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DEVIR-CRIANÇA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Novembro 26, 2013

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Em seu processual de produção coletiva de enunciados agenciadores de novas formas sentir, ver, ouvir e pensar a Associação Filosofia Itinerante (Afin) tem se movimentado em encadeamentos heterogênicos de conteúdos e expressões que pretendem uma nova forma de existir. Uma produção de novos saberes e novos dizeres. Sendo assim, a Afin – que se encontra em contínuo movimento produtivo com dizeres e saberes de múltiplos territórios -, aproveitou a sua sessão dominical de cinema para criança – que já se encontra em seu quinto ano, Kinemasófico, no Bairro Novo Aleixo, Zona Leste – o território mais pobre e abandonado pelos governos -, apara realização do Devir-Criança Consciência Negra.

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Durante a noite de domingo, dia 24, as crianças foram, como sempre, as produtoras da festa. Foram exibidos alguns curtas com o tema negritude, o ser ontológico do negro, que permeou as comemorações da Consciência Negra durante a semana que passou. Embora seja um tema contínuo para novas formas de existir. As crianças no fim de cada exibição comentavam o conteúdo e manifestavam suas ideias. Depois das exibições dos curtas, as crianças passaram a usar recursos artísticos pessoais para expressarem suas relações com o tema, como a capoeira, a música, a poesia, a dança, as brincadeiras coletivas mostrando a subjugação dos negros pela força imperiosa dos brancos. Como foi a teatralização da fuga de alguns negros de uma fazenda. Nessa teatralização serviu de música incidental o trecho musical “Trabalha, trabalha negro. Trabalha, trabalha negro. O negro está cansado de tanto trabalhar…”

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O que chamou muito a atenção foi o depoimento de crianças que afirmaram sofrer discriminação cotidianamente. Essas crianças afirmaram que são discriminadas nas ruas onde moram, na escola, e nos locais onde têm que ir algumas vezes, como nos comércios. Explicado para elas que a discriminação racial é crime, e que uma pessoa discriminada pode processar o discriminador, a criança Kailane, disse que ela ia processar todo dia muitas pessoas. Elas ficaram também contentes em saber que existe um ministério de Política para Igualdade Racial, criada no governo Lula. Foi fácil para elas entenderem a importância desse ministério, porque elas fazem parte do programa de transferência de renda o Bolsa Família. Compreendendo o objetivo do Bolsa Família, como política que visa diminuir a desigualdade social, o ministério de Política para Igualdade Racial, também tem esse objetivo. Elas apresentaram um saber por similitude.  

Durante as brincadeiras elas foram homenageadas com troféu Valeu, Zumbi!, criado por elas mesmas sob a coordenação do afinado filósofo, artista plástico e escritor, Marcos Nei. No fim, antes do fim, como manda a verdade biológica, elas encararam o mata-broca africano da cocada, passando pelo aluá, o vatapá, entre outras iguarias da culinária negra.

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Foi uma festa na potência libertária de Zumbi, Ganga Zumba e outros. Uma festa tão profundamente negra que no meio das comemorações, baixou a comunidade negritude em forma celestial: faltou energia elétrica e a noite se mostrou em sua negritude total. Depois de dessa revelação-negra-natural, a energia se fez presente. Logicamente mais energizada. 

Valeu, Zumbi!

Hino a negritude de Eduardo de Oliveira

Novembro 20, 2013

Do engajado professor que foi um dos primeiros militantes negros do século passado no país.

Brasil, o pais do carnaval: Salvador

Fevereiro 9, 2013

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O Carnaval de Salvador sempre é um dos mais badalados do país varonil. Mesmo assim vemos um grande lixo musical vindo destas terras com uma música segrega-mulher feita pelo grupo dos cansados do que assim se denomina axé, mas que de axé como força pulsante da vida não possui nada, já que é um tipo de música que nega a vida.

Deixando estes foliões da dor, voltemos ao rico carnaval de Salvador com seus afoxés, ou bloco afros, manifestações culturais produtoras de novos afetos.

