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BLOGS AFINSOPHIA E ESQUIZOFIA ENTREVISTAM BELCHIOR JÁ QUE “SEMPRE É DIA DE IRONIA NO MEU CORAÇÃO”

Maio 2, 2017

Os Blogs Afinsophia e Esquizofia, da Associação Filosofia Itinerante (AFIN), publicam a entrevista, alegria como aumento de potência de agir, com o Rapaz Latino-Americano Belchior.

BREVE APRESENTAÇÃO

Antônio Carlos Gomes Belchior Fonteneles Fernandes – cearense da simpática cidade de Sobral -, gostaríamos de fazer um acordo com você nessa entrevista trans-histórica, na névoa inassinalável, ou hecceidade. O acordo é o seguinte: como nós vamos recorrer as nossas faculdades memorativas, além de informações extraídas de nossa arqueologia do saber-Belchior, é possível que venhamos cometer alguns equívocos em relação a fatos aqui apresentados por nós atribuídos a personagens em relação a você. Se por acaso você perceber que algumas enunciações nossas são lendas ou mitos, queira nos corrigir. Certo?

Belchior você é da geração que “por força desse destino um tango argentino” pegava “bem melhor” que “uns blues”. A ditadura civil-militar que dominou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Você, como muitos brasileiros, por força da ditadura, não teve adolescência, e se quer pode vivenciar as fragrâncias de maio de 68. Enquanto a França, e grande parte da Europa explodia, produzindo linhas de cortes, fissuras através das potências dos trabalhadores e estudantes. Ao contrário, em 68, o Brasil era submetido à força do AI5, implantado pelos militares da repressão-nacional. Foi o ano que começou para valer as perseguições, prisões, sequestros, torturas e mortes.

Todavia, arigó Belchior, você já havia sido traspassado pelas enunciações políticas, estéticas, filosóficas, antropológicas, históricas, psiquiátricas, etc., e podia com clareza entender as notas desterritorializadas de Sartre, Marcuse, Foucault, Deleuze, Guattari, Simone Beauvoir, entre outros que se movimentavam em latitudes e longitudes capazes de lhe afetar spinozianamente: aumentar sua potência de agir. Já havia sido afetado pela potência da comunalidade em forma de erudição. Erudição que levou certa vez Caetano chamar de cultura inútil. Sem falar que você já havia encontrado Marx, Cristo, aliás, o Homem de Nazaré foi quem primeiro lhe encontrou, daí sua vida de noviço, depois rebelde (Gargalhadas), quem sabe a influência a posteriori para criar o projeto de tradução do latim A Divina Comédia, de Dante Alighieri.

Musicólogo roqueiro, corpo que lhe moveu com “os pés cansados e feridos de andar léguas tiranas, a ponto de lhe deixar “com lágrimas nos olhos de ler o Pessoa, e ver o verde da cana”, compôs com as baladas de Bob Dylan, composição que levou o compositor do Maracatu Atômico, George Mautner, a afirmar que entre o original e a cópia preferia o original. Declaração que confirmava que sua entrada no mercado musical brasileiro já estava incomodando. Claro, você como sobralense nunca negou que ouvira muito as baladas de Dylan. E, aliás, quem daquela época, não ouviu? Quem, preocupado com a Napalm lançada pelos Estados Unidos no Vietnã, não ouviu Dylan? E não só Dylan, como também Neil Young, entre outros cantores e compositores de opunham a ferocidade genocida do império. Você sempre foi um homem engajado. Mas um cara que não fazia gênero de rebelde sendo um puta burguês, como seu conterrâneo Fagner. Poucas sabem, mas você participou, convidado pela talentosíssima atriz de teatro Lélia Abramo, no lançamento do primeiro manifesto do Partido dos Trabalhadores, em 1981. O que confirma que suas baladas são politizadas não por dependência de Dylan. Como invejavam seus detratores. E para piorar – para eles, é claro -, você foi parceiro do companheiro Lula na luta pela redemocratização do Brasil. ão do Brasil.

Mesmo só com a adolescência biológica, já havia traçado o compromisso, com Bertolt Brecht, de não deixar seu “charuto apagar-se por causa da amargura”, mostrado na canção Não Leve Flores. Daí que sua obra, apesar de manter alguns elementos regionais, melhor dizendo, nordestinos, foi na “Selva das Cidades”, empurrado pelo teatrólogo da Exceção e a Regrar, que você fez movimentar sua arte como forma de afetar o corpus da urbe atomizada. Como você mesmo diz: “se não for para balançar o coreto, não adiante fazer arte”.

E balança. Belchior, você instituiu no país a música urbana inspirada e alocada no concreto das cidades como corpo da poesia concreta. Você verseja concretamente. A poesia concreta é seu território de práxis e poieses. “Vamos andar, pelas ruas de São Paulo, por entre os carros de São Paulo, meu amor vamos andar e passear. Vamos sair pela rua da consolação, dormir no parque em plena quarta-feira. Sonhar com o domingo em nosso coração. Meu amor, meu amor, meu: a eletricidade dessa cidade me dá vontade de gritar que apaixonado eu sou. Nesse cimento, o meu pensamento e meu sentimento espera o momento de fugir no disco voador. Meu amor, meu amor”, nada de sentimentalidade compassiva, do tipo Roberto Carlos, nesse Passeio do seu primeiro LP, Mote Glose, pela gravadora Chantecler, com a regência do talentoso músico pernambucano Marcus Vinícius, do PCBão, um disco profundamente experimental, onde salta livre a poesia concreta.

Dizem que você canta a liberdade, claro que é uma afirmação abstrata, já que a liberdade não se canta se vive, mas nos diga: nessa tão concreta e cruel realidade produzida pelo capitalismo paranoico com sua dogmática opressora, você é um “passarinho urbano”, ou um “Robô Goliardo” (Gargalhada geral)?

A ENTREVISTA

AFINSOPHIA E ESQUIZOFIA – Começando pelo meio. O que é melhor? Viver, sonhar ou um canto?

Belchior (Sorrindo cúmplice) – “Viver é melhor que sonhar. Eu sei que o amor é uma coisa boa, mas sei também que qualquer canto é menor que a vida de qualquer pessoa”.

AE – Nesse momento em o Brasil encontra-se sob o cutelo de um perverso golpe contra a democracia, você tem alguma paixão?

B – “Você me pergunta pela minha paixão, digo que estou encantado com uma nova invenção, eu vou ficar nessa cidade, não vou voltar pro sertão, pois vejo vir vindo no vento cheiro da nova estação”.

AE – Verdade? Maravilha! Belchior, você é uma cara que viveu as décadas de 60, 70, não teve adolescência no sentido ontologicamente-social, por força da ditadura, mesmo assim conseguiu construir uma das mais inquietantes estéticas do Brasil, todavia, muitas pessoas não conhecem essa obra. E entre essas pessoas têm os nazifascistas. Se por um acaso algumas dessas pessoas, como uma variável-política, perguntasse de você, por onde você andava nesse tempo, o que você responderia?

B (Pensativo) – “Amigo, eu me desesperava!”.

AE – Você tem estilo. Não estilo no conceito burguês, mas como diz o filósofo Deleuze, você cria em sua singularidade como ninguém poderia criar de forma igual. Por isso você faz corte no estado de coisa petrificado. Você libera potências. Como você responderia se alguém pedisse para você compor de outra forma?

B – “Não me peça que eu lhe face uma canção como se deve correta, branca, suave, muito limpa, muito leve, sons palavras são navalhas, e eu não posso falar como convém sem querer ferir ninguém”.

