Archive for the ‘Teatro’ Category

“A FARSA DA VERDADE GOLPISTA” CONTINUA SUAS APRESENTAÇÕES PELO TEATRO MAQUÍNICO DA ASSOCIAÇÃO FILOSOFIA ITINERANTE (AFIN)

Outubro 7, 2016

img-20161006-wa0037Vejam as fotos e assistam os vídeos com os depoimentos de estudantes e professores.

O Grupo de Teatro Maquínico, da Associação Filosofia Itinerante (AFIN), continua apresentando a peça A Farsa a Verdade Golpista escrita com o claro objetivo democrático de discutir com o público as tramas antidemocráticas elaboradas e executadas pelas forças-usurpadoras representadas pela mídia degenerada, empresários orais, parte do poder judiciário, e grande parte dos membros do Congresso Nacional.

Sempre tendo como corpo pedagógico-político o método do teatrólogo alemão Bertolt Brecht, o Teatro Maquínico encena A Farsa da Verdade Golpista com quadros divididos por legendas-títulos escritas em placas que são apresentadas pelo próprio público, possibilitando, desta forma, sua participação na trama da peça.

img-20161006-wa0041img-20161006-wa0034img-20161006-wa0030A Procura da Verdade, O Trabalho, A Escola, O Político, Nas Ruas, O Buraco, No Senado são os títulos-placas dos quadros que constituem a encenação e que são apresentados pelo público. O golpista Temer, a golpista Rede Globo, a professora preconceituosa e alienada que tem Moro como seu ídolo e a Rede Globo como sua consciência intelectiva e moral, os deputados federais do Amazonas que votaram em massa pelo golpe, os candidatos ao cargo de prefeito de Manaus todos golpistas, a condição de abandono de Manaus, o voto do senador golpista, são corpos antidemocráticos que A Farsa da Verdade Golpista encena diante do público, e que ele toma como tema para debate após o espetáculo.

img-20161006-wa0032img-20161006-wa0021img-20161006-wa0038img-20161006-wa0029img-20161006-wa0018img-20161006-wa0042Sempre foi essa a pedagogia-política-teatral que o Teatro Maquínico se engajou como forma de discutir com o público os temas que são necessários serem discutidos para que se processem novas formas de percepções e concepções que mudem as perspectivas já determinadas como dominantes para outras perspectivas fluentes como práxis e criação da democracia como potência constituinte.

Desta vez a apresentação foi realizada na Escola Estadual Arthur Amorim, situada no Núcleo 15, do Bairro Cidade Nova, na Zona Norte de Manaus. Uma plateia formada por estudantes, professores, merendeiras, trabalhadores de serviços gerais, entre outros participantes, possibilitaram uma encenação alegre e contagiante como deve ser o teatro popular que não se submete aos humores reativos da burguesia afeita à dramaturgia-gastronômico. O teatro para embalar vaidades e brutalidades de uma classe insensível à estética revolucionária, limitada intelectualmente e eticamente degenerada.

img-20161006-wa0023img-20161006-wa0039img-20161006-wa0020img-20161006-wa0033img-20161006-wa0035img-20161006-wa0036img-20161006-wa0024img-20161006-wa0022img-20161006-wa0031img-20161006-wa0028img-20161006-wa0026img-20161006-wa0025img-20161006-wa0040img-20161006-wa0017img-20161006-wa0014img-20161006-wa0015img-20161006-wa0016img-20161006-wa0019Há mais de 14 anos o Teatro Maquínico se desloca pela cidade de Manaus e outros municípios para, de encontro ao povo, discutir e examinar o que deve ser discutido e examinado. Todas às apresentações são gratuitas, já que a Associação Filosofia Itinerante é uma entidade sem fins lucrativos.

Anúncios

HYSTERIA, FILME DE EVALDO MORCAZEL E AVA ROCHA CONSTRUÍDO SOBRE AS APRESENTAÇÕES DA PEÇA TEATRAL COM O MESMO TÍTULO

Dezembro 16, 2015

83977239-56e7-427f-8a5c-016448255c24O diretor de teatro Luiz Fernando Marques dirigiu a peça teatral Hysteria com as interpretações das atrizes Janaina Leite, Juliana Sanches, Raíssa Gregori, Tatiana Caltabiano e Evelyn Klein.

