Archive for Junho, 2015

SIMONE DE BEAUVOIR – UMA MULHER ATUAL, DOCUMENTÁRIO DE DOMINIQUE GROS

Junho 30, 2015

Simone-de-Beauvoir-e1429817976184A filósofa Simone de Beauvoir embora tenha sido o amor necessário de Jean Paul Sartre, segundo afirmação dele, não ficou presa a sua sombra já que o baixinho conseguiu ser o maior filósofo do século XX com influentes enunciados no pensamento atual.

Simone de Beauvoir é conhecida pela maioria das pessoas ligadas a filosofia ou não, por sua obra o Segundo Sexo editado em dois volumes que trata da condição biológica da mulher e de da condição ontológica. A mulher como um ser histórico.

Entretanto, além de escrever outras obras de valor literário inconteste como Os Mandarins, Todos Os Homens São Mortais, Quando o Espiritual Domina, A Convidada, Diário de Uma Moça Bem Comportada, entre artigos, roteiros, críticas teatrais, obras bibliográficas sobre suas atuações junto a Sartre, como A Força das Coisas, ela foi verdadeiramente uma mulher radicalmente engajada. Radical no sentido de ser a raiz, como diz Marx.

Foi a mais coerente e atuante militante do feminismo. Enquanto estava junto com Sartre viajando pelo mundo em contato com lideranças políticas, como ocorreu em Cuba, no pós-revolução, com Fidel Castro e Che, ela defendia a importância mulher para as transformações sociais. Não se nasce mulher, se faz mulher. Mulher e homem é uma questão cultural e como a cultura é patriarcal a mulher é oprimida. E muita delas conformadas e dependentes como as mulheres burguesas, pensou Simone.

Simone de Beauvoir que nasceu em 1908, três anos depois de Sartre, e se compôs substância caosmótica em 1986, teve parte de seus percursos documentados por Dominique Gros no ano de 2008, na obra cinematográfica, Simone de Beauvoir – Uma Mulher Atual.

Nesses tempos em que as mulheres se encontram em movimentação intensiva para produzir seus direitos, apesar dos misóginos, nada como assistir esse documentário da única filósofa verdadeiramente singular em relação ao movimento feminista. Existiram e existem outras mulheres, mas, dada a realidade histórica em que viveu, Simone Beauvoir toma essa condição. Embora a história seja um devir e cada ser atue nesse devir histórico.

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“NÃO TENHO MEDO DE MORRER. TENHO MEDO DE QUE ME ESQUEÇAM”, DISSE RAUL SEIXAS. ENTÃO, VAMOS CONTINUAR LEMBRANDO DELE

Junho 29, 2015

Uma temporalidade cronológica pontuada como idade e uma temporalidade experimentada, subjetivada como memória. Raul, não tinha medo de morrer, então não importa que tenha feito 70 anos pós-morte, 26 anos passados. Assim, como não importaria se ele tivesse parado seu canto aos 40 anos.

Quando Raul enuncia o medo de ser esquecido ele nos envia para dois entendimentos básicos. Um que ele tem medo da morte da memória dos outros e não dele. A memória que não lhe alcança mais, mesmo com as contrações das imagens lembranças como nos mostra o filósofo Bergson. Outro o elogio do sucesso promovido pela sociedade de consumo que ele mesmo combateu enunciando a sociedade alternativa.

Raul, tão esclarecido, pretendia que seus fãs não elaborassem o luto para continuar como memória viva. Um estado de melancolia decorrente de uma regressão a fase oral mais primitiva que segundo Freud não tem cura. Raul, era esclarecido, sabia que o tempo é intensivo e não é capturado pelo tempo cronológico e é essa intensidade que transformam imagens-lembranças-psicológicas em lembranças agradáveis. Lembrar sem sofrer. “Cacete, como Raul me toca! Bicho é como se ele ainda estivesse aqui conosco!” Isso é culto culposo do passado. Tudo que paralisa.

Como Raul era esclarecido, talvez ele pretendesse a lembrança agradável. Sem sofrimento, porque toda lembrança com sofrimento é dívida. E a arte não proporciona dívida de existir.

Por isso, vamos lembrar agradavelmente de Raul!

OXENTE, BICHIM! É MODO JUNINO INTÃO É FLÁVIO JOSÉ EM PATOS!

