Archive for the ‘Debate’ Category

PROGRAMA “FALA, BURACO!” MOSTRA MANAUS A CAPITAL-BURACO

Julho 27, 2016

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Leia o diálogo entre o apresentador do programa virtual “Fala, Buraco!”, e um transeunte. Os dois ao analisarem os buracos que dominam Manaus durante décadas e que servem de cabos eleitorais para eleger candidatos, principalmente prefeitos, concluem que Manaus não é uma cidade, mas tão somente um buraco-orbital onde seus habitantes e visitantes acreditam que se movimentam e se relacionam na superfície e não suspeitam que se encontram na voracidade de sua profundidade buraco-negro.

HOMEM (Um homem se aproxima de outra que se encontra fotografando um buraco) – O senhor está fotografando esse buraco?

DSC01915DSC01919DSC01926DSC01935DSC01937DSC01938DSC01943HOMEM II – É. Eu fotografo buracos.

H – Mas para quê? Buraco é tão feio.

H II – Depende.

H – Não. Buraco é sempre feio.

H II – Nem todos têm essa opinião.

H – Não acredito que exista alguém que goste de buraco.

H II – Tem.

H – Quem?

H II – O prefeito. Se ele não gostasse de buraco ele não deixava a cidade cheia de buracos. Quando a gente gosta de uma coisa, a gente mantém. Não é.

H – É, mas buracos.

H II – Pois é, cada um com seus gostos, e gosto não se discute.

H – Então, o senhor fotografa buracos por que gosta?

H II – Não. Eu fotografo porque eu tenho um programa na internet em que os buracos são os principais personagens.

H – E qual é o nome do programa?

H II – Fala Buraco. No programa eu apresento as entrevistas que eu faço com os buracos onde eles contam suas vidas, quando apareceram, como estão se sentindo nessa prefeitura, quais seus planos para o futuro.

H – Então, o senhor tem muito material, porque Manaus é cheia de buracos.

H II – Na verdade, Manaus é um buraco só. Tem buraco da Zona Leste que se junta com buraco da Zona Norte. Tem buraco que nasceu na Zona Sul e se junta com buracos do Centro.

H – É verdade! Um amigo me contou que uma vez um cara muito lombrado, colega dele, caiu em um buraco na compensa. Quando acordo, tudo escuro, ele não onde se encontra. Olhou para sua direita e viu uma luzinha longe, e começo a andar na direção. Andou, andou, andou e quanto mais andava a luz ia aumentado. Aí, ele sentiu que pisava em uma s coisas duras, parecidas com pedaços de pau. Quando olhou bem, eram esqueletos de pessoas, correu e subiu em um buraco, que era uma sepultura. Sabe onde ele saiu? No cemitério dos índios na no fim da Nova Cidade.

H II – Semana passada ocorreu um caso parecido com este. No fim da tarde de um sábado, no Jorge Teixeira III, uma senhora cansada de tanto trabalhar, caiu em um buraco. Os moradores correram para acudi-la, mas não conseguiram: ela desapareceu. Chamaram o bombeiro, e o prefeito, para fazer onda, compareceu no local. Olhou o buraco e negou que a mulher tivesse desparecido no buraco porque o buraco tinha fundo. Uma mulher protestou afirmando que não tinha porque ninguém via. O prefeito contestou afirmando que estava vendo o fundo. Aí alguém disse se ele estava vendo o fundo que ele pulasse no buraco e tirasse a senhora. O prefeito deu uma de ‘migel’ e se mandou. Cinco horas depois a senhora apareceu no meio do palco do Teatro Amazonas onde estavam realizando uma festa às autoridades locais. Quando o diretor viu a mulher toda suja de barro, bosta e lama tentou tirá-la à força do palco. Ela se desviou e gritou que as autoridades deveriam era saber o que tinha embaixo daquele teatro. Milhares de corpos de índios e cabocos que foram mortos na construção daquela casa de vaidade da burguesia. Esse caso foi bem divulgado.

H – Saiu na TV Globo?

H II (Indignado) – Porra nenhuma! A Mulher não era globotária. Bem que a Globo tentou fazer uma matéria com ela, mas a equipe de jornalistas foi expulsa na porrada. A comunidade unida gritou palavras de ordem: Fora Globo golpista! O Povo não é bobo, abaixa a Rede Globo! A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura! Se a Globo acabar o Brasil vai melhorar! A Globo é corrupta, não tem nada de justa! Fora Globo e Leva Temer Contigo! A Globo é imoral, ataca Lula e Dilma em seu jornal! E na correria, o carro de reportagem ainda caiu no buraco.

