Archive for the ‘Viva o Vinil’ Category

VIVA O VINIL! PAPETE! SOM-MARANHÃO!

Maio 29, 2016

P1010810                               Tremula a

                                         BANDEIRA DE AÇO

                                         No movimento do

                                         PLANADOR

                                         Enquanto sorve

                                         ÁGUA DE COCO.

Olha aí, vinilesquizofílico, Papete! O Som-Maranhão dos tambores afros que se disseminaram pelo Brasil à dentro.

P1010774 P1010775 P1010778Não se trata de Papete sem se tratar de Marcus Pereira. Foi exatamente em 1978 que Papete gravou sua primeira bolacha-crioula, hoje, mais do que nunca, verdadeira relíquia, Bandeira de Aço, através da Marcus Pereira com apresentação do próprio Marcus Pereira. A histórica obra reveladora fez parte da coleção Música Popular do Norte que se desdobrava na cartografia musical que envolvia, também, as regiões do Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

P1010780 P1010779Papete teve contato com Marcus Pererira através do ilustre e talentoso, Chico Maranhão que lhe apresentou a sensibilidade musical dos artistas da terra de Gonçalves Dias. Chico Marnhão também gravou seu primeiro vinil na Marcus Pereira.

P1010781 P1010782 P1010783 P1010784 P1010785Em 1980, Papete, gravou sua segunda bolacha-crioula, ainda na Marcus Pereira. Água de Coco. Também com a direção musical de Marcus Pereira e direção de Marcus Vinícius que regeu a primeira bolacha-crioula de Belchior: Mote e Glose, na Chantecler. Marcus Vinícius também gravou pela Marcus Pereira como o vinil Dédalus, entre outros.

P1010786 P1010787Já em 1981, Papete gravou Planador, desta feita na Continental contando com um time de músicos de arrepiar o universo das sonorizações. Capenga, Zé Gomes, Almir Sater, Carlão de Souza, Marcinho Werneck, Dudu Portes e Hilton Acioly.

E Papete continua potencializando as variáveis musicais como deslocamento dos estados de coisas do som- sedimentado promovido pela indústria de consumo alienante que visa só seu deus: o capital.

P1010788 P1010790BANDEIRA DE AÇO

P1010776“Se ela soubesse

Da areia que eu como

Ela nem perguntava

Se ela soubesse do pó da sereia

Ela nem se zangava

Vento na cumieira

Nem dizia palavra, palavra, palavra.

Mamãe, eu tô com uma vontade louca

De ver o dia sair pela boca

De ver Maria cair da janela

De ver besouro, ai, ai, besouro.

E ela nem se parece

Com Nhozinho Chico Soldado,

Que na subida da bandeira

Pensou que estava no mundo

E era fundo de quintal”.

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VIVA O VINIL! JORGE MAUTNER – BOMBA DE ESTRELAS

Maio 24, 2016

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Presta atenção, vinilesquizofílico, estamos no ano de 1981 entrando no Estúdio da WEA para vivenciar a gravação da bolacha-crioula muito desconcertante do violinista, ou rabequeiro, Jorge Mautner, verdadeira joia-rara, relíquia.

P1010759Olha ali! Tá vendo? Seus parceiros da bolacha-crioula Pepeu Gomes, Amelinha, Caetano, Zé Ramalho, Gil, Robertinho de Recife e Moraes Moreira. Morais? Pois é! Uma porrada musical -vinil. A foto de contracapa é de Paulo Vasconcellos, Capa de Glauco Rodrigues e coordenação de capa de Ruth Freihof, com a produção de Chico Neves e Liminha.

Uma observada na letra, Vida Cotidiana, de Nelson Jacobina e Mautner.

P1010760 P1010762“A uma você fuma,

As duas, vai pras ruas

E as três, telefona pra Ines

(ALO, benzinho, vem correndo que eu

 GUARDO uma surpresa PRA VOCÊ)

As quatro faz cena de teatro

As cinco, fecha a porta com o trinco

 E as seis, o problema é de vocês

(eu falei pra você não FALAR nada pra ELE

nem pra Ela, agora o problema

é todo seu, resolve, resolve, quero vê!)

As sete você vira travesti, vedete

As oito você fica um xuxu biscoito

As nove você ama e se comove

As dez, eu lhe faço cafunés com os pés

As onze você faz cara de pau, olhos de bronze

E as doze você faz aquela pode

VOCÊ QUER UMA ROSA OU UMA ROSE?

