Archive for the ‘Carnaval’ Category

BANDINHA DO OUTRO LADO FAZ FESTA MOSTRANDO QUE É NETA SINGULAR-ORIGINAL DE DIONÍSIO

Fevereiro 28, 2017

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Entre os vários vetores fluxos mutantes e quantas desterritorializantes da Associação Filosofia Itinerante (Afin) que agenciam há mais de 14 anos em Manaus produções-moventes como corpos de novas formas de existir, sentir, ver, ouvir e pensar, a Bandinha do Outro Lado é festa singular e original da potência dionisíaca.

p1090569p1090574p1090576p1090577p1090581p1090584p1090589p1090590p1090599p1090600A Bandinha do Outro Lado se imbricou como corpo dionisíaco há nove anos na Rua Jaú do Bairro Novo Aleixo, zona Leste de Manaus. Uma das muitas regiões populacionais desassistidas pelos governos reacionários que se apossaram do estado do Amazonas e da capital Manaus. Na linguagem politicofastra (linguagem do falso político, o tagarela do Legislativo, Executivo e Judiciário, corpos alienados da democracia), é um curral eleitoral onde esses personagens exploradores da miséria do povo, que eles mesmos fomentam, conseguem suas eleições, reeleições constantes.

Desde sua inicial apresentação nas ruas do bairro que a Bandinha do Outro Lado se atualiza como real através das próprias criações das crianças. Suas fantasias são concebidas e elaboradas por elas. Certo que com o auxilio de alguns moradores. Como Dona Antônia, por exemplo.

p1090602p1090604p1090609p1090622p1090627p1090640p1090652Como a Afin é um corpo comunalidade e sua atuação é sempre um processual coletivo, não seria coerente a Bandinha do Outro Lado, como expressão do personagem que forneceu corpos para a emergência do Teatro Grego, a Filosofia e a Política, que os moradores ficassem fora da composição festeira de seus netos.

p1090653p1090663p1090665p1090678Nesse carnaval, que apesar de Temer e seus cúmplices golpistas, a Bandinha do Outro Lado fez sua festa em outra zona abandonada pelos exploradores governantes: Bairro Nova Cidade, que de novo só tem o nome: segue a antiga violência administrativa de outras zonas que não têm seus direitos urbanos garantidos. Fica no extremo de Manaus. Agora, a Bandinha do Outro Lado se apresenta na última rua, número 72, do bairro no limiar da mata, fronteira com um cemitério indígena. Porém, a potência dionisíaca-contínua segue a movimentação intensiva da poieses.

p1090686p1090690p1090691p1090697p1090702p1090723p1090742p1090749p1090757p1090761Aqui a letra desse ano do carnaval da Bandinha do Outro Lado. Carnaval que vibrou por todo Brasil em um uníssimo Fora Temer! Para o bem da Democracia!

     A Bandinha do Outro Lado está na Nova Cidade Ô, Ô,Ô

     Veio lá do Novo Aleixo com sua festa vontade Ô,Ô

     Para fazer o carnaval Dionísio da criança

     Por isso, ninguém vai ficar fora da dança.

     “Corre, corre lambretinha”,” se a canoa não virar”,

     “Eu vou pra Maracangalha” “abre alas que eu quero passar”

     “Viva o Zé Pereira, viva o carnaval,

      Viva o Zé Pereira que a ninguém faz mal”.

     Vejam algumas imagens dionisíacas.

  Vejam um breve vídeo. 

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O FEMINISTA BLOCO MULHERES RODADAS, RODA NA QUARTA DE CINZAS NO LARGO DO MACHADO, NO RIO

Fevereiro 11, 2016

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Criado no ano passado com o propósito de mostrar a potência singular das mulheres que corta qualquer semiótica nazifascista que pretende tê-las como eternas reféns dos homens fálicos, homens embrutecidos que têm dificuldades de lidar com suas sexualidades dado ao processo de castração que sofreram por parte de seu genitores, o Bloco Mulheres Rodadas rodou no Largo do Machado, no Rio, na chamada quarta-feira de cinzas.

