SEXTA DAS MULHERES UNE CULTURA E REFLEXÃO POLÍTICA EM JOÃO PESSOA

Agosto 23, 2019

SOBRE FEMINISMO

Evento é fundamental diante do momento atual que o país atravessa

Joel Cavalvante

Brasil de Fato | João Pessoa (PB)

23 de Agosto de 2019.

O evento acontece nesta sexta (23), na Casa de Cultura Livre Olho D´Água, na Rua Deputado Barreto Sobrinho, 344, em Tambiá, João Pessoa. - Créditos: Reprodução
O evento acontece nesta sexta (23), na Casa de Cultura Livre Olho D´Água, na Rua Deputado Barreto Sobrinho, 344, em Tambiá, João Pessoa. / Reprodução

Nesta sexta-feira, 23 de agosto, na Casa de Cultura Livre Olho D´água, em João Pessoa – PB, vai ocorrer o Sexta das Mulheres, um evento político-cultural, que vai refletir sobre a conjuntura atual de massacres e perdas de direitos das mulheres brasileiras e paraibanas.

Zezé Béchade, integrante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e secretária de mulheres do Partido dos Trabalhadores (PT) da Paraíba, ressalta que no momento atual, onde os movimentos sociais, e sobretudo as mulheres, estão sofrendo agressões, é fundamental a reflexão em ambientes coletivos. Neste sentido, o núcleo Gertrudes Maria vem promovendo grupos de estudos, objetivando a reflexão do feminismo e da compreensão da sociedade em todos os seus âmbitos a partir do olhar feminino. 

“Nesses estudos, descobrimos uma das primeiras sindicalistas e feministas do século XIX, a franco-peruana Flora Tristán”, disse Béchade. A programação da Sexta das Mulheres contará a exibição de um filme sobre a vida de Tristán. “Daí entendemos que seria interessante dividir com outras pessoas, principalmente com as mulheres, a sua história e importância para os dias atuais”, ressaltou. 

A programação terá início às 17h, com a abertura da exposição “Anayde, as máscaras e escritos feministas”. Às 18h, ocorrerá a exibição do filme sobre Flora Tristán, e posteriormente haverá um debate com representantes da Confraria Malagrida, Marcha Mundial das Mulheres – Núcleo Gertrudes Maria, Coletivo Anayde, Coletivo Pagu e a jornalista Dani Fechine do G1 Paraíba. Às 19h, terá uma cantoria com Tia Ciata Samba Clube, e às 20h a playlist canta mulheres. 

O evento é organizado Pela Marcha Mundial das Mulheres, pela Confraria do Beco da Faculdade e a Casa de Cultura Livre Olho D´água, com apoio da Folia de Rua. O endereço é na Rua Deputado Barreto Sobrinho, 344, em Tambiá, João Pessoa. 

 

Edição: Heloisa de Sousa

TEATRO UNIVERSITÁRIO RECEBE O ESPETÁCULO “QUE CABOCLOS SÃO VOCÊS?”

Agosto 23, 2019

TEATRO

O espetáculo acontece as sextas-feiras de agosto (23 e 30), sempre às 19h.

Da Redação

Brasil de Fato | Fortaleza (CE)

23 de Agosto de 2019.

“Que caboclo são vocês? ” é uma expressão emitida pelos agrupamentos dos cabocolinhos para o início da brincadeira tradicional popular. - Créditos: Foto: Romulo Santos
“Que caboclo são vocês? ” é uma expressão emitida pelos agrupamentos dos cabocolinhos para o início da brincadeira tradicional popular. / Foto: Romulo Santos

O Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno, localizado na Av. da Universidade, 2210 – Benfica, recebe nas sextas-feiras de agosto (23 e 30) o espetáculo “Que caboclo são vocês?”, sempre às 19h. O espetáculo cênico-percussivo integra uma diversidade sonora por meio da cultura cabocla, tendo como base estudos relacionados aos povos indígenas, à religiosidade e ao nordeste. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

Sinopse

“Que caboclo são vocês? ” é uma expressão emitida pelos agrupamentos dos cabocolinhos para o início da brincadeira tradicional popular. Com a força deste termo, o Grupo de Música Percussiva Acadêmicos da Casa Caiada (Gmpacc) apresenta o seu IV espetáculo cênico – percussivo sob a direção artística. Inspirada no trabalho das Missões de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade de 1938, essa obra foi construída a partir da musicalidade rítmica-africana, dos encantados da mata e da festividade dos caboclos do sertão. Ao som dos tambores, atabaques, ferros e zabumbas, o espetáculo apresenta um baile percussivo com personagens dessa mistura cultural representada por Muriquinhos, Cabocolinhos, Bois, Jurema, Capoeiristas, Sertanejos entre outros. Assim, as expressões de fé, do mundo lúdico e festivo da cultura popular, costuram-se em sons, cores e ritmos, repercutindo o “Ser Caboclo do Brasil” que há dentro de nós.

