Archive for the ‘Arte de Rua’ Category

BANDINHA DO OUTRO LADO FAZ FESTA MOSTRANDO QUE É NETA SINGULAR-ORIGINAL DE DIONÍSIO

Fevereiro 28, 2017

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Entre os vários vetores fluxos mutantes e quantas desterritorializantes da Associação Filosofia Itinerante (Afin) que agenciam há mais de 14 anos em Manaus produções-moventes como corpos de novas formas de existir, sentir, ver, ouvir e pensar, a Bandinha do Outro Lado é festa singular e original da potência dionisíaca.

p1090569p1090574p1090576p1090577p1090581p1090584p1090589p1090590p1090599p1090600A Bandinha do Outro Lado se imbricou como corpo dionisíaco há nove anos na Rua Jaú do Bairro Novo Aleixo, zona Leste de Manaus. Uma das muitas regiões populacionais desassistidas pelos governos reacionários que se apossaram do estado do Amazonas e da capital Manaus. Na linguagem politicofastra (linguagem do falso político, o tagarela do Legislativo, Executivo e Judiciário, corpos alienados da democracia), é um curral eleitoral onde esses personagens exploradores da miséria do povo, que eles mesmos fomentam, conseguem suas eleições, reeleições constantes.

Desde sua inicial apresentação nas ruas do bairro que a Bandinha do Outro Lado se atualiza como real através das próprias criações das crianças. Suas fantasias são concebidas e elaboradas por elas. Certo que com o auxilio de alguns moradores. Como Dona Antônia, por exemplo.

p1090602p1090604p1090609p1090622p1090627p1090640p1090652Como a Afin é um corpo comunalidade e sua atuação é sempre um processual coletivo, não seria coerente a Bandinha do Outro Lado, como expressão do personagem que forneceu corpos para a emergência do Teatro Grego, a Filosofia e a Política, que os moradores ficassem fora da composição festeira de seus netos.

p1090653p1090663p1090665p1090678Nesse carnaval, que apesar de Temer e seus cúmplices golpistas, a Bandinha do Outro Lado fez sua festa em outra zona abandonada pelos exploradores governantes: Bairro Nova Cidade, que de novo só tem o nome: segue a antiga violência administrativa de outras zonas que não têm seus direitos urbanos garantidos. Fica no extremo de Manaus. Agora, a Bandinha do Outro Lado se apresenta na última rua, número 72, do bairro no limiar da mata, fronteira com um cemitério indígena. Porém, a potência dionisíaca-contínua segue a movimentação intensiva da poieses.

p1090686p1090690p1090691p1090697p1090702p1090723p1090742p1090749p1090757p1090761Aqui a letra desse ano do carnaval da Bandinha do Outro Lado. Carnaval que vibrou por todo Brasil em um uníssimo Fora Temer! Para o bem da Democracia!

     A Bandinha do Outro Lado está na Nova Cidade Ô, Ô,Ô

     Veio lá do Novo Aleixo com sua festa vontade Ô,Ô

     Para fazer o carnaval Dionísio da criança

     Por isso, ninguém vai ficar fora da dança.

     “Corre, corre lambretinha”,” se a canoa não virar”,

     “Eu vou pra Maracangalha” “abre alas que eu quero passar”

     “Viva o Zé Pereira, viva o carnaval,

      Viva o Zé Pereira que a ninguém faz mal”.

     Vejam algumas imagens dionisíacas.

  Vejam um breve vídeo. 

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A LITERATURA VARIANTE DO POETA E ESCRITOR JOE MAIA QUE DESLOCA APOLÍNEAS LINHAS PELAS RUAS DE MANAUS

Maio 25, 2016

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Tudo que escapa do estabelecido, determinado, modelado, serializado e registrado, escapa em si mesmo como variante desses estados de coisas que se querem proprietários e dirigentes de tudo para controlá-lo. Toda variante, ao escapar desse estado de coisa, segrega novos devires-signos, que além de abalar o que se encontra estabelecido como valor-verdade, deixa rastros estéticos-inquietantes.

P1010768 P1010766 P1010765 P1010769Essa literatura variante, como outras artes-variantes, é classificada, erradamente, pelo sistema de captura do capitalismo duplamente como marginal. Uma como uma literatura que não pode circular no centro da literatura capitalizada dominada pelas editoras da ‘literatura’ comercial. A ‘literatura’ do escritor de encomenda que impede, como afirma o filósofo Deleuze, de emergir um Kafka, um D. Laurence, visto ser uma ‘literatura’ cuja estrutura linguística encontra-se capturada pela semiótica capitalística sobrecodificadora. Outra como literatura marginal, porque é uma literatura que reflete a classe social do escritor: um marginal. Alguém que não nada tem a oferecer ao sistema dominante. Aí sua marginalidade. Ou: o que se encontra na margem aí se encontra porque foi expurgado. Não serve para ‘enriquecer’ a sociedade da abundância como pede a sociedade de consumo capitalístico.

A literatura do escritor e poeta Joe Maia, se movimenta nesse segundo enunciado excludente do consumo capitalístico. O que é muito bom, já que se trata de uma literatura variante. A literatura que cria variável no muro da literatura cristalizada como mercadoria para uso de deleite-imóvel. Enquanto a literatura variante deleita, mas produz trepidação.

Esse Esquizofia apresenta duas criações de Joe Maia. Relatos de Um Poeta – Crônica e outros Poemas, publicado esse ano, e um zine, Tarrafeando Palavras – Alegoria de Cotidiano…, publicado em 2014. Além de apresentarmos o próprio escrito se auto-apresentando, também mostramos um de seus poemas. O trabalho é uma produção independente editado pela Coleção de Rua com direção de Jeovane Pereira com a revisão do próprio autor e o professor Márcio Santana. E ainda conta com as ilustrações de Klaryson Gurgel e Davidson Mourad.