999802-capa_10022016-_dsc2668 999803-10022016-_dsc2494 999808-10022016-_dsc2662 999811-10022016-_dsc2728 999813-10022016-_dsc2759 999815-10022016-_dsc2774Som do funk, marchinhas, sambas, entre outras musicalidades alegres, o Bloco Mulheres Rodadas, que homenageia este ano a atriz Leila Diniz, deixou sua virtual-existência para se mostrar real nas ruas iniciando sua performance com Geni e o Zepelin, de Chico Buarque.

“Vimos uma postagem de uma página chamada Jovens de Direita que dizia ‘Não mereço mulher rodada”. Criamos então, um evento no Facebook, de brincadeira. No dia seguinte, mais de mil pessoas tinham confirmado presença. O jeito foi sair com o bloco”, disse uma das fundadoras do bloco, Débora Thomé.   

999816-10022016-_dsc2795 999817-10022016-_dsc2832 999818-10022016-_dsc2869 999819-10022016-_dsc2884 999820-10022016-_dsc2973 999821-10022016-_dsc3006Durante seu percurso, que chegou ao Aterro do Flamengo, o Bloco Mulheres Rodadas cantaram, dançaram e pularam ao som de Beyoncé, Caetano, Pepeu Gomes, Ludmila entre outros.

É CARNAVAL! CRIANÇAS REFUGIADAS VÃO DESFILAR NA ESCOLA MIRIM DA MANGUEIRA QUE HOMENAGEIA BETHÂNIA

Fevereiro 6, 2016

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A cantora Maria Bethânia, que será homenageada pela Escola de Samba Mangueira, pediu e crianças refugiadas da Síria, Palestina, Jordânia, Congo, Angola, Líbia e Sudão irão desfilara na escola mirim. No total serão 40 crianças refugiadas que desfilaram na ala Pluft o Fantasminha da escola. No todo são 1.800 crianças desfilando na escola mirim divididas em 21 alas.

As crianças refugiadas terão o acompanhamento da organização não-governamental brasileira I Know My Rigths(IKMR)  – Eu Conheço Meus Direitos que conta com o apoio da Agência da Organização das Nações Unidas (ONU).

As crianças refugiadas terão seu grande momento dionisíaco no dia 10 quando às 20 horas a Escola de Samba Mangueira do Amanhã, da Estação Primeira de Mangueira, adentrar na Marques da Sapucaí. Dionísio vai à loucura de felicidade. Logo ele que infinitamente é feliz em sua alegria.

Mangueira do Amanhã é a realização de um projeto do Programa Social da Mangueira trabalhado e realizado pelos comunitários da Mangueira e que reúne mais de 2 mil crianças entre 5 e 17 anos. Para participar do projeto a criança tem se encontrar matriculada na escola. A cantora Marrom Alcione, hoje sua presidenta de honra, foi sua fundadora em 1987. Nesse carnaval as crianças irão sambar ao som e dos versos do tema: “Era uma vez… A Mangueira Vai Contra Para Vocês”, do compositor carnavalesco Clebson Prates

      Vamos nessa, criançada!

        Seja brasileira

        Ou refugiada.

        A hora é

        De Carnavalhada!

BLOCO TÁ PIRANDO, PIRADO, PIROU MOSTRA A POTÊNCIA DIONISÍACA NO CARNAVAL

Fevereiro 1, 2016
Rio de Janeiro - Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro – Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

O carnaval é a primeira espiritualidade da poesia, filosofia e da tragédia. Ele vem dos encadeamentos das potências agrárias do deus Dionísio. A festa da criação e da liberação que emerge do estado de embriaguez coletiva. A embriaguez que força Apolo a formá-la como corpo perceptivo-visual, já que Dionísio é música, lírica, ditirambo.  