EU VOU IMITAR UM AVIÃO!

VOAM PARA O ORIENTE

Todas as sombras

VOAM E SE DEITAM NO POENTE

Todas as pombas.”

LADO – A

A Força Secreta Daquela Alegria/Namoro Astral/Cidadão-Cidadã/Namoro de Bicicleta/Samba Japonês.

P1010764LADO – B

Encantador de Serpentes/Tá Na Cara/Vida Cotidiana/Negros Blues/Bomba de Estrelas.

P1010763                                                    

VIVA O VINIL!

VIVA O VINIL! ELIS

Abril 8, 2016

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Estamos no ano de 1980, esquizovinilfílicos, no Estúdio EMI-ODEON para vivenciar a bolacha-crioula histórica da pimentinha Elis Regina. Joia raríssima! Singeleza pura!

P1010748 P1010747 P1010749Não vamos nos alongar dado o que vocês já conhecem da voz que revolucionou as décadas de 60 e 70 da música popular brasileira. Sem contar o seu engajamento político como mulher militante pelos direitos de todas diante da opressão imposta pela ditadura civil-militar que barrou a liberdade dos brasileiros entre os anos de 1964 e 1985.

Sem delongas, vamos a apresentação da bolacha-crioula pela pimentinha como forma de agradecimento aos seus companheiros.

P1010750 P1010751 P1010752 P1010753“Obrigado mesmo

Mayrton, Márcia, Gonzaguinha, Beto, Natan,

Fernando, Yone, Lê, Ronaldo, Guilherme,

Nivaldo, Franklin, Marisa, Milikas, Magrão,

Bangla, Guilherme, Vergara, David, Chico,

Daniel, Vinicius.

Meu coração aos meus companheiros de som.

Dedico este disco a meu ídolo, minha amiga

E colega de internato Rita Lee.

Amo a música. Acredito na melhora do planeta,

confio em que nem tudo está perdido, creio na

bondade do ser humano e intuo que loucura é

fundamental.

Agora só me faltam “carneiros e cabras pastando solenes no meu jardim”.

Viver é ótimo!”

                                    Elis.

LADO – A

Sai dessa/Rebento/Nova Estação/O Medo de Amar é o Medo de Ser Livre.

P1010755LADO – B

Aprendendo a Jogar/Só Deus é Quem Sabe/O Trem Azul/Vento de Maio/Calcanhar de Aquiles.

P1010754Direção de Produção: Renato Correia.

Direção musical: César Camargo Mariano.

Arte e projeto gráfico: Vergara.

Foto arte da capa: Bina Fonyat e Luiz Affonso.

Arte da capa sobre detalhe: Pedro Martineli.

Fotos encarte: Wilton Motenegro.

Coordenação gráfica: Tadeu Valério.

 

                                                       VIVA O VINIL!

VIVA O VINIL! MILTON NASCIMENTO – CLUBE DA ESQUINA 2

Abril 2, 2016

P1010729Estamos em 1978, esquizovinilfílicos, nos Estúdios Odeon para vivenciar a gravação da bolacha-crioula do mito Milton Nascimento: Clube da Esquina 2. Uma obra-prima que auxiliou no enfraquecimento da força opressiva da ditadura que dominava a sociedade brasileira.

P1010731 P1010732 P1010733 P1010734 P1010735Uma bolacha-crioula que conta em sua composição com Chico Buarque, Elis Regina, Francis Hime, Ruy Guerra, Novelli, Toninho Horta, Maurício Einhom, entre outros talentos não precisa nem de apresentação tal sua singularidade.

P1010736 P1010737 P1010738Basta só escrever que se trata de um álbum duplo cujas peças musicais fluem com a potência musical-lírica dionisíaca. Só uma palinha como amostra entre tantas joias raríssimas, o clássico-histórico: O Que Foi Feito de Vera. E com direito a poema de Carlos Drummond de Andrade: Canção Amiga.

P1010739 P1010740Direção de produção: Mariozinho Rocha. Produção executiva: Milton Nacsimento. Novelli e Ronaldo Bastos. Assistentes: Marcia Monteiro e Toninho Valente. Capa: Cafi, Loca e Ronaldo. Fotos internas: Cafi e Loca. Foto da nuvem: Cafi. Foto de capa: Frank M Stuclife.

LADA – A da primeira bolacha-crioula.

P1010744Credo/Nascente/Ruas da Cidade/Paixão e Fé/Casamento de Negros/Olho D´ Água.

