PORTAL FÓRUM: PRIMEIRA EDIÇÃO DO ANO DA FEIRA DE VINIL DO RIO HOMENAGEIA DÓRIS MONTEIRO E LENY ANDRADE

Abril 23, 2019
23 DE ABRIL DE 2019.

Com entrada franca e cerca de dois mil frequentadores por edição, evento se muda para o Catete, ocupando o Instituto de Arquitetos do Brasil com raridades, lançamentos musicais e exibição de filmes

Foto: Divulgação

A Feira de Vinil do Rio de Janeiro chega à sua 21º edição, no próximo domingo (28), desta vez estreando em um novo espaço: o Instituto de Arquitetos do Brasil, no Catete. Ao comemorar dez anos desde sua primeira realização, a feira decide empunhar, neste ano, a bandeira da resistência cultural frente à crise política, econômica e moral pela qual atravessa nosso país.

Foto: Divulgação

O produtor executivo da Feira, Marcello Maldonado, conclama lojistas, profissionais de Cultura e o grande público para se juntarem neste grande grito:

“Estamos nos deparando com uma grave situação econômica vivida pelo Brasil atualmente, e mais aguda, no caso do Rio de Janeiro; uma das primeiras áreas atingidas é a Cultura, infelizmente vista como supérflua, seja em suas manifestações artísticas, seja em sua cadeia produtiva, representada por lojas, centros culturais, produtoras, e etc.”

Durante o dia, as cantoras Dóris Monteiro e Leny Andrade vão receber o Troféu Feira de Vinil do Rio de Janeiro, já entregue, ao longo das últimas edições, a João Donato, ao grupo Azymuth, a Marcos Valle, ao compositor e arranjador Arthur Verocai, ao cantor e compositor Carlos Dafé e ao sambista Wilson das Neves.

Foto: Divulgação

Marcello MBGroove, produtor artístico da Feira do Vinil do Rio, ressalta a importância da escolha: “até hoje não havíamos homenageado mulheres… neste momento de importante reforço na questão do empoderamento feminino, nestes tempos onde a mulher tem sido alvo de situações extremas, convidamos essas duas divas do Sambalanço e MPB, mulheres que representam muito do que foi prensado em vinil no país nas décadas de 60 e 70 e são ícones, mulheres à frente do seu tempo, artistas de extremo talento e que merecem nossa reverência”, disse.

Produzida por Marcello Maldonado e pelo produtor artístico Marcello MBGroove (coletivo Vinil É Arte), a feira tem entrada franca mediante a entrega simbólica de 1 kg de alimento, a ser entregue à Sociedade Viva Cazuza. Ao longo do dia, vários DJs apresentarão seus sets em vinil, especialistas nos mais variados estilos; MPB, Black Music, Rock, Eletronic.

Foto: Divulgação

Cerca de 60 expositores de todo o Brasil estarão presentes com discos e CDs. Do Rio, participarão, dentre outros, a Tropicália Discos e a Arquivo Musical, além da Livraria Baratos da Ribeiro e da Satisfaction. Os paulistas serão representados pelo Beco do Disco, Casa da Mia, Mega Hard, Mafer Discos e Vinil SP, só para citar algumas. A feira terá também estandes de venda de CDs, equipamentos de áudio, marcas de roupas e acessórios com esta temática.

Pela primeira vez em seus 10 anos o evento vai promover sessões gratuitas de filmes que transitam no universo musical. Das 12h às 14h, o público que estiver no evento poderá assistir, no auditório do IAB, os vídeos “Duelo de Titãs” (sobre a Furacão 2000), do diretor Cavi, “The Big Boy Show” (sobre o lendário DJ e apresentador Big Boy), dos cineastas Leandro Petersen e Cláudio Dager, e “Um dia com os Blacks que ainda existem”, de Marcio Grafifti. Depois, haverá um bate-papo com os cineastas.

Foto: Divulgação

SERVIÇO: 21° Feira de Discos de Vinil do Rio de Janeiro

Dia: 28 de abril, domingo

Horário: 11h às 19h

Local: IAB – Instituto dos Arquitetos do Brasil

Endereço:  Beco do Pinheiro, 10 – Flamengo, Rio de Janeiro

Entrada: 1 kg de alimento não perecível

Classificação: livre

Informações: 21-98181-9733

RBA: NO DIA NACIONAL DO CHORO, A VIDA E A OBRA DE PIXINGUINHA NA RÁDIO BRASIL ATUAL

Abril 23, 2019
23 DE ABRIL
Ouça a edição especial do programa “Clube do Choro”, da Rádio Brasil Atual, em homenagem a esse gênio da música popular brasileira
por Redação RBA publicado 23/04/2019.
ACERVO PIXINGUINHA/IMS
Pixinguinha e Os Batutas

