CHICO CÉSAR É ENTREVISTADO NA HORA DO RANGO

Outubro 18, 2019

 

 

FILMES RESGATAM A MEMÓRIA DOS TEMPOS DA DITADURA

Outubro 18, 2019

CINEMA

Legalidade está em cartaz na Casa de Cultura Mario Quintana; Torre das Donzelas pode ser visto na Mostra Ela na Tela

Katia Marko

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

18 de Outubro de 2019.

Cena de Torre das Donzelas, que será exibido na Cinemateca Paulo Amorim, no dia 26 de outubro - Créditos: Foto: Divulgação
Cena de Torre das Donzelas, que será exibido na Cinemateca Paulo Amorim, no dia 26 de outubro / Foto: Divulgação

“A desigualdade perante a lei é o que faz e continua fazendo a história real, mas a história oficial não é escrita pela memória e sim pelo esquecimento. Bem o sabemos na América Latina, onde os exterminadores de índios e os traficantes de escravos têm estátuas nas praças das cidades e onde as ruas e as avenidas costumam levar nomes dos ladrões de terras e dos cofres públicos.”

Esse trecho do texto “A amnésia obrigatória”, do escritor uruguaio Eduardo Galeano, nos alerta para a necessidade de resgatarmos a história e não nos calarmos perante a amnésia obrigatória imposta pelas ditaduras militares que tomaram de assalto os países da América Latina. Nesse sentido, o cinema brasileiro traz um rico acervo para conhecermos nossa história e continua cumprindo com seu papel social. No último mês, dois filmes importantes puderam ser vistos em Porto Alegre: Legalidade e A Torre das Donzelas. 

Legalidade 

Cena do filme de encontro entre Brizola e Che Guevara | Foto: Divulgação 

O longa-metragem Legalidade, de Zeca Brito, resgata importantes momentos históricos que acontecerem em Porto Alegre e que repercutiram em âmbito nacional, durante o movimento liderado pelo governador Leonel Brizola, em 1961. O longa, que é uma mistura de ficção com fatos reais, apresenta inúmeros acontecimentos de um passado não tão distante.

Em agosto de 1961, o Brasil conheceu inédita campanha da legalidade em defesa da ordem jurídica vigente durante a primeira experiência de democracia ampliada a partir de 1945. Naquela oportunidade, sete anos depois de as mesmas forças do atraso terem sido derrotadas em sua tentativa golpista de romper com a ordem democrática contra o governo do presidente eleito Getúlio Vargas (1950-1954), emergiu rápida e inesperada mobilização civil e militar na defesa da posse do vice-presidente João Goulart diante da renúncia do então presidente Jânio Quadros.A campanha da legalidade se formou em torno da Rádio Guaíba de Porto Alegre que passou a funcionar diretamente do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, acompanhada pela retransmissão de diversas rádios do país. 

Legalidade ainda está em cartaz em Porto Alegre na Sala Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana. 

A Torre das Donzelas

“Há desejos que nem a prisão e nem a tortura inibem: liberdade e justiça. Há razões que nos mantêmíntegros mesmo em situações extremas de dor e humilhação: a amizade e a solidariedade. O sensível documentário A Torre das Donzelas, de Suzzana Lira, traz relatos inéditos da ex-presidente Dilma Rousseff e de suas ex-companheiras de cela do Presídio Tiradentes, em São Paulo, resultando em umexercício coletivo de memória feito por mulheres queacreditam que resistir ainda é um único modo de se manter livre. 

Com uma narrativa diferente da usualmente utilizada quando se fala sobre as violações de direitos humanos do regime militar, a produção joga luz ao afeto desenvolvido entre essas mulheres dentro do cárcere.“A torre foi um lugar de dor e aprisionamento, mas também foi um momento de transformação pessoal para cada uma delas. Por isso elas reagiram muito bem ao cenário, pois era uma lembrança de um lugar de luta, de resistência, e também de muito companheirismo”, explica Lira.

Em cartaz por pouco tempo na cidade, o filme poderá ser visto na Mostra Ela na Tela, na Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mario Quintana, no dia 26 de outubro, às 19h15, seguido de debate com a diretora. Saiba mais: https://www.elanatela.com.