P1010770 P1010771 P1010772 (2) Em Manaus, a literatura variante é bem expressiva. Pode-se encontrar obras de autores como Márcio Santana, Jeovane, Pereira, Marcos Nei, entre tantos. Ela, em função de sua singularidade, circula através de seus próprios autores que oferecem suas criações em bares, feiras, mercados, em portas de funerárias, supermercados, escolas, universidades, fábricas, todos os lugares onde se encontram o leitor. Agora, como os movimentos ecléticos-políticos, “Fora Temer”, os escritores participam das manifestações e aproveitam para oferecerem sua obras. Uma grande sacada, posto que a literatura é política.      

O ARTISTA EDUARDO KOBRA REALIZA INTERVENÇÕES EM SÃO PAULO COM SEUS MURAIS

Julho 16, 2015

eduardo_kobraEduardo Kobra é um artista singular. Ele, em condição itinerante, realiza várias intervenções por inúmeras cidades do mundo. Sua itinerância se compõe pelo movimento de seus murais que mostram um além do que as cidades apresentam na sua cotidianidade e que se materializa em olhar senso comum. Um senso comum que impede a observação que se esconde na objetividade estabelecida como necessária e imutável. Daí que suas intervenções através de seus murais tende a revelação de conteúdos e expressões que os olhos capturados pelo objeto estruturado deixam oculto.

Eduardo Kobra com seu projeto São Paulo: Uma Cidade Capturada procura mostrar a São Paulo oculta. Nisso a importância de suas intervenções sociais sobre a cidade levar o público a produzir reflexões sobre a metrópole. Um retrato de Oscar Niemeyer no começo da Avenida Paulista. A câmara do celular apontada para o painel. Obras de Niemeyer ocultas no retrato se mostram à tela em imagens tridimensionais.

Durante sua intervenção na Cracolandia ele expôs nove quadros com personagens que têm seus nomes ligados à paz mundial. Convidou 40 frequentadores do recinto para compor um painel. Não deu outra: o painel colaborativo tornou-se mais uma obra de intervenção. Um dos participantes foi Marcos, ex-dependente químico e ex-morador da Cracolandia e, agora, membro da equipe de Eduardo Kobra.

eduardo_kobra.jpg_2Hoje, Kobra, vai até a Favela de Paraisópolis onde mora a bailarina a adolescente Daniela Oliveira de Souza, de 14 anos, que faz parte do corpo de Ballet Paraisópolis, um projeto em que os jovens da comunidade aprendem a dançar. Kobra vai pintar um mural em homenagem a Daniela.

“Em todos os pontos da cidade, eu estou fazendo uma ação diferenciada. E estou falando muito de questões sociais da cidade, como se eu estivesse ampliando em alguns pontos a realidade da cidade de São Paulo.

Eu busco trazer um outro olhar para a arte de rua. São Paulo é uma cidade caótica, em que as pessoas estão estressadas no trânsito. Muitas vezes, a gente se preocupa com tantas coisas grandes, mas não presta atenção nos detalhes, na beleza que tem na cidade.

Mais de 40 deles participaram, pintaram juntos comigo. Muitos deles conheciam os meus murais na cidade, o que eu achei mais incrível. Muitos vieram tirar foto comigo.

O Marcos, que estava lá ontem, já foi um dependente químico. Ficou va´rios anos, inclusive no crack. E é uma artista supertalentoso, uma pessoa superboa. Mas, em algum momento da vida, se desviou, chegando àquela condição. Mas a gente percebe que através da arte, ele teve uma nova esperança, uma nova possibilidade para a vida. Ele já viajou mais de dez países comigo.

 Daniela é uma menina que está batalhando pelo sonho dela de ser artista. Ela faz ballet. É uma coisa que me interessou muito. Há mais de uma não que eu venho conversando com eles. Tem muito a ver com a minha história. Eu venho da periferia do Campo Limpo e ainda estou batalhando pelo meu espaço”, mostrou Kobra.

ODAIR JOSÉ, O CRIADOR DO ROCK PSICODÉLICO E COMCEITUAL, CANTA PARA SEXTA-FEIRA SANTA

Abril 18, 2014

Hoje, dia 18, sexta-feira santa o momento máximo do culto religioso, segundo a ordem da dogmática-sagrada, nada como apresentar um signo-musical sagrado-profano que trata desse tema da hagiografia produzida pelo cristianismo.

E ninguém melhor, no mundo urbano, para exaltar a concepção que os elementos míticos e mitológicos transcreveram historicamente do sagrado do que aquele que é conhecido como o criador do rock psicodélico e conceitual brasileiro, Odair José. Segundo personagens importantes da crítica roqueira Odair José, com seu álbum inicial O Filho de Maria e José, pode ser considerado o criador do rock psicodélico e conceitual do Brasil. Um álbum que já preconizava o que viria depois. Um dos compositores nacionais mais gravados pelos roqueiros vanguardistas.

 Odair José, apesar das opiniões preconceituosas que rondavam os meios de comunicação da década de 70, catalogando-o como “cantor das empregadas domésticas”, como coisa que essas trabalhadoras não tivessem inteligência e sentidos para opinar sobre seus interesses pessoais, foi um dos compositores mais perseguidos pela censura não só a censura do regime militar, mas também a do patrulhamento exercida por alguns ouvintes que o tomavam como cantor de puteiro. Eufemisticamente considerado cantor de lupanar. Em época de análise dos 50 anos da implantação da ditadura no país não se pode deixar de fora um olhar sobre Odair José.

