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Tréplicas, réplicas

Maio 8, 2013

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 

Réplica- Gonçalves Dias- Canção do Exílio

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De um palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor Talvez possa espantar
As noites que eu não queira
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
E é pra ficar
Sei que o amor existe
Não sou mais triste
E a nova vida já vai chegar
E a solidão vai se acabar
E a solidão vai se acabar

Tréplica- Chico Buarque- Sabiá

Tréplicas, réplicas…

Fevereiro 13, 2013

Réplica: Cielito lindo- Composição de Quirino Mendoza y Cortés de 1882.

Tréplica: Está chegando a hora- Composição de Rubens Campos e Henricão (1942)

… You, me and us- John Jerome (1956)

Domingo de carnaval

Fevereiro 10, 2013

Todo povo brincava nas ruas,
E de longe, se ouvia cantar,
Era mês de fevereiro,
Era domingo de carnaval,
A cidade estava enfeitada,
Vinha gente de todo lugar,
É o dia das Escolas de Samba,
Na passarela, desfilar.

Pierrôs e Colombinas, animavam os salões,
Mulheres bem vestidas, alegravam o visual,
E eu nessa brincadeira, a noite inteira, sensacional,
Da praça iluminada, vinham toques de clarim,
Me lembrando Lamartini, ou coisa assim,
E toda essa brincadeira,
Só terminava, na quarta feira.

Todo povo brincava nas ruas,
E de longe, se ouvia cantar,
Era mês de fevereiro,
Era domingo de carnaval,
A cidade estava enfeitada,
Vinha gente de todo lugar,
É o dia das Escolas de Samba,
Na passarela, desfilar.

Domingo de Carnaval com Altemar Dutra

Letra: Marcos Moran

Figura1

Tréplicas, réplicas…

Fevereiro 6, 2013

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver…
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada…
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Réplica- Fernando Pessoa- Não digas nada

Não: não digas nada
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já
É ouvi-lo melhor
Do que o dirias
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias
És melhor do que tu
Não digas nada, sê
Graça no corpo nu
Que invisível se vê
Não: não digas nada
Não: não digas nada

Tréplica- Secos e Molhados- Não, não digas nada

Tréplicas, réplicas…

Dezembro 19, 2012

Ainda há pouco era apenas uma estrela
Parecia uma imensa tocha antes do mergulho
Agora vem à tona, sua ira é intensa
E você deseja saber
Se há algo que possa acalmá-lo outra vez
Os pássaros, a lua cheia e todo o céu leitoso
E todas as formas da natureza
Foram destruídas pela imagem do homem e seu choro
A moça dos lábios vermelhos mostrava toda a grandeza do mundo em lágrimas Condenado como Ulisses
E como Príamos, morto com seus companheiros
pareceu no momento em que a Lua se ia elevando
E todo o pranto forma a imagem do homem e seu lamento.

Réplica- Força Verde- poema de William Butler Yeats

Incrível Hulk Força Verde Yeats

Hulk Força Verde Yeats

(Clique para ampliar)

I

I

I

I

I

 V

Tréplica- Número 1 de O incrível Hulk de Stan Lee com trechos do poema 

Ainda há pouco, era apenas uma estrela
Uma imensa tocha antes do mergulho
Agora vem à tona
Sua ira é intensa
E você deseja saber
Se há algo
Que possa acalmá-lo outra vez
Os pássaros
A lua cheia e todo o céu leitoso
E todas as formas da natureza
Mostravam a grandeza do mundo
Em lágrimas
Condenado como ulisses
E como príamos
Morto com seus companheiros

Morto com seus companheiros
Morto…. Apareceu…..
No momento em que a lua ia se elevando
E todo pranto forma a imagem do homem

…- Zé Ramalho- Força Verde

Tréplicas, réplicas…

Novembro 7, 2012

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

Réplicas- Olavo Bilac- Ouvir Estrelas

Direi ouvir estrelas
Certo perdestes o senso
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouvi- lás
Muita vez desperto
E abro as janelas,
Pálido de espanto
Enquanto conversamos
Cintila via láctea
Como um pálido aberto
E ao vir do sol,
Saudoso e em pranto
Inda as procuro pelo céu deserto
Que conversas com elas
O que te dizem
Quando estão contigo
Ah… Amai para entendê-las
Ah… Pois só que ama pode ouvir estrelas

Tréplica: Kid Abelha- Ouvir estrelas

Tréplicas, réplicas…

Setembro 5, 2012

Ontem à noite
Eu procurei
Ver se aprendia
Como é que se fazia
Uma balada
Antes de ir
Pro meu hotel.

