Archive for Dezembro, 2010

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Dezembro 31, 2010
Arles, 29 de julho de 1888

Uma mulher se lavando (1888), BERNARD



Uma mulher se lavando, Amsterdam, Vincent Van Gogh Museum

 


Van Gogh nesta carta conta dos trabalhos que recebeu de seu Bernard e elocubra sobre estas obras:

” Eu recebi de Bernard 10 desenhos como o do bordel; há 3 deles que são no estilo de Redon; o entusiasmo que ele tem para isto eu não compartilho muito.
Mas há uma mulher se lavando bem Rembrandtesco, ou no estilo de Goya, e uma paisagem muito estranha com figuras.
Ele expressamente me proibiu de lhes enviar para você, mas você receberá elas na mesma postagem. Eu penso que Russell comprará algo mais de Bernard.”

 

Émile Bernard foi um pintor pós-impressionista francês que é creditado por muitos como o fundador do contornismo ou Cloisonismo, Synthetismo (estilo pós-impressionista ligado a Escola de Pont-Aven onde os contornos escuros separam as formas de realce). Ele foi colega de Toulouse-Lautrec, além de um a grande amizade com Vincent van Gogh, Paul Gauguin (apesar de dizerem que foram rivais), Odilon Redon, Eugene Boch e Paul Cézanne. Sua reputação foi criada por sua audácia artística.

O pintor nasceu em 28 de abril de 1868 em Lille. Ele mudou para Paris com sua família em 1878. Seus primeiros foi na Escola de Artes Decorativas (École des Arts Décoratifs).Ele entrou para o atelier de Fernand Cormons (onde estudou com Louis Anquerin e Van Gogh)  em 1885, mas foi expulso na primavera de 1886. Neste mesmo ano ele foi para Pont-Aven, onde ele teorizou um estilo de pintura chamado Cloisonnismo que influenciou Paul Gauguin. Ele também fez esculturas e xilogravuras, além de projetar mobílias e tapeçarias. Como um poeta e escritor, ele estudou o misticismo religioso e filosofia. Parte da fama de Cézanne e Redon é graças a admiração profética e apoio de Bernard nos primeiros trabalhos deles.

Em 1887 ele partiu para região francesa da Bretanha a pé afim de pintar a paisagem. Bernard participou na exposição do impressionismo  e synthetismo em 1889, e depois no Salão da Rosa-Cruz (Salon de la Rose-Croix)

Ele viajou pela Itália em 1894 e morou no Egito por 10 anos. Retornando a França em 1904, ele fundou e editou a revista A Renocação Estética (La Rénovation Esthétique) e publicou sua correspondência com van Gogh, Gauguin, Redon,e Cézanne— uma grande contribuição para o entendimento de arte moderna, tanto como crítico de arte quanto pintor.

Sua morte ocorreu no dia 16 de abril de 1941.

Cena de Bordel, outra pintura da mesma série dedicada a Vincent Van Gogh   ” Ao meu amigo Vincent este croqui feio”

Retrato de Émile Bernard pintado pelo seu colega de estudos Henri Toulouse-Lautrec

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Paul Cézanne é um pintor francês frequentemente associado com os Impressionistas, mas ele sempre teve outras metas, sendo melhor enquadrado como Pós-Impressionista.Ele dizia que sua ambição era “fazer do Impressionismo algo sólido e durável como a arte dos museus’. Seu trabalho foi mais aceito pela vanguarda parisiense em 1890 e teve uma grande influência no cubismo na obra de Pablo Picasso e no desenvolvimento da arte do século XX.

Cézanne nasceu em 19 Janeiro de 1839 na cidade francesa

de Aix-en-Provence. Sua infância foi dominada pelo pai,

Louis-Auguste Cézanne, um banqueiro rico, e seu amigo

Emile Zola. Durante a infância ele estudou em escolas tradicionas como o Collége Bourbon.Sob pressão da família ele foi treinado para ser advogado em sua cidade natal, enquanto atendia lições de desenho na academia local (Escola de desenho livre do Musée d’Aix) em 1857.

Em 1861 Cézanne abandonou seus estudos de direito e fez

sua primeira visita à Paris, encorajado pelo colega de

infância Émile Zola. Paris era o centro da arte do mundo,

e um destino importante para qualquer pintor, e por isso

Cézanne fez repitidas viagens para a capital francesa,

absorvendo muito daquela subjetividade artística graças a

sua facilidade como artista.Depois de se mudar para Paris

frequentou uma escola de arte privada (Académie Suisse).

