Archive for Fevereiro, 2015

A HISTÓRIA DA ETERNIDADE, DO CINEGRAFISTA CAMILO CAVALCANTE

Fevereiro 28, 2015

106a17dc-4461-4480-81d1-278658e40946 (1)O mundo sempre foi eterno, infinito e sem finalidade, diria o filósofo da vontade, Nietzsche. A finalidade do mundo quem concebe é o homem. Daí que enquanto, tomado por seus projetos, essa finalidade não é atingida ela se torna eternidade. Uma eternidade construída pelas perspectivas do espaço, do tempo e de seus conteúdos. Entrelaçados no espaço e tempo os conteúdos projetam a finalidade que embora alcançada, não elimina o eterno, infinito e a não finalidade do mundo.

A cultura humana construiu o mundo aquém da caosmose produzindo e identificando realidades como objetos e objetividades humanas. Afetos, lembranças, vontades, frustrações, etc. compõem o constitutivo desse mundo. O cinegrafista pernambucano Camilo Cavalcante captou alguns afetos do sertão nordestino implicados em três mulheres e concebeu a eternidade nelas como ausência da concretude de seus anseios. 

A jovem Afonsina, interpretada pela atriz Débora Ingrid, a matriarca Dona Das Dores, representada por Zezita Matos e Querência, vivida por Marcélia Quartaxo, têm suas subjetividades exibidas pelo olhar do cinegrafista em um corpo sertanejo. O mar para Afonsina, a temperança para Dona Das Dores, de si e dos outros, e o amor de Querência, compõem a eternidade de cada uma.

Afonsina, em seu desejo de querer encontrar o mar, tem a companhia de seu tio Joãozinho, personificado pelo ator Irandhir Santos, um artista que lhe mostra que sua eternidade pode ser medida e pesada. Em uma cena ela se aproxima dele com seu desejo e ele mostra como é fácil por fim na eternidade.

“Sente nessa pedra. Feche os olhos. Passe uma vassoura nessa mente. Dá uma espanada nos pensamentos e presta atenção só na minha voz”. A ambiência sertão se condensa nela em forma de mar. Muito simples para um artista distante nas forças sociais limitadoras.

Já, Querência, na segunda gravidez, é abandonada pelo marido. Melancólica, ela flui seu sentimento de mulher que sabe que o amor é a saudação da vida, se aproxima do ceguinho Aderaldo, o sanfoneiro.

A matriarca, Dona Das Dores, sofre mudança em sua temperança quando tem que lidar com o neto que chegou de São Paulo e conduz ao sentimento forte de culpa conflituosa.

O filme de Camilo Cavalcante ganhou o Prêmio de Melhor Filme na escolha do júri popular na 38ª Mostra de Cinema em São Paulo. Também recebeu os prêmios de melhor filme, melhor direção e melhor ator no 6° Paulinia Film Festival.

Veja o trailer. 

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PEÇA TEATRAL, “INSUBMISSAS – MULHERES NA CIÊNCIA”

Fevereiro 27, 2015

8548d697-6d4e-4609-8751-c5711379c94aÉ certo que as mulheres conseguiram, depois de muitas e sofridas lutas, alguns dos direitos que elas não deveriam nem reivindicar se a sociedade fosse racionalmente humana, visto que mulher e homem seriam modus de ser concretos e reais a partir de suas racionalidades e sentidos e não produto atrofiado de seus desejos degenerados pelas forças das mitificações e mistificações.

Mas o certo é que elas hoje usufruem de seus direitos conquistados em vários seguimentos como exemplo, no Brasil, a Lei Maria da Penha, entre outros. Entretanto, come se sabe no passado não era esse quadro que predominava. Não eram só mulheres das classes mais carentes, quem sofriam preconceitos e discriminações. Mulheres destacadas como intelectuais e cientistas foram claramente perseguidas por suas posições.

Pois é exatamente essa perversa realidade que a peça teatral, Insubmissas – Mulheres na Ciência, do teatrólogo Oswaldo Mendes, com a direção e cenário de Carlos Palma, vem exibindo no Teatro Eugene Kusnet, em São Paulo cuja temporada vai até o dia 1° de março.

O texto conta a história de quatro mulheres que enfrentaram a fúria patriarcal consumada como subjetividade dominante nas sociedades.

