Posts Tagged ‘Literatura’

O TESTAMENTO DE JUDAS, 2017, COM A PARTICIPAÇÃO ESPECIALÍSSIMA DE JESUS CRISTO

Abril 15, 2017

A notícia correu célere: Judas Iscariotes e Jesus Cristo iriam se reunir em frente ao Palácio do Planalto para enunciarem, em repente, o intempestivo Testamento de Judas aos homens de boas e más consciências.

Como sempre ocorre quando a mensagem tem como conteúdo e expressão esses dois sublimes personagens transhistóricos, Brasília foi tomada pela maior e melhor multidão de toda sua história fazendo inveja aos filósofos Machiavel e Toni Negri, dois amigos que mais tratam da Multitudo como Potência da Multidão.

A multidão-política não somente queria sentir de perto os dois inigualáveis sacro-personagens e lhes conferir reverências, como também saber suas opiniões sobre o mal que se alojou no Brasil depois que homens e mulheres degenerados (os que sofrerem alterações teratogênicas em suas constituições genéticas impossibilitando-os da produção humana de sensibilidade, cognição e ética democrática) depuseram a presidenta Dilma Vana Rousseff, eleita com mais de 54 milhões de votos, através de um golpe idealizado, elaborado e executado por parte do Judiciário, parlamentares, mídias capitalizadas, e empresários vorazes, além de alienados-paranoicos de todos os matizes.

A multidão-política, diante dos dois magnânimos personagens, pediu que eles explicassem como o país poderia se soerguer depois de toda força predadora desencadeada pelos golpistas que afetou terrivelmente os direitos dos trabalhadores, a economia, a Previdência social, as ciências, as artes, as politicas sociais, todas as produções realizadas pelos governos populares de Lula e Dilma.

Jesus Cristo e Judas Iscariotes, em função de suas inteligências e militâncias, responderam que sabiam de tudo que estava ocorrendo de mal no Brasil, e que se encontravam dispostos a, juntos com os brasileiros de boa fé e razão, examinar o quadro maléfico e tentar procurar soluções. Mas avisaram que a democracia, citando o filósofo Spinoza, é uma contínua produção política saída da composição das potências de todos que se constitui em Bem Comum ou Estatuto do Público do Estado. Daí que todos os brasileiros deveriam produzir a democracia em todo momento. Só assim o Brasil estaria protegido contra qualquer golpe que pudesse lhe tirar o poder de criar o seu próprio destino e proteger sua soberania. E que deveriam ouvir o filósofo Marx quando ele afirma que viver é se encontrar sempre em movimento real. O movimento que descontrói a aparência criada pelo capitalismo. A máscara maior da burguesia.

Depois dessas considerações coletivas, os dois tiraram as violas dos sacos, observaram as afinações, fizeram alguns improvisos, alguns exercícios sonoros e começaram a enunciar o testamento de 2017. Quando o dueto transcendental, impulsionado pelo seu plano de imanência, soltou seus primeiros acordes, a galera foi ao delírio aplaudindo e bradando “Viva à Democracia! O regime político de Cristo e Judas que nenhum golpista vai acabar!”

JUDAS (Sorridente agradecendo ao povão, iniciou sua enunciação) –

Meu amigo Jesus Cristo

Pra começar esse repente

Explique pra todos nós

Como é que você sente

O Brasil sendo humilhado

Por essa gente demente.

 

CRISTO (Contagiado de contentamento acenando para o povão)-

Amigo Judas Iscariotes

Sinto como uma desgraça

Um povo trabalhador

Sendo ofendido em sua raça

Mas é coisa de momento

Logo resgata sua graça.

 

Judas – Mas companheiro J.C.

Isso é muito sofrimento

Esse povo não merece

Passar por esse tormento

Obra própria de tarado

Que não tem bom sentimento.

 

Cristo – Companheiro J.I.

Você tem toda razão

O homem não está no mundo

Para passar por privação

Mas não esqueça que existe

Gente mal, aberração.

(Público – E quanta aberração!)

Judas – Tenho aqui no meu juízo

Uma ideia e não me gabo

Para mim esses golpistas

Tiveram ajuda do Diabo

Porque não têm inteligência

Pra levar um golpe a cabo.

(Público – É verdade Judas!)

Cristo – Não aceito essa ideia

O Diabo é inteligente

Não mistura sua moral

Com esse tipo de gente

Que você já afirmou

Ser uma “gente demente”.

 

Judas – Eu fui mal, amigo Cristo,

Ao Diabo acusar

Ele faz suas traquinagens

Mas não iria prejudicar

Esse povo brasileiro

Que já demonstrou amar.

(Público – Eu, hein!)

Cristo – Todo golpe é praticado

Por figuras desse planeta

Não é coisa de extraterrestre

Tramando uma mutreta

Para no final das contas

Conseguir sua chupeta.

(Público – Eu sei que chupeta quer golpista!)

Judas – Para você, amigo Cristo,

Qual deles é o pior golpista

Já que têm muitos desfilando

Na famosa imensa lista

Nomes de todos os credos

Falsos político e jornalista.

(Público – Tem também gente judiciarista.)

Cristo – É verdade, Iscariotes,

Mas todo golpista é igual

Não é possível escolher

Quem é menos anormal

Por isso o testamento

Vai bombar geral.

(Público – Esse Cristo é mesmo Cristo, meu!)

Judas – Eu vou logo agraciando

O dublê de presidente

Deixando-lhe como lembrança

O Manual do Indigente.

 

Cristo – Para o dublê de presidente

Inimigo da democracia

Deixo-lhe sua cassação

Como fim da fantasia

 

Judas – Ao guloso Aécio-Mineirinho

Da Lava Jato freguês

Deixo-lhe como lembrança

O conforto cativante do xadrez.