Ao centro, de saxofone, Pixinguinha e os Oito Batutas: grupo se apresentou pela primeira vez no dia 7 de abril de 1919, no Cine Palais, Rio de Janeiro

São Paulo – Conforme certidão de batismo da Igreja Matriz de Sant’Ana, localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro, Alfredo da Rocha Vianna Filho nasceu no dia 23 de abril de 1897. Para o Brasil e o mundo da música, Alfredo se eternizou como Pixinguinha, e seu dia de nascimento marca o Dia Nacional do Choro. Para lembrar a data, o programa Clube do Choro do último domingo (20) homenageou o grande instrumentista, compositor, maestro e arranjador brasileiro.

Produzido e apresentado por Gustavo Simão, mais conhecido como Guta do Pandeiro, o programa apresenta composições e gravações raras de Pixinguinha e parceiros realizadas nos anos de 1920, 1930 e 1940, como, por exemplo, a música Lá Ré, de Pixinguinha e os Oito Batutas, uma polca gravada na Argentina, em 1923.

Ouça o programa especial na íntegra

Vida e obra

Em 2017, para marcar os 120 anos do nascimento de Pixinguinha, o Instituto Moreira Salles (IMS) lançou o site www.pixinguinha.com.br, que reúne todo o acervo do músico, composto por documentos e objetos pessoais, fotografias, partituras manuscritas de suas composições e arranjos, além de uma farta discografia disponível para audição on-line.

Entre os destaques do site, está o Catálogo Crítico de Obras de Pixinguinha, resultado da pesquisa que Pedro Aragão e José Silas Xavier fizeram não apenas no acervo do IMS, mas também no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, no Instituto Jacob do Bandolim e no Instituto Casa do Choro, entre outras entidades parceiras.

O site também oferece na íntegra o documentário Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba, que recupera o material de um show que ficou “perdido” por 50 anos. Filmado por Thomaz Farkas em abril de 1954 e lançado em 2007, o curta-metragem apresenta o espetáculo de Pixinguinha que celebrava o IV Centenário de São Paulo no Parque do Ibirapuera.

Ao todo, mais de 9 mil peças podem ser visitadas no site, entre elas, dois choros inéditos: Cai no Mangue e É Mágoa que Elas Têm, compostas por Pixinguinha em 1931 e nunca lançadas comercialmente.

registrado em:     

PORTAL FÓRUM: BANDA DEAD KENNEDYS PROVOCA BOLSONARO E SEUS ELEITORES COM POSTER DE TURNÊ NO BRASIL

Abril 22, 2019

Favelas explodindo, camiseta da seleção brasileira, armas e ‘família Bozo’: cartaz da turnê da banda de punk norte-americana Dead Kennedys no Brasil mal foi divulgado e já viralizou nas redes

Divulgação

A clássica banda de punk da California (EUA) Dead Kennedys fará turnê no Brasil para comemorar seus 40 anos em maio e, nesta segunda-feira (22), foi lançado o cartaz oficial de divulgação dos shows.

Elaborado pelo artista brasileiro Cristiano Suarez, a arte traz a essência política que a banda sempre carregou nas suas quatro décadas de existência: trata-se de uma clara provocação ao governo de Jair Bolsonaro.

No cartaz, é retratada uma família que veste camisetas da seleção brasileira e que usa perucas em referência ao palhaço Bozo, nome pelo qual o presidente Bolsonaro passou a ser chamado por seus opositores. Os integrantes da família, incluindo as crianças, seguram armas e, ao fundo, é possível ver favelas explodindo.

“I love the smell of poor dead in the morning!” (em português, “eu amo o cheiro de pobre morto pela manhã!”), diz um dos personagens.

“O péssimo inglês falado pelo personagem é mais uma ironia”, informou o artista pelo seu Facebook.

O poster contém, ainda, tanques de guerra, em referência ao caráter militar do governo brasileiro.

O Dead Kennedys fará shows no Rio de Janeiro (23 de maio), São Paulo (25 de maio), Brasília (26 de maio) e Belo Horizonte (28 de maio).

Confira o cartaz.