AE (Vibrando) – Cacete! Esse cara é foda, moçada. Ainda nessa linha. Não precisa nem dizer, mas você tem Nietsche e Spinoza na veia: você é exaltação da “vida que ativa o pensamento e o pensamento que afirma a vida”. Até quando se encontra “mais angustiado que um goleiro na hora do gol”. A onda é essa: se um pessimista, um compassivo, uma baixa potência de agir, lhe dissesse que queria lhe ajudar, o que você diria para ele?

B (Gargalhando) – “Saia do meu caminho! Eu prefiro andar sozinho! Deixem que eu decida a minha vida. Não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração”.

AE (Explodindo de emoção) – Coisa de louco, moçada! “Você pode até dizer que eu estou por fora e que até estou inventando”, mas para o nosso entendimento, há uma confissão aí nesse “não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração”. O sol nasce no Leste, até Galileu já sabia. E o Leste europeu tem Marx, mano. Não precisa responder.

B (Interferindo) – “É claro que eu quero o clarão da lua! É claro que eu quero o branco no preto! Preciso, precisamos da verdade nua e crua, mas não vou remendar vosso soneto. Batuco um canto concreto pra balançar o coreto…”.

AE (Tentando uns movimentos afros) – Grande saída, hein cara? Ok, baby! Diz uma coisa cara. Já viu que há muita gente pessimista diante do desgoverno golpista acreditando que ele será eterno. O que você diz para essa gente?

B – “Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer meu amigo, que uma nova mudança, em breve vai acontecer”.

AE (Palmas) – É o devir-povo! Dando uma deslocada. O que você quer agora?

B (Sorrindo) – “Quero uma balada nova, falando de broto, de coisas assim: de money, de lua de ti e de mim, um cara tão sentimental…”.

AE – Você estudou medicina até o quarto ano, lógico que deve ter entrado em contato com algumas noções freudianas. Freud diz que é muito difícil uma geração se libertar da anterior. Há sempre fantasmas. Vendo o mundo como se encontra, qual a sua maior dor?

B – “Minha dor é perceber que, apesar de termos feito tudo, tudo, o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

AE – Bel, aproveitando essa questão de continuar o mesmo, tem também aquela questão dos que pousaram como revolucionários, e hoje são tremendos reaças, inclusive muitos operando como golpistas, como é o caso do senador do PSDB, Aloysio Nunes que foi motorista do Marighella. Você poderia descrever para nossos seguidores quem são esses simuladores e nos dizer quem são eles?

B (Dando uma boa baforada no cachimbo) – “Os filhos de Bob Dylan, clientes da Coca-Cola: os que fugimos da escola, voltamos todos pra casa. Um queria mandar brasa; outro ser pedra que rola… Daí o money entra em cena e arrasa e adeus caras bons de bola”.

AE – Esse cara vai na ferida dos caras, mas não confundir com “a ferida viva do meu coração”, não é? O quê? Ainda tem mais? Então, manda brasa.

B (Continuando) – “Donde estás los estudiantes? Os rapazes latino-americanos? Os aventureiros, os anarquistas, os artistas, os sem-destino, os rebeldes experimentadores, os benditos malditos – os renegados – os sonhadores? Esperávamos os alquimistas…  E lá vem os arrivistas, consumistas, mercadores. Minas, homens não há mais? Entre o céu e a terra não há mais que sex, drugs and rock ‘n’roll? Por que o adeus às armas? Não perguntes por quem os sinos sobram… Eles dobram por ti! O último a sair apague a luz azul do aeroporto. E ainda que mal pergunte: a saída será mesmo o aeroporto?”.

AE (Vibrando) – Loucura, moçada! O quê? Ainda tem mais? Manda brasa, arigó!

B – “Onde anda o tipo afoito que em 1-9-6-8 queria tomar o poder? Hoje, rei da vaselina, correu de carrão pra China, só toma mesmo aspirina e já não quer nem saber”.

AE –Loucura, loucura, loucura! Ainda agora você disse que “uma nova mudança vai acontecer”. Qual a forma para essa mudança?

B – “A única forma que pode ser nova é nenhuma regra ter; é nunca fazer nada que o mestre mandar. Sempre desobedecer. Nunca reverenciar”.

AE – A noite tem para você um signo profundo?

B – “Anoite fria me ensinou a amar mais o meu dia. E, pela dor eu descobri o poder da alegria e a certeza de que tenho coisas novas pra dizer”.

AE – Você é nordestino, e como você sabe, há hoje no Brasil uma consciência nazifascista que discrimina violentamente o povo do Nordeste. Como você concebe esse comportamento genocida contra o Nordeste?

 B (Sorrindo) – “Nordeste é uma ficção! Nordeste nunca houve! Não! Eu não sou do lugar dos esquecidos! Não sou da nação dos condenados! Não sou do sertão dos ofendidos! Você sabe bem: conheço o meu lugar”.

AE – E o medo de avião?

B (Balançando a cabeça sorrindo) – “Agora ficou fácil. Todo mundo compreende aquele toque Beatles: – “I WANNA HOLD YOUR HAND!”.

AE – E aquela namorada e aquele teu melhor amigo?

B – “Minha namorada voltou para o norte, ficou quase louca e arranjou um emprego muito bom, meu melhor amigo foi atropelado voltando pra casa. Caso comum de trânsito”.

AE – Os filósofos Epicuro, Spinoza, Nietzsche dizem quase o mesmo sobre falar sobre a morte. É claro que ninguém pode falar sobre a morte, porque é a última experiência e a única que não se pode contar nada sobre ela. Eles dizem que falar sobre a morte enquanto se está vivo é imundo. Mas vamos conceder uma cortesia sobre esse tema. Como você cogita sua morte?

B (Sorrindo) – “Talvez eu morra jovem: alguma curva do caminho, algum punhal de amor traído completará o meu destino”.

AE – Belchior você é uma cara corajoso. Sua obra e sua existência comprovam sua coragem. Mas nos responda: você tem Medo?

B – “Eu tenho medo. E medo anda por fora, medo anda por dentro do meu coração. Eu tenho medo em que chegue a hora em que eu precise entrar no avião. Eu tenho medo de abrir a porta que dá pro sertão da minha solidão. Apertar o botão: cidade morta. Placa torta indicando a contramão”.

AE – O que você pode nos dizer sobre a sorte na vida?

B – “Coisa muito complicada o amigo tem ou não tem. Quem não tem sucesso ou grana tem que ter sorte bastante para escapar salvo e são das balas de quem lhe quer bem”.

AE – Temer, o golpista-mor junto com sua escória, vem desmontando as leis democráticas do país. Porém, ele tem, com ajuda da mídia capitalista também golpista, feito pronunciamentos como se tudo estivesse às mil maravilhas. Como você concebe o presente e estes pronunciamentos?

B – Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca. Não há motivo para festa: ora esta! Eu não sei rir à toa!”.

AE – Você como pintor e desenhista pode nos apresentar um quadro da família-nuclear-burguesa-patriarcal?

B – “No centro da sala, diante da mesa no fundo do prato, comida e tristeza, a gente se olha se toca e se cala e se desentende no instante em que fala. Medo, medo, medo, medo. Cada um guarda mais o seu segredo a sua mão fechada, a sua boca aberta, o seu peito deserto, a sua mão parada, lacrada e selada e molhada de medo. Pai na cabeceira…”.

AE – Essa família lhe concedeu um prêmio no começo de 70, certo? Contam que na noite que você recebeu o prêmio os canas deram uma chegada em você, certo (Belchior sorrir)? Se alguém tentasse lhe obrigar a parar de cantar, o que você diria?

B – “E eu vos direi, no entanto”: enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer Não! Eu canto”.

AE – O que você diz sobre a vida?