Ele frequentou o Salão de Paris, estudou com velhos

mestres, copiou quadros de Delacroix no Louvre e se

tornou amigo de vários artistas como Edouard Manet, James McNeill Whistler, Edgar Degas, Auguste Renoir, Henri Fantin-Latour e principalmente seu colega de academia Camille Pissarro.

Em meados da década de 1860, Cézanne tinha se

estabelecido como pintor, embora com um sucesso oficial

mínimo: a ele foi negado a entrada à École des Beaux-Arts (Escola de Belas Artes de Paris) e foi excluido de várias exibições do Salão. Esta exclusão vinha devido a seu estilo de pintura radical, caracterizado pelos caminhos do corpo coberto com tintas de tom pastel aplicado com espátula, uma técnica herdada de Courbet. Além da influência deste havia uma forte presença de Manet nos início de seus estudos. Nos seus primeiros trabalhos ele usava técnicas de Courbet, aplicando camadas grossas de tinta com uma espatula. Ele posteriormente contou a Renoir que levou 20 anos para perceber que pintura não era escultura.

Sua maneira áspera era compatível com sua personalidade

provincial. Esta primeira fase da carreira de Cézanne, é

cheio de retratos macambúzios e cenasde assassinato e

estupro com forte carga emocional; ansiedade paralela com sua vida pessoal.Um local importante para a sua

experimentação e definição de estio foi uma fazenda em

sua cidade natal onde ele poderia se sentir mais livre e criar trabalhos com uma maior fluência.

Em 1863 o Imperador Napoleão III decretou a abertura do Salão dos excluidos (Salon des Refusés) que tinham de certa forma uma péssima crítica devido ao espírito revolucionário.

Em 1869 o pintor conheceu Émilie Hortense Ficquet, uma mulher que depois se tornaria sua esposa (que ocorreu em 1886, graças a morte do pai do pintor) e que teria um único filho, também chamado de Paul em 1872. Devido a guerra Franco Prussiana o pintor se muda para Provença para fugir do recrutamento. Já em 1872, o pintor foi para Auvers junto com sua família e Pissarro e começou aquela que é frequentemente apelida de fase “Impressionista” (pois seus quadros particparam das mostras impressionistas), com uma forte influência da Escola de Barbizon, especialmente Corot e Daubigny, criando um interesse na pintura ao ar livre, com maior observação do objeto e principalmente da luz. Nesta mesma década o pintor começou a pintar na cidade L’Estaque e no Golfo de Marseille, demonstrando sua maturidade.

Na década de 1880 sua pincelada se tornou mais sistemática e ordenada, selecionando os temas ele podia

estudar por longos periodos. Porém este é o período conhecido como. Outro fator importante é que ele fez sua primeira exibição solo em Paris organizada por Ambroise Vollard.

Por volta de 1890 Cézanne começa a sofre de diabetes. Enquanto isso sua obra muda e ele passa a ter uma maturidade artística completa com pinceladas eclodindo na chamada “pincelada construtiva que para ele tinha mais intencidade e solides do que os efeitos fulgais do impressionismo. Na verdade,durante esta época, toda a pintura de Cézanne se recriou e ele pintou todos tipos de quadros: paisagens, naturezas mostras, banhistas, nus retratos e auto-retratos.

Com a morte de sua mãe em 1897 a fazenda é vendida e o pintor cria um grande atelier em 1902 nascolinas de Les Lauves.

Seu último periodo foi repleto de quietude e inquietação. Cézanne morreu devido ao quadro de diabetes as 7:00 da manhã de 23 de Outobro de 1906,em sua casa em Aix. Seu trabalho apesar de não ser tão bem aceito pelo grande público é um trabalho de pintura racional. Por isso vários pintores compraram suas obras como Paul Gauguin, Pablo Picasso, Pierre Bonnard, Kazimir Malevich, Henri Matisse, e Marcel Duchamp.

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Kinemasófico: Conto de Natal

Dezembro 30, 2010

Neste domingo de Natal o Kinemasófico trouxe uma forma diferente de comemoração natalina. O Natal como o nascimento de outras formas de relações, além das novas imagens. O cinema desta vez foi o ‘Conto de Natal’, baseado na obra de Charles Dickens e dirigido por Jimmy Murakami (que também dirigiu Homem de neve, Mercenário das Galáxias e Quando o vento sopra)

CONTO DE NATAL

Título Original: Christmas Carol- The Movie

Diretor: Jimmy T. Murakami

País: Reino Unido

Ano: 2001

Duração : 70 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Esta história, baseada no livro de Charles Dickens, conta a história do Sr. Scrooge, um homem de negócios que não acredita nas pessoas, ele  só se interessa pelo dinheiro. Para ele o Natal é uma perca de tempo. Porém um dia seu amigo morto aparece como assombração dizendo que ele deve mudar seu jeito e que aparecerão três fantasmas. Mesmo com medo Scrooge continua com sua arrogância. Será que ele vai se posicionar e se preocupar com os próximos?

