Posts Tagged ‘Italian art’

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Janeiro 31, 2012
Londres , começo de janeiro de 1874

Mercado em Constantinopla ( 1868) , PASINI



 Mercatto in Constantinopla ,  Madrid, Museo Thyssen-Bornemisza

Van Gogh que está em Londres e respira arte e escreve para o irmão suas percepções , desejos e faz uma troca de pintores que admira:

“Escrevo abaixo alguns nomes de pintores de quem eu gosto particularmente: Scheffer, Delaroche, Hébert, Feyen-Perrin, Eugène Feyen, Brion, Jundt, George Saal, Israels, Anker, Knaus, Vautier, Jourdan, Jalabert, Antigna, Compte-Calix, Rochussen, Madrazo, Ziem, Boudin, Gérôme, Fromentin, Tournemine,  Pasini,…”.

Alberto Pasini foi um pintor e litografo italiano conhecido por suas pinturas orientalistas feitas em viagens na Turquia, Constantinopla e Oriente Médio. Ele foi o pintor mais importante e que mais viajou de todos os Orientalistas italiano, tendo sucesso em toda Europa. Em seus diários de viagem ele se revelou um obsevador preciso dos costumes, arquiteturas e paisagem, com um repetortagem etnográfica.

Nascido no dia 3 de setembro de 1826 em Busseto sendo o último de cinco filhos. Aos dois anos de idade perde seu pai Giuseppe e então sua mãe Adelaida Crotti Balestre se muda com ele para Parma, onde moram com seu tio, o pintor e miniaturista Antonio Pasini que era colaborador do tipografo Bodoni. Aos 17 anos entra para Academia de Belas Artes de Parma (Accademia di Belle Arti di Parma) escolhendo o estudo das paisagens com Guiseppe Boccaccio e Girolamo Magnani e posteriormente foi levado para Paolo Toschi com quem aprendeu litografia e foi comissionado a produzir litografias de 30 vistas de castelos nos arredores de Piacenza, Lunigiana e Parma.

Depois de lutar na primeira Guerra de independência foi para Turin e logo para Genova em 1851 e Paris no mesmo ano. Lá ele se tornou familiar com o trabalho da Escola de Barbizon e passa a estudar com Toschi Henriquel Dupont e junto com o aquarelista e gravurista Eugene Ciceri e posteriormente com o membro de Barbizon Théodore Rosseau, com quem fez sua primeira participação no Salon parisiense com a litografia “A tarde”. Em 1855, graças ao interesse pelo pintor Théodore Chassériau, ele aceitou participar como esbocista de uma missão diplomática do governo francês para Pérsia brotando então o seu interesse pelo orientalismo, que esteve presente na maioria de suas pinturas desta época. A missão continuou na Turquia, Síria, Armênia, Arábia Saudita e Egito, auxiliando em diversos estudos e lhe trazendo reconhecimento como um talentoso colorista, esbocista e pintor de luz. Ele foi um narrador vivo e ilustrador estrito da realidade onde dificilmente se vê algum traço de romantismo e está totalmente ausente traços simbolistas, doutrina que estava em decadência.

Em 1859 ele fez sua segunda viagem para o Oriente Médio parando em Cairo, cruzando o desero do Sinai, junto com as costas libanesas e finalizando a viagem em Atenas. Em 1860 se casou com Marianna Celli, que permaneceu sua companheira durante toda vida, e com quem teve sua filha Claire em 1862. No verão de 1865 passou algum tempo em Cannes, onde pintou as paisagens brilhantes da Riviera françesa. Dois anos depois partiu novamente para Constantinopla, patronado pelo Embaixador francês Bourée e posteriormente indo para Turquia sob a comissão do Sultão Abdul Aziz. Devido a guerra de 1870, ele retornou para Itália e passa a morar em Cavoretto, nas colinas de Turin na Itália, fazendo visitas frequentes para Veneza e Paris. É desta época que ele faz seus estudos atmosféricos de Veneza.

De volta a Paris, ele exibiu no Salão e foi agraciado com a Legião de Honra francesa dada por Napoleão III em 1878. Além disso ele recebeu diversas comissões do “Scià” da Persia e do Sultão de Constantinopla. O mesmo “Scià” da Pérsia lhe deu o titulo de “ddel Leo e o Sol” e recebeu ainda a “Ordem de São Maurício e Lazaro” do governo Italiano.

Em 1883 ele passa um mês em Grenade em um retiro junto com os pintores Gérôme e Aublet Albert. Em 1895 ele participa do Comitê patrocinador da Bienal de Veneza, sendo ainda membro do juri da Esposizione Nazionale em Turin em 1898. Sua existência serena e frutírera (com mais de 1.000 pinturas) terminou no dia 15 de dezembro de 1899 na cidade italiana de Cavoretto. Em vida ele foi professor de  Emile Regnault de Maulmain e Adrien Jacques Sauzay. Suas cenas orientais com esboços antológicos e grande sensibilidade de cor são, apesar de sua pincelada mais solta, são similares em resumo dos efeitos daquelas de Edwin Lord Weeks. Realmente sua justaposição de diferentes tipos sociais trouxe junto traços comuns de troca e religião, seu senso natural de composião e forte sentido de realismo, combinam em seus trabalhos para criar uma imagem impactante. Sempre focando a delicadeza da luz presente no Oriente.

SOBRE A OBRA

Neste pequeno e fascinante quadro há elementos próprios da temática predileta de Pasini, expressados com elegância e um resplandecente iluminismo muito eficiente. A obra de 1868, representa uma cena com muitas imagens situadas junto à uns barcos atracados, carregados de mercadorias e com velas arriaadas, e que se vê o mar e a inevitável mesquita de Yeni Djami.

As embarcações situadas no Estreito de Bósforo e manifestavas sobre a tela com uma técnica mais consisa e meticulosa que os outros atelier que realiza o pintor- seu reflexo na água, o entrecruzado dos mastros, as escalas da corda e os cabos das velas abatido, dão lugar a uma imagem animada que recorta nitidamente contra o fundo a mesquita e o céu.

A técnica pictórica espontânea, quase própria de um esboço, é precisa e cuidada, como se o artista houvesse pintado o quadro do natural. Os efeitos atmosféricos são cristalinos ou difusos, e neles dominam um tom cinza pérola que fundem com o céu e o horizonte longínquo, interrompido em alguns lugares pelos vermelhos e amarelos pelos trajes femininos, que conferem vivacidade na zona do povo em primeiro termo, imersa em uma nuvem de poeira cinza rosácea.

Todo ele está em perfeita sintonia com o interesse do artista pelo natural que domina sua obras desde o retorno a Paris, após sua primeira viagem à Pérsia em 1856.

Pasini, que foi um grande desenhista, como advertiram seus mestres de pintura na academia de Parma, nunca deixou de pintar do ambiente natural unicamente com um fim documental, sendo que desde o início se dedicou a ele com uma técnica admiravel, elegendo alguns temas orientais pitorescos sem que lhe faltasse originalidade.  Em 1868 quando viaja a Turquia descobre Estambul. A cidade de Constantinopla com sua vida animada e caracteristica luminosa que vibra os prédios e figuras leva a um tema constante sempre com uma imaginação renovada em diversos ângulos e perspectivas.

Alberto Pasini-  Autoretrato, Galleria degli Uffizi, Florença, 1888

Alberto Pasini-  Memória do Oriente, 1880, Art Institute of Chicago

Alberto Pasini- Jogadores orientais,  Parma, Museo Glauco Lombardi

______________________________________________________________

Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.