Archive for Novembro, 2014

EXPOSIÇÃO “SÃO PAULO: DENTRO E FORA”

Novembro 30, 2014

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Começa dia 6, na Caixa Cultural de São Paulo, e vai até dia 1° de março a exposição de fotografias São Paulo: Dentro e Fora. A exposição é resultado de duas décadas de trabalho do artista Paulo Pampolin, reduzida em 31 fotografias e instalações.

AS fotografias mostram a realidade da moradia precária no estado em que 30% dos moradores estão confinados em favelas, cortiços ou habitações coletivas. Entretanto, a exposição não tem como objetivo só a discussão social e política, mas também o elemento poético da fotografia.

A exposição será dividida em duas partes interativas. Um hall central com 30 imagens concebidas pelo artista em monóculos. A segunda parte é uma parede que será ocupada pelos visitantes como intervenção inicial polaroides realizadas por adolescentes. Os visitantes poderão escrever na parede mensagens e suas opiniões. Haverá mesa-redonda, oficinas e debates.tumblr_neudk4xnp11tdzokwo2_r1_500

“A exposição discute a questão da moradia em São Paulo, a cidade com o maior déficit habitacional no Brasil. Convivemos com isso no dia a dia. Observamos pessoas morando nas ruas e milhares de habitações coletivas espelhadas pelo centro. Além disso, recentemente ocorreu um boom imobiliário, elevando os preços dos aluguéis e dos imóveis. Tudo isso influenciou nossa relação com a moradia. Essa pessoal ocupa apenas 10% do território. É uma questão alarmante.

Entretanto, a questão da moradia saltou nas imagens dele. Há imagens de um prédio tiradas à noite, com várias janelas mostrando a diversidade da relação humana com o lar e como cada pessoa decora sua casa.

O problema tem um lato muito poético. Quem mora nas ruas também pinta paredes ou coloca um quadro para demonstra que ali é sua casa. É uma situação afetiva que temos com São Paulo. Cada um acaba criando relação afetiva com o lugar que escolheu para morar.

Os monóculos cairão do teto e as pessoas poderão ver algumas outras imagens além das que estão impressas na parede. Sobre o recorte da foto de Paulo Pampolin temos um projeto educativo do fotógrafo Luciano Spinelli, que é um workshop com crianças e adolescentes que moram no Cine Marrocos. São fotos vivenciais que dialogarão com as fotos de Paulo”, observou Lucila Mantovani, uma das curadoras junto com Lúcia Camargo.   

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IN DRAMA III

Novembro 29, 2014

CASA FRANÇA BRASIL

Tudo começou há três anos quando a cinegrafista e diretora de teatro, Christiane Jatahy, apanhando a literatura e as exposições em cartaz no espaço Casa-França-Brasil, concebeu o In Drama. Agora, já em sua terceira edição o In Drama, exibe 26 Poetas Hoje, organizado pela professora Heloisa Buarque de Hollanda, e publicado em 1975, com obras de artistas malditos, ou marinais, que tentavam existir como artistas apesar da dura ditadura. São obras inéditas de artistas da dança e do teatro.

O coletivo Pequena Orquestra, com a obra Moradores da Cidade Vazia, que conta com três personagens, um ladrão, uma idosa e um policial, foi responsável pela abertura da 3ª Edição da In Dança que segue com a exposição Histórias Frias e Chapas Quentes, dos artistas plásticos Dias&Riedweg, que fica em cartaz até domingo, dia 30.

A Geração Mimeógrafo, artistas que durante a ditadura imprimiam suas poesias em mimeógrafos e distribuíam de forma clandestina nos bares, botecos e lugares menos visados, também se fará presente mostrando a produção de 1970. Participaram desse movimento – que ocorreu em algumas partes do Brasil – grandes personagens que hoje são conhecidas em todo o Brasil, apesar de alguns já terem falecidos.

Entre muitas, as malditas feras são: Antônio Carlos Secchin, Francisco Alvim, Roberto Piva, José Carlos Capinam, Chacal, Geraldo Carneiro, Roberto Schwarcz, Ana Cristina, Torquato Neto, Cacaso e Waly Salomão, os quatro últimos, já falecidos.