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BRASIL DE FATO: DOSSIÊ E LIVRO SOBRE DEGRADAÇÃO DA REGIÃO AMAZÔNICA SERÃO LANÇADOS NESTA QUINTA (25)

Abril 22, 2019

EVENTO

Publicações chamam atenção para ameaças que Amazônia vem sofrendo desde o golpe de 2016

Redação

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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A fotógrafa paraense, Evna Moura, fará exposição de fotos em noite para alertar sobre exploração da Amazônia - Créditos: Evna Moura - Reprodução
A fotógrafa paraense, Evna Moura, fará exposição de fotos em noite para alertar sobre exploração da Amazônia / Evna Moura – Reprodução

O crescimento das atividades de exploração na região amazônica pode tornar a América Latina ainda mais dependente do agronegócio e da mineração, além de aumentar os conflitos por terra. Essa é uma das conclusões apresentadas pelo dossiê “Amazônia Brasileira: a pobreza do homem como resultado da riqueza da terra”, que vai ser lançado nesta quinta-feira (25) na capital paulista, junto com o livro “Amazônia: Riqueza, Degradação e Saque”.

Denominado “Noite Cultural Amazônica”, o evento está sendo realizado pelo Instituto Tricontinental de Pesquisa Social e pela Editora e Livraria Expressão Popular, também responsáveis pelas publicações. Além dos lançamentos, haverá exposição de fotos da artista paraense Evna Moura e música ao vivo com o compositor, também paraense, Lucas Guimarães. A cozinha será temática, com pratos típicos da região norte.

A proposta da noite é alertar sobre as ameaças que a região amazônica tem sofrido nos últimos anos. Ainda segundo o relatório que será lançado, desde o golpe de 2016, o governo brasileiro retomou uma série de iniciativas para flexibilizar a legislação ambiental, beneficiando grandes empresas que atuam na Amazônia.

O evento começa às 18h no Armazém do Campo, que fica na Alameda Eduardo Prado, 499, região central da capital paulista. 

 

Edição: Aline Carrijo

TESTAMENTO DE JUDAS 2019

Abril 20, 2019

PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG

Judas Iscariotes, ao se certificar do que vem ocorrendo no Brasil, onde a democracia foi ferida gravemente pela força da irracionalidade obsessiva impulsionada pelo ódio projetado no povo brasileiro por grupos nazifascistas, resolveu voltar ao país, nesta Semana Santa, para in loco vivenciar a desumanidade teratogênica que se disseminou pelo território brasileiro.

Senhor de inigualável sensibilidade, inteligência e moral para com a práxis e a poiesis política, razão de sua perseguição pelos extremistas e ditadores do Império Romano que lhe acusaram de haver traído seu companheiro Jesus Cristo por trinta moedas, uma dos grandes fake News da história que vem se mantendo através das superstições dos incautos, quando em verdade era de família rica e poderosa, Judas Iscariotes, chegou na terra dos índios, negros, quilombolas, trabalhadores, MST, LGBTS, feministas, sambistas, atores, atrizes, artistas engajados, deu um rolê pelo país e constatou o que lhe fora comunicado lá em Roma e Jerusalém.

Convidado por várias entidades e pessoas engajadas na luta pela liberdade democrática, soberania e Estado de Direito do Brasil, para apresentar seu Testamento 2019, ele agradeceu cortesmente os convites, e decidiu proclamar seu testamento junto com os companheiros de Lula na VIGÍLIA LULA LIVRE, em Curitiba, nesse território pulsante onde o espírito-devir é a liberdade do mais respeitado líder-politico do mundo, confinado injustamente como preso político pela ambição e força do império norte-americano e a subserviência de brasileiros antipatriotas e antinacionalistas. Verdadeiros edipianos que com suas insignificâncias não conseguem ser adultos para auxiliar o Brasil a produzir sua verdadeira História como nação crescida e independente.   

Depois de cantar a estrofe:

Liberdade para Lula

É o que pede a razão

Porque o Brasil não será feliz

Com Lula na prisão;

 

Judas cumprimentou alegremente os presentes dizendo que recebera do filósofo Spinoza à incumbência de passar ao povo brasileiro a seguinte mensagem: “Sempre compor bons encontros. Sempre compor alegria. Jamais compor tristeza. Que é a impotência da tirania”.

Envolvido nos aplausos da potência de agir VIGÍLIA LULA LIVRE, o companheiro Judas iniciou seu Testamento 2019.

 

Ao meu companheiro Lula

Que da injusta sofre violência

Deixo-lhe o espírito do guerreiro

Amor, coragem e resiliência,

Para devolver ao Brasil

A democracia e sua inteligência.

 

Junto com sua gente

Que não desiste jamais

Que sob chuva ou sol

Sua força aumenta mais

Deixo-lhe com toda honra

O Prêmio Nobel da Paz.