Após o cinema além da dominical pipoca e refrigerante foram distribuidos a apreciada bola e o bolo de cenoura com chocolate.

Depois da comilança todos aguardaram a distribuição dos brinquedos de natal.



Os brinquedos foram destribuidos a partir de uma brincadeira de pescaria. Foram colocados vários fios para o lado de fora do teatro de bonecos. Sem que se soubessem o que havia no fim de cada fio tinha que puxa-lo.


Se um garoto tirasse uma boneca ele poderia trocar com uma garota ou dar para sua irmã por exemplo. Assim os presentes foram sendo pescados em uma alegre cartografia até todos terem o seu.



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O Kinemasófico é um vetor cinematográfico que a Afin realiza todos os domingos à boca da noite, contando com um curso artístico (teatro, cinema…), sempre com a apresentação ao final da atividade de um cinema. Mais informações, clique aqui.

Photo graphein: Eggleston

Dezembro 30, 2010

Álcool e Rock: uma mistura explosiva

Dezembro 29, 2010

*Vitor Bemvindo

Os anos 60 e 70 ficaram conhecidos pelo alto consumo de drogas. Muitos artistas adicionaram à criatividade boas doses de LSD, heroína, cocaína e todo tipo de entorpecentes. Alguns deles não viveram muito para contar, e outros sobreviveram e de uma forma ou de outra conseguiram levar seus trabalhos adiante.

O mesmo não acontece, em regra, com viciados em uma droga mais leve, mas que ao mesmo tempo diminui drasticamente a capacidade produtiva das pessoas: o álcool. Apesar de ser socialmente aceito, o álcool tem efeitos tão devastadores quanto algumas das drogas mais pesadas, e levaram alguns astros do Rock ao fundo do poço.

Este artigo, longe de ser moralista, quer somente mostrar algumas histórias de rockstars que tiveram problemas por conta da bebida. Nós, do MOFODEU (www.mofodeu.com) somos adeptos de uma cervejinha e de um bom whisky e sempre gravamos nosso programa tomando um ou outro aperitivo.

O motivo de levantar essa história é só para ilustrar o programa que entrará no ar no nosso site a partir do dia 14 de fevereiro.

Os casos mais traumáticos que envolveram alcoolismo e o rock nos anos 60 e 70 foram os que culminaram com as mortes de Keith Moon (lendário baterista do The Who), Bon Scott (vocalista do AC/DC) e John Bonhan do Led Zeppelin.

Keith Moon tinha como sua marca pessoal a irreverência, que muitas vezes era potencializada pelo álcool. Apesar de ser adepto de outros tipos de droga, Moon ficou conhecido por grandes bebedeiras, numa delas se envolvendo inclusive num acidente automobilístico que ocasionou a morte de uma pessoa (mais tarde Moon foi inocentado).

No auge dos seus porres, o baterista do Who gostava de exibir seu instinto destruidor, colocando fogo em objetos, quebrando instrumento e destroçando quartos de hotéis. Entre as lendas que giram em torno às bebedeiras de Moon estão a destruição de um banheiro com fogos de artifícios e o “naufrágio” de um Lincoln Continental (um carro de luxo) numa piscina durante a festa de seu aniversário de 21 anos.

Porém, o alcoolismo trouxe resultados muito danosos a curta vida de Keith Moon. Em meados dos anos 70 ele procurou ajuda para se livrar do vício que já prejudicava seu incrível talento. Durante o tratamento Moon apresentou uma síndrome de abstinência ao álcool que viria levá-lo a morte. Na madrugada de 7 de setembro de 1978, após um jantar com Paul e Linda McCartney, após a pré-estréia do filme de um filme sobre a vida de Buddy Holly, Moon foi encontrado morto no quarto do hotel onde estava hospedado. A causa da morte foi overdose. Ele havia consumido 32 comprimidos do medicamento que fazia parte do seu tratamento contra o alcoolismo e acabou falecendo.

John Bonham, do Led Zeppelin, tinha um temperamento totalmente oposto ao seu companheiro de profissão do Who. Ele era um cara contido e tímido e só se liberava sua agressividade quando estava com as baquetas nas mãos. Bonham era um cara caseiro e detestava a rotina das grandes turnês, que iam de encontro com o seu modo de ser.