 (Público – Também o cheiro da creolina.)

Cristo – Ao vaidoso Fernando Henrique

Que pousava de vestal

Deixo-lhe como lembrança

O escárnio da moral.

 

Judas – Ao senador Homero Jucá

O amante da suruba

Deixo-lhe como lembrança

A lei com sua curuba.

 

Cristo – Ao senador Renan Calheiros

Que do golpe cantou loas

Deixo-lhe como lembrança

Sua derrota em Alagoas.

 

Judas – Ao senador Aloísio Nunes

Que da esquerda fingiu ser dela

Deixo-lhe como lembrança

O fantasma do Marighella.

 

Cristo – Ao governador Geraldo Alckmin

Conhecido como ‘Santo’

Deixo-lhe reservado

No STF seu canto.

 

Judas – Ao senador José Sarney

O patrono do reacionarismo

Deixo-lhe como lembrança

A impotência do coronelismo.

 

Cristo – Ao senador Eduardo Braga

Que se dizia moderno

Deixo-lhe como lembrança

Da corrupção o seu terno.

 

Judas – Ao senador Omar Aziz

Que se dizia comunista

Deixo como lembrança

O martelo e a foice na lista.

 

Cristo – Ao deputado Alfredo Nascimento

Que ao Amazonino levava tucumã

Deixo como lembrança

A justiça do amanhã.

 

Judas – Aos deputados do Amazonas

Analfabetos políticos do mal

Deixo-lhes em 2018

A barca do balatal.

 

Cristo – Para o senador José Serra

Um soberbo entreguista

Deixo-lhe toda a inveja

Ao ver o Brasil progressista.

 

Judas – A Rede Globo golpista

Que odeia a democracia

Deixo como lembrança

O fim de sua aliança com a CIA.

 

Cristo – Ainda para a Rede Globo

Que vivi de simulação

Deixo-lhe o depoimento da Odebrecht

Que lhe envolve na corrupção.

 

Judas – Aos ‘justiceiros’ de Curitiba

Que perseguem Lula como um troféu

Deixo-lhes como lembrança

A ilusão que chegarão ao céu.

(Público – O céu é para os justos!)

 

Cristo – Para estes ‘justiceiros’

Que usam o nome de Deus em vão

Deixo-lhes o anseio do paraíso

Como uma grande frustração.

 

Judas – Para os amigos da blogosfera

Que não recuam jamais

Mesmo com todas as porradas

Dos grupos irracionais

Deixo-lhes a boa máxima

Lutar é que nos vivos faz.

 

Cristo – Para minha amiga Dilma

Primeira presidenta do Brasil

Como minha mãe Maria é honrada e guerreira,

Diferente do golpista vil

Deixo como lembrança

O eterno respeito desse povo varonil!

(Público – Valeu minha eterna presidenta!)

 

Judas – Perseguida desde a adolescência

Por lutar pela liberdade

Essa mulher não se curvou

Como faz todo covarde

Por isso deixo-lhe no coração

A chama que sempre arde.

 

Cristo – Para meu amigo Lula

Que pelas aberrações é invejado

Porque não são seres políticos

Como ele é formado

Deixo-lhe a certeza

Que não será aprisionado.

 

Judas – Como líder do povo brasileiro

Só Lula poderá salvar essa nação

Depois da catástrofe dos golpistas

Onde prevaleceu a destruição

Deixo-lhe a certeza

Que em 2018 terá tripla eleição!

(Público cantando – “Olê! Olê! Olê, Olê, Olá, Lula, Lula, lá!”)

 

Os Dois – Assim, povo brasileiro

Terminamos o testamento

Pode ser que muita gente

Não foi lembrada no momento

Mas quem produz democracia

Sabe que vive em nosso pensamento!

(Público – Eu vivo!).

Dar alma à correnteza: um curso com João Gilberto Noll

Janeiro 13, 2014

A proposta é evidenciar primeiramente o próprio fluxo da escrita e a vitalidade da narrativa, deixando para um segundo momento a sua prática artesanal. A escrita como descoberta de algo até então ignorado, inconsciente. A literatura vista, portanto, como o ato de surpreender, de dar voz ao silenciado. Com isso trabalha-se a tensão entre o enigma da linguagem e a comunicação narrativa.

Para ilustrar esses dois focos, pede-se a leitura de dois livros que serão comentados durante às aulas:

-Lavoura arcaica de Raduan Nassar

-O voo da madrugada de Sérgio Sant’Anna

*São matrizes de um texto mais excessivo e de outro mais distanciado, para assim instigar pendores distintos.

Durante a oficina, os participantes produzirão textos que serão lidos e comentados por João Gilberto Noll.

 Aluno

Carga horária total – 20 horas – 10 encontros

Para aspirantes a escritores, com ou sem obra em andamento.

Inscrições até 13/01/2014 ou até acabarem as vagas.

Sobre o professor 

1e6b9d4e62fa9fe49dfda80e9034b1ed2LJoão Gilberto Noll um dos maiores escritores da literatura brasileira. Publicou treze livros. Recebeu inúmeros prêmios, incluindo o Prêmio Jabuti em cinco ocasiões, em 1981, 1994, 1997, 2004 e 2005, com as obrasO Cego e a Dançarina, Harmada” ,A Céu Aberto”, ”Mínimos Múltiplos Comuns” e “Lorde”. Seu romance “HARMADA” está incluído na lista dos 100 livros essenciais brasileiros em qualquer gênero e em todas as épocas da Revista Bravo

De 20 a 31 de janeiro
Horários:
Segunda a sexta, das 20h às 22h

Inscrições: até 13 de janeiro

INFORMAÇÕES: B_arco

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Dezembro 3, 2013
Haia, 3 de setembro de 1882

Barcos em Veneza, (c. 1895), PAILLARDHenri Pierre Paillard-  Barques à Venise (c.1895) Paris, Musée du Louvre

Barques à Venise , Paris, Musée du Louvre.