Edição: Marcelo Ferreira

CONFIRA DESTAQUE DO PRIMEIRO FIM DE SEMANA DA 43ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA

Outubro 18, 2019
AGENDA CULTURAL
A #RBA selecionou sessões imperdíveis da Mostra que acontece na capital paulista. Sessões em lugares incríveis, como o Theatro Municipal; e o melhor: tudo na faixa!
 
DIVULGAÇÃO/43 MOSTRA DE CINEMA DE SP

A Mostra, ao invés de recuar frente às ameaças, ampliou seu alcance nas periferias e sua ocupação do espaço urbano da capital paulista

São Paulo – Começou ontem (17) a 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A edição deste ano carrega um ar único de relevante resistência cultural. A realização em si foi um desafio: fim de patrocínios do governo federal acenderam o alerta da curadoria. Os ataques persistentes de correntes ideológicas obscurantistas que chegaram ao poder recentemente também marcam o evento. Mesmo com todo esse cenário adverso, os realizadores afirmam que nunca pensaram em cancelamento ou adiamento.

O momento é realmente controverso. Enquanto o audiovisual sofre ataques de grupos reacionários – dos quais faz parte a cúpula do governo de Jair Bolsonaro (PSL) – o setor vive um de seus melhores momentos na história. O cinema nacional é mais relevante do que nunca no circuito internacional, e a Mostra, ao invés de recuar frente às ameaças, ampliou seu alcance nas periferias e sua ocupação do espaço urbano da capital paulista.

A curadoria aposta, como já é tradição, em sessões gratuitas e de baixo custo, como as das salas do circuito SPCine e do auditório (interno e externo) do Ibirapuera. Também entra na Mostra o primeiro serviço de streaming público do Brasil, o SPCine Play. Agora, a grande novidade fica por conta das exibições no Theatro Municipal, que se realizam neste fim de semana.

Nesse contexto, a RBA selecionou algumas sessões deste primeiro fim de semana da mostra, com os filmes mais relevantes, as opções gratuitas e as exibições em espaços urbanos de encher os olhos, como é o caso do Teatro Municipal. Para retirar ingressos, é recomendável chegar com boa antecedência, visto que grande público é esperado.

Dicas para o primeiro fim de semana da Mostra (18, 19 e 20)


Teatro Municipal

Serão seis sessões durante esses três dias, todas abertas ao público e de graça. Em cartaz, filmes brasileiros premiados e/ou de grande sucesso de público. Destaque para as estreias e presenças das equipes dos filmes para debate.

Sexta-feira (18)

20h30 – A Vida Invisível, de Karim Aïnouz (2019). Estreia. Vencedor do prêmio Un Certain Regard (Um certo Olhar) em Cannes; escolhido do Brasil para concorrer ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Presença confirmada do diretor

Sábado (19)

16h00 – ABE, de Fernando Grostein Andrade (2018). Seleção oficial do Festival de Sundance. Protagonizado por Noah Schnapp (Stranger Things)

21h – Três Verões, de Sandra Kogut (2018); exibição especial no Festival de Toronto; protagonizado por Regina Cazé, tem como pano de fundo a operação política da Justiça Lava Jato, sob a ótica de empregados de uma família rica

Domingo (20)

16h – Turma da Mônica: Laços (2018), de Daniel Rezende; sessão especial com presença de membros da equipe; grande sucesso de público, superando 1,5 milhão de expectadores

20h30 – Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou (2019), de Bárbara Paz; premiado como melhor documentário no Festival de Veneza; marca a estreia de Bárbara Paz na direção; trata da vida do grande cineasta brasileiro e argentino Hector Babenco


Realidade virtual (VR)

Dezenove curtas serão exibidos com a ajuda de óculos de realidade virtual. Presença crescente nos maiores festivais do mundo, não é diferente nesta mostra. As sessões são gratuitas e ocorrem no Cinesesc e no circuito CEU: Aricanduva, Caminho do Mar, Meninos, Vila Atlântica, Jaçanã e ao Centro de Formação Cultural da Cidade Tiradentes.

