O QUE TU INDICA? | “O FILME DA MINHA VIDA”

Agosto 20, 2017

                O filme foge do estereótipo do cinema comercial nacional

Vanessa Gonzaga*

Brasil de Fato | Recife (PE)

O fio condutor da história é a ida de Nicolas, pai de Tony, para a França, sem motivo aparente e perspectiva de retorno - Créditos: Divulgação
O fio condutor da história é a ida de Nicolas, pai de Tony, para a França, sem motivo aparente e perspectiva de retorno / Divulgação

Pra quem gosta de cinema nacional e quer fugir das comédias românticas produzidas em série, “O filme da minha vida”, baseado no livro “Um pai de cinema” é uma boa opção. O longa metragem conta a história de Tony Terranova (Johnny Massaro), filho de um francês e uma brasileira que vivem em Remanso, no Rio Grande do Sul. O fio condutor da história é a ida de Nicolas, pai de Tony, para a França, sem motivo aparente e perspectiva de retorno.

O diretor e ator Selton Mello, que também dirigiu “O palhaço” (2011), foi procurado pelo autor do livro, o chileno Antonio Skármeta, para dirigir o filme ambientado no fim da década de 1940, na era de ouro do rádio e quando a televisão era apenas uma promessa. Com paisagens da Serra Gaúcha, o filme também traz pequenas tiradas de metalinguagem nas diversas cenas que falam sobre o que é um filme e nas cenas dentro do cinema, que dão pequenas reviravoltas na vida do protagonista. A fotografia do filme é um elemento à parte. Dá gosto de ver e perceber como cada elemento que aparece em cena é pensado e compõe a história.

A partir da ida de Nicolas, Paco, interpretado por Selton Mello, se torna um amigo da família. O “toca teus caminho, guri” dito pelo amigo se torna uma espécie de mantra para Tony, que vai estudar na capital e volta como professor de francês na escola de Luna (Bruna Linzmeyer), que é apaixonada por Tony. A atuação da personagem de Selton é crucial para o desenrolar da história, ainda que de forma oculta, como num teatro de marionetes.

Com tiradas cômicas vindas do núcleo infantil e cenas de reflexão familiar propostas pela família de Tony e Luna, o filme foge do estereótipo do cinema comercial nacional, que é consumido instantaneamente a partir de uma temática geralmente superficial. “O filme da minha vida” propõe reflexões que ultrapassam o acender das luzes da sala de cinema.

*Vanessa Gonzaga é estudante de jornalismo e estagiária do Brasil de Fato Pernambuco

Edição: Monyse Ravena

‘MÍDIA CONVENCIONAL PROJETA IMAGEM DA MULHER DE FORMA DEPRECIATIVA’

Agosto 20, 2017
Mulheres debatem em São Paulo o seu espaço na mídia, tema da segunda edição do livro ‘A Imagem da Mulher na Mídia’, de Rachel Moreno, que trata da importância da democratização
Por Redação RBA
 
                                                                              REPRODUÇÃO;EXPRESSÃOPOPULAR

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‘Acho fundamental ter um espaço para discutir a imagem da mulher na mídia’, disse Rachel Bueno

São Paulo – “Comecei a perguntar para pessoas de diferentes países se existia controle social da mídia e como era a legislação. Recebi respostas de 13 países absolutamente democráticos e mais a União Europeia. Acabei sistematizando essa história e colocando no livro”, disse a pesquisadora do Observatório da Mulher e militante dos direitos das mulheres Rachel Moreno, que lançou nesta sexta-feira (18) a segunda edição atualizada da obra A Imagem da Mulher na Mídia, pela Expressão Popular e Fundação Perseu Abramo.

Além da autora, estiveram presentes a vereadora paulistana Juliana Cardoso (PT) e os deputados federais Luiza Erundina (Psol-SP) e Paulo Teixeira (PT-SP), que assinam o prefácio desta edição.

O evento aconteceu na livraria Expressão Popular, na região central de São Paulo. “Antes de militar na questão da democratização da mídia, militei muitos anos na questão de gênero”, disse. Rachel estudou as características da mídia brasileira, em especial sua concentração nas mãos de um oligopólio.

“Recentemente comecei a ouvir, em manifestações, pessoas entoando ‘o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo’. Pensei que era positivo isso retornar. É antigo, então pensei que precisávamos de algo novo. Então começaram a ligar a emissora diretamente à palavra golpe. Depois disso comecei a ouvir a Dilma, o Lula e outras pessoas falando que foram ingênuas em não encaminhar a discussão da democratização da mídia. Ou, se por acaso, tiverem nova oportunidade, esse vai ser um projeto prioritário”, avaliou.