Rio de Janeiro - Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro – Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro - Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro – Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro - Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro – Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro - Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro – Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro - Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro – Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Dai que carnavalizar é entrar em estado de liberdade criativa esfuziante. Pois é essa liberdade criativa esfuziante que o Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou, uma enunciação dos membros da saúde mental, coloca nas ruas do Rio para mostrar seus direitos e protestar contra o péssimo entendimento e atendimento dos casos em manicômios.

Rio de Janeiro - Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro – Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro - Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro – Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro - Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro – Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro - Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro – Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! protesta contra tratamento de pacientes em manicômios no pré-carnaval do Rio durante desfile na Avenida Pasteur, na Urca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

O Bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou já é uma tradição no carnaval de rua carioca, onde é muito aplaudido, principalmente pela luta da saúde mental trabalhada por seus integrantes.  O porta-estandarte com os dizeres “Aqui a Tristeza Pula de Alegria” mostra a potência dionisíaca que traspassa os brincantes. A tristeza para os brincantes é um estado que não mata a condição de ser alegre. Aliás, para o filósofo Nietzsche a tristeza, com enfermidade, é um estado de convalescença para a saúde. Uma transição que leva ao humor do existir.

Dionísio no corpo e na mente, moçada!

CARNAVAL LUXO NO RIO DE JANEIRO É “CLOVIS BORNAY – 100 ANOS”

Janeiro 27, 2016

Rio de Janeiro - O Museu da República, no Palácio do Catete, inaugura hoje a exposição Clóvis Bornay 100 anos , que homenageia o centenário do museólogo e carnavalesco, idealizador do Baile de Gala do Th

Falar sobre a história do carnaval luxuoso no Rio de Janeiro é falar do folião dos brilhos o museólogo Clóvis Bornay. Falar dos bailes de salão é Clóvis Bornay. Falar de lantejoulas, purpurinas, paetês e carmins falar borbulhantemente de Clóvis Bornay. E também falar de luxo em desfile de Escola de Samba é falar de Clóvis Bornay. Tudo que se refere a luxo no carnaval carioca fala de Clóvis Bornay

Para comemoração dos 100 anos do museólogo, o mestre do luxo carnavalesco, Clóvis Bornay, o Museu da República produziu a Exposição Clóvis Bornay – 100 Anos que ficará disposta ao público até o mês de abril.

“Clóvis Bornay foi um personagem importantíssimo no mundo dos museus, da museologia e do carnaval. Ele trabalhou no Museu da República supervisionando montagens de exposições e fez nos jardins uma representação da primeira missa rezada no Brasil.

Clóvis Bornay foi ator, cantor, museólogo, carnavalesco e gay. Foi idealizador do Baile de Gala do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1937, onde se deram os primeiro desfiles de fantasias de luxo. Para ele o museu devia ser democrático: ir até o povo”, observou o professor Mario Chagas, curador da exposição e coordenador técnico do Museu da República.

De acordo com Patrícia Fernandes, assistente da coordenadoria, a exposição encontra-se ligada aos 100 anos do Samba. A exposição mostra Bornay em três salas. 1 – Profissional de museu. 2 – Mestre de fantasia. 3 – Personagem mútiplo.

“Na verdade, a gente faz uma linha do tempo dessa pessoa que foi Clóvis Bornay”, disse Patrícia.

Rio de Janeiro - O Museu da República inaugura a exposição Clóvis Bornay 100 Anos do museólogo, carnavalesco e vencedor de concursos de fantasias do carnaval carioca (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Patrícia também ressaltou o mote usado por Clóvis Bornay constantemente. “Ser museólogo não é nada. Mas difícil é ser Clóvis Bornay na passarela todos os anos”.

É carnaval, companheiros! Então a ordem é cair na folia com o convite de Clóvis Bornay, a borbulhança do luxo carnavalesco. Mas cuido para não cair. Clóvis Bornay, conhece o tombo.   