O conteúdo da peça é construído pelas condições de vida de algumas mulheres do final do século XIX que em virtude seus comportamentos diferentes dos determinados pela sociedade da época, são diagnosticadas como histéricas. Não esquecer que nesse tempo as enunciações psicanalistas de Freud sobre a histeria já era difundida na Europa, Estados Unidos e outros países como verdade moral-sexual. Vide o caso Dora.

Em sua narrativa a peça exibe cinco mulheres internadas em manicômio diagnosticadas com o sintoma histérico que era tido pela sociedade como anormal. Quando na verdade é a expressão de conflitos resultantes de recalques criados pela opressão imposta pela cultura patriarcal-castradora. Uma síndrome ao gosto dos opressores que se masturbam acusando e julgando as mulheres.

7ae22ae5-db5f-4ab7-bb4f-1cbce53c6004Já o filme Hysteria é o resultado desdobrado da filmagem que o cineasta Evaldo Morcazel realizou quando acompanhou a companhia teatral em excursão pelo estado de Santa Catarina. Mas ele não filmou tão somente as cenas das peças diante das plateias, o cineasta filmou também situações vividas pelas atrizes fora das cenas. Atitudes cotidianas que rolaram durante a turnê. Por exemplo, imagens naturais que se aliam a representação feminina das atrizes em suas suavidades e desempenhos.

“O olhar da própria medicina sobre a mulher era um olhar que contemplava meio de longe esse ser misterioso, cíclico e intempestivo, esses furores e vapores e bichos que se movem dentro… Eram homens escrevendo isso com uma idealização, com essa aura de mistério em torno desse corpo feminino que sangra todo mês e que altera os humores… Isso era muito misterioso para os homens”, observou uma atriz.

A própria concepção teatral e fílmica concebe identificação entre a narrativa e a plateia, principalmente com as mulheres. Não é por acidente que ao chegar no teatro os homens se alojam em lado e mulheres em outro e são convidadas a interagir com as atrizes-personagens.

“Eu vivo um pouco essa crise da mulher moderna, que tem de dar conta de ser uma superesposa, que tem que ser uma grande amante do marido, de ser uma puta mãe, uma grande profissional… A gente vive uma outra histeria. Este é o embate desata revolução que a mulher conseguiu”, profere uma voz em off.

Veja o trailer.

COMPANHIA DO MIOLO APRESENTA SUA PEÇA TEATRAL, CASA DE TOLERÂNCIA, EM ANTIGO PROSTÍBULO DE SÃO PAULO

Dezembro 1, 2015

deba5771-ad06-4e82-a595-16d40971f1ae“É neste sentido, que o espetáculo por meio de narrativas ficcionais/reais , busca em uma travessia por esta casa, dar lugar a potência de vida desses corpos silenciados. Desde a exploração sexual infanto-juvenil, ao extermínio por motivação transfóbica, os corpos à margem, vão sendo lembrados e exaltados por suas presenças insistentes pela vida”, observou a diretora da encenação.

O espetáculo teatral Casa de Tolerância que é dirigido por Patrícia Gifford tem como elementos formadores de seu conteúdo, suas narrativas, compreensões de casos de violência contra mulheres, trans e travestis e também o conhecimento pela companhia da violência contra as mulheres do México que segundo estatistas desde 1993 mais de cinco mil mulheres foram assassinadas e desaparecidas.

A peça é uma potência-política da liberdade do corpo da mulher que deve ser sua própria morada e não violada pelas taras dos homens que não tem da mulher o sentido de sua originalidade-independente.

A encenação do espetáculo em um antigo prostíbulo de São Paulo remete a dois entendimentos. Um é porque se trata do local da sede da companhia. Dois, porque o prostíbulo é uma das primeiras formas de habitação onde as mulheres tinham – e tem – seus corpos possuídos e violentados por estranhos que os transformam em mercadoria como qualquer mercadoria que se adquire na relação dinheiro-valor de compra e preço-valor de venda = mercadoria. É o corpo de mulher do mercado. Prostíbulo é uma casa de tolerância onde se tolera tudo, contanto que se pague.