Para a pesquisadora, esse processo pode ser positivo e pode agregar a questão de gênero. “Nesse momento, isso começa com força. Já que está começando a se mover, acho fundamental também ter um espaço para discutir a imagem dos movimentos sociais na mídia, e dentro disso a imagem da mulher especificamente em razão do impacto que isso tem causado”, disse.

A primeira edição do livro foi publicada em 2010, durante o último ano do mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A realização deste estudo e sua publicação em outubro daquele ano representaram relevante contribuição à luta do movimento de mulheres e do movimento feminista pela emancipação da mulher. Especialmente numa sociedade machista e patriarcal como a brasileira, cuja imagem tem sido projetada pela mídia convencional, e mesmo pela virtual, de forma depreciativa, estimulando, assim, o preconceito e a discriminação de gênero”, afirma Erundina.

A deputada classifica como de grande importância a reedição com acréscimos no presente momento da conjuntura política brasileira. “Momento crítico da vida nacional, em que, as limitadas conquistas das mulheres e dos trabalhadores em geral, encontram-se seriamente ameaçadas por medidas de ajuste fiscal promovidas por um governo ilegítimo, fruto de um golpe parlamentar”, disse.

O estudo do texto resgata os principais temas debatidos na 1a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizado em 2009, que colocou como prioridade a discussão da democratização da mídia. “O movimento social adotou a pauta, mas infelizmente o governo não seguiu o mesmo caminho”, disse Erundina.

Rachel ainda acrescenta que, durante a conferência, representantes da mídia corporativa criticaram a questão, alegando a defesa da liberdade de expressão. “Mas apenas a liberdade de expressão econômica, não social”, disse a autora.

O deputado Paulo Teixeira afirma, em seu prefácio, que acompanha o debate, que classifica como essencial, e liga a questão de gênero ao contexto da democratização dos meios de comunicação. “Discutir a imagem da mulher na mídia, desafio enfrentado por Rachel neste livro, implica em debater aspectos estruturais da sociedade, como exclusão, visibilidade e protagonismo. Implica, também, compreender o lugar de fala e ter empatia para estudar o tema através do olhar e dos ouvidos das mulheres. Na condição de leitor e espectador, e também como parlamentar, que observo esse debate.”

Assista também à reportagem da TVT

AGENDA CULTURAL | SAMBA, POESIA E CINEMA NACIONAL NAS ATRAÇÕES DA SEMANA EM CURITIBA

Agosto 19, 2017

Destaques culturais dos próximos dias trazem opções para o fim de semana na capital

Redação

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

A apresentação do grupo Rosa Armorial é um dos destaques da semana. Erudito e popular se misturam no palco do Teatro Sesi Portão - Créditos: Divulgação
A apresentação do grupo Rosa Armorial é um dos destaques da semana. Erudito e popular se misturam no palco do Teatro Sesi Portão / Divulgação

A programação cultural desta semana traz cinema, música, literatura e batalha de poesias a Curitiba. Confira os destaques:

MÚSICA | Rosa Armorial 

O quê: O Movimento Armorial foi criado em 1970 e resgata a cultura nacional de raiz. Ele usa o folclore e seus elementos para a recriação da música popular. O grupo Rosa Armorial, criado em 2010, trás no repertório músicas do movimento armorial, além de compositores do sul do país e canções autorais inspiradas no folclore brasileiro. 

Quando: Dia 19 de agosto, sábado, das 19h às 20h. 

Onde: Teatro Sesi Portão, Rua Padre Leonardo Nunes, 180, Portão, Curitiba.

Quanto: Gratuito. Pode lotar, por isso chegue mais cedo! 

CINEMA E BATE PAPO | Conversa sobre cinema brasileiro

O quê: Haverá a exibição de dois filmes: “Mato eles” (1982, 34’), que denuncia a exploração e o extermínio indígena no município de Mangueirinha, Paraná; e “Xetá” (2010, 20’), sobre o processo que levou à quase extinção dos Xetá no estado e contribuiu para provocar um desastre ecológico irreversível na região. O diretor do filme Xetá, Fernando Severo, e com a mestranda em Antropologia pela UFPR, Ana carolina Mira Porto, serão os palestrantes dessa edição.  

Quando: 18 de agosto, 19h. 

Onde: Cine Guarani, Portão Cultural, Av. República Argentina, 3430, Portão, Curitiba. 

Quanto: Gratuito. 

CINEMA | Love Film Festival

O quê: O romance brasileiro mistura ficção e realidade a contar a história de Luzia (Leandra Leal), uma roteirista brasileira, e Adrián (Manolo Cardona), um ator colombiano, que se conhecem e se apaixonam em meio a um festival de cinema. 

