Archive for Março, 2010

CEGO SEBASTIÃO: “A Reza do Matuto”

Março 31, 2010

Vô contá um contu
Qui si chama
“A reza do Matuto”
Di caráter religioso
Qui vai valorizá
A ingenuidadi
A fé,
A sinceridadi
As convicçãos
Dêsse povo simples
In contraposição ao fardo pesado
Da Igreja
I os insinamentos do padri,
na ripitição de oraçãos ‘sim’ convicção, ‘sim’ fé”.
Cantá viola! Como reza a fé desse povo!

Um matuto reza assim:
— Vinde a mim, meu Pai! Meu Pai, vinde a mim!
E avoava o chapéu na parede e o chapéu na parede ficava.
Então ele foi para a igreja e rezou:
— Vinde a mim, meu Pai! Meu Pai, vinde a mim!
E jogou o chapéu na parede e o chapéu ficou.
O padre viu isso e quando terminou a missa chamou o matuto, perguntou por que era que ele fazia aquilo. Ele respondeu que era porque confiava em Deus.
Aí o padre chegou e disse a ele:
— Venha cá que eu quero lhe ensinar a fazer orações.
Aí ele foi. Com uns dias o matuto voltou e disse:
— Senhor padre, não continuo com as suas orações porque não estão servindo de nada. Todas as vezes que eu rezo e sacudo o chapéu na parede o chapéu cai no chão.
E então rezou a dele e avoou o chapéu e o chapéu ficou lá grudado, na parede em frente.

Anúncios

O grande gozador

Março 31, 2010

Desculpe! Não é esse o meu ofício.
Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja.
Gostaria de ajudar – se possível –
judeus, o gentio … negros … brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros.
Os seres humanos são assim.
Desejamos viver para a felicidade do próximo –
não para o seu infortúnio.
Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros?
Neste mundo há espaço para todos.
A terra, que é boa e rica,
pode prover todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.
A cobiça envenenou a alma do homem …
levantou no mundo as muralhas do ódio …
e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade.
Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.
Sem essas duas virtudes,
a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem … um apelo à fraternidade universal … à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora … milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas … vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.
Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis!” A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia … da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano.
Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo.
E assim, enquanto morrem os homens,
a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais … que vos desprezam … que vos escravizam … que arregimentam as vossas vidas … que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar … os que não se fazem amar e os inumanos.

Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade!
No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós!
Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas.
O poder de criar felicidade!
Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela …
de fazê-la uma aventura maravilhosa.
Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo …
um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho,
que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós.
Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança.
Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos

Poesia discursal de Charles Chaplin em no final de o Grande Ditador

Kinemasófico: O coro, O teatro, Dois problemas e uma solução

Março 30, 2010

O CORO


Título Original: Hamsarayan

Diretor: Abbas Kiarostami

País: Irã

Ano: 1982

Duração: 17 Minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Um velho convive problemas de audição sem grandes problemas. Porém sua dificuldade em ouvir acaba lhe mostrando e ensinando coisas muito interessantes, como um coro improvisado de crianças que vibra belamente junto com a música ensurdecedora da cidade.


O TEATRO


Título Original: The play house

Diretor: Buster Keaton

País: Estados Unidos

Ano: 1921

Duração: 22 Minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Em um teatro cheio de atrações, Buster Keaton se desdobra para tocar todos instrumentos da orquestra, namora uma moça que tem irmã gêmea, se finge de macaco e arruma muita confusão. Então senhoras e senhores o espetáculo já vai começar.

DUAS SOLUÇÕES PARA UM PROBLEMA


Título Original: Do Rahehal Barayeh Yek Massaleh

Diretor: Abbas Kiarostami

País: Irã

Ano: 1975

Duração: 5 Minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Há um problema que acontece com dois amigos. Uma criança empresta o livro pro amigo e este devolve rasgado. O que fazer? Como se entender? As próprias crianças criam duas soluções e vão busca uma solução para o problema.


O Kinemasófico é um vetor cinematográfico que a Afin realiza todos os domingos à boca da noite, contando com um curso artístico (teatro, cinema…), sempre com a apresentação ao final da atividade de um cinema. Mais informações, clique aqui.



UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GONGH

Março 30, 2010

Paris, 03 de abril de 1878

Ervas Daninhas, BRETON

Ervas Daninhas – Koninklijke Bibliotheek  em Haia (Holanda)

“Tanto quanto um homem interior e espiritual está preocupado, não se poderia deixar de desenvolver em si pelo conhecimento da história em geral e de certas pessoas em todas as eras em particular, dos tempos bíblicos até a Revolução Francesa e da Odisséia até os livros de Dickens e Michelet? Ele não poderia aprender algo de trabalhos como Rembrandt ou de Ervas Daninhas de Breton…?”