Junho 28, 2015

Ouvir e balançar o esqueleto! Não importa que tipo de esqueleto. Santo Antônio, São João e São Pedro. Não importa o santo. Não há milagre, há forró, meu bichim.

Vamos molhar a chinela e levantar poeira que ainda tem São Marçal.

 

NEIL YOUNG LANÇA O ÁLBUM “THE MONSANTO YEARS” UM MANIFESTO CONTRA MONSANTO EMPREA QUE ALTERA A GENÉTICA DAS SEMENTES

Junho 27, 2015

 

fd05c8b6-cecb-4858-9af0-4c024c7e806aDepois de anunciar que não vai fazer show em Israel, ao contrário dos folclóricos Caetano e Gil, o rebelde e engajado roqueiro canadense Neil Young, vai lançar na próxima segunda-feira, dia 29, seu álbum manifesto contra a empresa Monsanto que faz pesquisa de mutação genética nas sementes. Uma teratogênica experiência agrícola que produz agrotóxicos que envenenam os alimentos e contribui para a proliferação de diversas enfermidades no ser humano, inclusive o câncer.

Trata-se do lançamento do álbum The Monsanto Years que foi gravado com a Banda Promise of the Real ode tocam os filhos do maior ícone do country norte-americano Wille Nelson, os músicos Lukas e Micah Nelson. São nove canções onde uma também é um protesto contra a rede Starbucks que se aliou a Monsanto para combater uma lei do estado de Vermont que limitou o uso de transgênico.

Neil Young é um militante ambiental que não faz gênero para chamar atenção sobre como ocorre com muitos ecochatos que não são traspassado pelos corpus natureza-naturante. Ele pegou seu velho Lincoln Continental e adaptou-o para ser movido a etanol e lhe concedeu o nome de Linc Volt. Resultado: vai ser transformado em tema de um documentário.

BRINCANDO NO ARRAIÁ NA TV BRASIL

Junho 27, 2015

brincando_no_arraia_01_credito_rodrigo_ricardo_1Olha lá, moçada! É quadra junina não tem como escapar. É tacacá, quentão, tapioca, bolo de macaxeira, pamonha, cangica, quebra-queixo, vatapá, mungunzá, cachaça, pipoca e outras guloseimas mais de acordo com cada região. Quem pode participar de uma festa como quadrilhas, bumba-meu-boi e outras típicas da quadra junina participa. Ou então, improvisa em casa mesmo junto com os amigos e familiares.

Agora, aqueles que nem podem participar de uma festa composta em quadrilha e bumba-meu-boi e nem com familiares e amigos não vão ficar fora da alegria da quadra junina. A TV Brasil, a única TV que tem uma grade de programação composta pelos sentidos da comunicação ética, serviço público e disciplina cívica, vai apresentar a partir das 12h30 de domingo o programa Brincando no Arraiá, apresentado por Suzana Nascimento que a apresentadora do programa Janela Janelinha.

Não há como ficar de fora da alegria da quadra junina. Uma simples pipoca já acompanha a festa Brincando no Arraiá.

VIRADA FEMINISTA – A CULTURA DAS MULHERES MUDA O MUNDO

Junho 26, 2015

6e2caa2f-bdc2-43e2-a327-223f6754613fEntre os dias 4 e 5 de julho, o Centro Cultural da Juventude, na zona norte da cidade de São Paulo, estará movimentando a área. Trata-se da Virada Feminista – A Cultura das Mulheres Muda o Mundo. Um evento composto por shows musicais que importantes estrelas da música brasileira, filmes dirigidos por mulheres, rodas de diálogos e oficinas.

A virada tem como objetivo aproximar as mulheres engajadas nas formas de expressões artísticas, afetivas e intelectuais para criarem espaços para suas dimensões como personagens históricos na construção do mundo. Para isso contam como variadas formas de expressividades como a dança brasileira, o grafite, batucada, yoga, skate, hora ecológica, teatro de rua, literatura, resistência, conferências sobre anticoncepcionais e alternativas à medicação, fotografias como memória feminina entre outas formas de criação. 