Os filmes:

1. 11.11.18, de Django Schrevens e Sébastien Tixador
2. -22.7: Experiência do Extremo Norte, de Jan Kounen, Molécule & Amaury La Burthe
3. A Linha, de Ricardo Laganaro
4. A Ponte, de Nikita Shalenny
5. ARMONIA, de Bracey Smith
6. AYAHUASCA – VIAGEM CÓSMICA, de Jan Kounen
7. CHUANG – ATRAVÉS DAS IMAGENS, de Qing Shao
8. CLAUDE MONET, THE WATER LILY OBSESSION, de Nicolas Thépot
9. CRIANÇAS NÃO BRINCAM DE GUERRA, de Fabiano Mixo
10. EX ANIMA, de Pierre Zandrowicz, Bartabas
11. FOGO NA FLORESTA, de Tadeu Jungle
12. GYMNASIA, de Chris Lavis, Maciek Szczerbowski
13. INTIMIDADES: POR FELIX VALLOTTON, de Martin Charrière
14. O COLECIONADOR DE SONHOS, de Mi Li
15. SEGUNDO PASSO, de Jörg Courtial
16. SHENNONG, O GOSTO DA ILUSÃO, de Zheng Wang e Mi Li
17. SONGBIRD, de Lucy Greenwell
18. ÚLTIMOS SUSPIROS: UM ORATÓRIO IMERSIVO, de Lena Herzog
19. UM OUTRO SONHO, de Tamara Shogaolu


CEU Meninos

No sábado, o CEU Meninos recebe uma sessão de gala com o filme A Vida Invisível, de Karim Aïnouz (2019), com a presença do diretor e do elenco, com entrada gratuita, às 17h. Retirada de ingressos a partir das 16h.

HORA DO RANGO ENTREVISTA ANA PAULA DA SILVA QUE CELEBRA 20 ANOS DE CARREIRA COM O SHOW “CANTO DA CIGARRA”

Outubro 17, 2019

VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE IMPRENSA LANÇA LIVRO NO RIO GRANDE DO SUL

Outubro 16, 2019

LITERATURA

Em ‘Estado Policial, como sobreviver’, o jornalista Cid Benjamin traz dicas de proteção a ativistas e militantes

Wálmaro Paz

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

Outubro de 2019 às 16:40

Lançamento será dia 16 de outubro, no Salão de Atos II da Reitoria da UFRGS - Créditos: Foto: Divulgação
Lançamento será dia 16 de outubro, no Salão de Atos II da Reitoria da UFRGS / Foto: Divulgação

O livro “Estado Policial, como sobreviver”, de autoria do jornalista Cid Benjamin, vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), será lançado em Porto Alegre na quarta-feira, dia 16 de outubro, numa palestra promovida pela Associação dos Servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Assufrgs) no Salão de Atos II da Reitoria da UFRGS. No dia seguinte (17), numa solenidade promovida pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) e Associação Riograndense de Imprensa (ARI), o livro será apresentado aos jornalistas gaúchos.

A obra, editada pela Civilização Brasileira, versa sobre a atuação das polícias no Brasil, faz uma crítica à forma como atuam e recomenda meios e dicas práticas de proteção, em especial para ativistas dos movimentos populares e defensores dos Direitos Humanos. Nela o autor descreve os mecanismos de repressão política dos anos 1960 e 1970, semelhante aos das atuais milícias, como suas ramificações em órgãos policiais. Além disso, relata as estratégias usadas pelos militantes para resistir durante os anos de chumbo.

No livro são abordados temas como: atentados, criminalização do movimento popular e de organizações de esquerda; expansão das milícias; medidas de proteção; internet, celulares computadores, notebooks, tablets; câmeras, microfones e outros mecanismos de vigilância; infiltrações policiais; ditadura aberta; evolução da repressão.

Cid Benjamim foi líder estudantil na década de 1960 e dirigente do MR-8 na resistência armada à ditadura. Viveu o movimento das massas, a clandestinidade, a prisão e a tortura. Com a abertura, participou da fundação do PT e do PSOL.  Completa 70 anos dia 26 deste mês, é jornalista e político. Ativista político nas décadas de 70 e 80, atuou na luta armada, foi preso pela ditadura. Desse período, escreveu em 2013 o livro “Gracias a la vida: memórias de um militante”, (Rio de Janeiro, José Olympio).

Edição: Marcelo Ferreira

CENSURA DE BOLSONARO: GOVERNO SOFRE REVÉS COM FILMES E PEÇAS DE TEMÁTICA LGBT

Outubro 16, 2019

CULTURA

Espetáculos ganham projeção com ataques; Para Marieta Severo, atos de censura lembram práticas da ditadura militar

Eduardo Miranda

Brasil de Fato| Rio de Janeiro (RJ)

Outubro de 2019.