Edição: Monyse Ravena

GRUPO FATO COMEMORA 25 ANOS COM A PRESENÇA DO COMPOSITOR CARIOCA ANTÔNIO SARAIVA

Agosto 23, 2019

MÚSICA

O show acontece no Teatro Paiol, em Curitiba, nos dias 23 e 24 de agosto

Ana Carolina Caldas

Curitiba

Agosto de 2019.

Grupo paranaense é conhecido pela ousadia e experimentação musical - Créditos: Mariana Pimentel Fagundes
Grupo paranaense é conhecido pela ousadia e experimentação musical / Mariana Pimentel Fagundes

Com mais de duas décadas de existência, do Paraná, o Grupo Fato é um diferencial na história da música popular brasileira por ousarem nos processos de composição e produção musical. Vão do encontro a linguagens regionais, como combinar músicas com os sons dos tamancos do Fandango à interpretação de inúmeros compositores e músicos brasileiros.  Para comemorar os 25 anos de existência, o show de aniversário contará com a participação de um dos mais importantes parceiros do Grupo Fato, o compositor, arranjador, instrumentista e produtor musical carioca Antônio Saraiva.

O show “LEMBRA? “acontecerá nos dias 23 e 24 de agosto no Teatro Paiol e fará um passeio por toda a história desta rica parceria, além de apresentar novas composições. Saraiva já teve suas composições gravadas por artistas como Ney Matogrosso, Marcos Sacramento, Ná Ozzetti, Pedro Luís e A Parede, Grupo Fato, Alexandre Nero, Katia B, Carminho, Valéria Lobão, Via Negromonte e Fabiano Medeiros, etc….  E, sua história com o Fato começa em 1994, quando esteve em Curitiba para ministrar o “Curso Livre de Composição” na 13ª Oficina de MPB, e conheceu Grace Torres e Ulisses Galetto, integrantes do Fato, o que viria a ser determinante para o nascimento do Grupo.  

Desde lá, em 1994, o Fato já tem 8 álbuns, 2 DVDs, inúmeros videoclipes, 1 livro de partituras e 13 montagens de shows com apresentações em todo o Brasil e na França. 45 compositores já foram gravados ou interpretados pelo grupo até́ 2018, 38 dos quais paranaenses. O FATO conta com um imenso leque de realizações, participações em shows, gravações e eventos dos mais diversos, ao lado de artistas de todo o Brasil, como Arthur de Faria (RS), Maurício Pereira (SP), Antonio Saraiva (RJ), Pedro Luís & a Parede (RJ), Lenine (RJ), Paulo Brandão (RJ), João Cavalcanti (RJ), Edson Natale (SP), Yuri Queiroga (PE), Edith de Camargo (PR), Gabriel Schwartz (PR), Rodolfo Stroeter (SP), Guinga (RJ), entre outros.

Serviço

Show: “LEMBRA?” – Grupo FATO & Antonio Saraiva (RJ)

Local: Teatro Paiol, Curitiba – PR

Dias 23 e 24 de agosto, às 20h

Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)

Edição: Redação

TVT EXIBE ‘GRNDE ENCONTRO’ COM ELBA, ALCEU E GERALDO AZEVEDO DOMINGO, EM SALVADOR

Agosto 23, 2019
REUNIÃO DE GIGANTES
Espetáculo “Grande Encontro” terá retransmissão da TVE/Bahia pelas redes sociais, TVT, Rádio Brasil Atual e RBA, Daíra Saboia abre o show
    
DIVULGAÇÃO

Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo se encontram novamente no show que, desde 2016, faz sucesso em todo o país

São Paulo — Três dos maiores nomes da música brasileira voltam a se reunir no palco, no próximo domingo (25), em Salvador, com o espetáculo Grande Encontro: Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença. Na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, o show começa a partir das 18h, com transmissão da TVE/Bahia e rádio 107.5 Educadora FM, e também pela TVT, Rádio Brasil Atual e RBA. A jovem revelação Daíra Saboia abre o espetáculo, se apresenta por cerca de 30 minutos e entrega o palco aos veteranos da MPB.