O espetáculo vaia até o dia 13 de dezembro sempre aos sábados e domingos. Agora, se você quiser experimentar a Casa de Tolerância, você tem que marcar seu ingresso com antecipação, pois cada apresentação é feita apenas para 15 pessoas.  

“JÁ NASCEMOS MORTOS”, PEÇA TEATRAL DO COLETIVO SANKOFA QUE TRATA DO PRECONCEITO HOMOFÓBICO

Novembro 1, 2015

91b83c8b-e3a4-42fc-ba5a-6cd173be240e‘‘A proposta é por o dedo na ferida e apontar o que a mídia esconde: a população LGBT corre risco de vida”

O texto teatral Já Nascemos Mortos, foi composto pelo Coletivo Sankofa a partir da cruel realidade que mostra milhares de assassinatos de homossexuais no Brasil. Só em 2014, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), foram mortos 319 gays, travestis e lésbicas no Brasil. A encenação é um ato político que protesta contra este estado de coisa imposto pela tirania homofóbica. O que mostra que o preconceito homofóbico é uma sentença de morte imposta a todos os homossexuais antes de nascer.

6584ecd0-c81f-4dca-b426-3986c8b110e3“Crimes homofóbicos pertencem à categoria dos crimes de ódio. Um ódio que se espalha e cria raízes a partir do fato de que as pessoas estão sendo mortas pelo simples fato de marem e desejarem corpos iguais. Quando nos calamos diante de cada demonstração homofóbica compactuamos para um possível assassinato.

A urgência de propor a discussão sobre a violência a determinados grupos sociais é uma prática do Coletivo, que já desenvolve ações na perspectiva dos Direitos Humanos. No espetáculo anterior, já trazíamos para a cena recortes da violência contra a população LGBT.

O interesse desse tema veio justamente no momento em que se noticiou muitos crimes contra os homossexuais, como do garoto de oito anos assassinado pelo pai só porque tinha ‘trejeitos’. A proposta é por o dedo na ferida e apontar o que a mídia esconde: a população LGBT corre risco de vida sim, em casa, na escola, na rua, na igreja. Nós todos autorizamos essas mortes.

JNM_1A peça vem na perspectiva de incomodar mesmo, de pessoa revisitar esses espaços de preconceitos e conivência. Se você se cala diante de uma ‘piada’ homofóbica, você escolhe um lado. E não é o da vítima. Você legitima a violência e os crimes. O tom confessional da peça aproxima o público da cena do crime, do velório do corpo, da despedida da família. É um convite a reflexão do que nós temos com isso”, observou Anderson Maciel, diretor do espetáculo.

A peça vai ficar em cartaz até o dia 28 de novembro.

Veja breve cena.

SEMPRE ATUANDO NAS RUAS A TRUPE DUNAVÔ ATACA AGORA COM “REFUGO URBANO”

Agosto 29, 2015

2ae1a195-9a7a-49ef-8990-077876de0d68O teatro como arte coletiva se originou com temas ligados às questões econômicas, políticas e sociais. Mesmo quando parecia que os deuses dominavam a cena, como ocorreu com o teatro grego. Os deuses eram tão somente personagens que expressavam discursos políticos referentes à política humana.

Todos os três principais trágicos gregos Ésquilo, Sófocles e Eurípedes colocaram em cena esses temas que eram fundamentais à sociedade grega. Mesmo que o teatro de Ésquilo só apresente deuses, esses deuses não escapavam da potência terrena que envolve os homens. Sófocles deixa os deuses um pouco de lado e engaja o homem na cena. Mas é com Eurípedes que a cena grega é dominada pelo homem. Porém, de qualquer sorte os três só trataram dos “negócios do homem”, como diz o teatrólogo alemão Brecht. No mesmo movimento humano nasce e se desenvolve a comédia grega com seu expoente Aristófanes.