FEIRA DE NEGÓCIOS DO CARNAVAL – CARNAVÁLIA E ENCONTRO NACIONAL DO SAMBA – SAMBACON

Junho 16, 2015

fotos_boneco_gigante_3Com o objetivo de integrar tanto os produtores do carnaval quanto o público, inicia no dia 18, indo até o dia 20, a Feira de Negócios do Carnaval – Carnavália e Encontro Nacional do Samba- Sambacon. O evento tratará do carnaval de ruas, marketing do carnaval e o carnaval como produtor de negócios. O Sabacon vai discutir o carnaval no mundo e contar as participações de representantes da Argentina, Inglaterra, Japão e Estados Unidos. Esses estrangeiros irão mostrar como o carnaval é realizado em seus países.

A expectativa dos organizadores é que a feira e o encontro irão movimentar mais de R$20 milhões o que superará em 30% a mais dos R$14 milhões arrecadados no ano passado. Há também a expectativa do comparecimento de 10 mil pessoas. Mostrando a lógica de que o carnaval é negócio, o Ministério do Turismo divulgou dados do carnaval desse ano mostrando que o faturamento foi de R$6,6 bilhões.

Participarão do encontro do carnaval personagens de algumas Escolas de Samba como Rosa Magalhães, da São Clemente; Paulo Barros, da Portela; Renato Lage, do Salgueiro; e Cahê Rodrigues, da Imperatriz Leopoldinense.

“O objetivo é juntar os que vendem e compram para o carnaval. A mesa de debates sobre o carnaval no mundo é uma novidade. O que a gente quer é mostrar que o carnaval acontece no mundo inteiro de forma diferente.

Vamos discutir o carnaval não só pela festa, mas também pelas divisas que entram, pelo dinheiro que é gerado e que circula.

A gente vai reunir os carnavalescos para fazer uma reflexão e ver até onde vai chegar”, observou Nei Barbosa, especialista em carnaval.

Tem gente que acredita que ainda é cedo. Estamos só no mês de julho e o carnaval é só no outro ano, só que já tem gente esquentando os tamborins, meu nego. E o devir-carnaval é uma intensidade. Um elemento continuum enquanto não é capturado pelo agenciamento capitalístico. Lógico que quando é transformado em mercadoria perde sua singularidade dionisíaca.  

NEGUINHO DA BEIJA-FLOR NÃO FALA SOBRE OS R$ 10 MILHÕES, MAS DIZ QUE O CARNAVAL CARIOCA DEVE AGRADECER “À CONTRAVENÇÃO”

Fevereiro 25, 2015

17235946O carnaval carioca, depois que cortou suas raízes dionisíacas, deixando a alegria euforizante do brincar coletivo, como ocorria na Grécia agrária, passando a ser a expectativa oficial da classe média em forma de escola de samba, submissa aos interesses e particularidades dos jurados, há muito vem sendo objeto de análise dos que pensam o carnaval como uma manifestação livre.

Daí que como se tornou uma espécie de campeonato disputadíssimo com direito até de deboche, as escolas vêm se tornando uma entidade, não mais da simplicidade, mas da ostentação do poder econômico para a realização de seus objetivos carnavalescos oficiais. O que significa aderir aos gostos dos jurados como das mídias do tipo da TV Globo, a manipuladora.

O desfile das escolas de samba deste ano proporcionou tema para uma análise que vaia além da Marquês de Sapucaí. Trata-se da classificação da Escola de Samba Beija-Flor que para construir suas parafernálias ilusórias recorreu ao apoio financeiro do ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang. Que, segundo já foi divulgado, concedeu um auxílio financeiro de R$ 10 milhões para escola de Neguinho da Beija-Flor.

O fato de uma escola ser financiada por um ditador, que há três décadas domina um povo, por si só expressa uma grave preocupação moral. Entretanto, o que é mais grave ainda, é que esse ditador impõe situações perversas a esse povo. Perversidades que atingem a saúde, a moradia, a escola, trabalho e o direito de liberdade de opinião. O que o impossibilitaria de patrocinar uma manifestação em cujo país o governo tenta, apesar dos inimigos, dirimir a miséria e proporcionar a liberdade de opinião.