 

Sei que o companheiro Lula

Não precisa de minhas lembranças

Pois sabe do significado

O que é perder esperanças

Mas mesmo assim lhe digo:

Já vejo vindo às bonanças.

 

Saiba companheiro Lula

Que por onde ando peço sua absolvição

Para que você seja solto

Dessa indigna prisão

Forjada pelos que temiam

Sua nova eleição.

Que começou com o golpe

Que tirou Dilma da presidência da nação.

 

E por falar em Dilma

Aqui vai o meu abraço

Para essa mulher guerreira

Que ninguém mata no cansaço

Pois tem da vida o sentido

Temperado com amor e aço.

 

Ao golpista Temer

Que fez um breve tour pela prisão

Deixo a certeza inconteste

Que o tour vai virar habitação.

 

Três anos estão fazendo

Que o Brasil foi tomado por golpistas

Por isso deixo para eles

O troféu dos arrivistas.

 

Também deixo para eles,

Por estarem o Brasil destruindo,

A nau da insensatez

Para leva-los ao vale do infindo.

 

Para o falador Bolsonaro

Que vive a se desdizer

Deixo-lhe o meu livro famoso

“Os Fantasmas do Falso Poder”.

 

Ainda para Bolsonaro

Que disse: “não nasci para presidente”

Deixo-lhe o GPS

Para voltar pra sua gente.

 

Para o ministro Guedes

Com sua deforma da Previdência

Deixo-lhe a aposentadoria do trabalhador

Para ver se sua velhice tem decência.

 

Aos companheiros trabalhadores

Cuja deforma da Previdência quer lhes matar

Deixo a têmpera de Hefesto

Para contra a maldade lutar.

 

 

Para o ministro Moro

Que à língua portuguesa causa ais

Deixo-lhe a gramática e o dicionário

De meu amigo Antônio Houaiss.

 

Para a ministra Damares

Que pendurou Cristo na goiabeira

Deixo-lhe a mão de Pilatos

Para lavar sua visão de obreira.

 

Ao ministro Ricardo Salles

Que ataca a preservação ambiental

Deixo o Curupira

Para evitar esse mal.

 

Ainda para ministra Damares

Que popularizou Cristo na goiabeira

E quer que a escola seja em casa

Deixo-lhe de Paulo Freire, À Sombra Desta Mangueira.

 

Ao ministro Ernesto Araújo

Que afirma ser de esquerda o nazismo

Deixo-lhe Hitler e Mussolini

Com o trepidar do antissemitismo.

 

Para os ideólogos da escola sem partido

Que opinam sem qualquer noção

Deixo a obra de Paulo Freire,

Política e Educação.

 

Aos nazifascistas do fake news

Que habitam a zona escura do medo

Deixo-lhes a informação:

O Brasil faz seu próprio enredo.

 

Aos professores do Amazonas em greve

Que só querem o que lhe é de direito

Deixo-lhes o valor do educar

Que vale mais que governador e prefeito.

 

Aos blogueiros independentes

Cuja linha de ação é progressista

Deixo-lhes a certeza

Que o Brasil vai viver sem golpista.

 

Ao cinegrafista Padilha

Que se diz desiludido com Moro

Deixo uma cama de prego

Para excitar o seu choro.

 

E para todos companheiros presentes

Nesta festa do Lula Lá!

Deixo o que há de bom

Neste meu testamento de cá

Esperando que em muito breve

Festejemos o nosso político maná.

 

Bom-dia e boa-noite Lula!

Logo, logo nos encontraremos!

Vamos fazer aquela festa

Que só nós democratas sabemos.

E vamos mostrar aos golpistas

Qual é o néctar que nós bebemos!

 

Brasil 20/4/19

JORGE HENRIQUE BASTOS: ESCULPINDO A TRADIÇÃO

Abril 19, 2019

O peruano Julio X trabalha esculpindo a imagem de Jesus Cristo crucificado no estilo colonial. Foto de Jorge Henrique Bastos

Por Jorge Henrique Bastos

As mãos coriáceas de Julio X escalavram o corpo de Cristo Crucificado. O formão extrai lascas do cedro que caem ao chão como cachos de cabelo. O artesão opera com afinco. O suor e a dedicação pairam sobre a escultura em madeira, já entrando na fase final para imprimir mais realidade orgânica na matéria imitando matéria.

Estamos em pleno Centro de São Paulo, numa esquina esquecida da capital. Entre o ir e vir de carros e gente, três peruanos perpetuam sua arte longe da terra natal. São simbolicamente a memória dos meandros que teceram a trama histórica da América Latina, o eco do encontro e da barbárie. Algo das Missiones parece renascer aqui.

