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Chico Buarque aos 73 anos.

Junho 20, 2017

A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas sentadas, bebida, tabela, barba e área interna

BLOGS AFINSOPHIA E ESQUIZOFIA ENTREVISTAM BELCHIOR JÁ QUE “SEMPRE É DIA DE IRONIA NO MEU CORAÇÃO”

Maio 2, 2017

Os Blogs Afinsophia e Esquizofia, da Associação Filosofia Itinerante (AFIN), publicam a entrevista, alegria como aumento de potência de agir, com o Rapaz Latino-Americano Belchior.

BREVE APRESENTAÇÃO

Antônio Carlos Gomes Belchior Fonteneles Fernandes – cearense da simpática cidade de Sobral -, gostaríamos de fazer um acordo com você nessa entrevista trans-histórica, na névoa inassinalável, ou hecceidade. O acordo é o seguinte: como nós vamos recorrer as nossas faculdades memorativas, além de informações extraídas de nossa arqueologia do saber-Belchior, é possível que venhamos cometer alguns equívocos em relação a fatos aqui apresentados por nós atribuídos a personagens em relação a você. Se por acaso você perceber que algumas enunciações nossas são lendas ou mitos, queira nos corrigir. Certo?

Belchior você é da geração que “por força desse destino um tango argentino” pegava “bem melhor” que “uns blues”. A ditadura civil-militar que dominou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Você, como muitos brasileiros, por força da ditadura, não teve adolescência, e se quer pode vivenciar as fragrâncias de maio de 68. Enquanto a França, e grande parte da Europa explodia, produzindo linhas de cortes, fissuras através das potências dos trabalhadores e estudantes. Ao contrário, em 68, o Brasil era submetido à força do AI5, implantado pelos militares da repressão-nacional. Foi o ano que começou para valer as perseguições, prisões, sequestros, torturas e mortes.

Todavia, arigó Belchior, você já havia sido traspassado pelas enunciações políticas, estéticas, filosóficas, antropológicas, históricas, psiquiátricas, etc., e podia com clareza entender as notas desterritorializadas de Sartre, Marcuse, Foucault, Deleuze, Guattari, Simone Beauvoir, entre outros que se movimentavam em latitudes e longitudes capazes de lhe afetar spinozianamente: aumentar sua potência de agir. Já havia sido afetado pela potência da comunalidade em forma de erudição. Erudição que levou certa vez Caetano chamar de cultura inútil. Sem falar que você já havia encontrado Marx, Cristo, aliás, o Homem de Nazaré foi quem primeiro lhe encontrou, daí sua vida de noviço, depois rebelde (Gargalhadas), quem sabe a influência a posteriori para criar o projeto de tradução do latim A Divina Comédia, de Dante Alighieri.

Musicólogo roqueiro, corpo que lhe moveu com “os pés cansados e feridos de andar léguas tiranas, a ponto de lhe deixar “com lágrimas nos olhos de ler o Pessoa, e ver o verde da cana”, compôs com as baladas de Bob Dylan, composição que levou o compositor do Maracatu Atômico, George Mautner, a afirmar que entre o original e a cópia preferia o original. Declaração que confirmava que sua entrada no mercado musical brasileiro já estava incomodando. Claro, você como sobralense nunca negou que ouvira muito as baladas de Dylan. E, aliás, quem daquela época, não ouviu? Quem, preocupado com a Napalm lançada pelos Estados Unidos no Vietnã, não ouviu Dylan? E não só Dylan, como também Neil Young, entre outros cantores e compositores de opunham a ferocidade genocida do império. Você sempre foi um homem engajado. Mas um cara que não fazia gênero de rebelde sendo um puta burguês, como seu conterrâneo Fagner. Poucas sabem, mas você participou, convidado pela talentosíssima atriz de teatro Lélia Abramo, no lançamento do primeiro manifesto do Partido dos Trabalhadores, em 1981. O que confirma que suas baladas são politizadas não por dependência de Dylan. Como invejavam seus detratores. E para piorar – para eles, é claro -, você foi parceiro do companheiro Lula na luta pela redemocratização do Brasil. ão do Brasil.