“Quando fomos chamados para fazer parte do In Drama, decidimos não partir para uma reprodução ou leitura cênica das obras apresentadas como base da criação. Por isso, criamos uma obra nova, que comporta conceitos de nossos trabalhos anteriores”,  disse Michel Blois, ator do espetáculo Pequena Orquestra.        

A Casa-França-Brasil, em sua arquitetura, foi construída pelo arquiteto francês Grandjean de Montigny, que fazia parte da missão artística trazida ao Brasil por D. João VI e que em 1938, depois foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Depois, quando o secretário de Cultura do Rio de Janeiro era o antropólogo e educador Darci Ribeiro, foi recuperado e passou a ser um espaço cultural.

TV BRASIL, A ÚNICA EMISSORA DE TELEVISÃO COM PROGRAMAÇÃO ÉTICA, GANHA PRÊMIO

Novembro 28, 2014

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A TV Brasil é uma emissora de televisão que os telespectadores da TV Globo e congêneres fogem dela como um capitalista foge da impossibilidade do lucro máximo, porque estes telespectadores são grandemente masoquistas em consequência de suas baixas autoestimas afetivas e cognitivas. Por isso, cultuam a perversão da programação dessas redes comerciais abertas e fechadas.

Já a TV Brasil, além de apresentar uma rede de programação quase que totalmente brasileira, tem um compromisso humano com os afetos e as cognições de seus espectadores movidos pelo princípio ético. Seus programas mostram o quanto essa televisão-pública respeita os sentidos e as inteligências deles. Sejam programas musicais, reportagens ou jornais todos seguem os princípios do desenvolvimento humano.

Embora seja uma emissora de TV engajada nesses princípios e não trabalhe objetivando recompensa, a não ser satisfazer seu público, entretanto ocorre de uma instituição resolver premiá-la pela importância e qualidade de sua produção. Foi o que ocorreu com a reportagem Terra da Poesia, do programa Caminhos da Reportagem que recebeu o prêmio na categoria Reportagem Cultural do Prêmio Imprensa Embratel/Claro. Um prêmio saído das 1.555 reportagens selecionadas entre todas as categorias.

A reportagem Terra da Poesia foi uma criação da repórter Carina Dourado que junto com equipe do programa Caminhos da Reportagem foi até o Vale do Pajeú, no sertão de Pernambuco, onde predomina a riqueza poética da região, apesar do sofrimento imposto pela seca. A equipe foi até em São José do Egito, local tido como a alma da poesia, onde os poetas se reúnem embaixo dos galhos de um umbu para recitar e cantar. Depois seguiu até Carnaíba, onde em cada esquina tem um maestro, porque a arte é criada por meio dos instrumentos musicais. .

“A ideia do programa justamente era tentar entender o porquê de aquela região ser um lugar de tanta valorização da poesia, que parece perder espaço na cultura brasileira. Lá é o contrário. A tradição tem mais de um século. É ensinada na escola, os homens têm prazer de fazer poesia. E não é qualquer poesia, é uma poesia com métrica, com rima.

É difícil explicar o motivo dessa permanência, mas a gente chegou à conclusão de que se trata da valorização de algo regional. De algo que é deles. Está relacionada ao fato de assumir aquela identidade e valorizar a própria cultura”, analisou Carina Dourado.

Participantes da equipe que foi premiada.

Marieta Cazarré e Paulo Eduardo Barbosa: Editores de textos.

Fábio Lima: Edição de imagens e finalização.

Débora Brito e Beatriz Abreu: Produção.

Osvaldo Alves: Repórter cinematográfico.

Lion Arthur: Auxiliar técnico.

Dinho Rodrigues, Antônio Trindade e Carlos Almeida Aguiar: Arte. 

No mundo tecnológico da comunicação de massa, o controle remoto da televisão é o signo-linguístico mais democrático, porque mostra que o telespectador pode exercer seu direito de opinião. Faça uso do controle-remoto. Evite a alienação imposta pela TV Globo e congêneres.