Quando: De 17 a 23 de agosto, de terça a domingo, às 16h – apenas no dia 22 a exibição acontece às 18h. Não haverá sessão dia 19 e 26. 

Onde: Cine Guarani, Portão Cultural, Av. República Argentina, 3430, Portão, Curitiba. 

Quanto: R$ 12 inteira | R$ 6 meia-entrada

 POESIA | 5º Slam Contrataque 

O quê: É uma batalha de poesias feita em praça pública, que tem como objetivo ocupar os espaços públicos e usar a poesia como forma de resistência, denúncia e protesto contra as opressões. 

Quando: Dia 19 de agosto, sábado, das 18h30 às 21h. 

Onde: Cavalo Babão, Rua Doutor Claudino Dos Santos, 80020-170 Curitiba

Quanto: Gratuito 

MÚSICA | Roda de Samba com Gogó de Ouro

O quê: Luis Rolim e Gustavo Moro chamam para a Roda Jaime V. Queiroz, conhecido como Gogó de Ouro, pai de uma nova geração de sambistas. Para mais informações, ligue (41) 3321-2855. 

Quando: Dia 22 de agosto, às 19h.     

Onde: Conservatório de MPB, R. Mateus Leme, 66 – São Francisco, Curitiba.  

Quanto: Gratuito                                                                                                                                                                                                       

LITERATURA | Oficina de contos 

O quê: A oficina será ministrada pelo escritor paulista Nelson de Oliveira, autor de diversos livros de contos. Os interessados devem enviar um breve conto — de uma lauda. 

Quando: Dias 19, 20 e 21 de setembro, das 14h às 17h. Inscrições até 3 de setembro. Mais informações pelo fone (41) 3221-4974. 

Onde: Biblioteca Pública do Paraná, Rua Cândido Lopes, 133, Centro de Curitiba. 

Quanto: Gratuito, com vagas limitadas a 15 pessoas.  

 

MÚSICA | Iria Braga no projeto Música na Biblioteca

O quê: A cantora curitibana Iria Braga vai se apresentar Acompanhada do guitarrista Thiago Coelho e do baterista Denis Mariano. A artista vai interpretar canções de seus ídolos – Caetano Veloso, Milton Nascimento -, e de compositores locais. 

Quando: Dia 18 de agosto, sexta-feira, a partir das 17h30. 

Onde: Hall térreo da Biblioteca Pública do Paraná, Rua Cândido Lopes, 133, Centro de Curitiba. 

Quanto: Gratuito

Edição: Ednubia Ghisi

LANÇAMENTO DE LIVRO INFANTIL TEM DEBATE SOBRE IDENTIDADE DE GÊNERO

Agosto 19, 2017
Evento em São Paulo reúne a cartunista Laerte Coutinho e Janaina Tokitaka, autora e ilustradora de ‘Pode Pegar!’, para discutir as formas de tratar sobre diversidade e identidade de gênero com crianças
Por Redação RBA.
 
 
Diversidade

Lançamento de ‘Pode Pegar!’ réune a autora e ilustradora da obra e a cartunista Laerte Coutinho na Blooks (SP)

São Paulo – Neste sábado (19), das 15h às 17h, a Boitempo Editorial promove  evento oficial de lançamento do livro Pode Pegar!, da autora e ilustradora paulistana Janaina Tokitaka. Com o tema “Por que nascemos diferentes?”, o debate que será realizado na Blooks Livraria, em São Paulo, reúne a autora da obra e a cartunista Laerte Coutinho para discutir sobre como tratar sobre diversidade e identidade de gênero com as crianças.

O livro da Coleção Boitatá que já está disponível para venda há algum tempo conta a história de dois coelhinhos que não se importam com ‘o que é para menino ou para menina’ e que tudo o que querem é se divertir livremente. Em Pode Pegar!, não entram no enredo os tão batidos estereótipos de gênero: o coelhinho e a coelhinha não veem problema algum em trocar de roupa um com o outro, já que a menina pode querer usar botas pra atravessar um riacho, o menino pode usar salto se quiser (ou precisar) ficar mais alto e todos podem usar calças para passear pelas montanhas.

Voltado para crianças em fase de alfabetização, o livro aborda, com poucas palavras e muitas ilustrações, os costumes culturais relacionados à identidade de gênero. Para Janaina, a literatura infantil pode ser uma importante ferramenta para apresentar as diferentes possibilidades que uma pessoa deve ter. “Acredito que os livros infantis possuem um papel muito importante na formação da identidade das crianças”, afirma a autora.

