Archive for the ‘Psicologia’ Category

SONHAR REALIDADE SEM SONHO

Setembro 8, 2009

O último sonho que tive foi quando parei de ter sono.

Então, não mais dormi. Sem sono estava livre de dormir, conseqüentemente, sem possibilidade de sonhar.

De que nos serve o sonho quando a realidade nos põe em ação, e ainda nos faz crer? Quando se está em ação, módulo produtor, não se precisa dormir e sonhar. Dizem que dormir restaura o corpo e dispõe o homem para outras ações. Mas que outras ações pode produzir senão ações de seu próprio existir?

Sonhar é desviar o propósito da vida. Como quero vida não tenho sono e nem durmo. Que durmam por mim. Que parem o via-a-ser da vida para sonhar e a substituam. Comigo o sonho não vai indicar crendices. Comigo não dar para indicar direções satisfatórias.

Se me pedissem para dizer o que eu mais desejaria para que a sociedade existisse feliz, eu diria que ela parasse de dormir, para não ter sonhos, e então confirmar sua escravidão ou tirania resultantes dos sonhos.

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Oração da Gestalt

Julho 7, 2009

“Eu faço as minhas coisas e você faz as suas.
Eu não estou neste mundo para satisfazer as suas expectativas.
E você não está neste mundo para satisfazer as minhas.
Você é você, e eu sou eu.
E, se por acaso, nós nos encontrarmos, será ótimo.
Se não, nada se pode fazer.”

Frederick Perls

Criador da Gestalt-terapia

Esquizopsyche

Julho 5, 2009

A psiquiatria é uma das áreas especializadas da médica que trabalha no tratamento, controle e “prevenção” dos transtornos mentais. Uma avaliação psiquiatrica envolve uma visão da história da doença, e do convivio deste individuo socialmente, sendo que o tratamento será via farmacologia (com a força muitas vezes mobilizantes dos anti-psicoticos, anti-depressivos, anti-ansiolíticos, etc.) e avaliação periódica com um profissional. Os primeiros registros da pratica psiquiatrica nos hospitais psiquiátricos vem do sec. XIV B.C.
Porém o que muitos talvez não se atentem é quando houve a necessidade da criação da psiquiatria, psicologia, etc. Foucault no livro “A verdade e as formas jurídicas”, mostra que com a criação de uma sociedade formada por várias instituições controladoras (família, escolas, igrejas, hospitais, etc) e onde a idéia que move o direito não é mais uma questão do inquérito dos fatos ocorridos, mas de uma sociedade do panopticum onde as pessoas são vigiadas a todo momento de suas vidas (pelas instituições e instituidos) e qualquer mudança na forma definida como coerente, levará esta pessoa a passar pelas instituições reparadoras do Estado(incluindo aí o trabalho da psiquiatria e psicologia, que servem para controlar os corpos e mentes e nunca deixar que vão além do padronizado). Este papel microfacista das ciências da mente muitas vezes é ignorado, para favorecer um conceito de normalidade.

Sabendo destes movimentos aprisionantes, na década de 60 os psiquiatras ingleses David Cooper e Ronald D. Laing, criaram a Antipsiquiatria visando uma ruptura radical e constentadora do saber psiquiátrico. Este movimento esparramou-se pelo mundo e engendraram o movimento antimanicomial de Franco Basaglia e Franco Rotelli. A quebra do pensamento da psiquiatria e suas definições mostra que a familia e as outras instituições são produtoras da “patologia mental” (que não é individual).



Ronald Laing
em sua obra Laços (1970) expõe versos que mostram conflitos (laços, nós, disjunções, etc…) presentes na existência das pessoas que teve contato. O conteudo dos versos segundo o autor não se prende aos casos em si mas se ampliam em problemas existênciais de muitos outros. Abaixo deixo um trecho poiético- do amigo Lang:

1

Eles estão jogando o jogo deles.
Eles estão jogando de não jogar um jogo.
Se eu lhes mostrar que os vejo tal qual eles estão,
quebrarei as regras do seu jogo
e receberei a sua punição.
O que eu devo, pois, é jogar o jogo deles,
o jogo de não ver o jogo que eles jogam.

— — — – – –
Eles não estão se divertindo.
E se eles não se divertem eu também não me divirto.
Somente se eu puder levá-los a se divertir
poderei divertir-me juntamente com eles.
Mas não é nada divertido levá-los a divertir-se;
pelo contrário, é trabalho muito árduo.
Quem sabe, eu talvez me divertisse
se descobrisse por que não se divertem.
Mas não fica nada bem que me divirta procurando
saber o porquê não se divertem.
Ainda assim é um pouco divertido o ato de fingir
que não encontro diversão em descobrir
o motivo por que não se divertem.

Vamos nos divertir? — convida a garotinha
que surge de repente não sei donde.
E contudo divertir-me é perder tempo,
já que me divertir não contribui para mostrar
o motivo por que não se divertem.

Como podes tu te divertir
se Jesus na cruz morreu por ti?
Achas acaso que na cruz
Jesus se divertia?