A alternativa encontrada por Bonham para suportar os longos períodos longe de casa foi se entregar a bebida. Ele ficou conhecido como um dos maiores bebedores do meio do rock, mesmo mudando pouco seu comportamento por conta dos porres. A cerveja era seu aperitivo favorito e existe a lenda que a inspiração para o símbolo que compunha o logo dos 4 membros do Zeppelin teria sido criado com inspiração na bebida. Os três círculos entrelaçados, que por muitos é interpretado como um símbolo de “homem, mulher, criança”, teria sido uma cópia invertida do logotipo de sua cerveja favorita: a Ballantine.

Assim como no caso de Moon, as bebedeiras do baterista do Led Zeppelin também acabaram de maneira trágica. No dia 24 de setembro de 1980, após beber cerca de 40 doses de vodca, John Bonham adormeceu na casa de Jimmy Page, sendo encontrado morto na manhã seguinte, sufocado em seu próprio vômito.

Bon Scott era o estereótipo do escocês típico. Eventualmente usava seu kilt (espécie de saia), tocava gaita-de-fole e era chegado num bom whisky. É bom ressaltar que ele tinha “scott” até no nome. Nem precisa dizer que ele era chegado numa boa farra e era freqüentador assíduo dos pubs escoceses, ingleses, irlandeses e dos botecos de toda parte.

Sua entrada no AC/DC fez com as bebedeiras aumentassem e não foram poucas as vezes em que ele se apresentou embriagado. Infelizmente, sua trajetória promissora também foi interrompida pelo vício. Após um coma alcoólico (oficialmente relatado como envenenamento por álcool) , assim como Bonham, Bon Scott morreu sufocado no seu próprio vômito.

Vizinha da Escócia e também pródiga em bons whiskeys, a Irlanda revelou alguns dos grandes beberrões da história como, por exemplo, os caras do Thin Lizzy. O líder da banda, Phill Lynott, apesar de não ser irlandês, era um grande apreciador de toda espécie de bebida, e logo manifestou dependência à droga.

A apreciação por gêneros etílicos ficou registrada na canção “Whiskey in the jar”. O tema trata-se, na verdade, de uma canção tradicional irlandesa, adaptada pela banda. A música trata de um velho andarilho que, viajando pela seu país, se mete em confusões por conta de bebedeiras. O refrão traz uma forma tradicional de se brindar, “Musha rig um du rum da”, e dá graças por haver whisky na jarra.

Mas o que foi inspiração, também trouxe tragédia. O alcoolismo de Lynnot o fez ficar internado em clínicas de reabilitação um sem-número de vezes, até o seu falecimento. Em sua última internação, ele faleceu de um ataque do coração, devido também ao consumo de outras drogas.

O Kiss também é uma banda cujos integrantes volta e meia são envolvidos em bebedeiras. Especialmente os dois membros originais da banda que foram afastados duas vezes: Ace Frehley e Peter Criss. As duas saídas deles da banda foram cercadas de muito mistério, mas é quase certo que as bebedeiras do guitarrista e baterista originais da banda sejam o maior motivo. Frehley vem a anos tentando deixar o alcoolismo, mas em vão. Em 2001, todos se cansaram do estilo beberrão do guitarrista e colocaram-no na rua pela segunda vez.

Uma das maiores contribuições de Frehley para a banda foi um dos clássicos do Kiss: “Cold Gin”. A música fala de como um gim gelado pode ser útil para amenizar o calor e facilitar as coisas com uma garota. Ele ainda exalta, na letra, o poder da bebida que, além disso, tem outro benéfico: é muito barata. Uma fanfarronice típica de letras de rockeiros bebuns.

Outro clássico do Rock que fala sobre bebedeiras é “Alabama Song” do The Doors. A música, que tem como subtítulo “Whiskey Bar” é uma adaptação feita pela banda de um trecho da ópera “Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny” de Bertold Brecht. Na canção o personagem da ópera, Jenny, fica perambulando de Whiskey Bar em Whiskey Bar demonstrando certo desespero por não outros mais.

A atitude de Jenny na letrada da música pode ser atribuída a de muitos rockeiros, como os do próprio Doors. Jim Morrison teve muito problemas com drogas, que eram agravados pelo consumo concomitante de bebidas de alto teor alcoólico. Era comum de Morrison aparecesse embriagado em sessões de gravação de álbuns e em apresentações ao vivo. Muitos atribuíam essas atitudes ao sua timidez afirmando que as bebedeiras eram a única forma de Jim encarar seu público.