Para alguns críticos existem dois tipos de teatro de acordo com sua temática. O chamado teatro gastronômico-burguês cuja única intenção é “embalar os bocejos e os sonhos matinais (Belchior)” dessa classe parasitária, e que na dita era virtual é apresentado em alguns lares pela televisão alienadora. E o teatro conceituado como político que teve como seus grandes inspiradores Piscator e Brecht cujos espetáculos tratavam da exploração dos trabalhadores pela ideologia burguesa do capital. Um teatro onde é claramente mostrada a luta de classe.

De um lado a força de produção, máquinas, matérias primas, força de trabalho, ferramentas e prédios. E de outro lado às relações de produção fomentadas pelas duas classes antagônicas. A classe capitalista proprietária do capital e da força de trabalho do operário, e classe trabalhadora cuja única riqueza é sua força de trabalho.

Porém, é preciso considerar que o chamado teatro gastronômico-burguês também é político, já que ele mostra a moral burguesa em sua clara e insofismável impotência. O gosto burguês é uma forma pedagógica de quem quer saber o que não é necessário para vida estudá-lo. A diversão para o burguês é uma forma de anestesia provocada por sua própria condição abstrata. Diante dos eflúvios sonoros de Wagner eles simulam experimentar. É gosto gastronômico só para classificar, mas o burguês sequer sabe comer. Daí uma fonte política exuberante para servir de estudo.

Mas o teatro político não é só um teatro que visibiliza claramente as contradições próprias da estrutura do capital em forma material de luta de classe. Ele é também um teatro que mostra o invisível da sociedade atual dissimulando a luta de classe como o racismo, a homofobia, misoginia, discriminação do índio, entre outras invisibilidades.

É observando o mundo atual que a Trupe DuNavô apresenta seu mais novo espetáculo Refugo Urbano nascido das experiências de seus membros através do teatro de rua. A trupe encontra-se na rua há mais de dois anos. O chamado teatro de encontro ao povo que prosperou no período da ditadura.

Pamplona e Claudius são dois palhaços que se encontram em um beco e a partir desse encontro passam a encenar situações com personagens invisíveis que eles mesmos criam. Para eles o invisível é tudo que se encontrar ao redor, mas que eles ignoram por não ser agradável ou porque preferem permanecer na bolha individual. Através do lúdico circense eles tentam mostra o que há de trágico nas ruas.

“Chamamos “invisíveis” tudo aqui que está ao nosso redor, mas preferimos ignorar a existência, por não ser agradável aos olhos ou porque nos habituamos a ficar em nossa bolha individual. O que ambicionamos foi criar uma obra capaz de dialogar com todos os cidadãos, propondo uma reflexão sobre o que há nas ruas e qual é a nossa capacidade de resignificar o que nossos olhos já habituaram a ignorar”, observou Gislaine Pereira, atriz da trupe.

Para a atriz Gabi Zanola, o espetáculo trata da nossa humanidade que muitas vezes aparece como “mais sinceras tolices”.

“O espetáculo é cheio das nossas mais sinceras tolices humanas, que podem ser bem engraçadas, muito dolorosas e cruéis. Refugo Urbano é a permissão de dois mundos diferentes, que se deixam levar juntos para um mesmo propósito, o que os torna iguais. A partir da solidão e da individualidade de cada mundo, esses dois palhaços tão distintos, e ao mesmo tempo tão iguais, criam um universo único”, disse a atriz Gabi que contracena com o ator Renato Ribeiro.

“Ô raia o sol, suspende a lua!

Olha o palhaço no meio da rua!”

Se você for passando por uma rua e esses palhaços estiverem circenciando, aproveite! Aplausos!

Veja o teaser.

COMEÇA A 7ª EDIÇÃO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE LÍNGUA PORTUGUESA (FESTLIP)

Agosto 27, 2015

home“Este ano, o Festlip amplia seu âmbito de atuação e dá início a um intercâmbio de produção teatral e a um concurso internacional de poesia, na tentativa de reforçar ainda mais os laços entre essas nações irmãs”, afirmou a idealizadora do festival, Tânia Pires, produtora e atriz.