Diante do ocorrido, o militante guinéu-equatoriano, Tutu Alicante, através do site Conectas, protestou classificando de humilhante o fato do gasto do dinheiro pátrio quando sua população sofre contundentemente.

“Foi horrível, humilhante, um tapa na cara das pessoas do meu país. Não tenho nada contra os brasileiros dançarem se divertirem, mas faze isso com dinheiro de gente pobre que não educação, saúde, nem liberdade para reclamar dessa falta não é certo. E pior, passa a imagem que vai tudo bem no país, quando não vai.

Se, por exemplo, você pede permissão para realizar um pequeno e pacato protesto, nunca consegue e, caso resolva ir em frente, pode ser detido. Os ativistas lá não podem usar a internet livremente porque ela é censurada e o acesso, limitado. Restam então mensagem de textos e ligações telefônicas. Quanto à moratória na pena de morte, isso não aconteceu. Nenhum projeto foi sequer apresentado e execuções extraoficiais continuam.

Não tenho esperança de que a Beija-Flor desista do prêmio conquistado, mas espero que os brasileiro prefiram ficar do lado do meu povo do que de seu governo corrupto e opressor”, disse o ativista da EG-Justice eu promove os direitos humanos.

Mas não se sabe se por muitas lantejoulas, brilhos e paetês, nada disso sensibilizou Neguinho da Beija-Flor, que analisando suas sentenças carnavalescas nos possibilita o entendimento de que pouco importa o sofrimento de um povo quando encontra-se em questão o orgulho-fálico da ilusão de campeão.

Neguinho da Beija-Flor confirmou sua alienação em uma entrevista concedida à Rádio Gaúcha onde defendeu a contravenção como patrocinadora das escolas. E ainda dedurou outras coirmãs sem ser forçado pela delação premiada que se encontra em moda. E que irmãs.

“Se não fosse a contravenção meter a mão no bolso, organizar, estaríamos ainda naquele negócio de arquibancada caindo, desfile terminando duas horas da tarde, cada escola desfilando duas, três horas e a hora que quer. E a coisa se organizou. Se hoje temos o maior espetáculo audiovisual do planeta, agradeça à contravenção.

Não tenho conhecimento dos R$ 10 milhões. Deixa falar. Deu mídia. Deixa falar. A Portela também teve um patrocínio muito forte. O governador do Rio de Janeiro, Pezão, queria que a Portela ganhasse. Vai dizer que ele não fez investimento? O prefeito é portelense doente. Vai dizer que não colocaram dinheiro na Portela”, externou sua inteligência e sua moral Neguinho da Beija-Flor. 

O CARNAVAL PASSOU, MAS É UMA FESTA ASSISTIR O CURTA-COMÉDIA “POLÊMICA”, DISPUTA MEDIÚNICA ENTRE NOEL ROSAS E WILSON BATISTA

Fevereiro 19, 2015

O cinegrafista André Luiz Sampaio, em 1999, conseguiu em 21 minutos, em filmagem 35mm, exibir uma disputa mediúnica entre os compositores e cantores Noel Rosas e Wilson Batista, através dos corpos de dois vagabundos.

A bronca entre Noel e Batista é conhecidíssima, embora muitos aleguem que só se tratou de um mal entendido. Os dois nunca foram rivais. Apesar de que Noel tenha sido um sambista boêmio, dado ao bem viver, curtidor das noites cariocas, e Wilson Batista, em alguns momentos, cooptado pela propaganda getulista. Compôs um samba exaltando o trabalhador ligado como referência ao governo do então presidente.

Entretanto, o que importa é que o cinegrafista André Luiz Sampaio realizou um curta-comédia-musical contagiante, agradável e sincero. Já viu sinceridade em samba-comédia? Se viu ou não, veja com os atores Aber Junior, Benigno de Oxóssi, Paulo Felipe, Emmanuel Cavalcanti, Rose Abdala e Zezé Motta.