VIVA O VINIL! “ESTURRO DA ONÇA”, DE HÉLIO CONTREIRAS

Novembro 27, 2014

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Olha aí, vinilesquizofílicos! O néctar! A fina flor! A joia pura! A relíquia! O encontro dos talentosíssimos compositores e cantores do sertão baiano. Hélio Contreiras, Elomar, Xangai e Val Macambira. É mole? Um verdadeiro Esturro da Onça que não deixa ninguém sem se arrepiar.

Uma bolacha-crioula independentíssima, gravada na primavera de1989, no Estúdio Invenções conseguiu agregar as verdadeiras lendas vivas do trovadorismo nordestino. O talento que Fernando Henrique e as aberrações odeiam. A poesia como devir terra espalhando fluxos para sensibilidades e intelecções outras.P1000579

Hélio Contreiras, Elomar, Xangai e Val Macambira fazem parte daquela plêiade de poetas e cantadores que quando se encontram não há como não intensificar as composições incorpóreas do existir musical. Apolo e Dionísio se rejubilam perpassando por entre eles suas liras e sátiros. É o humano no templo dos deuses. Com se bastasse os quatro cantadores e poetas, chega a eles o apolíneo Capinam, na composição O Pulo do Gato. Não é possível não perguntar: É mole, vinilesquizofílicos? É esquizofia infinitude.

Mas, como diz Belchior, “deixemos de coisa, cuidemos da vida”. Vamos fluir na apresentação criada por Augusto Jatobá que também realizou a coordenação artística e a capa e encarte.

“Creio que no gigantesco país em que vivemos há mais ou menos quinhetos anos, deve haver centenas de milhares de poetas, cantadores, músicos, escritores, entre outros artistas, que ao longo dessa “Rua da Passagem” esburacada e cheia de curvas não conseguiram chegar ao fim da maratona. Essa maratona que em qualquer lugar do mundo define as tradições culturais de um povo. Pena que por muitas vezes fora atrofiada e ferida pelos sistemas de governos opressores, pelos meios de comunicação, pelos órgãos culturais, pela casquinhagem das classes dominantes e pela ganância dos fabricantes de “cultura”.P1000578

O Poeta/músico/cantador Hélio Contreiras, é um desses maratonistas que desde a década de 60 vem se arrastando na pista. Muitas vezes com fome e sede, de informação, de diálogo e até mantimentos essenciais a criação e seus neurônios. O Hélio é nordestino, nascido na zona da seca do interior da Bahia, no final da década de 30. Pós-Lampião, pós-seca do século.

Entre o Estado Novo e a Nova República, Hélio veio guardando sua bagagem poética-musical dentro dos alforges da sua infalível memória, traçando assim sua própria história.P1000581

As faculdades de direito, economia e jornalismo que cursou na Bahia e no estrangeiro, 10 anos que viveu na Alemanha, França, Portugal entre outros países da Europa, serviram de adjutório para sua obra se manter fiel à sua origem.

Ouvi a música de Hélio Contreiras pela primeira vez, lá no Bar Varandá, em Salvador, no verão de 1970, dez anos depois, eu Xangai e Hélio, já no Rio de Janeiro, nos juntávamos para fazer o primeiro disco do “Estúdio de Invenções”, o LP “Qué Qui Tu Tem Canário”, de Xangai. Hoje, dez anos depois, nós três nos reunimos de novo para fazer o primeiro disco do Hélio, o “Esturro da Onça”, um disco que sintetiza sua obra, dando uma visão (audição) da fertilidade de temas e melodias que compõem suas belas canções.

A “Velha Rua da Passagem onde a vida olha a vida despreocupada”, nos trouxe mais um trabalho da música popular brasileira autêntica. Para preencher o vazio dos ouvidos carentes de boa música, ecoa o “Esturro da Onça”, para despertar aqueles adormecidos ou dopados pelo produto descartável, muito em moda nas rádios e radiolas brasileiras”.

Augusto Jatobá/Verão de 1990.P1000580

LADO – A

Rua da Passagem/O Meninos de Bom Jesus/Mutirão da Vida/Zé Gameleira/O Quintal.

LADO – B

Estampas Eucalol/Inté as Porteiras/O Esturro da Onça/Corisco e Dadá/O Pulo do Gato.