H – Só estes dois casos mostram que os buracos formam uma família só.

H II – Exatamente. Todos os buracos são parentes. Essa relação de parentesco, e mais o gosto do prefeito, faz com eles se mantenham.

H – O senhor muitos buracos velhos, ou na sua maioria são novos?

H II – Tem muitos buracos novos nascidos nessa prefeitura, mas têm alguns velhíssimos, do tempo do vai pra porra. Mais velhos do que a mentira.

H – Cacete! Então é velho mesmo, porque a mentira nasceu antes de Adão e Eva. Mas como o senhor sabe que eles são tão velhos?

H II – É fácil entender, embora a população não perceba por ignorância e cumplicidade com os políticos.

H – Como assim?

H II – Os buracos são verdadeiros cabos eleitorais. Buraco elege prefeito e deselege. Por exemplo, só para ilustrar. Os últimos quatro prefeitos foram eleitos através dos buracos. As campanhas eleitorais deles tinham como objeto principal o combate aos buracos.  Todos eles afirmaram que iam acabar com os buracos.

H – E o povo acreditou na mentira.

DSC01945DSC01946DSC01947DSC01948DSC01950DSC01952DSC01956DSC01958H II – Pois é. O quarto prefeito passado jurou acabar com os buracos. Não acabou: aumentou mais. O terceiro prefeito aproveitou os buracos que o quarto tinha deixado e fez sua campanha prometendo acabar com os buracos. Também só aumentou. O segundo na mesma cadência. Só aumentou. E esse agora não deixou barato. Hoje, tem buraco dentro de buraco.

H – Meu Deus! É mesmo?

H II – É. Um dia desse eu fui entrevistar um buraco-abismo onde já havia caído uma família inteira, um ônibus, uma Kombi, uma moto e uma carroça.

H – Uma carroça?

H II – Sim. Com cavalo e tudo. Quando eu comecei a entrevista percebi que não era só o buraco-abismo que falava. Comecei a ouvir outras vozes-buracos. Olhei para todo lado para ver se os outros buracos em redor de mim estavam falando, mas nenhum deles falava. Me concentrei bem, e percebi que as vozes vinham do mesmo buraco-abismo. Era um monte de buraco falando, querendo falar sobre suas vidas e aparecer nas fotos.

H – Que coisa impressionante.

H II – Não é impressionante não, porque o povo não ver. Se o povo prestasse atenção aos buracos ele não votava em quem afirma que vai acabar com eles, porque é mentira.

H – Sem querer defender os prefeitos, que eu sei bem quem eles são, adoram fingir que falam a verdade, mas a chuva também é responsável pelos buracos.

H II – Na-na-ni-na-não! Durante todo ano Manaus é cheia de buraco. Com a mudança climática, tem chovido menos na cidade, e mesmos assim os buracos estão sempre na moda.

H – Bem, com toda essa sua afirmação sobre o predomínio dos buracos em Manaus, e sua capacidade de eleger prefeitos, não seria melhor que os buracos se candidatassem?

H II – É verdade. Mais tem um problema.

H – Qual é?

H II – Na verdade são dois. Se eles se candidatam prometendo acabar com os buracos, e eles são os buracos e são muito éticos, se eles acabarem com os buracos eles desaparecem, morrem e a cidade fica sem prefeito.

H – Essa é uma verdade. E o outro problema?

H II – O outro é muito preocupante. Como Manaus é um único buraco gigante formado por milhares de outros buracos, se eles acabarem com os buracos Manaus desparece. E aí, dança eu, dança tu, dança até a mãe do Jaú.

H – Cara, essa é uma cruel verdade! A que ponto chegamos! Estamos refém dos buracos! E alguns desses prefeitos ainda querem se candidatar.

H II – Mas tem uma saída para Manaus não acabar.

H – Qual?

H II – O prefeito de Manaus deve ser sabe quem?

H – Quem?

H II – O povo!

H – Mas você não disse que ele é ignorante não se compromete.

H II – Mas com uma boa orientação política sobre os direitos dos moradores da cidade, não há analfabeto político que não seja educado democraticamente e passe a ser senhor de seu próprio destino. O povo entendendo que ele criou a sociedade civil, o Estado, e as instituições não tem que lhe engane.