Ato em frente ao CCBB-RJ contra censura prévia de peça reuniu centenas de pessoas - Créditos: Mídia Ninja
Ato em frente ao CCBB-RJ contra censura prévia de peça reuniu centenas de pessoas / Mídia Ninja

A ditadura militar não ensinou aos governantes da extrema-direita que a censura à cultura é um tiro que quase sempre sai pela culatra. Começou com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), que tentou impedir a circulação na Bienal do Livro de uma história em quadrinhos que trazia um beijo de um casal homoafetivo. Horas depois de anunciar a censura, a revista já havia esgotado e a publicação ganhou mais projeção graças a Crivella, que foi criticado internacionalmente.

Desde semana passada, a população e os produtores culturais (incluindo diretores e atores) vêm enfrentando os ataques do presidente Jair Bolsonaro (PSL) com respostas e reações, depois da tentativa do governo federal de impedir o patrocínio e a produção, além de censurar a exibição e a apresentação de peças de teatro e filmes com temáticas que desagradaram ao Palácio do Planalto.

Um dos alvos da censura foi o espetáculo “Caranguejo Overdrive”, que vem sendo premiado desde 2016 e que faria parte da comemoração de 30 anos do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Centro do Rio. A censura, contudo, ganhou repercussão e na última sexta-feira (11) a peça teve trechos encenados em frente ao CCBB como um ato de protesto à censura. 

Coincidentemente, no mesmo dia e horário, a direção do CCBB se manifestou pela primeira vez, alegando que o texto de “Caranguejo Overdrive” contrariava o edital público que impede manifestações político-partidárias em apresentações culturais. A peça, no entanto, nunca teve o texto modificado, sempre fez críticas a assuntos que estão no noticiário, mas jamais havia sofrido censura.

Presente no ato em frente ao CCBB, a atriz e produtora Marieta Severo comparou os atos de Bolsonaro aos praticados durante a censura no período da ditadura militar. Ao microfone, ela afirmou que “não tivemos imaginação suficiente para pensar que estaríamos novamente neste lugar perigoso”.

“Naquela época, também não imaginávamos que a coisa fosse piorar tanto. Tudo começa dessa forma, com o cancelamento ou uma proibição. Espero que não voltemos a viver aquilo, mas é preciso estar sempre atento”, disse a atriz, ao microfone, no palco onde trechos de “Caranguejo Overdrive”, que teve temporada estendida e com entradas esgotadas no Espaço Sergio Porto, na Zona Sul do Rio.

Na Caixa Cultural, a censura de Bolsonaro recaiu sobre a peça “Lembro todo dia de você”, que tinha como protagonista um personagem homossexual e soropositivo. Uma das questões do governo federal era novamente com um beijo gay encenado no palco. Nesta segunda-feira (14), aliás, a ONU divulgou que o Brasil teve aumento de 21% no número de novas infecções por HIV.

Censura prévia

Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, funcionários da Caixa Cultural de diferentes estados contaram que o governo de Bolsonaro criou mecanismos de censura prévia e perseguição aberta a determinadas obras e autores. Em uma das fichas para concorrer em editais da Caixa, pede-se informações sobre “histórico do artista nas redes sociais”. Esses tópicos não existiam em anos anteriores, segundo os funcionários da Caixa.

Mais reação

Um dos maiores agitadores culturais e atual secretário municipal de São Paulo, Alê Youssef prometeu criar um festival chamado Verão Sem Censura em que serão encenadas todas as peças vetadas pelo governo federal, incluindo “Caranguejo Overdrive” e outros espetáculos proibidos em sedes da Caixa Cultural de todo país, como “Gritos” e “Abrazo”.

Bolsonaro também sofreu outro revés na semana passada em relação ao desmonte que vem fazendo da produção cinematográfica e da Agência Nacional de Cinema (Ancine). A Justiça Federal que o ministro da Cidadania, Osmar Terra, e a Ancine retomem o edital para projetos audiovisuais em emissoras públicas que contemplou no ano passado filmes de temática LGBT, acusando a pasta de impedir as produções por “inequívoca discriminação por orientação sexual e identidade de gênero”.

A pressão que vem sendo feita sobre o Ministério da Cidadania, que passou a comandar a área de cultura após a extinção do MinC (Ministério da Cultura), também fez Osmar Terra recuar na exoneração de 19 servidores do Centro de Artes Cênicas (Ceacen) da Funarte. Deputados do PT, PDT e Psol entraram com uma representação contra o ministro.

