Archive for the ‘Mulheres’ Category

“EXPOSIÇÃO FRIDA KAHLO – CONEXÕES ENTRE MULHERES SURREALISTAS NO MÉXICO”

Setembro 28, 2015

frida-kahlo-em-foto-tirada-pelo-seu-pai-guillermo-kahlo-em-1926-a-foto-faz-parte-da-exposicao-que-chega-em-julho-no-museu-oscar-niemeyer-em-curitiba-1394658426940_956x500São 20 obras da artista e mais 80 outras de amigos que compõem a exposição Frida Kahlo – Conexões Entre Mulheres Surrealistas No México. Entre as mulheres surrealistas são expostas obras das pintoras Maria Izquierdo, Remedios Varo e Leonora Carrington, Lucienne Bloch e Nickolas Muray. A exposição dessas obras de artistas que não são mexicanos resulta da relação De Frida Kahlo com estes representantes de outros países.

Entre as obras expostas pela pintora mexicana, 13 remetem o público para um melhor conhecimento de sua consciência plástica através de obras sobre papel. São nove desenhos, duas colagens e duas litografias. Nos autorretratos, que são comuns entre às mulheres artistas mexicanas, Frida aparece em seis na exposição.

“Em alguns de seus autorretratos, Frida Kahlo, Maria Izquierdo e Rosa Rolando elegeram cuidadosamente a identificação com o passado pré-hispânico e as culturas indígenas do México, utilizando ornamentos e acessórios que remetem a mulheres poderosas como as deusas ou tehuanas, apropriando-se das identidades dessas matriarcas amazonas.

A multiplicidade cultural, rica em mitos, rituais e uma diversidade de sistemas e crenças espirituais influenciaram na transformação de suas criações. A estratégia surrealista da máscara e da fantasia, que no México forma parte dos rituais cotidianos em torno da vida, a morte no âmbito do sagrado, funcionava também como um recurso para abordar o tema da identidade e de gênero”, observou Tereza Arqc, curadora da exposição.

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Livro faz retrato da vida no sistema prisional feminino brasileiro

Agosto 23, 2015

Jornalista e fundadora do movimento Eu Não Mereço Ser Estuprada humaniza porção invisível da sociedade, sem vitimizá-la.

por Xandra Stefane

Em 2010, Nana Queiroz conheceu alguém que há anos vinha trabalhando no sistema carcerário feminino. Interessada pelo tema, a jornalista e fundadora do movimento Eu Não Mereço Ser Estuprada decidiu pesquisar sobre o assunto e descobriu que praticamente não existiam livros, documentários nem outros materiais sobre prisões femininas no Brasil. “Era como se não existissem mulheres presas”, lembra a jovem, que acaba de lançar Presos que Menstruam (Ed. Record, 294 págs., R$ 40), uma colcha de retalhos costurada durante cinco anos que apresenta um retrato dos problemas e desafios do sistema prisional feminino no país.

Capa do livro

Nana tira da invisibilidade 37.380 das 607.731 pessoas que, segundo o Ministério da Justiça, compõem a população prisional brasileira. Suas visitas a mais de dez instituições carcerárias renderam ao leitor histórias sobre gravidez no cárcere, mulheres torturadas com bebês no colo e no ventre, solidão, abandono, celas insalubres, torturas psicológicas, refeições intragáveis e tantos outros dramas vividos por presas anônimas e famosas.

Tremembé 1

Como não conseguiu da maioria das secretarias de Segurança Pública autorização para visitar os presídios, a jornalista entrou em algumas das instituições como voluntária e como parente de presa. “Descobri que não era apenas o governo que nos impedia de falar sobre o assunto. Tabus são mantidos, também, pelos que se recusam a falar sobre eles. E nós, sociedade, evitamos falar de mulheres encarceradas. Convencemos a nós mesmos de que certos aspectos da feminilidade não existirão se nós não os nomearmos ou se só falarmos deles bem baixinho. Ignoramos as transgressões de mulheres como se pudéssemos manter isso em segredo, a fim de controlar aquelas que ainda não se rebelaram contra o ideal da ‘feminilidade pacífica’. Ou não crescemos ouvindo que a violência faz parte da natureza do homem, mas não da mulher?”, questiona, no prefácio.