É que este
Coração
Já se cansou
De viver só
E quer então
Morar contigo
No Esplanada.

Eu qu’ria
Poder
Encher
Este papel
De versos lindos
É tão distinto
Ser menestrel

No futuro
As gerações
Que passariam
Diriam
É o hotel
Do menestrel

Pra m’inspirar
Abro a janela
Como um jornal
Vou fazer
A balada
Do Esplanada
E ficar sendo
O menestrel
De meu hotel

Mas não há poesia
Num hotel
Mesmo sendo
‘Splanada
Ou Grand-Hotel

Há poesia
Na dor
Na flor
No beija-flor
No elevador

Réplica: Balada do esplanada- Oswald de Andrade

Ontem de noite eu procurei
Ver se aprendia como é que se fazia
Uma balada, antes de ir pro meu hotel

É que esse coração
Já se cansou de viver só
E quer então
Morar contigo no Esplanada
Contigo no Esplanada

Pra respirar
Abro a janela
Como um jornal
Eu vou fazer a balada
Fazer a balada
Do Esplanada e ficar sendo o menestrel
E ficar sendo
O menestrel do meu hotel
Do meu hotel

Mas não há poesia em um hotel
Nem mesmo sendo
O Esplanada, um grande hotel
Há poesia na dor, na flor, no beija-flor
Na dor, na flor, no beija-flor, no elevador
No elevador

Tréplica: Cazuza- Balada do esplanada

Tréplicas, réplicas…

Agosto 1, 2012

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Réplica-Poema de sete faces- Carlos Drummond de Andrade

 

Quando eu nasci
um anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião

eis que esse anjo me disse
apertando a minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes

Let´s play that

Tréplica- Let´s play that- Torquato Neto

Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim
“inda” garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão , eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim
Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim
Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, a minha mula empacou
Mas vou até o fim
Não tem cigarro acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim ?
Eu já nem lembro “pronde” mesmo que eu vou
Mas vou até o fim
Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu estava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

Quadréplica- Chico Buarque- Até o fim

 

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.  Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Quintéplica- Adélia Prado- Com Licença Poética

 

Tréplicas, réplicas…

Maio 9, 2012

Tome-se um homem feito de nada
Como nós em tamanho natural
Embeba-se-lhe a carne
Lentamente
De uma certeza aguda, irracional
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois perto do fim
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim
Serve-se morto.

Réplica: Poesia “Receita de Heroi” de Reinaldo Edgar Ferreira

Toma-se um homem
Feito de nada como nós
Em tamanho natural

Toma-se um homem
Feito de nada como nós
Em tamanho natural

Embebece-lhe a carne
De um jeito irracional
Como a fome, como o ódio

Embebece-lhe a carne
De um jeito irracional
Como a fome, como o ódio

Depois, perto do fim
Levanta-se o pendão
E toca-se o clarim
E toca-se o clarim

Serve-se morto
Serve-se morto
morto, morto

Serve-se morto
Serve-se morto

Tréplicas: Receita Para Se Fazer Um Herói, Ira!

DIA DO TRABALHADOR COM LECI BRANDÃO

Maio 1, 2012

SONHO DO TRABALHADOR

( Roberto Serrão / Guilherme Nascimento)

Imagine se dar condições ao trabalhador
De comprar sua casa, Gozar suas férias
Trocar a marmita por livros e estudar
Não medir sacrifícios até se formar

Que vida, êo êo
Imagine eu, você e a flor
Perfumando o mundo de amor
Espalhando a brisa da emoção

A vida
Dentro vida traz ações do mal
Ser humano só se respeitar, eu nem quero imaginar

Imagine viver em um mundo diferente
Conviver entre gente sedenta de paz
Imagine levarmos a mesma bandeira
De prazer de atuar com direitos iguais
Imagine a terra, sem conflitos nem guerras
Amizade entre todas as nações