Como Odair José cantava de certa forma o cotidiano, que por si só é uma forma de ditadura já que preserva o modelo comportamental da sociedade capitalística, ele teve obras suas censuradas. Os costumes de uma classe média alienada foram tocados pelo compositor. Principalmente sua falsa moral. Aí sua forma de protesto em plena a ditadura. Mesmo assim, essa classe que vive de caras e bocas, não entendia. O convincente exemplo encontra-se registrado no momento em que ele participava do Festival da Phillip. No momento em cantava “Vou tirar você desse lugar”, os alienados o vaiaram acreditando que era uma ofensa às suas ”sensibilidades”. Entretanto, Caetano Veloso, que também participava do festival promovido pela gravadora, subiu ao palco e começou a cantar junto com ele. Logo, logo os infelizes silenciaram. “Vocês merecem é violão na cara!”. Lembrança do fato que o cantor e compositor, Sérgio Ricardo, em um festival de música MPB, jogou seu violão na plateia que o vaiava.

Daí, que nessa sexta-feira, pega bem, pelo menos, mostrar uma letra que ele cantava na década de 70 e que fora muito bem propagada pelo rádio, território de comunicação verdadeiramente democrático, em virtude do som não se fechar na casa do ouvinte, mas se propagar para as casas vizinhas. Quantos não aprenderam músicas escutando o rádio da vizinha. Aliás, o rádio era o grande companheiro dos cantores antes da ditadura da televisão. E, hoje, a ditadura da internet. Vamos nessa, esquizofílico.

Na sexta-feira santa

Eu lhe procurei

Fui na sua casa

E não lhe encontrei.

Minha mãe dizia:

“Filho pode esperar

Um dia ele volta

E o mundo vai salvar”.

A onde você foi?

Cadê a sua cruz?

Venha me dizer:

Quem é você Jesus.

Inquietante e angustiante pergunta de Odair José: “Quem é você, Jesus?” Poucos sabem, porque não o querem real, mas tão somente mitificado e mistificado. Daí não poderem saber que é esse Homem. Quando Odair José se inquieta, em querer saber, é porque ele já tem uma variável que escapou do sistema que aprisionou esse Homem, Jesus.

Feliz Páscoa, moçada! 

 

Discussão e exibição de documentário sobre grafite com a participação de Criolo no GrajaúEx

Janeiro 25, 2014

O Grajaú(Ex) com sua moçada  espertex receberá amanhã (26x) às 18 hrs, o cinemex “Cidade Cinza”, um documentário que fala sobre a produção do grafite em São Paulo e o movimento pixo/grafite/arte apagado por ordem do poder. No cinema por “engano” a prefeitura apagou um mural na 23 de maio com 700 m2.

O evento acontece na Casa de Cultura Palhaço Carequinha é promovido pelo CineClube da Comunidade contará com uma conversa ao fim da projeção com os diretores do doc. Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo, e com um dos autores da trilha, o rapper Criolo. Como o evento é de nois pra nois a entrada é nois.

No cinema vemos um pouco da trajetória também dos grafiteiros Os Gêmeos, Nina e Nunca que são conhecido em galerias, avenidas e becos de todos o mundo.O evento também trará debate com os educadores Mauro e Wellington Neri e o grafiteiro Nunca. É só tomar o trem até a Estação Grajaú onde a artex mostra quem ex.

Mutirão Hip-hop Rua produz encontro para criação de Manaus

Dezembro 17, 2013

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Manaus é uma não-cidade devido a forma em que os (des)governantes se apropriam do estado como extensão de suas famílias, que constantemente permanecem governando através do poder econômico.

Porém estes (des)governantes não possuem força nenhuma sobre a potência produtora do povo quando este decide se unir para se expressar e produzir formas de relações libertadoras.

Foi isto que aconteceu no último domingo na rua ao lado do Arar do Bairro do Mutirão (Zona Leste) quando diversos movimentos e expressões como produtores culturais, grafiteiros, DJs, MCs, B-boys e B-girls, skatistas e muita gente ativa se reuniu para engendrar um encontro da arte de rua e da cultura hip-hop.

IMG_5262Organizado pelas ativistas do MariaM – Movimento Ari-Poriá Ativistas de Manaus e pelo companheiro Maranhão, o evento contou com mais de 200 presentes, começando as 14 horas e indo até o fim da noite. Nosso bloguinho esteve presente conversando com as organizadoras e aproveitando para trocar uma ideia com a integrante do grupo, Rose:

“O Coletivo Marian foi criado em 2005 com a junção de doze garotas, onde cada uma representava os quatro elementos do hip-hop: tinha as grafiteiras, as DJs, no caso eram duas na época, as MCs e as B-girl. Com isto resolvemos montar este coletivo para tentar dar visibilidade às mulheres dentro da cultura hip-hop que na época era vista só por homens, a mulher não tinha espaço no hip-hop. Hoje em dia, com a volta do coletivo somos oito e não lutamos só pelo espaço da mulher, mas para levantar o hip-hop em si em Manaus. Por que quando fazia eventos era ou só grafite, ou só break, ou só MC e por isto estamos querendo voltar com eventos para levantar os quatro elementos: b-girls, grafite, MCs e DJs. E este evento hoje foi para mostra que em Manaus o rap é muito visado, ele é amplo e queremos unir os quatro elementos com força total. E buscamos que as pessoas vejam que no Amazonas e principalmente em Manaus, os grupos de rap são muito bons, assim como tem muito grafiteiro bom mesmo não tendo muito espaço para eles. A gente convidou 11 grafiteiros para pintar, mas só apareceram cinco, o resto foi o pessoal que veio com seu material na possibilidade de ter espaço pra eles pintarem e a arte deles é bonita. Grafite não é marginalização, é rua e queremos mostrar que na rua tem arte, que no rap tem poesia. Por isto não é só mostrar que o Marian tá voltando mas unir os quatro elementos. É a união pois somos uma família, e a rua junta a gente nesta família que a gente quer esclarecer” Rose do MariaM

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Desde cedo a moçada do grafite e do bomb colou junto aproveitando a tela cabulosa que o muro do Arar propicia e mandaram seus traços esquizos, mostrando que a arte de Rua tem valor.