Van Gogh tenta junto com seu irmão Theo reduzir as despesas com o material de pintura e sugere o contato com  o pintor francês para diminuir o custo do material:

“”Quero trazer uma coisa importante a sua atenção. Não seria possível conseguir tinta, painéis, pinceis etc pelo preço líquido? No presente eu tenho que pagar o preço de varejo. Você está em contato com Paillard ou alguém assim? Se sim, me parece que conseguiria tinta consideravelmente mais barato, por exemplo, em grandes quantidades, como branco, ocre, terra sienna, e poderiamos ter um acordo quanto ao dinheiro. Seria, é claro, mais barato. Boa pintura não consiste em usar um grande negócio de tinta, mas dar um solo com verdadeira força, fazer o céu brilhoso, as vezes não se preocupar com um tubo ou mais.
As vezes o tema requer que se pinte fracamente, as vezes o material, a natureza das coisas, torna evidente que ele deve estar empastado*.”

[* tinta em uma grossa camada]

Henri Pierre Paillard é um pintor, gravurista e ilustrador francês considerado parte dos pintores orientalistas de seu país.

Nascido no dia 6 de maio de 1844 em Paris, ele aprende ainda jovem pintura e posteriormente gravura em madeira com um antigo aluno de Porret, e posteriormente com Smeeton. A seguir ele executa gravura em água-forte.

Ele colabora em revistas como le Magasin pittoresque, le Monde illustré, la Gazette des Beaux-Arts, L’Illustration, L’Image…, e com a Société des amis des livres (Sociedade dos amigos de livros). Ele trabalha também para o editor e bibliófilo Henri Beraldi, que o acompanha diversas vezes volta aos Pirineus. Ele faz gravuras das ilustrações de Charles Jouas para o livro “les Cent ans aux Pyrénées” de Beraldi, mas os sete volumes foram finalizados sem ilustrações.

Amigo de Auguste Lepère, com quem criou um ateliê em Montmartre, ele se orienta, como ele, cada veis mais frente a gravura original. Ele logo se torma membro fundador e primeiro vice-presidente da Société de la gravure sur bois originale (Sociedade de xilogravura original).

Assim como a pintura, ele realizou trabalho pastel, aquarelas e pintura a óleo. Sua obra foi composta de paisagens parisienses e de suas viagens na França (em Provence, em Bretagne) ou no estrangeiro, na Bélgica, Holanda, Argélia, onde pintou paisagens urbanas e marinhas.

Aluno de Lavoignat em Laon. Ele começa no Salão de Arte de Paris em 1870 e a partir de 1893, após a morte de sua esposa, ele realiza uma série de viagens para a Argélia e a Europa. No mesmo ano participa do Salão dos Orientalistas Franceses (Salon des Orientalistes Français).

Ele vem a óbito no dia 26 de novembro de 1912.

______________________________________________________________

Todas as terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor mon(o)t0-ista Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui. UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Novembro 5, 2013
Haia, 2 de junho de 1882

Guardião de cabras, (1864), BILDERS

Gerard Bilders- Geitenhoedster (Guardião de cabras, 1864) Rijksmuseum

Geitenhoedster, Amsterdam, Rijksmuseum.


Continuamos a longa carta onde Van Gogh descreve a Theo as gravuras em madeira que possui:

“GRAVURAS DE MADEIRA QUE VINCENT POSSUI

1 Pasta Tipos populares irlandeses, mineiros, fábricas, pescadores, etc., na maioria pequenos esboços a pena.

1 pasta Paisagens e animais, Bodmer, Giacomelli, Lançon, a seguir algumas paisagens determinadas...

1 pasta Trabalhos do Campo de Millet, a seguir Breton, Feyen Perrin e lâminas inglesas de Herkomer, Boughton, Clausen, etc.

1 pasta Lançon

1 pasta Gavarni, completada por litografias, nenhuma rara.

1 pasta Ed. Morin

1 pasata G. Doré

1 pasta Du Maurier, muito cheia

1 pasta Ch. Keene e Sambourne

1 pasta J. Tenniel completada pelos cartoons de Beaconsfield

Falta John Leech, mas esta lacuna pode ser facilmente preenchida pois pode-se obter uma reimpressão destas gravuras em madeira, o que não é muito caro

1 pasta Barnard

1 pasta Fields e Charles Green, etc

1 pasta Pequenas gravuras em madeira francesas, álbum Boetzel, etc.

1 pasta Cenas a bordo de navios ingleses e croquis militares

1 pasta Heads of the Peole por Herkomer, completada por desenhos de outros artistas e por retratos.

1 pasta Cenas da vida popular londrina, desde os fumantes de ópio e White Chapel e The seven Dials, até figuras das damas mais elegantes, e Rotten Row of Westminter Park. Foram juntadas cenas correspondentes de Paris e Nova York. O conjunto é um curioso ‘Tale of those cities’.

1 pasta As grandes lâminas de Graphic, London News, Harpers Weekly, etc, entre as quais, Frank Holl, Herkomer, P. Renouard, Fred. Walker, P. Renouard, Menzel, Howard Pyle, Fitzgerald, Bilders…

Albertus Gerardus Bilders ou Gerard Bilders foi um pintor tonalista de paisagens, esbocista, aquarelista, gravurista e colecionador holandês associado com alguns membros da Escola de Haia (Hague School) e considerado um membro do Atelier Pulchri (Pulchri Studio).