Mesmo só com a adolescência biológica, já havia traçado o compromisso, com Bertolt Brecht, de não deixar seu “charuto apagar-se por causa da amargura”, mostrado na canção Não Leve Flores. Daí que sua obra, apesar de manter alguns elementos regionais, melhor dizendo, nordestinos, foi na “Selva das Cidades”, empurrado pelo teatrólogo da Exceção e a Regrar, que você fez movimentar sua arte como forma de afetar o corpus da urbe atomizada. Como você mesmo diz: “se não for para balançar o coreto, não adiante fazer arte”.

E balança. Belchior, você instituiu no país a música urbana inspirada e alocada no concreto das cidades como corpo da poesia concreta. Você verseja concretamente. A poesia concreta é seu território de práxis e poieses. “Vamos andar, pelas ruas de São Paulo, por entre os carros de São Paulo, meu amor vamos andar e passear. Vamos sair pela rua da consolação, dormir no parque em plena quarta-feira. Sonhar com o domingo em nosso coração. Meu amor, meu amor, meu: a eletricidade dessa cidade me dá vontade de gritar que apaixonado eu sou. Nesse cimento, o meu pensamento e meu sentimento espera o momento de fugir no disco voador. Meu amor, meu amor”, nada de sentimentalidade compassiva, do tipo Roberto Carlos, nesse Passeio do seu primeiro LP, Mote Glose, pela gravadora Chantecler, com a regência do talentoso músico pernambucano Marcus Vinícius, do PCBão, um disco profundamente experimental, onde salta livre a poesia concreta.

Dizem que você canta a liberdade, claro que é uma afirmação abstrata, já que a liberdade não se canta se vive, mas nos diga: nessa tão concreta e cruel realidade produzida pelo capitalismo paranoico com sua dogmática opressora, você é um “passarinho urbano”, ou um “Robô Goliardo” (Gargalhada geral)?

A ENTREVISTA

AFINSOPHIA E ESQUIZOFIA – Começando pelo meio. O que é melhor? Viver, sonhar ou um canto?

Belchior (Sorrindo cúmplice) – “Viver é melhor que sonhar. Eu sei que o amor é uma coisa boa, mas sei também que qualquer canto é menor que a vida de qualquer pessoa”.

AE – Nesse momento em o Brasil encontra-se sob o cutelo de um perverso golpe contra a democracia, você tem alguma paixão?

B – “Você me pergunta pela minha paixão, digo que estou encantado com uma nova invenção, eu vou ficar nessa cidade, não vou voltar pro sertão, pois vejo vir vindo no vento cheiro da nova estação”.

AE – Verdade? Maravilha! Belchior, você é uma cara que viveu as décadas de 60, 70, não teve adolescência no sentido ontologicamente-social, por força da ditadura, mesmo assim conseguiu construir uma das mais inquietantes estéticas do Brasil, todavia, muitas pessoas não conhecem essa obra. E entre essas pessoas têm os nazifascistas. Se por um acaso algumas dessas pessoas, como uma variável-política, perguntasse de você, por onde você andava nesse tempo, o que você responderia?

B (Pensativo) – “Amigo, eu me desesperava!”.

AE – Você tem estilo. Não estilo no conceito burguês, mas como diz o filósofo Deleuze, você cria em sua singularidade como ninguém poderia criar de forma igual. Por isso você faz corte no estado de coisa petrificado. Você libera potências. Como você responderia se alguém pedisse para você compor de outra forma?

B – “Não me peça que eu lhe face uma canção como se deve correta, branca, suave, muito limpa, muito leve, sons palavras são navalhas, e eu não posso falar como convém sem querer ferir ninguém”.

AE (Vibrando) – Cacete! Esse cara é foda, moçada. Ainda nessa linha. Não precisa nem dizer, mas você tem Nietsche e Spinoza na veia: você é exaltação da “vida que ativa o pensamento e o pensamento que afirma a vida”. Até quando se encontra “mais angustiado que um goleiro na hora do gol”. A onda é essa: se um pessimista, um compassivo, uma baixa potência de agir, lhe dissesse que queria lhe ajudar, o que você diria para ele?

B (Gargalhando) – “Saia do meu caminho! Eu prefiro andar sozinho! Deixem que eu decida a minha vida. Não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração”.

AE (Explodindo de emoção) – Coisa de louco, moçada! “Você pode até dizer que eu estou por fora e que até estou inventando”, mas para o nosso entendimento, há uma confissão aí nesse “não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração”. O sol nasce no Leste, até Galileu já sabia. E o Leste europeu tem Marx, mano. Não precisa responder.