Entre as artistas que participarão da virada encontram-se as rappers Yzalú, MC Luana Hansen, as cantoras Joana Duah, Nô Stopa. Izzy Gordon, Bloody Mary Uma Chica Band, Semente Crioula, Flaira Ferro e Kuiza Lian. Entre os curtas-metragens e os longas-metragens dirigidos por mulheres será exibido Tão Longe é Aqui, da cineasta Eliza Capai. O filme é narrado através de uma carta endereçada à filha cujo conteúdo mostra os encontros com várias mulheres da África. 

“Pensamos neste evento não só para difundir a arte produzida pelas mulheres, mas para mostrar que este é um instrumento para fortalecer o feminismo e para comunicar as pautas feministas”, disse Helena Zeliz, uma das coordenadoras.

Quem pode ir deve ir! Até misógino. Quem sabe ele não aprende sobre a liberdade e a grandeza das mulheres e diminua seu ódio contra as mulheres por ter sido uma criança que não conseguiu criar a imago de uma mãe boa para si. Daí o seu ódio contra as mulheres que para eles representam a falta da mãe-amiga. Cruel fantasma do abandono que escolhe as mulheres como suas vítimas.

AGORA QUE OS COXINHAS VÃO EXPELIR MAIS COLESTEROL! A EDITORA BOITEMPO VAI PROMOVER CURSO SOBRE MARX E ENGELS NA PERIFERIA DE SÃO PAULO

Junho 25, 2015

 

0473883f-3a7a-4c64-94c8-b6401ffdddbcNos desfiles nazifascistas promovidos pelos coxinhas de São Paulo havia toda forma grotesca de irracionalidade usada como expressão de quem nem precisa se expressar por ser tão óbvia. Formas delirantes lançadas como bumerangue: em direção a Dilma com volta sobre os próprios coxinhas.

Entre esses delírios havia os que pediam a volta da ditadura militar e a condenação do método do educador transformador Paulo Freire: A Pedagogia do Oprimido. Os cartazes afirmavam que Paulo Freire era marxista. Lógico que os que afirmavam mostravam que não tinham nunca lido Marx. Por dois evidentes motivos: não sabem quem é Marx, e não tem elementos epistemológicos para entendê-lo. 

Agora, a forma se obscureceu, a linha tremeu e o plano ficou mais vazio para os coixinhas. A Editora Boitempo em parceria com a Secretaria de Cultura de São Paulo, do prefeito Fernando Haddad vai promover na periferia cursos de introdução as obras e vidas de Karl Marx e Friedrich Engels. Colesterol vai espirrar.

Com data marcada para os meses de setembro e outubro o primeiro encontro se dará no Centro Cultural da Juventude da Zona Norte. Para realização da singular iniciativa estão convidados os intelectuais, o cineasta Felipe Bragança, a socióloga Silvia Viana e o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o filósofo Guilherme Buolos.

A Editora Boitempo que realiza seus 20 anos de grande difusão cognitiva e afetiva ao publicar autores e autoras singulares que escapam da segmentaridade dura da expressão burguesa dominante, já realizou um seminário com personalidades nacionais e internacionais com o tema fundamental para a pós-modernidade: Cidades Rebeldes.

“A editora está organizando uma série de eventos no segundo semestre para comemorar seus 20 anos e um dos planos é organizar uma nova edição do Curso Marx e Engels, junto com a Secretaria Municipal de Cultura.

Muitas vezes pensamos no que não queremos, mas pensar o que queremos concretamente, pensar utopias e uma cidade construída por afirmações é um grande desafio e esses eventos vão no sentido de responder a esse desafio.

Temos o entendimento que organizar eventos inclusivo, democráticos e agregadores é importante para promover o pensamento crítico, sobretudo porque é uma forma de ocupar o espaço público”, observou Kim Doria, representante da editora.

O evento toca dolorosamente nos coxinhas e excita suas invejas e ódios que lhes deixam mais inferiorizados. E o pior, para eles, é que colesterol de coxinha não serve para reciclar.

VIVA O VINIL! SIVUCA & ROSINHA DE VALENÇA

Junho 24, 2015

P1010217Estamos no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, participando da gravação, ao vivo, da bolacha-crioula de Sivuca & Rosinha de Valença. Saca o ano, 1977. É mole? Claro que não. Estamos na ditadura. O jornalista Vladimir Herzog acabou de ser assassinado nos porões do Doi-Codi. Ele foi entregue, dedurado, pelo ex-presidente da CBF, José Maria Marin, então deputado de São Paulo, agora, preso pelo FBI por corrupção.