  • Filósofa matemática Hipácia, que foi assassinada a pedradas, no Egito Romano, por cristãos no ano de 415.
  • Madame Curie que mesmo recebendo duas vezes o Prêmio Nobel foi severamente perseguida pela patologia-moral da sociedade burguesa francesa, pelo simples e direito fato de se envolver com um homem casado. Quando se sabia – como se sabe – que as e os que a condenavam também eram autores da simples prática.
  • Rosalind Franklin foi cientista famosa que trabalho em pesquisa com DNA contribuindo com grandes descobertas, mas que, embora tenha sido indicada ao Prêmio Nobel, fora preterida sendo beneficiados três cientistas. Pura demonstração de discriminação.
  • Berta Lutz, bióloga, fundadora em 1919 da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, sofreu fortes perseguições por defender os ideais das causas dos direitos das mulheres. Uma discriminação óbvia quando se trata de prática misógina por parte dos frustrados sexualmente sejam homens ou mulheres.

Para o autor, Oswaldo Mendes a cenografia tem um papel fundamental na criação do espetáculo.

“A proposta da cenografia vem solucionar o principal problema que é a relação de tempo e espaço. Elas são de épocas e lugares diferentes, consolidaram suas trajetórias registrando nas ‘pedras’ suas indignações, nas ‘pedras’ que simbolizam a sedimentação dos dramas que viveram. Curiosamente Hepácia foi morta a pedradas. Curie, pelos efeitos radioativos dos efeitos da emanação vindas dos metais com os quais trabalhava e Rosalind Franklin na sua busca pelo DNA, trabalhando com feixes de cristais. As 60 pedras penduradas por cordas criam labirintos, instalando uma sensação de aprisionamento onde elas tentam buscar uma saída”, observou Oswaldo.

O cenógrafo Carlos Palma entende o espetáculo como uma forma clara de busca de igualdade encetada pelas quatro cientistas que interpretadas pelas atrizes Selma Luchesi, Adriana Dham, Mônica Ploguer e Vera Kowalska.

“Eu diria que o texto de Oswaldo cumpre os objetivos propostos pela Arte Ciência: trazer histórias do mundo da ciência, seus conflitos – agora as mulheres cientistas – seus percalços diante de um mundo onde a ética e a responsabilidade científica são colocadas à prova diariamente. Constatamos uma crescente mobilização por parte das mulheres reivindicando e agindo na busca de espaços e igualdade com os homens, difícil tarefa, mas que  arte, pelo teatro em especial, pode ser uma aliada importante neste tempo de maior conscientização da sociedade”, comentou o cenógrafo.

Na sessão de hoje, os espectadores que necessitarem vão contar com o recurso de audiodescrição produzido pela Iguale Comunicação de Acessibilidade. Para esse espectador a entrada será gratuita. 

VIVA O VINIL! CLÁUDIA SAVAGET: MORDIDA OU BEJJO

Fevereiro 26, 2015

P1010002Estamos em 1979. A bela cantora e interprete Cláudia Savaget entra nos estúdios Somil e Transamérica com produção fonográfica da Tapecar Gravações e entre os meses de abril e maio grava seu conceituadíssimo, Mordida ou Beijo. Claro que muitos gostam dos dois.

Não podia deixar de ser uma joia raríssima. Cláudia Savaget é uma das vozes mais afinadas e encantadores do cancioneiro brasileiro, além de possuir uma envolvente performance no palco. Mas ela não está sozinha. Aí, mais um signo singular para essa relíquia.

Ela está acompanha nas regências e nos arranjos dos reconhecidíssimos talentos de Radamés Gnattali, Antônio Adolfo, Luiz Otávio Braga, Mauríco Tapajós e Claudio Jorge. Sem fala das composições de Paulo Cesar Pinheiro, Eduardo Gundin, Guinga, Nelson Sargento, Paulinho da Viola, Capinam, Monarco e quem mais nessa plêiade? Grande Othelo. Só fera, esquizoviniofílicos! Lembra do Paschoal Perrotta? É ele que faz a arregimentação.

P1010003Está tudo perfeito para uma das vozes mais perfeitas da MPB. E para criar uma estética mais sedutora Januário Garcia realizou as fotos. Belíssimas imagens para a capa composta pela Art&Manha.P1010005

É 1979. O Brasil ainda sofre com a ditadura civil-militar. É certo que já existem vozes se proclamando pelo país a fora, mas todo cuidado ainda é pouco. Muitos já foram presos, torturados e assassinados. Mas alguns se deram bem mudando de lado como dizem Cláudio Jorge, Carlinhos Vergueiro e J. Petrolino na intrigante Xará. Entretanto, nós continuamos distantes por força das circunstâncias, de acordo com Cláudio Jorge e Ivor Lancelloti na angustiante Já Faz Tempo.P1010009

Mas importa pelo menos conhecer os versos.