Jules Adolphe Aimé Louis Breton foi um pintor realista  francês que teve suas pinturas influenciadas pela região  interiorana da França. Por dominar muito bem os métodos  tradicionais de pintura, Breton conseguiu retrar toda  beleza e bucolismo da vida rural no seu tempo.

Jules nasceu no dia 1º de Maio de 1827 na vila francesa de  Courrières. Seu pai era um capataz de um rico fazendeiro e  sua mãe teve pouco contato com o pintor, já que morreu  quando ele tinha 4 anos. Criado pelo seu pai, seu tio  Boniface Breton e sua avó, Breton desde cedo apreciou uma  vida no campo e de respeito as tradições, e um patriotismo  que lhe fez retratar sua terra com uma vivência que talvez  fosse difícil a um estrangeiro.

Em 1842 ele conheceu o pintor Félix de Vigne e persuadiu  sua família pra estudar art. Com apoio da família ele  partiu para Ghent em 1843 onde continuou os estudos  artísticos na Academia de Belas artes junto com de Vigne e  com o pintor Hendrik Van der Haert. Três anos depois  mudou-se para Antuérpia onde aprendeu com o Baron Gustaf  Wappers a copiar trabalhos de pintores belgas. Em 1847  partiu para Paris onde estudo no atelie de Michel Martin  Drolling e se tornou grande amigo de pintores realistas  como François Bonvin e Gustave Brion. Em 1851 o pintor se  mudou novamente para a capital da Bélgica, Bruxelas, e lá  conheceu sua futura esposa Elodie, que era filha de Félix  de Vigne. No ano seguinte retornou pra França e neste ano  deixou de pintar temas históricos para retratar a paisagem  rural. Em 1858 finalmente casa-se com Elodie, e prossegue  seus trabalhos artísticos que cada vez mais atingia uma  fama. Em 1880 o pintor holandês Vincent Van Gogh andou 130  km até Courrières para visitar Breton, cujo tecia uma  grande admiração porém ele desistiu ao se deparar com o  grande muro que o separava de Breton.

Em 1886, Breton foi eleito membro do Institu de France  devido a morte de Baudry, e ganhou vários premios nos anos  seguintes. Nos anos de 1890 seu trabalho já era  reconhecido internacionalmente, tendo exposições nos  Estados Unidos. Breton ainda lançou um livro de poemas  (Jeanne) e vários de prosa. Seu irmão Emile e sua filha  Virginie também eram pintores.

Breton continuou pintando até o fim de sua vida. Ele  morreu no dia 5 de Julho de 1906 em Paris.

________________________________________________________________________

Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Recorte você mesmo sem sentir dor

Março 29, 2010

Cinédia: uma vida em cinema no Brasil

Março 28, 2010

O cinema brasileiro ainda hoje depois de muitos rolos é pouco estudado e valorizado em relação as produções do começo do nosso cinema. Está certo que há algumas coisas que não possuem valor estético nenhum. Mas são poucos que ainda comentam sobre cinemas como Limite (1931), o Aitaré da Praia (1926), Ganga Bruta (1933), O Ébrio (1946) e outros cinemas brasileiros.

Um dos passos para a estabilização de um mercado de cinema brasileiro foi a criação da empresa cinematográfica Cinédia pelo jornalista Adhemar Gonzaga há exatamente 80 anos (em março de 1930).


O primeiro trabalho da companhia foi “Lábios sem Beijos”, produzido e dirigido por Adhemar Gonzaga em 1929, quando a Cinédia ainda era um projeto, e que foi interrompido quando a atriz principal, Carmem Santos, grávida, sofreu uma queda. As filmagens só retornaram em 1930. Deste embrião, surgiram vários longas e apareceram novas estrelas.

Atores como Oscarito, Grande Otelo, Dercy Gonçalves, Procópio Ferreira e diretores inclui Humberto Mauro, Oduvaldo Vianna e até Orson Welles, (que filmou “It’s All True” nos estudios Cinédia).

Atualmente  a Cinédia contirnua existindo, sendo construida por Alice Gonzaga, filha de Adhemar  em Santa Teresa, Rio de Janeiro. A empresa sobrevive com venda de suas imagens e dos filmes reconstruidos.