B (Interferindo) – “É claro que eu quero o clarão da lua! É claro que eu quero o branco no preto! Preciso, precisamos da verdade nua e crua, mas não vou remendar vosso soneto. Batuco um canto concreto pra balançar o coreto…”.

AE (Tentando uns movimentos afros) – Grande saída, hein cara? Ok, baby! Diz uma coisa cara. Já viu que há muita gente pessimista diante do desgoverno golpista acreditando que ele será eterno. O que você diz para essa gente?

B – “Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer meu amigo, que uma nova mudança, em breve vai acontecer”.

AE (Palmas) – É o devir-povo! Dando uma deslocada. O que você quer agora?

B (Sorrindo) – “Quero uma balada nova, falando de broto, de coisas assim: de money, de lua de ti e de mim, um cara tão sentimental…”.

AE – Você estudou medicina até o quarto ano, lógico que deve ter entrado em contato com algumas noções freudianas. Freud diz que é muito difícil uma geração se libertar da anterior. Há sempre fantasmas. Vendo o mundo como se encontra, qual a sua maior dor?

B – “Minha dor é perceber que, apesar de termos feito tudo, tudo, o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

AE – Bel, aproveitando essa questão de continuar o mesmo, tem também aquela questão dos que pousaram como revolucionários, e hoje são tremendos reaças, inclusive muitos operando como golpistas, como é o caso do senador do PSDB, Aloysio Nunes que foi motorista do Marighella. Você poderia descrever para nossos seguidores quem são esses simuladores e nos dizer quem são eles?

B (Dando uma boa baforada no cachimbo) – “Os filhos de Bob Dylan, clientes da Coca-Cola: os que fugimos da escola, voltamos todos pra casa. Um queria mandar brasa; outro ser pedra que rola… Daí o money entra em cena e arrasa e adeus caras bons de bola”.

AE – Esse cara vai na ferida dos caras, mas não confundir com “a ferida viva do meu coração”, não é? O quê? Ainda tem mais? Então, manda brasa.

B (Continuando) – “Donde estás los estudiantes? Os rapazes latino-americanos? Os aventureiros, os anarquistas, os artistas, os sem-destino, os rebeldes experimentadores, os benditos malditos – os renegados – os sonhadores? Esperávamos os alquimistas…  E lá vem os arrivistas, consumistas, mercadores. Minas, homens não há mais? Entre o céu e a terra não há mais que sex, drugs and rock ‘n’roll? Por que o adeus às armas? Não perguntes por quem os sinos sobram… Eles dobram por ti! O último a sair apague a luz azul do aeroporto. E ainda que mal pergunte: a saída será mesmo o aeroporto?”.

AE (Vibrando) – Loucura, moçada! O quê? Ainda tem mais? Manda brasa, arigó!

B – “Onde anda o tipo afoito que em 1-9-6-8 queria tomar o poder? Hoje, rei da vaselina, correu de carrão pra China, só toma mesmo aspirina e já não quer nem saber”.

AE –Loucura, loucura, loucura! Ainda agora você disse que “uma nova mudança vai acontecer”. Qual a forma para essa mudança?

B – “A única forma que pode ser nova é nenhuma regra ter; é nunca fazer nada que o mestre mandar. Sempre desobedecer. Nunca reverenciar”.

AE – A noite tem para você um signo profundo?

B – “Anoite fria me ensinou a amar mais o meu dia. E, pela dor eu descobri o poder da alegria e a certeza de que tenho coisas novas pra dizer”.

AE – Você é nordestino, e como você sabe, há hoje no Brasil uma consciência nazifascista que discrimina violentamente o povo do Nordeste. Como você concebe esse comportamento genocida contra o Nordeste?

 B (Sorrindo) – “Nordeste é uma ficção! Nordeste nunca houve! Não! Eu não sou do lugar dos esquecidos! Não sou da nação dos condenados! Não sou do sertão dos ofendidos! Você sabe bem: conheço o meu lugar”.

AE – E o medo de avião?

B (Balançando a cabeça sorrindo) – “Agora ficou fácil. Todo mundo compreende aquele toque Beatles: – “I WANNA HOLD YOUR HAND!”.

AE – E aquela namorada e aquele teu melhor amigo?

