Archive for Junho, 2018

NOITE ENCANTADA ANIMA SÁBADO NO POÇO DA PANELA

Junho 30, 2018

AGENDA CULTURAL

Samba de Coco Toype do Ororubá realiza show aberto ao público, no Espaço Cultural Oca Xucuru

Da Redação

Brasil de Fato | Recife (PE)

Grupo de samba de coco indígena do povo Xukuru, de Pesqueira, fará show gratuito - Créditos: Divulgação
Grupo de samba de coco indígena do povo Xukuru, de Pesqueira, fará show gratuito / Divulgação

O Espaço Cultural Oca Xucuru realiza a Noite Encantada, neste sábado (30), a partir das 20h, no Poço da Panela, Recife. A atração principal é o Grupo de Samba de Coco Toype do Ororubá que terá participações surpresas. Além disso, antes do show, tem também participação especial do grupo na peça “Boi da Saúde”, de Romero de Andrade Lima, em frente à Igreja do Poço da Panela. É aberto ao público e acontece na rua Álvaro Macêdo.

Edição: Monyse Ravena

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SÃO JOÃO CONTINUA NOS BAIRROS DO RECIFE

Junho 29, 2018

Grupos realizam seus arraiais nas periferias e no Centro do cidade

Vinícius Sobreira

Brasil de Fato | Recife (PE)

Ouça a matéria:

Quem gosta de forrozear leva os festejos juninos até os últimos dias do mês - Créditos: Andréa Rego Barros/PCR
Quem gosta de forrozear leva os festejos juninos até os últimos dias do mês / Andréa Rego Barros/PCR

Oficialmente o feriado de São João já passou. Mas, quem gosta de forrozear leva os festejos juninos até os últimos dias do mês. Do centro às periferias do Recife, alguns arraiais animam esse fim de semana com muita música e comidas de milho. Destaque para a festa da quadrilha junina Lambe-Foice, no Vasco da Gama, zona norte do Recife. A comunidade realiza o arraial há 36 anos, atraindo a população de bairros vizinhos e animando a noite do sábado (30).

O arraial, desde o início, buscou homenagear Frutuoso Alves da Silva, sanfoneiro nascido em Brejo da Madre de Deus, agreste pernambucano, e antigo morador do Vasco da Gama. Suas filhas iniciaram a festa na rua do Chafariz e, no início dos anos 1990, mudaram para a rua Canapi, onde é realizada até hoje. “Ele dançava nas quadrilhas do bairro. Lembro que todo ano ele dançava na quadrilha do Córrego do Botijão e na Flor do Cajueiro, do Alto Nossa Senhora de Fátima. Ele participava da encenação como juiz do casamento”, recorda a filha Marineide Alves da Silva. O sanfoneiro criou as cinco filhas no meio da música. “Onde ele ia, levava as filhas com ele. E o gosto pelo São João passou de pai para filhas”, recorda ela, que chegou a trabalhar como cantora profissional de forró na antiga casa de shows Cavalo Dourado.

Frutuoso faleceu há quatro anos. “Ele ensinava umas rezas também. Lembro de uma que dizia ‘Bendito corria adiante, Louvado corria atrás, Bendito era menino, Louvado era rapaz’, algo assim”, sorri a filha. Nas primeiras edições, ainda nos anos 1980, o nome da brincadeira era “Arraiá de Comadre Chica”. Mas quando decidiram mudar o nome, um padre que participava da festa sugeriu o nome de “Lambe-Foice”.

Após mais de três décadas, a Lambe-Foice faz parte do calendário do bairro e das memórias dos jovens da comunidade. Muitos dos quais já moraram no Vasco da Gama vão ao arraial para rever os amigos de infância e adolescência. A festa segue das 20h do sábado até as 5h da manhã. Apesar do horário, Marineide conta que nunca teve problemas com a vizinhança. Parte dos custos da festa são pagos através de um bingo organizado pela quadrilha no início de junho e do sorteio de um balaio no dia da festa. A brincadeira costuma reunir centenas de pessoas nas ruas do bairro. “Quando vejo a festa pronta, aquela quantidade de gente, eu só olho para o céu e penso como meu pai deve estar feliz”, diz Marineide.