Desde 2016, quando fizeram o show comemorativo de 20 anos do álbum Grande Encontro, lançado em 1996 – então com participação também de Ze Ramalho –, os músicos têm rodado o país com o espetáculo. No repertório, que altera canções em trio, duetos e momentos solos em cena, músicas clássicas como AnunciaçãoBanho de CheiroDia BrancoTropicanaMoça BonitaCaravanaBelle de JourCanção da DespedidaCoração BoboTáxi LunarBicho de Sete Cabeças, entre outras.

“Vinicius de Moraes dizia que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. Há sempre um grande amor entre nós. Elba e eu temos um projeto lindo, chamado Um Encontro Inesquecível, que se transformou agora neste novo Grande Encontro. Existe uma relação muito forte que sempre vai nos unir. Somos parceiros da vida toda”, comenta Geraldo Azevedo.

Depois de se apresentarem no réveillon de Copacabana e tocarem no Rock in Rio, em 2017, o trio seguiu em turnê pelo país em 2018. Em 2019, o espetáculo Grande Encontro acontece mais uma vez, dessa vez na capital da “terra boa”. O show em Salvador terá mudanças em relação aos anteriores, que tinham um formato acústico, com versões que recriavam a mística do cancioneiro, com intimismo e delicadeza.

O novo espetáculo apresenta agora uma sonoridade mais elétrica e percussiva, com a inclusão das músicas Papagaio do Futuro, cantada por Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Jackson do Pandeiro no Festival Internacional da Canção de 1972; e Me Dá um Beijo, parceria de Alceu Valença e Geraldo Azevedo no primeiro disco da dupla, recriada com Elba nos vocais.

“Estar no palco com Elba e Geraldinho é como cantar em casa, numa sala de reboco ou de visitas. Geraldo é meu parceiro e compadre, um dos maiores incentivadores da minha música desde sempre. Elba é uma amiga querida, companheira de geração e de arte. Somos da mesma região, o agreste e o sertão de Pernambuco e da Paraíba, e juntos criamos uma identidade orgânica. Nossa força está na maneira fiel e absoluta com que vivenciamos esta identidade”, explica Alceu Valença.

“A grandeza estava na simplicidade e na força de cada um individualmente. Quando juntava, era explosão! Aprendemos uns com os outros e mostramos uma fatia poderosa da nossa cultura. O Nordeste é potência máxima em música e nós mostrávamos toda a sua diversidade”, completa Elba Ramalho.

Divulgação

Jazz, clássicos da MPB e Belchior estão no repertório de Daíra Saboia

Revelação

O Grande Encontro de Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença terá como show de abertura, a jovem cantora Daíra Saboia. Com formação de atriz, ela lançou seu primeiro álbum, Flor, em 2014, com repertório de jazz e MPB, selecionado para o Prêmio da Música Brasileira e atraindo a atenção da crítica especializada.

Fã de Belchior, Daíra tem se notabilizado pela interpretação das músicas do grande artista, morto em 2017, justamente durante o processo de gravação do álbum Amar e Mudar as Coisas, lançado no mesmo ano somente com releituras de Belchior.

Logo depois, Daíra foi “descoberta” por Elba Ramalho, que se encantou com a interpretação da cantora das músicas de Belchior, convidando-a para participar de alguns dos seus shows. Desde então, além de Elba, Daíra compartilhou o palco com Jards Macalé, Danilo Caymmi, Roberto Menescal, Eliane Elias, Brian Blade, Luiz Alves, Lula Galvão, Paulo Russo, Chico Chico, entre outros.

LUCIANO HORTÊNCIO: PELA ORDEM SEU PRESIDENTE

Agosto 22, 2019

 Luciano Hortencio

 22/08/2019

Resgate de Luciano Hortencio

Linda Batista interpreta PELA ORDEM SEU PRESIDENTE, de Ary Monteiro e Raimundo Olavo

 

Pela ordem, pela ordem!

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Peço a palavra Seu Presidente!

 

Vossa Excelência, dá licença,

Quero um aparte para falar.

Quero falar num artigo

Cadê o trigo, cadê o trigo?

Levam a vida nessa marmelada,

Passa a o tempo e não resolvem nada. (bis)

 

Peço a palavra pela ordem

Na voz do meu coração.

O povo não tem casa pra morar,

Não tem transporte, não tem carne, nem feijão.

Até das frutas que existiam por aqui,

Só resta agora o abacaxi.

 

Vossa Excelência, dá licença,

Quero um aparte para falar.

Quero falar num artigo,

Cadê o trigo, cadê o trigo?

Levam a vida nessa marmelada,

Passa a o tempo e não resolvem nada.