Até o dia 6 de setembro estará sendo realizado no Rio de Janeiro a 7ª Edição do Festival Internacional de Teatro de Língua Portuguesa (Festlip). Na ocasião o evento homenageará Manoela Soeiro, atriz moçambicana, do Grupo Mutumbela Gogo, que completa 40 anos de teatro e de incentivo a revelação de grandes nomes do teatro no país. Manoela junto com os escritores, Mia Couto e Henning Mankell, escreveram a peça Os meninos de Ninguém que abre o festival.

foto_grupo_elingaO festival estará exibindo oito peças teatrais inéditas do Brasil, Angola, Moçambique, Portugal, Cabo Verde e Galícia que fica na região da Espanha, mas pratica um idioma próximo ao português que apresentará a peça Barbazul do diretor, ator e músico Borja Fernández. Os espetáculos serão apresentados em vários espaços culturais do Rio de Janeiro.

O teatro brasileiro estará representado pela Cia de Teatro Lula Lunera que encenará a peça Aquele Dois baseado em um conto do escritor Fernando Abreu que conta a relação de Raul e Saul funcionários de uma repartição. Amizade que conturba a moral dos outros funcionários.

A poesia foi escolhida, no festival, como a arte para homenagear os 450 anos da cidade do Rio. As criações poéticas serão apresentadas através exposição audiovisual. O tema das poesias é único para todos os poetas dos países: o Rio. Todas as poesias exibidas foram escolhidas através de concurso e são interpretadas por artistas do Rio.

Fica combinado: gagos ou não gajos, se puderem, devem participar. Sabe por quê? Há um bom signo. Além de ser um trabalho sensibilizador e necessário para o espírito, a entrada é franca. Francamente, não há como não ir. Quem pode.

PROGRAMA DE TEATRO OCUPAÇÃO GRANDES MINORIAS A PRAXIS DO TEATRO ENGAJADO

Julho 13, 2015

5e702009-7420-4782-8a36-c6814fdaafebO teatro não é a arte da imitação dos estados de coisas onde personagens de um texto refletem seus mundos e os atores os recriam para o deleite um público. No sentido mais simplificado o teatro é um jogo do duplo: um virtual que foi atualizado como real como arte dramática. Arte do teatro é oferecer possibilidade além da imitação da vida.

Com seus virtuais (devires), como foi entendido pelo filósofo Deleuze no teatro de Carmelo Bene, e possíveis como planos de realizações ele se desdobra em vários dizeres estéticos como realista, naturalista, expressionista, simbolista, absurdo, surrealista, protesto como o de Piscator e Bertolt Brecht entre outros. Esses conhecidos como teatros engajados cuja temática estética tem como elemento a análise do sistema capitalista como modelo opressor do homem. A síntese da exploração do trabalhador-oprimido pelo patrão-opressor.

Mas o teatro engajado, conhecido como de protesto, não se mostra só na evidência dessa opressiva relação. Ele também se mostra nas formas de realidades sociais opressivas que resultam dos vícios produzidos pelo sistema capitalista como a discriminação racial, da mulher, da criança, do índio, o assédio sexual e moral, violência nas condições de existência.

Pois é com esse entendimento de teatro engajado que mostra essa condição de opressão social e, também, mostra possibilidades de mudanças nas relações desumanas que o programa de teatro Ocupação Grandes Minorias, que vai até o dia 27 de setembro, estará apresentando no Teatro Glauce Rocha, no Rio, vários espetáculos teatrais, além de oficinas de dramaturgia.

Entre os espetáculos encontram-se Exercício Sobre Medeia, Deixa Clarear – Uma Homenagem à Clara Nunes, Eles Não Usam Tênis Naique, Suave – Notícias Futuras esse o último espetáculo do ciclo de teatro que mostra uma criação coletiva com jovens que apresentam suas perspectivas e expectativas para o futuro do mundo. Os espéculos estão bem endereçados as crianças e adolescentes.

“Tem um movimento novo, um posicionamento do teatro e uma contribuição mais clara nesse sentido de refletir sobre o Brasil. Quando eu pensei no projeto Grandes Minorias, no ano passado, imaginei como eu poderia contribuir com esta cidade, com este país, com este comportamento. Fiz um cruzamento entre as peças que eu tinha e que não tinham espaço, e entre o que outras pessoas tinham para contribuir com este pensamento sobre grandes minorias.