DSC01962DSC01964DSC01967DSC01967DSC01970DSC01965DSC01971DSC01961DSC01972H – É verdade. O povo entendendo que ele existe por si mesmo, que foi ele quem produziu seu ser-social, adeus candidatos exploradores.

HII – É a verdadeira democracia!

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ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PROMOVE DEBATE SOBRE A REGULAMENTAÇÃO DA MÍDIA E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Agosto 11, 2015

947a6fe6-4d04-4df8-a725-4ff1a55bf591O Sindicato dos Jornalistas no Rio de Janeiro foi palco de um debate promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) representada por Giancarlo Summa, diretor do Centro de Informação da ONU no Brasil com o tema regulamentação da mídia e a liberdade de expressão. O debate também contou com as presenças Edison Lanza, relator especial para a Liberdade de Expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA) e Paula Máiran, presidenta do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro.

A realidade do monopólio das mídias no Brasil se mostra claramente através da forma como são distribuídas as verbas de publicidades para as três famílias que dominam o setor. Família Marinho, Globo, família Frias, Folha de São Paulo e família Mesquita, Estadão. Só elas abocanham 90% de toda a receita pública e privada da publicidade.

 “A liberdade de expressão é um direito humano e não significa somente ausência de censura, mas também a diversidade de ideia e jornalistas trabalhando sem ameaças econômicas ou, até mesmo, contra sua integridade física.

A América Latina tem alguns pontos incomuns, de forma geral, a mídia é muito concentrada na mão de poucas empresas, o que não é bom para a democracia”, observou Giancarlo Summa.

Para Edison Lanza, o Estado deve se comprometer com a regulamentação da mídia, mas observando sempre a preservação da liberdade de expressão. Para ele, a grande dificuldades que os governos têm com a regularização estão ligadas na relação que essas mídias monopolistas têm com os partidos políticos e seus parlamentares.

“Os governos tiveram, muito pouco êxito, em desmontar essa situação”, disse Lanza.

Para Paúla Máiran, são os interesses políticos e comerciais que norteiam a mídia corporativa.

“Um dos ingredientes que formam esse círculo vicioso é o fato de nós termos os grandes meios de comunicação com um discurso único e que é o ponto de vista dessa elite dominante. O que a população tem de informação é algo deformado para atender esses interesses”, se posicionou Paula Máiran.

Enquanto isso, em Brasília, também ontem, dia 10, foi realizado o Seminário Internacional de Regulação da Mídia e Liberdade de Expressão, patrocinado pelo coletivo Intervozes, Centro de Informação da ONU para o Brasil e a Universidade de Brasília que contou com o apoio da Fundação Ford e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).           

BOA ESPERANÇA, CLIPER REVOLUCIONÁRIO DO ENGAJADO RAPPER EMICIDA

Julho 4, 2015

4fa765ff-aae1-4040-b90d-aad9745213f4O óbvio. Óbvio que tem como tema o que se tornou banalizado no Brasil: o racismo, a discriminação, o ódio contra os negros. Principalmente os negros pobres das periferias e favelas do país. Uma impunidade que escracha a lei diante das próprias autoridades que deveriam aplicá-la. Racismo é crime! E daí? E tudo continua em clima de negro bom é preso ou morto.

Mesmo com as políticas sociais que privilegiam a população negra no Brasil, criadas pelos governos Lula e continuadas nos governos Dilma, o preconceito e a impunidade continua com direito a proselitismo no Congresso Nacional. Caso Bolsonaro. E agora, com a lei de proteção trabalhista às empregadas domésticas, o ódio racista aumentou. Explorar sim, direitos garantidos jamais, dizem os racistas.

Emicida não é somente um rapper, é antes de tudo um ser humanizado que é traspassado por corpus políticos e éticos que o tornam um homem ativista que atua contra as psicopatologias sociais criadas e mantidas pelas classes dominantes que criaram as lutas de classes com suas ideias de distinção social. Boa Esperança tem como expressão-semiótica o rapper, mas como conteúdo-social a perversão racista.