B (Com ar apaixonado) – “Eu escolhi a vida como minha namorada com quem vou brincar de amor a noite inteira. Vida, eu quero me queimar no teu fogo sincero. Espero que a aurora chegue logo. Vida, eu não aceito não a tua paz, porque meu coração é delinquente e juvenil, suicida, sensível demais. Vida, minha adolescente companheira, a vertigem, o abismo me atrai: é esta minha brincadeira”.

AE – Observando sua temporalidade ontológica como você concebe sua existência?

B (Pensativo) – “Até parece que foi ontem minha mocidade, meu diploma de sofrer de outra universidade, minha fala nordestina, quero esquecer o francês. E vou viver as novas que também são boas o amor/humor das praças cheias de pessoas, agora eu quero tudo, tudo outra vez”.   

AE (Afetados de alegria) – Chegado a esse platô, você gostaria de desejar algo às pessoas?

B (Muito contente) – “Quero desejar, antes do fim, pra mim e os meus amigos, muito amor e tudo mais: que fiquem sempre jovens e tenham as mãos limpas e aprendam o delírio com coisas reais”.

AE – Belchior, nós trouxemos alguns instrumentos, você aceitaria terminar a entrevista cantando uma de suas músicas que tocam diretamente ao momento atual do golpe que estanca o Brasil. Como somos seus fãs de carteirinhas, nós até poderíamos fazer o backing vocal. Mote e Glosa? Vamos nessa! Aí, moçada, acessante do Afinsophia e Esquizofia, um abração e beijos. Logo, logo estaremos novamente com Belchior “balançando o coreto”. Não é. Belchior (Ele balança a cabeça gargalhando)?

“é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo

passarim no ninho

(tudo envelheceu)

cobra no buraco

(palavra morreu)

você que é muito vivo

me diga qual é o novo

me diga qual é o novo

me diga qual é o novo

                            novo

                            novo

                            novo

me diga qual é o novo

me diga qual é

me diga qual é o novo

me diga qual é

me diga qual é o novo

me diga qual é”.

Obs: Embora Belchior tenha musicalizado várias letras de outros companheiros seus,  como por exemplo, Jorge Melo, Fausto Nilo, Francisco Casaverde, Gracco, até com o reacionário coxinha Fagner, entretanto, a maioria das letras aqui expostas são de sua autoria.

GREVE GERAL!

Abril 28, 2017

Resultado de imagem para imagens de trabalhadores no século xix em greve

 ESTE BLOG ENCONTRA-SE EM GREVE!

CRIANÇAS PIAM JUDAS DESLOCADO EM TEMER

Abril 17, 2017

Vejam as imagens criadas pelo artista da luz, Alci Madureira.

Judas para às crianças se desdobra na linha livre mais antropológica do que mística judicativa. Para elas Judas surge como possibilidade lúdica de folguedo não vingativo. Como diz o menino Pedro: “Eu nem sei quem é Judas!”. Pedro, para seu contentamento, escapa da ordem condenatória a-histórica que o discursa como traidor. Aquele que traiu Cristo. Nada de real, mas somente tentativa irracional de fortalecer o dogma calculista.

As crianças querem brincar a tradição antropológica-cultural que escapa da ordem-aguilhão: condenar sem saber por que. A onda é saber que o boneco transfigurado em Judas, que se deslocou em Temer, traz em si muitos bombons e algumas moedas que elas esperam encontrar no alegre momento em que o boneco, criado pelo educador, ator, fotógrafo, Alci Madureira, é piado por elas no sábado de Aleluia. O sábado da alegria festeira.

Nada de vingança, nada de castigo, nada de condenação, mas só festa. Foi assim que as crianças do Bairro Nova Cidade, da Rua 44,piaram o Judas deslocado em Temer com direito a testamento do Iscariotes que deixou boas lembranças à elas. Além do famoso bolo Luiz Felipe, pipocas, bombons, refrigerantes, chocolates e, como não poderia faltar, a famosa foto junto ao personagem do momento. Sem esquecer que antes da piaçam elas conversaram com ele.

TRÊS POEMAS DE MATHEUS BARBOSA

Abril 16, 2017

Publicamos abaixo três criações poéticas de Matheus Barbosa, estudante do segundo ano do ensino Médio da Escola Estadual Engenheiro Artur Soares Amorim.

Lá e cá

“Lá e cá lá e cá,
passam sem parar,
pessoas formigas,
sem deixar pensamentos voar.

Lá e cá lá e cá,
utopia destruída,
pessoas corroídas,
trabalham sem parar.

Sociedade cega,
civilização dominada,
florestas por dinheiro,
E o amor? Não existe mais nada.

Direção infinita,
inimigo a vista,
acorda marinheiro,
trabalhar, trabalhar,
ganhar dinheiro. “

Humor-colia

“Em poemas,
escrevo minha dor,
a dor que o mundo oferece.

Obrigado mundo,
por oferecer essa dor,
que em meus poemas escreves.”

Pátrialogia

“Se for pra morrer queimado,
que queimem meu coração,
pois de coração quente,
as pessoas precisam.

Se for pra morrer baleado,
baleias minha mente,
Para que se exploda de criatividade.

Não morro por vaidade,
não morro por agonia,
morro por minha pátria,
que irá melhorar um dia.”

O TESTAMENTO DE JUDAS, 2017, COM A PARTICIPAÇÃO ESPECIALÍSSIMA DE JESUS CRISTO

Abril 15, 2017

A notícia correu célere: Judas Iscariotes e Jesus Cristo iriam se reunir em frente ao Palácio do Planalto para enunciarem, em repente, o intempestivo Testamento de Judas aos homens de boas e más consciências.

Como sempre ocorre quando a mensagem tem como conteúdo e expressão esses dois sublimes personagens transhistóricos, Brasília foi tomada pela maior e melhor multidão de toda sua história fazendo inveja aos filósofos Machiavel e Toni Negri, dois amigos que mais tratam da Multitudo como Potência da Multidão.

A multidão-política não somente queria sentir de perto os dois inigualáveis sacro-personagens e lhes conferir reverências, como também saber suas opiniões sobre o mal que se alojou no Brasil depois que homens e mulheres degenerados (os que sofrerem alterações teratogênicas em suas constituições genéticas impossibilitando-os da produção humana de sensibilidade, cognição e ética democrática) depuseram a presidenta Dilma Vana Rousseff, eleita com mais de 54 milhões de votos, através de um golpe idealizado, elaborado e executado por parte do Judiciário, parlamentares, mídias capitalizadas, e empresários vorazes, além de alienados-paranoicos de todos os matizes.

A multidão-política, diante dos dois magnânimos personagens, pediu que eles explicassem como o país poderia se soerguer depois de toda força predadora desencadeada pelos golpistas que afetou terrivelmente os direitos dos trabalhadores, a economia, a Previdência social, as ciências, as artes, as politicas sociais, todas as produções realizadas pelos governos populares de Lula e Dilma.

Jesus Cristo e Judas Iscariotes, em função de suas inteligências e militâncias, responderam que sabiam de tudo que estava ocorrendo de mal no Brasil, e que se encontravam dispostos a, juntos com os brasileiros de boa fé e razão, examinar o quadro maléfico e tentar procurar soluções. Mas avisaram que a democracia, citando o filósofo Spinoza, é uma contínua produção política saída da composição das potências de todos que se constitui em Bem Comum ou Estatuto do Público do Estado. Daí que todos os brasileiros deveriam produzir a democracia em todo momento. Só assim o Brasil estaria protegido contra qualquer golpe que pudesse lhe tirar o poder de criar o seu próprio destino e proteger sua soberania. E que deveriam ouvir o filósofo Marx quando ele afirma que viver é se encontrar sempre em movimento real. O movimento que descontrói a aparência criada pelo capitalismo. A máscara maior da burguesia.