LADO – B da primeira bolacha-crioula.

P1010743Canoa, Canoa/O Que Foi Feito Devera/Mistérios/Pão e Água/E Daí.

LADO – A da segunda bolacha-crioula.

P1010742Canção Amiga/Canción Por La Unidad Latinoamricana/Tanto/Dona Olímpia/Testamento/A Sede do Peixe.

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                                               VIVA O VINIL!

VIVA O VINIL! CHOROS E CHORÕES – OS NOVOS BOÊMIOS

Março 25, 2016

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Abel Ferreira, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Benedito Lacerda, Raul de Barros, Evandro Bandolim, José Leocádio, Sivuca, Bonfiglio de Oliveira e Roberto Stanganelli são os chorões que nós iremos vivenciar aqui no Estúdio Beverly nesse ano de 1983, esquizovinilfílicos.

P1010725Trata-se da bolacha-crioula volume 2 da Série Documento da Música Popular Brasileira. Um projeto para não divulgar a música instrumental, mas também para coloca-la em seu honroso lugar junto aos ouvintes que têm sensibilidade apurada, diferente da sensibilidade atrofiada produzida pela indústria fonográfica de consumo que só visa o lucro. Como ocorre com todas as formas de capitalismo.

P1010726Os Novos Boêmios mostram em sua bolacha crioula, joia raríssima, Choros e Chorões, uma incomparável performance musical ao executarem as mais talentosos peças do choro brasileiro. Alguém diria: “Uma verdadeira aula”. Não, não é uma verdadeira aula, mas um singelo curso de choro apresentado pelos instrumentistas com as sublimes obras choronas.

Agora é só chorar!

LADO – A

Atlântico/Naquele Tempo/Proezas de Sólon/Brejeiro/Na Glória/Sons de Carrilhões.

P1010728LADO – B

Flamengo/Chorando Baixinho/Eu Quero é Sossego/Homenagem À Velha Guarda/Paraquedista/Barba Azul.

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                                                   VIVA O VINIL!

VIVA O VINIL! – JORGE MELLO: CORAÇÃO ROCHEDO

Março 11, 2016

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 “Do papo entre amigos. Nas muitas noites. Bares e rodadas de chopp, nasceu esse trabalho.

                       À vocês que de alguma maneira deixaram aqui sua marca. Meu agradecimento” 

     Jorge Mello

“Vim aqui pra desvendar o teu mistério

Portanto é justo omitir opinião

Quanto antes possa eu ter um critério

Pra julgar a minha determinação

É a ti flor do céu que me refiro

Nesse trino de amor, nessa canção

Confessar não basta meu atrevimento

Mas o que eu faço com esse pobre coração…”    

“Este disco pertence aqueles que conquistaram a liberdade e principalmente aqueles que continuam buscando por ele”

   Jorge Mello

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Vinilesquizofílicos, estamos no mês de agosto do ano de 1978 no Estúdio Continental para apreciar a gravação da joia raríssima bolacha-crioula do piauiense Jorge Mello: Coração Rochedo. Uma insigne revelação apesar da ditadura civil-militar que se apossou do Brasil entre os anos de 1964 e 1985.

Jorge Mello, embora oriundo do Piauí, foi em Fortaleza que deu maior impulso a sua nobre carreira de músico e letrista. Não eram para menos. Frequentou o Bar do Anísio na orla da cidade onde frequentavam seus parceiros Belchior, Ednardo, Rodger Rogério, entre outros. Nesse point de artistas nasceram talentosas composições que figuraram no cancioneiro brasileiro.

P1010719 P1010720 P1010721Jorge Mello, como ocorreu com ouros grandes do Nordeste foram morar, pelo menos temporariamente, no Rio e São Paulo. Nessas capitais conheceu outros compositores com quem fez belas parcerias. Porém, sempre manteve a amizade com seu companheiro Belchior com quem compôs algumas peças relevantes.

Essa bolacha-crioula histórica, Coração Rochedo apresenta uma plêiade de compositores do Nordeste que sempre mantiveram ligação com Jorge Mello. Entre eles Clodô, Nonato, Klécius, Oswaldinho, Pedro Jaguaribe, Cássio, Betho, Constant, Beto Martins e Odair. Como também o coro composto por Heleninha, Cidinha e Rita. E a participação especialíssima da talentosíssima compositora, cantora, instrumentista e pesquisadora Marlui Miranda.

Direção Musical, arranjos e regências: Jorge Mello.