E como quadrilha matuta tradicional que se preze, seu arraial pede pé de serra e música ao vivo. “Evitamos som mecânico. Sempre colocamos os sanfoneiros para tocar. Um deles, inclusive, é Patrício, que toca conosco há mais de 30 anos, desde os tempos do Arraiá de Comadre Chica”, afirma Marineide. Este ano a promessa é de quatro grupos: além de Patrício e banda, está confirmada Galopeiros do Forró e há expectativa por mais duas bandas. “Este ano a Lambe-Foice foi sorteada pela Prefeitura do Recife para receber duas bandas em nosso arraial, mas ainda não sabemos os nomes”, avisa.

Outras festas

Nesta sexta-feira (29), dia de São Pedro, o Movimento dos Trabalhadores Cristãos (MTC), na Boa Vista, realiza sua celebração junina com show do Coletivo Siembra. A entrada custa R$5, que dá direito a concorrer a um balaio junino. O MTC fica na rua Gervásio Pires, nº 404.

Também nesta sexta, mas em Olinda, a tradicional Festa do Coco da Mãe Biu, na Comunidade Xambá, chega a sua 53ª edição. A festa celebra a memória do povo de Mãe Biu, a partir das 10h da manhã, no quilombo urbano do Portão do Gelo. Entrada gratuita.

Já no Sítio Trindade, em Casa Amarela, a sexta-feira (29) e o sábado (30) seguem com a programação do São João do Recife. Na sexta os shows são de Fulô de Mandacaru, Em Canto e Poesia, Novinho da Paraíba e Salatiel Camarão. No sábado sobem ao palco Joquinha Gonzaga, Fabiana Pimentinha, Adiel Luna e Daniel Bento, com os primeiros shows a partir das 18h. A festa é custeada com verba pública e tem acesso gratuito.

Edição: Monyse Ravenna

EM LEITURA DRAMÁTICA. JUIZ “MOURA” SIMBOLIZA UM JUDICIÁRIO DE MENTALIDADE COLONIAL

Junho 29, 2018

“Os Delatores da Inconfidência – um paralelo épico entre a derrama e a Lava Jato” será reapresentada nos dias 29 e 30

Pedro Carrano

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

Paulo Bearzotti Filho apresenta um texto que constrói um espelho entre a criminalização contra Tiradentes e a atual perseguição contra Lula - Créditos: Décio Romano
Paulo Bearzotti Filho apresenta um texto que constrói um espelho entre a criminalização contra Tiradentes e a atual perseguição contra Lula / Décio Romano

Em um cenário cultural em que peças teatrais, e a literatura desde os anos 1990, tantas vezes evitam a temática política, vale a pena prestar atenção na leitura dramática da peça “Os Delatores da Inconfidência – um paralelo épico entre a derrama e a Lava Jato”, que será reapresentada em 29 e 30 de junho (sexta e sábado), no Teatro Experimental da UFPR (Teuni).

Nela, Paulo Bearzotti Filho apresenta um texto que constrói um espelho entre a criminalização contra Tiradentes e a atual perseguição contra Lula. Em comum, a condenação orquestrada por um poder Judiciário elitista, moral e – a peça enfatiza – de mentalidade colonizada.

Na Vila Rica do século 18, o juiz “Moura”, vindo de fora e introduzindo as delações, o condenado “Dirceu”, de Marília (em alusão ao poeta Tomás Antonio Gonzaga) e “Joaquim José Lula da Silva” são personagens que ajudam a compreender a essência da Operação Lava Jato enquanto operativo que condenou um presidente que aplicava medidas de desenvolvimento no país.

Texto dialógico, com várias vozes, que costuram a obra de Cecília Meireles, canções (recurso bastante usado por Brecht), e poemas dos inconfidentes que, definitivamente, conformaram uma geração que colocou em pauta a independência na produção do país, da cultura à vida material – o que ainda não conquistamos.