P1010219É quadra junina! É momento de corte no calendário burocrático! É tempo de festa! Depois das bolachas-crioulas das quadrilhas e o bumba-meu-boi do Maranhão, agora o Viva o Vinil apresenta o mestre dos teclados Sivuca e sua companheira, afinadíssima instrumentalista, Rosinha de Valença. Uma dupla só no número, mas, na verdade, um devir-música.

P1010220 P1010221Daí que essa bolacha-crioula tem dois seguimentos históricos que a tornam joia raríssima. Um a gravação ao vivo de dois devires da música brasileira, Sivuca & Rosinha Valença. Dois a singularidade do espetáculo: das Seis e Meia. O que era o espetáculo das Seis e Meia? Simples! Uma novidade de território para que artistas tivessem condição de ter mais uma opção para apresentar suas artes.

P1010226 P1010227 O espetáculo Seis e Meia era o momento em que o público que voltava para casa depois do trampo usava para esperar diminuir a congestionamento causado pelos milhares de automóveis nesse horário. Um achado para os artistas. O funcionário público deixava o trampo e ia relaxar no Teatro João Caetano. E com Sivuca e Rosinha Valença o relax envolvia e mente e o corpo.

Vai uma Feira de Mangaio do devir-musical? Ó,Sô, é pra ‘gora’! Quer voar? Claro, mano! Então, te segura na Asa Branca, de Gonzagão e Humberto Teixeira! Quer um adeus? Se quero, ‘cumpade! Mas pra ficar. Então, fica com Adeus, Maria Fulô, de Humberto Teixeira e Sivuca.

A equipe de produção do Show Seis e Meia só tinha fera envolvida com o cancioneiro brasileiro. E nesse show de Sivuca & Rosinha de Valença se destacam Sérgio Cabral como diretor de estúdio, Albino Pinheiro como coordenador musical do show, Durvla Ferreira, diretor artístico; Luiz Carlos T. Reis e Solon do Vale, na equipe externa de gravação; Nestor Vitiritti, na mixagem; José Oswaldo Martins e Pedro Fontanari, no corte; Ney Távora, diretor de arte; e Ivan Klingen, fotografia.

P1010225 P1010224Além, é claro, das participações especiais das feras Luiz Carlos, bateria; Jamil Joanes, contrabaixo; Darcy, percussão; e Raul Mascarenhas, flauta e sax tenor.

A apresentação do show e da bolacha-crioula é de Sérgio Cabral.

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FRANKLIN MARTINS, SINGULAR E ENGAJADO JORNALISTA, LANÇA LIVRO QUE MOSTRA QUE A MÚSICA “QUEM FOI QUE INVENTOU O BRASIL”.

Junho 23, 2015

e2d98028-6eec-4665-8329-01f98a409d10Franklin Martins é daqueles jornalistas singulares difícil de encontra no Brasil dominado por analfabetos-profissionais midiáticos submissos as grandes corporações da comunicação que representam e defendem o capitalismo de mercado. A ditadura da comunicação calculista que só calcula o domínio do capital sobre a informação necessária para a criação da democracia real. Entre esses corpos-monopolistas encontram-se a Rede Globo articulada com os jornais Folha de São Paulo, Estadão e o Globo, além das revistas Veja, Época e IstoÉ. Orquestra reacionária sempre em atuação prospectando o fim dos governos populares como de Lula e Dilma. Franklin Martins é odiado por essas mídias, principalmente pela Rede Globo por ser ele um defensor da democratização da comunicação tudo que a Rede Globo não quer para continuar mantendo o monopólio.

Articulista, romancista, crítico e ex-ministra das Comunicações do governo Lula, além de, no tempo da ditadura civil-militar, ter sido preso por suas posições contrarias ao regime de exceção, ele realizou um profundo estudo sobre a música brasileira que vem desde o ano 1902 até os dias atuais onde a música aparece como reflexo da realidade política do Brasil.

slideriii1-1000x500A pesquisa começou em 1997 tomando maior folego a partir de 2000. Para ele o livro é uma grande reportagem. Na verdade, um trabalho jornalístico já que o autor não é músico e muito menos historiador. Franklin Martins, todavia, afirma que foi a política quem emprestou o espírito para a criação da obra.