Fotos de capa: Fábio Praça.

Fotos do encarte: Clóvis Copelli.

Ideia da capa: Zé Roberto e Tereza Mello.

Lado – A

P1010722 P1010717Prisão/É Dia, É noite a Minha Cor/Ferroada/Dentro de Meu Olhos.

Lado – B

Nascendo de Novo/Claridade/Sentidos/Ladainha da Cidade Claramente.   

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                                                         VIVA O VINIL!

VIVA O VINIL! – IVAN LINS – NOS DIAS DE HOJE

Março 4, 2016

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Esquizovinilfílicos, estamos adentrando o estúdio EMI-ODEON no ano de 1978. Sacou o ano? Pois é. O título da bolacha-crioula diz tudo. Era o começo do fim da ditadura. Os operários estavam se organizando de forma mais consistente. Os intelectuais mostravam suas caras, assim como os artistas e outros seguimentos da sociedade civil. Vivia-se aquela situação que o filósofo Sartre chama de recorrência. As potências se encadeando de forma oculta para logo adiante entrarem em estado de revelação.

Os Dias de Hoje, bolacha da dupla de artistas-músicos inquietos Ivan Lins e Vitor Martins, mostra essa data com clareza e simplicidade. Embora tenha estudado música ainda quando criança, Ivan Lins, começou sua carreira quando ainda era universitário e participou junto com Gonzaguinha e outros bambas musicais, do Movimento Artístico Universitário, o MAU. Um território de alta temperatura política onde além das musicas também havia grandes debates sobre a condição prisional do Brasil pela força da ditadura civil-militar que partiu de 1964 e foi até 1985. Quer dizer, foi mais que isso. Há no Brasil atual o odor de abuso de poder claro em relação às liberdades.

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Quanto a Vitor Martins é um letristas dos mais sensíveis e engajados. Tem uma profunda acuidade sobre os fatos que ocorrem no Brasil. Suas letras diretas de quem refletiu com clareza sobre a realidade opressiva. Dai que tirando a participação como compositor de Gilson Peranzzetta em Temporal, todas as outras obras são de parceria com Ivan Lins.

Leiamos a obra Cartomante e pensemos sobre o ano de 1978.

“Nos dias de hoje

É bom que proteja

Ofereça a face

A quem quer que seja

Nos dias de hoje

Esteja tranquilo

Haja o que houver

Pense nos seus filhos

Não ande nos bares

Esqueça os amigos

Nas pare nas praças

Não corra perigo

Não fale do medo

Que temos da vida

Não ponha o dedo

Na nossa ferida.

Nos dias de hoje

Não lhes dê motivo

Porque na verdade

Eu te quero vivo

Tenha paciência

Deus está contigo

Deus está conosco

Até o pescoço

Já está escrito

Já está previsto

Por todas videntes

Pelas cartomantes

Está tudo nas cartas

Em todas as estrelas

No jogo dos búzios

E nas profecias

Cai, o rei de espadas

Cai, o rei de ouros

Cai, o rei de paus

Cai, não fica nada!”.

P1010706 P1010708Sentiram, como se diz, o clima? Leiamos agora a sensível e inteligentíssima Aos Nossos Filhos.

“Perdoem a cara amarrada

Perdoem a falta de abraço

Perdoem a falta de espaço

Os dias eram assim

Perdoem por tantos perigos

Perdoem a falta de abrigo

Perdoem a falta de amigos

Os dias eram assim

Perdoem a falta de folhas

Perdoem a falta de ar

Perdoem a falta de escolha

Os dias eram assim

E quando passarem a limpo

E quando cortarem os laços

E quando saltarem os cintos

Façam a festa por mim

Quando lavarem a mágoa

Quando lavarem a água

Lavem os olhos por mim

Quando brotarem as flores

Quando crescerem as matas

Quando colherem os frutos

Digam o gosto pra mim”.

E essa condição opressiva que os reacionários querem para o Brasil.

P1010705 P1010709MÚSICOS

Arranjos de base criados pelo Grupo Modo Livre composto por Gilson Perranzzetta, Fredera, Fred Barbosa e João Cortez. Arranjos vocais: Tavito. Coro: Zé Luiz, Márcio Lott, Flavinho, Regininha e Lucinha. Arranjos e regências de cordas e metais: Gilson Peranzzetta. Violinos: Pareschi, Vidal, José Alves, Aizik, Pissarenco, Daltro, Walter Hack, Carlos Eduardo, Guettá, Piersaniti, Lana e Paschoal. Violas: Penteado, Macedo, Stephany e Murillo. Cellos: Márcio, Alceu, Lúcio e Jacques. Metais: Macxeira, Ed Maciel, Sílvio e Azevedo. Trompas: Swab e Toninho. Fluegelhorns: Ma´rcio Montarroyos e Murrillo.