“Os tempos para a cultura não estão fáceis, peças de teatro, mostra de cinema e ciclo de palestras, investimentos no audiovisual com temáticas diversas sendo censurados, assim como há anos veem acontecendo com as religiões de matriz africana e o samba. Não podemos permitir que continue”, disse o babalawô Ivanir dos Santos, durante o ato no CCBB-RJ.

Edição: Vivian Virissimo

HORA DO RANGO ENTREVISTA MADIMBOO

Outubro 16, 2019

AQUILES RIQUE REIS: RICARDO TACUCHIAN, UM ERUDITO

Outubro 15, 2019

Capa do CD ” Tacuchian e a Viola “

Ricardo Tacuchian, um erudito

por Aquiles Rique Reis*

A dica de hoje é o CD Tacuchian e a Viola (A Casa Discos), reunindo toda a obra para viola do regente e compositor Ricardo Tacuchian. Nascido no Rio de Janeiro em 18 de novembro de 1939, ele comemora seus 80 anos.

O maestro tem no Duo Burajiru (“Brasil”, em japonês), integrado pelo violista Fernando Thebaldi (mestre pelos conservatórios holandeses de Haia, Rotterdã e Brabants) e pela pianista Yuka Shimizu (nascida na província de Saitama e formada pela Faculdade de Música Kunitachi, de Tóquio), o responsável pela empreitada. O trabalho conta ainda com a participação especial do clarinetista Cristiano Alves, professor de clarineta na Escola de Música da UFRJ.

“Toccata Para Viola e Piano” é um tema composto em 1985 que tem nos allegros momentos de luz da viola, cuja sonoridade emana de um ritmo pulsante. Bela abertura.

“Xilogravura” foi criado por encomenda do violista Sávio Santoro, tema esse que foi escrito no Sistema-T, em 2004. Não sei você, leitor, mas eu não fazia ideia do que seria esse tal sistema… ignorância que só durou até Ricardo Tacuchian escrever ensinando o que ele é: “Uma ferramenta de controle de notas musicais usadas em  determinadas passagens da peça. É baseado num conjunto de nove notas (ao invés das sete notas do Sistema Tonal Clássico ou das doze notas do Sistema Dodecafônico)”.

“Trio das Águas”, de 2012, valendo-se também do Sistema-T, tem a clarineta de Cristiano Alves com o Burajiru. O tema se divide em três movimentos, “Do Mar”, “Dos Rios” e “Da Chuva”. No primeiro, clarineta e piano soam em dissonâncias que, com poucas alterações, se repetem por alguns compassos. O piano inicia o segundo movimento. A clarineta e a viola vêm a seguir. Dialogando, seguem em frente. A delicadeza é a tônica. Meu Deus…! E vem “Da Chuva”. O tema abre com desenhos vigorosos do piano – um acorde dissonante dele com a viola soa enérgico. Enquanto a viola e a clarineta solam, o piano repete um desenho de poucas notas. Já ao final, os três revelam a beleza que imperou não só ali, como também nos dois primeiros movimentos.

“Tomilho”, de 2015, vem a seguir, também fazendo uso do Sistema-T. Nesse tema composto especialmente para viola, ela desponta com seu som encorpado. Repetindo desenhos com poucas notas de diferença entre elas, a viola segue até um pianíssimo. O protagonismo é todo dela. Um glissando precede momentos de puro virtuosismo. Voltam a melodia e o desenho, agora tocado com as notas presas da viola. A dinâmica é exata. E o final tem gosto de quero mais.

E o “quero mais” vem com “Cinco Miniaturas Para Viola e Piano”, composto em 2018 – pela data, vê-se que Ricardo Tacuchian é uma fonte de energia para produzir. Composto para Thebaldi e Shimizu, o tema fecha a tampa do CD de forma louvável. O trabalho do Duo Burajiru tocando Ricardo Tacuchian valoriza a música brasileira.

  1. Sonho: amadores das músicas erudita e popular, uni-vos para ouvir e sentir… todo gênero de boa música!

*Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

ÉRICO ANDRADE: CRÍTICA DE CORINGA

Outubro 15, 2019

A exigência de uma vida feliz no erro, para parafrasear Adorno, é a forma como o diretor Todd Phillips escolheu para conduzir uma trama em cujo centro está um diagnóstico de algumas de nossas patologias sociais. Estamos doentes.