Nascido em 9 de dezembro de 1838 em Ultrecht filho de Frederika Staudenmayer e do pintor romântico e paisagista Johannes Warnardus. Bilders começa a se interessar por arte e estuda com seu pai e posteriormente com Haye. Aos 17 anos ele aceita o apoio financeiro de Johannes Kneppelhout, um escritor que não avançou muito em sua carreira. Sua família morou em Ultrecht até 1856, apesar de durante 1841-45 eles passarem um tempo em Oosterbeek.

Em 1857 ele se muda para Haia onde passa a estudar na Academia de Belas Artes de Haia onde fica até 1859 e pinta diversas modelos nuas e vestidas. No Museu Mauritshuis ele passa a copiar as paisagens com gado de Paulus Potter.Quando viaja para Gênova ele passa a colaborar com o pintor de paisagens e de animais Charles Humbert. Em 1859 ele se torna membro da sociedade Felix Meritis que fomentava a arte na Holanda e passa a estudar na Academia de Belas Artes de Amsterdam. Em 1860 ele viaja com o pai para Bruxelas e conhece o trabalho dos pintores da Escola de Barbizon.

Ele passa a pintar paisagens paisagens de animais (especialmente as da área de Leiden) ou de figuras, com um estilo próximo dos pintores da Escola de Barbizon. Ele tentou reproduzir os humores que a paisagem evocam usando efeitos luminosos peculiares, além de um colorido e vistoso cinza quente. Quando ele misturava toda as cores da paleta com o cinza para conseguir este efeito, ele estava frequentemente insatisfeito com o resultado. Esta prenuncia o estilo de pintura tonal dos pintores da Escola de Haia.

Quando ele retornou para Oosterbeek ele conheceu o pintor de paisagens e animais Anton Mauve e os irmãos Maris. Ele morre ainda bastante jovem aos 26 anos, no dia 8 de março de 1865 em Amsterdam.

Albertus Gerard Bilders-Weiland bij Oosterbeek (Meadow near Oosterbeek, 1860)

Albertus Gerard Bilders-Weiland bij Oosterbeek (Prado próximo deOosterbeek, 1860) Rijksmuseum

______________________________________________________________

Todas as terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor mon(o)t0-ista Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui. UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Fotobiografia traz detalhes da história do escritor Antonio Callado

Outubro 23, 2013

da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A trajetória do escritor Antonio Callado (1917-1997), um dos mais importantes autores da literatura brasileira na segunda metade do século 20, está documentada em uma fotobiografia lançada na tarde de hoje (23) na Academia Brasileira de Letras (ABL), no centro do Rio de Janeiro. Com mais de 450 páginas, o livro traz detalhes e fatos pouco conhecidos sobre a obra de Callado, em depoimentos, histórias, fotos e outros registros.

A obra foi organizada pela jornalista Ana Arruda Callado, viúva do escritor, que também teve intensa atuação jornalística a partir de 1937. Durante a 2ª Guerra Mundial, Antonio Callado trabalhou no serviço brasileiro da BBC e, após o conflito, na Radiodifusão Francesa. De volta ao Brasil, foi redator-chefe do Correio da Manhã e redator do Jornal do Brasil.

“Com a fotobiografia, sei que meu compromisso com a memória dele está honrado. Publicado o livro, eu me divorcio definitivamente de Antonio Callado. Que outros cuidem dele a partir de agora”, disse Ana Arruda. “Quando nos conhecemos, ele era viúvo, tinha três filhos e uma história. Aceitava seus silêncios. Callado não falava nada sobre seus projetos”.

Antonio Callado escreveu nove romances, entre eles Quarup (1967), Bar Don Juan (1971) e Reflexos do Baile (1976), todos tendo como tema a realidade política e social do Brasil nas décadas de 50 a 70.  Sua obra literária compreende ainda seis livros de reportagem (um deles póstumo), sete peças de teatro, um livro de contos e uma biografia, além de uma letra de samba. Em 1994, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.

Engajado na luta por uma sociedade mais justa e igualitária, Callado escreveu no início dos anos 60, a partir de uma viagem a Pernambuco, uma reportagem sobre as Ligas Camponesas, movimento de trabalhadores rurais liderado por Francisco Julião. A matéria acabou resultando no livro Os Industriais da Seca e os Galileus de Pernambuco.

Na mesma época, escreveu também Tempo de Arraes, sobre o então governador daquele estado, Miguel Arraes, cassado pelo golpe militar de 1964. O próprio Callado teve seus direitos políticos suspensos por dez anos pela ditadura.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Outubro 15, 2013
Haia, 2 de junho de 1882

A Batalha de Bunker Hill (1907), PYLEHoward Pyle, The Battle of Bunker Hill, Scribner's Monthly Magazine for February, 1898

The Battle of Bunker Hill, Wilmington (DE) , Estados Unidos, Delaware Art Museum. Publicado originalmente como ilustração para Scribner’s Monthly Magazine for February, 1898


Continuamos a longa carta onde Van Gogh descreve a Theo as gravuras em madeira que possui:

“GRAVURAS DE MADEIRA QUE VINCENT POSSUI

1 Pasta Tipos populares irlandeses, mineiros, fábricas, pescadores, etc., na maioria pequenos esboços a pena.

1 pasta Paisagens e animais, Bodmer, Giacomelli, Lançon, a seguir algumas paisagens determinadas...

1 pasta Trabalhos do Campo de Millet, a seguir Breton, Feyen Perrin e lâminas inglesas de Herkomer, Boughton, Clausen, etc.

1 pasta Lançon

1 pasta Gavarni, completada por litografias, nenhuma rara.