São inúmeros os casos de rockeiros envolvidos com o álcool, como não é possível detalhar caso a caso, eis uma lista com alguns outros beberrões:

  • Alice Cooper: largou a religião Mórmon pelo vício do álcool
  • Elton John: nos anos 70 teve diversos problemas de saúde por conta da constante mistura de álcool e cocaína
  • Eddie Van Halen: suas bebedeiras tinham alto poder destrutivo. Suas brigas com companheiros de banda são quase sempre causadas pelo álcool.
  • Danny Kirwan: Deixou o Fleetwood Mac por conta do alcoolismo, nos anos 70.
  • David Byron: foi demitido do Uriah Heep por causa das bebedeiras. Faleceu em 1985 por conta do alcoolismo.
  • Micheal Clarke e Gram Parsons: companheiros de Byrds, Flying Burrito Brothers, os dois tiveram muitos problemas com a bebida. Parsons, guitarrista, faleceu em 1973 depois de misturar morfina com álcool. Clarke, bateristas, foi alcoólatra até quase o fim da vida. Em 1993, pouco antes de morrer, deu declarações tentando mostrar os perigos do álcool. Após sua morte, a família de Clarke fundou uma instituição de combate ao alcoolismo infantil.
  • Ronnie Wood: O rockeiro boa praça fez ótimas amizades em suas bebedeiras. Por ser tão sociável conseguiu fazer parte dos primeiros discos solos de Jeff Beck, além do Faces e depois dos Rolling Stones. Porém, a bebida já o fez ser internado em clínicas de reabilitação um sem-número de vezes.
  • Ringo Starr: Após o fim dos Beatles o baterista entrou em depressão e começou a beber muito. Nos anos 80, o ostracismo e a bebida fizeram com que Starr fosse internado diversas vezes para desintoxicação. Hoje ele se diz curado do vício.

*Vitor Bemvindo –  Historiador de formação, tem verdadeira adoração pelo Rock and Roll desde sua infância. Seu instinto de pesquisador fez com que “se especializasse” em bandas velhas, especificamente as das décadas de 1960 e 1970. Produz e apresenta o MOFODEU (www.mofodeu.com), o Programa que tira o MOFO do ROCK, juntamente com seu parceiro Luiz Felipe Freitas (a Enciclopédia do Rock). O Programa está no ar desde 2007, tocando só bandas sessentista e setentistas sempre com muita informação e bom humor.

Eu que a levei ao rio,

Dezembro 29, 2010

pensando que era donzela,
porém tinha marido.

Foi na noite de Santiago
e quase por compromisso.
Apagaram-se os lampiões
e acenderam-se os grilos.
Nas últimas esquinas
toquei seus peitos dormidos,
e se abriram prontamente
como ramos de jacintos.
A goma de sua anágua
soava em meu ouvido
como uma peça de seda
rasgada por dez punhais.
Sem luz de prata em suas copas
as árvores estão crescidas,
e um horizonte de cães
ladra mui longe do rio.

Passadas as sarçamoras,
os juncos e os espinhos,
debaixo de seus cabelos
fiz uma cova sobre o limo.
Eu tirei a gravata.
Ela tirou o vestido.
Eu, o cinturão com revólver.
Ela, seus quatro corpetes.
Nem nardos nem caracóis
têm uma cútis tão fina,
nem os cristais com lua
reluzem com esse brilho.
Suas coxas me escapavam
como peixes surpreendidos,
a metade cheias de lume,
a metade cheias de frio.
Aquela noite corri
o melhor dos caminhos,
montado em potra de nácar
sem bridas e sem estribos.
Não quero dizer, por homem,
as coisas que ela me disse.
A luz do entendimento
me faz ser mui comedido.
Suja de beijos e areia,
eu a levei do rio.
Com o ar se batiam
as espadas dos lírios.

Portei-me como quem sou.
Como um cigano legítimo.
Dei-lhe um estojo de costura,
grande, de liso palhiço,
e não quis enamorar-me
porque tendo marido
me disse que era donzela
quando a levava ao rio.

Federico Garcia Lorca- A casada infiel

Por um ano mais Snoopy

Dezembro 29, 2010

Todo ano é novo, assim sempre somos novos. Portanto não necessitamos comparações com o passado ou futuro, uma vez que estamos num fluxo. Cada instante é composto por diferentes composições e nunca pode ser mensurado. Porém aos que estão totalmente ou parcialmente aprisionados no tempo chronos.