Joaquin Phoenix como Coringa (Foto: Reprodução Warner)

por Érico Andrade

Numa sociedade onde reina o imperativo da felicidade ser obrigado a rir é paradoxalmente uma condenação que na forma do distúrbio psíquico de Arthur Fleck nos faz refletir sobre o nosso adoecimento. Será que a grande loucura não seria nos obrigar a sermos felizes diante de um quadro de pobreza e injustiça? Sobretudo felizes segundo as normas do gozo que o capitalismo impõe como os aplausos encomendados nos programas de auditório? Um gozo pronto para o consumo. Diante de tanto apelo à felicidade como realizar a fantasia do prazer eterno na forma do riso quando rir é um ato compulsório?

Apesar de ser didático (com flashbacks explicativos para dar a medida da alucinação da personagem principal) e deixando claro para o telespectador todos os seus detalhes (como a frase sublinhada por um foco da câmera na escada do camarim que depois o Coringa apaga uma parte para deixar apenas “não sorria”), o filme Coringa fala sobre um adoecimento profundo. A exigência de uma vida feliz no erro, para parafrasear Adorno, é a forma como o diretor Todd Phillips escolheu para conduzir, por meio da apresentação minuciosa de um vilão de quadrinhos, uma trama em cujo centro está um diagnóstico de algumas de nossas patologias sociais. Estamos doentes.

As razões para isso são várias. Uma delas é explicitada por Arthur Fleck (antes de se tornar o Coringa): ninguém consegue escutar ninguém. Para a urgência da vida feliz o tempo da escuta não é compatível. Temos pressa de ter pressa. Que só é interrompida quando assumimos, como disse no meu último livro (Sobre losers: fracasso, impotência e afetos no capitalismo contemporâneo), a figura do loser para o qual o tempo não é mais um território a ser conquistado. O loser é aquele que, como na música ecoada com força no filme, não pode pegar a vida. Ela não domina a sua própria vida.

Aliás, só um vilão poderia encarnar o loser porque ainda que o vilão mimetize o super-herói, visto que ambos agem à margem do Estado para promoverem certa noção de justiça (no filme isso fica patente com a transformação do Coringa numa espécie de líder revolucionário e na sua ação violenta contra figuras hipócritas e poderosas), a sua atuação é construída a partir do fracasso e impotência por meio dos quais ele se subjetiviza. Diferentemente dos super-heróis, cuja assepsia em geral não permite matar os adversários, o Coringa é um loser que decide tocar fogo no sistema e atinge na cabeça – em cadeia nacional – a felicidade ridícula da vida feita para entreter (encarnada no apresentador Murray Franklin). Vida de entretenimento que nos obriga, permitam-me a insistência, a ser felizesnão apenas na miséria, mas da miséria. Vale tudo para se arrancar um sorriso no grande sistema do vale tudo.

Aqui a distinção entre o super-herói e o vilão se dissipa. Não importa. Ambos têm o poder de decidir sobre a vida das outras pessoas. Trata-se da vontade de poder que nos fascina e que ganha a sua máxima expressão quando se pode decidir pela vida dos outros. Enquanto no filme Batman dirigido por C. Nolan, por exemplo, o super-herói é obrigado a escolher entre um grupo de pessoas e a sua namorada presa, só a ele cabe a decisão e a capacidade de salvar essas pessoas, no Coringa a própria personagem estabelece quem vai viver (especialmente na cena em que ele mata seu ex-colega que o traiu e poupa a vida do seu também ex-colega anão). A assimetria existente é que marca a sutil diferença entre o super-herói, que decide a partir de uma questão que lhe é imposta, e o vilão que impõe uma decisão para si mesmo. O ponto de convergência: as vidas que são poupadas são aquelas para as quais eles guardam algum afeto. São os afetos que movem os heróis, super-heróis e os vilões. São os afetos que nos movem. Isto é a vida, como diz novamente a música That’slife.

E no filme Coringa os afetos são destacados por enquadramentos responsáveis por sublinhar as diferentes feições da personagem principal que no fim do filme podem ser vistas retrospectivamente como um quadro de Andy Wharhol: variações de um mesmo sofrimento. Filme que é quadro a quadro construído para mostrar a força de um só quadro.

