ortogonais influênciou suas obras mais tardias como Broadway Boogie-Woogie e até a inacabada Victory Boogie-Woogie. Além disto obras geométricas como esta influenciam até hoje o mundo da moda, gráfico e é claro o mundo da arte. Seu trabalho influenciou escolas como a de Bauhaus, e minimalistas como Donald Judd, Frank Stella, Robert Morris e Carl Andre, além de Alfredo Volpi e outros pintores brasileiros.

Devir/Dançar

Março 14, 2013

Nosso devir/dançar de hoje traz de a produção da dança através de incríveis imagens em movimento. E como não poderiam faltar estes videos kinemicos possuem uma poiética expressividade nas mais diversas formas de dança.

Trazemos em especial alguns trabalhos do animador canadense Norman McLaren que se dedicou ao menos nestes três preciosos curtas voltados a dança. Até hoje Pas a deux é uma referência da animação de dança.

Devir/Dançar

Janeiro 3, 2013

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Nosso movimento devir / dançar ainda está em clima de festas e traz hoje um tipo de cantoria, dança e folguedo popular : o Reisado ou Folia de Reis, que ocorre sempre entre o Natal e o dia de Reis (6 de janeiro) e envolve com muita beleza diversas manifestações populares. Esta manifestação folclórica é bastante lembrada pelos trajes coloridos, enfeites e os elementos como o boizinho, chapéus típicos como o chapéu de cidade, ou chapéu de casas ou igrejas colocados sobre a cabeça de alguns participantes.

Para tratarmos do reisado vemos o verbete de Luis da Câmara Cascudo sobre o tema e trazemos alguns trabalhos artísticos com o tema da folia de reis que inclui diversas danças. Neste próximo domingo postaremos vídeos com a dança da folia de reis em edição especial do Devir/Dançar. Afinal sentimos que todo encontro bailante é especial…

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Reisado folia de reis nordeste musica dança

“É denominação erudita para os grupos que cantam e dançam na véspera e dia de Reis (6 de janeiro). Em Portugal diz-se reisada e reiseiros, que tanto pode ser o cortejo de pedintes, cantando versos religiosos ou humorísticos, quanto os autos sacros, com motivos sagrados da história de Cristo. O reisado tem sua origem na Idade Média. Da dramacidade antiga guarda apenas as embaixadas e os diálogos, como o Reisado e o guerreiro. Ao centre ao ciclo natalino, é formado por grupos músicos, cantadores e dançadores que vão de porta em porta anunciar a chegada do Messias e homenagear os três reis Magos. O reisado é conhecido também com os nomes de Reis, Folia de Reis, Boi de Reis, e o enredo é sempre a Natividade, os Reis Magos e os pastores a caminho de Belém. No Brasil a denominação sem especificação maior, refere-se sempre aos Ranchos, Ternos, grupos que festejam o Natal e Reis. Vestem-se de Calça ou saiote, com guarda-peito, uma espécie de colete enfeitado com vidrilhos, lantejoulas, espelhinhos e fitas coloridas. O Reisado pode ser apenas a cantoria como também possuir enredo ou série de pequenos atos encadeados ou não. Este folguedo foi estudado por Théo Brandão e José Maria Tenório Rocha em Alagoas” Luiz de Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore Brasileiro, 11a ed.

rodrigues Lessa- folia de reis

Rodrigues Lessa- folia de reis

Erivaldo- folia de reis em xilogravura

Erivaldo- folia de reis em xilogravura

Artista Nordestino- Folia de Reis

Artista Nordestino- Folia de Reis

Assis Costa-reisado floral

Assis Costa-reisado floral

Assis Costa- Reisado na terra do sol  (2012)

Assis Costa- Reisado na terra do sol (2012)

Zenon Barreto- Rio Grande do Norte - Reisado 1990

Zenon Barreto- Rio Grande do Norte – Reisado 1990

Devir/Dançar

Dezembro 27, 2012

devirdançarnatalino

Nosso movimento devir / dançar de hoje traz uma edição especial natalina com a dança típica da época. Claro que não poderiamos fugir da dança de época e ainda mais em uma cultura natalina tão rica quanto o Brasil.

Trouxemos então um estilo de dança e música próprio do Natal: a Pastoril. Por ser algo tão brasileiro e tão natalino, não poderia faltar a grande alegria e o estilo da dança brasileira. Posteriomente traremos mais informações sobre o pastoril e a lapinha.

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Pastoril é um folguedo popular dramático de origem européia, representado entre o Natal e a Festa de Reis (05 de janeiro), em vários Estados do Nordeste brasileiro. São cordões com diversos personagens, entre as quais as pastoras ou pastorinhas, que cantam e tocam pandeiros. De origem religiosa, também é denominado Presépio..

Pastoril de Flores- Pernambuco

Pastoril de Ponta Negra- Rio Grande do Norte

Pastoril Giselly Andrade de Recife

Pastoril da Matriz, Natal Brasileiro 2006 – CCBB Rio de Janeiro

Pastoril Flor do Amanhã- Fortaleza

Devir/dançar

Dezembro 6, 2012

Nosso irriquieto devir dançar desta quinta apresenta respeitosamento o trabalho de curtas de animação que tem como tema a dança. E a animação como produção das imagens em movimento seja por desenho em papel ou no computador é algo que traduz muito no corpo em movimento e suas (in)possibilidades.

Nesta singela seleção temos o trabalho do fabuloso animador holandês Gerrit van Dijk que recentente teve este curta projetado no kinemasófico afinado. As outras animações também são bastante ri

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Gerrit van Dijk e Monique Renault- Pas a Deux

Ryan Woodward- Thought of You

Erica Russell- Triangle

Sarah Wills- Ballet Animation

Louis Thomas- Le Ballet

Sung-Joon Yang- A nameless Ballerina