Direção Musical e Arranjos de Base: Manassés.P1000583 P1000584

Ilustração da Capa: Fernando Borba.

Composição Gráfica: Robertom.

Fotos: Juarez Cavalcante.

5ª EDIÇÃO DO CINEB DO CINEMA BRASILEIRO

Novembro 26, 2014

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Com o objetivo de propor a democratização do acesso ao cinema brasileiro através de exibições de filmes nacionais nas periferias e formar um público necessitado de cinema, um público que tem dificuldade de experimentar essa arte, o Sindicato dos Bancários, Osasco e Região apresentam, através da Brazucah Produções, a 5ª Edição do CineB do Cinema Brasileiro.

Já foram exibidos, até agora, mais de 120 filmes nacionais para mais de 43 mil pessoas das comunidades, espaços universitário e nas próprias sessões do CineB. Os produtores e diretores do cinema nacional que têm dificuldades, e mesmo impossibilidade de exibirem suas obras no circuito comercial monopolizado, têm no CineB um profícuo território para realização de seus propósitos cinematográficos. E que também podem comemorar, porque essa edição vai premiar curtas, longas e representantes de comunidades por onde o projeto foi apresentado.

A apresentação da entrega dos prêmios ficou por conta do compositor e cantor Falcão, que participou especialmente do premiado filme do cinegrafista Helder Gomes, Cine Holliúdi. Entre os longas que receberão o Troféu CineB se encontram Em Busca de Iara, de Flávio Frederico, Colegas, de Marcelo Galvão, Getúlio, de João Jardim, De Menor, de Cari Alves de Souza, Marighela, de Isis Grinspum Ferraz, Homem do Futuro, de Cláudio Tores, Plano B, de Getsemane Silva, entre outros importantíssimos cinemas.

Também serão apresentados os vencedores do 4° Selo CineB do Cinema Brasileiro da Periferia que é um projeto alternativo de distribuição de curta-metragem que é amparado pelo Prêmio Economia Criativa do Ministério da Cultura. Os filmes que foram os vencedores receberam um prêmio de R$ 500 e fazem parte de um DVD que será exibido no projeto de 2015.  

“A ideia do CineB é democratizar o cinema brasileiro, divulgando os filmes nacionais e levando essas obras às pessoas que não teriam acesso à elas. Assim, também promovemos um bom debate cultural e social com as comunidades”, observou Cidálio Vieira Santos, coordenador do projeto.

COMEÇOU A MOSTRA “MARCAS DA MEMÓRIA”

Novembro 25, 2014

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As cidades de Porto Alegre, Salvador, Brasília, Rio de Janeiro e Curitiba são as que exibirão as mostra de cinema Marcas da Memória. São produções que carregam o tema das ditaduras e violências praticadas contra a população da América Latina.

Com o objetivo de resgatar a memória do que ocorreu no continente latino-americano quando da predominância das sanguinolentas ditaduras militares, apresentando fatos até então desconhecidos, a mostra Marcas da Memória apresenta três películas exibindo o terror dominante na época.

A mostra está sendo possível porque houve uma forte parceria entre a Associação Brasileira de Anistiados Políticos, Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e o Instituto Cultural em Movimento (Icem). A mostra vai até do dia 26 com entrada franca na segunda-feira (ontem), terça e quarta.

As películas exibidas são produções argentina e brasileira. Por parte da Argentina 500 – Os Bebês Roubados Pela Ditadura Argentina, documentário de Alexandre Valenti com coprodução de Luciana Boal Marinho e Alberto Graça. O tema é referente a luta das Avós da Praça de Maio que encetaram a busca por seus netos sequestrados pelos militares.

Narrando as perseguições, prisões, torturas, e assassinatos de presos políticos, fatos contados pelos presos que escaparam e mostrados em reportagens, o cinegrafista Sílvio Tendler apresenta o seu longa Militares da Democracia. O filme também mostra uma parte da história da ditadura no Brasil que poucos conheciam: a posição de alguns militares que se colocaram contra os militares que impuseram a ditaduras. Os militares que se opuseram a ditadura foram perseguidos pelos que praticavam o regime de arbítrio.