CAPA: Mello Menezes.

LADO – A

P1010712Cantoria/Guarde Nos Olhos/Bandeira do Divino/Forró do Largo/Cartomante.

LADO – B

P1010711Quaresma/A Visita/Temporal/Esses Garotos/Aos Nossos Filhos.

                                       VIVA O VINIL!

VIVA O VINIL! NORDESTINADOS

Fevereiro 26, 2016

P1010690Atenção, esquizovinilfílicos, estados em 1080, adentrando no Estúdio Rozemblit para vivenciar a gravação da bolacha-crioula Nordestinados distribuída pelo selo Chantecler, a gravadora do galinho madrugador.

P1010692 P1010693 P1010694P1010701Essa bolacha-crioula Nordetinado é traspassada por três potências diferenciadoras. A primeira é que ela foge da música nordestina comercial muito tocada nesse tempo em que os cantores só objetivavam o sucesso promovido pela indústria da música de consumo que não respeitava a chamada música nordestina de raiz. A segunda potência é que essa bolacha-crioula é composta por dois sensíveis e inteligentes artistas: o poeta Marcus Accioly e o músico César Barreto. E a terceira é que ela teve o acompanhamento do Grupo Som da Terra composto por Egildo Vieira, flauta; Carlos Xavier, intimamente Neném, bateria, percussão e vocal; João Lira, viola, violão, charango e vocal; José Carlos, baixo; Carlos Alberto, intimamente Kaito, violão e vocal.

P1010695 P1010696 P1010697 P1010700Com arranjos de criados pelos próprios Nordestinados a bolacha-crioula ainda conta coma as participações de Vicente Menezes ao violão e Fátima Goulart no contracanto. E não esquecer que o músico César Barreto participa colando na craviola e no canto vocal. E ainda conta com as participações especiais de Mariza Jonhson, ao cello, e Benjamim Wolkoff.

LADO- A – Cego-Aderaldo/Pedra Sobre Pedra/Cirandância/Pablo Neruda/Meninos-Caranguejos/Cantomilho.

P1010699LADO- B – O Sertão/Luadorim/Cantiga-do-Gira-Roda/Pablo Casals/Gemedeira.

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VIVA O VINIL!

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VIVA O VINIL! DERCIO MARQUES – CANTO FORTE – CORO DA PRIMAVERA

Fevereiro 12, 2016

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Estamos no ano de 1979 adentrando o Estúdio Copacabana para vivenciar a gravação de mais uma bolacha crioula do cantor, cantador e compositor Dercio Marques um músico que canta o espírito da canção brasileira no que há de mais genuíno.

Dercio é irmão de Doraty Marques também cantora, cantadora e compositora do espírito melódico das terras brasilis como foi o irmão Darlan. Ele flui com sua voz não somente obras elevadoras de sua estética-poética-musical como também de outros companheiros como Manuel Bezerra, Sílvio Rodrigues, João do Vale, Elomar Filgueira, Luiz de França, José Cândido, Dino Franco, Cláudio Murilo, Alberto Moreira, Chico Alves da Silva de Ubatuba, Paco Bandeira, José Maria Rodrigues, Sérgio Godinho, Carlos Pita, José Afonso e José Augusto Guyticolo. Uma plêiade de poetas e cancioneiros do Brasil e de outras plagas.

P1010664Essa bolacha-crioula, esquizovinilfílicos, é verdadeiramente joia raríssima, relíquia da autêntica e singular música brasileira, assim como outras bolachas-crioulas de Dercio Marques. Trata-se de um vinil que leva o ouvinte a ultrapassagem sonora-poética do território musical estratificado. Trata-se de uma condução musical-angelical tal seu enlevo.

Dercio Marques nos leva a entender que “Pobre do Cantor” que não tomar “Decisão” sentido a “Natureza” para saber que o mundo precisa de “Arrumação” para que então o homem possa livremente andar sobre as “Relvas” ou navegar faceiro no “Leito do Gavião” ouvindo o canto do “Sabiá”.

P1010665É hora da tonta “Companheiro” para se livra da força “que só te manda obedecer” que “te faz ficar de bem com os outros e de mal contigo”.