A produção do grafite atravessou a noite e contou com artistas de rua de ótima qualidade que mostraram que Manaus produz arte no grafite que é tão boa como em outros cantos. Alguns grafiteiros da antiga estiveram presentes também para prestigiar e acompanhar a moçada que está chegando.

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Grafite do companheiro Mega já finalizado

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E como o movimento foi organizado para mostrar que o grafite feminino possui uma potência singular e tem um impacto muito mais transformador, houve a presença de diversas grafiteiras como Kisy, Ami, Anie, Rosa etc.

Conversamos com a grafiteira Ana Paula que aparece na foto acima junto a seu cachorrinho grafitado dedicado a seu filho Iago nos falou um pouco sobre a importância do evento e da união da moçada do hip-hop.

“O evento aqui do Mutirão está sendo um grande espaço como sempre. Todo evento aqui é uma grande porta aberta pra arte de rua, pro grafite, pro bomb, pro rap, DJ, mc, break. Espero que continue acontecendo mais eventos que possam abrir mais portas para gente poder demonstrar nosso trabalho, o que a gente é capaz. Falam que o grafite é uma arte vandal, é uma arte proibida, mas não, se a pessoa parar pra perceber os grandes pintores usavam as telas e a gente usa o muro pra expor nossos trabalhos. Continue, vandalismo, grafite e é nós.” Ana Paula

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E a festa foi rolando com a presença de diversos DJs Sanci, Carapanã, Bené que mandaram um som para a moçada que trazia toda a cultura de rua com o rap e similares. O som das quebradas foi juntando toda família que logo

E teve o som do rap de Angola, de Manaus, do Nordeste e de todo o Brasil que saia das caixas pelos dedos nas pickups e equipamentos dos DJs.

E no fim da tarde começaram a rolar as apresentações do rap manauara com a moçada da Renúncia Pessoal, Reação MC (foto Abaixo) e Conexão Zona Norte.

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Nosso bloguinho conversou com a moçada do Conexão Zona Norte, grupo formado por Bira M.C., Base M.C., Nego Rasta, Blaster e Dj Sanci. Eles mandaram um grande salve a toda moçada do hip-hop e rap de Manaus, contando sobre a sua história e sobre o evento.

“Há 4 anos, em 2008/2009 a gente entrou no rap para resgatar a cultura de rua e a gente acabou gostando. Quem começou a parada do Conexão foi o MC Bira e o Base. Estamos aqui pra mandar um salve para toda rapaziada, é o Conexão Zona Norte, Mutirão, Cidade Nova, Fronteira com a Zona Leste. É uma satisfação estar colando junto com vocês da Afin e fortalecendo a cultura hip-hop para que não perca a essência, por que a cultura hip-hop sempre está presente na periferia junto com todo mundo daqui: o tiozinho da padaria, o borracheiro e toda esta rapaziada, por que a cultura hip-hop veio da rua e sempre vai ser da rua. Por isto este evento mostra a união de toda rapaziada da rua. Salve! Nosso som é bem quebrada mesmo, é periferia, skate, bomb, grafite, adrenalina. Hoje vamos mandar som, rima de rua 100 porcento original, rima canibal aqui da capital, rap nacional direto de Manaus pra vocês. Pra terminar salve toda moçada do movimento hip-hop de Manaus e que esta mensagem chegue a outros estados e que aqui a cultura hip-hop ta muito forte, principalmente o rap que está fortalecendo e esperamos que pelo contato da rapaziada chegue até vocês.”Conexão Zona Norte

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Encontramos ainda o Mano Sinoé (a esquerda da foto) que participou de toda a construção do bairro do Mutirão e do movimento Hip-Hop no Mutirão e na Zona Leste. Ele contou uma parte desta história e sobre o Mutirão Hip-Hop Rua.

“Aqui no Mutirão não era asfaltado era só barro, a gente ia pegar ônibus no sexto batalhão.O Mutirão tem mais de 20 anos de história e cresci junto com os manos aqui que estão envolvido com o movimento Hip-Hop e seus elementos que começamos fazendo aqui no Mutirão. A gente não tinha espaço mas no Arar a Dona Anália e o Braguinha deu um grande apoio. Na época era o Mano Vagner, Cabeça, o Mano Cross, o Mano David, o Base, Igor Cabeça,  o Bruno, o Mano Rasta, Mano Azul, Mano Deri,  Mano Bira, Baron, o David Down, o Mano Bill, Mano Pulga, e muitos moleques daqui mesmo como Mococa, o Cabecinha, todos formamos uma família. Nós fizemos um projeto em 2001, entregamos pra Dona Anália , foi aprovado o projeto no planejamento do Arar e fizemos o primeiro Exporua dentro do Arar. Aí liberaram pra nós seis microsistens pra sortearmos, liberou tinta, jogo de cama, brinquedo, boneca pra criança. Foi um projeto de interação, mobilização e consciência através da arte, música e do esporte. A gente já teve professor de basquete de rua, a bike, skate, inline, hip-hop com os b-boys e fizemos o 1º Exporua. Até igrejas vieram apresentar teatro. Quem colou com nós e não podemos esquecer: Mano Fino que não cobrou nada e trouxe a aparelhagem, o Mano D12 que pediu pra divulgar seu trabalho e muitos outros. Este projeto continuou todos os dias pois tínhamos uma família, juntou muita gente para aula de rap com o Mano Cross e Mano Vagner, o pessoal da Igreja Católica com a Periferia Ativa, tinha aula de grafite, arte no pano, arte na cerâmica, atividade que existe até hoje na Igreja Católica Nossa Senhora da Conceição. Ai a moçada do rap começou a aparecer. O Reação MC e Conexão Zona Norte foram pra França, passaram em Roma.Hoje está tendo um evento inédito muito especial que ta reunindo gente que está na rua faz muitos anos e que tem que parabenizar pois muitos deles saíram do nada e deu a volta por cima” Mano Sinoé