Um dia Emicida viajou à África e produziu uma consciência além da produzida no Brasil através de suas vivencias. Então, impulsionado por essa espiritualidade africana, ele se reuniu com diretores cinematográficos, empregadas domésticas, da Ocupação Mauá, no centro de São Paulo, chamou o fotógrafo João Wainer, do documentário Junho, e Kátia Lund, de Cidade de Deus, os rappers, sua mãe, dona Domenica, Jorge Dias, os filhos de Mano Brown, a modelo Michelli Provensi, Dina Cunha, Raquel Dutra e moradores da ocupação e, começou a revolução das empregadas domésticas contra os patrões autores da exploração e assédio sexual e moral: Boa Esperança.

“O tempero do mar foi lágrima de preto/Papo reto, como esqueletos de outro dialeto/Só desafeto, vida de inseto, imundo/Indenização? Fama de vagabundo”.

Boa Esperança é o primeiro single do próximo álbum de Emicida que ainda não tem título.

Assista, ouça e construa sua opinião!

VIRADA FEMINISTA – A CULTURA DAS MULHERES MUDA O MUNDO

Junho 26, 2015

6e2caa2f-bdc2-43e2-a327-223f6754613fEntre os dias 4 e 5 de julho, o Centro Cultural da Juventude, na zona norte da cidade de São Paulo, estará movimentando a área. Trata-se da Virada Feminista – A Cultura das Mulheres Muda o Mundo. Um evento composto por shows musicais que importantes estrelas da música brasileira, filmes dirigidos por mulheres, rodas de diálogos e oficinas.

A virada tem como objetivo aproximar as mulheres engajadas nas formas de expressões artísticas, afetivas e intelectuais para criarem espaços para suas dimensões como personagens históricos na construção do mundo. Para isso contam como variadas formas de expressividades como a dança brasileira, o grafite, batucada, yoga, skate, hora ecológica, teatro de rua, literatura, resistência, conferências sobre anticoncepcionais e alternativas à medicação, fotografias como memória feminina entre outas formas de criação. 

Entre as artistas que participarão da virada encontram-se as rappers Yzalú, MC Luana Hansen, as cantoras Joana Duah, Nô Stopa. Izzy Gordon, Bloody Mary Uma Chica Band, Semente Crioula, Flaira Ferro e Kuiza Lian. Entre os curtas-metragens e os longas-metragens dirigidos por mulheres será exibido Tão Longe é Aqui, da cineasta Eliza Capai. O filme é narrado através de uma carta endereçada à filha cujo conteúdo mostra os encontros com várias mulheres da África. 

“Pensamos neste evento não só para difundir a arte produzida pelas mulheres, mas para mostrar que este é um instrumento para fortalecer o feminismo e para comunicar as pautas feministas”, disse Helena Zeliz, uma das coordenadoras.

Quem pode ir deve ir! Até misógino. Quem sabe ele não aprende sobre a liberdade e a grandeza das mulheres e diminua seu ódio contra as mulheres por ter sido uma criança que não conseguiu criar a imago de uma mãe boa para si. Daí o seu ódio contra as mulheres que para eles representam a falta da mãe-amiga. Cruel fantasma do abandono que escolhe as mulheres como suas vítimas.

EXISTÊNCIA COLETIVA – RESISTIR E PRODUZIR

Abril 2, 2015

08864427-276a-4147-84fb-aa456f92f99bAté o dia 25 de abril 95 artistas moradores da zona leste, de São Paulo, estarão exibindo suas obras em formas de grafites, fotografias, esculturas e desenhos no Centro Unificado (CEU), no Parque Cisper. Algumas obras seguem a linguagem da street art, a linguagem urbana e traços tradicionais.

Nascido no ano de 2914, por desejo de quatro artistas do Movimento Cultural Ermelino Matarazzo, o  evento mostra paisagens e momentos do cotidiano das pessoas da região. No quadro social, algumas obras expressam protestos contra o racismo, a exclusão social e o preconceito.

“Faça Você Mesmo”, é a concepção da exposição seguindo o modelo do DIY que no inglês se mostra como “do it yourself”. A exposição, por mostrar os próprios moradores da região como devir-estético que se quer em mutação, apresenta o seu original grau de singularidade. Uma forma de escapar aos modelos determinados que o sistema impõe aos moradores das periferias.

A exposição surge como uma linha-esquiza que corta o que se encontra estruturado para só reverberar o que lhe é imposto. Aí sua potência revolucionária.   

Vamos nessa, moçada!