Mais informações 

Serviço: 

Teatro Experimental da UFPR (TEUNI), localizado no Prédio Histórico da UFPR – Praça Santos Andrade, Curitiba 

Data: 29 e 30 de junho (sexta e sábado)

Horário: 20h

Edição: Laís Melo

ZÉ DIRCEU LANÇA LIVRO SOBRE SUA TRAJETÓRIA DE LUTA, MAS DE OLHO NO FUTURO

Junho 29, 2018

A obra foi composta enquanto o ex-ministro cumpria pena após ter sido condenado pelo “mensalão”

Redação

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Capa do volume 1 das memórias de José Dirceu - Créditos: Foto: Reprodução
Capa do volume 1 das memórias de José Dirceu / Foto: Reprodução

O ex-ministro José Dirceu anunciou, nesta quinta-feira (28), o lançamento do primeiro volume de sua autobiografia, “Memórias”, escrito durante os anos em que cumpriu pena nos regimes fechado e semiaberto pelas condenações na Ação Penal 470, a partir de 2013, e por denúncias da Força Tarefa da Operação Lava Jato, desde 2017.

“Estou lançando minhas memórias, que escrevi durante os anos de prisão injusta”, diz o ex-ministro em vídeo divulgado nas redes sociais para promover o livro. Na sexta-feira (29), a pré-venda da obra já figurava em primeiro lugar na versão brasileira do site de comércio digital Amazon . 

“Relembro e rememoro nossas lutas, parte de nossas vidas, da construção do PT, da luta contra a ditadura, das diretas, do impeachment, e relembro também meus anos em Cuba, meus anos na clandestinidade, e toda a luta que fizemos sobre nossas lutas e para levar Lula à presidência”, prossegue Dirceu.

 :: ENTREVISTA | Zé Dirceu: Subestimamos a direita e politizamos pouco a sociedade

:: ‘Temos um grande ciclo de luta no futuro’, afirma José Dirceu

Dirceu afirma que o livro cobre suas memórias até 2006, ano em que teve o mandato de deputado federal cassado pela Câmara, na esteira das denúncias do chamado “mensalão” –o período posterior será coberto no segundo volume das “Memórias”, que o ex-ministro promete começar a escrever.

O ex-ministro fez questão de frisar ainda que publica o livro em homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, assim como Dirceu, hoje enfrenta uma prisão que considera fruto de perseguição política.

“Minhas memórias também são uma homenagem a Lula, preso injustamente, condenado em um processo sumário, político, de exceção, mas que tem o apoio do povo brasileiro, que o quer como presidente. Este livro, espero que todos vocês leiam, divulguem, me apoiem e me ajudem. Porque é uma forma de me defender, de defender o legado de Lula, o legado do PT, e principalmente o legado dos democratas”, conclui.

LUCIANO HORTÊNCIO: PARA O BOM ENTENDEDOR…

Junho 28, 2018

meia palavra basta!

Olga Praguer Coelho – LA CUCARACHA (with introduction) – Traditional Mexican song.

CBS Radio Boadcast.

January 29, 1942.

Álbum: The Art of Olga Praguer Coelho – Guitar Coop – Historical Recordings.

Nosso agradecimento à amiga Maria Inez Reis, da GUITARCOOP, pelo amável envio do excelente CD.

CARTA CAPITAL: E SE NEYMAR PROCURASSE ERIC CANTONA?

Junho 27, 2018

por Miguel Martins

No filme de Ken Loach, o ex-jogador francês, crítico do camisa 10 da seleção, lembra a importância de um craque jogar para seu time
Reprodução / Instagram

Cantona

Ex-jogador do Manchester United ironizou penteado de Neymar

O momento inesquecível do ex-jogador francês Eric Cantona foi um passe. Um fã do craque do Manchester United e da seleção francesa nos anos 1990 questionou seu ídolo sobre qual era sua lembrança predileta dos gramados. Um gol na FA Cup contra o Liverpool? Um voleio perfeito em uma partida do campeonato inglês?

Não. Cantona prefere uma elegante assistência para Denis Irwin em um confronto contra o Tottenham Hotspur.