Depois dessas considerações coletivas, os dois tiraram as violas dos sacos, observaram as afinações, fizeram alguns improvisos, alguns exercícios sonoros e começaram a enunciar o testamento de 2017. Quando o dueto transcendental, impulsionado pelo seu plano de imanência, soltou seus primeiros acordes, a galera foi ao delírio aplaudindo e bradando “Viva à Democracia! O regime político de Cristo e Judas que nenhum golpista vai acabar!”

JUDAS (Sorridente agradecendo ao povão, iniciou sua enunciação) –

Meu amigo Jesus Cristo

Pra começar esse repente

Explique pra todos nós

Como é que você sente

O Brasil sendo humilhado

Por essa gente demente.

 

CRISTO (Contagiado de contentamento acenando para o povão)-

Amigo Judas Iscariotes

Sinto como uma desgraça

Um povo trabalhador

Sendo ofendido em sua raça

Mas é coisa de momento

Logo resgata sua graça.

 

Judas – Mas companheiro J.C.

Isso é muito sofrimento

Esse povo não merece

Passar por esse tormento

Obra própria de tarado

Que não tem bom sentimento.

 

Cristo – Companheiro J.I.

Você tem toda razão

O homem não está no mundo

Para passar por privação

Mas não esqueça que existe

Gente mal, aberração.

(Público – E quanta aberração!)

Judas – Tenho aqui no meu juízo

Uma ideia e não me gabo

Para mim esses golpistas

Tiveram ajuda do Diabo

Porque não têm inteligência

Pra levar um golpe a cabo.

(Público – É verdade Judas!)

Cristo – Não aceito essa ideia

O Diabo é inteligente

Não mistura sua moral

Com esse tipo de gente

Que você já afirmou

Ser uma “gente demente”.

 

Judas – Eu fui mal, amigo Cristo,

Ao Diabo acusar

Ele faz suas traquinagens

Mas não iria prejudicar

Esse povo brasileiro

Que já demonstrou amar.

(Público – Eu, hein!)

Cristo – Todo golpe é praticado

Por figuras desse planeta

Não é coisa de extraterrestre

Tramando uma mutreta

Para no final das contas

Conseguir sua chupeta.

(Público – Eu sei que chupeta quer golpista!)

Judas – Para você, amigo Cristo,

Qual deles é o pior golpista

Já que têm muitos desfilando

Na famosa imensa lista

Nomes de todos os credos

Falsos político e jornalista.

(Público – Tem também gente judiciarista.)

Cristo – É verdade, Iscariotes,

Mas todo golpista é igual

Não é possível escolher

Quem é menos anormal

Por isso o testamento

Vai bombar geral.

(Público – Esse Cristo é mesmo Cristo, meu!)

Judas – Eu vou logo agraciando

O dublê de presidente

Deixando-lhe como lembrança

O Manual do Indigente.

 

Cristo – Para o dublê de presidente

Inimigo da democracia

Deixo-lhe sua cassação

Como fim da fantasia

 

Judas – Ao guloso Aécio-Mineirinho

Da Lava Jato freguês

Deixo-lhe como lembrança

O conforto cativante do xadrez.

 (Público – Também o cheiro da creolina.)

Cristo – Ao vaidoso Fernando Henrique

Que pousava de vestal

Deixo-lhe como lembrança

O escárnio da moral.

 

Judas – Ao senador Homero Jucá

O amante da suruba

Deixo-lhe como lembrança

A lei com sua curuba.

 

Cristo – Ao senador Renan Calheiros

Que do golpe cantou loas

Deixo-lhe como lembrança

Sua derrota em Alagoas.

 

Judas – Ao senador Aloísio Nunes

Que da esquerda fingiu ser dela

Deixo-lhe como lembrança

O fantasma do Marighella.

 

Cristo – Ao governador Geraldo Alckmin

Conhecido como ‘Santo’

Deixo-lhe reservado

No STF seu canto.

 

Judas – Ao senador José Sarney

O patrono do reacionarismo

Deixo-lhe como lembrança

A impotência do coronelismo.

 

Cristo – Ao senador Eduardo Braga

Que se dizia moderno

Deixo-lhe como lembrança

Da corrupção o seu terno.

 

Judas – Ao senador Omar Aziz

Que se dizia comunista

Deixo como lembrança

O martelo e a foice na lista.

 

Cristo – Ao deputado Alfredo Nascimento

Que ao Amazonino levava tucumã

Deixo como lembrança

A justiça do amanhã.

 

Judas – Aos deputados do Amazonas

Analfabetos políticos do mal

Deixo-lhes em 2018

A barca do balatal.

 

Cristo – Para o senador José Serra

Um soberbo entreguista

Deixo-lhe toda a inveja

Ao ver o Brasil progressista.

 

Judas – A Rede Globo golpista

Que odeia a democracia

Deixo como lembrança

O fim de sua aliança com a CIA.

 

Cristo – Ainda para a Rede Globo

Que vivi de simulação

Deixo-lhe o depoimento da Odebrecht

Que lhe envolve na corrupção.

 

Judas – Aos ‘justiceiros’ de Curitiba

Que perseguem Lula como um troféu

Deixo-lhes como lembrança

A ilusão que chegarão ao céu.

(Público – O céu é para os justos!)

 

Cristo – Para estes ‘justiceiros’

Que usam o nome de Deus em vão

Deixo-lhes o anseio do paraíso

Como uma grande frustração.

 

Judas – Para os amigos da blogosfera

Que não recuam jamais

Mesmo com todas as porradas

Dos grupos irracionais

Deixo-lhes a boa máxima

Lutar é que nos vivos faz.

 

Cristo – Para minha amiga Dilma

Primeira presidenta do Brasil

Como minha mãe Maria é honrada e guerreira,

Diferente do golpista vil

Deixo como lembrança

O eterno respeito desse povo varonil!

(Público – Valeu minha eterna presidenta!)

 

Judas – Perseguida desde a adolescência

Por lutar pela liberdade

Essa mulher não se curvou

Como faz todo covarde

Por isso deixo-lhe no coração

A chama que sempre arde.

 

Cristo – Para meu amigo Lula

Que pelas aberrações é invejado

Porque não são seres políticos

Como ele é formado

Deixo-lhe a certeza

Que não será aprisionado.

 

Judas – Como líder do povo brasileiro

Só Lula poderá salvar essa nação

Depois da catástrofe dos golpistas

Onde prevaleceu a destruição

Deixo-lhe a certeza

Que em 2018 terá tripla eleição!

(Público cantando – “Olê! Olê! Olê, Olê, Olá, Lula, Lula, lá!”)

 

Os Dois – Assim, povo brasileiro

Terminamos o testamento

Pode ser que muita gente

Não foi lembrada no momento

Mas quem produz democracia

Sabe que vive em nosso pensamento!

(Público – Eu vivo!).

BANDINHA DO OUTRO LADO FAZ FESTA MOSTRANDO QUE É NETA SINGULAR-ORIGINAL DE DIONÍSIO

Fevereiro 28, 2017

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Entre os vários vetores fluxos mutantes e quantas desterritorializantes da Associação Filosofia Itinerante (Afin) que agenciam há mais de 14 anos em Manaus produções-moventes como corpos de novas formas de existir, sentir, ver, ouvir e pensar, a Bandinha do Outro Lado é festa singular e original da potência dionisíaca.

p1090569p1090574p1090576p1090577p1090581p1090584p1090589p1090590p1090599p1090600A Bandinha do Outro Lado se imbricou como corpo dionisíaco há nove anos na Rua Jaú do Bairro Novo Aleixo, zona Leste de Manaus. Uma das muitas regiões populacionais desassistidas pelos governos reacionários que se apossaram do estado do Amazonas e da capital Manaus. Na linguagem politicofastra (linguagem do falso político, o tagarela do Legislativo, Executivo e Judiciário, corpos alienados da democracia), é um curral eleitoral onde esses personagens exploradores da miséria do povo, que eles mesmos fomentam, conseguem suas eleições, reeleições constantes.