 

 

Linda Batista – PELA ORDEM SEU PRESIDENTE – Ary Monteiro – Raimundo Olavo – Ary Monteiro.

Disco RCA Victor 80-0551-A.

Novembro de 1947.

Arquivo Nirez.

Coisas que o tempo levou.

Edição sugerida pelo Barão do Pandeiro.

luciano hortencio.

HORA DO RANGO: BARRO APRESENTA FOLCLORE PERNAMBUCANO, POP E POESIA

Agosto 22, 2019
REVELAÇÃO
Artista que “faz discos à moda antiga” é o convidado do programa “Hora do Rango” desta quinta-feira, a partir do meio-dia
    
DIVULGAÇÃO

Depois de ter o disco de estreia apontado como um dos melhores de 2016, Barro apresenta o segundo álbum, “Somos”

 

 

São Paulo – O cantor pernambucano Barro é o convidado do programa Hora do Rango desta quinta-feira (21), a partir do meio-dia, na Rádio Brasil Atual. Depois do álbum de estreia, Miocardio (2016), citado, na ocasião, em diversas listas como um dos melhores do ano, o cantor, compositor e instrumentista lançou, em 2018, o segundo disco, intitulado Somos.

Barro gosta de dizer que “faz discos à moda antiga”, por se propor a contar uma história, embora não renegue a importância da tecnologia e das redes sociais no processo de criação, distribuição e consumo do seu trabalho. O último álbum tem 10 faixas, cinco compostas por ele e as outras tendo como parceiros Rogério Samico, DJ Negralha, Jéssica Caitano e Luiz Gabriel Lopes, além dos co-produtores e músicos Ricardo Fraga (bateria) e Guilherme Assis (baixo), que completam o trio.

“Eu fui um menino que ouvia muito rádio, e gostava de rádio popular. Era um período em que se tocava coisas exclusivas, havia lançamentos, e tudo isso era muito marcante”, relembra Barro, nascido Filipe Barros. “E meu pai é muito musical, sempre me apresentou coisas, desde a trilha de Baile do Menino Deus até Quinteto Violado, Banda de Pau e Corda, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga… E sobretudo Alceu, quase uma religião lá em casa. Meu pai também fazia algo bem interessante quando contava histórias à noite: ele colocava uma trilha pra rolar, em vinil ou fita-cassete, e ia criando em cima dessa trilha. Se a música fosse mais agitada, a história também seguia esse caminho. Era quase como um improviso sonoro, em que o estímulo do arranjo ia construindo e modificando o rumo da trama. E isso me deu um gosto muito grande de perceber essa parte mais emocional e afetiva que a música traz”, explica o “cantautor”.

Em Somos, a música Seja Você, feita em parceria com Hélder Lopes, abre o álbum com um ouvido nos sons do mundo e outro na tradição do coco de roda. “Eu queria falar sobre processos coletivos. Do que se cria a partir do que não é individual”, explica Barro. “Dentro dessa dimensão, falo dos encontros, de como as relações se tecem, o que eu vejo do outro, o que se constrói junto.” 

Já na faixa Cavalo Marinho, com participação da viola de Hugo Linns, o artista pernambucano eletrifica um dos folguedos mais tradicionais da cultura de seu estado, misturando o seu olhar sobre essa manifestação com citações e trechos de toadas que povoam a memória afetiva. “A ideia de conexão está sempre presente. Falo de coisas locais, mas com uma abordagem mais hip hop, por exemplo. A atmosfera é essa”, destaca.

O programa

Hora do Rango, apresentado por Colibri Vitta e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), recebe ao vivo, de segunda a sexta-feira, ao meio-dia, sempre um convidado diferente com algo de novo, inusitado ou histórico para dizer e cantar. Os melhores momentos da semana são compilados e reapresentados aos sábados e domingos, no mesmo horário.

“NÕ POSSO CALAR DIANTE DA BARBARIDADE”, DIZ ARTISTA PLÁSTICO ELIFAS ANDREATO

Agosto 21, 2019

CULTURA

Capista de discos emblemáticos na época da ditadura, Andreato terá obra exposta no museu Afro Brasil

Juca Guimarães

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Agosto de 2019.

Ouça o áudio:

 

 

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O artista Elifas Andreato encara a arte como um instrumento de luta pela liberdade - Créditos: Foto: Arquivo Pessoal
O artista Elifas Andreato encara a arte como um instrumento de luta pela liberdade / Foto: Arquivo Pessoal

Nas últimas cinco décadas, Elifas Andreato, de 71 anos, tem sido um polímata das artes e da luta pela liberdade e pela democracia no Brasil. Na definição clássica, polímata é a pessoa que atua com excelência em diversas áreas e que acumula grande conhecimento. Assim é Elifas, que produz cartazes, capas de discos, cenografias para o teatro, quadros, livros infantis, esculturas e compõe músicas.