Para fechar a mostra na quarta-feira, será exibido o documentário de Luiz Fernando Lobo, Eu Me Lembro. O tema são os cinco anos da Caravana da Anistia que se dedica a reparação, a memoria, a verdade e a justiça dos perseguidos pelo regime militar.  

Veja o trailer do filme 500 – Os Bebês Roubados Pela Ditadura Argentina.

“CASTANHA”, O LONGA-METRAGEM DE DAVI PRETTO SOBRE JOÃO CARLOS CASTANHA

Novembro 24, 2014

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O filme, Castanha estreou no Fórum do Festival de Cinema de Berlim, caracterizado como o local onde os autores são os personagens principais. É uma obra que mostra a fundamentação da existência de 30 como do artista, porque trata-se da cinebiografia de João Carlos Castanha, o ator e diretor de teatro underground que se exibe nas boates-masculinas de Porto Alegre. 

Mas há um sinal também singular no longa-metragem. João Carlos Castanha, de 52, anos, contracena com sua própria mãe Celina Castanha, de 72 anos. E mais, como não podia ser o contrário, já que é a apresentação da cinebiografia de João Carlos Castanha, ela faz seu mesmo papel: mãe do ator e diretor.

Todavia, o filme não surge como um fiel reflexo da realidade que é a existência do ator e diretor de teatro. O filme remete o espectador a um entendimento, ou desconfiança, que se trata de ficção. É compreensível: a existência de João Carlos Castanha é muito rica e cheia de cenas que parecem surgir de um mundo ficcional. É lógico que cinematograficamente, tem momentos em que o próprio Castanha se confunde com Castanha, o filme. Um trabalho perceptivo e cognitivo que fica na responsabilidade do público.

A mãe se apresenta como uma personagem envolvida com a preocupação com o filho. Ao mesmo tempo, que também se preocupa com o filho de uma irmã que é viciado em crack. João mostra sua relação com as lembranças dos amigos que morreram acometido pela aids. Mostra também sua preocupação consigo mesmo e tendo que sobreviver com a arte.

Veja o trailer e depois procure assistir o longa que você, certamente, terá uma longa satisfação. 

CAPOEIRA DE RODA PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE

Novembro 23, 2014

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O Comitê Intergovenamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural e Imaterial da Unesco, se reunirá, em Paris, nessa semana para reconhecer a Capoeira de Roda como Patrimônio Cultural da Humanidade. Com o reconhecimento a Capoeira de Roda toma posição ao lado do Cristo Redentor como Patrimônio Cultural da Humanidade.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) apresentou um dossiê de candidatura de 25 páginas, onde são apresentadas uma séria de ações para propagar e salvaguardar a Capoeira de Roda, com um orçamento de mais de R$ 2 milhões que também será usado para a produção de encontros e catálogos.

O documento ainda apresenta fundamentos que mostram que a capoeira tem o papel de combater o racismo e a discriminação. Na parte histórica do documento ele mostra a perseguição que a capoeira sofreu no Brasil sendo considerado crime pelos colonizadores e brasileiros submissos a política imperial.

“A roda funciona como uma afirmação de respeito mútuo entre comunidades, grupos e indivíduos e promove a integração social e da memória da resistência à opressão histórica”, diz parte do documento.

“A capoeira é uma manifestação cultural de muitas dimensões. É ao mesmo tempo luta, dança e jongo, tão ligada à nossa história, à nossa sociedade, que é um pouco do que é o povo brasileiro”, afirmou Célia Corsino, diretora do Departamento do Patrimônio Imaterial do Iphan.

Para o mestre Paulinho Salmon, professore de capoeira há mais de 50 anos, a capoeira se confunde com a história do Brasil.

“A capoeira não é só um jogo, a capoeira é muito mais do que isso, a história da capoeira se confunde com a própria história do país, já foi utilizada até em guerra como a do Paraguai”, disse o mestre.