E como celebração das 80 primaveras do Cinédia, haverá  um ciclo de cursos pagos sobre cinema a partir de junho, além  da digitalização de grande parte do acervo. Foram feitos mais de 700 filmes pela companhia como Alô, Alô Carnaval, O Ébrio (com Vicente Celestino), Ganga Bruta de Humberto Mauro e Limite de Mário Peixoto.

Imagem do cinema Limite

Algumas produções já se encontram em DVD como o Ébrio e várias comedias de Dercy e Oscarito, além de uma versão de Limite lançado na França.

Notas repimboticas

Março 27, 2010

Bob Dylan em uma foto de Marshall

  • Mais um esquizo que se foi esta semana. O fotógrafo musical Jim Marshall, que retratou grande parte d0s grandes nomes do rock e do jazz, tendo fotos memoraveis de Bob Dylan, Janis Joplin, Boo Didley, The Who, Johnny Cash, Joan Baez, deu seu click final em NY City. Além disso ele fotografou as imagens que sairam nas capas de mais de 500 discos. Na mesma noite ele era aguardado em um evento e devido a ter morrido deu uma de Tim Maia e deixou um pessoal esperando.

  • O cinema brasileiro deu mais um passo rumo a credibilidade de uma produção cinematográfica nacional. O documentário brasileiro “Quebradeiras” do cineasta cineasta Evaldo Mocarzel, que trata das mulheres que quebram coco na Amazônia brasileira, foi laureado nesta quinta-feira nos Encontros de Cinemas da América Latina, em Toulouse.

Um dos trabalhos de Marcello Nitsche

  • Enquanto nos anos 60 em Nova York a pop arte turbinava as discussões estéticas, no Brasil os jovem artistas Marcello Nitsche e Claudio Tozzi eram artistas engajados contra a ditadura política. Representantes da arte pop nacional,  estreiam uma exposição no Espaço Cultural Citi (centro da cidade de São Paulo) que começa nesta segunda(29) e que serve de um complemento a exposição de Warhol que também está no Brasil. Segundo Nitsche “A pop art americana tinha muita técnica e a qualidade do material era muito boa. No Brasil, a gente pegava material do borracheiro, era uma coisa mais popular”. A exposição é um afronte ao consumismo da arte: entrada grátis.


  • Os enlatados diretor Steven Spielberg e o ator Tom Hanks estão querendo escalar para chegar ao topo de Hollywood. Literalmente. Eles estão tentando salvar, arrecadando dinheiro, o letreiro que tem em um morro da California com as letras H O L L Y W O O D que existe desde 1923 e que vem sendo ameçado por um projeto multi-milhoimobilhario. Agora falta só arrecadar 3 milhões de dólares. Tomare que eles deixem de fazer um filme para pagar o letreiro. Assim seria um filme hollywoodiano sem conteúdo inteligente no mundo. Mas afinal  por que eles não lutam para fazer um cinema decente ao invés de  salvar letrinhas.

Umberto Eco

  • O Salão do Livro de Paris que está fazendo 30 anos  vai trazer convidados que realmente contribuem para uma literatura mais relevante. Nomes como  italiano Umberto Eco, a britânica Doris Lessing, o português Antonio Lobo Antunes e o chileno Luis Sepúlveda, entre outros. A feira vai até dia 31 deste mês.
  • Em dvd algumas novidades trazem luz a sua casa… Como a série musical Dalva & Herivelto que mostra músicas da época de ouro com Dalva de Oliveira e Herivelto Martins; o cinema belga ” Em suas mãos” de      Anne Fontaine, o relançamento de “Principes e Princesas” de Michel Ocelot, o belo cinema francês “A Trilha” de Eric Valli, “Marcas da Vida’ da dinamarquesa Andrea Arnold, O brasileiro “O passageiro”, o drama anti-guerra alemão “Marcas da guerra” de Lajos Koltai, A coleção educativa “Educação pela Pesquisa”, o australiano “Romulus meu pai” de Richard Roxburgh, a coleção de Steno com “Minha avó Policial” e Psychosissmo, o documentário “. Biblioteca Mindlin – Um Mundo em Páginas”, o belissimo “Lola” de Jacques Demy, o cinema de William Klein com ” A Elegante Polly Maggoo” e Desilusões Futuristas, e pra fechar “Mulheres e Luzes” de Fellini.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Março 26, 2010

Paris, 13 de agosto de 1875

Phryné, GÉRÔME

Phryné (1861) – Maryland Institute College of Art (Baltimore)

C.M. perguntou-me hoje se eu não achava bela a Phryné de Gérôme. Eu lhe disse que me dava infinitamente mais prazer olhar uma mulher feia de Israels ou de Millet ou uma velha mulher de Ed. Frère, pois afinal o que significa um belo corpo como o desta Phryné?