SARAU DO PI: LITERATURA FEMININA CONTEMPORÂNEA

Março 28, 2015

image_largeO Coletivo PI, criado em 2009, promove na Casa das Rosas, em São Paulo, o Sarau do PI; Literatura Feminina Contemporânea. Com o objetivo de realizar debates sobre questões referentes a gênero e produzir visibilidades às mulheres nos territórios das artes e da literatura. O sarau contará com as presenças das escritoras Lilian Aquino e Eliza Andrade Buzzo que irão apresentar músicas de Chiquinha Gonzaga, Carolina Maria de Jesus e Dolores Duram, além de suas próprias composições.

Hoje, sábado, o coletivo apresenta o documentário Entre Saltos, criado, produzido e interpretado pelo próprio PI. São mulheres trajando vestidos vermelhos com um sapato em um pé e outro sapato na mão. Em verdade, o entendimento do coletivo tem fluência da filosofia de Deleuze, onde a evanescência, a hecceidade, o devir, as partículas movimento, repouso, lentidão e velocidade mostram que não há homem, mulher, homossexual heterossexual, transexual, mas devires contínuos. Fluxos que descodificam os códigos molares do sistema protegido por uma moral civil identificatória.

São produções de novas formas de existências sempre em desterritorializações e retorritorializações. Nunca o mesmo. Uma mulher não é uma estrutura que deve seguir o modelo dominante perverso: homem, branco, europeu, como sucede com a maioria das mulheres que, submissamente, aceitam o jugo despótico-paranoico desse modelo.

O Coletivo PI é potência de transformação contínua. Esse movimento é percebido na série performática A Experiência da Vida É a Pergunta, com Luanah Cruz nos fluxos do Me Traziam a Lembrança Daqui. Faz parte dos quatro cortes-fluxos que também mostra Literatura Erótica e Poesias e Crônicas.

Assista o teaser  do documentário Entre Saltos de nove minutos. Rebelde desnadificação desedipianizada!

MORSAS E OSTRAS MATARAM JOHN LENNON? UM TEXTO LÚCIDO E INTRIGANTE DE WILSON ROBERTO VIEIRA FERREIRA

Março 3, 2015

Lennon oystersPor: Wilson Roberto Vieira Ferreira

A música mais enigmática dos Beatles aparece no maior fracasso comercial do grupo, o filme “Magical Mystery Tour”, de 1967, hoje reavaliado como obra de arte ao nível do humor do grupo Monty Python ou do surrealismo de Buñuel. Inspirado no poema “A Morsa e o Carpinteiro”, de Lewis Carroll, a música “I’m The Walrus” composta por John Lennon apresenta uma letra sombria, obscura e misteriosa com referências a genocídios, drogas e jovens que seriam seduzidos por uma “Morsa” que estaria levando-os para a destruição – no poema de Carroll aparecem “jovens ostras” . Será que a música foi alguma espécie de acerto de contas de Lennon com a culpa e o remorso de saber ter feito parte de uma gigantesca estratégia de engenharia social por trás da cultura pop? Em declarações dadas em uma entrevista em 1980, ele indica evidências, falando de “artesãos” que estiveram por trás dos Beatles e a ligação entre CIA e a droga LSD. Alguns meses depois, Lennon seria assassinado.

O grande e misterioso fracasso dos Beatles: o filme Magical Mystery Tour de 1967. “Beatles Mystery Tour desconcerta os espectadores”, estampava manchete na primeira página do jornal Mirror da Inglaterra, dizendo que milhares de espectadores protestaram quando foi exibido na TV pela BBC.

“Bobagem sem sentido”, “lixo flagrante” e “ultrajante” foram as críticas mais leves a um filme que não se importava com qualquer sentido narrativo: mostrava um grupo de turistas que iniciava um “misterioso tour” pela Inglaterra em um ônibus panorâmico, onde “coisas estranhas começam a acontecer”, ao capricho de quatro magos performados pelos próprios Beatles, que tudo observam, manipulando os acontecimentos.

O grupo de turistas é felliniano, como, por exemplo, a mulher gorda que para em um restaurante de beira de estrada para comer montes de espaguete servidos com uma pá pelo garçom.