Este é um conceito sobre o qual Deleuze trata. Ele diz que não é uma minoria de quantidade, mas de representatividade. A gente esta tentando dar voz a grupos que às vezes são muito numerosos, como as mulheres, por exemplo que compõem mais da metade da população brasileira, mesmo assim temos uma misoginia ferrada no Brasil.

As crianças estão aprendendo a ver o mundo. Se a gente disse para elas que judeu odeia árabe e árabe odeia judeu, elas vão aprender e sempre achar que a Faixa de Gaza é uma coisa normal. A criança que vê um jongo dançando, vê um brincante cantando uma música de matriz africana, não vai aceitar jogar uma pedra na cabeça da menina que é do candomblé”, observou Márcia Zanelatto, diretora de teatro e criadora do programa.

GRUPO DE TEATRO ESPARRAMA APRESENTA: MINHOCA NA CABEÇA

Junho 11, 2015

6a417682-5a24-4d9a-b967-3ec09d66565cEm uma janela de um prédio em frente ao viaduto Costa e Silva, conhecido como Minhocão, em São Paulo, uma menina expressa seu desespero de nova moradora que saiu de uma cidadezinha do interior que ficou desnorteada ao chegar na metrópole antropofágica que a cada segundo – ou menos – devora seus habitantes através de seus códigos de captura como o trânsito, a violência, a falta de solidariedade, a desconfiança, o conformismo, a indiferença e a dor.

Esse agenciamento de enunciação coletiva paranoica teve tamanha dominação sobre a menina que em sua caneca nasceu uma minhoca. E ela, sem querer, ficou com essa Minhoca na Cabeça, peça encenada pelo Grupo de Teatro Esparrama que desde o ano de 2013 optou pelo teatro de rua. Uma estética-dionisíaca-urbana que atinge pedagogicamente diretamente o público livre das ruas, muito mais que os espetáculos encenados nos teatros convencionais de organismo burguês.

11391349_434515853388375_5408246176093383522_n 11407046_436036909902936_6691674302426318718_nEmbora angustiada diante da realidade antropofágica e lhe obriga a si refugiara em sua imaginação lúdica, como forma de escapar, a menina da minhoca na cabeça se alia a dois amigos Haroldo e Heraldo que tentam fazê-la sobreviver na metrópole dos horrores dela, e a única forma é ele enfrentar seus medos. Embora essa forma não mude a subjetividade capturadora da qual a metrópole é a caixa de ressonância.

“Quando propomos que o público venha até a frente de nossa janela, sente no asfalto e aprecie a arte durante 45 minutos, nós estamos propondo um novo imaginário para a cidade, propondo novas relações com a rua, discutindo a noção de pertencimento e demonstrando de forma prática que a arte sempre engloba uma dimensão política. Neste novo espetáculo quisemos tratar exatamente desta questão: o medo da cidade. A história fala de uma menina que tem vontade de ir para a rua, mas ao mesmo tempo tem medo de enfrentá-la. No fim, ela descobre quem nem todos os monstros que ela imaginou existem. Nós, enquanto população, precisamos reaprender o poder que tem a ocupação das ruas”, observou Irlei Rangel, diretor do espetáculo.

11377259_432977153542245_6541606184295482530_n 11390167_432668790239748_8123518316909971704_nO espetáculo Minhoca na Cabeça será sempre apresentado aos domingos às 10 horas a partir do dia 14 de junho até o domingo de 26 de julho. No elenco estão Gabi Zanola, Kleber Bianez, Rani Guerra e Renato Ribeiro. O texto é de Solange Dias e o Grupo Esparrama.

Talvez os filósofos Deleuze e Guattari dissessem que uma minhoca na cabeça é uma forma de variável que disjunta as forças capturadoras dos estratos como organismos, significância e sujeito do enunciado. Uma minhoca na cabeça funcionaria como um limiar: o que muda a subjetividade dominante. Cria outro percurso.

Por isso, vamos ‘esparramar’ nossas minhocas!