As mais de 300 capas produzidas por Andreato nas décadas de 1970 e 1980 marcaram a resistência da cultura ao autoritarismo e à repressão. Nas suas próprias palavras, Elifas define suas capas como interpretações do conteúdo musical e um convite para se ouvir os álbuns. 

Na imprensa de resistência à ditadura militar, ajudou a fundar o semanário Opinião, do empresário Fernando Gasparian, e também participou das publicações Movimento e Argumento, enfrentando a censura da “direita burra”. “Qualquer conhecimento que não é ‘deles’ é coisa de inimigo”, afirma.

Em 1977, o cartaz feito por Andreato para a peça “Morte Sem Sepultura”, dirigida por Fernando Peixoto sobre a obra de Jean-Paul Sartre, foi proibido pela censura porque retratava uma cena de tortura em um pau-de-arara. O artista entende que, com o atual governo, o Brasil está retornando para “um estágio de civilização inacreditável” em que figuram como inimigos “o saber, o conhecimento, a luta pelo avanço social para melhor distribuição de renda”.

Seu trabalho é tema da mostra “A Arte de Elifas Andreato na Música Brasileira – Um tributo à Clementina de Jesus”, no Museu Afro Brasil. Entre outras obras, estão expostas capas de discos de Chico Buarque, Vinicius de Moraes, Paulinho da  Viola, Gonzaguinha, Clara Nunes, Milton Nascimento, João Bosco, Elis Regina, Gilberto Gil, Criolo, entre outros que tanto desafiaram a censura.  

Para o artista, trata-se de uma oportunidade para expor aquela que considera ser sua obra-prima, o desenho original da Clementina de Jesus, que estava guardado em uma coleção particular no Sul do país. Outros originais nunca expostos fazem parte da mostra.

Confira trechos da entrevista exclusiva para o Brasil de Fato. O museu Afro Brasil fica no parque do Ibirapuera, na zona Sul de São Paulo, com acesso pelo portão 10. A exposição abre no dia 20 de agosto, às 19h, com a presença de Elifas, Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Rappin Hood.

Ilustração de 1979 foi chamada de “Mona Lisa Brasileira” pelo poeta Hermínio Bello e será exposta pela primeira vez (Imagem: Reprodução/Elifas Andreato)

Brasil de Fato: Como foi que você passou de diretor de arte da Editora Abril para capista de discos?

Elifas Andreato: Em 1970, eu fiz o projeto da série em fascículos chamada “História da Música Brasileira”, da Abril Cultural, que vinha com um LP de oito faixas. Comecei ali fazendo um trabalho gráfico que, para a época, era inovador.  

Você trabalhava para a Abril, mas também atuava na imprensa alternativa com o semanário Opinião, criticando o regime militar. Como foi isso?

Essa dupla personalidade, ou dupla identidade, incomodava a Abril porque eu era o diretor diretor de arte da Abril Cultural toda, em 1972. Então eu tive que optar. Deixei a Abril e fui fazer o Opinião lá no Rio, deixei a Abril, e fui fazer a minha carreira, ilustrar livros, cartazes de peças e, paralelamente, fazia a capa de discos de grandes artistas da minha geração e me tornei uma espécie de intérprete do conteúdo musical.  

Você continua produzindo em diversas áreas e fazendo capas de discos?

Até hoje eu faço isso. Eu continuo ilustrando livro, continuo fazendo cartazes para teatro, mas é a música que aparece mais. Fiz recentemente capas para o Criolo, para a Fabiana Cozza, Tom Zé, Chico Teixeira e muitos outros. Faço isso quase que semanalmente.

Como era trabalhar na imprensa alternativa durante a ditadura?

Era divertido porque a direita sempre foi muito burra, embora ela seja coesa e a esquerda nem sempre é. Era burra. A gente se divertia. Mas também sofria. A censura funcionava dentro da redação. Muitas vezes você preparava uma capa e ela era vetada ou uma ilustração era vetada. Era um momento muito difícil e nós estamos caminhando para a mesma coisa agora. Qualquer conhecimento que não é “deles” é coisa de inimigo. 

Você trabalhou em outras publicações contra o regime militar?

Quando a gente se separou do Fernando Gasparian [dono do Opinião], no Rio, viemos fazer em São Paulo o jornal Movimento e eu também participei da revista Argumento que foi proibida de circular no seu número quatro.