Para estes o sítio Tiras Snoopy está disponibilizando um calendário para que não se deixe de objetivar o tempo… De qualquer forma logo haverá em portugues a coleção completa com todas as tirinhas do Snoopy..

Seja um DJ de Bob Dylan

Dezembro 28, 2010

Para aqueles que gostam de dar uma de Disk Jockey (DJ), ou então se amarram no folk de Bob Dylan ou gosta em espeical da canção “Subterranean Homesick Blues” agora terá uma chance de entrar em uma produção Dylan e remixar esta bela música. Porém para participar você tem que provar que mora nos Estados Unidos ou Canadá (este pode ser seu empecilho, mas nenhum sonho é pouco… caia fora e vá pro Canadá). O concurso vai até o fim de abril.

Bob Dyla dica: Cuidado! Jimmi Rendra-xi

Para quem não sabe esta letra que Dylan cantou nos anos 60 e que foi uma loucura. Além de ter a chance de dar a sua versão da música sem pedir a autorização, você ainda pode ganhar prêmios como uma viagem quase “On the road”inesca pela América, ou ainda as caixas cheias de supresas de Dylan (The Bootleg Series ou The Original Mono Recordings Boxed Set). Eis a vossa chance de criar uma forma constitutiva no já constituido. O concurso é por tempo limitado e para se inscrever é só entar no sítio do concurso organizado pela gravadora dylanesca Sony

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Dezembro 28, 2010
Arles, 21 de junho de 1888

O semeador (1886), LHERMITTE


O semeador, Amsterdam, Vincent Van Gogh Museum

Van Gogh nesta carta comenta um trabalho de composição que tem feito quanto o semeador. E faz um percursso pelas influências de outros pintores que pintaram a vida camponesa:

” Você pode perceber pela simples nomenclatura das tonalidades que a cor desempenha um papel muito importante nesta composição. O esboço assim com o está atormenta-me muito, pois pergunto a mim mesmo se não será preciso tomá-lo a sério e fazer dele um quadro terrível e, Deus meu, como eu gostaria de faze-lo! Mas pergunto-me se terei para isso a força de execução tão necessária… E, assim, quase tenho medo. E entretanto, depois de Millet e Lhermitte, o que resta a fazer é… o semeador com cores e em grandes dimensões.”

 

Léon Augustin Lhermitte (ou L’Hermitte) foi um pintor realista que utilizou carvão, água-forte e foi também um retratista, pastelista e principalmente paisagista  bastante conhecido quanto o retrato da vida camponesa. Van Gogh- que também queria aprofundar neste gênero- foi um de seus maiores admiradores. Ele escreveu sobre o  pintor que “conhece a figura robusta, rija dos homens trabalhadores por completo, e que desenha seus temas a partir do verdadeiro coração das pessoas. Reproduções de pinturas de Lhermitte ajudaram Van Gogh durante a criação dos Comedores de Batata. Van Gogh comparou em uma carta o tratamento da luz feita pelo pintor com a de Rembrandt. O trabalho de Lhermitte “Os plantadores de feno” foi premiado com o Grande Prêmio na Feira Mundial de Paris em 1889 e adquirido pelo Museu Van Gogh em 1991.

Nascido na cidade francesa de Mont-Saint-Père em 1844 ele estudou na Escola Imperial de Desenho, e posteriormente os cursos de Horace Lecoq de Boisbaudran. Ele expôs pela primeira vez no Salão de 1864. A pintura seguia os conselhos de Camille Corot para suas paisagens (sobretudo no que se refere a luz), principalmente realizando as cenas da vida rural. O pintor Edgar Degas esperava que Lhermitte participasseda 4a exposição dos Impressionistas, mas suas esperenças foi em vão.

Em 1886, o artista passou a pintar com pastel e expor seus trabalhos na Sociedade dos Pastelistas, onde foi um grande inovador. O pintor ainda recebeu o título da Legião de Honra Francesa.

Seus trabalhos com água-forte despertaram grande admiração no mundo da arte, incluindo de Van Gogh que disse que “ se todo mês o Le Monde Illustré (revista) publicasse um de seus trabalhos… seria um grande prazer para mim acompanhar. É certo que durante anos eu não tenho visto algo tão belo como esta cena de Lhermitte… Eu estou tão preocupado pelo Lhermitte esta noite para ser capaz de outras coisas.”


Clique para transformar Lhermitte

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Paul Cézanne é um pintor francês frequentemente associado com os Impressionistas, mas ele sempre teve outras metas, sendo melhor enquadrado como Pós-Impressionista.Ele dizia que sua ambição era “fazer do Impressionismo algo sólido e durável como a arte dos museus’. Seu trabalho foi mais aceito pela vanguarda parisiense em 1890 e teve uma grande influência no cubismo na obra de Pablo Picasso e no desenvolvimento da arte do século XX.