As oscilações de humor de Arthur Fleck (interpretação impecável de Joaquin Phoenix) são destacadas também de modo metafórico em algumas cenas por luzes que piscam freneticamente. Seu sofrimento vai ganhando forma definitiva, como sublinha uma amiga, no desenvolvimento da sua dança – performance – cada vez mais densa e, em certa medida, violenta. Ele deixa de se fantasiar para ser o seu fantasma. É quando ele toma consciência de que é um loser numa sociedade composta por losers (motivo pelo qual ele termina se tornando um ícone social) e se assume definitivamente como o Coringa.

A última cena em que o agora Coringa fala o close no seu rosto é tão próximo que parte dele fica fora da tela. É o apogeu do seu sofrimento e é quando ele se encontra no mesmo sanatório para o qual a sua mãe tinha ido. Sua mãe que fora condenada por lhe maltratar e que ele resolve matar numa tentativa desesperada de enterrar o seu passado: sufocar. No entanto, a volta do recalcado não respeita limites nem algumas vezes a ética. Transgride. O filme o Coringa é sobre essa estrutura da transgressão.

Érico Andrade – Filósofo, psicanalista em formação, professor da Universidade Federal de Pernambuco – ericoandrade@gmail.com

PANDEIRO E PIANO EMBALAM O JAZZ B NESTA QUARTA-FEIRA

Outubro 15, 2019

Túlio Araújo e Daniel Grajew fazem show de lançamento do álbum “Quantum” e interpretam clássicos da música brasileira ao lado do clarinetista Ivan Sacerdote

Divulgação

Jornal GGN – A percussão popular de Túlio Araújo e o clássico piano de Daniel Grajew se unem no álbum “Quantum”, que chega ao palco do Jazz B, em São Paulo, na noite desta quarta-feira, 16 de outubro. Em um espetáculo musical dividido em duas partes, o duo recebe o clarinetista Ivan Sacerdote. 

No Jazz B, o show começa com as composições da dupla que dão o tom de “Quantum”. O espetáculo não irá parar por aí e, na segunda parte, o duo se junta ao clarinetista Ivan Sacerdote para interpretar temas de grandes nomes do cancioneiro brasileiro, como Pixinguinha e Jacob do Bandolim. 

Neste show, a fusão do pandeiro e do piano abraça a extensa pesquisa musical e bagagem artística dos músicos amigos. Túlio, formado em Percussão, Produção Musical e Engenharia de Áudio pela Bituca Universidade, busca combinar seu instrumento com o universo da improvisação do Jazz, Choro e Fusion. Com três álbuns autorais, o mineiro  chegou aos palcos dos Estados Unidos. Já Daniel Grajew, formado em Piano pela Universidade de São Paulo (USP), foi premiado no I Concurso Jovens Solistas da USP (2009) e XI Concurso Villa Lobos (2009).

Em “Quantum” o clima é aventura e descoberta, do piano com o pandeiro. O piano nas mãos de Daniel Grajew vai do clássico ao popular. E o pandeiro, se torna uma orquestra inteira assinada por Túlio Araujo. 

No Jazz B, o repertório abraça as composições autorais “Sete Vidas” (Daniel Grajew), “Quantum” (Túlio Araújo & Daniel Grajew), “Rios Voadores” (Daniel Grajew), “Choro Vermelho” (Daniel Grajew), “Para Jack Cem” (Túlio Arajo), “Winter Flower” (Daniel Grajew) e “Giramundo” (Daniel Grajew). Além dos clássicos da música brasileira “1×0” (Pixinguinha & Benedito Lacerda), “Noites Cariocas” (Jacob do Bandolim), “Mistura e Manda” (Paulo Moura & Nelson Alves), “Vou Vivendo” (Pixinguinha), “Simplicidade” (Jacob do Bandolim), “Carinhoso” (Pixinguinha) e “Um tom para Jobim” (Sivuca & Osvaldinho do Acordeom).

 

Serviço:

Leia também:  A História de Velha Guarda, de Américo de Santos, na voz de Blecaute

Túlio Araújo e Daniel Grajew

Local: Jazz B

Endereço: Rua General Jardim, 43 – República, São Paulo – SP

Quando: quarta-feira, 16 de outubro, 21h

Mais informações: (11) 3257-4290