1 pasta Ed. Morin

1 pasata G. Doré

1 pasta Du Maurier, muito cheia

1 pasta Ch. Keene e Sambourne

1 pasta J. Tenniel completada pelos cartoons de Beaconsfield

Falta John Leech, mas esta lacuna pode ser facilmente preenchida pois pode-se obter uma reimpressão destas gravuras em madeira, o que não é muito caro

1 pasta Barnard

1 pasta Fields e Charles Green, etc

1 pasta Pequenas gravuras em madeira francesas, álbum Boetzel, etc.

1 pasta Cenas a bordo de navios ingleses e croquis militares

1 pasta Heads of the Peole por Herkomer, completada por desenhos de outros artistas e por retratos.

1 pasta Cenas da vida popular londrina, desde os fumantes de ópio e White Chapel e The seven Dials, até figuras das damas mais elegantes, e Rotten Row of Westminter Park. Foram juntadas cenas correspondentes de Paris e Nova York. O conjunto é um curioso ‘Tale of those cities’.

1 pasta As grandes lâminas de Graphic, London News, Harpers Weekly, etc, entre as quais, Frank Holl, Herkomer, P. Renouard, Fred. Walker, P. Renouard, Menzel,  Howard Pyle…

“Você conhece uma revista americana chamada Harper’s Monthly? Há coisas que me deixa besta de admiração, incluindo esboços de uma cidade nos velhos dias feito por Howard Pyle.” Van Gogh em uma outra carta a Theo

Howard Pyle foi um ilustrador, escritor e artista norte-americano que originou a “Escola Brandywine” (Brandywine School) de ilustração. É considerado um dos pais da ilustração americana e o primeiro dos artistas da era do outro. Ele ficou conhecido ainda pelas imagens primordiais da história dos Estados Unidos. Sua irmã Katherine Pyle também foi pintora e ilustradora. Seu estilo de ilustração é considerado na Arte Noveau

Nascido em 5 de março 1823 em Wilmington, Delaware e desde cedo se interessou em desenho e escrita. Era um estudante indiferente mas foi encorajado pela mãe para estudar arte. Ele estudou com o pintor por três anos com o pintor F.A. Van der Weilen em Philadelphia e posteriormente na  Art Students League of New York e com Edwin Roscoe  Shrader. Seu trabalho sofreu influência de Hogarth e dos primeiros mestres alemães como Albrecht Dürer.

Em 1876 ele viaja para ilha de Chincoteague em Virginia e escreve e ilustra um artigo na Scribner’s Monthly. Um dos donos desta revista, Roswell Smith, lhe encourajou a se mudar para Nova York e começar a ilustrar profissionalmente. Ele foi encorajado por vários artistas como  Edwin Austin Abbey, A. B. Frost and Frederick S. Church. e logo e emprestou sua habilidade artística na ilustração de livros (muitas vezes infantis) como Senhorita de Shalott, Aventuras de Robin Hood, e vários livros de lendas arthurianas como Rei Arthur E Os Cavaleiros Da Tavola Redonda. Ele também ilustrou revistas como (St. Nicholas, Harper’s), especialmente em cores, para uima indústria de impressão rapidamente amadurecida. The Brandywine Conservancy e o Delaware Art Museum house possuem mais de 100 de seus trabalhos.

In 1881 Dodd, Mead and Company o comissionaram para ilustrar com desenhos coloridos dois livros infantis: The Lady of Shalott e Yankee Doodle. Este projetos estão entre os primeiros experimentos em livros coloridos impressos para crianças. Pyle emulou a cor as impressões do conhecido publicitário inglês Edmund Evans, que produziu trabalhos ilustrados por Walter Crane e outros artistas populares.

Em 12 de abril de 1881 se casa com a cantora Anne Poole com quem teve 7 filho. Ele teve uma lua de mel em 1889 quando viajou para Jamaica enquanto um de seus filhos, Sellers, morria sem explicações.

Em 1894 ele passou a lecionar ilustração na Drexel Institute of Art, Science and Industry. Após 1900 ele fundou a escola de ilustração  Howard Pyle School of Illustration Art, que posteriormente Henry C. Pitz mudou de nome para Brandywine school. Em 1906 ele fez pinturas de mural como A batalha de Nashville no capitólio de Minnesota e outros dois murais para tribunais em New Jersey.Em 1907 Howard Pyle foi eleito membro da Academia Nacional de desenho  (National Academy of Design).

Ele morreu em 9 de novembro de 1911 de uma infecção renal em Florença na Itália onde morava desde 1910 para estudar pintura em mural e os grandes mestres . Dentre os estudantes de sua escola estão Maxfield Parrish, Elenore Abbott, Violet Oakley, Allen Tupper True, Ellen Bernard Thompson Pyle, Jessie Willcox Smith, Elizabeth Shippen Green, Alice Barber Stevens, Newell Convers Wyeth, Anna Whelan Betts, Sarah S. Stilwell Weber, Philip R. Goodwin, Ethel Franklin Betts Bains,  Harvey Dunn, Thornton Oakley,  Frank Schoonover, Watson Barrat, Arthur E. Becher, Harold Matthews Brett, Walter H. Everett, Gayle Porter Hoskins, Percy van Eman, Oliver Kemp, Ethel Pennewill Brown  Leach, James Edwin McBurney, Maxfield Parrish, Frank Earle Schoonover, Thornton D. Skidmore,  Howard Everett  Smith, Jessie Willcox Smith, Wuanita Smith, C. Clyde Squires, Harry Everett Townsend.

SOBRE A OBRA

A cena representa o segundo ataque e é tomada da ala direita do quinquagésimo segundo regimento durante a guerra de independência dos Estados Unidos, com a companhia de granadeiros em primeiro plano. Na ala esquerda do regimento, sobre o comando do major, parou, e está atirando uma saraivada; a ala direita está somente marchando para tomar sua posição de tiro. O navio de guerra, atirando a meia distância é o [HMS] Lively; na distância mais remota está a fumaça da bateria em Copp’s Hill. A fumaça negra a direita é de casas queimadas em Charlestown.