LADO – A

P1010668Vim de Longe/Raso de Luz/Era Um Vez/Cantiga de Embalar/Que Força é Essa/Acontecer/Companheiro.

LADO –B

P1010667Pobre do Cantor/Decisão/Leito do Gavião/Arrumação/Natureza/Relvas/Sabiá.

Participaram especialmente da gravação dessa bolacha-crioula histórica a talentosíssima maranhense Irene Portela, que já esteve aqui nesse Viva o Vinil, cantando Sabiá, Zé Eduardo com sua flama percussionista e a Orquestra de Violeiro de Osasco.

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                                                     VIVA O VINIL!

VIVA O VINIL! ZÉ CARLOS – EXPLODE POVÃO!

Fevereiro 5, 2016

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Vinilesquizofílicos, estamos no ano de 1980, adentrando no estúdio da RCA para observar e vibrar com a gravação da bolacha-crioula Explode Povão de um dos mais talentosos sambistas de todos os tempos Zé Carlos.

P1010654Como estamos movidos pelo espírito dionisíaco em forma de carnaval nada melhor do que compor com essa bolacha-crioula que faz balançar  o corpo, a alma e o esqueleto. Assim, a ordem a não ordem é se lançar na folia sambando com Zé Carlos cuja bolacha-crioula está recheada de feras da música brasileira como Wilson das Neves, Jacobinha, Efson, Nei Lopes, Neuma Morais entre outras feras.

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Mas deixemos de delongas que Momo não espera. Vamos fazer a leitura da apresentação da bolacha-crioula joia raríssima.

“Dinorá, chefe do grupo coral feminino “As Gatas”, e Genaro, do conjunto “Nosso Samba”, também produtor de discos, ombreado nos estúdios, dias e noites até altas madrugadas, os pesados trabalhos de botar coro nos discos de samba, que precisam levar a marca inconfundível de sua raça, e se canto chão, e dos sambas de quadra e de enredo do povão carioca, passaram a desejar, também para a música de raiz, uma voz que começava a pintar nos coros que faziam juntos. Era Zé Carlos, que além de ter uma voz privilegiada por natureza, já vinha de uma grande experiência de cantar músicas nos comerciais de rádio e televisão e uma longa caminha pelos roteiros das casas noturnas do Rio e São Paulo, escola fundamental para todos aqueles que desejam fazer uma carreira artística de longo curso.

Genaro e Dinorá notaram que o que estava pegando um pouco para aquela voz, era apenas um pequeno estágio no canto de morro e nas escolas de samba.

Isso aconteceu no ano passado, quando Zé Carlos gravou e viveu intensamente, nas quadras, o samba enredo afro da Escola Acadêmicos de Cubango, de Niterói, “O Mundo Mágico”, de Heraldo Faria e Flavinho Machado.

Daí veio o contrato com a RCA Victor, e esse disco com Zé Carlos, cantor chão, pó, poeira, de um lado, e de outro, o mesmo Zé Carlos de sua primeira água, a vida noturna nas casas de música mais sofisticada.

Nesse disco “Explode Coração”, estão praticamente sendo revelados para o grande público, os arranjos do maestro Tranka, a jovem compositora Neuma de Morais, e mais duas grandes revelações, como autores, nas músicas: “Gesto Nobre” e “Quando a Gente se Deita”, que são de Gilberto Jordão e Liani da Pompéia.

Vaia aqui nosso agradecimento ao grande mestre compositor Walter Rosa, pela sua participação com Zé Carlos na música: “Sou Pescador”, de sua autoria com Hedi, o que acentuou ainda mais o toque de autenticidade, nas músicas de raiz desse disco.

Para José Carlos Machado, o agradecimento pela mão de obra firme e construtiva nos alicerces da carreira de cantores novos, como Zé Carlos e tantos outros.

Pra finalizar, queremos que esse trabalho seja uma oração, uma forma de prece, com o mais profundo respeito e desejo de um breve e necessária recuperação artística e pessoas, do grande líder do samba de massa desse país, Martinho da Vila”.

P1010659                                  Adelson Alves

LADO – A

P1010660Explode Coração/Sou Pescador/O Sonho de Um Menino de Angola/Madrugada/Quando a Gente se Deita/Uma Vida Sem Amor.

LADO – B

Gesto Nobre/Mulher/Amor e Arte/Está Faltando Adoniram/Nada/Pra Que Fantasia.

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                                                   VIVA O VINIL!