A “NOITE NEGRA” SE MOSTROU NEGRITUDE NO PÓRTICO DAS ARTES DA AFIN COMO CINEMA, PALESTRA, MÚSICA, POESIA, CAPOEIRA E, PRINCIPALMENTE, CRIANÇA

Novembro 22, 2014

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A intenção era atualizar o virtual ou realizar o possível. E aconteceu. Artistas, capoeiristas e crianças como composto-estético produziram outras formas de sentir, ver, ouvir e pensar no Pórtico das Artes da Associação Filosofia Itinerante (Afin) no Bairro Nova Cidade, em Manaus.DSC01804 DSC01809 DSC01825 DSC01832 DSC01834

Foi uma Noite Negra que se mostrou singularmente Negritude: a consciência livre do negro sobre si mesmo fora da brancura opressiva do sistema capitalista. Seu engajamento história em viver por si mesmo, sem modelo macho, homem, branco e europeu, como mostram os filósofos Deleuze e Guattari.

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A Negritude do eu-mesmo como liberdade do negro, negando a história branca que o oprimiu, como diz o filósofo da liberdade, Jean Paul Sartre. A estrutura ontológica do negro como resultantes da reflexão que fez sobre a a-história imposta pela voracidade branca. O negro deixando de ser objeto de dominação do olhar do branco para se tornar sujeito de seu próprio olhar sobre o branco. Mostrar o branco como objeto do olhar do outro. Sendo o olhar do negro sua potência criadora livre. Sua Negritude.

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Já na quinta-feira, membros da Afin estiveram na Escola Francisco Guedes de Queiroz, no Bairro Tancredo Neves, mais um bairro pobre da pobre Manaus. Lá, realizaram, junto com os estudantes, professores e pedagogos, a conferência, O Entendimento da Filosofia Política sobre o Conceito de Negritude. Foi uma festa filosófica-política, já que trata-se de poiesis e práxis. Os corpos que produzem transformação.

DSC01909 DSC01914 DSC01915 DSC01916DSC01922 DSC01924 DSC01925Como a vivência não pode ser traduzida em palavras, visto que viver é atuar em consistência e existência em presença, como dizem os filósofos existencialistas, oferecemos aos acessantes deste blog algumas imagens, movimentos e sons, criados nos acontecimentos Negritude. 

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“NÓS SOMOS AS MELHORES”, NOVO FILME DO DIRETOR SUECO LUKAS MOODYSSON

Novembro 21, 2014

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Partindo de uma história em quadrinho criado por sua mulher Coco, o cinegrafista sueco Lukas Moodysson criou o filme que conta a história cômica de duas adolescentes de 13 anos que resolvem criar uma banda punk, apesar do momento em que vivem, anos 80, afirmar que o punk já morrera. Claro que impulsionadas pelo momento existencial que percorrem entre as contradições de valores que lhes são mostradas pelos adultos e os que eles pretendem como forma de transgressão através do ritmo jovem.

Um bom momento do filme é quando as duas se mostram sem conhecimento musical, mas querem conseguir seus objetivos: serem punkeiras. Entretanto, as duas meninas Bobo, interpretada por Mira Barkammar, e Klara, interpretada por Mira Grosin, encontram a solução: a talentosíssima adolescente Hedvig, protagonizada por Liv LeMoyne, que toca violão.

Elas, entretanto, não querem que a musicista entre na banda. Querem também que ela abdique de seus valores cristãos. Porque, para elas, uma integrante de uma banda punk deve ser transgressora. Hedvig é daquelas adolescentes que na escola se sente descartada por não se comporta como a maioria. E isso dificulta seu relacionamento que é mudado com a atuação das duas a ponto de até conseguirem cortarem seus cabelos na moda punk.

Na verdade, o filme mostra alguns elementos psicológicos produzidos nas famílias das adolescentes que são reproduzidos por elas em forma de modelagem. Klara tem país que vivem em constantes brigas que não são aceitas por ela. Na família de Bobo sua mãe é dada a uma vida um tanto livre para beber e arranjar namorados que os leva para sua casa. Já a família de Herdiz é opressora e censura qualquer sinal de liberdade. Qualquer sinal que não seja o reflexo dos valores que os pais ilustram.

O público poderá assistir as adolescentes vivendo seus primeiros flertes, suas primeiras frustrações amorosas, seus primeiros pileques, protestos, ao som de algumas bandas suecas do punk atual.

 Veja o trailer.