Os Continentais tentaram em vão arrebentar a porta, que eram mantidas no lugar por uma barra de ferro na lateral. O oficial nesta fase era o Sétimo Pennsylvania. Aquele caido sobre sua face na direita, foi detalhado para trazer a frente a bandeira de trégua, pedindo a rendição da casa. Ele foi permitido chegar perto do regimento e então abatido ao lado da passagem.
Howard Pyle portrait

Fotografia de Howard Pyle

Howard Pyle- Attack on a Galleon (1905)Howard Pyle-Attack on a Galleon (1905)

Howard Pyle- Mark Twain's Joan of Ark, The Triumphal Entry into Rheims (1904)

Howard Pyle– Mark Twain’s Joan of Ark, The Triumphal Entry into Rheims (1904).

______________________________________________________________

Todas as terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor mon(o)t0-ista Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui. UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Outubro 8, 2013
Haia, 2 de junho de 1882

A Forja (Ciclope moderna ,1875), MENZEL

Adolf Friedrich Erdmann von MENZEL- La Forge (Cyclopes modernes, c. 1875) , Berlin, Alte Nationalgalerie

Eisenwalzwerk (Moderne Cyklopen), Berlim, Alte Nationalgalerie


Na nossa volta da coluna do estudo da arte da pintura através do artista holandês, continuamos a carta onde Van Gogh descreve a Theo as gravuras em madeira que possui:

“GRAVURAS DE MADEIRA QUE VINCENT POSSUI

1 Pasta Tipos populares irlandeses, mineiros, fábricas, pescadores, etc., na maioria pequenos esboços a pena.

1 pasta Paisagens e animais, Bodmer, Giacomelli, Lançon, a seguir algumas paisagens determinadas...

1 pasta Trabalhos do Campo de Millet, a seguir Breton, Feyen Perrin e lâminas inglesas de Herkomer, Boughton, Clausen, etc.

1 pasta Lançon

1 pasta Gavarni, completada por litografias, nenhuma rara.

1 pasta Ed. Morin

1 pasata G. Doré

1 pasta Du Maurier, muito cheia

1 pasta Ch. Keene e Sambourne

1 pasta J. Tenniel completada pelos cartoons de Beaconsfield

Falta John Leech, mas esta lacuna pode ser facilmente preenchida pois pode-se obter uma reimpressão destas gravuras em madeira, o que não é muito caro

1 pasta Barnard

1 pasta Fields e Charles Green, etc

1 pasta Pequenas gravuras em madeira francesas, álbum Boetzel, etc.

1 pasta Cenas a bordo de navios ingleses e croquis militares

1 pasta Heads of the Peole por Herkomer, completada por desenhos de outros artistas e por retratos.

1 pasta Cenas da vida popular londrina, desde os fumantes de ópio e White Chapel e The seven Dials, até figuras das damas mais elegantes, e Rotten Row of Westminter Park. Foram juntadas cenas correspondentes de Paris e Nova York. O conjunto é um curioso ‘Tale of those cities’.

1 pasta As grandes lâminas de Graphic, London News, Harpers Weekly, etc, entre as quais, Frank Holl, Herkomer, P. Renouard, Fred. Walker, P. Renouard, Menzel…

 “Nenhum dia sem desenhar.” – Adolf von Menzel

Adolf Friedrich Erdmann Von Menzel ou Adolph Von Menzel foi um pintor, ilustrador e gravurista alemão-polonês, pioneiro do realismo alemão e  conhecido pelas pinturas do cotidiano, sua técnica e estudos de cor e luz, que influenciaram o impressionismo, sua pinturas  históricas sobre história germano-prussiana e suas pinturas da corte alemã.

Nascido em Breslau (Wroclaw) na Prússia, hoje Polônia, no dia 08 Dezembro de 1815, que já mostrava talento na infância quando  aos 12 anos fez sua primeira obra artística: um desenho. Durante sua vida o baixinho Menzel, que tinha 1 metro e quarenta de  altura (4’7″), sempre foi uma figura conhecida nos bailes e na vida social. Segundo um amigo do pintor Degas ele era “um  homem baixo com óculos, pouco falante, bebendo champanhe e fazendo esboços”.

Filho de um gravurista litográfico, a quem ajudava no ofício. Mudou-se com a família para Berlim em 1830 e viu seu pai morrer  dois anos depois. Algumas fontes citam que o pai de Menzel era também o diretor de uma escola para garotas e desejava que o  filho se tornasse um professor.

Adolph assumiu a loja de seu pai e assumiu o sustento da família. Ele fez suas primeiras ilustrações em 1834 e uma série  maior de ilustrações de livros no fim da década de 1830. Apesar de um curto estudo na Academia de Berlim em 1833, Menzel é  considerado totalmente autodidata. Neste mesmo ano, a Sachse de Berlim publicou seu primeiro trabalho: um álbum de desenhos  de caneta reproduzidos em pedra para ilustra o pequeno poema de Goethe”Kiinstlers Erdenwallen”. Ele executou litografias para  ilustrar a “Denkwiirdigkeitenaus der brandenburgisch-preussischen Geschichte”, pp. 834-836; “Os cinco sentidos” e “O orador”,  também como diplomas para corporações e sociedades. Sua experiência com pintura começou em 1837 e entre 1839 e 1842 produziu  400 desenhos, revificando ao mesmo tempo a técnica de gravura em madeira, para ilustrar a obra Geschichte Friedrichs des  Grossen (“História de Frederick o grande”) de Franz Kugler. Sua obra teve um grande reconhecimento ao trabalhar  em pinturas  voltadas ao governo de Frederick, o grande nos anos de 1850.