Cézanne nasceu em 19 Janeiro de 1839 na cidade francesa

de Aix-en-Provence. Sua infância foi dominada pelo pai,

Louis-Auguste Cézanne, um banqueiro rico, e seu amigo

Emile Zola. Durante a infância ele estudou em escolas tradicionas como o Collége Bourbon.Sob pressão da família ele foi treinado para ser advogado em sua cidade natal, enquanto atendia lições de desenho na academia local (Escola de desenho livre do Musée d’Aix) em 1857.

Em 1861 Cézanne abandonou seus estudos de direito e fez

sua primeira visita à Paris, encorajado pelo colega de

infância Émile Zola. Paris era o centro da arte do mundo,

e um destino importante para qualquer pintor, e por isso

Cézanne fez repitidas viagens para a capital francesa,

absorvendo muito daquela subjetividade artística graças a

sua facilidade como artista.Depois de se mudar para Paris

frequentou uma escola de arte privada (Académie Suisse).

Ele frequentou o Salão de Paris, estudou com velhos

mestres, copiou quadros de Delacroix no Louvre e se

tornou amigo de vários artistas como Edouard Manet, James McNeill Whistler, Edgar Degas, Auguste Renoir, Henri Fantin-Latour e principalmente seu colega de academia Camille Pissarro.

Em meados da década de 1860, Cézanne tinha se

estabelecido como pintor, embora com um sucesso oficial

mínimo: a ele foi negado a entrada à École des Beaux-Arts (Escola de Belas Artes de Paris) e foi excluido de várias exibições do Salão. Esta exclusão vinha devido a seu estilo de pintura radical, caracterizado pelos caminhos do corpo coberto com tintas de tom pastel aplicado com espátula, uma técnica herdada de Courbet. Além da influência deste havia uma forte presença de Manet nos início de seus estudos. Nos seus primeiros trabalhos ele usava técnicas de Courbet, aplicando camadas grossas de tinta com uma espatula. Ele posteriormente contou a Renoir que levou 20 anos para perceber que pintura não era escultura.

Sua maneira áspera era compatível com sua personalidade

provincial. Esta primeira fase da carreira de Cézanne, é

cheio de retratos macambúzios e cenasde assassinato e

estupro com forte carga emocional; ansiedade paralela com sua vida pessoal.Um local importante para a sua

experimentação e definição de estio foi uma fazenda em

sua cidade natal onde ele poderia se sentir mais livre e criar trabalhos com uma maior fluência.

Em 1863 o Imperador Napoleão III decretou a abertura do Salão dos excluidos (Salon des Refusés) que tinham de certa forma uma péssima crítica devido ao espírito revolucionário.

Em 1869 o pintor conheceu Émilie Hortense Ficquet, uma mulher que depois se tornaria sua esposa (que ocorreu em 1886, graças a morte do pai do pintor) e que teria um único filho, também chamado de Paul em 1872. Devido a guerra Franco Prussiana o pintor se muda para Provença para fugir do recrutamento. Já em 1872, o pintor foi para Auvers junto com sua família e Pissarro e começou aquela que é frequentemente apelida de fase “Impressionista” (pois seus quadros particparam das mostras impressionistas), com uma forte influência da Escola de Barbizon, especialmente Corot e Daubigny, criando um interesse na pintura ao ar livre, com maior observação do objeto e principalmente da luz. Nesta mesma década o pintor começou a pintar na cidade L’Estaque e no Golfo de Marseille, demonstrando sua maturidade.

Na década de 1880 sua pincelada se tornou mais sistemática e ordenada, selecionando os temas ele podia

estudar por longos periodos. Porém este é o período conhecido como. Outro fator importante é que ele fez sua primeira exibição solo em Paris organizada por Ambroise Vollard.

Por volta de 1890 Cézanne começa a sofre de diabetes. Enquanto isso sua obra muda e ele passa a ter uma maturidade artística completa com pinceladas eclodindo na chamada “pincelada construtiva que para ele tinha mais intencidade e solides do que os efeitos fulgais do impressionismo. Na verdade,durante esta época, toda a pintura de Cézanne se recriou e ele pintou todos tipos de quadros: paisagens, naturezas mostras, banhistas, nus retratos e auto-retratos.

Com a morte de sua mãe em 1897 a fazenda é vendida e o pintor cria um grande atelier em 1902 nascolinas de Les Lauves.