Com mais de 100 entrevistas com presas, ex-presas, familiares e especialistas, o livro humaniza essa porção invisível da sociedade sem vitimizá-la. “Não podemos desconsiderar que as mulheres são diferentes dos homens por uma série de condicionamentos culturais que elas recebem a vida inteira; por exemplo, a ideia de submissão”, afirma Nana Queiroz.

A submissão pode explicar muitas das detenções femininas. A obra traz à luz uma pesquisa feita pela Coordenadoria Penitenciária da Mulher, do Rio Grande do Sul, segundo a qual 40% das mulheres presas se envolveram no crime para fugir da violência doméstica. “Algumas delas eram obrigadas pelo parceiro a traficar, outras saíam de casa para escapar do abuso sexual. Ou o marido batia, ela precisou fugir de casa com as crianças e, sozinha, não conseguia ter um salário suficiente para sustentar a criançada. Então, ela acabava traficando para complementar a renda. Esta história é muito comum”, relata a jornalista.

Tremembé 2

Segundo o Ministério da Justiça, entre 2007 e 2012 a criminalidade cresceu 42% entre as mulheres. “Uma tese em voga entre ativistas da área é a de que a emancipação da mulher como chefe de casa, sem equiparação de seus salários com os masculinos, tem aumentado a pressão financeira sobre elas e levado mais mulheres ao crime no decorrer dos anos”, informa Nana no livro. “O número das que são de fato perigosas e que cometeram crimes contra a pessoa varia de 6% a 8%. O de mulheres que são presas grávidas ou lactantes é menor ainda. Se cruzarmos os dados das que são perigosas e lactantes, o número é muito menor. Isso significa que a maioria das gestantes ou lactantes poderia estar cumprindo pena domiciliar porque não representa risco para a sociedade”, declara a autora.

Mas não é o que acontece. Além da chocante situação das mulheres presas, Nana acaba apresentando também a terrível rea­lidade de centenas de crianças. Segundo ela, 166 bebês viviam presos com suas mães em instituições carcerárias enquanto ela escrevia o livro. É o caso de Luca, que estava no colo de sua mãe, Tamyris, quando ela foi presa por tráfico de drogas. Ela, um outro traficante e o bebê foram jogados na viatura e os policiais “distribuíram porrada sem discriminar em quem. Sobrou até para o pequeno Luca, que foi acertado na lateral do olho, que sangrou e inchou”. Alguns meses depois, já morando em uma unidade materno-infantil, o estado emocional da criança despertou a preocupação de sua pediatra, Mara Botelho: “Luca não sorria. Mara brincava com ele no consultório, fazia caretas e barulhinhos bobos. Nada atraía a simpatia do garoto”. A apatia foi a forma que seu inconsciente arrumou para lidar com tamanha violência.

Mãe sofre

O livro revela que a maioria das detentas grávidas já chega grávida na cadeia. Como em todo o país existem apenas 39 unidades de saúde e 288 leitos para gestantes e lactantes privadas de liberdade, na maioria dos presídios e cadeias públicas essas mulheres ficam misturadas com o restante da população carcerária. Não é incomum que os bebês nasçam dentro do presídio, nem é raro que as mães, mesmo na hora do parto, sejam mantidas algemadas na cama. “Como se ela pudesse levantar parindo e sair correndo”, critica Heide Ann Cerneka, coordenadora da Pastoral Carcerária nacional para as questões femininas.

Nana (autora)Nana, autora do livro: “Era como se não existissem mulheres presas”
Na visita ao um presídio no Pará, Nana Queiroz deparou com um ambiente completamente insalubre: vazamentos, infiltrações, falta de ventilação e excrementos saindo dos vasos sanitários fizeram com que ela tivesse vontade de deixar imediatamente aquele lugar. “Mas eu falei que se elas suportavam isso por anos, eu tinha de suportar por alguns minutos para ouvi-las”, afirma a autora. “Da cela, saiu uma mulher tão magra que dava para ver as pontas dos ossos dela… Ela me contou que tinha perdido o bebê um mês antes e que ninguém tinha feito curetagem nem exame. ‘Estou com febre, sangramento, e eu acho que meu filho está apodrecendo dentro de mim’, disse. Quando ouvi aquilo fiquei tão mal que quando saí dali, vomitei. Foi um chute no meu estômago”, lembra a jornalista.

Ela também escutou o desabafo de uma mulher que levou pauladas na barriga quando estava grávida de oito meses. “O guarda batia e dizia: ‘Não reclama. Esse é mais um vagabundinho vindo para o mundo. Tomara que ele morra antes de nascer’ Quando perguntei, no Pará, quantas delas tinham apanhado enquanto estavam grávidas ou lactantes, 90% levantaram a mão.” Será que agentes como esse acreditam que a violência promova alguma mudança positiva? Não é preciso ser especialista no assunto para entender que ela apenas piora e perpetua uma situação de exclusão.

Assim como fará a redução da maioridade penal, sobre a qual Nana é categórica: terá impacto diretamente na vida das mulheres. “Com a redução da maioridade penal, a gente colocaria na cadeia muito mais mães jovens, de família monoparental, abandonadas pelos parceiros. O cara engravida, desaparece, ela fica desesperada, começa a roubar, traficar, se envolve em crimes e vai parar na cadeia. Ou então ela é vítima de violência doméstica e mata o marido. Aí, como é pobre e não consegue fazer uma boa defesa, vai presa acusada de crime hediondo”, lamenta. Quem garante que o ciclo não se repita com algumas (ou muitas) das crianças que foram torturadas antes mesmo de nascer ou com as que passaram seus primeiros meses de vida encarceradas?

O que Nana pretende com Presos que Menstruam é que a sociedade reflita sobre a miséria em que o sistema prisional brasileiro está mergulhado. E também sobre como a sociedade patriarcal e o machismo têm levado cada vez mais mulheres para prisões, onde se tornam ainda mais invisíveis para a sociedade. “É fácil esquecer que mulheres são mulheres sob a desculpa de que todos os criminosos devem ser tratados de maneira idêntica. Mas a igualdade é desigual quando se esquecem as diferenças. É pelas gestantes, os bebês nascidos no chão das cadeias e as lésbicas que não podem receber visitas de suas esposas e filhos que temos de lembrar que alguns desses presos, sim, menstruam.”

Campinas 2

VIRADA FEMINISTA – A CULTURA DAS MULHERES MUDA O MUNDO

Junho 26, 2015

6e2caa2f-bdc2-43e2-a327-223f6754613fEntre os dias 4 e 5 de julho, o Centro Cultural da Juventude, na zona norte da cidade de São Paulo, estará movimentando a área. Trata-se da Virada Feminista – A Cultura das Mulheres Muda o Mundo. Um evento composto por shows musicais que importantes estrelas da música brasileira, filmes dirigidos por mulheres, rodas de diálogos e oficinas.

A virada tem como objetivo aproximar as mulheres engajadas nas formas de expressões artísticas, afetivas e intelectuais para criarem espaços para suas dimensões como personagens históricos na construção do mundo. Para isso contam como variadas formas de expressividades como a dança brasileira, o grafite, batucada, yoga, skate, hora ecológica, teatro de rua, literatura, resistência, conferências sobre anticoncepcionais e alternativas à medicação, fotografias como memória feminina entre outas formas de criação. 

Entre as artistas que participarão da virada encontram-se as rappers Yzalú, MC Luana Hansen, as cantoras Joana Duah, Nô Stopa. Izzy Gordon, Bloody Mary Uma Chica Band, Semente Crioula, Flaira Ferro e Kuiza Lian. Entre os curtas-metragens e os longas-metragens dirigidos por mulheres será exibido Tão Longe é Aqui, da cineasta Eliza Capai. O filme é narrado através de uma carta endereçada à filha cujo conteúdo mostra os encontros com várias mulheres da África. 

“Pensamos neste evento não só para difundir a arte produzida pelas mulheres, mas para mostrar que este é um instrumento para fortalecer o feminismo e para comunicar as pautas feministas”, disse Helena Zeliz, uma das coordenadoras.

Quem pode ir deve ir! Até misógino. Quem sabe ele não aprende sobre a liberdade e a grandeza das mulheres e diminua seu ódio contra as mulheres por ter sido uma criança que não conseguiu criar a imago de uma mãe boa para si. Daí o seu ódio contra as mulheres que para eles representam a falta da mãe-amiga. Cruel fantasma do abandono que escolhe as mulheres como suas vítimas.

EXPOSIÇÃO TARSILA E MULHERES MODERNAS NO RIO

Maio 13, 2015

 

f5ae2f9b-9d64-4fca-ab6c-c91eb2fa7dc2Até o dia 20 de setembro, o Museu de Arte do Rio (MAR) estará exibindo a Exposição Tarsila e Mulheres Modernas no Rio. Trata-se de uma mostra em que aparecem trabalhos variados de mulheres que tiveram e tem participação decisiva na sociedade moderna. São mulheres que jogaram fora as imposições machistas e se colocaram em posição produtiva. Ato que se espera de todas as mulheres. O mundo não é dividido pela predominância de um gênero no modo em que Freud diz, elevando a condição do homem, que só existe um sexo: o masculino. Esquecendo que é pela mulher que o homem se torna homem, como diz Marx.

A exposição é composta de todas as formas de expressões culturais e artísticas que as mulheres produzem. Cinema, teatro, música, dança, pintura, arquitetura, escultura, política, esportes, religião, etc. Tudo mostrado em mais de 200 peças de fotografias, documentos, desenhos, instalações, gravuras, esculturas, audiovisuais e objetos pessoas.

A mostra tem o nome de Tarsila Amaral, que participa com 25 quadros e dez desenhos, porque ela não é apenas uma pintora que pertenceu a movimento modernista brasileiro junto com grandes e expoentes nomes da arte do país, mas, também, por se tratar de uma mulher que em sua época representou a luta pelos direitos femininos. Uma luta de liberdade e igualdade sem fronteiras.

TarsilaAlém de sua presença exponencial na exposição, ela é acompanha pelas não menos engajadas artistas como Djanira, Maria Helena Vieira da Silva, Lygia Pape, Maria Martins, Zélia Salgado, Lygia Clark e Anita Malfatti. Comparecem também Chiquinha Gonzaga, Clarice Lispector e Leila Diniz, Luz Del Fuego, Gabrile Leite, que criou a Daspu, uma marca para as prostitutas expressarem que se vestem melhor do as que se vestem pela Daslu. E mais: as pinturas com imagens de mulheres criadas pelo pintor do século XIX, Debret.

‘A mulher não contribuiu para a arte brasileira – constitui-a, pois contribuição só sugere adesão a um processo dirigido por homens. Ela deu chaves estéticas ao Brasil, e no Rio de Janeiro, impôs ações decisivas”, disse um dos curadores da mostra, Paulo Herkenhoff.

Já para Marcelo Campos, outro curador da exposição, Tarsila, como mulher, teve atuação além do campo da pintura.

 “É a primeira vez que Tarsila é contextualizada para além do campo das artes, abordando também o período pelo qual o país passava de lutas pelos direitos das mulheres que assumiam seu papel na sociedade, seus corpos e desejos”, afirmou Marcelo.   

Participam também na exposição como curadoras, Hecilda Fadel e Nataraj Trinta.

Vivenciar a exposição é poder visibilizar ideias e corpos ainda muito circulando na zona escura, como diria o filósofo Leibniz.

INEZITA BARROSO ELEVA SUA VIOLA À CAOSMOSE SONORA

Março 10, 2015

2ab2309e-97c9-46d5-870c-8506f4737f64Sábado passado esse blog Afinsophia.com publicou um texto em homenagem sincera a compositora, cantora, atriz e apresentadora de televisão Inezita Barroso, por seus ilustríssimos 90 anos de insignes criações. Hoje, o blog se permite encadear movimentações outras com Inezita. Só que em sua elevação sonora na dimensão-estética da caosmose-poieticamente sonora.

Para encadear mais corpos no processo caosmótico-sonoro Inezita, vamos publicar esse vídeo que você poderá compor com ela.

Bons movimentos! O que importa é que continua valendo Inezita Barroso!

A GRANDEZA, A SERENIDADE E A FINA SENSIBILIDADE DE CYBELE

Agosto 23, 2014

A cantora Cybele, do Quarteto em Cy, morreu no Rio, aos 74 anos

A cantora Cybele faz parte do conjunto vocal singular da musica brasileira que surgiu na década de 60 e atravessou décadas promovendo a estética sonora de primeira grandeza aos ouvintes.

O famosíssimo Quarteto em Cy composto pelas íntimas, Cybele, Cynara, Cylene e Cyva que saíram da Bahia como Baianinhas para iniciar carreira no Rio de Janeiro, propriamente na Boate Beco das Garrafas, no ano 1964, o início da perversa ditadura civil-militar. Boate situada em Copacabana, point da dita Bossa Nova.

Cybele teve participações originais cantando com personagens ilustres do cancioneiro brasileiro. Como cantora do Quarteto em Cy, gravou clássicos com o afinadíssimo e engajado MPB4. São obras incomparáveis de sensibilidade enaltecedora.

Esse Esquizofia, que compõe alegremente com Cybele e irmãs, proporciona um passeio estético-sonoro com o conjunto da harmonia-singular.

COORDENADORA DO FESTIVAL LATINIDADE: GRIÔS DA DIÁSPORA NEGRA AVALIA O EVENTO E DIZ QUE O PRÓXIMO SERÁ, CINEMA NEGRO

Julho 29, 2014

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Com o fim do Festival Latinidade: Griôs da Diáspora Negra, realizado do dia 23 ao dia 28, ontem, em Brasília, a coordenadora do evento, Jaqueline Fernandes, fez uma avaliação sobre sua realização e já adiantou qual será o tema do festival de 2015: Cinema Negro. Ela também tratou da importância de Brasília sediar o festival. Para ela, Brasília, é um lugar de grande expressividade da cultura negra.924793-festival%20latinidades_vac9633

“Queremos discutir o papel da mulher negra nessa cadeia cinematográfica, o seu protagonismo na produção e também como atriz. Na África, por exemplo, as pessoas não conhecem a vasta produção da Nigéria, em obras que se espalham pelo mundo.

Queremos formar cineclubes que possam sair do Plano Piloto, assim como estamos hoje em uma casa de santo na periferia.

Não tem no imaginário a presença de negros em Brasília – as pessoas pensam que são minoria, quando na verdade uma pesquisa do Codeplan, iz que a população negra do Distrito Federal é mais que 50% do total. A pesquisa fala também onde essa população está presente: nas periferias e nas paradas de ônibus do Plano Piloto.

Tem pessoas do mundo todo vindo para Brasília discutir igualdade racial e de gênero, debater políticas públicas. É esse o espaço de protagonismo da mulher negra, aqui é a capital e que espera-se que ela seja um espelho para o país.

Tivemos ali gente discutindo sobre os griôs da diáspora e pontuando diversos saberes. Lançamos um olhar sobre o que é mesmo um griô, essas mulheres incríveis, que têm conhecimento em várias áreas, com práticas em diferentes momentos, oficina de capoeira, trabalho de benzedeiras, encontro de saberes dentro da academia, da cultura popular e do samba, por exemplo”, avaliou Jaqueline Fernandes.

JUREMA WERNECK, DOUTORA EM COMUNICAÇÃO E CULTURA, DIZ QUE O SAMBA FOI O GRANDE FATOR DA LUTA DAS MULHERES NEGRAS

Julho 27, 2014

O Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, será lembrado com uma série de atividades no Festival Latinidades Edição 2014 Griôs da Diáspora Negra(Antônio Cruz/Agência Brasil)

Falando no Festival Latinidade: 2014, a médica, doutora em comunicação e cultura, Jurema Werneck, afirmou que o samba foi o grande fator na luta pela emancipação das mulheres negras. A luta vem de muitas décadas, disse Jurema. Essas mulheres ativistas eram conhecidas por ialodês. De acordo com o tempo, suas lutas passavam a outros seguimentos necessários a liberdade delas.

Nas décadas de 30,40 e 50 suas lutas eram por educação, creches demandas do Estado. A própria história de Jurema confirma essas lutas. Sua avó era analfabeta, sua mãe fez até o ensino fundamental. É preciso continuar lutando porque o racismo não desapareceu.

Para sua tese de doutorado, Jurema, tomou como elementos de pesquisa as criações e atuações das sambistas como, Jovelina Pérola Negra, Elza Soares, Leci Brandão. Martinália e Alcione. Segundo seu entendimento, Jovelina Perola Negra, luta para afirmar que todas negras eram como ela: uma pérola negra. Jurema disse que Jovelina mostrou sua posição logo na capa do primeiro disco quando colocou seu rosto em close, sem maquiagem e com um pano na cabeça.

“Com que se parece? Com minha tia, minha mãe, minha vizinha”, disse Jurema.

Ela disse também, que a luta contra o racismo é cotidiana e que essa luta aparece claramente na cultura popular.

“Hoje está difícil, mas não se compara. O racismo não desaparece por decreto, desaparece na luta cotidiana. Se o racismo é essa coisa horrível imagina a conquista dessas mulheres para aparecerem na cena pública.

Se se pensar em nome de mulher negra que não é anônima, vai-se pensar em nomes que estão na cultura popular. O caso de Elza Soares, ela cantou para ganhar dinheiro para poder alimentar o filho. Por isso, afirmou que o planeta do qual vinha: o planeta fome.

Se forem ler uma entrevista com a Elza Soares, todo mundo quer que ela conte essa história e sempre dizem em seguida, ‘apesar disso, ela tem força, foi longe’. Como se o problema estivesse resolvido e só ela tivesse nascido neste contexto. Tentar isolar ela da comunidade, mas todo mundo sabe que têm pessoas que tem essa carga de desafios”, analisou Jurema.

Escute o vídeo com Leci Brandão, cantando sua composição comprometida socialmente, Zé do Caroço, com a talentosa Mariana Aydar.

BLOCO MULHERES DE CHICO REALIZAM HOMENAGEM DE ANIVERSÁRIO AO COMPOSITOR INSPIRADOR

Junho 24, 2014

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Em 2006, as musicistas tocadoras de cuícas, Gláucia Cabral e Viviam Freitas, inspiradas pelas músicas criadas por Chico Buarque que tem como tema mulheres, criaram o Bloco Mulheres de Chico. O fundamento do bloco é cantar músicas que apresentam situações femininas como A Rita, Zeni e o Zepelim, Mulheres de Athenas, entre outras.m_dechico1

O bloco, porém, não se expressa à coletividade apenas com shows buarqueanos. Ele também compõe, durante o carnaval no Rio de Janeiro, um coletivo-dionisíaco que chega a agregar mais de 20 mil foliões. Ele também se apresenta durante todo o ano em shows variados em outros estados. Também realiza apresentações beneficentes. Seu público é constituído de pessoas de várias idades: crianças, adultos e idosos que adoram suas performances e seus adereços coloridos e cintilantes.

Mas, há outro signo que fundamenta também o Bloco Mulheres de Chico. É a homenagem que o bloco presta ao compositor durante o dia de seu aniversário. Como Chico Buarque aniversariou no dia 19 desse mês, completando 70 natalícios, o bloco irá realizar sua homenagem anual ao artista no dia 26, quinta-feira, no Teatro Rival BR, no Centro do Rio de Janeiro.

Todavia, a homenagem não vai se reduzir apenas a atuação do Bloco Mulheres de Chico. Vai contar também com a participação do grupo Mulheres de Hollanda que também já constituiu uma trajetória artística consolidada. Logicamente que o show é convidativo e atrai quem mora no Rio.400px-Desfile1

Diante de tanto acolhimento do público. O Bloco Mulheres de Chico já está construído uma projeto para realizar seu percurso internacional.

“MEU CORPO NÃO É SEU – DESVENDANDO A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER”, DO COLETIVO FEMINISTA THINK OLGA, TEM LANÇAMENTO

Junho 11, 2014

As feministas, Juliana de Faria e Bárbara Castro, autoras do livro Meu Corpo Não é Seu – Desvendando a Violência Contra a Mulher, editado pela Editora Breve Companhia, tratam do tema com a consciência e o conhecimento de quem tem responsabilidade política e social com a condição humana na atualidade. Um tema que não pede apenas solidariedade, mas, acima de tudo, luta intransigente. Por tal, o livro apresenta dados de pesquisas e depoimentos de mulheres que foram violentadas.

A questão é simples de compreender, mas não é simples para elucidar e transformar seu modus de operação, visto que a personagem principal da crueldade do tema são os homens em função de representarem o modelo determinante da violência. O que as autoras propõem é mostrar como ocorre à violência contra mulher e mostrar como se trata de um crime mais recorrente no mundo, e, entretanto, e menos punido.

Se há, por parte desse modelo, a violência contra a mulher observada nas ruas, há, porém, quase que uma invisibilidade da violência contra a mulher em sua própria casa. Que fica reduzida ao silêncio. Ao medo e a impunidade. O que torna um ciclo-vicioso onde o homem tem a mulher como seu objeto-morto necessário para exercer sua patológica extravagância física, sexual, moral e psicológica.

Durante o lançamento, as autoras promoveram um debate sobre o tema que contou com as participações de Aline Valek, colunista da revista Carta Capital, Maria Saruê, diretora de pesquisa do Instituto Data Popular, e Tica Morena, da Marcha Mundial das Mulheres.

“Para uma mulher, o mundo é mais perigoso. Existe uma categoria inteira de crimes, de diversos tipos – psicológicos, sociais, simbólicos, físicos – que são praticados especificamente contra ela. Ou seja, homens e mulheres são vítimas de violência de maneira diferente: enquanto eles são as maiores vítimas letais da violência no espaço público, elas são as maiores vítimas da violência doméstica e sexual.

O estupro é apenas um dos pontos extremos de uma longa escala em que aparece a violência doméstica, o femicídio, agressões físicas e ameaças psicológicas. E ainda há um crime que até recentemente não era reconhecido como tal: o assédio sexual.

Entendemos porque o assédio causa tanto medo: é um comportamento violento, sim, porque parte de pessoas que acreditam ter o privilégio de explorar e alienar a existência feminina sem nenhuma dor na consciência”, mostram as autoras.

Não esquecer que elas são criadoras do Mapa Chega de Fiu-Fiu cujo objetivo é mapear os pontos mais críticos da violência contra as mulheres.

É uma obra que por seu teor e compromisso político-social, não deve ser deixada de ser lida. E tem mais um sinal para ser lida, aliás, dois: custa a bagatela de R$ 5,99, e tem 32 páginas. Esse sinal é referente aos preguiçosos-epistemológicos que amam livros com páginas reduzidas por imaginarem que o valor de um livro encontra-se em seu número maior de páginas.