“Representatividade importa muito em qualquer fase da vida, mas na infância esse momento construtivo e delicado, importa muito mais. É essencial que os livros libertem, apontem possibilidades para além das estabelecidas, como os estereótipos de gênero. Pode Pegar! diz que você tem direito de se apresentar como bem entender e para não ligar para quem diz o contrário. Escrevi esse livro com a esperança de que as crianças de hoje se tornem adultos mais livres, leves e felizes”, completa.

Essas e outras questões ligadas ao tema serão abordadas neste sábado no debate entre Janaina e Laerte. Depois do evento, que contará com a mediação da jornalista Ana Luiza Basilia (editora do portal CartaEducação), haverá sessão de autógrafos.

Por que nascemos diferentes? Tratando de diversidade com as crianças
Quando: sábado, 19 de agosto, das 15h às 17h
Onde: Blooks Livraria, no Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569, Consolação, São Paulo (SP)
Mais informações: (11) 3259-2291 e na página do evento

EM MEIO AO DESMONTE, CINEMATECA RESISTE E EXIBE FILME RARO DE CARLOS REICHENBACH

Agosto 18, 2017
Amor, Palavra Prostituta’ será exibido hoje em nova cópia, fiel ao original de produção que foi retalhada pela censura no país
Por Isaías Dalle, para a RBA.
 
                                                                             ARQUIVO INÁCIO ARAÚJO
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                                   Reichenbach (c) durante as filmagens de ‘Amor, Palavra Prostituta’

São Paulo – A Cinemateca Brasileira resiste ao desmonte das políticas públicas do governo de Michel Temer como pode. Subordinado ao Ministério da Cultura, o órgão tem atrasado salários e paralisou as atividades de restauro de filmes, uma de suas atribuições institucionais. Isso não tem impedido a Cinemateca de continuar organizando mostras importantes como a que está em cartaz desde o dia 9 e que retoma suas sessões a partir desta sexta-feira (18).

Na noite de hoje acontece aquela que pode ser “a última” projeção do filme Amor, Palavra Prostituta, de Carlos Reichenbach.

“Trata-se de um filme razoavelmente raro do Carlão, pois foi retalhado pela censura e, depois do lançamento, o Carlão proibiu a exibição do filme no estado em que estava”, escreveu em seu blog o escritor e crítico de cinema Inácio Araújo, que também trabalhou na redação do roteiro.

O alerta sobre essa derradeira oportunidade de assistir em película a produção de 1982 foi feita no último final de semana, por jovens cineastas, numa das sessões da Mostra “Direitos em Pauta”.

“Pode ser a última vez que o filme do Carlão (como o cineasta, morto em 2012, era chamado pelos colegas) será exibido, porque é a única cópia restaurada a partir do original que existe no Brasil”, explica Bruno Risas, ex-trabalhador da Cinemateca e fotógrafo do longa Era o Hotel Cambridge, também na programação da mostra. Segundo Risas, há divergências sobre a conveniência ou não de exibir cópias que podem se danificar durante as projeções.

Ele é um dos jovens que, no final de semana anterior, foi à frente de uma das salas de exibição da Cinemateca para breve debate com a reduzida plateia que compareceu. Além da condenação do golpe – assim por eles chamado – em curso no Brasil, reiteraram a importância daquele espaço público como direito das pessoas à exibição, em tela grande e com tecnologia de ponta, de filmes fora do circuito comercial.

Ficou evidente que, simultaneamente ao descaso governamental, os programadores aproveitam o “esquecimento” para produzir resistência. “A Cinemateca está na mão deles (os golpistas), mas é nossa”, provoca Risas. “Antes de ser um órgão governamental, a Cinemateca foi uma iniciativa de pesquisadores e cinéfilos para preservar e divulgar raridades. Num momento crítico de desmonte, não é hora de baixar a guarda”.

Risas está concluindo a montagem do primeiro longa dirigido por ele, com estreia prevista para o início do ano que vem. Ontem Havia Coisas Estranhas no Céu acompanha o cotidiano da família dele, a partir do momento em que seu pai perde o emprego, em 2012. Gravado em celular e também em câmera profissional, dependendo da disponibilidade do equipamento, o filme tem como ponto ficcional a abdução de sua mãe por um OVNI. Ao retornar à Terra, ela revela que nos outros mundos as coisas não estão muito diferentes.

Em Amor, Palavra Prostituta, atração de hoje da Cinemateca, Carlos Reichenbach narra um final de semana vivido por um casal cujo marido, professor desempregado, vive às custas da mulher, operária da indústria têxtil. Acompanham-nos um técnico de computação e sua namorada ingênua. Ambientado na região do ABCD, em grande parte às margens da Represa Billings, o filme fala de um momento de crise econômica e social, que marcou aquele período em que a ditadura militar se desfazia e o movimento operário se reorganizava.