“E se ele (Irwin) tivesse perdido (o gol)?”, questiona o fã de Cantona. “Você deve sempre confiar em seus colegas de equipe”, responde o craque. “Se não, estamos perdidos.”

O fã de Cantona é um personagem de ficção. O protagonista do filme “À Procura de Eric”, do diretor Ken Loach, é xará de seu ídolo. Está atolado em problemas pessoais e psicológicos, com enteados para criar e cartas empilhadas a serem entregues. Acometido por ataques de pânico e deprimido, o carteiro Eric é convidado por seus amigos a participar de uma dinâmica de grupo em que cada um dos integrantes elege e emula uma referência de confiança e carisma. Seu escolhido é Cantona. 

Ao experimentar um pouco de maconha de um de seus enteados, Eric passa a se comunicar com uma visão do ex-jogador do Manchester United, interpretada pelo próprio, que se torna seu conselheiro informal. A principal lição da “aparição” de Cantona ao xará é sempre confiar nos companheiros de equipe ou amigos quando a situação estiver adversa.

É justamente esse espírito de grupo que o verdadeiro Cantona não reconhece em Neymar. Em seu Instagram, o ex-atleta publicou uma foto do doutor Sócrates com a camisa da seleção brasileira.

Na legenda, uma crítica ao individualismo do atual craque da seleção e a celebração de um jogador brasileiro devotado ao coletivo, em campo e fora dele. “Sem mais trapaças. Não mais as lágrimas de crocodilo. Não mais o narcisismo. Vamos amar o Brasil como nós costumávamos amá-los”, escreveu Cantona.

Não foi a primeira vez que o ex-jogador francês provocou o camisa 10 da seleção brasileira nesta Copa. No início do Mundial, ele postou uma “selfie” em que surgia com uma farta quantidade de spaguetti na cabeça, enquanto ostentava uma foto de Neymar com seu visual adotado no primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo. “Que belo cabelo”, ironizou.

Cantona está longe de ser um modelo de atleta perfeito. Quando era jogador, alternava jogadas brilhantes com episódios de descontrole emocional. O jogador chegou a ser suspenso por nove meses do futebol inglês após desferir uma voadora em um torcedor do Crystal Palace, que teria vociferado xingamentos xenofóbicos contra o francês. O caso levou a Inter de Milão a desistir de contratá-lo.

Cantona não chorou após a decisão. Em coletiva, resumiu-se a uma declaração enigmática: “Quando as gaivotas seguem um barco, é porque pensam que vão ser atiradas sardinhas ao mar.” O jogador aguardou a suspensão e venceu duas ligas inglesas após seu retorno. Com 30 anos, ele anunciou o fim de sua carreira após não ter sido convocado para defender a França na Copa de 1998.

Cantona era um craque à moda antiga, confiante, arrogante, carismático e decisivo. Mas era capaz de abrir mão de seu narcisismo em nome de seus colegas de equipe. Não era muito diferente de Romário. Polêmico fora do campo e reconhecido pelo perfil “bad boy” e pelo desinteresse por treinos, o craque da Copa de 94 não abria mão do individualismo dentro e fora de campo, mas era capaz de nutrir sua vaidade a partir de uma causa maior.

Neymar segue na contramão de craques dos anos 1990 como Cantona, Romário e Ronaldo. Eles superaram seus dramas e controvérsias pessoais ao se dedicarem ao sucesso coletivo de seus times.

Na atual seleção brasileira, o coletivo é que parece abrir mão de sua unidade por conta do individualismo de sua estrela. A goleada de 7 x 1 da Alemanha sobre o Brasil ocorreu após o camisa 10 sofrer uma contusão no Mundial de 2014. O time decidiu homenageá-lo antes do jogo, como se o drama pessoal fosse superior ao de uma equipe prestes a disputar uma semifinal. O resultado todos sabemos.

Na partida contra a Costa Rica nesta Copa, o choro de Neymar, embora justificável pela pressão que carrega, não deixou de ofuscar a boa atuação de Philippe Coutinho, ou o fato de o primeiro e salvador gol ter saído de uma jogada sem a participação do craque do time. São as tais “lágrimas de crocodilo” mencionadas por Cantona.