Seu último periodo foi repleto de quietude e inquietação. Cézanne morreu devido ao quadro de diabetes as 7:00 da manhã de 23 de Outobro de 1906,em sua casa em Aix. Seu trabalho apesar de não ser tão bem aceito pelo grande público é um trabalho de pintura racional. Por isso vários pintores compraram suas obras como Paul Gauguin, Pablo Picasso, Pierre Bonnard, Kazimir Malevich, Henri Matisse, e Marcel Duchamp.

Photo graphein: Graciela Iturbide

Dezembro 27, 2010

Histórias das Músicas Brasileiras

Dezembro 26, 2010

Martinho da Vila é um sambista de Duas Barras, no Rio de Janeiro. Seu nome completo é Martinho José Ferreira e o codinome Da Vila se refere a escola de samba Unidos da Vila Isabel que Martinho faz parte e se dedica incansavelmente. Em mais de 30 anos de carreira, Martinho deu contribuição de diversos belos sambas e até sambas meia boca que acabaram se tornando comerciais. Envolvido na questão da negritude do mundo todo, ele é filiado ao PC do B, o comunista Martinho também é escritor e já escreveu nove livros. Atualmente é um dos representantes vivos da ex-nova guarda do samba brasileiro, ou talvez a velha nova guarda por assim dizer. Ele ainda abriu um bar chamado Butiquim que infelizmente teve que fechar.

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Por ocasião do Festival de 1967, certa tarde passou pela minha casa o Renato Teixeira e me disse que tinha conhecido, nos bastidores de um festival, um artista, que classificou de primitivo, incrível e que tinha tomado a liberdade de dar o meu endereço para ele. Eu tinha nesta ocasião uma espécie de casa aberta onde se reuniam cantores, compositores, artistas populares, amigos e, principalmente amigas pois o objetivo principais destas reuniões, segundo combinação com Carlos Paraná era inspirar o afeto feminino em nosso favor. Renato Teixeira iria viajar naquela noite para Taubaté e o artista “primitivo” a que se referiu apareceu mais tarde, meio sem-jeito, rondando pelas beiradas. Eu deixei-o logo a vontade, pedi que me mostrasse suas músicas, ele disse que sua voz não era tão boa que tinha até constrangimento em cantar.Insisti e, na primeira música Casa de Bamba, vi logo que se tratava de um compositor de grande talento e que seu timbre e forma de cantar. muito particulares, valorizam e personalizavam esse talento. Este artista era Martinho da Vila.Levei-o ao “Jogral”, Carlos Paraná entusiasmou-se e ele passou a apresentarse no “Jogral” com regularidade. Seu público de qualidade foi a primeira confirmação das possibilidades que Martinho da Vila tinha, o que sua carreira confirmou.

Posteriormente, tive a oportunidade de estimula-lo a deixar seu ganha-pão. Martinho era sargento datilógrafo– o que o impedia de tentar, consequentemente, a carreira. Propus-lhe assegurar o dinheiro equivalente ao seu soldo, até que tivesse condições de viver de sua música. Na verdade, não cheguei a fazer nenhum adiantamento, ele é que me fez o primeiro, para crédito em sua conta corrente, como combinaramos. Dois anos depois, devolvi-lhe este dinheiro, do qual houvera esquecido, com juros e correção monetária.

(…) Na fase em que “Discos Marcus Pereira” assumiu o controle da sociedade proprietária do “Jogral” foram essenciais a colaboração de meu ex-sócio Aluisio Falcão- que assumiu a direção artística- e de Martinho da Vila que contribuiu com preciosas sugestões na área artística.  Ele na verdade já havia comprado 25% na sociedade do “Jogral” com a morte de Carlos Paraná e  assumimos a direção do “Jogral” no início de 1974.

Transcrição feita do livro “Música está chegando a vez do povo 1. A história do Jogral” de Marcus Pereira

 

Martinho um sargento que foi sambado

 

Capa do primeiro disco de Martinho pela RCA que já foi um grande sucesso com sambas como O Pequeno Burgues, Casa de Bamba e Carnaval de Ilusões.

 

Martinho o cantador sambista do Brasil em concerto pela França

 

Martinho sempre se engajou nas questões sociais do Brasil. Na foto com Gonzaguinha e outros.

 

 

Martinho sempre se juntou com sambistas e criou uma admiração grande. Na foto com Candeia

 


 

Além do samba, Martinho tem uma grande paixão pelo futebol e pelo Vasco da Gama. Na foto Martinho da Vila com Paulinho da Viola.