Dois irmãos, Pedro Vargas (64) e Jorge Valentín (68), mudaram para o Brasil há mais de vinte anos, com seus desejos e a típica “artesanía” que aprenderam desde jovens na sua amada Cusco. Meses atrás, Julio X (45) se uniu à dupla. Ele também vive aqui há mais de duas décadas. Nunca deixaram de trabalhar naquilo que herdaram: a arte cusquenha.

Altares, púlpitos, molduras entalhadas, restauração e folheação a ouro e prata são os labores principais que produzem. A oficina é exígua, razão pela qual Julio X esculpe o Cristo na calçada, à sombra de uma pequena árvore, entrincheirado entre tapumes que o isolam um pouco do olhar absorto dos passantes. Teve sorte em encontrar seus conterrâneos, e agora se dedica com todo zelo à sua obra, sem se preocupar com a máquina fotográfica. Os pormenores da musculatura devem ficar prontos em duas semanas. Em seguida, a imagem imponente receberá cor, delineamentos e finalizações. A simplicidade de Julio camufla a vida difícil para um artista da sua condição. Vê-se que o desemprego, a intolerância, e o descaso marcaram os olhos e a alma desse homem. Mas não se entregou, transplanta a força da sua arte para a peça em que trabalha como um médico na mesa de operação.

Jorge Valentín é o mais velho de todos. Comento com ele que teve quase um homônimo no Brasil, Manoel Valentim, só que era um artista negro, e viveu no século XVIII. O olhar humilde e vivido expressa o orgulho do seu ofício, brilham nele os traços indígenas de uma América atravessada por espoliações cíclicas. Desde que chegou no país, não deixou de lidar com o estilo cusquenho. Primeiro sozinho, depois em parceria com seu irmão, Pedro. Juntos, persistem nessa esquina há vinte e tantos anos. Passa crise, entra crise, lá continuam. Sabem que o momento atual é muito grave, daí procurarem dar o máximo quando conseguem uma encomenda como a que agora dedicam todo cuidado. Não esquecem que são estrangeiros. É preciso mostrar que dominam seu trabalho.

O ganho não é muito, mas dá para pagar as despesas. O Cristo Crucificado chegou em boa hora, e coincidiu com Julio estar disponível para a empreitada. Era a pessoa certa, no momento certo. Cito então o verso de Fernando Pessoa:

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.

E essa está sendo gerada à luz do dia, no Centro de uma das mais importantes megalópoles da América Latina, onde todos os dias milhares de africanos, coreanos, árabes, bolivianos, venezuelanos, entre muitos outros, vivem e lutam por uma função. A maioria dos imigrantes que escolheram São Paulo são latino-americanos. Optaram por este gigante da América que claudica como uma criança à beira do abismo.

Segundo dados da Polícia Federal, no Brasil existem mais de 750 mil imigrantes, a maior parte vivendo na capital paulista. O número é ínfimo, se comparado com outros países, e tendo em conta que a população brasileira é de 210 milhões de habitantes. Ou seja, representam apenas 0,4% da população.

A ONU calcula em 260 milhões de pessoas vivendo fora do seu país de origem. Transportam consigo as tradições, cultura, hábitos e sonhos.

Como esses três peruanos que insistem em dourar o dia a dia paulistano, enquanto buzinas, motores e fumaça invadem o ar, e o formão incide de novo na madeira, no momento em que outra lasca de cedro rola aos meus pés.

BRASIL DE FATO: CIRCO NA QUINTA DA BOA VISTA E FESTA LITERÁRIA NA PORTELA SÃO ATRAÇÕES NO RIO

Abril 18, 2019

AGENDA CULTURAL

Final de semana também terá festas para Santo Expedito e exposição do Museu Nacional no CCBB

Redação

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

18 de Abril de 2019 às 11:00

Unicirco é uma iniciativa do ator Marcos Frota - Créditos: Divulgação
Unicirco é uma iniciativa do ator Marcos Frota / Divulgação

#Unicirco Marcos Frota

 

O quê? A Universidade Livre do Circo, concebida e dirigida pelo ator Marcos Frota, desenvolve a mais de 25 anos programas e ações artísticas, sociais e pedagógicas tendo como eixo a milenar arte circense. A Unicirco conta com uma Lona com capacidade de até 2.500 lugares. 

Onde? Parque Municipal Quinta da Boa Vista – São Cristóvão. 

Quando? Sábados, domingos e feriados, às 15h e às 17h. Nos dias 19 e 23 de abril (feriados) não haverá espetáculos. 