Desde sua inicial apresentação nas ruas do bairro que a Bandinha do Outro Lado se atualiza como real através das próprias criações das crianças. Suas fantasias são concebidas e elaboradas por elas. Certo que com o auxilio de alguns moradores. Como Dona Antônia, por exemplo.

p1090602p1090604p1090609p1090622p1090627p1090640p1090652Como a Afin é um corpo comunalidade e sua atuação é sempre um processual coletivo, não seria coerente a Bandinha do Outro Lado, como expressão do personagem que forneceu corpos para a emergência do Teatro Grego, a Filosofia e a Política, que os moradores ficassem fora da composição festeira de seus netos.

p1090653p1090663p1090665p1090678Nesse carnaval, que apesar de Temer e seus cúmplices golpistas, a Bandinha do Outro Lado fez sua festa em outra zona abandonada pelos exploradores governantes: Bairro Nova Cidade, que de novo só tem o nome: segue a antiga violência administrativa de outras zonas que não têm seus direitos urbanos garantidos. Fica no extremo de Manaus. Agora, a Bandinha do Outro Lado se apresenta na última rua, número 72, do bairro no limiar da mata, fronteira com um cemitério indígena. Porém, a potência dionisíaca-contínua segue a movimentação intensiva da poieses.

p1090686p1090690p1090691p1090697p1090702p1090723p1090742p1090749p1090757p1090761Aqui a letra desse ano do carnaval da Bandinha do Outro Lado. Carnaval que vibrou por todo Brasil em um uníssimo Fora Temer! Para o bem da Democracia!

     A Bandinha do Outro Lado está na Nova Cidade Ô, Ô,Ô

     Veio lá do Novo Aleixo com sua festa vontade Ô,Ô

     Para fazer o carnaval Dionísio da criança

     Por isso, ninguém vai ficar fora da dança.

     “Corre, corre lambretinha”,” se a canoa não virar”,

     “Eu vou pra Maracangalha” “abre alas que eu quero passar”

     “Viva o Zé Pereira, viva o carnaval,

      Viva o Zé Pereira que a ninguém faz mal”.

     Vejam algumas imagens dionisíacas.

  Vejam um breve vídeo. 

PREVISÕES DA MÃE LUCI PARA O ANO DE 2017

Janeiro 1, 2017

24jun2015-mulher-danca-na-frente-da-estatua-de-san-juan-em-dia-de-sao-joao-na-aldeia-de-curiepe-na-regiao-de-miranda-no-norte-da-venezuela-a-festa-que-tem-raizes-europeias-e-africanas-comeca-1435190

Em tempo-imóvel obstruindo o movimento real democrático por força da estupidez, cobiça e indigência existencial, saber de possíveis prospectivas que possam auxiliar nas manifestações futuras, O Blog Afinsophia, movido por seu engajamento no devir Afrosófico, foi até a Casa da Mãe Luci para ouví-la e saber quais as suas previsões para o ano de 2017.

Mãe Luci é mulher ativista, militante que luta em todos os territórios onde a liberdade encontra-se travada ou em ameaçada. As causas femininas, as defesas das crianças e adolescentes, causas dos trabalhadores, causas LGBT, causas indígenas, causas dos negros, do desemprego, da violência policial, do descaso escolar, etc.

Engajadíssima, Mãe Luci, é uma Mãe singular. Em função de sua estadia concreta na terra, ela pode manter estreitas relações com suas entidades que, como sensíveis observadoras das coisas da terra, lhe presenteiam com informações preciosas aos que acreditam nelas e necessitam de seus auxílios.

Só a título de informação as aberrações expressadas no Brasil através dos golpistas, nazifascistas, capitalistas vorazes e perversos, falsos políticos, entreguistas, americanófilos, entre outras indigências, para que elas não usem seu tempo morto lendo essas previsões, já que nada de alvissareiro encontrarão no futuro, Mãe Luci é uma das maiores defensoras das políticas sociais criadas pelos governos populares de Lula e Dilma. Desde pequena se viu envolvida com o povo, não só através das manifestações populares produzidas pelos moradores do bairro onde morava, mas também pelos comícios de candidatos quando era levada por sua irmã mais velha, que durante a ditadura fora presa e torturas, como foi Dilma.

Colocadas essas breves informações, vamos às previsões que também serão breves, justo porque Mãe Luci ainda tem que realizar uma oferenda na Praia da Ponta Negra que está sendo dominada por falsos pais e mães de santos submissos aos interesses da prefeitura que os têm como bons cabos eleitorais. E como Mãe Luci é original, singular e autêntica representante da cultura Afrosófica, só ela pode encarar os simuladores da Umbanda, Candomblé, Macumba e outras expressões negras que fazem uso da cultura afro para benefício próprio.

Blog Afinsophia (Reverenciando Mãe Luci) – Sua bênção, Mãe Lucia
Mãe Luci (Sorrindo afável) – Axé meus filhos e minhas filhas!

BA- Vamos iniciar provocando: o Brasil tem jeito?

ML – Não!

BF (Surpreso) – Não!?

ML – Não. O Brasil dos golpistas não tem jeito.

BA (Aliviando) – Que susto. Nós pensávamos que fosse o com letras maiúsculas: O BRASIL!

ML (Sorrindo) – Esse BRASIL não precisa de jeito. Ele não é torto. Ele é sua própria substância criada por si mesma. A questão é que nem todos que nascem no Brasil são brasileiros, e não sendo brasileiros não podem saber quem é o Brasil. Não basta ter uma carteira de identidade para se tornar nacionalmente brasileiro-patriota. Vejam os golpistas. Estão entregando as riquezas do país para o capital estrangeiro, principalmente o capital norte-americano. Esse Brasil que esses golpistas-entreguistas estão fazendo uso, não é Brasil substância de si mesma.

BA (Batendo palmas) – Essa pegou na veia. Com essa previsão a gente já poderia terminar a entrevista.

ML – Mas essa verdade é tão visível. A sociedade civil, que o Brasil substância de si mesma, vai às ruas, nesse ano de 2017, e desmontar esse golpe alienígena. E isso não é previsão é constatação.

BA – Bem, pelo o que a senhora está afirmando, o Temer vai cair?

ML (Dá uma profunda tragada no charuto) – Ele não vai cair.

BA (Preocupados) – Não vaia cair!?

ML (outra tragada profunda) – Não. Ele nunca esteve em pé.

BA (Aliviando) – É verdade.

ML – Foi por isso que os reacionários tramaram o golpe com ele como chefe. A mídia Rede Globo, CBN, GloboNews, Bandeirantes, Folha de São Paulo, Estadão, Veja, Época, IstoÉ, todas empresas burguesas têm ele como um inútil.

BA – Uma breve variável no entrevista. Esse charuto que a senhora está fumando é Havana?

ML – Sim. Foi uma amiga que trouxe de Cuba. Ela foi participar das homenagens ao comandante e trouxe alguns. Mas aqui no Brasil tem bons charutos. Vocês gostariam de provar?

BA – Não, com todo respeito ao comandante e ao povo cubano, principalmente os trabalhadores que cultivam a folha do fumo. Mas, Mãe Luci, dá para calcular em que momento o “deitado” vai sair?