Gaúcho de Porto Alegre, Carlão se tornaria um dos mais paulistanos cineastas brasileiros. Além de seus longas autorais, também trabalhou para o cinema de propaganda.

Serviço
Amor, Palavra Prostituta, de Carlos Reichenbach – Hoje, 20h15, com entrada grátis. Endereço: Largo Sen. Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino, São Paulo – SP; telefone: (11) 3512-6111.

CINEMA ITINERANTE MOVIDO A ENERGIA SOLAR EXIBE PRODUÇÕES NACIONAIS PELO INTERIOR DO PAÍS

Agosto 18, 2017
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Circuito 2017 do projeto Cinesolar percorrerá 75 cidades de 10 estados e do Distrito Federal, permitindo o primeiro encontro com o cinema a alguns milhares de novos espectadores.
Sessão do Cinesolar em Barreirinhas, interior do Maranhão: cinema brasileiro de qualidade em projeto inovador e sustentável.
      Redação Rede Brasil Atual.
São Paulo – A emoção de ver um filme projetado numa tela de cinema será realidade para alguns milhares de novos espectadores do interior do país, que terão o primeiro encontro com a sétima arte no circuito 2017 do projeto de cinema itinerante Cinesolar. Serão exibidas produções nacionais em 75 cidades de 10 estados e do Distrito Federal, projetadas usando apenas energia solar. Toda a programação será gratuita.

O projeto, realizado pela produtora Brazucah, utiliza energia limpa e renovável para exibições de filmes. As salas de cinema são montadas a partir de uma van equipada com placas solares fotovoltaicas, que possibilitam a projeção dos filmes por meio de um sistema que converte energia solar em elétrica.

Quando chega aos locais de exibição – como periferias de grandes cidades, aldeias indígenas e municípios do interior ainda sem eletricidade – todo equipamento é retirado da van e o cinema é montado em lugares públicos. São organizados 100 assentos, telão de 200 polegadas, sistema de projeção e de som e um estúdio de gravação. Em cada evento haverá também distribuição gratuita de pipoca, para que o público possa ter “uma experiência completa da ida ao cinema”, segundo os organizadores.

“O Cinesolar nasce da união da ideia de democratização do acesso ao cinema e da necessidade de incentivar as pessoas a utilizar energia renovável, promovendo o tema da sustentabilidade. Existem vários níveis de relação com essa tecnologia, desde as coisas mais simples, que passam por conhecimentos dos mais antigos, como compostagem do lixo. A ideia é aproximar e difundir a tecnologia renovável com foco na solar”, diz a coordenadora do projeto, Cynthia Alario.

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A coordenadora do projeto Cinesolar, Cynthia Alario

Um novo circuito teve início no último sábado (12), no município paraense de Primavera, com a exibição de Cine Holliúdy, do diretor Halder Gomes. Nesta sexta (18) a van chegará ao Ceará para percorrer os municípios de Amontada, Itarema e Aracati, onde serão exibidos O Milagre de Santa Luzia, de Sérgio Roizenblit. O projeto segue para os municípios de João Câmara e São Miguel do Gostoso, ambos no Rio Grande do Norte, e para as cidades mineiras de Açucena e Delfim Moreira. Em outubro, esta etapa do circuito estará no Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, percorrendo 32 municípios.

A programação das sessões prevê a projeção de pelo menos três curtas metragens, que em geral abordam o tema da sustentabilidade, e um longa. Estão na grade títulos como Minhocas, de Paolo Conti e Arthur Nunes, As Aventuras do Avião Vermelho, de Frederico Pinto e José Maia, Tudo que aprendemos juntos, de Sérgio Machado e O Palhaço, de Selton Mello.

Além da exibição de filmes, o projeto oferecerá também oficinas de audiovisual para moradores das cidades. Ao final, os participantes desenvolverão um roteiro de cinema e produzirão um curta-metragem, que será exibido à noite, junto com os outros filmes da programação. “A ideia é que eles possam se ver nas telas. Os participantes contarão quais os problemas o município enfrenta em relação à sustentabilidade e quais as estratégias para resolvê-los”, diz Cynthia.

Desde o início do projeto, em 2013, já foram realizadas pelo menos 446 sessões e 130 oficinas em 242 municípios brasileiros, com um alcance de cerca de 70 mil espectadores. A economia de energia elétrica chega 306,9 megawatts, equivalente a mais de cinco mil horas de uma televisão de 20 polegadas ligada ininterruptamente.

“O Brasil tem um incrível potencial em energias renováveis. E por que não se beneficiar disso no campo do entretenimento, das artes e da cultura? Nosso objetivo é, além de democratizar o acesso à produção audiovisual nacional, trabalhar com ações sustentáveis que multipliquem a conscientização ambiental e mostrem a força que a energia solar tem por aqui”, diz a coordenadora do projeto.