ACORDES, PEÇA ADAPTADA DE OBRA DE BRECHT, ENCENADA POR ZÉ CELSO, É CENSURADA POR RELIGIOSO E TRANFORMADA EM INQUÉRTO POLICIAL.

Junho 9, 2015

acordes_foto5_fermozelli_fotoarte1Em 2012, estudantes da Pontifícia Universidade Católica (PUC) organizaram um protesto contra a indicação da professora Ana Maria Marques Cintra para o cargo de reitora. O elemento causador do protesto dos estudantes foi o fato de que a professora havia sido classificada no terceiro lugar da lista tríplice apresentada pela instituição.

Com o quadro autoritário montado, os estudantes decidiram convidar o grupo de Teatro Oficina, dirigido pelo talentoso e eterno vanguardista José Celso Correa, o dionisíaco Zé Celso, que foi aluno da PUC, para encenar um trabalho e apresentar na instituição para provocar debates sobre o poder em forma de autoritarismo.

zecelso-63123-509bd42b97c23Como Zé Celso carrega a potência-política por excelência, em seu sentido singular, aceitou o convite. Apanhou um texto do teatrólogo, poeta, escritor, articulista e criador do Método do Distanciamento Brecht, que faz do espectador um cientista-político, oposto ao método psicológico do teatrólogo russo Stanislavski, em que a plateia faz empatia com o que ocorre em cena e bloquei sua faculdade racional operante no momento da encenação, elaborou o teatro – teatro é o jogo cênico – com o nome de Acordes. E mandou ver: concebeu um personagem religioso autoritário, com semelhança-plástica ao Papa Bento XVI que no final é decapitado.

O padre Luiz Carlos Lodi Da Cruz, de Goiás, escarafunchando o Youtube, encontrou o vídeo da peça e não gostou nada do que viu. Sentiu que a dogmática em hierarquia e fator metafísico, havia sido desrespeitada e ofendida. Não contou desgraça: entrou na Justiça contra o Oficina representado por Zé Celso, Tony Reis e Mariano Matos Martins e abriu um inquérito policial baseado no artigo 208 do Código Penal.

Em novembro do ano passado, o Ministério Público, através de seu representante Matheus Jacobi Fialdini, propôs a Zé Celso e os atores um acordo para encerrar o caso: que eles assumissem a culpa. Zé Celso, brechtiano por natureza política, recusou o acordo.

Ontem, Zé Celso e os dois atores foram participar da audiência que iria apresentar a conclusão do inquérito policial.

PONTO CORAL DA PENHA É LANÇADO PELA FUNDAÇÃO THEATRO MUNICIPAL

Março 5, 2015

image_large (1)Como a arte flui. No ano de 1936, o poeta modernista Mário de Andrade, fundou o Coral Paulistano Mário de Andrade da capital paulista cujo objetivo era conceder musica brasileira ao Theatro Municipal de São Paulo. Mário de Andrade, que era diretor do Departamento Municipal de Cultura, com seu projeto, queria tocar na elite ignara paulistana com sua sensibilidade evidenciada como música nacionalista brasileira.

Agora, o segundo Ponto Coral da Penha é lançado pela Fundação Theatro Municipal cujo coro será formado por jovens e adultos da região em que o acesso não passa por uma pré-seleção. Os inscritos deverão ter entre 13 a 60 anos.

Na inauguração dos trabalhos que ocorreu ontem, dia 3, com entrada gratuita, o concerto contou com a participação da sambista Fabiana Cozza, que madrinha do projeto e do Coro da Cidade de Tiradentes, ponto coral, fundado em maior de 2º14. O espetáculo que teve uma hora de duração foi regido pelo maestro Martinho Lutero com repertório composto de músicas brasileiras e estrangeiras.

“A tônica do projeto é a formação e desenvolvimento artístico n área do canto em conjunto. Outros benefícios são enormes e igualmente importantes: socialização, enriquecimento cultural, maior consciência de cidadania.

Provenientes das mais diversas camadas local, eles foram selecionados em igrejas, escolas, centros sociais, etc. Além da apresentação desta quarta, esse grupo já se apresentou em uma formatura escolar da Cidade Tiradentes e no Salão Nobre do Theatro Municipal”, disse o maestro.