ML – O “deitado” não vai sair, já que ele não tem pés. Ele vai ser tirado pelo povo. E isso vai acontecer ali pelas bandas das festas juninas. Para o povo aproveitar os fogos.

BA – E em ele saindo, quem vai assumir? Os reacionários tagarelam que querem o príncipe sem trono.

ML – O Brasil não é uma monarquia. E se fosse não haveria lugar para esse tipo entreguista.

BA – Mas quem assumiria? O presidente da Câmara Federal? O Renan não pode de acordo com o acordo que foi feito com Supremo Tribunal Federal. Quem assumiria, então?

ML – Ninguém.

BA – Ninguém!?

ML – Ninguém, porque vai ter eleições diretas. A partir de hoje, o povo vai às ruas lutar pelas Diretas Já. E apressadamente Já.

BA – E quem vai ser eleito?

ML – Putz! Isso é pergunta que se faça? Logo vindo de vocês da Associação Filosofia Itinerante? Gente ultra sacal?

BA – Sabe como é que é…

ML – Sabe como é que é, é Lula. Não tem pra ninguém!

BA – Mas aí, essa onda de perseguição do Moro sobre ele?

ML (Calmamente) – Meus filhos e minhas filhas. O Moro não é Deus. Ele pode até ter um complexo de Deus, mas como Deus não é uma psicopatologia, para Dele sair um complexo, Moro não é superior a Justiça. A Justiça exercida pelos justos que são movidos pela virtude da Justiça, e não pelos que se consideram justos porque concluíram um curso de Direito e foram outorgados pelo Estado como autoridades. Não esquecer que autoridade não é princípio nascido no Estado, mas nas vivências virtuosas que afirma a humanidade.

BA – Cacete, Mãe Luci! A senhora vai nas profundidades e transcende, também, a superfície. Vai muito além!

ML – Ora, minhas filhas e meus filhos, se eu não frequentasse esses territórios, profundidades e transcendência da superfície como eu iria encontrar minhas companheiras entidades, meus cabocos e minhas cabocas? E como eu poderia acreditar que eles e elas são autênticos, honestos e comprometidos com os que trabalham pela vida?

BA – E sobre aqui Manaus. Quais são as previsões?

ML – Olhem, se nós fossemos olhar e pensar através das perspectivas das representações dos poderes Executivo e Legislativos, tudo ficaria no mesmo. Na verdade, pior. Nós temos a pior bancada federal cujo caráter é golpista e é acometida de uma severa indigência intelectual. O que compromete o desempenho político-ético. Uma bancada de deputados estaduais, com pouquíssimas exceções, e uma bancada de vereadores sofrível. Também com pouquíssimas exceções. Por essas perspectivas 2017 será pior do que 2016, o ano perdido. Mas pelas perspectivas do povo amazonense e algumas categorias, o buraco vai ser mais em cima. Por incrível que pareça, até a classe dos professores, que é contagiosamente reacionária, vai fazer exame de autocrítica e vai infernizar, com toda razão o governador e o prefeito.

BA – Mas o governador parece que vai ser cassado definitivamente.

ML – Não importa. O governador que for vai andar nas pontinhas dos pés. Vai ter que ouvir os professores. E não só professores, os funcionários públicos em geral, porque são eles que fazem a máquina-produtiva e revolucionária do Estado se mostrar transformadora.

BA – Já que a senhora está falando sobre esses poderes, significa então que poderemos ter nas de 2018, para deputados algumas surpresas, já que os funcionários públicos ao tomarem consciência de suas importâncias para a sociedade, podem votar conscientemente, não votarem mais nesses golpistas atuais, e elegerem verdadeiros democratas.

ML – Certíssimo. Mas eu tenho uma previsão, nessa questão, para 2018.

BA (Ansiosos) – Qual?

ML (Sorrindo baforando) – O ex-deputado Francisco Praciano vai se candidatar, e ganhar com uma votação estrondosa.

BA (Batendo) – É isso aí, mãezita! E tem alguma previsão afirmando que alguns desses deputados reacionários não vão ser eleitos?

ML (Balançando a cabeça sorridente) – Tem algumas. Mas tem uma que vocês vão vibrar. É um deputado que é puta velha em mandatos. Já foi eleito tantas vezes que já poderia ter aposentadoria. Vou apresentar uma pista. Se dizia de esquerda.

BA – Será o…

ML – Eu não posso dizer, porque se não ele, sabendo que não ia ser eleito, não se candidataria, e não gastaria dinheiro na campanha. Como já ganhou muito, é melhor deixar que ele gaste inutilmente.

BA – Agora, Mão Luci, pra terminar duas perguntas. E a AFIN como vai ficar?

ML – Como sempre ficou: comprometida com as comunidades, trabalhando com a inteligência coletiva na produção de novas formas de existências, novas formas de ver, ouvir e pensar.

BA – Valeu. A outra pergunta é, será que o Flamengo vai conseguir ganhar do Vasco? Só mais uma: será que o Vasco volta para segunda divisão.

ML – A existência é vitória, derrota, empate e divisão, mas nada disso é fundamental para nós sermos felizes. O que conta mesmo é o trabalho coletivo que leva todos ao estado de comprometimento, solidariedade e, aí sim, a felicidade.

BA (Abraços e beijos) – Valeu, Mãe Luci! Boa atuação lá na Ponta Negra para espantar os falsos pais e mães de santos sem entidades.         

“TAGARELANDO EM NIETZSCHE”, NOVO LIVRO DO FILÓSOFO MARCOS JOSÉ

Dezembro 14, 2016

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Marcos José capturado pela semiótica-imobilizadora do mundo promovida pelo Estado paranoico-capitalista hegeliano, onde tantos os objetos e as ideias representam signos da lógica dos princípios de identidade e da não contradição, pode ser identificado como filósofo, teatrólogo, músico e teórico da psiquiatria materialista, membro da Associação Filosofia Itinerante (AFIN) e autor de textos do Blog da Afin, Afinsophia. Referenciais-identidades resultantes da seleção, classificação e hierarquização dos papeis sociais tão importante para o sistema paranoico de controle. Identidades que servem para a vaidade, prepotência, arrogância-narcísica e glamour da nulidade burguesa. Todas as formas espectrais de reconhecimentos degenerados.     

Todavia, como nada é, mas devém-intensidades, devires, movimentos, repousos, lentidões, velocidades, longitudes e latitudes, como já sabiam os sofistas e os estoicos, Marcos José não é filósofo, teatrólogo, músico, teórico da psiquiatria materialista, membro da Afin e escritor de textos do Afinsophia, mas evanescências contínuas que se territorializam, se desterritorializam e se reatoritorializam em profusão de desejos práxis e poieses. Jamais estado de coisas-imóveis, capturados, como pretende a semiótica dogmática-sobrecodificadora do Estado-paranoico-capitalista com seus agenciamentos coletivos de enunciações que controla o sujeito-sujeitado, como sacam os filósofos Deleuze e Guattari.

São por essas contínuas ultrapassagens, como deslocamentos-políticos, que Marcos José pode afirmar que o Tagarelando em Nietzsche não tem qualquer intenção filosófica em discursar sobre o filósofo Nietzsche em forma de defesa ou negação. E que não há qualquer arroubo filosófico-intelectual-literário nesse sentido. O que se faz no livro é apenas se permitir deslocamentos desterritoriais provocados pelos sopros do filósofo e psicólogo da vontade de potência e do eterno retorno. Se deixar conduzir como uma lança se distribuindo em territórios onde a vida foi obliterada pelo niilismo do humano, demasiado humano contra a própria vida.