B – “Minha namorada voltou para o norte, ficou quase louca e arranjou um emprego muito bom, meu melhor amigo foi atropelado voltando pra casa. Caso comum de trânsito”.

AE – Os filósofos Epicuro, Spinoza, Nietzsche dizem quase o mesmo sobre falar sobre a morte. É claro que ninguém pode falar sobre a morte, porque é a última experiência e a única que não se pode contar nada sobre ela. Eles dizem que falar sobre a morte enquanto se está vivo é imundo. Mas vamos conceder uma cortesia sobre esse tema. Como você cogita sua morte?

B (Sorrindo) – “Talvez eu morra jovem: alguma curva do caminho, algum punhal de amor traído completará o meu destino”.

AE – Belchior você é uma cara corajoso. Sua obra e sua existência comprovam sua coragem. Mas nos responda: você tem Medo?

B – “Eu tenho medo. E medo anda por fora, medo anda por dentro do meu coração. Eu tenho medo em que chegue a hora em que eu precise entrar no avião. Eu tenho medo de abrir a porta que dá pro sertão da minha solidão. Apertar o botão: cidade morta. Placa torta indicando a contramão”.

AE – O que você pode nos dizer sobre a sorte na vida?

B – “Coisa muito complicada o amigo tem ou não tem. Quem não tem sucesso ou grana tem que ter sorte bastante para escapar salvo e são das balas de quem lhe quer bem”.

AE – Temer, o golpista-mor junto com sua escória, vem desmontando as leis democráticas do país. Porém, ele tem, com ajuda da mídia capitalista também golpista, feito pronunciamentos como se tudo estivesse às mil maravilhas. Como você concebe o presente e estes pronunciamentos?

B – Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca. Não há motivo para festa: ora esta! Eu não sei rir à toa!”.

AE – Você como pintor e desenhista pode nos apresentar um quadro da família-nuclear-burguesa-patriarcal?

B – “No centro da sala, diante da mesa no fundo do prato, comida e tristeza, a gente se olha se toca e se cala e se desentende no instante em que fala. Medo, medo, medo, medo. Cada um guarda mais o seu segredo a sua mão fechada, a sua boca aberta, o seu peito deserto, a sua mão parada, lacrada e selada e molhada de medo. Pai na cabeceira…”.

AE – Essa família lhe concedeu um prêmio no começo de 70, certo? Contam que na noite que você recebeu o prêmio os canas deram uma chegada em você, certo (Belchior sorrir)? Se alguém tentasse lhe obrigar a parar de cantar, o que você diria?

B – “E eu vos direi, no entanto”: enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer Não! Eu canto”.

AE – O que você diz sobre a vida?

B (Com ar apaixonado) – “Eu escolhi a vida como minha namorada com quem vou brincar de amor a noite inteira. Vida, eu quero me queimar no teu fogo sincero. Espero que a aurora chegue logo. Vida, eu não aceito não a tua paz, porque meu coração é delinquente e juvenil, suicida, sensível demais. Vida, minha adolescente companheira, a vertigem, o abismo me atrai: é esta minha brincadeira”.

AE – Observando sua temporalidade ontológica como você concebe sua existência?

B (Pensativo) – “Até parece que foi ontem minha mocidade, meu diploma de sofrer de outra universidade, minha fala nordestina, quero esquecer o francês. E vou viver as novas que também são boas o amor/humor das praças cheias de pessoas, agora eu quero tudo, tudo outra vez”.   

AE (Afetados de alegria) – Chegado a esse platô, você gostaria de desejar algo às pessoas?

B (Muito contente) – “Quero desejar, antes do fim, pra mim e os meus amigos, muito amor e tudo mais: que fiquem sempre jovens e tenham as mãos limpas e aprendam o delírio com coisas reais”.

AE – Belchior, nós trouxemos alguns instrumentos, você aceitaria terminar a entrevista cantando uma de suas músicas que tocam diretamente ao momento atual do golpe que estanca o Brasil. Como somos seus fãs de carteirinhas, nós até poderíamos fazer o backing vocal. Mote e Glosa? Vamos nessa! Aí, moçada, acessante do Afinsophia e Esquizofia, um abração e beijos. Logo, logo estaremos novamente com Belchior “balançando o coreto”. Não é. Belchior (Ele balança a cabeça gargalhando)?