E na folia deste carnaval existe diversas opções para se refestelar com esta prática popular carnavalesca:

Bumba Meu Boi De São Francisco Do Conde

Banda Samba De Roda Urbano

Banda Filhos De Nanã Banda Ogun Ê

Banda Filh@s De Gandhy

Band’Aiyê

Banda Oba de Xangô

Banda Oriobá

Banda Muzenza

Banda Afoxé Filhos De Omolú

Chita Fina

Banda De Percussão Mestre Bira

 

Cineasta, ator e ativista negro Zózimo Bulbul para sua produção

Janeiro 25, 2013

Zózimo Bulbul

Um dos principais nomes da produção cultural e da atuação engajada da negritude no Brasil, o cineasta, ator, e ativista Zózimo Bulbul ( nascido em 1937) deixou de produzir nesta realidade mundana e seguiu para seu encontro com Olorum, o Céu-Deus. Ko si obá Kan afi Olorum (Não há rei um senão Deus).

Atuante no Encontro de Cinema Negro Brasil-Africa e Caribe, Centro Afrocarioca de cinema e nos foruns de Negritude, Zózimo sempre esteve ligado a produção social da arte, atuando em mais de 40 cinemas. Sua estréia no cinema foi em 1962 no coletivo Cinco Vezes Favela onde atuou no episódio Pedreira de São Diego de Leon Hirszman e Flávio Migliaccio.

Renée de Vielmond e Zózimo Bulbul em cena do filme Compasso de Espera

Renée de Vielmond e Zózimo Bulbul em cena do filme Compasso de Espera

Participou ainda nos anos 60 de grandes cinemas brasileiros como Ganga Zumba (1963) de  Carlos Diegues;  Grande Sertão (1965) de Geraldo Santos Pereirae Renato Santos Pereira; El justicero (1967) de Nelson Pereira dos Santos; Proêzas de Satanás na Vila de Leva-e-Traz (1967) de Paulo Gil Soares; Terra em Transe (1967) de Glauber Rocha; A compadecida (1969) de George Jonas; O Cangaceiro Sem Deus (1969) de Oswalde de Oliveira.

Posteriormente atuou em outros clássicos do nosso cinema como O Palácio dos Anjos (1970) de Walter Hugo Khouri; A Guerra dos Pelados (1970)  de Sylvio Back; Jardim de Guerra (1970) de Neville de Almeida;A Deusa Negra (1980) de  Ola Balogun; Quilombo (1986) de Carlos Diegues; Tanga (Deu no New York Times?) (1987) de Henfil; filmes de chanchadas como Giselle (1980) de Victor di Mello; Natal da Portela (1988) de Paulo Cesar Saraceni;   Filhas do Vento (2004)  de Joel Zito Araújo; e até filmes internacionais como El encanto del amor prohibido (1974) de Juan Battle Planas onde atuou junto o filho de Charles Chaplin, Sidney.

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Zózimo ainda dirigiu o curta Alma no Olho (1973) o excelente documentário  Abolição (1988) que faz um resgate de 100 anos de abolição no país. No documentário há entrevistas importantes para a preservação da cultura, como Abdias do Nascimento, Lélia Gonzalés, Beatriz do Nascimento, Grande Otelo, Joel Ruffino, Dom Elder Câmera em contraposição com D. João de Orleans e Bragança e Gilberto Freire. Há também espaço para os negros excluidos como presidiários, mendigos e artistas populares . O documentário questiona um pouco que abolição foi esta quando ainda há tanta desigualdade.

Seu caminho como negro, brasileiro, defensor da cultura e religião negra lutando contra o preconceito. Sempre belo em seu físico e intelecto, Zózimo Bulbul foi o primeiro ator negro a protagonizar uma novela na televisão brasileira – Vidas em Conflito, na extinta TV Excelsior, em 1969 – e também foi modelo e se tornou o primeiro negro a desfilar para uma grife de alta costura. Sua luta e sua arte continua presente nos movimentos de nosso povo e nossa cultura.

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Acima vemos a capa da revista Filme Cultura da Embrafilme de 1982, que traz Zózimo na capa e trata sobre os negros no cinema nacional.

Abaixo trazemos uma entrevista de Zózimo Bulbul presente na revista que é só clicar na imagem para ampliar e ler.Caso queira ler a revista completa on-line vá ao sítio da revista.

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Concurso dará prêmio de até R$ 10 mil para melhores histórias sobre afro-brasileiras

Janeiro 8, 2013

da Agência Brasil

O concurso Mulheres Negras Contam sua História vai premiar com R$ 5 mil as cinco melhores redações e com R$ 10 mil os cinco melhores ensaios sobre a história das afro-brasileiras na construção do país. Os textos devem ser escritos por mulheres autodeclaradas negras.

O prêmio é da Secretaria de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República, em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. As inscrições estão abertas até 25 de janeiro e devem ser feitas por meio da internet.