Quanto? R$ 15 (inteira), crianças (R$5). Há uma quantia de ingressos gratuitos. 

 

#Feira Literária da Portela 

O quê? A FLIPORTELA pretende celebrar todas as expressões artísticas em torno da palavra escrita, contada, cantada e falada. O objetivo é reunir coletivos dos subúrbios e das periferias, além de quem trabalha, produz livros, poesias, saraus, performances e reflexões. A atividade contemplará, ainda, autores, editoras, livreiros, professores, estudantes e empreendedores que têm como foco a arte da palavra, a mediação de leituras e o pensamento crítico. 

Onde? Quadra da Portela. Rua Clara Nunes, 81 – Madureira. 

Quando? Sábado (20), das 9h às 21h e domingo (21), das 9h às 16h. 

Quanto? Grátis. 

 

#Museu Nacional Vive 

O quê? Primeira exibição pública de uma centena de peças salvas do trágico incêndio que atingiu o Museu Nacional em setembro de 2018. A exposição parte do incidente para apresentar – por meio de um conjunto representativo de itens resgatados dos escombros e outros preservados – que o Museu continua vivo e produzindo conhecimento. 

Onde? Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Rua Primeiro de Março, 66 – Centro. 

Quando? De terça a domingo, das 9h às 21h, até 29 de abril. 

Quanto? Grátis. 

 

#Festa Santo Expedito 

O quê? A festa em homenagem a Santo Expedito acontece todos os anos no dia 19 de abril na capela do Fonseca, com direito à missa, almoço e procissões. O primeiro templo construído e dedicado ao santo no Brasil foi a “Capela Santo Expedito” em 1902 na Arquidiocese de Niterói, no Bairro do Fonseca. A capela tem sido lugar de refúgio para muitos devotos que pedem a intercessão do santo nas causas denominadas impossíveis. 

Onde? Capela de Santo Expedito, Rua Lopes da Cunha, 225 – Fonseca. 

Quando? Sexta-feira (19), ao longo do dia. 

Quanto? Grátis. 

*Essa agenda cultural foi publicada na edição 307 do Brasil de Fato Rio de Janeiro que circulou no dia 18/4.

Edição: Vivian Virissimo

RBA: CHICO SALEM HOMENAGEIA GÊNIO DO ROCK BRASILEIRO COM SHOW ‘RAUL VIVO’

Abril 18, 2019

TOCA RAUL

Apresentação será nesta quinta-feira (18), no Bourbon Street, em São Paulo. Em entrevista na Rádio Brasil Atual, Chico conta histórias sobre Raul e toca algumas das célebres canções do “pai do rock”
por Redação RBA publicado 18/04/2019 07h37, última modificação 18/04/2019 15h36
JUAN LUIZ GUERRA/DIVULGAÇÃO
Show 'Raul Vivo' homenageia Raul Seixas

Show em homenagem a Raul Seixas marca os 30 anos da sua morte e pretende mostrar como sua obra ainda é atual

São Paulo – O programa Manhã Brasil Atual recebeu no estúdio, nesta quarta-feira (17), o cantor e compositor Chico Salem, que apresenta amanhã (18) o show Raul Vivo, no Bourbon Street, em São Paulo. Com participação de Arnaldo Antunes e o gaitista Sylvio Passos, amigo do homenageado, o show promete ser uma grande celebração da obra de Raul Seixas.

Multi-instrumentista com 22 anos de carreira, Chico Salem já tocou com Luís Melodia, Marisa Monte, Carlinhos Brown, Elza Soares, Zeca Baleiro, Emicida, entre outros artistas da música brasileira.

A relação com Raul Seixas começou cedo, de modo fortuito. Quando era pequeno e morava no bairro do Butantã, Chico costumava encontrá-lo em uma padaria. “Eu via aquela figura e nem sabia direito quem era, mas via que era uma figura muito mágica”, disse ele, em entrevista à apresentadora Fabiana Ferraz, na Rádio Brasil Atual.

Depois foi crescendo e começou a comprar discos de Raul até que se tornou um “apaixonado” por sua música. “É impressionante o poder de comunicação dele tanto com os adultos quanto com as crianças, é um cara que fala pra todo mundo, pra direita e pra esquerda.”

Chico lembra que certo dia chegou a conversar com Raul Seixas na padaria. Tinha em torno de 11 anos, e costumava passava no local antes de ir para aula de violão apenas para ver se o encontrava. “Uma vez ele falou pra mim: ‘Isso daí é um violão?’ Respondi que sim e ele disse: ‘Então é bom você saber que enquanto carregar esse instrumento nunca vai te faltar o que comer e onde dormir’.”