 XARÁ

“Ei xará

Quem te vê

Negando tudo que já fez

Só pra sobreviver.

Ei xará

Pode crer

Do jeito que você pirou

Não quero enlouquecer.

Não faça fé nesse doido

Que ele tá sempre a favor

Todo louco verdadeiro

É do contra, é sonhador.

Não segue as regras do jogo

Vira a mesa e o jogador

Desacata e toca fogo

Nas barbas do imperador.”

JÁ FAZ TEMPO

“Já faz tempo que a gente, sei lá

Não procura uma esquina qualquer

Não assiste um luar

Não termina um olhar

Nem decora um samba-canção.

Já faz tempo que a gente, sei lá

Não procura o caminho de um bar

Nem se pega na mão

Nem discute a questão

Já faz tempo que a gente já morreu”.

LADO- A

Xará/Desperdício/Decepção/Sofro Tanto/Tempo à Bessa/Passos e Assovio.P1010007

Lado – B

Sofrer/Deste Amor só Resta Mágoa/Beija-Flor/A Vida Não Vale Nada/Já Faz Tempo.P1010006

NEGUINHO DA BEIJA-FLOR NÃO FALA SOBRE OS R$ 10 MILHÕES, MAS DIZ QUE O CARNAVAL CARIOCA DEVE AGRADECER “À CONTRAVENÇÃO”

Fevereiro 25, 2015

17235946O carnaval carioca, depois que cortou suas raízes dionisíacas, deixando a alegria euforizante do brincar coletivo, como ocorria na Grécia agrária, passando a ser a expectativa oficial da classe média em forma de escola de samba, submissa aos interesses e particularidades dos jurados, há muito vem sendo objeto de análise dos que pensam o carnaval como uma manifestação livre.

Daí que como se tornou uma espécie de campeonato disputadíssimo com direito até de deboche, as escolas vêm se tornando uma entidade, não mais da simplicidade, mas da ostentação do poder econômico para a realização de seus objetivos carnavalescos oficiais. O que significa aderir aos gostos dos jurados como das mídias do tipo da TV Globo, a manipuladora.

O desfile das escolas de samba deste ano proporcionou tema para uma análise que vaia além da Marquês de Sapucaí. Trata-se da classificação da Escola de Samba Beija-Flor que para construir suas parafernálias ilusórias recorreu ao apoio financeiro do ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang. Que, segundo já foi divulgado, concedeu um auxílio financeiro de R$ 10 milhões para escola de Neguinho da Beija-Flor.

O fato de uma escola ser financiada por um ditador, que há três décadas domina um povo, por si só expressa uma grave preocupação moral. Entretanto, o que é mais grave ainda, é que esse ditador impõe situações perversas a esse povo. Perversidades que atingem a saúde, a moradia, a escola, trabalho e o direito de liberdade de opinião. O que o impossibilitaria de patrocinar uma manifestação em cujo país o governo tenta, apesar dos inimigos, dirimir a miséria e proporcionar a liberdade de opinião.

Diante do ocorrido, o militante guinéu-equatoriano, Tutu Alicante, através do site Conectas, protestou classificando de humilhante o fato do gasto do dinheiro pátrio quando sua população sofre contundentemente.

“Foi horrível, humilhante, um tapa na cara das pessoas do meu país. Não tenho nada contra os brasileiros dançarem se divertirem, mas faze isso com dinheiro de gente pobre que não educação, saúde, nem liberdade para reclamar dessa falta não é certo. E pior, passa a imagem que vai tudo bem no país, quando não vai.

Se, por exemplo, você pede permissão para realizar um pequeno e pacato protesto, nunca consegue e, caso resolva ir em frente, pode ser detido. Os ativistas lá não podem usar a internet livremente porque ela é censurada e o acesso, limitado. Restam então mensagem de textos e ligações telefônicas. Quanto à moratória na pena de morte, isso não aconteceu. Nenhum projeto foi sequer apresentado e execuções extraoficiais continuam.

Não tenho esperança de que a Beija-Flor desista do prêmio conquistado, mas espero que os brasileiro prefiram ficar do lado do meu povo do que de seu governo corrupto e opressor”, disse o ativista da EG-Justice eu promove os direitos humanos.