E este encontro da família Hip-hop manauara varou a noite trazendo muita alegria e união a toda a arte de rua que se fortaleceu com mais uma produção.

No próximo fim de semana o Hip-Hop de Manaus continua com dois eventos: No sábado a moçada do Grafite vai estar reunida pelo Alvorada em um grande encontro e no domingo acontece a Batalha de Hip-hop [Break] da Juventude do MHM no Centro de convivência (ARAR) do Mutirão a partir do meio-dia.

No dia 29 de dezembro haverá ainda a 2a Edição da Batalha de Fim de ano que ocorrerá no CDC do Coroado 3 com entrada a 5 reais. No mesmo dia 29 haverá das 9 às 17 horas o 165 Graffiti Action no Muro do Residencial Cruzeiro do Sul, beirando a Av. Das Torres no bairro Águas Claras com presença de moçada de responsa como Audio, Broly, Blur, Godo, Izy, Lobão, Mafia, Paradise, Radar, Tina e muitos outros. Quiser uma tela esperta é só colar.

Grafitte, Street art, MTO

Abril 17, 2013

 

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Funarte e Juca Ferreira buscam “descriminalizar” hip-hop em São Paulo

Abril 12, 2013

Da redação de Carta Capital

O promotor de vendas Bruno de Andrade, 18 anos, mora no bairro de Heliópolis, zona sul de São Paulo. Fã de rap, reclama que precisa ir até o centro da cidade para ver os shows que deseja, mesmo quando os grupos têm origem na periferia. “O cara tem que vir da favela para o centro ouvir um rap, e não o contrário, como deveria ser”, diz. Andrade foi uma das pessoas que participaram de um encontro entre o secretário municipal de Cultura de São Paulo, Juca Ferreira, com grupos e artistas ligados ao hip-hop na noite de quarta-feira 10, no Centro Cultural São Paulo. O encontro uniu artistas famosos, como os rappers Rappin Hood e Emicida, além de produtores culturais, professores da rede pública, MCs, DJs e dançarinos. No evento, eles escancaram os problemas deste movimento cultural na cidade.

O gênero vem sendo escanteado pelo poder público desde o conflito no show do Racionais MC`s na Praça da Sé em 2007. Naquele dia, diversas pessoas ficaram feridas em uma ação da polícia durante o show na Virada Cultural. Desde então, o rap tem ficado relegado ao segundo plano nos eventos culturais da cidade.

Juca Ferreira recebe artistas ligados ao hip-hop nesta terça. Foto:

 

No inicio do evento, o secretário disse que existe uma “dificuldade” na relação entre o poder público e o hip-hop em São Paulo. Segundo ele, há uma “quase criminalização” do movimento na cidade. Ferreira prometeu mudanças e a descriminalização do movimento, dizendo que a inclusão de artistas de hip-hop no aniversário da cidade neste ano foi um primeiro passo neste sentido.

No debate de quarta-feira, diversos problemas foram apresentados: a falta de equipamentos culturais na periferia, a concentração de dinheiro na mão de poucos artistas, a baixa qualidade dos professores na rede pública ligados ao gênero, a falta de políticas de gênero envolvendo o hip-hop e diversos outros pontos. “A gente não tem que viver de política pública. O que a gente tinha era que poder fazer tudo de maneira privada, mas a gente ainda não tem como”, disse Rappin Hood no evento.

O encontro foi o segundo da série “Existe diálogo em São Paulo”. O primeiro, realizado em fevereiro, não teve um tema específico e contou com a participação de mais de mil pessoas.

Reivindicações

No evento, o MH2O (Movimento Hip-Hop organizado) entregou uma série de reivindicações à secretaria municipal. Elas foram levantadas em uma reunião convocada pelo produtor Milton Sales no último sábado 6 na Favela do Moinho, no centro da cidade.

Entre as demandas, está a criação de cinco casas de hip-hop, o fomento a estúdios públicos de gravação, a criação de um VAI (Programa de Valorização de Iniciativas Culturais) específico para a área e a formação de um “conselho da favela”, nos moldes do conselho da cidade. A íntegra do documento pode ser acessado clicando aqui. Rodrigo Savazoni, chefe de gabinete de Juca Ferreira, se comprometeu a criar um grupo de trabalho para discutir as demandas apresentadas na reunião.

Juca Ferreira se comprometeu com outras reivindicações apresentadas. Ele concordou com a crítica de que as casas de cultura não aceitam o hip-hop e defendeu que elas deixem de ser administradas pelas subprefeituras e passem a ser centralizadas na secretaria. O secretário municipal também disse que levantará a proposta de criar conselhos locais nessas casas de cultura para aumentar o diálogo com a população.