Agora, olhos e ouvidos na tela!

O DEVIR-CRIANÇA-DIONISÍACO: “A BANDINHA DO OUTRO LADO”

Fevereiro 17, 2015

DSC02924Como já do conhecimento dos acessantes dos blogs Esquizofia e do Afinsophia, a Associação Filosofia Itinerante (Afin) é uma cartografia de desejos que trabalha com a inteligência coletiva produzindo novas formas de sentir, ver, ouvir e pensar sem qualquer objetivo financeiro.

DSC02816 DSC02819 DSC02837 DSC02841 DSC02848Uma produção comunalidade de novos saberes para que se traduzam em novos dizeres transformadores construtores de singulares existências ontológicas. E que para essa atualização-virtual – virtual no sentido de potência do real – ocorra ela atualiza alguns vetores como o Kinemazófico, a bibliosofia, o teatrosófico, esquizosom, entre outros que se apresentam como expressão do devir-criança, já que a Afin é engajada na estética poiéticas-praxis das crianças e dos adolescentes.

DSC02871 DSC02875 DSC02893 DSC02900 DSC02902 DSC02906 DSC02911 DSC02914Assim, já há sete anos ela atualiza o carnaval infantil exibido-ludicamente como a Bandinha do Outro Lado. Uma manifestação em que o devir-criança-dionisíaco se movimenta criativamente. Uma festa inspirada e conduzida pelas próprias crianças.

DSC02847 DSC02937 DSC02938 DSC02939 DSC02942 DSC02950 DSC02951 DSC02955Como a Afin movimenta suas produções por vários bairros de Manaus, a Bandinha do Outro Lado nasceu por criação das crianças do Kinemazófico que é projetado todo domingo no Bairro Novo Aleixo, um dos territórios mais carente de políticas públicas de Manaus que se não fossem os programas sociais do governo federal seria muito pior.

DSC02961 DSC02974 DSC02983 DSC02991 DSC02992 DSC02997 DSC02998Entretanto, nessa folia-dionisíaca desse ano, a Bandinha do Outro Lado fez uma experiência do outro lado da cidade: no Bairro Nova Cidade. Outro território abandonado pelo poder público. Ela aproveitou a alegria das crianças da capoeirasofia, que atuam no Pórtico das Artes da Afin, e atualizou seu carnaval onde as próprias crianças tocaram os instrumentos musicais em parceria com os afinados Alci Madureira, Miguel Filho no vocal e Marcos José no cavaco. Mas quem dominou e esbanjou vivacidade e criatividade foram mesmo as majestades da festa: as crianças.

Valeu, Dionisiozinho!

“NESTE CARNAVAL, PERCA A VERGONHA, NÃO PERCA O RESPEITO” CAMPANHA DA ONU

Fevereiro 16, 2015

image003Blocos de carnaval aderiram a campanha da Organização das Nações Unidas (ONU) “Neste Carnaval, Perca a Vergonha, Não Perca o Respeito” que tem como objetivo a defesa das mulheres contra a violência perpetrada e executada por alguns chamados homens. Na verdade, misóginos. Aqueles que não criaram uma imago boa de suas mães, por isso odeiam as mulheres como sintomas de suas frustrações em relação às suas libidos-maternais.

Os dois blocos, das Carmelitas, que se apresenta no dia 17, o das Mulheres Rodadas, que se apresenta no dia 18, durante seus desfiles vão distribuir ventarolas e fazerem as seguintes perguntas:

  • Se ela foi paquerada.
  • Se a paquerada foi agressiva.
  • Se ela se sentiu constrangida.

Caso a resposta seja negativa a ventarola sugere a mensagem “Bloco que Segue”. Uma indicação de que não houve qualquer problema. Entretanto, se a mulher tiver sido humilhada, a campanha aconselha que a mulher ligue para o Disque 180, Disque Denúncia da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República que encontra-se em parceria com a ONU