Ele subsequentemente produziu “Friedrichs des Grossen Armee in ihrer Uniformirung” (“Os uniformes do exército de Frederick, o  grande”), “Soldaten Friedrichs des Grossen” (“Os soldados de Frederick, o grande”); e finalmente por ordem do rei Frederick  William IV, ele ilustrou os trabalhos de Frederick, o grande, “Illustrationen zu den Werken Friedrichs des Grossen  (1843-1849)”. Com estes trabalhos Menzel pode ser considerado um dos primeiros, se não o primeiro, dos ilustradores de sua  época em seu próprio estilo.

Enquanto isto Adolph teve que se organizar para estudar sozinho a arte da pintura, e posteriormente produziu um grande número  e variedade de pinturas, sempre mostrando precisa observação e uma arte honesta- assuntos ligados a vida da corte e cenas com  cotidiano como “O jantar do baile”, “Em confissão”. Dentre seus trabalhos mais importantes estão “A forja” e “Mercado em  Verona”. Já pinturas como “A coroação de William I em Koenigsberg” foi produzida como uma representação oficial da cerimônia  sem se preocupar com as tradições da pintura oficial.

Ele se tornou membro da Academia de Berlim em 1853, sendo nomeado professor em 1856. Após isto ele se tornou o principal  artista da segunda metade do século XIX e a partir de 1880 ganhou fama internacional sendo ascendido para a nobreza em 1898  (daí em diante com o título de “Von”).

Mesmo tendo se dedicado muito a gravura, Menzel foi um profícuo esbocista através de sua longa carreira e tendo um certo  reconhecimento em pintura a óleo. Sua virtuosidade e sua técnica em capturar o fenômeno visual (como a forma na qual  percebemos os objetos desfocados e borrados comparados com aqueles do primeiro plano) atraíram vasta atenção, e anteciparam  alguns dos efeitos do impressionismo francês em 30 anos.

Durante sua vida retratou a corte de Frederick com uma profunda precisão histórica e cada detalhe desde os botões em um  uniforme ou cabo de uma espada, foram meticulosamente pesquisados.

Quando visitava Paris, Menzel tinha contato com artistas de lá como Edgar Degas e Ernest Meissonier. Ele ainda viajou  diversas vezes para Viena e Verona. Ele é lembrado como um cronista inigualável da vida de Berlim. Ele recebeu o título de  cavaleiro em 1898, sendo o primeiro pintor a receber a ordem de “Águia negra” (Black Eagle). Ele teve ainda um funeral de  Estado em sua morte que ocorreu em Berlim no dia 09 Fevereiro de 1905. De sua produção mais de 10.000 desenhos sobreviveram,  o que mostra sua extensa (e sempre de qualidade) produção artística. Por sua expressividade realista, muitas vezes suas obras  aparentam fotografias tamanho o realismo expressado. Suas cenas de ruas, interiores e paisagens demonstra uma visão nada  ortodoxa do pintor; sujeitos são visto de ângulos do alto ou de baixo, e há saídas das convenções de agrupamento e moldura,  assim como excursões inovadoras em assuntos industriais como em “Moinho rolante”. Em seus trabalhos que pressagiam o  impressionismo como the Sitting Room (1847), Menzel  usou seu sentido refinado nos efeitos de luz e no uso de uma pincelada  aberta. Ele foi professor de Carl Johann  Arnold e de Fritz Werner.

SOBRE A OBRA

Nos anos precedentes da primeira guerra mundia, a maior nação industrial da Europa é sem dúvida a Alemanha, unificada sobre a  autoridade da monarquia prussiana após o dia 18 de janeiro de 1871,seguido a sua vitória sobre um Napoléon III em declínio. A  França e sobretudo a Grã-Bretanha tinham portanto realizado as suas primeiras revolução industrial ao fim do Século XVIII,  após encetado sua segunda revolução industrial no meio do século XIX.

A força da Alemanha reside principalmente na abundância de suas minas de carbono e de ferro, na Silésia on na Ruhr, dentro do  espírito de iniciativa dos grandes industriais como Krupp (siderurgia) ou Borsig (máquinas a vapor). A modernização acelerada  do país favoreceu seu enriquecimento global e alimentou sua natalidade. Ela provocou sobretudo uma mutação radical das  condições de vida e de trabalho de milhões de homens e mulheres que saem em massa dos campos para se ajustar nas usinas e se  empilhar nos arrebaldes das grandes cidades.

  Análise da imagem

Nesta época, década de 1840, em que Menzel se faz reconhecido é que passa a usar a maravilha da gravura. Ele é rapidamente  reconhecido pela Prússia e pelo Império e obtem distinções nobres e comissões. “A forja” é uma de suas obras mais notáveis,  até no título. Apesar da aparente confusão de uma cena mergulhada na penumbra, a composição é na realidade rigorosa. As  linhas horizontais e verticais que a estrutura delimitam as cenas para facilitar a compreensão. O arredondado da grande roda  do moinho, em ponto de escapar, é colocado de volta pelas pequenas rodas a direita, a chapa grande aberta, na qual se curvam  os trabalhadores e contribuem a dinâmica geral da obra. O centro do quadro corresponde no metal em fusão que parece se atirar  contra aqueles que o faz. O resto da pintura, descrita em uma paleta escura, apresenta os utensíios, vestimentas, gestos e  mesmo emoções que parecem segurar a vivacidade.

As máquinas a serviço o homem ou o homem a serviço da máquina?