O Cinesolar é realizado em parceria com o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura. “Nos últimos dois anos, quando muito se falou sobre crise e dificuldades provocadas pela crise, conseguimos unir forças e superar obstáculos com criatividade, esforço, interação e inovação. Em parceria com o Cinesolar, levamos cinema e atividades de sustentabilidade a diversas cidades do interior paulista”, afirma Mário Mazzilli, diretor-superintendente do Instituto CPFL, patrocinador do projeto, juntamente como o programa de desenvolvimento local da empresa, chamado Raízes.

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MUNDO DO TRABALHO E SEXO SEM TABUS EMBALAM O FILME ‘CORPO ELÉTRICO’

Agosto 17, 2017
Gay
Kelner Macêdo, Lucas Andrade e Linn da Quebrada em cena de ‘Corpo Elétrico’
Relações homoafetivas, conflitos de classe, mulheres trans e diversão na periferia também compõem enredo da primeira ficção dirigida por Marcelo Caetano, que estreia nos cinemas nesta quinta (17)
Kelner Macêdo, Lucas Andrade e Linn da Quebrada em cena de ‘Corpo Elétrico’

Matéria deXandra Stefanel, especial para a Rede Brasil Atual.

Nada de glamour, nem corpos suados perfeitamente esculpidos. Em Corpo Elétrico, o sexo entre homens não segue os estereótipos cinematográficos. Ao contrário. O primeiro longa-metragem dirigido por Marcelo Caetano traz às telas a vida de pessoas comuns que trabalham e se divertem sem problematizar questões de gênero, orientação sexual, raça ou classe social. A ficção que estreia nesta quinta-feira (17) acompanha Elias (Kelner Macedo), um jovem gay de 23 anos que divide seu tempo entre o trabalho em uma confecção de roupas e noites de sexo casual sem compromisso nem romantismo.

A descrição oficial do protagonista resume bem as questões que o longa abarca: “Elias ama de forma leve e solar. Ele tem 23 anos, é gay e nordestino. Usa cada encontro para moldar um pouco sua personalidade, se tornando uma espécie de prisma humano, capturando tudo que pode de seus parceiros. Ele transita entre o masculino e o feminino, pode ser o trabalhador empenhado, mas também um anarquista debochado. Dessa forma, Corpo Elétrico questiona também os lugares socialmente estabelecidos para gays, negros, mestiços, migrantes, operários.”

Como é estilista, assistente da irmã do dono da confecção, Elias fica em uma espécie de “meio-campo” entre os patrões e os funcionários do “chão de fábrica”. Mas é entre estes últimos que ele se sente à vontade de verdade, é com eles que toma café e com quem se diverte nas festas, sem se importar com o fato de os patrões se incomodarem com essa proximidade (mas sem provocar embates também).

Um de seus parceiros sexuais mais frequentes é exatamente um colega de trabalho, Wellington (Lucas Andrade), negro afeminado que quer deixar a confecção para brilhar nos palcos, assim como suas amigas Márcia Pantera (drag queen ícone em São Paulo) e da funkeira trans Linn da Quebrada. Assim que é contratado, Fernando (Welket Bungué), um imigrante africano de Burquina Faso, também chama a atenção do estilista, mas uma amiga acaba chegando primeiro. Apesar do trabalho exaustivo devido às encomendas de final de ano, a equipe da confecção sempre dá um jeito de se reunir para tomar uma cerveja e se divertir, seja como e com quem for.

Apesar das intenções evidentes do diretor, não há discursos sobre orientação sexual ou diferenças de classe. Os personagens simplesmente são o que são: vivem, trabalham duro, sobrevivem, se divertem, sentem atração… Coisas que não deveriam mudar de acordo com raça, situação social ou gênero. Chega até a ser um pouco ingênuo, mas o espectador tem a impressão que Corpo Elétrico é uma ode à liberdade de amar e à diversidade de uma São Paulo que não está nas revistas. “Meu desejo era falar de formas de amar mais livres e generosas, distante do amor romântico e seus conflitos já tão manjados”, afirma Marcelo Caetano.

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A drag queen Márcia Pantera, ícone da noite ‘glitter’ paulistana, faz parte do elenco

Para o diretor, uma das chaves de seu filme é o não-julgamento. “Corpo Elétrico é um romance de formação. Elias chega na fase adulta com muita dificuldade em balancear o mundo dos prazeres e o mundo do trabalho. Na verdade, ele apresenta resistência a viver determinados conflitos por não acreditar no valor que o sucesso profissional e a felicidade conjugal tem em nossa sociedade. É preciso amadurecer em uma outra chave. Buscar uma virada afetiva. Neste sentido, amo filmar os encontros. E os amo quanto mais improváveis eles são. Talvez essa seja a faceta política mais proeminente do filme, resistir a intolerância construindo elos entre pessoas socialmente distantes. Não os julgar. Nunca os julgar.”