Segundo a secretária Nacional de Articulação Institucional e Ações Temáticas, Vera Soares, o objetivo da promoção é que “essas mulheres, ao contarem suas histórias e relembrarem suas vidas e das suas avós, possam dar pistas de ações que contribuam para a melhoria de vida das mulheres negras no país”.

A negra música do Grupo Vissungo

Setembro 28, 2012

O nome do grupo, segundo alguns dicionários, foi extraído da expressão “Vissungo” que faz menção a um determinado canto de trabalho (‘Ocisungo’, hino ou canção no idioma Umbundo, de Angola) exclusivamente utilizado por escravos mineradores que, oriundos de Angola, foram levados para as lavras de ouro e diamantes de São João da Chapada e adjacências, próximo à cidade atualmente conhecida como Diamantina, no estado brasileiro de Minas Gerais. Criado no Rio de Janeiro em 1974 com o nome de “Sararamiôlo”, o grupo era integrado por Antônio José do Espírito Santo (vocais, violão e percussão), Luiz Antônio do Espírito Santo (contrabaixo, bandolim, cavaquinho e vocal) e Roosevelt da Silva (violão). Somente no ano seguinte, em 1986, na então inaugurada sede do DCE, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, o grupo assumiria o nome “Vissungo” e teria várias outras formações, sendo absorvidos os novos componentes Carlos Codó (violão) e Lena Codó (voz), ambos filhos do violonista baiano Codó (Clodoaldo Brito). Pelo grupo, já com o nome Vissungo, passaram outros componentes tais como Samuka, José Maria Flores (bateria) e Braz Oliveira (guitarra).

Ainda na década de 1970 o grupo foi convidado a dividir o show com a cantora Clementina de Jesus em Curitiba, no Teatro Paiol, onde também acompanhou João do Valle. Por essa época, o grupo acompanhava o partideiro Aniceto do Império em bares nos subúrbios do Rio de Janeiro. Em 1985 o grupo participou do disco “Encontros e despedidas”, de Milton Nascimento. Neste mesmo ano o grupo participou da trilha sonora do filme “Chico Rei”, de Walter Lima Júnior. A trilha fora composta por Wagner Tiso e por componentes do grupo. Também foram inseridas na mesma trilha faixas extraídas de discos de Naná Vasconcelos e Geraldo Filme. Coube a Milton Nascimento interpretar duas composições de Wagner Tiso na referida trilha. O grupo participou (como músicos, cantores e ainda compositores) da trilha lançada em disco no ano de 1986 pela gravadora Som Livre. Entre as faixas em que o grupo participou destacam-se “Ulelê” (Domínio Público), interpretada por Samuka; “Andambi” (Domínio Público), interpretada por Samuka, Espírito Santo e Laércio; “Samba de roda” (Domínio Público) com Samuka; “Chico reina” (Espírito Santo e Samuka), interpretada por Clementina de Jesus com participação de Espírito Santo; “Saudade do Congo” (Espírito Santo), interpretada por Espírito Santo; “Kanjonjo” (Domínio Público) com Samuka e Espírito Santo; “Niangas” (Grupo Vissungo) com Grupo Vissungo e ainda a faixa “Título” (Wagner Tiso), pot-pourri com as composições “Njara” (Espírito Santo) e “Depois da castração” (Wagner Tiso), na interpretação de Wagner Tiso e Espírito Santo. A trilha obteve dois importantes prêmios internacionais: Bélgica e Colômbia, ambos de suma importância na carreira do grupo.

Neste mesmo ano de 1986 o grupo participou do disco “Branco & preto/Preto & branco”, de Wagner Tiso e ainda do disco “Gaiola”, da cantora e compositora Tetê Espíndola. No ano de 1989 o grupo passou uma temporada na Áustria, apresentando-se na sede européia da ONU em Viena, em benefício da Unicef e em vários eventos étnicos em Viena. Neste mesmo ano, a convite do sociólogo italiano Tulio Aymone, da Facoltá de Economia de Modena, o grupo (repressntado por Spírito Santo e Samuka) se apresentou em Bologna no “Festival Internacional de Cultura”, do jornal do Partido Comunista Italiano L’Unitá. Em 1990, representado pelos dois músicos, o grupo fez turnê por várias cidades italiana, entre as quais Modena, Bologna, Reggio Emília, Corregio, Carpi e Ímola. Em 1991 o grupo apresentou-se outras vezes em Viena, nas quais contou com a participação do guitarrista vienense Claudius Jelinek, o baixista uruguaio Pablo Solanas, o percussionista senegalês Jimmy Wolof e os brasileiros Ita Moreno (violonista) e Tatá Cavalcanti (baterista). Em novembro de 1996, junto a outros artistas, o grupo participou do evento comemorativo a Zumbi dos Palmares na Sala Cecília Meirelles, no Rio de Janeiro. Por essa época o grupo passou por transformações, sendo incorporados os seguintes músicos Lauro Farias, (baixo), Reinaldo Amâncio, Jahir Soares (bateria), Welington Coelho e Paulão Menezes (percussão). Este seria o último show do grupo, que viria a encerra a carreira neste mesmo ano de 1996. A volta do grupo ocorreu recentemente