Pelo seu estranho senso de humor e simbologia obscura que nada lembrava os “fabulous four” de filmes anteriores, como A Hard Day’s NightMagical Mystery Tour acabou relegado ao desprezo absoluto. O que levou o próprio Paul McCartney a aparecer em público para pedir desculpas por um filme cujo impacto nos fãs e crítica fora tão negativo que levou as redes de TV dos EUA a suspenderem as negociações pelos direitos de transmissão. Nos anos 1970, chegou a se exibido em “sessões da meia noite” em cinemas dos EUA para públicos underground. Hoje o filme é reavaliado como uma obra de arte cult com toques de humor obscuro ao estilo do Monty Python ou de surrealismo dos filmes de Buñuel.Magical mistery tour

Mensagens ocultas?

Desde então, as interpretações sobre o filme acabaram polarizadas entre os fãs que veem tudo como uma grande viagem psicodélica dos Beatles embalada por ácido após o impacto pela morte do seu empresário Brian Epstein, e cristãos fundamentalistas que encontram no filme (e em toda obra dos Beatles) mensagens ocultas satanistas.

Mas para aqueles que acreditam que os Beatles fizeram parte de experimentos de manipulação de massas do Instituto Tavistock de Relações Humanas (fundado em 1946 na Inglaterra através de doações da Fundação Rockfeller) e da CIA, envolvendo a manipulação da mente por meio de LSD e drogas psicodélicas, o filme é um prato cheio de pistas.

Principalmente quando assistimos à melhor sequência do filme, ao som da música I’m The Walrus (“Eu Sou a Morsa” – veja o vídeo abaixo), composta por John Lennon, em que vemos o Beatle com uma fantasia do animal ao piano,  junto ao restante da banda com estranhas fantasias de outros animais, sendo seguidos por uma tropa de “eggmen” – bizarros homens vestidos de branco.

walrus-montageLennon estaria se tornando cada vez mais consciente de que Os Beatles fariam parte de uma estratégia de corrupção, cooptação e infiltração na contracultura – e certamente na cena da música pop – de elementos de inteligência do governo secreto. O contexto dos anos 1960 era do auge da Guerra Fria, principalmente depois da chamada “Crise dos Mísseis de Cuba”. E a onda da beatlemania, revolução sexual, contracultura e protestos anti-bélicos não poderia passar batida pelos serviços de Inteligência.

E a enigmática música I’m The Walrus traria referências ocultas do uso deliberado da contracultura como instrumento de controle social e destruição.

“I’m The Walrus” e Lewis Carroll

Na sua última entrevista dada à revista Playboy em 1980, alguns meses antes do seu assassinato, John Lennon disse a respeito dessa música: “Criticava o Hare Krishina Allen Ginsberg. Por exemplo, a referência ‘pinguim elementar’ [expressão usada em um trecho da letra] é a atitude ingênua, de sair cantando ‘Hare Krishina’ ou de jogar toda a sua fé em qualquer ídolo. Eu estava escrevendo de forma obscura, à la Bob Dylan, naquela época”.

A inspiração da música vem do poema narrativo chamado A Morsa e o Carpinteiro, de Lewis Carroll, que aparece em uma sequência do livro Alice Através do Espelho, de 1871.  Uma Morsa e um carpinteiro andam em uma praia onde o Sol e a Lua estão visíveis quando convidam quatro jovens ostras para darem um passeio. Sob a desaprovação de uma ostra mais velha, outras jovens ostras se juntam e formam um alegre grupo que segue a morsa e o carpinteiro numa alegre conversa. No final descobre-se que suas verdadeiras intenções eram predatórias, e que tudo não passou de uma escaramuça para devorá-las com pão e manteiga.

Os personagens da Morsa e do Carpinteiro já foram interpretadas de muitas maneiras, tanto pela crítica literária como pela cultura popular. Por exemplo, no filme Dogma o personagem Loki interpreta a Morsa como sendo Buda, e o Carpinteiro, Jesus. Ou ainda o poema teria conotações políticas, uma metáfora do sistema capitalista, segundo o ensaísta britânico J.B. Prietley.

A estrutura básica da canção de Lennon é um poema sobre o genocídio. A linha de abertura – “I am he as you are he as you are me/And we are all together” – é baseada na música que foi cantada pelos bôeres (Marcha de Pretória) na Guerra dos Bôeres, enquanto marchavam para a Cidade do Cabo, na África do Sul, em 1880. A marcha teve um final infeliz, com mulheres e crianças capturados e colocados em infâmes campos de concentração britânicos.