“é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

passarim no ninho

(tudo envelheceu)

cobra no buraco

(palavra morreu)

você que é muito vivo

me diga qual é o novo

me diga qual é o novo

me diga qual é o novo

                            novo

                            novo

                            novo

me diga qual é o novo

me diga qual é

me diga qual é o novo

me diga qual é

me diga qual é o novo

me diga qual é”.

Obs: Embora Belchior tenha musicalizado várias letras de outros companheiros seus,  como por exemplo, Jorge Melo, Fausto Nilo, Francisco Casaverde, Gracco, até com o reacionário coxinha Fagner, entretanto, a maioria das letras aqui expostas são de sua autoria.

ARTISTAS GRAVAM VÍDEO EM DEFESA DA CAUSA INDÍGENA: “DEMARCAÇÃO JÁ!”

Abril 26, 2017

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BANDINHA DO OUTRO LADO FAZ FESTA MOSTRANDO QUE É NETA SINGULAR-ORIGINAL DE DIONÍSIO

Fevereiro 28, 2017

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Entre os vários vetores fluxos mutantes e quantas desterritorializantes da Associação Filosofia Itinerante (Afin) que agenciam há mais de 14 anos em Manaus produções-moventes como corpos de novas formas de existir, sentir, ver, ouvir e pensar, a Bandinha do Outro Lado é festa singular e original da potência dionisíaca.

p1090569p1090574p1090576p1090577p1090581p1090584p1090589p1090590p1090599p1090600A Bandinha do Outro Lado se imbricou como corpo dionisíaco há nove anos na Rua Jaú do Bairro Novo Aleixo, zona Leste de Manaus. Uma das muitas regiões populacionais desassistidas pelos governos reacionários que se apossaram do estado do Amazonas e da capital Manaus. Na linguagem politicofastra (linguagem do falso político, o tagarela do Legislativo, Executivo e Judiciário, corpos alienados da democracia), é um curral eleitoral onde esses personagens exploradores da miséria do povo, que eles mesmos fomentam, conseguem suas eleições, reeleições constantes.

Desde sua inicial apresentação nas ruas do bairro que a Bandinha do Outro Lado se atualiza como real através das próprias criações das crianças. Suas fantasias são concebidas e elaboradas por elas. Certo que com o auxilio de alguns moradores. Como Dona Antônia, por exemplo.

p1090602p1090604p1090609p1090622p1090627p1090640p1090652Como a Afin é um corpo comunalidade e sua atuação é sempre um processual coletivo, não seria coerente a Bandinha do Outro Lado, como expressão do personagem que forneceu corpos para a emergência do Teatro Grego, a Filosofia e a Política, que os moradores ficassem fora da composição festeira de seus netos.

p1090653p1090663p1090665p1090678Nesse carnaval, que apesar de Temer e seus cúmplices golpistas, a Bandinha do Outro Lado fez sua festa em outra zona abandonada pelos exploradores governantes: Bairro Nova Cidade, que de novo só tem o nome: segue a antiga violência administrativa de outras zonas que não têm seus direitos urbanos garantidos. Fica no extremo de Manaus. Agora, a Bandinha do Outro Lado se apresenta na última rua, número 72, do bairro no limiar da mata, fronteira com um cemitério indígena. Porém, a potência dionisíaca-contínua segue a movimentação intensiva da poieses.

p1090686p1090690p1090691p1090697p1090702p1090723p1090742p1090749p1090757p1090761Aqui a letra desse ano do carnaval da Bandinha do Outro Lado. Carnaval que vibrou por todo Brasil em um uníssimo Fora Temer! Para o bem da Democracia!

     A Bandinha do Outro Lado está na Nova Cidade Ô, Ô,Ô

     Veio lá do Novo Aleixo com sua festa vontade Ô,Ô

     Para fazer o carnaval Dionísio da criança

     Por isso, ninguém vai ficar fora da dança.

     “Corre, corre lambretinha”,” se a canoa não virar”,

     “Eu vou pra Maracangalha” “abre alas que eu quero passar”

     “Viva o Zé Pereira, viva o carnaval,

      Viva o Zé Pereira que a ninguém faz mal”.

     Vejam algumas imagens dionisíacas.

  Vejam um breve vídeo. 