Jean-Léon Gérome foi um pintor e escultor Academicista, filho de um ourives e de família bastante trabalhadora. Suas obras retratavam cenas históricas, mitologia grega, orientalismo e outros temas. Foi também um pintor totalmente hostil ao impressionismo e seus pintores. Suas esculturas foram tão conhecidas quanto suas pinturas, porém apenas foram conhecidas do público no fim de sua vida.

Nascido em Vesoul (Haute-Saône), em 11 de Maio de 1824, ele se mudou para a capital Paris em 1840, onde estudou com Paul Delaroche, acompanhando-o pela Itália, visitando várias cidades e se interessando pela natureza. Devido a uma febre, voltou a Paris em 1844 e ingressou na Ecole des Beaux-Arts. Em 1846, concorreu ao Prêmio de Roma, mas na etapa final perdeu, se recuperando pela medalha de terceira classe no Salão de 1847, com a pintura “Briga de galo”, e uma de segunda classe em 1848. Com o encontro de outros pintores como Henri-Pierre Picou e Jean-Louis Hamon criaram o movimento dos novos gregos, ou Neo-Grec.

Em 1852, ele participou da comissão de Alfred Emilien Comte, de Nieuwerkerke da Corte de Napoleão III, para pintar uma tela enorme e Histórica: A era de Augustus. Com este pagamento, Gerome viajou para o leste com Edmond Got, passando pela Turquia, Rússia, entre outros lugares. Em 1854, ele participou de outra comissão para decorar desta vez a Capela de São Jerônimo.

Auto-retrato, Gérôme

Em 1856, visitou o Egito pela primeira vez, o que influenciou muito nos traços e formas orientais, usando as religiões árabes e paisagens africanas. Já em 1858, ele auxiliou na decoração da casa parisiense de Napoléon Joseph Charles Paul Bonaparte em estilo pompeico. Nesta mesma época, casou com Marie Goupil, a filha de um negociante de arte, tendo com ela 4 filhas e 1 filho. Em 1865, foi eleito membro do Instituto da França e cavalheiro da Legião de Honra.

Seus trabalhos em escultura misturaram materiais e inovou com elementos como marfim, pedras preciosas, entre outras.

Gérôme morreu em seu ateliê em Paris no dia 10 de janeiro de 1904 e teve um enterro simples e sem flores, mas com um enterro no Montmartre, Cemitério repleto de figuras como o presidente da república, políticos, escritores e pintores.

________________________________________________________________________

Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Gritos de Crentes

Março 25, 2010

Marcos Ney

Trema! Disse para o papel. Palavras repetidas dobram a beira do beiço. Dizeres ácidos de letras ferinas. Tristeza. Dor. Raiva. Melancolia. Amargo. Podre. Estria. Abandono. Miséria. Dinheiro. Erro. Ausência. Ardor. Agonia. Fome. Sequela. Estratificação. Discórdia. Desprezo. Suicídio. Anomalia. Palavras ditas arrancando a pele. A dormência sente a dormência. Vocês querem de preferência o anestésico. Seus corpos caem com seus copos. Como a fome. Estupro os macarrões vencidos. Mastigo a língua. O coração se bate de medo. Não te entorta colher! Teu espelho alumínico não reflete pesadelos. Meus negócios são os vícios. Caixão pra cada letra concreta. A palavra certo nasce do erro. A doença vem dos teus olhos. Imbecil é falar de si mesmo. Onde está o papel tremido que se jogou na escuridão das linhas? Letra morta. Poeta tetraplégico bebendo o pus que se escorre dos furos. Escravos das palavras de seus senhores! O sol se apagou ao redor do mundo imundo. Passo as pontas dos dedos nas feridas da língua. Mijo nas paredes perfeitas do esgoto. A caveira cintilante está tatuada na osteoporose do meu osso.


Praxis empoiesis

Março 25, 2010

povo: um cardume sem dono
um ardume nos olhos
um friúme nos ossos.
uma frebe
uma peste.
um fio de fumo
nos olhos do homem.
um fio de gume
no lombo de couro do pobre.
um corte sem rumo.
X
o cardume dos peixes do lucro:
o azedume.
o ofício pro domo do dono
do couro no cume do custo do ouro.

Mário Chamie