Ouça essa e outras histórias, além de algumas músicas tocadas ao vivo, na íntegra da entrevista.

DOCUMENTÁRIO: TCHAU QUERIDA!

Abril 17, 2019
IMPEACHMENT SEM CAUSA
Filme narra golpe iniciado em 17 de abril de 2016 pela ótica de quem estava do lado de fora do Congresso, o povo brasileiro. Em artigo, Dilma lembra: ‘Foi um dos momentos mais infames da história’
por Cláudia Motta, da RBA publicado 17/04/2019.
REPRODUÇÃO
camisas amarelas

Manipulados para ‘salvar o país da corrupção’, os verde-e-amarelos levaram bandidos ao poder e sumiram das ruas

São Paulo – “O espetáculo político que dividiu o país e cassou o mandato de 54 milhões de brasileiros narrado por quem estava do lado de fora do Congresso Nacional.” O povo brasileiro é o protagonista do documentário Tchau, Querida, lançado nesta quarta-feira (17), às 19h, no Centro Universitário Maria Antonia (Rua Maria Antônia, 258/294, Vila Buarque).

A data do lançamento do primeiro longa-metragem produzido pelo Cérebro Eletrônico e Jornalistas Livres “marca os três anos do início do fim do Estado democrático e de direito no país”, afirma o jornalista Vinícius Segalla, que divide a direção do documentário com Gustavo Aranda.

“Tínhamos mais de oito horas de gravação. A gente assistiu e reassistiu a esse material, mexeu muito para transformar em uma hora e dez minutos”, conta Segalla. “Mas o mais difícil era ver como boa parte da população do Brasil que estava representada ali pelas pessoas de verde amarelo se deixou levar por uma ilusão. Muita gente estava ali acreditando mesmo que estava combatendo a corrupção, quando estavam fazendo parte de um mecanismo maior, levando a gente para onde levou.”

Ainda mais difícil, ressalta o jornalista, é assistir hoje e ver que “o ovo da serpente” já estava lá. “Desde o início do processo de impeachment, eram as forças de extrema direita representadas por Bolsonaro, Moro e Olavo de Carvalho que mais estavam presentes naquele processo. E a gente não percebeu. A gente se deu conta do perigo que era Jair Bolsonaro para o país quando já era tarde demais”, lamenta Segalla.

AGÊNCIA BRASILdilma rousseff
‘Há razões mais do que suficientes para que a história registre o 17 de abril de 2016 como o dia da infâmia’

Brasil envergonhado

“O golpe foi o episódio inaugural de um processo devastador que já dura três anos. Teve, para seu desenlace e os atos subsequentes, a estratégica contribuição do sistema punitivista de justiça, a Lava Jato, que sob o argumento de alvejar a corrupção, feriu a Constituição de 1988, atingiu o Estado democrático de direito e impôs a justiça do inimigo como regra.”

Em artigo publicado nesta quarta-feira, a presidenta Dilma Rousseff reafirma sua visão sobre a construção do golpe no Congresso, na mídia, em segmentos do Judiciário e no mercado financeiro. “Compartilhavam os interesses dos derrotados nas urnas e agiam em sincronia para inviabilizar o governo”, avalia.

“Faz três anos, hoje, que a Câmara dos Deputados, comandada por um deputado condenado por corrupção, aprovou a abertura de um processo de impeachment contra mim, sem que houvesse crime de responsabilidade que justificasse tal decisão. Aquela votação em plenário foi um dos momentos mais infames da história brasileira. Envergonhou o Brasil diante de si mesmo e perante o mundo.”

Para Dilma, o principal objetivo do golpe foi o enquadramento do Brasil na agenda neoliberal, que, por quatro eleições presidenciais consecutivas havia sido derrotada nas urnas. “Foi essa verdadeira sabotagem interna que tornou praticamente impossível, naquele momento, atenuar sobre o Brasil os efeitos da crise mundial.”

A ex-presidenta associa o que aconteceu há três anos ao que está acontecendo hoje. “Há razões mais do que suficientes para que a história registre o 17 de abril de 2016 como o dia da infâmia. Foi quando o desastre se desencadeou; se desencadeou ao barrar os projetos dos governos do PT que tinham elevado dezenas de milhões de pessoas pobres à condição de cidadãos, com direitos e com acesso a serviços públicos, ao trabalho formal, à renda, à educação para os filhos, a médico, casa própria e remédios. Interromperam programas estratégicos para a defesa da soberania e para o desenvolvimento nacional, projetos que colocaram o Brasil entre as seis nações mais ricas do mundo e retiraram o país do vergonhoso mapa da fome da ONU.”