TOM ZÉ, 80 ANOS: ‘CANÇÕES ERÓTICAS DE NINAR’ E OUTRAS CANÇÕES

Outubro 14, 2016

  Artigo publicado pela Rede Brasil Atual.

 

tom zé

São Paulo – O cantor e compositor Tom Zé completa hoje (11) 80 anos em meio ao lançamento do disco Canções Eróticas de Ninar que, como ele escreve no encarte do álbum, resgata “os assuntos do sexo como eram tratados (ou não) na minha infância e juventude”, abordando também a opressão sofrida pela mulher. “As famílias não falavam nada de sexo. Só vim saber que meu pai transava com a minha mãe aos 16 anos”, contou em entrevista a Oswaldo Luiz Colibri Vitta, no programa Hora do Rango, da Rádio Brasil Atual.

“Nós, que fomos crianças na década de 1940, vivíamos em um ambiente no qual as relações humanas eram completamente diferentes. O namorado não podia transar com namorada e as moças eram obrigadas a viver dentro de casa. E onde tem mais repressão é que surgem as coisas mais ousadas”, contou o baiano de Irará, relembrando sua primeira experiência sexual. “Naquela época era comum homem frequentar prostíbulos. Um belo dia um amigo te leva lá e alguém te socorre.”

As 13 faixas que compõem o disco contam, no estilo marcante do artista, sobre o tabu da virgindade feminina e a educação sexual pelo contato com os empregados. O álbum foi lançado no início deste mês no Sesc Pompeia, em São Paulo. No próximo dia 22, o trabalho chega ao Rio de Janeiro, no Circo Voador. “Meu segredo é que eu sempre fui doente e aí eu tive que viver tendo um cuidado danado. Sou precavido na vida.”

“A canção brasileira é uma coisa muito importante na vida da gente”, diz o artista. “A universidade King’s College, de Londres, fundou um Centro de Estudos da América Latina com um setor apenas para o Brasil. A principal fonte de estudo desse centro é a canção do Brasil.”

Sobre planos, Tom Zé afirmou que prefere guardá-los para si. “Na Bahia tem um provérbio que diz: ‘Mulher que fala muito perde logo seu amor’. Então, a gente não pode falar dos planos que tem senão esfarela. O segredo provoca uma combustão que é necessária para você ter força para trabalhar”.

Com bom humor, Tom Zé lembrou de momentos marcantes do seu trabalho, inclusive aqueles que não foram bem aceitos em determinados nichos. “Em 1973, fiz o disco Todos os Olhos, que hoje é um sucesso, mas na época me tirou de circulação. Em 1976, fiz Estudando o Samba e também não tive aprovação em lugar nenhum. Em 1989, eu estava me mudando de volta para Irará para trabalhar no posto de gasolina de um sobrinho, quando soube que (o músico norte-americano) David Byrne estava interessado nesse trabalho. Ele veio para cá, conversou comigo e o disco fez muito sucesso na Europa e nos Estados Unidos.”

O compositor se recusa a servir de exemplo para quem pensa em se aposentar e parar de exercer suas atividades profissionais. “Não posso dar recado para quem está se aposentando. As pessoas se aposentam quando querem, quando acham necessário, quando esgota a veia”, diz. “Eu comecei muito tarde na música. A primeira vez que cantei na TV foi em 1960, já tinha uns 24 anos. Foi em um programa de calouros que chamava Escada para o Sucesso e eu apresentei a música Rampa para o Fracasso e encaixou muito bem”, lembra.

“A gente tem que ser compreensivo com a vida de cada pessoa. Às vezes, a pessoa não quer mais fazer, já fez o que tinha que fazer. O Chico Buarque, por exemplo, é admirável, um melodista incrível e agora está escrevendo mais livros. A pessoa pode entrar em outro círculo de interesse, em outra onda.”

Confira a entrevista na íntegra, que contou com a participação da professora da Unicamp Regina Machado, que produziu um disco só com músicas de Tom Zé.

BOB DYLAN GANHA NOBEL DE LITERATURA

Outubro 13, 2016

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O cantor, compositor, articulista e pintor Bob Dylan foi escolhido para abiscoitar o Prêmio Nobel de Literatura, ano 2016. Nascido em 1941, em Minnesota, com o nome bastimal Robert Allen Zimmerman, é imigrante de judeus-russos e começou a compor com dez anos de idade.