Naquela época, anos 1970, a classe média se situava no apoio ou na indiferença frente à ditadura?

A classe média sempre foi o que foi. Não tem jeito. São esses que batem panela e vestem a camisa do Brasil. Não sabem o que está acontecendo. Têm uma tendência ao fascismo e à verdade absoluta. É cega e extremamente excludente nas suas manifestações. Elege sempre os mesmos inimigos: o saber, o conhecimento, a luta pelo avanço social para melhor distribuição de renda. Isso incomoda essa casta miserável de abastados e incomoda a classe média.

Qual o episódio mais contundente de censura que você enfrentou na ditadura?

Eu participei de Morte Sem Sepultura, que é um texto emblemático, e a censura recolheu o cartaz porque eu tinha feito uma cena de pau-de-arara com a resistência francesa atrás. A minha defesa [pela liberação da obra] é que se tratava de uma cena da Segunda Guerra, na França. Mas o militar que foi tirar o cartaz disse que “pau-de-arara” era uma invenção brasileira, uma ‘coisa nossa’, e recolheu o cartaz.

E a repressão foi só aumentando. Você teve que atuar na clandestinidade também?

Durante muito tempo eu fiz, clandestinamente, o jornal Libertação, da Ação Popular (AP), fiz o Livro Negro da Ditadura Militar. Fui perseguido, mas o meu engajamento nunca foi partidário. Eu lutei por liberdade, por liberdade de imprensa, por liberdade de opinião, de comportamento. Eu acho que o papel que o artista desempenha é o compromisso com a arte. Claro, que você escolhe um lado. O lado que eu escolhi foi trabalhar contra a opressão e contra a censura. 

 

Ainda hoje existe censura. Como você reage a isso?

Eu não posso ficar calado diante da barbaridade que ouvimos todos os dias. São coisas surreais que não fazem sentido para a lógica. Falta compromisso com a verdade. Eles [o governo] estão tentando reescrever uma história da maneira deles. Era uma luta também do regime militar. Eu fiz um grande painel [A Verdade Ainda que Tardia, 2012] que a Câmara retirou, em 2015, que denunciava a barbárie da tortura no regime militar. Era um painel de seis por dois metros que estava no anexo dois da Câmara.  

Qual a avaliação que você faz do atual governo?

Estamos regredindo absurdamente. Estamos voltando para um estágio de civilização inacreditável. Quando o saber é inimigo do Estado é porque a situação está muito pior do que se imaginava que fosse ser.

A sua obra é tema de uma exposição no Museu AfroBrasil. Qual o ponto alto dessa mostra?

A curadoria é do Emanuel Araújo, que é o criador e diretor do museu, ele fez uma escolha de trabalhos meus, mas o fato que importa mesmo é expor o original, que completa agora 40 anos, do retrato que fiz para a Clementina de Jesus. A minha intenção quando sugeri ao museu que trouxesse de Curitiba, do acervo de uma família que tem boa parte da minha obra, era para mostrar este retrato que o poeta Hermínio Bello de Carvalho chama de a “Mona Lisa” brasileira. E aquilo estava escondido lá, quarenta anos é um bocado de tempo. E esse desenho é o melhor retrato que eu fiz.

Capa do disco Rosa do Povo, lançado em 1976 (Imagem: Reprodução/Elifas Andreato)

Edição: Rodrigo Chagas

ARTISTAS DO RN CRIAM MOVIMENTO PARA DENUNCIAR FASCISMO

Agosto 21, 2019

POLÍTICA

Apaf promove intervenções em shows, se posiciona politicamente e organiza diálogos com a população

Kennet Anderson

Brasil de Fato | Natal (RN)

20 de Agosto de 2019.

Banda Born to Freedom, integrante do Apaf - Créditos: Cedida
Banda Born to Freedom, integrante do Apaf / Cedida

Desde novembro de 2018, artistas do Rio Grande do Norte passaram a organizar um movimento de resistência e denúncia aos diversos ataques sociais que, na época, estavam por vir com o Governo Bolsonaro, após os resultados das eleições. São músicos, bandas, produtores, tatuadores, grafiteiros, escritores, ilustradores, entre outros artistas independentes, que compõem o movimento dos Artistas Potiguares Antifascismo (Apaf). 

O principal motivo de se criar tal movimento, segundo o vocalista da banda Born to Freedom e integrante do Apaf, Shilton Roque, foi a identificação de atitudes consideradas fascistas, por políticos e cidadãos, trazendo à tona a necessidade de artistas da cena “underground”, a alternativa que foge dos padrões comerciais, de se posicionarem politicamente, o que não ocorria com muita frequência.