E nisso não há melhor corpo-movente para interpretar e avaliar a condição reativa dos homens fracos, ressentidos, de má consciência e ideal ascético, que predominam compulsivamente ainda hoje como simulação de saber, moral e saúde em todos os seguimentos da sociedade contemporânea tida como moderna, do que os sopros provocados por Nietzsche como boa estranheza. A estranheza que é estranha por não servir ao tagarelar que se toma como epistemológico, lógico e ético, sem sê-los.

Saber onde se encontram e como reagem – já que não agem – esses sujeitos-sujeitados produzidos por um agenciamento coletivo de enunciação paranoicamente dominante que os tornou homens cativos, portadores-replicantes dos corpos necessários à imobilização da vida, é o que as enunciações emergidas no Tagarelando em Nietzsche ligam tenuamente a Nietzsche.

Desta forma, Tagarelando em Nietzsche se mostra como enunciação filosófica heterogênea, encadeando potências que interpretam e avaliam a negatividade da existência reativa da linha dura que bloqueia os fluxos e refluxos desejantes através de seus territórios bem modelizados, serializados e registrados com o único propósito  de impedir, pelo medo, que a felicidade seja a confirmação de que ela é vida.

O livro também encadeia conceitos que se deslocaram pelos sopros nietzscheanos, como são os casos dos devires-filosóficos de Deleuze, Guattari, Clèment Rosset, Baudrillard, além de enunciações dos filósofos Spinoza e Marx. Todos se movimentando como corpos dissipadores do tagarelar-tautológico que se encontram como marcadores de poder e de controle na família, escola, trabalho, meios de comunicação, entretenimento, esportes, etc.

O livro Tagarelando em Nietzsche, como flecha que se desloca, é impulsionado por dois aforismos. Um no prólogo do segundo volume do Humano, Demasiado Humano, de 1879 e 1880, “livro para espíritos livres”, onde Nietzsche diz: “Devemos falar apenas do que não podemos calar; e falar somente daquilo que superamos – todo o resto é tagarelice, “literatura”, falta de disciplina. Meus escritos falam apenas de minhas superações”.

O outro aforismo encontra-se no primeiro volume do Humano, Demasiado Humano de 1876, que trata do Homem do Espirito Livre e do Homem do Espírito Cativo, esse o que tagarela. 

Tagarelando em Nietzsche encontra-se infestado do que Deleuze afirma sobre a impotência da palavra em um sistema dominante. “E, verdadeiramente, não há poder das palavras, mas somente palavras a serviço do poder: a linguagem não é informação ou comunicação, mas prescrição, ordenança e comando”.

 Ficha filosófica-literária-editorial.

 Livro – Tagarelando em Nietzsche.

 Autor – Marcos José.

 Páginas – 180.

 Editora Garcia Edizioni.

  Preço – R$ 30.

  Para adquirir o livro fora de Manaus basta usar o e-mail afinsophiaitin.@yahoo.com.br 

“A FARSA DA VERDADE GOLPISTA” CONTINUA SUAS APRESENTAÇÕES PELO TEATRO MAQUÍNICO DA ASSOCIAÇÃO FILOSOFIA ITINERANTE (AFIN)

Outubro 7, 2016

img-20161006-wa0037Vejam as fotos e assistam os vídeos com os depoimentos de estudantes e professores.

O Grupo de Teatro Maquínico, da Associação Filosofia Itinerante (AFIN), continua apresentando a peça A Farsa a Verdade Golpista escrita com o claro objetivo democrático de discutir com o público as tramas antidemocráticas elaboradas e executadas pelas forças-usurpadoras representadas pela mídia degenerada, empresários orais, parte do poder judiciário, e grande parte dos membros do Congresso Nacional.

Sempre tendo como corpo pedagógico-político o método do teatrólogo alemão Bertolt Brecht, o Teatro Maquínico encena A Farsa da Verdade Golpista com quadros divididos por legendas-títulos escritas em placas que são apresentadas pelo próprio público, possibilitando, desta forma, sua participação na trama da peça.

img-20161006-wa0041img-20161006-wa0034img-20161006-wa0030A Procura da Verdade, O Trabalho, A Escola, O Político, Nas Ruas, O Buraco, No Senado são os títulos-placas dos quadros que constituem a encenação e que são apresentados pelo público. O golpista Temer, a golpista Rede Globo, a professora preconceituosa e alienada que tem Moro como seu ídolo e a Rede Globo como sua consciência intelectiva e moral, os deputados federais do Amazonas que votaram em massa pelo golpe, os candidatos ao cargo de prefeito de Manaus todos golpistas, a condição de abandono de Manaus, o voto do senador golpista, são corpos antidemocráticos que A Farsa da Verdade Golpista encena diante do público, e que ele toma como tema para debate após o espetáculo.

img-20161006-wa0032img-20161006-wa0021img-20161006-wa0038img-20161006-wa0029img-20161006-wa0018img-20161006-wa0042Sempre foi essa a pedagogia-política-teatral que o Teatro Maquínico se engajou como forma de discutir com o público os temas que são necessários serem discutidos para que se processem novas formas de percepções e concepções que mudem as perspectivas já determinadas como dominantes para outras perspectivas fluentes como práxis e criação da democracia como potência constituinte.

Desta vez a apresentação foi realizada na Escola Estadual Arthur Amorim, situada no Núcleo 15, do Bairro Cidade Nova, na Zona Norte de Manaus. Uma plateia formada por estudantes, professores, merendeiras, trabalhadores de serviços gerais, entre outros participantes, possibilitaram uma encenação alegre e contagiante como deve ser o teatro popular que não se submete aos humores reativos da burguesia afeita à dramaturgia-gastronômico. O teatro para embalar vaidades e brutalidades de uma classe insensível à estética revolucionária, limitada intelectualmente e eticamente degenerada.

img-20161006-wa0023img-20161006-wa0039img-20161006-wa0020img-20161006-wa0033img-20161006-wa0035img-20161006-wa0036img-20161006-wa0024img-20161006-wa0022img-20161006-wa0031img-20161006-wa0028img-20161006-wa0026img-20161006-wa0025img-20161006-wa0040img-20161006-wa0017img-20161006-wa0014img-20161006-wa0015img-20161006-wa0016img-20161006-wa0019Há mais de 14 anos o Teatro Maquínico se desloca pela cidade de Manaus e outros municípios para, de encontro ao povo, discutir e examinar o que deve ser discutido e examinado. Todas às apresentações são gratuitas, já que a Associação Filosofia Itinerante é uma entidade sem fins lucrativos.

PROGRAMA “FALA, BURACO!” MOSTRA MANAUS A CAPITAL-BURACO

Julho 27, 2016

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Leia o diálogo entre o apresentador do programa virtual “Fala, Buraco!”, e um transeunte. Os dois ao analisarem os buracos que dominam Manaus durante décadas e que servem de cabos eleitorais para eleger candidatos, principalmente prefeitos, concluem que Manaus não é uma cidade, mas tão somente um buraco-orbital onde seus habitantes e visitantes acreditam que se movimentam e se relacionam na superfície e não suspeitam que se encontram na voracidade de sua profundidade buraco-negro.

HOMEM (Um homem se aproxima de outra que se encontra fotografando um buraco) – O senhor está fotografando esse buraco?

DSC01915DSC01919DSC01926DSC01935DSC01937DSC01938DSC01943HOMEM II – É. Eu fotografo buracos.

H – Mas para quê? Buraco é tão feio.

H II – Depende.

H – Não. Buraco é sempre feio.

H II – Nem todos têm essa opinião.

H – Não acredito que exista alguém que goste de buraco.

H II – Tem.

H – Quem?

H II – O prefeito. Se ele não gostasse de buraco ele não deixava a cidade cheia de buracos. Quando a gente gosta de uma coisa, a gente mantém. Não é.