O promotor de vendas Bruno de Andrade espera que a reunião ajude a ampliar as oportunidades de lazer na periferia e a diminuir a exclusão da música. “Ano passado, não teve vinte shows de rap onde eu moro. E nenhum teve ajuda da prefeitura. Antes o rap era mais criminalizado, mas era mais forte na favela”, diz.

Paulo Leminski fala sobre pichação e grafite

Abril 5, 2013

PRODUÇÃO COLETIVA ARTE OCUPA MANAUS DEVOLVE A PRAÇA AO PÚBLICO

Fevereiro 26, 2013

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A não-cidade de Manaus sempre foi governada por pessoas tristes que tentaram e continuam tentando de todas as formas manter a população resignada e improdutiva. As produções pseudo (ou somente e raramente) artísticas foram sempre direcionadas a uma cultura-valor (aquela que adiciona valor aos que tem acesso a ela, em uma relação social de poder como expõe Guattari) para uma classe mediana e improdutiva.

Como já discutimos anteriormente Manaus é uma não cidade pois dificilmente se encontra artistas, vemos apenas aqueles que são dependentes do Estado para produzir suas pirações. Assim os poucos se mostram interessados muitas vezes esbarram nesta realidade deprimente e não conseguem ir muito adiante.

Porém quando diversas pessoas da sociedade civil organizada, cidadãos comuns como qualquer outro decide deixar esta realidade opressora de lado, acreditar na sua capacidade produtora independente de qualquer auxilio do estado e ir para a rua mostrar sua arte, sua voz, sua presença no mundo.

Esta foi a idéia do Arte Ocupa Manaus, uma ocupação de um dos espaços urbanos para que seja devolvido a produção e presença coletiva. Assim esta ocupação foi dar vida a não-cidade de Manaus que através das desadministrações políticas da cidade temos um verdadeiro cemitério a céu aberto. É só andar pelo Centro da cidade para perceber uma história de abandono da população pelos governantes e que por isto deve-se ocupar o espaço público para oxigenar as veias da não cidade.

Assim diversos grupos e artistas de rua decidiram ocupar no domingo da semana passada (17) a Praça Dom Pedro II, localizada ao redor da Antiga Prefeitura e do INSS. A recente reforma da praça com seu coreto e fontes pintados não escondem todo a deprimente realidade que a cidade se encontra, sem os serviços básicos principalmente nas quebradas do mundaréu onde estão as Zonas Norte e Leste.  Porém diversas expressões de amazonenses produtivos, que não sofrem do sentimento de inferioridade imobilizante sobre outros povos (principalmente pelos mais ativ@s paraenses, maranhenses, piauienses, etc) e nem deixam ser deglutidos pela inoperancia do governo e dos artistofastros (falsos artistas).

E rolou a moçada da capoeira, do grafite, do freestyle, do rap, do samba, da poesia, das artes plásticas, dos malabares, do circo, e muitas outras atividades artística. Conversamos com os dois propositores do evento, a ativista Renatinha Peixe-boi e o Grafiteiro Raiz, que deram o início no evento que juntou mais de 200 pessoas em um encontro gostoso, produtivo, que aumentou a potência de agir de cada um que foi para conhecer somar e multiplicar este evento que foi o primeiro de vários outros a vir.

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Eu acho que eu só consegui dá o enter nas idéias que já estavam no coração e nas idéias de muita gente, não só como em um espaço físico, mas no espaço do irreal, do intocado que está dentro de cada um, na possibilidade de fazer e ajudar de fato o irmão com coisas boas. Como por exemplo uma pintura de parede que pode modificar a vida de uma criança que está observando a arte de pintar a parede quando ela poderia está observando o cara alí fumando oxi. Então a idéia foi quando a gente veio pintar uma parede e quando a gente viu estavamos cercados pelas pessoas da comunidade, interessadas pela pintura, falando sobre as necessidades que são necessidades comuns de todo mundo: necessidade a cultura, a liberdade de expressão, de um espaço físico adequado para utilizar. Este aqui é o ponto de prostituição mais famoso da cidade, no entanto é em frente a primeira prefeitura, o prédio do INSS onde as pessoas ficam na fila pra receber um benefício. Então é mostrar que a gente não precisa de mais nada, não precisa de grandes estruturas para resolver nossos próprios problemas. Somos nós que vamos resolver os problemas, não vai ser o governo, não vai ser o dinheiro, vai ser boas ações. Só o fato de a gente estar aqui neste domingo hoje compartilhando, tenho certeza que vai nascer muita coisa boa .Pretendiamos fazer primeiro este encontro em uma mansão. A gente tava saindo de um centro cultural e foi passando na frente desta casa, a gente viu a porta aberta e pensou vamos invadir e fazer um centro cultural. Aí a gente foi entrando e vendo a grandiosidade da casa, cheia de mármore, com piscina, gigante. A gente chegou lá e pensamos em ocupar pra fazer uma exposição com o grafite, por a galera é isto aí, não tem medo de polícia, sabem muito bem dos direitos que defendem quando vão pra rua pintar. Só que a idéia foi crescendo e fomos ficando mais preocupada com a estrutura física, se poderia suportar a quantidade de pessoas. E no dia seguinte viemos aqui nesta parte de trás e a comunidade foi chegando e apreciando.” Renatinha Peixe-Boi