FONTE: Dicionário Cravo Clabin de MPB

 

A poesia dos mundos negros de Oliveira Silveira

Julho 26, 2012
Encontrei minhas origens
Em velhos arquivos
Livros
 
Encontrei
Em malditos objetos
Troncos e grilhetas
 
Encontrei minhas origens
No leste
No mar em imundos tumbeiros
 
Encontrei
Em doces palavras
Cantos
Em furiosos tambores
Ritos
 
Encontrei minhas origens
Na cor de minha pele
Nos lanhos de minha alma
Em mim
Em minha gente escura
Em meus heróis altivos
 
Encontrei
Encontrei-as enfim
Me encontrei
 
Encontrei minhas origens
 
 
 
Treze de Maio
Treze de maio traição,
Liberdade sem asas
E fome sem pão
Liberdade de asas quebradas
Como
Este verso.
Liberdade asa sem corpo:
Sufoca no ar,
Se afoga no mar.
Treze de maio – já dia 14
O Y da encruzilhada:
Seguir
Banzar
Voltar?
Treze de maio – já dia 14
A resposta gritante:
Pedir
Servir
Calar.
Os brancos não fizeram mais
Que meia obrigação
O que fomos de adubo
O que fomos de sola
O que fomos de burros cargueiros
O que fomos de resto
O que fomos de pasto
Senzala porão e chiqueiro
Nem com pergaminho
Nem pena de ninho
Nem cofre de ouro
Nem com lei de ouro
O que fomos de seiva
De base
De Atlas
O que fomos de vida
E luz
Chama negra em treva branca
Quem sabe só com isto:
Que o que temos nós lutamos
Para sobreviver
E também somos esta pátria
Em nós ela está plantada
Nela crispamos raízes
De enxerto mas sentimos
E mutuamente arraigamos
Quem sabe só com isto:
Que ela é nossa também, sem favor,
e sem pedir respiramos seu ar
A largos narizes livres
Bebemos à vontade de suas fontes
A grossas beiçadas fartas
Tapamos-destapamos horizontes
Com a persiana graúda das pálpebras
Escutamos seu baita coração
Com nosso ouvido musical
E com nossa mão gigante
Batucamos no seu mapa
Quem sabe nem com isso
E então vamos rasgar
A máscara do treze
Para arrancar a dívida real
Com nossas próprias mãos.
 
Roteiro dos Tantãs

PRODUÇÕES AFRO NO CURSO E BATIZADO DO GRUPO CAPOEIRA NAGÔ EM MANAUS

Junho 20, 2012

A cultura brasileira tem centenas de expressões provenientes da presença negra em nosso país. Isto sem contar a beleza infinita das manifestações engendradas aqui pelo nosso povo mestiço. Uma desta prática criada pelos negros com base em sua expressividade, dança e força de sua tradição foi a capoeira, uma produção afro de nossa cultura.

Com o passar do tempo a capoeira negra virou brasileira, mas continou com a força dos negros. O negodito Itamar Assumpção em seu último disco Pretobrás cantou sobre o desapego  alguns negros pela nossa própria cultura e tradição, devido as presentes formas de preconceitos. Diz negodito:

“Negro jogando pernada, negro jogando rasteira
Todo mundo condenava uma simples brincadeira
E o negro deixou de lado acreditou na besteira
Hoje só tem gente branca na escola de capoeira”

Porém a produção da capoeira pelos negros e brancos é uma expressão afrobrasileira em nossa cultura, e não pode ser deixada de lado por todo o nosso povo. O importante é a produção e presença negra em nossas vidas.E assim como o samba teve sua expressividade com Noel Rosa e Almirante, dois grandes sambistas de pele clara, nossa capoeira continua forte na vitalidade do Brasil Mestiço