Mas não se sabe se por muitas lantejoulas, brilhos e paetês, nada disso sensibilizou Neguinho da Beija-Flor, que analisando suas sentenças carnavalescas nos possibilita o entendimento de que pouco importa o sofrimento de um povo quando encontra-se em questão o orgulho-fálico da ilusão de campeão.

Neguinho da Beija-Flor confirmou sua alienação em uma entrevista concedida à Rádio Gaúcha onde defendeu a contravenção como patrocinadora das escolas. E ainda dedurou outras coirmãs sem ser forçado pela delação premiada que se encontra em moda. E que irmãs.

“Se não fosse a contravenção meter a mão no bolso, organizar, estaríamos ainda naquele negócio de arquibancada caindo, desfile terminando duas horas da tarde, cada escola desfilando duas, três horas e a hora que quer. E a coisa se organizou. Se hoje temos o maior espetáculo audiovisual do planeta, agradeça à contravenção.

Não tenho conhecimento dos R$ 10 milhões. Deixa falar. Deu mídia. Deixa falar. A Portela também teve um patrocínio muito forte. O governador do Rio de Janeiro, Pezão, queria que a Portela ganhasse. Vai dizer que ele não fez investimento? O prefeito é portelense doente. Vai dizer que não colocaram dinheiro na Portela”, externou sua inteligência e sua moral Neguinho da Beija-Flor. 

COMPANHIA DO FEIJÃO HOMENAGEIA O ESCRITOR MÁRIO DE ANDRADE

Fevereiro 24, 2015

0248bda6-8b1c-44b3-89fa-443527b1a386O escritor modernista Mário de Andrade morreu no dia 25 de fevereiro, há 70 anos passados. Como é sabido, o escritor foi além de um dos mais criativos homens da literatura brasileira, foi, também, um ativista cuja obra revela seus fundamentos político, social, cultural e artístico.

Tendo a estética-teatral como um meio de ligar o público em novas experiências que sirvam para um entendimento mais amplo da existência, a Companhia do Feijão resolveu celebrar essa data encenando cinco espetáculos inspirados nas obras do escritor que elevam e dignificam o homem-artista Mário de Andrade. A homenagem será constituída de saraus, palestras, estudos de poesia, música e esquetes.

Portanto, a partir do dia 25 de fevereiro até o dia 1º de março, o público terá o prazer e satisfação de vivenciar as encenações como Armadilhas Brasileiras, que é baseada nas obras Café, O Banquete e a Meditação sobre o Tietê, e Reis da Fumaça. Mas a homenagem também conta com a participação da Companhia Antropofágica que apresentará os espetáculos Macunaíma no País da Vela que conduz o público pelos territórios da música, poesia, teatro e a reflexão sobre a estrutura capitalista e a história do Brasil.

“O nosso envolvimento com Mario de Andrade, diz respeito às suas reflexões estéticas e sua conduta artística de militância em favor da valorização do registro, estudo e difusão da cultura brasileira em suas múltiplas manifestações.

A relação entre a arte e a preocupação social, que tanto interessa ao escritor, é também questão fundamental nas criações do Feijão, voltadas à compreensão do homem brasileiro e suas realidades”, observou um ator da Companhia do Feijão.

Os espetáculos e as atividades ocorrerão na sede da Companhia do Feijão, no Teatro Escola Célia Helena e na Paidéia Associação Cultural. A companhia do Feijão trabalha com a obra de Mário de Andrade desde o ano de 1998, ano da fundação da companhia teatral. 

 

EXPOSIÇÃO SOBRE A CONTEMPORANEIDADE DA OBRA DE MÁRIO LAGO

Fevereiro 23, 2015

cea1a7262dfca95ff2d5fda73e79f48bDo dia 26 de fevereiro a 22 de março, público poderá vivencia no Museu Brasileiro de Escultura (Mube) a obra do ator, escritor, poeta, radialista, compositor e comunista Mário Lago.

20110722135949344704aA exposição mostra, além das obras já conhecidas do militante político, composições em parceria com vários músicos como Frejat, Lenine, Pedro Luís, Isabela Galeano e Arnaldo Antunes. As parcerias foram frutos do gosto que o próprio Mario Lago tinha desses músicos que foram escolhidos para as parcerias, pelo curador da mostra Mário Lago Filho. A exposição também mostra a relação de Mário Lago com a cidade de São Paulo.