“Eu o definiria como uma grande reportagem. Eu não sou um musicólogo, eu não sou um historiador, não sou um especialista em música, não troco nenhum instrumento, embora goste muito de música. Fui criado num ambiente com forte presença da música. Sou filho da luta contra a ditadura militar e resistência cultural fez parte dessa luta. Na minha adolescência eu estava ouvindo samba, MPB, indo a shows.

A motivação principal, então, veio da política, não da música. Tanto que comecei a fazer isso num site sobre política, mas a música tem uma dimensão própria, que eu procurei mostrar. Ela não é mero reflexo da política, é fruto também da dinâmica da produção cultural. Não se trata de música engajada. A música brasileira geralmente não é engajada, no sentido de ser uma atividade militante, embora em alguns momentos tenha assumido essa natureza.

Ela é muito mais expressão de algo interessantíssimo: desde o início a música popular no Brasil vai se embicando no sentido de produzir uma crônica da vida brasileira. Uma crônica em todos os sentidos: cultural, comportamental, econômico e também político”, mostrou o jornalista.

O livro “Quem Foi Que Inventou o Brasil”, uma trilogia, é uma publicação da Editora Nova Fronteira. A obra possibilita ao leitor não somente entrar em contato com os movimentos musicais que marcaram épocas, mas também conhecer fatos da história brasileira que os livros escolares não mostram.

EXPOSIÇÃO MULHERES ARTISTAS: AS PIONEIRAS (1880-1930)

Junho 22, 2015

tarsilaok80716Até o dia 6 de setembro a Pinacoteca de São Paulo estará exibindo a exposição Mulheres Artistas: As Pioneiras (1880-1930). Serão mais de 50 obras entre pinturas, desenhos, esboços e esculturas, algumas inéditas. Da exposição pode ser inferido como essas mulheres artistas construíram suas participações em um mundo eminentemente masculino. É possível perceber, por exemplo, que estas primeiras mulheres artistas não tinham intenção, em suas primeiras, de criar um estilo propriamente feminino, mas entrar no sistema dominado pelos homens.

As obras que o público poderá apreciar são das artistas Anita Malfatti, Beatriz Pompeu de Camargo, Tarsila Amaral, Abigail de Andrade, ganhadora da primeira medalha de ouro na 26ª Exposição Geral de Belas Artes, em 1888; e Julieta de França, escultora pioneira a ganhar, como prêmio, uma viagem ao exterior, fato ocorrido em 1900.

“O sistema artístico acadêmico no Brasil foi implantado com base no modelo francês, que chegou ao Brasil em 1816, mas só foi implantado em 1826. Esse sistema não previa as mulheres como parte do corpo discente porque era considerado completamente inapropriado para o sexo feminino o acesso ao estudo do modelo vivo, uma etapa central da formação dos artistas.

As mulheres vão acessar esse tipo de formação muito tardiamente. No Brasil, a academia passa a aceitar as mulheres como membros a partir de 1892. Na França, só em 1897, ou seja, muito tardiamente.

coeur-meurtri-c-1913-de-nicota-bayeux-oleo-sobre-tela-87-x-67-cm-acervo-da-pinacoteca-do-estado-de-sao-paulo-1434132898004_615x300Não bastava ter a lei que permitia que elas pudessem frequentar a instituição. Imagine o que era, em 1900, uma mulher acessar um modelo vivo. Tem cartas da época que relatam que os pais não permitiam que elas frequentassem essas aulas até porque muitas eram ministradas no período noturno e isso considerado inapropriado principalmente para mulheres de elite ou das classes mais altas.

Uma coisa era a mulher a aprender a recitar poesia, mas ficar dentro de casa. Outra coisa era transcender o espaço doméstico, que era visto como o espaço das mulheres por excelência, e mandar sua sobras para uma exposição pública e se mostrar de forma pública. Sair do espaço privado e se profissionalizar era quebrar um tabu naquela época.

Nessa primeira geração de artistas profissionais o que se almeja é justamente ingressar no sistema e dominar aquele vocabulário ou conjunto de regras que só era acessível para os homens. Essa é a grande conquista: aprender uma linguagem em um sistema que até então as excluía”, analisou Ana Cavalcanti Simioni, umas das curadoras da exposição.