Segundo Marcelo, o longa-metragem tem influência do poema Eu canto o Corpo Elétrico, de Walt Whitman, em que o autor americano celebra a beleza dos corpos, independente da idade, gênero, cor e forma. Assim como o poema, o filme exala sensualidade e sexualidade. “A escolha da palavra e a força da narração são estruturais no meu processo de falar desses corpos, desse grupo de pessoas. Elias é meu porta-voz: como a Sherazade, de Mil e Uma Noites, ele narra suas aventuras como se quisesse, pela sedução do relato, adiar o fim de sua juventude”, completa.

Corpo Elétrico estreou no Rotterdam Film Festival, na Holanda, e participou de outros festivais importantes, como o de Guadalajara, no México, no Festival de Hong Kong, o Off Camera, Krakow, na Polônia, BFI Flare, em Londres, no Outfest, de Los Angeles, entre outros. Ele estreia nesta quinta-feira nas cidades de Aracaju, Brasília, Florianópolis, Fortaleza, Goiania, João Pessoa, Maceió, Niterói, Porto Alegre, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Luiz, São Paulo e Teresina.

CartazCorpo Elétrico
Direção: Marcelo Caetano
Produção: Beto Tibiriçá, Marcelo Caetano
Produtor associado: Ivan Melo
Produtoras: Plateau Produções, Desbun Filmes
Produtora associada: África Filmes
Roteiro: Marcelo Caetano, Gabriel Domingues, Hilton Lacerda
Fotografia: Andrea Capella
Edição: Frederico Benevides
Direção de arte: Maíra Mesquita
Figurino: Flora Rebollo
Desenho de som: Lucas Coelho, Danilo Carvalho
Mixagem: Ruben Valdez
Música: Marcelo Caetano, Ricardo Vincenzo
Elenco: Kelner Macêdo, Lucas Andrade, Welket Bungué, Ronaldo Serruya, Ana Flavia Cavalcanti, Linn da Quebrada, Márcia Pantera, Henrique Zanoni, Nash Laila, Georgina Castro, Evandro Cavalcante, Emerson Ferreira, Ernani Sanchez
Distribuição: Vitrine Filmes
País: Brasil
Ano: 2017
Duração: 94 minutos

ZABÉ DA LOCA: PIFEIRA PARTIU DEIXANDO LEGADO MUSICAL

Agosto 17, 2017

Artista foi descoberta com 79 anos e ganhou vários prêmios de reconhecimento ao seu trabalho

Catarina de Angola

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Zabé da Loca partiu aos 93 anos. / Divulgação

Isabel Marques da Silva, a Zabé da Loca, era pifeira, tocava pífano, que aprendeu com seu irmão quando ainda criança. Zabé era pernambucana de Buíque, mas foi em Monteiro, no Cariri paraibano, que viveu a maior parte da sua vida e que foi reconhecida como artista. Era conhecida como Zabé da Loca, porque morou mais de 20 anos em uma loca, pequena gruta, na zona rural de Monteiro. E assim a Isabel virou Zabé da Loca. 

Seu talento com o pífano passou a ser divulgado em todo o Brasil em 2003, quando já tinha 79 anos, a partir do Projeto Dom Helder Câmara, do então Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Ainda em 2003, gravou seu primeiro CD chamado Canto do Semi-Árido e passou a se apresentar em vários lugares do Brasil. O trabalho trazia músicas compostas pela própria Zabé e uma versão da música Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Em 2004, apresentou-se no Fórum Cultural Mundial, em São Paulo, ao lado do artista Hermeto Pascoal.

No ano de 2007, Zabé gravou seu segundo CD que nomeou de Bom Todo. E em 2008 conquistou a medalha de Ordem ao Mérito Cultural, do Ministério da Cultura. No ano seguinte, em 2009, foi eleita Artista Revelação, no Prêmio da Música Brasileira. Depois de mais de duas décadas morando na gruta, conquistou uma casa em um assentamento do Incra no processo de Reforma Agrária. Anos mais tarde, Zabé foi morar com a família, e sua casa no assentamento foi transformada em um memorial, a Associação Cultural Zabé da Loca, que funciona até hoje.

Zabé faleceu no dia 05 de agosto, aos 93 anos, de morte natural, mas há alguns anos já vinha lutando contra a doença de alzheimer, na comunidade Santa Catarina, em Monteiro, na Paraíba. Mas sua contribuição musical continuará viva ao som do pife. 