“Vejam como eles correm como porcos fugindo de uma arma/ Vejam como eles voam, eu estou chorando”, escreve Lennon. Quem chora na música é a Morsa que tudo observa, assim como a Morsa de Carroll, que também chora diante do trágico destino que as alegres ostras terão.

Na próxima estrofe, mais um massacre com a referência ao “Bloody Tuesday” (Sentado em um floco de cereal/ Esperando a van chegar/ Corporação T-shirt/ estúpida maldita Terça-feira…) que ocorreu na África do Sul em 1946, quando trabalhadores de minas de ouro morreram em confrontos com a polícia.

A Morsa e o Apocalipse

No filme Magical Mystery Tour, essas duas estrofesreferentes às marchas que terminaram em mortes são acompanhada pelas imagens ao mesmo tempo bizarras e simbólicas dos “eggmen” (as ostras de Carroll?), que seguem a Morsa e seus amigos Beatles fantasiados.  A Morsa brinca e dança para os “eggmen” como que atraindo-os, assim como no poema de Carroll a Morsa e o Carpinteiro ludibriam as pobres ostras.

Carroll e Lennon também trabalham com referencias ao Apocalipse bíblico. Em A Morsa e o Carpinteiro lemos os seguintes versos:

“É chegada a hora”, disse a Morsa,de falar muitas coisas:

De sapatos… e barcos… e vazas…

De repolhos e reis… e lousas…

E por que o mar tanto ferve

E se os porcos têm asas.

No livro do Apocalipse descreve-se como os mares irão secar e os “sete selos”. Lennon acopla essa densa imagem de Carroll ao apocalipse da Guerra dos Bôeres com porcos que voam. Certamente Lennon compreendia o significado real dado por Carroll. 

Lennon também menciona “porcos voadores”, relacionando essa metáfora de Carroll do Apocalipse mais à frente na música com “Lucy in The Sky”:

Mister City Policeman sitting, pretty policemen in a rowSee how they fly like Lucy in The Sky, see how they run

I’m crying, I’m crying

I’m crying, I’m crying

Magical_Mystery_Tour_Header“Lucy in The Sky” é a óbvia referencia à música Lucy In The Sky With Diamonds dos Beatles (do álbum Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band) , um mnemônico para a droga LSD.  Logo depois, Lennon fala que ele é a Morsa e que chora, assim como a Morsa de Carroll. Será que Lennon estaria tentando avisar de que chora lágrimas por estar consciente de que a música pop e drogas estão atraindo os jovens (as ostras?) como parte de uma política de controle social e destruição?

A CIA e o LSD

Na sua última entrevista, John Lennon demonstra estar consciente disso: “Não podemos deixar de agradecer à CIA e ao Exército pelo LSD. Eles inventaram o LSD para controlar as pessoas e o que nos deram foi a liberdade.”

A música I’m The Walrus poderia ter sido um acerto de contas de Lennon com o seu remorso e culpa de estar fazendo parte de toda uma engrenagem política de engenharia social? A utilização da metáfora sobre o genocídio de Carroll em uma música inserida num filme que ultrajou a sociedade inglesa, seu posterior auto exílio entre 1975 e 1980 e a corajosa declaração para a Playboy demonstram que Lennon estava ciente da extensão de uma estratégia na qual ele e outros artistas são usados ingenuamente em enormes esquemas de manipulação social.MagicalBad

E por fim, depois de sair do auto exílio com Yoko Ono e dar a reveladora entrevista de 1980, Lennon é assassinado por um típico “candidato manchuriano” – expressão que designa a criação deliberada de múltiplas personalidades em uma pessoa por psiquiatras dentro do projeto de controle mental levado a cabo pela CIA e militares, o MKULTRA. Projeto hoje fartamente documentado, o assassino Mark Chapman poderia ter sido o agente implantado pelo MKULTRA para calar de uma vez por todas um antigo instrumento que ameaçava sair fora do controle – leia os textos ROSS, Colin A. The Cia Doctors: Human Rights Violations by American Psychiatrists, 2006 e Caos Y Terror Manufacturado por la Psiquiatria, Comisión de Ciudadanos por los Derechos Humanos.

Ainda nessa fatal entrevista, John Lennon usa a ambígua expressão “craftsman” (“artesão” que pode ser compreendida tanto como no sentido para designar o “artista” como a expressão usada por mágicos e ocultistas para designar suas práticas). Lennon disse que os Beatles foram produtos de “artesãos”: “Eu também tinha me tornado um artesão e poderia ter continuado a ser um artesão. Eu respeito os artesões, mas não estou mais interessado em me tornar um”.