Dilma clama pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Mesmo os que se opõem a Lula mas prezam a democracia se constrangem com o escândalo da sua prisão e condenação ilegal, e já perceberam que ele é um prisioneiro político… Lutar por sua liberdade plena significa enfrentar o aparato neofascista – militar, judicial e midiático – que está destruindo a democracia. Lula é a voz da resistência e carrega o estandarte da luta democrática… Lula mostrou ao povo brasileiro, em cada gesto seu que se tornou público, que é possível resistir mesmo nas piores condições. A sua força moral nos fortalece, a sua garra nos anima, a sua integridade nos faz lutar por sua liberdade, que representa também as liberdades democráticas para todos os brasileiros. Lula está do lado certo da história. #LulaLivre.”

Assista ao trailer de Tchau, Querida

 

BRASIL DE FATO: ABRIL É MÊS DO SANTO E ORIXÁ GUERREIRO

Abril 16, 2019

SALVE!

São Jorge no catolicismo, Ogum na umbanda e Candomblé, saiba onde reverenciar o símbolo da proteção e caminhos abertos

Redação

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

Abril de 2019.

Conta a história que Jorge, nascido em 275, morava na Capadócia, hoje Turquia, e era um alto comandante do exército romano - Créditos: Foto: Rafaella Dotta
Conta a história que Jorge, nascido em 275, morava na Capadócia, hoje Turquia, e era um alto comandante do exército romano / Foto: Rafaella Dotta

Dia 23 de abril é dia de saudar o guerreiro valente, que fortalece os seus devotos e os protege dos inimigos. O sincretismo religioso – mistura de religiões – permite que ele seja celebrado tanto pelo catolicismo quanto pelas religiões de matriz africana, com feijoadas, missas, giras e festas. Ele é São Jorge para os católicos e Ogum para os umbandistas e candomblecistas.

Ogum, senhor das batalhas

Na religião africana yorubá, os orixás são como intermediários entre Olórun (Deus) e os seres humanos. Ogum é o orixá de vestes azul e brancas ou vermelho e brancas, senhor do ferro, da guerra, da agricultura e da tecnologia. Seus filhos costumam pedir força e proteção. As ervas mais ligadas a Ogum são a Abre Caminho, Arruda, Folha de Seringueira e Espada de Ogum (ou São Jorge).

Em Belo Horizonte, a Tenda de Umbanda Caboclo Pena Branca faz pelo quinto ano uma feijoada para Ogum. Dia 21 (domingo), às 19h, Rua Confrade Machado, 21, Nova Esperança. Na terça (23), é a vez do Centro Espírita São Jorge Guerreiro reverenciá-lo, às 19h30, com sua 4ª Festa & Feijoada de Ogum. E no último domingo de abril (28), o Templo Escola Ogum Sete Espadas faz a II Feijoada de Ogum, às 12h, na Avenida Cristiano Machado, 297.

Na arte também tem proclamação. A Flores de Jorge Companhia Cênica apresenta o espetáculo “Ogum”, que conta histórias do orixá e também aborda a tolerância religiosa. A peça está em cartaz de 12 a 21 de abril (sexta às 20h, sábado às 20h e domingo às 19h), no Sesc Palladium, Av. Augusto de Lima, 420. O ingresso é R$ 15 e a meia entrada R$ 7,50.

São Jorge contra o dragão

Conta a história que Jorge, nascido em 275, morava na Capadócia, hoje Turquia, e era um alto comandante do exército romano. Depois de ver a crueldade com que o imperador tratava os cristãos, Jorge se rebelou. Foi preso e torturado, mas passou a ter cada vez mais fé nas palavras de Jesus Cristo. Morto pelo império romano, foi tornado santo.

Uma grande festa em sua homenagem acontece na Paróquia São Jorge entre os dias 21 e 23 de abril, na capital mineira. Nos dois primeiros dias a festa começa às 15h, com missa às 19h. No dia do santo, 23 de abril, as missas começam às 6h, finalizando às 19h com uma celebração solene ao padroeiro. A paróquia fica na rua Corcovado, 425, bairro Jardim América.

Ogum

“Sim, vou na igreja

festejar meu protetor 

E agradecer por eu ser mais um vencedor 

Nas lutas nas batalhas 

Sim, vou no terreiro pra bater o meu

tambor 

Bato cabeça e firmo

ponto, sim senhor 

Eu canto pra Ogum”

Música cantada por Zeca Pagodinho, compositores Marquinho PQD e Claudemir

 

Edição: Joana Tavares