PRODUÇÕES AFRO NO CURSO E BATIZADO DO GRUPO CAPOEIRA NAGÔ

Um dos grupos da expressão da capoeira em Manaus é o grupo Nagô, nome proveniente de uma denominação dada ao iorubano, como a todo negro da Costa dos Escravos que falava ou entendia o ioruba. Vindo em grande número para o Brasil como escravos, os nagôs tiveram influência social e religiosa entre o povo mestiço, conservando, apesar dos processos  de aculturação, seus mitos e tradições sacras. Os Nagôs é o grupo negro mais conhecido em seu complexo social vivo (conforme Dicionário de Folclore de Câmara Cascudo).

E nesta alegria de nossa cultura, o grupo Capoeira Nagô produziu um curso e batizado de capoeira aqui em Manaus, mostrando que se depender da cultura popular não faltará opções em todas as quebradas de nossa não-cidade.

E com um evento único, bem diferente das apresentações dos grupos de capoeira, os Nagôs fizeram, além do batismo e rodas onde se jogou capoeira,diversas apresentações tipicas da cultura afro, como Maculelê, Puxada de rede e até o Frevo que vale ressaltar que além de ser uma dança tipica de Pernambuco (Estado natal do Professor Pulga) tambem tem raizes africanas e um dos maiores divulgadores dessa arte foi um Amazonense, Sr. Frascisco do Nascimento Filho. “O Nascimento do Passo”.

E com a alegria a festa foi produzida e fortalecndo nossa cultura o grupo Nagô continua com seu envolvimento e criação de vários forma de vermos e sentirmos nossa nação afrobrasileira.

Zumbizonga

Abril 10, 2012

Nem Irene
nem Maria:

Efigênia, de pia.

Cata dura
dessas lavras
novas minas.

Guerrrilheira
mãe coragem
congadeira
quilombola.

Carabina.

Regis Gonçalves

 

A poesia angolana de Agostinho Neto

Abril 6, 2012

Para aqui estou eu
Mussunda amigo
Para aqui estou eu

Contigo
Com a firme vitória da tua alegria
e da tua consciência

O ió kalunga ua mu bangele!
O ió kalunga ua mu bangele-lé-leleé…

Lembras-te?

Da tristeza daqueles tempos
em que íamos
comprar mangas
e lastimar o destino
das mulheres da Funda
dos nossos cantos de lamento
dos nossos desesperos
e das nuvens dos nossos olhos
Lembras-te?

Para aqui estou eu
Mussunda amigo

A vida a ti a devo
à mesma dedicação ao mesmo amor
com que me salvaste do abraço
da jibóia

à tua força
que transforma os destinos dos homens

A ti Mussunda amigo
a ti devo a vida

E escrevo versos que não entendes
compreendes a minha angústia?

Para aqui estou eu
Mussunda amigo
escrevendo versos que tu não entendes

Não era isto
o que nós queríamos, bem sei

Mas no espírito e na inteligência
nós somos!

Nós somos
Mussunda amigo
Nós somos

Inseparáveis
e caminhando ainda para o nosso sonho

No meu caminho
e no teu caminho
os corações batem ritmos
de noites fogueirentas
os pés dançam sobre palcos
de místicas tropicais
Os sons não se apagam dos ouvidos

O ió kalunga ua mu bangele…

Nós somos!

 

Mussunda amigo

 

Ainda o meu canto dolente
e a minha tristeza
no Congo, na Geórgia, no Amazonas

Ainda
o meu sonho de batuque em noites de luar

ainda os meus braços
ainda os meus olhos
ainda os meus gritos

Ainda o dorso vergastado
o coração abandonado
a alma entregue à fé
ainda a dúvida

E sobre os meus cantos
os meus sonhos
os meus olhos
os meus gritos
sobre o meu mundo isolado
o tempo parado

Ainda o meu espírito
ainda o quissange
a marimba
a viola
o saxofone
ainda os meus ritmos de ritual orgíaco

Ainda a minha vida
oferecida à Vida
ainda o meu desejo

Ainda o meu sonho
o meu grito
o meu braço
a sustentar o meu Querer

E nas sanzalas
nas casas
no subúrbios das cidades
para lá das linhas
nos recantos escuros das casas ricas
onde os negros murmuram: ainda

O meu desejo
transformado em força
inspirando as consciências desesperadas.

Aspiração

Poesias do poeta angolano Agostinho Neto, publicadas em Sagrada esperança