H – É, mas buracos.

H II – Pois é, cada um com seus gostos, e gosto não se discute.

H – Então, o senhor fotografa buracos por que gosta?

H II – Não. Eu fotografo porque eu tenho um programa na internet em que os buracos são os principais personagens.

H – E qual é o nome do programa?

H II – Fala Buraco. No programa eu apresento as entrevistas que eu faço com os buracos onde eles contam suas vidas, quando apareceram, como estão se sentindo nessa prefeitura, quais seus planos para o futuro.

H – Então, o senhor tem muito material, porque Manaus é cheia de buracos.

H II – Na verdade, Manaus é um buraco só. Tem buraco da Zona Leste que se junta com buraco da Zona Norte. Tem buraco que nasceu na Zona Sul e se junta com buracos do Centro.

H – É verdade! Um amigo me contou que uma vez um cara muito lombrado, colega dele, caiu em um buraco na compensa. Quando acordo, tudo escuro, ele não onde se encontra. Olhou para sua direita e viu uma luzinha longe, e começo a andar na direção. Andou, andou, andou e quanto mais andava a luz ia aumentado. Aí, ele sentiu que pisava em uma s coisas duras, parecidas com pedaços de pau. Quando olhou bem, eram esqueletos de pessoas, correu e subiu em um buraco, que era uma sepultura. Sabe onde ele saiu? No cemitério dos índios na no fim da Nova Cidade.

H II – Semana passada ocorreu um caso parecido com este. No fim da tarde de um sábado, no Jorge Teixeira III, uma senhora cansada de tanto trabalhar, caiu em um buraco. Os moradores correram para acudi-la, mas não conseguiram: ela desapareceu. Chamaram o bombeiro, e o prefeito, para fazer onda, compareceu no local. Olhou o buraco e negou que a mulher tivesse desparecido no buraco porque o buraco tinha fundo. Uma mulher protestou afirmando que não tinha porque ninguém via. O prefeito contestou afirmando que estava vendo o fundo. Aí alguém disse se ele estava vendo o fundo que ele pulasse no buraco e tirasse a senhora. O prefeito deu uma de ‘migel’ e se mandou. Cinco horas depois a senhora apareceu no meio do palco do Teatro Amazonas onde estavam realizando uma festa às autoridades locais. Quando o diretor viu a mulher toda suja de barro, bosta e lama tentou tirá-la à força do palco. Ela se desviou e gritou que as autoridades deveriam era saber o que tinha embaixo daquele teatro. Milhares de corpos de índios e cabocos que foram mortos na construção daquela casa de vaidade da burguesia. Esse caso foi bem divulgado.

H – Saiu na TV Globo?

H II (Indignado) – Porra nenhuma! A Mulher não era globotária. Bem que a Globo tentou fazer uma matéria com ela, mas a equipe de jornalistas foi expulsa na porrada. A comunidade unida gritou palavras de ordem: Fora Globo golpista! O Povo não é bobo, abaixa a Rede Globo! A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura! Se a Globo acabar o Brasil vai melhorar! A Globo é corrupta, não tem nada de justa! Fora Globo e Leva Temer Contigo! A Globo é imoral, ataca Lula e Dilma em seu jornal! E na correria, o carro de reportagem ainda caiu no buraco.

H – Só estes dois casos mostram que os buracos formam uma família só.

H II – Exatamente. Todos os buracos são parentes. Essa relação de parentesco, e mais o gosto do prefeito, faz com eles se mantenham.

H – O senhor muitos buracos velhos, ou na sua maioria são novos?

H II – Tem muitos buracos novos nascidos nessa prefeitura, mas têm alguns velhíssimos, do tempo do vai pra porra. Mais velhos do que a mentira.

H – Cacete! Então é velho mesmo, porque a mentira nasceu antes de Adão e Eva. Mas como o senhor sabe que eles são tão velhos?

H II – É fácil entender, embora a população não perceba por ignorância e cumplicidade com os políticos.

H – Como assim?

H II – Os buracos são verdadeiros cabos eleitorais. Buraco elege prefeito e deselege. Por exemplo, só para ilustrar. Os últimos quatro prefeitos foram eleitos através dos buracos. As campanhas eleitorais deles tinham como objeto principal o combate aos buracos.  Todos eles afirmaram que iam acabar com os buracos.

H – E o povo acreditou na mentira.

DSC01945DSC01946DSC01947DSC01948DSC01950DSC01952DSC01956DSC01958H II – Pois é. O quarto prefeito passado jurou acabar com os buracos. Não acabou: aumentou mais. O terceiro prefeito aproveitou os buracos que o quarto tinha deixado e fez sua campanha prometendo acabar com os buracos. Também só aumentou. O segundo na mesma cadência. Só aumentou. E esse agora não deixou barato. Hoje, tem buraco dentro de buraco.

H – Meu Deus! É mesmo?

H II – É. Um dia desse eu fui entrevistar um buraco-abismo onde já havia caído uma família inteira, um ônibus, uma Kombi, uma moto e uma carroça.

H – Uma carroça?

H II – Sim. Com cavalo e tudo. Quando eu comecei a entrevista percebi que não era só o buraco-abismo que falava. Comecei a ouvir outras vozes-buracos. Olhei para todo lado para ver se os outros buracos em redor de mim estavam falando, mas nenhum deles falava. Me concentrei bem, e percebi que as vozes vinham do mesmo buraco-abismo. Era um monte de buraco falando, querendo falar sobre suas vidas e aparecer nas fotos.

H – Que coisa impressionante.

H II – Não é impressionante não, porque o povo não ver. Se o povo prestasse atenção aos buracos ele não votava em quem afirma que vai acabar com eles, porque é mentira.

H – Sem querer defender os prefeitos, que eu sei bem quem eles são, adoram fingir que falam a verdade, mas a chuva também é responsável pelos buracos.

H II – Na-na-ni-na-não! Durante todo ano Manaus é cheia de buraco. Com a mudança climática, tem chovido menos na cidade, e mesmos assim os buracos estão sempre na moda.

H – Bem, com toda essa sua afirmação sobre o predomínio dos buracos em Manaus, e sua capacidade de eleger prefeitos, não seria melhor que os buracos se candidatassem?

H II – É verdade. Mais tem um problema.

H – Qual é?

H II – Na verdade são dois. Se eles se candidatam prometendo acabar com os buracos, e eles são os buracos e são muito éticos, se eles acabarem com os buracos eles desaparecem, morrem e a cidade fica sem prefeito.

H – Essa é uma verdade. E o outro problema?

H II – O outro é muito preocupante. Como Manaus é um único buraco gigante formado por milhares de outros buracos, se eles acabarem com os buracos Manaus desparece. E aí, dança eu, dança tu, dança até a mãe do Jaú.

H – Cara, essa é uma cruel verdade! A que ponto chegamos! Estamos refém dos buracos! E alguns desses prefeitos ainda querem se candidatar.

H II – Mas tem uma saída para Manaus não acabar.

H – Qual?

H II – O prefeito de Manaus deve ser sabe quem?

H – Quem?

H II – O povo!

H – Mas você não disse que ele é ignorante não se compromete.

H II – Mas com uma boa orientação política sobre os direitos dos moradores da cidade, não há analfabeto político que não seja educado democraticamente e passe a ser senhor de seu próprio destino. O povo entendendo que ele criou a sociedade civil, o Estado, e as instituições não tem que lhe engane.

DSC01962DSC01964DSC01967DSC01967DSC01970DSC01965DSC01971DSC01961DSC01972H – É verdade. O povo entendendo que ele existe por si mesmo, que foi ele quem produziu seu ser-social, adeus candidatos exploradores.

HII – É a verdadeira democracia!