Lennon não poderia simplesmente cair fora. E parece que os “artesãos” não gostaram muito disso.

“FEMINISMO E POLÍTICA: UMA INTRODUÇÃO”, FLÁVIA BIROLI E LUIZ FELIPE MIGUEL

Dezembro 23, 2014

cover-1-300x450A partir da década de 80 começou a se expressar de forma mais realista e concreta os movimentos que tratavam claramente da questão de gênero. No caso, a desigualdade que levava a mulher para uma posição, historicamente, submissa e com os direitos limitados, negados, em verdade, pela sociedade patriarcal/fálica/judaica/burguesa.

Milhares de mulheres, e também homens, passaram a lutar pela igualdade de direitos, que são os fundamentos necessários para uma sociedade racionalmente democrática. Esses movimentos chamados de feministas, que já vinham da década de 60, em verdade, já no começo do século XX, ocorreram em vários países do mundo e o Brasil não ficou de fora. Exemplo como Rose Marie Muraro, confirma essa tendência política feminista. Uma clara mostra de que o movimento teve um grande impulso na década de 60, é a atuação de Angela Davis.eb7bc1f9-b56a-4f5f-be2b-565f1698f114

É esse tema que a obra Feminismo e Política: Uma Introdução, dos escritores e professores da Universidade Nacional de Brasília (UNB), Flávia Bitoli e Luiz Felipe Miguel propõem aos leitores interessados no movimento. Publicado pela Editora Boitempo, com 168 páginas e com a capa criada por Antônio Kehl sobre ilustração da militante Angela Davis, o livro quesitos importantíssimos como Feminismo e Política, Justiça e Família, O Público e Privado, Gênero e Representação Política entre outros instigadores temas.

“As relações de gêneros atravessam toda a sociedade, e seus sentidos e seus efeitos não estão restritos às mulheres. O gênero e, assim, um dos eixos centrais que organizam nossas experiências no mundo social. Onde há desigualdades que atendem à padrões de gênero, ficam também definidas as posições relativas de mulheres e de homens – ainda que o gênero não o faça isoladamente, mas numa vinculação significativa com classe, raça e sexualidade”, mostram os autores.

A PERIFERIA NO CENTRO DIA 14 DE NOVEMBRO, MAM – SP

Novembro 8, 2014

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14 DE NOVEMBRO, MAM – SP

PROGRAMAÇÃO

ELEIÇÃO É FESTA DEMOCRÁTICA PARA OS SENSÍVEIS E RACIONAIS

Outubro 26, 2014

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Hoje, dia 26, é dia de eleição para a disputa do segundo. Em alguns estado disputa-se, além da eleição presidencial, a eleição para governador. A história do voto na democracia é árdua e cheia de violências e ameaças produzidas pelos que pretendiam continuar no poder controlador da economia, da política e da sociedade.

Se a história do voto é tão violenta, imaginemos o voto da mulher. A mulher para conseguir o direito de votar sofreu grandes humilhações e perseguições. Além dos preconceitos exacerbados em forma de misoginia.

Hoje, homens e mulheres têm seus direitos eleitorais garantidos na democracia representativa. Mas, se esses direitos foram estão respeitados quanto ao ato de votar, não é o mesmo que ocorre quando a mulher é candidata. A discriminação continua, de forma velada mais continua.

Só que em alguns casos específicos não há nada velado. Há uma clara discriminação, desrespeito e violência. O caso da presidenta Dilma que concorre à reeleição, é um exemplo. O que ela vem sofrendo nessas eleições é claramente nazifascista. E o pior é que muitas dessas violências são praticadas por mulheres.

Mas, Dilma, como uma pessoa de grandeza, inteligência superior e invejável dimensão política tem se mostrado uma grande estadista. É por isso que ela tem demonstrado a importância desse pleito. E por essa grandeza, de chefa de Estado, que a eleição de hoje pode ser comemorada como festa democrática popular.

Uma festa que expressa a sensibilidade e racionalidade da maior parte da sociedade brasileira que cria corpos artísticos, econômicos, sociais, históricos, antropológicos, entre outros, que constituem o país.

Por isso, é necessário não faltar à esta festa que nos confere o sentido de sermos seres político atuantes e produtores de contínuas formas de existências.