Os grafiteiros Hulk e Raiz

Os grafiteiros Hulk e Raiz

Os movimentos aqui em Manaus tem esperado muito das atitudes governamentais. Os skatistas não constroem mais suas rampas pra andar de skate. Então a gente reuniu esta moçada para a galera dar o que tem de melhor. E você está vendo que faltou alguns movimentos, isto por que os movimentos ainda estão fracos. Olha o grafite aí que veio, pintou tudo por que a galera realmente é independente. Mas temos que agradece a galera que fez mesmo, por que quem está aqui pra somar é a galera que temos que acreditar, tem que fortalecer, todo mundo tá tendo seu espaço aqui, isto não está custando nada, não tem nada com dinheiro, a gente está fazendo tudo na força de vontade. A gente quer mesmo é que a galera abra os olhos, por que se a gente diz que a arte salva, vamos provar isto, não vamos ficar esperando ações e atitudes de outras pessoas. E que massa que vocês estão fazendo esta entrevista, que possam divulgar, compartilhar, estar conhecendo uma galera que não conhecia pois é para promover uma união geral. Eu estou só feliz, os caras da polícia estão meio incomodados andando pra caramba, tomara que eles não pegue a galera do bomb que está fazendo uns riscos alí.” Raiz

Dando um rolê pela praça logo sentia a diversidade deste grande evento e um dos grupos que logo encheu o espaço de uma forte cultura multicentenária e história foi o pessoal da capoeira do Mestre Xangô que veio do São Jorge para mostrar esta expressão afro em conjunto com seu trabalho social e conversou com a moçada do bloguinho sobre o evento e da praça ser ocupada com arte.

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Meu nome é José Carlos, sou o Mestre Xangô, presidente e mestre do Grupo Manaus Capoeira e sou morador do bairro de São Jorge há 41 anos. Este trabalho que a moçada está fazendo aqui é uma maneira de fazer uma pequena manifestação e se direcionar as pessoas que se preocupam muito com coisas pequenas, quando tinham outras coisas a se preocupar como a cultura, a dança, a arte, como as outras manifestações que são feitas em Manaus e fora dela por amazonenses que sairam pra divulgar já que aqui não tem espaço.

Nosso trabalho é um trabalho social no bairro de São Jorge, na quadra da Igreja de São Dimas, onde a única coisa que a gente cobra todo ano é o boletim escolar, se tiver ruim no colégio não treina e só volta quando estiver melhor. E como os meninos não querem perder o espaço onde treinam eles dão 100% no colégio. Por isto eu sempre digo que você tem que estudar e manter o esporte sim e dizer sempre não as drogas, mas sem nunca discriminar ninguém. A gente tem pouca divulgação no nosso bairro. Este evento que estamos fazendo podia estar cheio por que é um trabalho gratuito e esta manifestação devia ter em toda praça pública inclusive em datas como no dia 20 de novembro [Dia da Consciência Negra] que a cada ano que se passa está diminuindo mais, as pessoas quase não estão indo pras manifestações por que não está havendo uma atividade cultural e o que tem muitas vezes não tem nada a ver com a cultura afro ou negra. Por isto dentro dos bairros, das comunidades, as praças tem que estar limpa e aberta para a cultura. Estão utilizando as praças hoje, mas não tem espaço para as crianças, que é um direito delas ao lazer, ao esporte, a cultura que está dentro do ECA. Estão enchendo as praças de brinquedos onde ninguém pode mais brincar e se quiser brincar tem que pagar, enquanto a praça é pública. E assim todas tem que estar abertas para cultura.” Mestre Xangô

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Além dos malabares que deixaram a praça com um aspecto alegre e lúdico estava presente o palhaço Curumim que encheu a praça de gargalhada da criançada e transeuntes que não resite a leveza do artista palhaço. Em uma conversa com o bloguinho o artista Rosival que recebe o palhaço Curumim falou sobre sua participação e da expressividade que este encontro tem para todos os cidadãos.

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O palhaço curumim se sente honrado de poder vim numa praça como esta que tem todo um histórico em Manaus. Histórico em prostituição, de abandono e tudo mais. Então este movimento vem exatamente para resgatar a questão do espaço público que precisa ser cuidado. Então para o palhaço Curumim é extremamente importante que além deste lugar aqui a gente poder levar para outros lugares, porque Manaus está carente disto, carente de arte. E quando a gente fala de arte não é só o palhaço, mas arte com toda sua plenitude: levar as crianças, levar as vovós, os vovôs, levar todo mundo. Manaus precisa ocupar seus espaços, colocar arte, dar vida, por que Manaus precisa de vida. Neste domingão de chuva que está maravilhoso dá vontade de a gente sair pulando por estas praças. Adoro praça e este espaço veio a calhar e este movimento é que Manaus precisa acordar. Mais importante que os grandes eventos, o poder público também precisa investir na arte lá no bairro, lá na periferia, isto está faltando, valorizar isto, enquanto expressão da comunidade. É por isto que eu sou palhaço e é por isto que eu sou mambembe para ir a outros lugares.” Palhaço Curumim

A moçada do grafite se fez presente em mais um encontro artístico que contou com mais de 20 grafiteiros e considerados do Bomb com gente da antiga como Buiu, Rogério Arab, Paradise, Blur, Mega, e vários outros. Abaixo vemos um registro histórico da moçada com alguns grafiteiros que estiveram presentes desde o início do evento e que sempre trocaram suas experiências, amizade e estilos artísticos.

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Conversamos com alguns grafiteiros que nos falaram deste grande encontro de grafiteiros e dos mais diversos artistas urbanos.