“Peguei uma série de compositores contemporâneos, que ele admirava, conversei com eles e mandei poemas de Mário Lago.

Papai ia a São Paulo desde garoto, pelo uma ou duas vezes. Uma viagem de maria-fumaça. Passava uma semana em pensões. Era uma lembrança muito gostosa que ele tinha. Ele adorava o Almanara, nunca deixava de ir. Quando a gente ia a São Paulo, íamos sempre.

Ele, que teoricamente era uma pessoa conservadora, ficou fascinado por aquela coisa arrebatadora do Ney Matogrosso com um crocodilo nas costas.

Ele não gostava de guardar pessoas em imagens. Ele guardava na memória, quando contava as histórias. Então, mais ou menos, o a gente tenta fazer é contar é contar a história. Da Rádio Panamericana e Bandeirantes não existe um registro de áudio dele da época”, disse o curador-filho.

Versos de Mário Lago musicados por Frejat.

“Somei noites e mais noites

Olhando a lua.

Decorei cada estrela que brilhava.

Morri mais de uma vez em cada rua.

E sempre em cada vez ressuscitava”.

VAI UM GONZAGUINHA DE LEVE? IMPOSSÍVEL, DE LEVE, ELE EXPLODE O CORAÇÃO!

Fevereiro 22, 2015

“Não se espante, cante… é apenas o meu jeito de dizer o que é amar! Poucas palavras: Gonzaguinha diz muito de um mundo que apesar de suas aberrações tem fissuras para a poiesis vazar. Ele sabe muito bem onde a variável se movimenta como o momento feliz que só os artistas transformam em novos dizeres.

Nesse vídeo-histórico, Ensaio de 1990, o esquizofílico tem Ponto de Interrogação, Grito de Alerta e Explode Coração e outros devires.

À melodia e a poesia!

 

EMBORA GUARDADA PELA FAMÍLIA, AS OBRAS DO MÚSICO CLÁUDIO SANTORO DEVEM SER DECLARADAS DE INTERESSE PÚBLICO

Fevereiro 21, 2015

947977-acervo claudio santoro_-5O músico Cláudio Santoro teve uma existência profundamente criativa e atuante. Nasceu no estado do Amazonas, viveu parte de sua existência no exterior, em alguns casos por perseguições políticas como ocorreu com seus dez anos de exílio na Alemanha, e se tornou brasiliense por opção a partir do ano de 1960 quando chegou na cidade para criação do Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB). De volta do exílio ajudou a funda a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, em 1979. Em 27 de março de 1989, aos 69 anos, quando regia a orquestra, realizou seu último ensaio.

Agora, sua família, propriamente sua esposa Gisèle Santoro, coreógrafa e musicista, encontra-se com um impasse para manter conservadas suas 400 obras musicais e suas pinturas, além das correspondências. Mesmo tendo sido tombada como patrimônio imaterial em 2009, pelo governo do Distrito Federal (DF), ela encontra-se ameaçada por se encontrar em lugar não tanto apropriado para sua conservação, como disse Gisèle Santoro. Para ela, enquanto a obra não for transformada em interesse público, essa ameaça continua, já que ela se encontra em seu apartamento, guardada em caixas e pastas debaixo do sofá, do piano e armários disposta à umidade. Gisèle acredita que a obra pode ficar bem protegida em um espaço como o Memorial Cláudio Santoro.

“O acervo está em dificuldades porque permanece em minha casa, não as condições de conservação ideais, de temperatura e umidade. Está apenas mantido aqui, sendo que algumas coisas correm risco de se perder, como toda produção eletroacústica, feita diretamente em fita magnética que, com o tempo, se deteriora, vai perdendo a informação nela gravada.

Os manuscritos estão dentro dos armários e também correm o risco de se perder porque muitos foram feitos a lápis. Além disso, a obra fica de difícil acesso para pesquisadores e músicos.

Acho que seria muito justo, visto que ele dedicou a vida, depois que conheceu Brasília, a esta cidade. No Brasil, a memória tem muito pouco valor, é muito pouco preservada. O patrimônio material ainda é preservado, mas o patrimônio imaterial fica na mão de Deus. Você conhece Beethoven e sabe o que é a Alemanha. O patrimônio imaterial representa um povo, o grau de civilização e cultura que atingiu”, analisou Gisèle Santoro.