“Já no período eleitoral, a gente conseguiu identificar algumas bandas que não estavam querendo se posicionar, ou se posicionavam de uma maneira muito contraditória. Ou então organizadores de eventos defendiam a candidatura do Bolsonaro e assumiam os discursos dele. Para nós, é uma contradição muito grande uma banda com discurso politizado, ou que vive num cenário que vive essa politização, fazer parte desses eventos ou gerar dinheiro para esses organizadores”, explica.

A partir de um evento a nível nacional, o “Hardcore contra o Fascismo”, integrantes de algumas bandas potiguares começaram a afinar diálogos em torno do assunto e, após a edição do evento em Natal, se formalizou o movimento. 

“Antes das eleições a gente já começou a perceber que estava rolando um conservadorismo muito grande no underground, por parte de produtores e bandas, com posturas conservadoras e de direita. Isso é uma tremenda contradição no underground, que é um recorte da música, que sofre com a degradação do trabalho e do investimento em cultura”, afirma Alex Duarte, produtor cultural e membro da banda Sun of a Witch.

Duarte explica que, embora haja eventos com a intenção de “denúncia” e “conscientização”, a existência da Apaf, por si só, já leva as bandas a provocarem, independentemente, intervenções nos shows que elas participam, através do discurso, diálogo, ou da bandeira do movimento. “A ideia é justamente essa: em todos os eventos, fazer algum tipo de intervenção, para mostrar que nós, como artistas, também estamos nessa luta para frear essa degradação do Governo Bolsonaro”.

Posicionamento e prática

Com reuniões realizadas quinzenalmente no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), a Apaf se propõe a atuar, além do posicionamento político, com a realização constante de eventos que possam esclarecer o porquê de os artistas estarem se organizando em volta de uma causa política. Além de formações como a de lambe político, marxismo, rima e teatro do oprimido, há também eventos que promovem o diálogo através de serviços básicos à população.

“Houve uma intervenção no Passo da Pátria [comunidade de Natal], que a Apaf levou o Cras [Centro de Referência de Assistência Social], justamente para conversar com o pessoal, explicar como vão ser as mudanças com a reforma da Previdência, com a reforma trabalhista, privatizações e cortes na educação. Isto é, causar uma conscientização através daquilo que liga mais eles: as pautas da classe trabalhadora”, explica Duarte.

Além disso, por ser um movimento de artistas, o Apaf se divide em comissões que tentam abranger diversos temas diferentes, como a questão feminina dentro do ambiente cultural. De acordo com a ilustradora potiguar Ana Clara Monteiro, por mais que o antifascismo seja uma luta que todos concordam, ainda existe, consciente ou não, uma dominância do homem na mulher.

“A indústria musical, principalmente, – já que o grupo é formado, em sua maioria, por músicos – ainda carrega muitos estigmas que precisam ser vendidos. O corpo e a imagem da mulher é algo rentável. Quando a gente fala de mulher no underground ainda existem barreiras a serem quebradas, porque até nesse espaço nós somos sexualizadas, fetichizadas e tratadas como objetos”, ressalta.

Ainda segundo ela, a intenção de se ter um movimento de mulheres dentro do Apaf é também promover uma maior participação feminina politicamente, seja por musicistas mulheres que, muitas vezes, são tratadas como se não fossem capazes de compor, cantar ou tocar; ou até por ilustradores, como ocorre em sua área, em que as mulheres têm sua arte questionada.

“Eu acho que a Apaf, e todos os grupos de política, deveria ter mais mulheres porque elas não são estimuladas a estarem e participaram da política. Muitas chegam hoje e pensam que política é partido e só, mas não, é algo muito mais abrangente. O meu apelo é que de fato a gente comece a pensar, a participar e, de fato, ver qual o nosso papel na sociedade, como a gente pode ter um papel ativo enquanto cidadã”, completa.

Edição: Marcos Barbosa

ARTIGO | FILOSOFIA, POLÍTICA E LUTAS: 30 ANOS SEM RAUL SEIXAS

Agosto 21, 2019

MEMÓRIA

Em 1989, o Brasil vivia, após as lutas pela redemocratização, a expectativa por uma eleição presidencial

Daniel Barbosa*

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

21 de Agosto de 2019.

Raulzito nos ensina que é preciso "tentar outra vez" e que a "vitória não está perdida" - Créditos: Divulgação
Raulzito nos ensina que é preciso “tentar outra vez” e que a “vitória não está perdida” / Divulgação

Mil novecentos e oitenta e nove. O Brasil vivia, após as lutas pela redemocratização, a expectativa por uma eleição presidencial que culminou com a vitória de Collor de Mello, o presidente corrupto, que derrotou a Frente Brasil Popular, à época com Lula como candidato. 