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Eu acho muito válido em um domingo destes, ainda mais no Centro, eu amo pintar no Centro e é muito massa. Reunir toda esta galera, todo mundo aqui num domingão, sempre desenvolvendo a arte e quebrando estes mitos que arte é isto ou aquilo. Tudo é arte. Ela é vandal, é subversiva, mas é arte. Um artista se liberta, não importa o material, faz, aprende, se supera. Alguém tem que fazer os trabalhos para ficar melhor.” Paradise

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Sou o escritor Soor que estou na rua na atividade e na minha opinião é um projeto muito bom que o cara vai trabalhando. É a arte que na vista de muitas pessoas é vista como vandalismo, mas o pessoal tem que saber diferenciar o vandalismo da arte de rua, que vem da arte da cultura urbana. É uma boa reunir a galera pra pintar no final de semana, estar se distraindo e convido toda rapaziada que puder vim ver nosso trabalho. Melhor do que estar envolvido em droga nós estamos com este trabalho que está tirando muitos jovens usuários de droga e trazendo aqui para o mundo da arte” SOOR

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É bom que não é só o grafite aqui hoje como em geral é, tem todos estilos: o circo, grafite, artes plásticas. Isto no meu conhecimento é uma novidade. Bom estar mandando este grafite com a galera interagindo pra caramba, mesmo tendo só alguns espaços, a galera distanciada mas o clima está bom demais, tudo perfeito. Um dos melhores eventos da cidade e a idéia é se encontrar mais vezes durante o ano fazendo em outros lugares. ” Buiu

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Também marcaram presença o pessoal do Freestyle, estilo de rima com base no rap, onde se tem que criar as rimas na hora. Os participantes fizeram mais uma Competição de Freestyle Amazonas e mandando muito bem. Os competidores se superavam para não perderem na rima do adversário, e assim tinham que usar sua capacidade para mandar sempre uma rima melhor.

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E como a produção não parava em todos os cantos da praça muitos aproveitaram para ficar também durante a tarde, quando também foram chegando novas expressões para mostrar e trocar experiências com a rapaziada que já estava presente.

O pessoal do Mestre Xangô aproveitou para cair no samba de raiz e deixar a praça com ainda mais alacridade. Chegaram também vários poetas e mais grafiteiros que começaram a ocupar todo o Centro e seus espaços abandonados, alguns há mais de uma década.

E no agradável passeio pelo centro de Manaus vimos as cores encher Manaus da vivacidade das cores. Encontramos nesta caminhada pelos arredores do Centro as talentosas representantes  do grafite feminino e trocamos uma idéia com as belas Lori e Hippie Greeny que deixavam sua arte sobre a cinzas telas que eram transformadas em pulsações  visuais.

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Na verdade este evento foi bom por que fazia muito tempo que não rolava algo assim que reunia todo mundo pra fazer uma ação assim. E fazer aqui no centro pra todo mundo se rever por que tinha muita gente que pintava há muito tempo atrás e que já tinha dado um tempo e com este evento se empolgou de novo e aí está aqui pintando e isto é muito legal. Pra mim fazer este trabalho é deixar um pedacinho meu no muro, então o que eu sinto eu deixo alí, independente do que eu sinto ou não, se estou mais feliz ou mais triste, tudo eu deposito alí pra não descontar em ninguém. É uma forma de eu liberar um sentimento preso em mim.” Lori- Arte sem limites (ASL)

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Achei este evento muito bom por que tinha tempo que o pessoal não se encontrava. E o lugar está bem deteriorado, então dar uma cor para um muro totalmente sem vida é bem bacana. E não é só o grafite, são vários movimentos juntos, por isto acho que deveria ter mais. Participar de um evento assim é muito bom para o nosso crescimento, por que é uma coisa que vai ficar podemos fazer de novo e a gente vem retoca, faz diferente, sempre procurando evoluir. “Hippie Greeny

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Acima vemos um dos grandes nomes do grafite e do bomb manauara, o sempre presente Blur que também apareceu para expor sua arte no Centro.

Abaixo vemos diversas telas (paredes) sendo ocupadas e criando um fluxo artístico que alimenta as veias esclerosadas da não-cidade de Manaus. Alguns lugares como os interiores de uma casa abandonada, terrenos baldios serviram de suporte para que a arte penetrasse em suas estruturas já bastante empedernidas

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A arte das grafiteira Meg e Poly

O artista grafiteiro Broly

O artista grafiteiro Broly

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O estilo do bomb/grafite de Vapor

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No fim  da tarde agentes da Guarda Municipal apareceram para admoestar os grafiteiros por estarem utilizando de um espaço público e que foi relegado pelo poder público. Prédios como o antigo prédio do exército (foto acima) que se encontra há tempos abandonado e teve suas entradas cimentadas e percebe-se diversas plantas que se aproveitaram do abandono para crescerem nos espaços limites da construção.

Os agentes tentaram impor a idéia de que o ato de grafitar era vandalismo e que não tinha nenhuma diferença da pichação. O que prova o desconhecimento da lei de Crimes Ambientais que no seu artigo 65 diferencia e legaliza o grafite. O que os ocupantes estavam fazendo nada mais foi do que dar vida a um espaço afuncional e devolve-lo ao espaço público. Assim aos grafiteiros, cidadãos ativos não podem ser negado a liberdade de sua expressão artistica ainda mais como intervenção urbana.

Porém em um estado que onde a liberdade é tolida, a criação é desincentivada e os jovens marginalizados dificilmente se entenderá a expressividade do grafite e de uma produção como Arte Ocupa Manaus. Por isso mais vezes todos verdadeiros artistas que trazem seu talento ao mundo e as ruas continuarão a ocupar a cidade e novos eventos logo surgirão para que Manaus um dia possa vir a ser uma cidade, já que o possível já está dentro do coração da arte manauara.

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