Edição: Monyse Ravenna

NELSON SARGENTO, FORTE E DESTEMIDO AOS 93 ANOS

Agosto 16, 2017

Um dos grandes compositores do samba, artista completou 93 anos recentemente

Talles Reis 

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

Nelson Sargento é presidente de honra da Mangueira - Créditos: Divulgação
Nelson Sargento é presidente de honra da Mangueira / Divulgação

Não é exagero, porém assumindo o risco do clichê, afirmar que Nelson Sargento é um dos grandes compositores do samba. O gosto infantil pelo samba nas ladeiras do Salgueiro, amadureceu no morro da Mangueira. Lá, adotado pelo compositor Alfredo Português, cantou com Carlos Cachaça, compôs com Cartola, brincou com Geraldo Pereira, escreveu com Alfredo Português e bebeu com Nelson Cavaquinho. Viveu todas as fases do samba: viu o samba ser perseguido, assistiu à sua redenção, foi homenageado por escolas de samba e cantou nos grandes palcos do país.

Foi no bar Zicartola, de D. Zica e Cartola, que sua carreira artística alavancou. Ponto de encontro dos bambas no início da década de 1960, o Zicartola era frequentado por Zé Kéti, Silas de Oliveira, Elton de Medeiros, Tom Jobim, Nara Leão, Paulinho da Viola e tantos outros. Verdadeiro fermento da música, ali naquele sobrado da Rua da Carioca, no Centro do Rio, Nelson Sargento recebeu o convite para participar do histórico grupo Rosa de Ouro e do espetáculo A Voz do Morro.

Presidente de honra da Mangueira, Nelson Sargento compôs os sambas-enredo campeões de 1949 e 1950, porém o mais conhecido mesmo foi o de 1955, “Cântico à natureza”, tido até hoje como um dos mais belos sambas-enredo do carnaval carioca e que legou à escola o vice-campeonato.

Musicou a exploração da mais-valia

Todo sambista é um cronista social, e Nelson não foge à regra. Retratou a vida no morro, cantou o amor e em composição conjunta com Cartola e Alfredo Português musicou a exploração da mais-valia em “Samba do Operário”: Se o operário soubesse/reconhecer o valor que tem seu dia/por certo que valeria/duas vez mais o seu salário. A letra do samba foi escrita em um 1º de maio, dia do trabalhador.

Seu grande amor foi a defesa do samba que “agoniza mas não morre”. Forte e destemido, aos 93 anos, Nelson segue cantando “nas esquinas, no botequim e no terreiro”… que sua luta não termine e que o samba nunca morra.

Edição: Vivian Virissimo

COOPERIFA VENDE CAMISETAS PARA BANCAR MOSTRA CULTURAL DA PERIFERIA

Agosto 15, 2017
Evento tradicional da zona sul da capital paulista ficou sem apoio para realização de sua décima edição.
 Venda de camisetas vai financiar a 10ª Mostra Cultural da Periferia no extremo sul da capital paulista.

Redação da Rede Brasil Atual.

São Paulo – Desde a última sexta-feira (11) a Cooperifa, coletivo de vanguarda na produção cultural periférica de São Paulo, realiza uma campanha de vendas de camisetas para financiar a 10ª Mostra Cultural da Periferia, a ser realizada no Capão Redondo, extremo sul da cidade, em outubro deste ano. O evento contará com shows, exibição de filmes, saraus, debates, entre outras apresentações culturais realizadas por artistas de fama nacional e da periferia da capital paulista.

As negociações com artistas e participantes de debates já estão adiantadas. Porém, para financiar cachês e deslocamentos dos convidados, a Cooperifa precisa arrecadar fundos. Os organizadores estimam em R$ 30 mil a verba necessária para realizar a mostra.

“Nós não conseguimos captar recursos e nós não vamos ficar chorando de braços cruzados. Nunca foi fácil e nunca será pra gente. Então, este ano será nós por nós”, explicou Sérgio Vaz, fundador da Cooperifa, que completa 16 anos em 2017. “A Mostra é quando a gente apresenta a quebrada aos seus artistas e vice-versa. É cidadania através da cultura”, completou.

Para comprar as camisetas e apoiar a mostra cultural basta mandar uma mensagem pelas redes sociais no perfil da Cooperifa ou do Sérgio Vaz. Também é possível adquiri-las no Sarau da Cooperifa, que ocorre toda terça-feira, 20h30, no Bar do Zé Batidão – Rua Bartolomeu dos Santos, 797, no Jardim Guarujá. Criada em 2001, a Cooperifa realiza encontros semanais que trazem poesia, música e cultura para a região, apoiando também a publicação de livros e álbuns musicais. registrado em: