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O TESTAMENTO DE JUDAS ANO 2014

Abril 19, 2014

Que tempo bom, amigos brasileiros! Que bom tempo de Páscoa! Tempo da passagem em meu amicíssimo Jesus Cristo. Transubstancial mudança sempre para melhor. Que alegria incontida de me encontrar novamente aqui no Brasil. Não podia ser diferente: eu amo vocês, brasileiros! E nesse tempo pascoal, tempo de Copa do Mundo, a maior expressão futebolística desse povo guerreiro que quer festa o ano inteiro. Tempo também de eleições. A festa democrática de um povo que soube suplantar uma ditadura desumana. Que tautologia a minha: toda ditadura é desumana.

É isso aí, amigos brasileiros! É isso aí, gente boa! É isso aí, gente fina! Aquela história mitificada e mistificada que inimigos de Cristo propagaram: que eu o traí por 30 moedas, não precisa mais tratar. Vocês já sabem o que verdadeiramente ocorreu. A história-real já explicou. Esse blog da Associação Filosofia Itinerante (Afin), também já explicou. Nossa luta era política. Cristo queria primeiramente a liberdade das almas individuais para depois realizar a liberdade coletiva. Eu pensava que deveria ser o contrário: a liberdade coletiva, primeiro. Errei. E feio, torcida brasileira!

Um povo não pode ser livre sem antes libertar sua alma individual. Cristo sabia disso. Esse o terrível medo dos imperadores romanos e judeus. O ladrão crucificado sabia dessa verdade. Barrabás, que era um militante político pró-Israel, também sabia. Barrabás, cujo sufixo aramaico Abbas, que significa pai, depois passou a ser o nome de uma banda sueca de rock romântico. Não é minha praia, mas fazer o quê? Por isso fizeram a propaganda para denegrir a Cristo e a mim. Todo tirano tem medo dos homens livres, por isso eles cultivam a escravidão. O medo do escravo é a grande segurança do tirano. Cristo era livre. Esse o medo dos tiranos. Para Cristo não havia dívida, não havia culpa para pagar, como quer Paulo. Nada de ressentimento, má consciência, remissão dos pecados, são invencionices dos que queriam Cristo como um tirano, como diz meu amigo filósofo Nietzsche.

Mas a verdadeira história já guardou em sua arqueologia o tempo verdadeiro da Boa Mensagem, e não a história mitificada e mistificada. Agora, se há ainda alguém que credita no tal do beijo da traição, para justificar sua ignorância, nada há o que fazer. Assim como não há o que fazer com alguém que acredita que 30 moedas poderiam comprar um Homem como Cristo.

A prova da trapaça histórica perpetrada pelos tiranos é a minha presença aqui junto de vocês. Se eu tivesse sido um traidor como eu estaria aqui no Brasil, com vocês, meus amigos, se esse é o país mais católico e cristão do mundo? Só se vocês fossem um povo otário. O que não é verdade. Se vocês fossem otários não teriam elegido o meu amigo Lula duas vezes e elegido Dilma, e não estriam prontos para reelegê-la. Quem é tão democrata assim, não é otário.  

Agora vou enunciar, com a permissão de todos vocês, o meu Testamento 2014. 

E agora preclaros brasileiros

Nesta festa pascoal

Vou abrir meu testamento

Com lembranças do bem e do mal

Porque amo esse povo

Desse país tropical.

Agora sem mais delongas

Vou enunciar meu testamento

Espero que cada agraciado

Mostre o seu contentamento

Pois se há coisa que não curto

É falta de reconhecimento.

 

Vou começar com minha amiga Dilma

Que governa com os sentidos e a razão

Por isso deixou-lhe inconteste presente

Sua comprovada reeleição

 

Ao meu companheiro Lula

Que faz tremer candidato afoito

Deixo-lhe a irrefutável realidade

Sua vitória em 2018.

 

Ao príncipe sem trono, Fernando Henrique

Campeão de rejeição

Deixo-lhe o Ulisses de James Joyce

Para lhe acompanhar na solidão.

 

Para o senador Aécio Neves

Candidato da ignara-burguesia

Deixo-lhe muito Sonrisal

Para tratar de sua azia.

 

Ao candidato Eduardo Campos

Socialista de fabulação

Deixo-lhe as orações de Marina

Para acalmar a frustração.

 

Para conspiradora TV Globo

Que todo dia perde audiência

Deixo a inteligência do povo

Para lhe levar a falência.

 

Para a trupe dos jornalistas reacionários

Que tramam contra o governo popular

Deixo-lhe o Troféu Cabo Anselmo

Para de sua missão se orgulhar.

 

Para a dublê de jornalista, Sheherazade

Apologista da tortura

Deixo a dignidade dos presos

Vítimas da ditadura.

 

Ao Paulo Henrique Amorim

Molière da ironia afiada

Deixo-lhe as virtudes de Serra

Uma fonte de piada.

 

Ao jornalista Mino Carta

Senhor de inteligência engajada

Deixo-lhe o elixir dos sábios

Para enfrentar a mídia depravada.

 

Aos companheiros da Carta Maior

A potência do jornalismo virtual

Deixo-lhes minha biblioteca

Inclusive a 1º edição do Capital.

 

Aos blogueiros-progressistas

Chamados pelos reaças de sujos

Deixo-lhes documentos inéditos

Que mostram quem são os ditos cujos.

 

Aos parlamentares calculistas

Que assinaram a CPI da Petrobrás

Deixo mais quatro anos pra Dilma

Pra eles curtirem seus ais.

 

Para burguesia-ignara

Cujo espírito é ambição e egoísmo

Deixo-lhe o fim de sua ilusão

A morte do neoliberalismo.

 

Aos médicos-burgueses

Defensores da medicina de mercado

Deixo-lhes o paciente do SUS

Feliz, confiante e curado.

 

Aos profissionais do Mais Médicos

Que os médicos-burgueses querem a destruição  

Deixo-lhes a fé inquebrantável

Praga de invejoso não pega em cristão.

 

Ao deputado Praciano

Que com o PT está frustrado

Deixo-lhe a essência do partido

Que ele não tem lembrado.

 

Ao prefeito Arthur Neto

Que se diz “orgulho do Amazonas”

Deixo o festival de buracos

Com Manaus enterrado em suas zonas.

 

Ainda para o prefeito do PSDB

Cuja administração é marketing puro

Deixo-lhe o quadro que lhe espera

Um fim de mandato obscuro.

 

E o transporte coletivo

Que por ele nada é feito

Reafirma mais uma vez

Que Manaus não tem prefeito.

 

Aos alienados professores de Manaus

Analfabetos políticos por opção

Deixo a inteligência dos estudantes

Para que mudem de profissão.

 

Para a imprensa do Amazonas

Submissa aos governadores

Deixo-lhe o calote desses

Para ver se criam pudores.

 

Aos ‘políticos’ do Amazonas

Que dos governantes são efeitos

Deixo o eleitor consciente

Para jamais sejam eleitos.

 

Para as igrejas pecadoras

Que exploram a fé do cristão

Deixo-lhes a falta de memória

Pra não lembrarem as palavras Deus e religião.

 

Ao ex-prefeito de Coari, Adail

Que se julga acima do bem e do mal

Deixo-lhe o julgamento preciso

Da Justiça Federal.

 

Em tempo de Copa do Mundo

Que para o brasileiro é paixão

Deixo-lhe o caneco de ouro

Embora não tenha seleção.

 

“Nem Cristo agradou a todos”

É o que se ouve falar

E eu como amigo Dele

Também não vou agradar

Por isso peço desculpas

A quem não pude presentear.

 

Porém prometo enviar breve

A lembrança a quem compete

Mas é preciso forçar o Senado

A provar o Marco Civil da Internet.

 

Agora acabo meu testamento

Impregnado de saudade

Mas crente que o brasileiro

Vai impor-se contra a maldade

Porque só ele pode produzir

A democracia com liberdade.

Beijos deste amigo iscarioticamente, Judas!

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ÚLTIMA PARTE DA ENTREVISTA HISTÓRICA COM O ETERNO-REBELDE-INOVADOR TEATRÓLOGO JOSÉ CELSO

Abril 2, 2014

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Chegamos à última – sem a final – da entrevista histórica com o eterno-rebelde-inovador do teatro brasileiro José Celso Martinez Correa, realizada por Tite de Lemos para a Revista Civilização Brasileira para o segundo número do caderno especial Realidade do Teatro Brasileiro.

Nas antes publicadas José Celso expos os recalques da burguesia paulista que com seu reacionarismo impede a clareza e a concretização de uma cultura original brasileira. Zé Celso também tratou da condição do teatro do ano de 1968, época da histórica entrevista, assim como do pensamento de Brecht, a importância nacional do cinema Terra Em Transe do premiado cinegrafista Glauber Rocha, a inovação em suas montagens, O Rei da Vela, Oswald de Andrade e a revolução de sua arte antropofágica. Agora, chegamos nesse 1° de abril, dia da mentira, na última parte da entrevista histórica que revela a mentira imposta pela concepção de uma estética burguesa.

A ENTREVISTA – “A GUINADA DE JOSÉ CELSO”

JOSÉ CELSO – Isso não pode ser julgado, como foi pelo crítico Décio de Almeida Prado, como uma questão de equilíbrio: primeiro ato, circo, segundo: revista, terceiro: ópera. Ora, porque não “cinema”, porque não “TV”, porque não “ballet”? Se o terceiro ato foi concebido em termos de ópera (aliás, foi a primeira intuição de “misennscène” da obra: o terceiro ato ficou de pé em três dias de ensaio tal o entrosamento do conteúdo e forma que obteve) é por razões que a crítica deveria interpretar. Não por um equilíbrio idiota. Esse negócio de equilíbrio é absurdo no espírito de um espetáculo como este. Porque disso nós começamos a conceituar no programa, mas não é função nossa, mas sim, do crítico ler o sentido desta forma. Mas como crítico é insensível à política, por exemplo (não deve ter esses problemas!), o terceiro ato desaparece da crítica, não existe. Mas o que se vai fazer? Realmente o espetáculo como Onde Canta o Sabiá de Grisolli, muitos de Abujamra e de outros diretores são tentativas de estabelecer entre nós um tipo de arte – a arte da direção, a do “texto” da direção. Dirigir não é como no tempo do TBC, manter o equilíbrio dos atos, iluminar direitinho, fazer o ator falar impostado, dar ritmo aqui e ali, meter uns cenários bem pesados de compensado e pronto. Há já mais de um século de arte supercriadora de direção que hoje é a única forma de produzir um teatro como arte. Recriação que é criação. Aliás, muita gente sabe disso. Isso já foi feito e somente ainda não foi mais desenvolvido por falta de uma crítica que se constituísse em interprete, em exegese desse tipo de teatro. Nós temos que criar entre novos realizadores, enfim, entre a mentalidade nova de teatro, atores, cenógrafos, diretores, um órgão de imprensa que permita que nós falemos de nossa experiência. Dirão: basta inovar que as coisas espontaneamente serão tidas como novas. Mentira a ideologia do novo, da demonstração de que algo de novo, por mínimo que seja, aparece em um espetáculo é um fator importantíssimo.

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O Sr. Décio de Almeida Prado, por exemplo, é mestre em retirar as cargas explosivas de todas as inovações. Tudo que se faz de novo neste país em teatro ele elogia e incorpora dentro de uma tradição calma do “já feito”. E a coisa que poderia ter um aspecto novo, recebe um golpe de esterilização e entra na rotina de um processo mole e anêmico do teatro brasileiro. O Rei da Vela é o novo numa série de coisas. Mas não há a ideologia de um novo setor que hoje faz a crítica. Portanto, a crítica que deveria ser a consciência de uma classe teatral é a consciência de um teatro morto, ou melhor, uma consciência morta.

O grande aspecto novo quem percebe é que está criando arte neste país. Assim o pessoal do Cinema Novo, da música brasileira, vê e revê o Rei da Vela, incorpora sua experiência em suas realizações, em seus projetos. Eu ouço as músicas, vejo e revejo filmes e vou descobrindo que alguma coisa nova está nascendo no país. E se até no teatro isto chega, é bom sinal.

Resumindo, o que há de mais novo no Rei da Vela é um estilo de direção que fala través das maquiagens, dos mínimos acessórios, das interpretações, do fato de serem atores jovens que fazem papeis de personagens maduros, etc. Tudo isso é uma opção nova. Se tudo isso for julgado a partir de categorias do teatro quadrado tradicional, não funciona. Neste caso, nossa bomba, Quatro num Quarto funciona bem mais. Para mim foi uma grande descoberta. Pela primeira vez eu falei com inteira liberdade. Estou presente no espetáculo conforme me encontrei com Oswald. Assim como cada ator o cenógrafo. Todos nós fazemos O Rei da Vela. Transformamos a peça num comentário nosso, ultrapessoal, inclusive, sobre o todo da realidade brasileira. Cada um de nós assina o espetáculo. Quem se abre e quer descobrir tudo que nós queremos comunicar, vai encontrar uma abertura imensa de nossa parte. Há toda simbologia fálica e não fálica da peça para ser lida e interpretada pelo espectador. Há toda a colocação do problema do ator da nova geração perante uma tradição de teatro de chanchada, interrompida abruptamente pela aridez cafonamente aristocratizante do TBC. Há milhões de coisas. Para mim, inclusive, o problema é grande. Como me atirei de cabeça, acabei descobrindo coisas que nunca cheguei a imaginar. E que me comprometeram.

TITE DE LEMOS – Quais as reações do público no espetáculo?

JOSÉ CELSO – O público reage ao espetáculo até não reagindo. Temos essões silenciosas, trágicas. O público parece não entender nada. Ou então se revolta. Ou está apático ou não acha nada, sei lá. A plateia muitas vezes lotada, sai sem nenhuma reação. Outras vezes, entretanto, o espetáculo recebe adesão total e histérica da plateia, que se manifesta a favor. Às levantam-se da sala e retiram-se, em protesto. Alguns saem silenciosos. Outros se manifestam em voz alta. Um espectador teve um ataque quase histérico e chegou a chamar Oswald no peito, para leva-lo ao DOPS. Chegaram mesmo a fazer um poema, afirmando que nós deturpamos o sentido da peça. Nele se pedia que Oswald lavasse “com sangue” nosso pecado de tê-lo deturpado. Enfim, é uma relação de luta. Luta entre atores e público. Metade deste, praticamente não adere. Ou detesta. Ou não entende. A peça agride intelectualmente, formalmente, sexualmente, politicamente. Isto é, chama muitas vezes o espectador de burro, recalcado e reacionário. E a nós mesmo também. Ora ela não pode ter a adesão de público que não está disposto a se transformar, a ser agredido. Ela não vai com as boas consciências, com as boas almas. Mas em compensação ela tem a adesão de um grande setor da plateia que se comunica coma violência do espetáculo. Tem servido para mim e para o Oficina como ponto de contato com tudo que vem surgindo de criativo e novo no Brasil. Antes de O Rei da Vela, nós vivíamos isolados. Depois da encenação nós fizemos grandes amigos e um bom número de inimigos também. Mas como compensou! As novas relações todas que o grupo fez e faz através da peça, com gente que está criando em todos os setores da arte, abriu o comércio que sempre faltou ao teatro e outros setores da cultura. O Rei da Vela deu-nos a consciência de pertencermos a uma geração. Pela primeira vez eu sinto isso.

Há uma geração que vai começar a intercambiar, a começar a criar. Fui violentamente influenciado por Terra Em Transe. Hoje fico satisfeito em saber que Arnaldo Jabor, Cacá Diegues, Leo Hirschman, Gustavo Dahl e tantos outros receberam o que eu quis comunicar com o espetáculo. Fico satisfeito de Caetano Velloso ter escrito que agora compõe “depois” de ter visto a peça. Que Nelson Leirner acha a coisa para o teatro tão importante como o neodadaísmo na pintura. Enfim, eu não deveria citar nomes, pois tanta gente falou e ainda fala na comunicação da peça, mas serve para ilustrar. Eu sinto que a obra se comunica violentamente, mesmo quando a plateia permanece silenciosa. Ela está agindo mentalmente. Ou para se achar, o fim da burrice ou para destilar veneno (que destila pelo telefone ou então no que escreve no questionário que nós mantemos permanentemente no teatro). Ou então para se comunicar conosco. Os 50% que se comunicam com a peça, valem. E par falar a verdade são muito importantes os outros 50% que a detestam.

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O interessante é justamente que ela divide o público. Sempre. O público estudantil, inclusive. O que é igualmente muito positivo. Queira-se ou não, um público dividido política e socialmente. Ela também divide o público intelectual. Une as plateias que paga sete cruzeiros novos aos sábados, unânimes em não entender nada ou em reagir violentamente contra. Mas une um público novo, sintoma de mentalidade nova, que se forma neste país. E mais positivamente une o público mais popular. Fizemos, como experiência, uma sessão par o público do bairro; a reação foi a mais genial possível. Reação de riso livre, do deboche de toda problemática de que eles realmente somente podem rir pra valer.

Mas a maior reação, em todo caso, foi minha mesmo. E dos que fizeram o espetáculo. Esta entrevista eu nunca daria a propósito de outra peça. O Brasil de hoje, ou o Oswald, ou nós, não sei, tem uma coisa estranha. Atribuo tudo, um pouco espiritamente, ao espírito de Oswald mesmo. Depois de O Rei da Vela tenho vontade imensa de debater, de espinafrar. O espetáculo tem defeitos aos milhares. Mas não é isso que impede sua comunicação. O caso está na esfera dos valores. Hoje já adivinhamos de antemão as pessoas que aceitam ou não a peça. As reações começam a passar a ser previsíveis.

O espetáculo é um diálogo terrível com o público. A comunicação negativa da peça, entretanto, já nos trouxe problemas. Tanto que o espetáculo terminou por ser mutilado e exatamente no “texto de direção”. Por pressões do público que ficou atingido pela violência. Pelo canhão do boneco… Imaginem, uma pessoa sair de casa para ir fazer uma reclamação contra um pedaço de madeira e de repente a segurança do país passa a ser, ter ou não ter aquele canhão naquele boneco? Enfim, estas reações determinaram que não tivéssemos mais debates, o que é uma pena. Fico hoje satisfeito em saber que o teatro tem o poder de suscitar essas reações fortes. Enfim, o teatro comunica pela porrada alguma coisa. Confirma assim tudo que se prevê de recalque infantil que esta plateia tem. Ela está toda mistificada e merece receber mesmo, violões* e outros bichos pela cara”.

*Referência ao violão que o cantor, compositor, cinegrafista, poeta, contista Sérgio Ricardo, jogou contra o público do Festival de Música Popular que o agredia e impedia que ele continuasse a cantar sua música.

 

Inscrições abertas até domingo para parceria Cinema e direitos Humanos no projeto Inventar com a diferença

Novembro 15, 2013

cine dhAcesse o sítio aqui

PRODUÇÃO COLETIVA ARTE OCUPA MANAUS DEVOLVE A PRAÇA AO PÚBLICO

Fevereiro 26, 2013

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A não-cidade de Manaus sempre foi governada por pessoas tristes que tentaram e continuam tentando de todas as formas manter a população resignada e improdutiva. As produções pseudo (ou somente e raramente) artísticas foram sempre direcionadas a uma cultura-valor (aquela que adiciona valor aos que tem acesso a ela, em uma relação social de poder como expõe Guattari) para uma classe mediana e improdutiva.

Como já discutimos anteriormente Manaus é uma não cidade pois dificilmente se encontra artistas, vemos apenas aqueles que são dependentes do Estado para produzir suas pirações. Assim os poucos se mostram interessados muitas vezes esbarram nesta realidade deprimente e não conseguem ir muito adiante.

Porém quando diversas pessoas da sociedade civil organizada, cidadãos comuns como qualquer outro decide deixar esta realidade opressora de lado, acreditar na sua capacidade produtora independente de qualquer auxilio do estado e ir para a rua mostrar sua arte, sua voz, sua presença no mundo.

Esta foi a idéia do Arte Ocupa Manaus, uma ocupação de um dos espaços urbanos para que seja devolvido a produção e presença coletiva. Assim esta ocupação foi dar vida a não-cidade de Manaus que através das desadministrações políticas da cidade temos um verdadeiro cemitério a céu aberto. É só andar pelo Centro da cidade para perceber uma história de abandono da população pelos governantes e que por isto deve-se ocupar o espaço público para oxigenar as veias da não cidade.

Assim diversos grupos e artistas de rua decidiram ocupar no domingo da semana passada (17) a Praça Dom Pedro II, localizada ao redor da Antiga Prefeitura e do INSS. A recente reforma da praça com seu coreto e fontes pintados não escondem todo a deprimente realidade que a cidade se encontra, sem os serviços básicos principalmente nas quebradas do mundaréu onde estão as Zonas Norte e Leste.  Porém diversas expressões de amazonenses produtivos, que não sofrem do sentimento de inferioridade imobilizante sobre outros povos (principalmente pelos mais ativ@s paraenses, maranhenses, piauienses, etc) e nem deixam ser deglutidos pela inoperancia do governo e dos artistofastros (falsos artistas).

E rolou a moçada da capoeira, do grafite, do freestyle, do rap, do samba, da poesia, das artes plásticas, dos malabares, do circo, e muitas outras atividades artística. Conversamos com os dois propositores do evento, a ativista Renatinha Peixe-boi e o Grafiteiro Raiz, que deram o início no evento que juntou mais de 200 pessoas em um encontro gostoso, produtivo, que aumentou a potência de agir de cada um que foi para conhecer somar e multiplicar este evento que foi o primeiro de vários outros a vir.

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Eu acho que eu só consegui dá o enter nas idéias que já estavam no coração e nas idéias de muita gente, não só como em um espaço físico, mas no espaço do irreal, do intocado que está dentro de cada um, na possibilidade de fazer e ajudar de fato o irmão com coisas boas. Como por exemplo uma pintura de parede que pode modificar a vida de uma criança que está observando a arte de pintar a parede quando ela poderia está observando o cara alí fumando oxi. Então a idéia foi quando a gente veio pintar uma parede e quando a gente viu estavamos cercados pelas pessoas da comunidade, interessadas pela pintura, falando sobre as necessidades que são necessidades comuns de todo mundo: necessidade a cultura, a liberdade de expressão, de um espaço físico adequado para utilizar. Este aqui é o ponto de prostituição mais famoso da cidade, no entanto é em frente a primeira prefeitura, o prédio do INSS onde as pessoas ficam na fila pra receber um benefício. Então é mostrar que a gente não precisa de mais nada, não precisa de grandes estruturas para resolver nossos próprios problemas. Somos nós que vamos resolver os problemas, não vai ser o governo, não vai ser o dinheiro, vai ser boas ações. Só o fato de a gente estar aqui neste domingo hoje compartilhando, tenho certeza que vai nascer muita coisa boa .Pretendiamos fazer primeiro este encontro em uma mansão. A gente tava saindo de um centro cultural e foi passando na frente desta casa, a gente viu a porta aberta e pensou vamos invadir e fazer um centro cultural. Aí a gente foi entrando e vendo a grandiosidade da casa, cheia de mármore, com piscina, gigante. A gente chegou lá e pensamos em ocupar pra fazer uma exposição com o grafite, por a galera é isto aí, não tem medo de polícia, sabem muito bem dos direitos que defendem quando vão pra rua pintar. Só que a idéia foi crescendo e fomos ficando mais preocupada com a estrutura física, se poderia suportar a quantidade de pessoas. E no dia seguinte viemos aqui nesta parte de trás e a comunidade foi chegando e apreciando.” Renatinha Peixe-Boi

Os grafiteiros Hulk e Raiz

Os grafiteiros Hulk e Raiz

Os movimentos aqui em Manaus tem esperado muito das atitudes governamentais. Os skatistas não constroem mais suas rampas pra andar de skate. Então a gente reuniu esta moçada para a galera dar o que tem de melhor. E você está vendo que faltou alguns movimentos, isto por que os movimentos ainda estão fracos. Olha o grafite aí que veio, pintou tudo por que a galera realmente é independente. Mas temos que agradece a galera que fez mesmo, por que quem está aqui pra somar é a galera que temos que acreditar, tem que fortalecer, todo mundo tá tendo seu espaço aqui, isto não está custando nada, não tem nada com dinheiro, a gente está fazendo tudo na força de vontade. A gente quer mesmo é que a galera abra os olhos, por que se a gente diz que a arte salva, vamos provar isto, não vamos ficar esperando ações e atitudes de outras pessoas. E que massa que vocês estão fazendo esta entrevista, que possam divulgar, compartilhar, estar conhecendo uma galera que não conhecia pois é para promover uma união geral. Eu estou só feliz, os caras da polícia estão meio incomodados andando pra caramba, tomara que eles não pegue a galera do bomb que está fazendo uns riscos alí.” Raiz

Dando um rolê pela praça logo sentia a diversidade deste grande evento e um dos grupos que logo encheu o espaço de uma forte cultura multicentenária e história foi o pessoal da capoeira do Mestre Xangô que veio do São Jorge para mostrar esta expressão afro em conjunto com seu trabalho social e conversou com a moçada do bloguinho sobre o evento e da praça ser ocupada com arte.

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Meu nome é José Carlos, sou o Mestre Xangô, presidente e mestre do Grupo Manaus Capoeira e sou morador do bairro de São Jorge há 41 anos. Este trabalho que a moçada está fazendo aqui é uma maneira de fazer uma pequena manifestação e se direcionar as pessoas que se preocupam muito com coisas pequenas, quando tinham outras coisas a se preocupar como a cultura, a dança, a arte, como as outras manifestações que são feitas em Manaus e fora dela por amazonenses que sairam pra divulgar já que aqui não tem espaço.

Nosso trabalho é um trabalho social no bairro de São Jorge, na quadra da Igreja de São Dimas, onde a única coisa que a gente cobra todo ano é o boletim escolar, se tiver ruim no colégio não treina e só volta quando estiver melhor. E como os meninos não querem perder o espaço onde treinam eles dão 100% no colégio. Por isto eu sempre digo que você tem que estudar e manter o esporte sim e dizer sempre não as drogas, mas sem nunca discriminar ninguém. A gente tem pouca divulgação no nosso bairro. Este evento que estamos fazendo podia estar cheio por que é um trabalho gratuito e esta manifestação devia ter em toda praça pública inclusive em datas como no dia 20 de novembro [Dia da Consciência Negra] que a cada ano que se passa está diminuindo mais, as pessoas quase não estão indo pras manifestações por que não está havendo uma atividade cultural e o que tem muitas vezes não tem nada a ver com a cultura afro ou negra. Por isto dentro dos bairros, das comunidades, as praças tem que estar limpa e aberta para a cultura. Estão utilizando as praças hoje, mas não tem espaço para as crianças, que é um direito delas ao lazer, ao esporte, a cultura que está dentro do ECA. Estão enchendo as praças de brinquedos onde ninguém pode mais brincar e se quiser brincar tem que pagar, enquanto a praça é pública. E assim todas tem que estar abertas para cultura.” Mestre Xangô

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Além dos malabares que deixaram a praça com um aspecto alegre e lúdico estava presente o palhaço Curumim que encheu a praça de gargalhada da criançada e transeuntes que não resite a leveza do artista palhaço. Em uma conversa com o bloguinho o artista Rosival que recebe o palhaço Curumim falou sobre sua participação e da expressividade que este encontro tem para todos os cidadãos.

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O palhaço curumim se sente honrado de poder vim numa praça como esta que tem todo um histórico em Manaus. Histórico em prostituição, de abandono e tudo mais. Então este movimento vem exatamente para resgatar a questão do espaço público que precisa ser cuidado. Então para o palhaço Curumim é extremamente importante que além deste lugar aqui a gente poder levar para outros lugares, porque Manaus está carente disto, carente de arte. E quando a gente fala de arte não é só o palhaço, mas arte com toda sua plenitude: levar as crianças, levar as vovós, os vovôs, levar todo mundo. Manaus precisa ocupar seus espaços, colocar arte, dar vida, por que Manaus precisa de vida. Neste domingão de chuva que está maravilhoso dá vontade de a gente sair pulando por estas praças. Adoro praça e este espaço veio a calhar e este movimento é que Manaus precisa acordar. Mais importante que os grandes eventos, o poder público também precisa investir na arte lá no bairro, lá na periferia, isto está faltando, valorizar isto, enquanto expressão da comunidade. É por isto que eu sou palhaço e é por isto que eu sou mambembe para ir a outros lugares.” Palhaço Curumim

A moçada do grafite se fez presente em mais um encontro artístico que contou com mais de 20 grafiteiros e considerados do Bomb com gente da antiga como Buiu, Rogério Arab, Paradise, Blur, Mega, e vários outros. Abaixo vemos um registro histórico da moçada com alguns grafiteiros que estiveram presentes desde o início do evento e que sempre trocaram suas experiências, amizade e estilos artísticos.

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Conversamos com alguns grafiteiros que nos falaram deste grande encontro de grafiteiros e dos mais diversos artistas urbanos.

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Eu acho muito válido em um domingo destes, ainda mais no Centro, eu amo pintar no Centro e é muito massa. Reunir toda esta galera, todo mundo aqui num domingão, sempre desenvolvendo a arte e quebrando estes mitos que arte é isto ou aquilo. Tudo é arte. Ela é vandal, é subversiva, mas é arte. Um artista se liberta, não importa o material, faz, aprende, se supera. Alguém tem que fazer os trabalhos para ficar melhor.” Paradise

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Sou o escritor Soor que estou na rua na atividade e na minha opinião é um projeto muito bom que o cara vai trabalhando. É a arte que na vista de muitas pessoas é vista como vandalismo, mas o pessoal tem que saber diferenciar o vandalismo da arte de rua, que vem da arte da cultura urbana. É uma boa reunir a galera pra pintar no final de semana, estar se distraindo e convido toda rapaziada que puder vim ver nosso trabalho. Melhor do que estar envolvido em droga nós estamos com este trabalho que está tirando muitos jovens usuários de droga e trazendo aqui para o mundo da arte” SOOR

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É bom que não é só o grafite aqui hoje como em geral é, tem todos estilos: o circo, grafite, artes plásticas. Isto no meu conhecimento é uma novidade. Bom estar mandando este grafite com a galera interagindo pra caramba, mesmo tendo só alguns espaços, a galera distanciada mas o clima está bom demais, tudo perfeito. Um dos melhores eventos da cidade e a idéia é se encontrar mais vezes durante o ano fazendo em outros lugares. ” Buiu

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Também marcaram presença o pessoal do Freestyle, estilo de rima com base no rap, onde se tem que criar as rimas na hora. Os participantes fizeram mais uma Competição de Freestyle Amazonas e mandando muito bem. Os competidores se superavam para não perderem na rima do adversário, e assim tinham que usar sua capacidade para mandar sempre uma rima melhor.

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E como a produção não parava em todos os cantos da praça muitos aproveitaram para ficar também durante a tarde, quando também foram chegando novas expressões para mostrar e trocar experiências com a rapaziada que já estava presente.

O pessoal do Mestre Xangô aproveitou para cair no samba de raiz e deixar a praça com ainda mais alacridade. Chegaram também vários poetas e mais grafiteiros que começaram a ocupar todo o Centro e seus espaços abandonados, alguns há mais de uma década.

E no agradável passeio pelo centro de Manaus vimos as cores encher Manaus da vivacidade das cores. Encontramos nesta caminhada pelos arredores do Centro as talentosas representantes  do grafite feminino e trocamos uma idéia com as belas Lori e Hippie Greeny que deixavam sua arte sobre a cinzas telas que eram transformadas em pulsações  visuais.

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Na verdade este evento foi bom por que fazia muito tempo que não rolava algo assim que reunia todo mundo pra fazer uma ação assim. E fazer aqui no centro pra todo mundo se rever por que tinha muita gente que pintava há muito tempo atrás e que já tinha dado um tempo e com este evento se empolgou de novo e aí está aqui pintando e isto é muito legal. Pra mim fazer este trabalho é deixar um pedacinho meu no muro, então o que eu sinto eu deixo alí, independente do que eu sinto ou não, se estou mais feliz ou mais triste, tudo eu deposito alí pra não descontar em ninguém. É uma forma de eu liberar um sentimento preso em mim.” Lori- Arte sem limites (ASL)

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Achei este evento muito bom por que tinha tempo que o pessoal não se encontrava. E o lugar está bem deteriorado, então dar uma cor para um muro totalmente sem vida é bem bacana. E não é só o grafite, são vários movimentos juntos, por isto acho que deveria ter mais. Participar de um evento assim é muito bom para o nosso crescimento, por que é uma coisa que vai ficar podemos fazer de novo e a gente vem retoca, faz diferente, sempre procurando evoluir. “Hippie Greeny

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Acima vemos um dos grandes nomes do grafite e do bomb manauara, o sempre presente Blur que também apareceu para expor sua arte no Centro.

Abaixo vemos diversas telas (paredes) sendo ocupadas e criando um fluxo artístico que alimenta as veias esclerosadas da não-cidade de Manaus. Alguns lugares como os interiores de uma casa abandonada, terrenos baldios serviram de suporte para que a arte penetrasse em suas estruturas já bastante empedernidas

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A arte das grafiteira Meg e Poly

O artista grafiteiro Broly

O artista grafiteiro Broly

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O estilo do bomb/grafite de Vapor

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No fim  da tarde agentes da Guarda Municipal apareceram para admoestar os grafiteiros por estarem utilizando de um espaço público e que foi relegado pelo poder público. Prédios como o antigo prédio do exército (foto acima) que se encontra há tempos abandonado e teve suas entradas cimentadas e percebe-se diversas plantas que se aproveitaram do abandono para crescerem nos espaços limites da construção.

Os agentes tentaram impor a idéia de que o ato de grafitar era vandalismo e que não tinha nenhuma diferença da pichação. O que prova o desconhecimento da lei de Crimes Ambientais que no seu artigo 65 diferencia e legaliza o grafite. O que os ocupantes estavam fazendo nada mais foi do que dar vida a um espaço afuncional e devolve-lo ao espaço público. Assim aos grafiteiros, cidadãos ativos não podem ser negado a liberdade de sua expressão artistica ainda mais como intervenção urbana.

Porém em um estado que onde a liberdade é tolida, a criação é desincentivada e os jovens marginalizados dificilmente se entenderá a expressividade do grafite e de uma produção como Arte Ocupa Manaus. Por isso mais vezes todos verdadeiros artistas que trazem seu talento ao mundo e as ruas continuarão a ocupar a cidade e novos eventos logo surgirão para que Manaus um dia possa vir a ser uma cidade, já que o possível já está dentro do coração da arte manauara.

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Carimbó resiste na Amazônia e quer ser reconhecido como patrimônio imaterial

Fevereiro 5, 2013

Rodas de Carimbó contam uma parte da existência – e da resistência – cultural no Distrito de Icoaraci, no Pará, onde está localizado o Espaço Cultural Coisas de Negro. O Tambor de Crioula, do Maranhão, já foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como patrimônio imaterial do Brasil. Agora, um coletivo realiza uma campanha para a concessão da mesma chancela ao carimbó.

Lilian Campelo e Rogério Almeida* para Carta Maior

A arte milenar da cerâmica marajoara produzida no bairro do Paracuri proporcionou uma visibilidade além rio-mar ao distrito de Icoaraci. Em tupi-guarani o nome significa “Mãe de todas as águas”. Assim como outras regiões da cidade de Belém, a baía do Guajará circunda o lugar, ainda repleto de furos, igarapés e rios. O rio Paracuri é um deles, assim como o Maguari, o igarapé Livramento, e tantos outros, de onde é retirada a argila – cada vez mais rara – para a produção da cerâmica.

É tempo de chuva na Amazônia. A ausência de saneamento básico impede o acesso dos consumidores do artesanato até o centro produtor. Limite que é sanado com quiosques de venda na orla central do bairro. Além da arte marajoara e tapajônica, músicos de samba, rock, pop e carimbó ajudam a compor a cena cultural do lugar.

Vinte quilômetros separam o centro da capital do Pará do lugar. A esburacada e mal sinalizada rodovia Augusto Montenegro é a principal via que leva ao bucólico logradouro apelidado de “Vila Sorriso”. Edificações ligadas à Igreja Católica marcam o espaço da orla, repleta de restaurantes e vendedores de coco.

Já a abandonada Biblioteca Municipal Avertano Rocha é um resquício dos gloriosos anos do ciclo da borracha. O chalé integra o portfólio da arquitetura do século XIX do município.

O hiato social tem incrementado a violência ao redor. Em novembro de 2011, a chacina de seis adolescentes sem passagem pela polícia comoveu o distrito. Alguns suspeitos estão presos. Mas o caso continua uma incógnita.

O cais que recebe a produção de hortifrutigranjeiros e o pescado é o mesmo de onde é possível embarcar pra o arquipélago do Marajó, e ilhas mais próximas, como a de Cotijuba, que durante muito tempo abrigou o presídio do Estado. Uma viagem de menos de sessenta minutos de barco separa o distrito da ilha. A energia recentemente implantada trouxe mais conforto às pousadas, e incentivou a especulação imobiliária. No mesmo cais no mês de outubro ocorre a romaria fluvial que celebra Nossa Senhora de Nazaré.

Após vários processos históricos, desde os tempos das sesmarias, o distrito de Icoaraci foi instituído juridicamente na década de 1940. Vez em quando alguns setores do comércio e da política local ensaiam um movimento separatista de Belém. Enquanto isso não ocorre, na avenida Dr. Lopo de Castro, nº 1081, a cada domingo, há 13 anos, o Espaço Cultural Coisas de Negro celebra a cultura de matriz afroindígena com as rodas de carimbó.

A percussão é a coluna dorsal da manifestação de matriz afroindígena. Assim como o tambor de crioula do Maranhão, três tambores (curimbó) compõem o nipe percussivo ajudado por maracás. Cabe ao curimbó maior a marcação, enquanto os dois menores solam. Ao contrário da manifestação maranhense, no carimbó existem instrumentos de harmonia, como flauta transversal e banjo. Os grupos mais pop´s agrupam violão ou guitarra e baixo.

Homens e mulheres dançam em movimento circular. Cabe ao homem o galanteio. Na manifestação maranhense cabe às mulheres a dança, e aos homens a música e o canto. As vestes são similares. As mulheres sempre dançam de saia. A camisa de chitão florido é comum na indumentária dos homens nas duas manifestações.

A matriz rural é o elemento comum das atrações culturais nos dois estados. A região do Marajó e do Salgado (município de Marapanim em particular) são as referências de grupos de carimbó no Pará. Já no Maranhão a manifestação é encontrada nos bairros da periferia de São Luís, e em inúmeras áreas em várias regiões do estado marcadas por remanescentes de quilombo. Na periferia de Belém, no bairro da Terra Firme, migrantes maranhenses à Rua dos Pretos mobilizam-se em torno do tambor de crioula.

Espaço Cultural Coisas de Negro – espaço de (re) existência
Os apêndices da história deixam claro o preconceito e a criminalização das manifestações culturais de matriz africana. Códigos de posturas de algumas cidades proibiam as rodas de capoeira e samba. Era coisa de malandro. Para (re) existir o samba ganhou o abrigo em terreiros de umbanda e candomblé, como no caso da Tia Ciata e apelou para o sincretismo. A visão obtusa de antes tem sido oxigenada em dias atuais por alguns segmentos neopentecostais.

Assim como os ancestrais, homens e mulheres negras ou não celebram a cada noite de domingo o carimbó. A casa do Coisas de Negro é modesta. O sobrado recentemente passou por uma reforma. A ornamentação faz referência às culturas africana e amazônica.

A seleção em prêmio do edital de Culturas Populares Mestre Humberto de Maracanã (cantos de bumba-meu-boi do Maranhão), promovido pelo Ministério da Cultura realizado em 2008 possibilitou a reforma. O projeto foi contemplado na categoria Grupos Tradicionais Informais. A iniciativa contou com a ajuda da jornalista e produtora cultural Luciane Bessa, lembra o proprietário do espaço, Raimundo Piedade da Silva, mais conhecido como Nego Ray. Um senhor de média idade de estatura mediana.

O Coisas de Negro – entre o rústico e o haiteck. O espaço cultural apresenta um ambiente rústico. Peças de cerâmica, raízes de plantas secas, sementes e fotografias dos grupos de carimbó impressas em lona de caminhão adornam as paredes com textura de argila.

Nos rituais de domingo, na parede acima do palco filmes sobre cultura popular e curtas-metragens produzidos no Pará são exibidos. O documentário Salve Verequete, falecido mestre do carimbó, não deixa de ser exibido. O cineasta Luiz Arnaldo assina o registro sobre a trajetória de um dos protagonistas da arte popular do Estado. O negro esguio morreu doente e pobre. Somente no fim da vida contou com uma ajuda pecuniária da prefeitura de Belém. Para sobreviver vendia churrasquinho. A sina de Verequete é comum entre os artífices do gênero. A mesma trilha teve o mestre Bento.

Internet, carimbó e cidadania
Talvez nenhum mestre tenha imaginado que as rodas de carimbó ganhariam o mundo. Hoje elas são transmitidas ao vivo via internet. O Carimbó.Net também contou com a participação de Luciane Bessa.O empreendimento que começou no espaço cultural, hoje é projeto de extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA). Ele conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa), através do Edital Ações Colaborativas para a Cidadania Digital, lançado em 2009.

A iniciativa proporcionou ao Espaço Coisas de Negro a oportunidade de ministrar oficinas de confecção e percussão de instrumentos para jovens, além de trabalhar com software livre e gravação de CD. Os frutos desse projeto podem ser acessados nas redes sociais.

Nego Ray relembra a experiência que o projeto possibilitou ao visitar uma comunidade quilombola Laranjituba, localizada no município de Moju, norte do Estado. “Tivemos a felicidade de gravar a voz de um cidadão de 87 anos de idade, Mestre Jorge que canta carimbó. Nós levamos todo nosso equipamento de som. Conseguimos captar o som dele e reproduzimos na hora o CD. Já tínhamos feito a capa e entregamos para ele,” conta emocionado.

Ray sublinha que o Mestre Jorge ao ouvir a sua música sendo tocada pela primeira vez parecia criança dançando. A equipe ficou maravilhada com aquilo. Acompanhando o mestre vendo todo o processo e se ouvindo, foi muito bacana, arremata.

Coisas de Negro – os primeiros passos
No início o espaço cultural era um bar. O proprietário explica que o local existe há 21 anos. E que desde o início das rodas de carimbó passou a ser denominado de espaço cultural. O repertório musical era composto de voz e violão ao vivo sempre as sextas-feiras. E a execução de vinis.

Ray relata que as rodas de carimbó começaram com a apresentação do grupo ‘Curuperê’. Ele recorda que um grupo de pessoas ligadas à música o procurou. Eles tinham interesse em apresentar o trabalho que era voltado ao carimbó. Fui convidado a participar. E assim começamos a trabalhar em cima do repertório autoral.

A partir daí outros grupos parafolclórico começaram a se apresentar no espaço. A iniciativa trouxe resultados. Outros locais também começaram a promover as rodas de carimbó. Até então a divulgação do carimbó era restrita a períodos festivos. “Antes as apresentações do carimbó ficavam confinadas às festividades da quadra junina. Com essa nossa atitude de fazer as rodas aos domingos, as pessoas começaram a aceitar mais o ritmo regional. Hoje a dança aparece até no horário nobre da televisão, mas foi necessário que alguém, não só a gente, mas as pessoas que nunca deixaram de acreditar que um dia essa música iria chegar onde está começando a chegar. Bem como a teimosia dos grandes mestres que não estão mais aqui” afirma Nego Ray.

Hibridismo cultural é Coisa de Negro
“Não há conflito entre o regional e o ‘de fora’, pelo contrário, há um encontro que proporciona uma nova expressão cultural. O hibridismo, longe de ser visto como uma deturpação da cultura popular é considerado enriquecedor das práticas culturais por esse segmento que conheceu o carimbó por meio do Mundé”.

Esta frase, estampada em lona, ornamenta uma das paredes do Espaço Coisas de Negro. Quem entra rapidamente percebe que a energia do local congrega diversos campos culturais. Nego Ray explica, “Uma coisa que a gente percebe aqui é a mudança de comportamento das pessoas. As que são voltadas para outras tendências musicais, quando adentram no “Coisas de Negro” começam a se integrar. As meninas do rock que já vêm aqui e vestem as suas saias.”.

O jornalista Ismael Machado sugeriu ao Nego Ray o projeto Coisas do Rock. Na época estiveram no palco as bandas, Arcano 19, Cravo Carbono e Norman Bates. “Retornamos agora, tem um ou dois anos com apresentações de grupos de rock. No dia 2 de fevereiro teremos The Smiths Cover e Los Hermanos Cover. Além dessa apresentação, antes teremos no dia primeiro de fevereiro o Buscapé Blues, com uma apresentação de música autoral” explica Ray.

O espaço cultural sempre esteve aberto a outros ritmos e estilos, mas não é só o local que congrega outras influências musicais. O grupo de carimbó Mundé Qultural é prova dessa efervescência contemporânea. Utilizando instrumentos como a guitarra, o baixo e percuteria, este último criado pelo próprio grupo é um conjunto de instrumentos como: prato, banjo, alfaia, pandeiro e caixa de bateria.

O grupo mescla experimentações sonoras envolvendo o popular e o contemporâneo. Nego Ray fala que eles deram uma nova roupagem à música ‘Moleque do Paracuri’ da banda Novos Camaleões, “Fizemos um arranjo bem legal, uma pitada regional com uma linguagem rock ‘n roll”. A mesma linha segue o grupo Lauvaite Penoso. Algo que lembra a turma que envenenou a cena cultural do Recife na década de 1990, isto para não falar de Raul Seixas, Mutantes e a Tropicália.

Hoje, o Espaço Coisas de Negro abriga as mais diversas tendências e experimentações sonoras. Para Nego Ray a procura das pessoas pelo espaço denota uma carência de locais para a música autoral. “O que eu vejo hoje no ‘Coisas de Negro’ era o que um tempo atrás acontecia no teatro Waldemar Henrique. O teatro abria as portas para que as pessoas pudessem fazer as suas experiências musicais”.

Trio Chamote – direto da costela do Coisas de Negro
O ensaio começou umas 7hs da noite. A batida leve na baqueta e o contar do “1, 2, 3, e…” marca mais um recomeço da música que está sendo ensaiada. O local é no Espaço Cultura Coisas de Negro e o celular grava o áudio do ensaio. O ritmo é o lundu. Também de matriz africana. Ao contrário do carimbó a sonoridade é marcada pela suavidade e a cadência em pausas leves e fortes marcadas pelo batuque. No caso é tocado no bumbo da bateria. A dança é um ritual de sedução.

O ambiente ‘Coisas de Negro’ inspira musicalidade e o espaço também contribui para o surgimento de novas parcerias, a partir de encontros e vivências com pessoas e grupos musicais plurais, como a diversidade do Trio Chamote.

Composto por Silvio Barbosa (sopro), Luizinho Lins (banjo) e Charles Matos (bateria), eles utilizam o espaço para ensaiar as cinco músicas já criadas. O trio irá se apresentar oficialmente no Teatro Waldemar Henrique na abertura do show do guitarrista Pio Lobato. Data a confirmar.

Chamote e Coisas de Negro
O Trio ainda é novo, os músicos é que são velhos conhecidos do ambiente, desde os tempos do nascimento das rodas de carimbó. Todos moram em Icoaraci. O nome do Trio vem de um dos processos de produção artesanal da cerâmica. Chamote é o nome dado aos restos de cacos de peças antigas da cerâmica marajoara, que são aproveitadas e misturadas ao barro natural para a criação de novas peças.

É desta realidade cotidiana e de vivências que os músicos criaram o estilo do trio. Charles, autodidata com 22 anos entre baquetas e pratos explica o som que produzem: “O Chamote surgiu de um sonho antigo de trabalhar a música regional folclórica inserindo uma roupagem contemporânea, com efeitos sonoros e linguagem jazzística, que consiste na improvisação musical”.

Luizinho explica que o Espaço Coisas de Negro também ajudou a construir o Chamote “Aqui a gente busca conceito, tem as rodas de carimbó, todo esse ambiente ajuda a compor”.

A construção do conceito musical do Chamote partiu de algumas coincidências. Todos os integrantes possuem pesquisas distintas sobre os instrumentos que tocam e ritmos amazônicos, contempladas com bolsa de estudo no Instituto de Artes do Pará (IAP). O horizonte de trabalhar com ritmos regionais mesclando uma pegada mais contemporânea foi o que os uniu.

O espaço Coisas de Negro foi determinante para o encontro e a realização do projeto, como afirma Silvio, “Talvez se não fosse o ‘Coisas de Negro’ o Chamote não iria se formar. Os ensaios no espaço, a convivência nas rodas de carimbó e a troca de impressões com o Ray ajudaram a cimentar a ideia” pondera o músico.

Luizinho confirma: “Se eu estivesse em outro espaço, talvez eu estaria tocando com outro grupo, e só tocando, não estaria fazendo experimentação sonora”.

Para o artista, a relação que se dá no espaço é de solidariedade, “Quando o Ray cede o espaço para gente ensaiar não é necessário uma assinatura em papel, e toda essa formalidade, as relações são baseadas no aperto de mão”.

Cultura popular como patrimônio imaterial do Brasil
O Tambor de Crioula, o primo do Maranhão já foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como patrimônio imaterial do Brasil. No Pará um coletivo realiza uma campanha para a concessão da mesma chancela ao carimbó. Autores e intelectuais atuam em frentes diferentes.

Uns tratam da burocracia, enquanto outros organizam memorial sobre os grupos e nomes relevantes de mestres do ritmo, onde flutuam Verequete, Lucindo, Dico, Cizico e Bento, entre outros. E organizam eventos dentro e fora do estado.

A cada domingo, além do Coisas de Negro, os ancestrais são festejados por percussionistas nas manhãs da Praça da República, no Centro de Belém. Ali entre mangueiras, e próximo ao cheio de pompa e circunstâncias Teatro da Paz, não raro os músicos entoam a canção mais popular do gênero: “Chama Verequete! Velejar. Velejar”.

*Lilian Campelo é jornalista. A folkcomunicação foi o tema de seu trabalho de conclusão de curso. Rogério Almeida é autor do livro “Pororoca pequena – marolinhas sobre a(s) Amazônia (s) de cá”.

KINEMASÓFICO COMEMORA 4 ANOS COM DUAS FESTAS EM SUA NATALINIZAÇÃO DE JANEIRO

Fevereiro 1, 2013

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Natal, época de nascimento comemorada todo fim de ano. Para o kinemasófico o seu natal é em janeiro, mês em que foi engendrado este vetor afinado junto com as crianças do Novo Aleixo. Desta forma o ano novo traz o natal para o Kinemasófico. E neste último domingo do mês de janeiro o Kinemasófico comemorou seus quatro anos juntamente com a festa natalina da Afin. Ufa! Até que enfim chegou o natal da Afin.

E estas duas comemorações encheram o bairro do Novo Aleixo de alegria, risos e muitas brincadeiras. Mas antes do início da atividade kinemasófica houve uma conversa com as crianças, jovens e pais presentes sobre o entendimento e a importância dos cinemas para as crianças.

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Foi colocado pelas crianças que o cinema já faz parte da realidade deles mas que diferente da televisão proporciona um debate onde todos podem usar sua voz e expor seus pensamentos. No kinemasófico afinado eles  disseram se sentirem dispostos para conversar sobre os temas levantados e para aprender com as novas imagens que o cinema traz. Além disso foi colocado também que este aprendizado é sempre divertido e envolvente, ao contrário das obrigações e punições da escola.

E desta forma sentimos em cada palavra que o cinema tem sido uma composição que aumenta a potência criança de cada um e abre diversas formas de pensar, se expressar e agir.

Depois da conversa como em todo aniversário kinemasófico foi passado um vídeo especial. Neste ano o vídeo denominado “Hoje o cinema são vocês” mostrou além das fotos das crianças, dos curtas e longas kinemasóficos exibidos durante o ano e uma seleção musical especial, uma seção dedicada às brincadeiras e atividades que aconteceram durante o ano.

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Desta forma após terminar as fotos com as crianças e os cinemas exibidos apareceu na o “falso” FIM seguido de uma tela preta.  Porém após alguns segundos o vídeo anunciava É BRINCADEIRA mostrando então as fotos das crianças brincando nas mais diversas atividades proposta durante o ano como o pebolzinho, boliche, rima rimador, formação de palavras, jogo dos bancos, etc. Mais uma vez se declarava um falso FIM para mostrar as fotos do grupo do Hip-hop que produziram uma batalha de B-boys após algumas projeções de cinema.ASSISTA O VÍDEO ABAIXO OU PARA BAIXA-LO O VÍDEO CLIQUE AQUI.

E em cada foto que se passava havia uma explosão de gargalhadas e de olhares que se cruzavam pois naquele momento as crianças eram atores e espectadores ao mesmo tempo. As fotos mostram que elas são o responsável pelo vído e pela festa, pois ajudaram durante todo o ano a produzir o kinemasófico com sua presença e o uso de sua alegria, inteligência, humor na relação estética com cinema e com as crianças afinados.

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Quando o vídeo Photo-kinemico terminou parece que o tempo cronológico de um ano não diminui a vontade de estar alí, mas na composição atemporal de novos afetos o tempo que passou pelas fotos não pode ser mensurado em 1 ano ou outra quantia. Isto ocorre pois houve nestas composições a criação de novas maneiras de entender o mundo, fazendo com cada um se transformasse em um novo. E como sempre há esta transformação o tempo cronos nunca vigora pois sempre somos um novo que não pode ser dividido nem contado pelo predecessor.

E foram distribuidos os pratos da ceia kinemasófica nutrindo os cinéfilos crianças para que o vigor da vida persevere. E o mata-broca tava saboroso primeiramente com o arroz com frango e farofa, seguido de um bolo de chocolate.

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Então cada criança escolhia um quadrado com número que estava dentro de um saco, sendo que este correspondia a um brinquedo a ser recebido. Desta forma a criança era responsável pela sua escolha e caso não estivesse satisfeita com o brinquedo poderia trocar com o colega ou dar para alguém que escolhesse.

Um a um foram sendo chamado os números e a revelação do brinquedo desconhecido terminava com o mistério numerológico. E junto com o brinquedo cada criança recebia um delicioso pote com doce de abacaxi para comemorar o novo companheiro de brincadeiras.

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E assim a noite foi passando com um grande júbilo envolvendo todos os presentes que independente do brinquedo ou da comida, já que todos fazem o cinema e constroem novas relações durante todo o ano. E como todo domingo o kinemasófico é festa não precisa se preocupar que esta terminou pois logo mais tem outra.

Mas além desta festa do olhar que ocorre sempre, está chegando uma que se torna real somente uma vez por ano: a Bandinha do Outro Lado, que neste ano ocorre no dia dia 10 de fevereiro e promete mais uma grande festa, embalada na força de Dionísio, do bode tragos e do brincar criança. Então abre alas que  a bandinha vai passar.

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Oscar Niemeyer, o conatus político do viver criativo

Dezembro 6, 2012

Oscar Niemeyer architect arquiteto brazil brasileiro

Oscar Niemeyer não está preocupado com sua idade. Ele sempre carregou o si um conatus político, onde sua potência de criação sempre afirmando a vida, nunca deixando de reagir com o novo e a todo momento produzindo artisticamente sua existência. Também foi um homem de seu tempo, presente nas transformações e criações de nossa sociedade. Um político que com sua potência criadora participou de

Há muitos adjetivos para descrever Niemeyer, mas nenhum consegue em seu corpo de qualidades envolver uma pessoa cujo a existência foi repleta de vivências tão ricas e importantes para o Brasil e o mundo. Não pelo tempo cronológico de 104 anos (e quase mais um) que esteve presente, mas pela intensidade de sua presença.

OSCAR, O POLÍTICO

Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir,Oscar Niemeyer, Jorge Amado

Simone de Beauvoir,Oscar Niemeyer, Jean-Paul Sartre, Jorge Amado

Niemeyer e Israel Pinheiro conversam com Fidel Castro no Palácio da Alvorada, em abril de 1959

Niemeyer e Israel Pinheiro conversam com Fidel Castro no Palácio da Alvorada, em abril de 1959

Oscar Niemeyer PCB Roberto Freire

Oscar Niemeyer e Roberto Freire PCB

Além de sua transformação das sociedades através da arte, Oscar como homem político, produtor de composições com o corpus democrático. Não apenas político por sua filiação ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) do qual deixou em 1991, mas por seu posicionamento social e engajamento em diversas causas.

Sua convicção na mudança que lhe fez arquiteto, assim como lhe fez comunista. Esta luta pela liberdade e pela não aceitação das imposições do capitalismo que o fizeram proibido de trabalhar e morar nos Estados Unidos e posteriormente deixar o país durante a ditadura militar. Seu comunismo sempre foi na prática cotidiana em não aceitar imposição de uma cultura cultuadora da morte e da sabotagem da vida por uma alienação da importância de cada um nas práticas cotidianas.

Oscar Niemeyer e Fidel Castro

Oscar Niemeyer e Fidel Castro

Envolvido em encontros que aumentaram sua potência democrática, Niemeyer esteve ao lado de Fidel Castro, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Lula, Jorge Amado, Luís Carlos Prestes, Hugo Chávez, Ulisses Guimarães, Dilma Vana Rousseff, entre diversos outros nomes políticos.

Artistas participam duma passeata contra a repressão aos estudantes. Rio, 1968.da esq. p dir.Carlos Scliar, Helio Pellegrino, Clarice Lispector, Oscar Niemeyer, Glauce Rocha, Ziraldo e Milton Nascimento.

Artistas participam duma passeata contra a repressão aos estudantes. Rio, 1968.Carlos Scliar, Helio Pellegrino, Clarice Lispector, Oscar Niemeyer, Glauce Rocha, Ziraldo e Milton Nascimento.

OSCAR, O ARTISTA

Oscar Niemeyer

Sua carreira como artista começou com seu ingresso na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro em 1929, e que dois anos depois seria dirigida, por Lucio Costa. Lá ele se formou arquiteto e participou de uma palestra de Le Corbusier. Seu primeiro grande trabalho foi o Ministério da Educação e Saúde, e foi seguido de outra obra que aconteceu quando ele conhece o prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek (JK), em 1940 e assumiu o projeto da Pampulha. Na mesma década recebe reconhecimento internacional e projeta a Sede da ONU junto com outros arquitetos.

Seu grande impulso foi o convite de JK para a construção de Brasília em 1956, sendo ele nomeado diretor da Escola de Arquitetura da recém-criada Universidade de Brasília – UnB, cargo que manteve durante três anos e que terminou com protesto e pedido de demissão junto com vários acadêmicos devido o golpe militar. Impossibilitado de produzir devido as linhas duras da ditadura, Oscar ganhou o mundo, trabalhando em Paris e várias cidades da Europa durante 10 anos.

Oscar Niemeyer e Gilberto GilOscar Niemeyer Brasília

Oscar Niemeyer (de frente) conversa com funcionários do Departamento de Arquitetura da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), em Brasília.

Oscar Niemeyer com funcionários do Departamento de Arquitetura da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), em Brasília.

Desde criança Oscar desenhava no ar e sua produção continuou até o dia de ontem, quando foi interrompida. Seus traços produziram uma estética única que está presente em todo o mundo nos cinco continentes e em diversos prédios de importância mundial a Sede do Partido Comunista Francês, a Mesquita de Argel, o Centro Cultural Le Havre e vários outros. A simplicidade dos traços e curvas além da presença mais humana nas construções são características da obra de Niemeyer.

OSCAR, HUMANO

O arquiteto Oscar Niemeyer participou de ensaio da Beija-Flor de Nilópolis no sambódromo do Rio

O arquiteto Oscar Niemeyer no ensaio da Beija-Flor de Nilópolis, Carnaval 2012

Como Oscar sempre soube que a vida não é algo divisível, sendo diversos percursos continuos, ele nunca caiu no conto da melhor idade, e não soube o que era ser estigmatizado de velho. É claro que seu corpo sentiu as mudanças fisico-químicas comuns aos seres humanos, mas devido a sua persistência no ser ele nunca deixou de produzir sua vida e sua arte, pois só assim nutria a existência.

Muitos podem criticar sua existência, mas dificilmente conseguirão alcançar a livre produção e o gozo de vida que Niemeyer sempre teve. Mesmo que digam sobre seus habitos como o tabagismo, Oscar estava presente e nunca negou a vida. Com sua vida ativou o pensamento, e com seu pensamento afirmou sua vida (Nietzche).

Oscar Niemeyer e Martinho da VilaOscar Niemeyer mostra maquete a Ulysses Guimarães

Lúcio Costa, Israel Pinheiro, Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer observam maquete da Praça dos Três Poderes no Rio de Janeiro, em novembro de 1958.

Lúcio Costa, Israel Pinheiro, Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer observam maquete da Praça dos Três Poderes no Rio de Janeiro, em novembro de 1958.

Um homem eterno em seus traços políticos que semeiou a quatro ventos novas visões da urbes. Oscar com uma caneta ou lápis na mão era capaz de criar uma nova realidade com algumas poucas linhas e curvas. Muitas destas estão concretizadas e outras surgirão, mas ambas o vivificam. Seu fazer continuará presente no mundo quando estes olhos que nos lêem verem os últimos raios de luz, e que estes sejam belos e produtivos como todo o traçado deste arquiteto que brasileiro sempre foi uma parte de nosso povo e nosso tempo, tanto que hoje nos brasileiros e todo o mundo está sorrindo para a celebração vida junto com os dedos curvados e a caneta repousada.

Oscar Niemeyer com o economista Celso Furtado e o antropólogo e amigo Darci Ribeiro em 1987

Oscar Niemeyer com o economista Celso Furtado e o antropólogo e amigo Darci Ribeiro em 1987

Oscar Niemeyer, Gilberto Gil e Lula

Este Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho, amante da existência, da transformação do que está constituido e busca se impor, da arte, da mulher, da possibilidade do novo. Seu patrimônio que hoje está presente em diversos paises no mundo nos mostra novas possibilidades de estarmos presente nos espaços e vermos que também podemos modifica-los com o tempo. E este espirito do tempo que com seus minutos, horas, anos impõe o real nos faz perene, muda nosso caminhar, mas mantem muitas construções em pé, principalmente como as de Oscar, que tanto demonstram vitalidade e humanidade. Assim, Oscar conseguiu com seus riscos na tinta e papel renovar, através de uma arquitetura não burguesa e não voltada aos interesses do mercado, uma estrutura massificadora em seus espaços e formas que nos interpelam negativamente. Com a tinta e papel, mostrou que nem sempre a tinta e o papel do capital é o que importa, pois esta apenas carrega linhas duras, enquanto a arte sempre se abre nas linhas de corte. Sempre para o novo, como Niemeyer viveu.

Brazilian architect Oscar Niemeyer in Le Havre, France

James Gutierrez e o fim do lobby da indústria músical: Piratas vencem

Novembro 18, 2012

Video divulgado pelo Pirate Bay

(De Moedas para o criador da musica): http://is.gd/V0xuAM
(ou ajude comprando a musica no Itunes)
http://ow.ly/fbX5D
(ou amazon) http://ow.ly/fbX0X

Ou pegue a musica LEGALMENTE POR TORRENT; http://www.jaymegutierrez.com/music.html

JAYME GUTIERREZ- D.I.Y. Myspam

LETRA TRADUZIDA
Escondendo-se do sol,
Vivendo no subsolo,
Os eremitas e seu trabalho de casa,
Estão esperando para serem encontrados,
À procura de uma atualização, grande chance,
um pouco de sorte, Aperto de mão
Sucesso de imprensa completo,
Levando-se em pensar que é o caminho a percorrer,
O sonho, mas não,
Você não é o seu próprio,
a sua liberdade esta Chamado na  Internet.
Então, navegar no mar virtual,
Onde mídia digital é gratis,
Mas não vá fazendo todo pagamento pirata,
Se você quiser flutuar sobre o surf do ciberespaço,
Onde os gatos gordos não são responsáveis??,
E tem que usar estrelas de sucata de renda quintal,
Então, talvez agora não há outra maneira,
Nós podemos ter uma palavra a dizer,
Todos cantam alegremente,
“Todo mundo me siga!”
Quando você F.V.M (Faça Você Mesmo), você consegue manter o seu dinheiro Livre de sanguessugas,
Como tesouro dourado gratuito,
E se nós somos muito pequenos,
Em seguida, postar-nos em seu Mural,
Pois compartilhamento de música ira ajuda-lo a prosperar,
E doação de moedas irá mantê-lo vivo!
Apenas mario pulando e 1up
Anonimato ri de leis,
Aposto que os FEDERAIS vai encontrar uma maneira de fechar as portas,
Talvez eles até chamá alguém para vir e descobrir os trolls,
E nós vamos começar a ver que o tempo todo eram apenas crianças de 12 anos de idade,
Ah N, A, O, T, I (Não alimente os trools da internet)
A menos que você quer publicidade grátis!
Ou você poderia fazer marketing viral,
Palavras-chave,
A utilização de qualquer memes,
“Tirando sarro de nada!”
Quando você F.V.M (Faça Você Mesmo), você consegue manter o seu dinheiro livre de sanguessugas,
Como gratuito tesouro dourado,
E se nós somos muito pequenos,
Em seguida, postar-nos em seu Mural,
Pois você deve ser aqueles que decidem,
Nem os bots da web disfarçados …
Sistemática de amigo Fanático
Todos os seus amigos são automáticos,
E seus números de multiplicados,
Não significa que você é uma maravilha,
Você  apenas ima sistemática vomitando o spam,
Você está roubando trovão,
Todo mundo está se movendo,
Porque você assassinou tom.
marketing,
Por que todos na indústria,
Carregá-lo em seu rosto?
Por que nós não sutilmente nos vender?
“J, A, Y, m, E, G, u, t, i, e, r, r, e, z, dot!”
(Solo)
Quando você F.V.M (Faça Você Mesmo), você consegue manter o seu dinheiro livre de sanguessugas,
Como gratuito tesouro dourado,
E se nós somos muito pequenos,
Em seguida, postar-nos em seu Mural,
Pois você deve ser aqueles que decidem …
Você não pode ver?
Publicidade está cantando:
Se você gosta do que você ouviu,
Então não pare de lembrar,
Compartilhá-lo, negociá-lo,
Ou diga-lhes tudo para roubá-lo,
Eu não me importo!
“Post-it, blog, pegue, flog, compartilhe, emprestá-lo, não vá monopolizando tudo em tudo o que você é bem-vindo para fazer o que quiser!”

por meganinja

JAYME GUTIERREZ- D.I.Y. Myspam

Lyrics

Hiding from the sun,

Living underground,
The hermits and their home work,
Are hoping to be found,
Looking for an upgrade, big break,
Lucky little hand shake,
Full press success,
Taken into thinking it’s the way to go,
The dream but no,
You’re not your own,
Your freedom’s calling in the world wide phone lines.

So sail on the virtual sea,
Where digital media plugging is free,
But don’t go making every pirate pay,
If you want to float on the surf of cyberspace,
Where fat cats aren’t in charge,
And have to use scrap yard income stars,
So maybe now there’s another way,
We can have a say,
All sing happily,
“Everybody follow me!”

When you D.I.Y, you get to keep your money,
As leach free golden treasure,
And if we’re too small,
Then post us on your wall,
Cos sharing music helps it to thrive,
And donating coins will keep it alive!

—–Just mario jumping and 1up

Anonymity laughs at laws,
I bet the F.E.D’s will find a way to close those doors,
Maybe they’ll even call someone to come and uncover the trolls,
And we’ll get to see that all along the lot were just 12 year-olds,
Oh D, N, F, T, T,
Unless you want free publicity!
Or you could do viral marketing,
Keyword targeting,
Using any memes,
“Making fun of anything!”

When you D.I.Y, you get to keep your money,
As leach free golden treasure,
And if we’re too small,
Then post us on your wall,
Cos you should be the ones who decide,
Not the web bots in disguise…

Systematic friend fanatic,
All your friends are automatic,
And your multiplying numbers,
Don’t mean that you’re a wonder,
You’re just systematic chunder spewing spam,
You’re stealing thunder,
Everyone is moving on,
Because you murdered tom.

Marketing,
Why does everybody in the industry,
Upload it in your face?
Why don’t we subtly sell ourselves?
“J, a, y, m, e, G, u, t, i, e, r, r, e, z, dot com!”

(Solo)

When you D.I.Y, you get to keep your money,
As leach free golden treasure,
And if we’re too small,
Then post us on your wall,
Cos you should be the ones who decide…

Can’t you see?
Publicity is singing:
If you like what you’ve heard,
Then don’t stop remembering,
To share it, deal it,
Or tell them all to steal it,
I don’t mind!

“Post it, blog it, take it, flog it, share it, lend it, don’t go hogging it all in all you’re welcome to do whatever you want!”

Poesia d’Esquina na Cidade de Deus, Rio de Janeiro

Julho 13, 2012

Finalissíma do Pebolzin afinado

Junho 15, 2012

Em um momento do futebol brasileiro em que nem mesmo todo marketing consegue enganar nosso país que temos uma verdadeira seleção , e muito menos forjar um craque mascarado temos que cambiar,surge o torneio do Pebolzin,que pela primeira vez desde Charles Miller traz mudanças no jogar futebolístico.

Neste torneio produzido pelas crianças do Novo Aleixo há várias mudanças nas regras. O campo é dividido em três partes sendo que duas linhas demarcam o meio campo e a zaga. Os atacantes ficam no meio campo e não podem passar destas linhas, enquanto os zagueiros  são os únicos que podem correr o campo todo e marcar gol. Caso os atacantes passem durante duas vezes do espaço delimitado o outro time tem direito a um tiro direto sem barreira.

Outra regra importante é que não pode levantar a bola, atitude que será punida com um tiro direto com o zagueiro na barreira de pernas abertas. Nesta grande final foi decidido mais uma regra: em caso de falta, o adversário tem direito a chute direto de costas para o gol.

E assim o Pebolzin chegou neste último domingo em sua rodada final e após mais de 30 jogos definiu seus gloriosos campeões de cada categoria.  O torneio que movimentou o bairro do Novo Aleixo após ao cinema ficou mais competitivo em cada rodada, despontando nov@s craques. A fase final foi disputada entre as equipes que venceram as partidas nas outras rodadas.

A finalíssima começou com a os jogos da categoria “Gente jovem reunida” que incluie os rapazes de estatura grande. O primeiro jogo foi o desempate das duplas Leandro e Diego X David e Jonas, que rendeu uma vitória tranquila para os primeiros pelo placar de 3X1, que se classificaram para o jogo final. Veja os dois tempos nos vídeos abaixo.

O próximo jogo era entre as duplas Michael Douglas e Maurício “Leca” X Anderson “Vizinho” e Israel. Com um jogo bastante  disputado durante o tempo normal a partida permaneceu empatada, sendo que com as cinco cobranças de penaltis para cada, houve a vitória da dupla Vizinho e Israel que jogaram a grande final contra Leandro e Diego.

A final da categoria “Gente jovem reunida”reuniu os mais habilidosos jogadores de Pebolzin, porém foi umapartida que rapidamente se definiu a partir da atuação impecável da dupla Leandro (na foto acima com a bola) e Diego que golearam a dupla adversária em 3 X 0, sendo os primeiros campeões.

O torneio continuou com a categoria ” Pebolzin em Devir-mulher “, que desde o começo mostra que as garotas jogam pebol de alto-nível, criando uma dura concorrência entre os times. Por isso como dizia Gonzaguinha: Matilda, no campo do adversário é bom jogar com muita calma procurando pela brecha pra poder ganhar.

A primeirapartida foi entre Vitória e Lohana X Bia e Taís que disputaram uma vaga na grande final. E como já tinha sido mostrado desde o início do campeanato, a dupla Lohana e Vitória com suas jogadas e toques precisos garantiram sua vaga na finalíssima com o placar de 2X0.Veja a partida no vídeo abaixo.

E a grande final da categoria ” Pebolzin em Devir-mulher “reuniu as duplas Daniele e Hayssa X Lohana e Vitória. Em uma das partidas mais emocionantes as duas equipes mostraram um grande desempenho técnico e racional com la pelota nos pés.

E a partida terminou com um magro placar de 1 X 0 para Lohana e Vitória que se sagraram as campeãs.

Por fim foi decidido o título da categoria ” Pebolzin criança” que reuniu os garotos menores que mostraram que no Pebolzin não tem idade, indo desde os grandes aos menorzin. O jogo da final envolvia as duplas Biel e Kalian Chumbinho X Junior e Cleudson. Depois de uma partida exaustiva que ficou empatada, a decisão ficou voltada para a cobrança de pênaltis. Após cinco chutes para cada o placar continuava zerado, em uma demonstração de cansaço das duas equipes. Foi então dado três chutes extras para cada que definiu como campeão a dupla Biel e Chumbinho.

Foto dos campeões nas três categorias
Em Pé: Diego, Leandro e Biel
Agachados: Vitória, Lohana e Kalian Chumbinho

Por fim os campeões da categoria “Gente jovem reunida” participou de um amistoso junto aos craques masters Washigton pretinho e Anderson. A partida fechou com grandiosidade o campeonato Pebolzin que promete voltar em outra oportunidade com outras produções além do futebol que vem sendo tão maltratado. A premiação do torneio ocorre no final deste mês.

E depois de tanto pebol, suor, gols e craques foi hora de distribuir a tradicional pipoca com suco e para adoçar a existência pebolísitica a consistente Maria Mole entrou em campo paraque a existência pebolística de todos continuecheia de produções e disposições.