     Como roqueiro, Bob Dylan tem como tema de suas principais baladas questões, politicas, sociais como oposição às guerras imperialistas impostas pelas grandes nações aos povos subdesenvolvidos, racismo, defesa dos direitos das mulheres, de todas as minorias. Com essas questões sempre foi observado pelos órgãos de repressão dos Estados Unidos e de outros países opressores, como ocorreu com John Lennon.

    Cantar a liberdade é sua vocação como artista. Há porém, há um certo signo de contradição para quem sempre se postou como sujeito produtor de sinais libertários como ele. O Prêmio Nobel tem um ranço claro de propósito glamorizante reacionário, mesmo que escolha personagens, muitos deles com consciência progressista. Tem o efeito de amaciar desavisados que ocultam suas vaidades. Muitas escolhas suas foram claramente comprometidas com o status quo da dominação. Exemplo, escolha de Obama.

       Quem entendeu muito bem a sutileza do Nobel foi o filósofo Sartre que rejeitou sua indicação. Dois princípios tocaram-lhe para não aceitar. Sua condição de filósofo. Já que filósofo não precisa de reconhecimento, visto seu engajamento existencial como homem que produz seu projeto ontológico muito além do bem e do mal daqueles que procuram reconhecimento por seus reconhecimentos. Como faz o Nobel. Outro, como ele afirmou, porque ao receber o prêmio estaria traindo os que lutam pela liberdade. Receber toda a grana que lhe daria condição de não se preocupa por muito tempo com o capital para sobreviver as auguras da existência, não seduzia. Principalmente, por seu o filósofo engajado contra a mi´séria dos povos. Miséria produzidas por muitos que amparam o Nobel. 

      Claro, Bob Dylan, como Obama, não é Sartre e muito menos filósofo, mas é uma cara talentoso para o que se propôs. Inclusive à vaidade de aceitar a premiação como reconhecimento de sua obra.

        Faz parte.

70 ANOS DE SAUDOSA EXISTÊNCIA DE SAMBA DE BETH CARVALHO

Maio 8, 2016

CHICO BUARQUE PROÍBE FALSO-ATOR, ANALFABETO POLÌTICO, DE APRESENTAR PEÇA COM SUAS OBRAS DEPOIS DELE, EM CENA, TENTAR DENEGRIR DILMA E LULA

Março 21, 2016

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O teatro ainda quando das festas dionisíacas na Grécia agrária, onde nasceu o nome tragédia, derivado do ritual de imolação do bode, tragos, oferecido ao deus Dionísio, já era uma arte potência-política. Depois que se tornou uma instituição do Estado grego, se formalizou totalmente como arte política. Não foi por acaso que os grandes festivais de tragédias e comédias eram referência políticas para o público por seu corpo estético pedagógico. O teatro é uma instituição política social.

Como potência-política todas as pessoas que se encontram envolvidas com essa arte dionisíaca, têm por responsabilidade social compreender os seus fundamentos, mas antes devem ser engajadas politicamente, posto que o principal corpo do teatro é o ato. E ato significa drama-ação. Sem conhecimento do ato como drama-ação não há política e muito menos teatro.

É o que ocorre com muitos alienados que querem ser tidos como pessoas de teatro para serem classificados como de bom gosto, sensibilidade superior e inteligência marcante. Como mostra a maioria dos canastrões que simulam arte teatral na TV Globo e que são chamados – por eles mesmos – celebridades, sem carregarem qualquer signo célebre. Esses os verdadeiros inimigos de Dionísio.

Pois é esse tipo de ‘celebridade’, ator e diretor Cláudio Botelho que resolveu encenar uma peça de teatro tendo como enunciado as obras de Chico Buarque, “Todos os Musicais de Chico Buarque”. Durante apresentação em Belo Horizonte, diante de uma plateia engajada com Chico, o canastrão resolveu usar palavras ofensivas contra Dilma e Lula. Na mesma hora recebeu o troco: a plateia começou a gritar: “Não Vai Ter Golpe!” e se levantou para pedir seu dinheiro de volta.