No dia 21 de agosto daquele ano, morria em São Paulo, aos 44 anos, o cantor e compositor baiano Raul Seixas. Depois de 30 anos, suas músicas continuam atuais e em alguns aspectos surpreendem pela semelhança com a conjuntura difícil que estamos vivendo. 

Temos um presidente que simplesmente quer “alugar o Brasil”, e agora vivemos a necessidade de que nunca se vence uma guerra sozinho”. 

Raulzito nos ensina que é preciso “tentar outra vez” e que a “vitória não está perdida”. 

A construção de um outro mundo possível será concretizada quando “todo homem e toda mulher” conscientizar-se que é uma “estrela”. 

Viva os “que sonham em serem livres”, e viva Raul Seixas. 

 

*Daniel Barbosa é militante há 501 dias na Vigília Lula Livre. 

Edição: Pedro Carrano

A “GATA” FRANCINETH, POR AQUILES RIQUE REIS*

Agosto 20, 2019

Francineth Batuqueiros E Sua Gente

por Aquiles Rique Reis*

Está na praça o CD Francineth & Batuqueiros e Sua Gente (independente). Francineth Germano é um fenômeno. Há mais de vinte sem subir num palco, e muito menos gravar, essa mulher, do alto de seus 78 anos, canta total. Suas interpretações são dignas de uma grande dama do samba – como o foram, tempos atrás, Clementina de Jesus, a divina Elizeth Cardoso (que amadrinhou Francineth) e, recentemente, Dona Ivone Lara (outra que via Francineth como uma grande cantora).

Veterana, dos anos 1970 até os 1980 ela integrou o grupo As Gatas. Lembro-me bem, elas eram sempre arregimentadas para fazer coro em discos de inúmeros intérpretes. Identificadas como “coro qualificado” (uma honraria), suas vozes estão registradas em álbuns de grandes intérpretes da MPB.

Com dezesseis músicos de uma nova geração, a participação do Batuqueiros e Sua Gente é boa pra dedéu! Enquanto dá show, a rapaziada ampara o canto de Francineth. O que permite a ela demonstrar afinação impecável e voz poderosa. Suas divisões rítmicas são cheias de picardia. E sua respiração, fator de segurança para as interpretações… ora, Francineth é uma cantora e tanto!

Com direção musical de Gian Correa e Henrique Araújo, arranjos da moçada do Batuqueiros e as participações especiais de Nailor Proveta, João Camarero e Zeca Pagodinho, o CD abre com um lindo samba, “Império do Samba” (Zé da Zilda e Zilda do Zé). Ad libtum a intro deságua em Francineth cantando um trecho a capella, mas logo cai no samba. O suingue é doido.

Importante frisar que Francineth foi quem gravou a primeira composição de Dona Ivone Lara, “Amor Inesquecível”. Regravada, a faixa começa com a dama do samba reafirmando o fato e cobrindo Francineth de elogios. Junto com as percussões, o naipe de sopros carrega um toque mágico: Dona Ivone Lara está no samba que compôs e que a “gata” cantou e ainda hoje canta como poucos!

Outro momento admirável: Francineth cantando o samba-canção “Nossos Momentos” (Haroldo Barbosa e Luiz Reis). Um arranjo fino e sensível dá a Francineth a ventura de gravar o grande sucesso, renovando-o.

Outra música de Dona Ivone Lara, parceria com Délcio Carvalho, é “Nasci Pra Sonhar e Cantar”: que linda! Mais um arranjo adequado à beleza da música.

“Cambão” (Luiz Vieira): a intro vem com os sopros somados ao ritmo. O violão e o tamborim vêm com o canto. Por vezes o compasso desdobra, mas logo volta à levada inicial.

“Amor Infinito”, única composição de Francineth no CD, é uma parceria com Guilherme Lara. O cavaco chama a melodia. Logo o sete cordas se achega. À frente, todo o grupo do Batuqueiros se mostra. Nisso o sax pontua até chegar a um improviso no intermezzo. A levada lenta do samba é supimpa.

Enfim, Francineth & Batuqueiros e Sua Gente é um disco de sambas preciosos, cantados por uma grande cantora. Acompanhada por um grupo que exala qualidade nos arranjos, e em levadas plenas de energia e graça, a “gata” Francineth retoma sua trajetória musical. O samba agradece.

 

 


*Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4