As provocações do ex-jogador francês ao camisa 10 da seleção podem até ser exageradas, mas talvez Neymar devesse procurar Eric. Não o verdadeiro, mas a aparição do filme de Ken Loach. Nunca é tarde para descobrir que uma vitória pessoal não ocorre sem bons companheiros ao lado. 

RODAS DE SAMBA SE FIRMAM NO ACRE. POR AUGUSTO DINIZ

Junho 26, 2018

Uma roda de samba criada em Rio Branco (AC) há pouco mais de dois anos tornou o maior sucesso do gênero nos últimos tempos na cidade. Ela acontece uma vez por mês, mas foi o suficiente para estabelecer uma nova legião de amantes do samba – cada evento, realizado sempre na primeira sexta-feira do mês, chega a reunir cerca de 400 pessoas.

A roda Casa de Bamba ocorre num belo casarão no centro da capital e é comandada pelo acreano Brunno Damasceno, cantor, compositor e cavaquinhista. Por conta desse sucesso da casa, o grupo passou a ser chamado frequentemente para realizar outras rodas pela cidade, onde antes não se via tanto movimento assim de samba.

Brunno informa que em breve irá gravar algumas composições para lançar pela internet. “A tendência é que eu grave uma por mês, perfazendo 9 a 10 composições lançadas na web”, diz.

Anderson Liguth, outro ativista do samba na capital acreana, é percussionista e cantor, e participa da roda de Brunno Damasceno – que tem como músicos ainda Heriko Rocha e Marquinhos Borges (violão), Paulinho da Portela, Henrique, Alexandre Tifum e Ferrari Junior (todos percussionistas).

“O samba acreano se fortalece mesmo frente a um cenário adverso, já que outros ritmos têm espaço de destaque nas mídias de massa”, diz Liguth. “Há, porém, os grupos e as rodas de samba que trazem em seu DNA a busca do resgate e manutenção do samba de raiz”.

O sambista ressalta a importância de se formar e ampliar o público, mas destaca também a necessidade das rodas de samba autorias ganhar força no Acre. “Falo isso no sentido de se buscar a verdadeira identidade do samba acreano”, comenta.

O Acre é origem de um grande sambista: Da Costa (1930-2005). Nascido na capital, tornou-se cantor e compositor de samba, gravando vários discos. Nas suas andanças pelo Rio, manteve contato com a nata do gênero. Os sambistas locais fazem questão de valorizar o legado deixado por Da Costa.

Liguth tem programa de samba na rede pública de rádio do Acre – Brunno Damasceno em breve retornará com seu programa voltado ao gênero também na rede pública e que tem o nome de sua roda: Casa de Bamba.

Outra roda importante na cidade é do grupo Raiz do Samba, que acontece todas as sextas-feiras no simplório bar do Zé Chalé, onde a cerveja de 600 ml sai por 5 reais. O grupo é comandado por Edizio Gomes da Fonseca, o Patuá (percussão e voz), e conta ainda com Edilson Sampaio (percussão e voz), Romenig Ribeiro (cavaco e voz), Adson (violão 7), João Pedro (surdo) e Felipe Tantã. O Raiz do Samba também tem começado a se apresentar em outros lugares da capital.

Mais informações das apresentações do grupo Raiz do Samba na página de Patuá aqui.

Boa parte dos músicos que integram as rodas mencionadas se reúne no final do ano em torno da roda de samba da Mangabeira, evento realizado há 25 anos – essa roda anual já foi tratada nesta coluna e detalhes de sua realização estão disponíveis aqui.