Ao saber do comportamento nazi-canastrão-fascista praticado pelo analfabeto político, Chico Buarque proibiu a continuação da apresentação do espetáculo. Segundo informações, o analfabeto-nazifascista-político sempre usa sua indigência para tentar denegrir pessoas que ele toma como inimigas como a deputada Jandira Feghalli e o senador Lindbergh pedindo a morte de ambos, além de chamar a plateia de neonazista. Ele o próprio nazifascista. Chamar a plateia de neonazista confirma seu grau de indigência afetiva e cognitiva.

Por sua decisão Chico é só aplausos dos que defendem a arte política-democrática.

NOS 100 ANOS DO SAMBA A RÁDIO NACIONAL APRESENTA UMA PROGRAMAÇÃO ESPECIAL QUE VAI ATÉ DEZEMBRO

Março 3, 2016

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No ano de 1916 o compositor Donga, na pia batismal Ernesto dos Santos, gravou o primeiro samba: Pelo Telefone. “O Chefe da polícia pelo telefone mandou me avisar/Que na carioca tem uma roleta para eu jogar…”. De lá para cá foram milhares de sambas gravados e divulgados pelas rádios. Pixinguinha, Cartola, Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça, Doniram Barbosa, Elton Medeiro, Candeia, Jovelina Pérola Negra, Beth Carvalho, Clara Nunes, Tom Jobim, Dona Ivone Lara, Délcio Carvalho, Guará, Mussum, Noel Rosa, Wilson Batista, Cláudio Jorge, Paulinho da Viola, Martinho da Viola, Manacéia, Padeirinho, Comprido, entre tantos.

Como a Rádio Nacional foi a pioneira em divulgação desses talentos e revelações dos mesmos, ela não podia deixar de fora a comemoração desse importantíssimo 100 anos da gravação do primeiro samba, logo na terra do samba. Seria um deboche. Por isso, ela resolveu fazer uma programação que vai até o mês de dezembro com compositores, cantores e músicas selecionadas. A programação será apresentada em miniprogramas com várias edições diárias.

O grande barato da programação será a demonstração da influência cultural, política e social no samba. Como é sabido, vários compositores e cantores tiveram e têm consciências políticas. Não foi por acaso que muitos deles participaram nas lutas pela redemocratização do Brasil no tempo da ditadura que perdurou entre os anos 1964 e 1985.

“O nosso enfoque é o compositor, os grandes compositores desde o nascedouro do samba na Praça Onze. Esse arcabouço ancestral vem desembocar na Praça Onze e aí surgem talentos como Donga, Pixinguinha, João da Baiana, Heitor dos Prazeres, Ismael Silva, fundador da primeira escola de samba do Brasil, “Deixa Falar”.

Você vai na Portela tem Candeia, Walter Rosa, Manacéia, , até Paulinho da Viola e a geração atual. Vai na Mangueira você tem Cartola, Carlos Cachaça, Padeirinho, Comprido, Jajá, Preto Rico,, até a geração atual. Vai no Império Serrano você tem  Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e até o pessoal atual. Mas o samba também teve grandes compositores que não eram de escola, como Wilson Batista e Ataulpho Alves.

A gente vai tentar, na programação da Nacional, ao longo deste ano, dar ao público um panorama da importância política e cultural do samba na história da música brasileira”, observou o radialista Adelzon Alves que apresenta o programa Amigo da Madrugada de terça-feira à sábado, no horário de 0 hora às 3 horas.

A programação será exibida pelas emissoras da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) como MEC AM –Rio, Nacional Brasília, Nacional Amazônia e Nacional Solimões. E também será distribuída para mais de três mil rádios para todo o país pela Radioagência Nacional.

ELZA SOARES – MEUS HERÓIS BRASILEIROS DE PEDRO HENRIQUE

Fevereiro 22, 2016

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Pedro Henrique é um jovem talentoso e pesquisador de 13 anos. Gosta de tratar de temas que ainda são difíceis de serem tratados no Brasil, apesar de muitas mudanças nas opiniões de grande parte brasileira. Mas seu tema principal é a negritude e seus representantes no Brasil.  

Com essa vontade-vida ele começou a realizar vídeos contando as histórias de grandes personagens negras que elevaram a condição do Brasil. Durante as quartas-feiras às 11 horas ele lança um novo vídeo no Youtube. Aqui nós apresentamos para vocês dois de seus vídeos. Os Heróis Invadiram a Minha Vida e Elza Soares – Meus Heróis Brasileiros.

É para ver, ouvir e comentar!