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Minicontos

Março 18, 2012

Passei toda a vida a sentir os cheiros pelas narinas que meu espelho não enxerga. Hoje, sacudo a disformidade que pendura o meu nariz e beijo de frente o temor de me verem atingir com o olhar os rostos de quem passa.

Monólogo do sem rosto

 

Eles eram feitos de açúcar, de tão doces sucumbiam a uma estranhesa invulgar. Ela tinha boca de papel que se desfazia na saliva dele. E ambos, roíam-se como maçãs à luz da lua. Ele não tinha dedos, tinha pequenos ramos que lhe saiam das mãos e no explorar do corpo dela, percebeu finalmente, que ela era o mel que a sua boca processava. E este era o amor daqueles dois.

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Era muda, tinha a cara sardenta e um olhar encharcado de sentimento.Todos os dias sentava-se com o seu cão junto ao mar que contemplava e fantasiava outra vida. Um dia, o mar bateu forte e as sardas ficaram estampadas na areia e o cão uivava e a noite veio e o sol se foi.

Letargia

Três contos internáuticos de Eugênia

Minicontos

Março 11, 2012

 

Na sala de projeção, as unhas malfeitas, o cabelo suado e o cansaço das pernas ansiavam pelo aparecimento de mais um bendito Cisne Negro.

Negativos 

 

 

Lavando a louça, Ester não aguentava mais o bang-bang do faroeste que Waldercy assistia. Os tiros eram dissonantes com os pratos e copos sujos e com o classificado intacto sobre a mesa. Um copo quebra, ela enxuga a mão, pega o jornal e diz “Cadê o cowboy dos velhos tempos?”.

 

Bravura Indômita

Contos internáuticos de Sir Don Corleone

 

 

Minicontos

Fevereiro 26, 2012


Gostava de ler os minicontos com acento lusitano daquela moça, cujo nome era um pouco vaidoso, e a alma era dada a profundezas.

 O Acento Lusitano


– Sabia que eu tenho um irmãozinho?
– Ah, é? E onde ele está?
– Na barriga da minha mãe.

Ao Que Vai Chegar

– Você não acha que eu me pareço com a Grace Kelly?
Não achava. Mas como se livrar daquele enrosco? Pensou depressa e respondeu com toda a delicadeza:
– Parece, parece sim, quase irmãs. Mas é que eu prefiro a Judy Garland.

 

Parecenças

Contos internáuticos de Pami

Minicontos

Fevereiro 5, 2012

Leituras

Se ele a conhece tão bem foi por já ter lido e relido sua alma. Em braile. E ela, passiva, anseia por outra leitura. Se ela o conhece tão bem, foi por ele ter-lhe escancarado a alma. E ela leu tudo. Ao contrário. E ele pensa que a enganou.

 

Botânica

 

Viu-se sozinho, quando lhe disse que ela cheirava a camélia. Até hoje, não sabe onde errou.

 

Remorso

 

Esmagou-lhe as palavras sem pensar. Ignoraram-na pela prepotência. E ela, arrependida, submetia-se.

 

Remorso II

Por conta da estética, perdeu a classe. Agora, revira-se em letras mal resolvidas.

Contos internáuticos de Lu Stocker

Minicontos

Janeiro 15, 2012

Falsas identidades em noites intensas entre longos prazeres em terra de césares em ruínas,recolhendo sonhos na festa do teu olhar fazendo dos nossos corpos o duble de nossa almas onde o seu corpo é extensão do meu e tu bailando como uma bailarina em meu corpo no refúgio do prazer,entre o duelo entre estranhos no limite diante a dor e prazer recriando o coliseu em nossa cama e incendiando cidades,petrificando imagens ecoando vozes e evocando fantasmas no espetáculo da vida em busca de vestígios de um novo renascimento.

Hiro Yoshikawa- Quantas madrugas tem a noite

Ninguém ama sem querer, o amor é uma espécie de astro rei mas sem luz própria, somos nós quem o ilumina e foi aí que Zupan percebeu o seu erro. Ele teve toda uma vida à procura do que nunca existira, um ser que o encobrisse de si mesmo. “- Que tolo fui. Uma vida em busca de outras vidas sem sequer abraçar a mim mesmo.” E de repente, solta-se um grito e Zupan cai feito um pedaço de madeira e balbucia os últimos disparates que havia desejado falar. “- Merda para tanta estupidez!”

Conto internauticos de Eugênia