Imagens

PROJETO MUSICAL SAMBA DE SAMBA ACONTECE NESTA TERÇA-FEIRA (26)

Junho 26, 2018

Evento apresenta músicos da chamada nova geração do samba brasileiro

Da Redação

Brasil de Fato (PE)

A violonista, arranjadora, compositora e cantora Antonia Adnet é a próxima atração do projeto Samba de Bamba - Créditos: Caixa Cultural/Divulgação
A violonista, arranjadora, compositora e cantora Antonia Adnet é a próxima atração do projeto Samba de Bamba / Caixa Cultural/Divulgação

Terceira edição do projeto musical Samba de Bamba, no Recife, com os músicos da chamada nova geração do samba brasileiro e que ainda são consagrados pela grande mídia. As apresentações acontecem mensalmente, sempre às terças-feiras, na Caixa Cultural. A quarta sessão da série será dia 26, às 20h e trará Antonia Adnet que vai apresentar um repertório de sambas de sua memória afetiva e contar as histórias e os porquês de sua seleção musical. Os ingressos custam R$20 e R$10.

Edição: Monyse Ravenna

PORTAL FÓRUM: A FÁBULA ENCANTADA DE TÂNIA GRINBERG E FÁBIO MADUREIRA

Junho 25, 2018

A cantora e compositora Tânia Grinberg juntou o seu talento e ousadia ao violonista e também compositor Fabio Madureira. O resultado é o lindo e delicado disco “Gota onde Nada o Peixe”, segundo eles um diálogo poético-musical.

Tânia é atriz, artista plástica, poeta e cantora, que se divide entre a canção popular brasileira e a música klezmer – canção não litúrgica judaica. Seu primeiro disco, “Na Paleta do Pintor”, de 2009, que misturava canções dela mesma com clássicos da nossa música, já revelava uma artista madura, que de saída ia muito além da promessa.

O álbum “Gota onde Nada o Peixe” é a consagração da maturidade. Com canções sólidas, bonitas, bem realizadas e envolventes, o disco nos relembra sempre diversas tentativas de novidades da nossa música, com o prazer pelo canto, pela fluidez das composições.

Realizado de forma independente, com vaquinha através do site Benfeitoria, o disco contou com a participação de vários músicos excelentes, a começar pelo multi-instrumentista, dançarino e ator Antônio Nóbrega. Tocam nele também, Ricardo Vignini, Guilherme Kastrup, Alexandre Daloia, Alexandre Fontanetti, Alexandre Ribeiro, Ari Colares, João Taubkin entre outros.

Com muito cuidado instrumental, a produção musical de Rodrigo Bragança entra de alma aberta no sentido onírico, com tom de fábula e encanto das composições. Um clima que lembra um tanto as tentativas psicodélicas do rock da segunda metade da década de 60. Mas lembra também as cantigas medievais, o rock progressivo – como eles mesmo denunciam – Beatles aqui e acolá, vanguarda paulistana, música caipira, enfim, lembra várias coisas que contêm criatividade.

Canções como a própria faixa título ou a linda “Novelo”, que abre o disco, lembram composições infantis que se desdobram em estruturas musicais mais complicadas. Um salto mais à frente e a história muda completamente para a linda “Olhos (Miragem)”, uma canção por excelência, no sentido clássico da nossa música, daquelas feitas pra serem regravadas e sempre lembradas.

Já “Dragão Dourado” consegue a proeza de misturar as duas vertentes. A partir da narração de Antônio Nóbrega, a canção segue com melodia rica para a fábula fantástica, aqui, no caso, em prosa, verso e canção. A guitarra de Rodrigo Bragança rasga o lirismo ao meio e carrega com tintas a melodia, narração e tudo ganha em dramaticidade. Ao final, as cordas refazem outra imagem na conclusão. Quase uma canção/filme/animação.

A teatralidade das canções exige entrega do ouvinte, luzes baixas e concentração. Quase num esquema áudio visual, junte as crianças na sala para ouvir “Coruja”, “Gota onde Nada o Peixe” – entre muitas outras. Se tudo der certo, quase dará mesmo para ver e sentir os bichos entre outros personagens do disco a voar, nadar, perambular pela sala.

Há muito mais para contar e cantar sobre “Gota onde Nada o Peixe”, o belo e intenso disco de Tânia Grinberg e Fábio Madureira. Feito mágica, coisa encantada, você vai se pegar cantando e rodopiando entre os jogos e personagens de cada canção deste disco. Vale cada segundo.