O naturalismo mergulha o espectador no coração da ação. Se o olho se ater na cena central, e escorregar na metáfora  mitológica, poderemos ver um grupo de Vulcano (Deus romano do fogo) controlam o fogo e o metal, gigantes modernos forjando a  indústria e logo o poder alemão. Mas o sub-título dado para Menzel indica que os partidos marginais tem toda sua importância.  Cegos pelo fogo e condenados a viver em uma caverna onde a falta de ar disputa com a sujeira e com o calor, os trabalhadores  são acorrentados a sua máquina. Eles não podem se separar muito, bloqueados simbolicamente pelas barras metálicas verticais  que lembram as barras da prisão, e obrigados a comer em seu lugar. Eles aparecem prematuramente usados, e de alguma forma desumanizados pela máquina, os ritmos de trabalho, a duração das jornadas de trabalho, a massificação e a repetitividade das tarefas. É sem dúvida o preço a pagar para a formidável revolução alemã, que Menzel mostra a todos ao revelar incidentalmente
as condições de trabalhos e a vida dos trabalhadores da época moderna.

Desta forma a precisão da máquina e a beleza trazida pela vívida luz do fogo da forja são instrumentos que para o trabalhador trazem sua forma de sobrevivência e uso da força de trabalho tal qual pela exploração de seu trabalho...

Adolf Von Menzel

Fotografia de Adolf Von Menzel

E0702 MENZEL L817

Adolf Menzel- Procession in Hofgastein (1880), Munique Bayerische Staatsgemäldesammlungenn

______________________________________________________________

Todas as terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor mon(o)t0-ista Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui. UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Açougue Cultural T-Bone traz a 3ª Bienal do B – Poesia e Literatura para Brasília

Agosto 22, 2013

Conto do escritor João Guimarães Rosa é adaptado para o teatro

Agosto 2, 2013

Foto: Agência Brasil

Em uma versão nunca antes ousada o conto “Esses Lopes” de João Guimarães Rosa está em cartaz no Centro cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro com sessões de quinta a segunda às 17 horas até o dia 1º de setembro.Haverá ainda sessões extra nos dias 24, 25, 31 e 1º, às 17h.

A história da peça, intitulada Maria Miss, se passa no sertão de Minas Gerais onde a sertaneja Flausina perde sua infância ao ter a virgindade leiloada pelos pais. Ao se tornar escrava consegue mudar sua história e buscará o afeto triste da vingança.

Além de ser o primeiro conto de Guimarães Rosa enviesado pelo olhar e voz do feminino, a história foi lançada no ano da morte do escritor, 1967. A adaptação para o teatro foi feita por Evill Rebouças e a direção do espetáculo é de Yara de Novaes.

A peça tem ingressos histriônicos a 6 reais com direito a meia para estudante.

Festa Literária Internacional de Paraty- FLIP começa hoje

Julho 3, 2013

Hoje a noite  tradicional Festa Literária Internacional de Paraty- FLIP desta cidade do Rio de Janeiro tem sua abertura trazendo o melhor da literatura brasileira trazendo como atração musical da noite Gilberto Gil em uma cantoria com violão e percussão.

A feira que vai até este domingo traz como homenageado deste ano é o exímio escritor Graciliano Ramos que terá uma exposição “Graciliano, a ética da escrita” que trará entre outras coisas material multimídia com fotos, filmes e depoimentos sobre o escritor.

Dentre as mesas de discussão destacamos “Culturas locais e globais” com Marina de Mello e Souza Gilberto Gil; “Olhando de novo para Guernica, de Picasso” T. J. Clark; “A vida moderna em Kafka e Baudelaire”  com Roberto Calasso e Jeanne-Marie Gagnebin; “Uma vida no cinema” com Nelson Pereira dos Santos e Miúcha; Encontro com os cineastas Encontro com Eduardo Coutinho e Eduardo Escorel, entre outros.

Dentre as atrações culturais estão Ciranda na Praça, exposições de bonecos e de artistas de Paraty como Dalcir Ramiro (cerâmica), Patrícia Sada (madeira) e Milton Mota (ferro) e Julio Paraty (papel).

Destaque ainda pra tradicional Flipinha dedicada a cultura e literatura para as crianças que se esparramarão pelas ruas da cidade histórica.

SOBRE O HOMENAGEADO GRACILIANO RAMOS (da FLIP)

“De professor a prefeito, de revisor a cronista, do partido à prisão: Graciliano Ramos, escritor homenageado da Flip deste ano, baseou-se principalmente em experiências pessoais para escrever seus romances. Para ele, a vivência individual esteve sempre ligada ao conjunto de circunstâncias espaço-temporais. Extremamente pessoal, sua literatura tem caráter universal.

 Logo na infância Graciliano manifestou talento para escrita. Em 1904, ao lado de um professor e de um primo criou o jornalzinho O Dilúculo (alvorada) no qual publicou seu primeiro texto de ficção O pequeno pedinte. Um ano depois com medo de que o filho seguisse a carreira literária seus pais, Sebastião e Maria Amélia Ramos, o mandaram para um internato, mas nem assim conseguiram inibir sua paixão. Mesmo de lá o menino conseguiu publicar alguns sonetos na revista O Malho, do Rio de Janeiro.

Mesmo tendo que ocupar os mais diferentes cargos para manter as contas em dia, Graciliano não deixou de usar sua vocação a serviço de “todos os infelizes que povoam a Terra., como afirmou em seu discurso de 50 anos. A favor da literatura ao alcance de todos e contra ao fato dela se tornar muitas vezes um símbolo de distinção entre as classes sociais, o autor defendia que escrever poderia ser uma atividade de poucos, mas não para poucos: .a palavra não foi feita para brilhar, mas para dizer”, disse certa vez.”