947974-acervo claudio santoro_-2Mas as preocupações da família do maestro Cláudio Santoro já começam a mudar. Marta Célia Bezerra Valle, superintendente do Arquivo Público Federal, informou que o órgão abriu um processo para declarar o acervo de interesse público e social. E os trâmites são: enviar a documentação para análise da Procuradoria-Geral do Distrito Federal, para a assessoria jurídica do governador e para o Conselho Nacional de Arquivos, que é vinculado ao Ministério da Justiça. Se o parecer for favorável, os governos federal e estadual emitem declaração de interesse público e social.

“A previsão é que a gente possa iniciar o processo em março. Isso significa fazer um inventário preliminar do que tem e um histórico da personalidade para mostra a relevância dele, tanto em nível local quanto nacional.

Com a declaração, o dono do acervo consegue recursos por meio das leis de fomento à cultura, inclusive para ajudar na organização desse acervo”, declarou Marta Valle.

PROJETO FÁBRICAS DE CULTURA ABRE CINCO ESTÚDIOS PARA INICIANTES E PROFISSIONAIS GRAVAREM GRATUITAMENTE

Fevereiro 20, 2015

6d4b2e53-5b49-4a9b-9be4-ce222c9382f8Capão Redondo, Jardim São Luís, na zona sul; Jaçanã, Brasilândia e Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, são os pontos de cultura que foram agraciados com os estúdios criados pelo projeto Fábricas de Cultura. O objetivo da criação dos estúdios é permitir que tanto músicos profissionais, amadores e iniciantes possam materializar sua produção musical gravando seu CD gratuitamente.

Os chamados estúdios públicos estão aparelhados com equipamentos modernos, segundo seus responsáveis. Todos os equipamentos necessários para que as gravações sejam materializadas são supervisionados por dois técnicos de som. Os responsáveis pelos estúdios não interferem no gosto dos artistas. Por isso, todos os gêneros musicais podem ser gravados.

A programadora da Fábrica de Cultura do Capão Redondo, Bia Sindona, afirmou que que os estúdios chegam para estimular e apoiar os artistas, já que gravar em estúdio privado o peço sai muito caro. Na faixa de R$ 150 por hora. Por isso, qualquer pessoa pode se inscrever.

“Qualquer artista da comunidade, seja iniciante ou profissional, pode se inscrever na Fábrica, e aí os técnicos vão entrar em contato com ele para que possa vir agendar um horário de gravação” disse Bia, mas lembrando que se o artista quiser gravar outra faixa, vai ter que entrar novamente na fila de espera.

Para José Jorge Silva Filho, baixista, a criação do estúdio bem aparelhado é uma boa.

“A gente costuma ir a alguns estúdios de gravação profissional que, às vezes falta microfone, falta peça. Quando tem essa oportunidade, a galera abre o olho e fala ‘nossa que legal’”, disse o baixista José Jorge.

Você quer gravar sua bolachinha-prateada? Então, se dirija a uma das Fábricas de Cultura. Mas não se esqueça de levar o documento de identificação, uma foto e um comprovante de residência atual. Feito isso, é só correr para o abraço! 

O CARNAVAL PASSOU, MAS É UMA FESTA ASSISTIR O CURTA-COMÉDIA “POLÊMICA”, DISPUTA MEDIÚNICA ENTRE NOEL ROSAS E WILSON BATISTA

Fevereiro 19, 2015

O cinegrafista André Luiz Sampaio, em 1999, conseguiu em 21 minutos, em filmagem 35mm, exibir uma disputa mediúnica entre os compositores e cantores Noel Rosas e Wilson Batista, através dos corpos de dois vagabundos.

A bronca entre Noel e Batista é conhecidíssima, embora muitos aleguem que só se tratou de um mal entendido. Os dois nunca foram rivais. Apesar de que Noel tenha sido um sambista boêmio, dado ao bem viver, curtidor das noites cariocas, e Wilson Batista, em alguns momentos, cooptado pela propaganda getulista. Compôs um samba exaltando o trabalhador ligado como referência ao governo do então presidente.

Entretanto, o que importa é que o cinegrafista André Luiz Sampaio realizou um curta-comédia-musical contagiante, agradável e sincero. Já viu sinceridade em samba-comédia? Se viu ou não, veja com os atores Aber Junior, Benigno de Oxóssi, Paulo Felipe, Emmanuel Cavalcanti, Rose Abdala e Zezé Motta.

Agora, olhos e ouvidos na tela!