PROJETO LEVA LITERATURA E COCO DE RODA A ESCOLAS DE PERNAMBUCO

Junho 24, 2018

Dona Glorinha do Coco não deixou ninguém ficar parado e Adalberto Monteiro também caiu na dançaNa última terça-feira (19), a Escola Técnica Estadual Professor Lucilo Ávila Pessoa, no Recife (Pernambuco), foi palco de literatura e coco de roda com a presença do escritor Adalberto Monteiro e da mestra da cultura popular Dona Glorinha do Coco. 

s adolescentes tiveram uma tarde fora da sala de aula, porém, cheia de aprendizado na prática. Eles puderam conversar com Adalberto sobre literatura e poesia, e na companha de Dona Glorinha do Coco, descobriram a magia do coco de roda. Trata-se do projeto Outras Palavras, fruto da parceria entre a Secult-PE e a Fundarpe. 

Adalberto Monteiro compartilhou sua experiência como jornalista, poeta, escritor e militante com os jovens que estavam ávidos para tirar dúvidas e amenizar as “aflições literárias”. Logo que começou a falar sobre sua obra, ouviu-se sussurros da jovem plateia, eles “denunciavam” a presença de um colega que se arrisca no mundo dos versos: “vai Álvaro, vai Álvaro”. 

Meio tímido, mas corajoso, Álvaro se apresentou e falou sobre sua percepção enquanto jovem poeta. Em seguida, foi presenteado por Adalberto com seu último lançamento, Pé de Ferro, que ele autografou “de poeta para poeta”.

Antes de qualquer coisa sou piauiense, nascido e criado em Goiás e agora moro em São Paulo. Sou também um militante político (ao dizer isso, um grito de “gostei disso” saiu da plateia). O que quero dizer é que sou meio dividido, apesar de toda minha história e meu trabalho estarem intrinsecamente ligados. Quando recebi esse convite, por exemplo, eu decidi que iria deixar o poeta encarnar”, explicou Adalberto. 

Porém, a turma não quis saber só de literatura e poesia, também questionaram sobre o cenário político e a vida militante de Adalberto, que ao final do evento foi “cercado” pelos que ainda tinham dúvidas. 

“Toda essa reflexão está inserida também nos meus livros de poesia. Você verá alguns que falam diretamente da questão do povo brasileiro. Vivemos um ciclo de avanços de 2003 a 2015, que foram interrompidos pela deposição de uma liderança eleita pelo povo, a Dilma Rousseff. Mas hoje, depois da onda de retrocessos, percebo que o povo brasileiro retoma a esperança. Dizem que os poetas são cegos e que enxergam na escuridão. Talvez seja isso. Mas acredito sim que há uma resistência popular que está crescendo aos poucos, e que em breve encontraremos o caminho”, afirmou Adalberto. 

Depois do encontro literário, os estudantes mergulharam no coco de roda com a mestre no assunto, Dona Glorinha. Ela é um dos principais nomes da cultura popular pernambucana. Habilitada a receber o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, Glorinha recebeu, em 2017, o 2º Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia na categoria Mestra – premiação que veio celebrar seus 84 anos dedicados ao coco praieiro do Amaro Branco, uma tradição herdada de sua mãe, Dona Maria Belém.


Dona Glorinha dividiu o “palco” com os estudantes que se animaram a entrar na apresentação / Foto: Fundarpe

O mediador da atividade, Marcos Henrique, foi quem explicou aos alunos sobre as várias vertentes do coco. “Dona Glorinha é um dos principais nomes daquele que é feito em Amaro Branco, em Olinda, mais praieiro. Mas também temos Beth de Oxum, também de Olinda, responsável pelo Coco de Umbigada, no Guadalupe, e outras referências como Zé Negão, de Camaragibe, que conquistou recentemente a 3ª edição do Prêmio Ariano Suassuna, além do Samba do Véio, de Petrolina, e do Coco Raízes de Arcoverde”. 

Passada a “teoria” ninguém ficou parado assim que soaram as primeiras batidas da alfaia. Todos, sem exceção, se deixaram contagiar pela energia da música e rapidamente entraram no ritmo. 

Do Portal Vermelho, com Secretaria da Cultura de Pernambuco