Archive for the ‘Religião’ Category

CRIANÇAS PIAM JUDAS DESLOCADO EM TEMER

Abril 17, 2017

Vejam as imagens criadas pelo artista da luz, Alci Madureira.

Judas para às crianças se desdobra na linha livre mais antropológica do que mística judicativa. Para elas Judas surge como possibilidade lúdica de folguedo não vingativo. Como diz o menino Pedro: “Eu nem sei quem é Judas!”. Pedro, para seu contentamento, escapa da ordem condenatória a-histórica que o discursa como traidor. Aquele que traiu Cristo. Nada de real, mas somente tentativa irracional de fortalecer o dogma calculista.

As crianças querem brincar a tradição antropológica-cultural que escapa da ordem-aguilhão: condenar sem saber por que. A onda é saber que o boneco transfigurado em Judas, que se deslocou em Temer, traz em si muitos bombons e algumas moedas que elas esperam encontrar no alegre momento em que o boneco, criado pelo educador, ator, fotógrafo, Alci Madureira, é piado por elas no sábado de Aleluia. O sábado da alegria festeira.

Nada de vingança, nada de castigo, nada de condenação, mas só festa. Foi assim que as crianças do Bairro Nova Cidade, da Rua 44,piaram o Judas deslocado em Temer com direito a testamento do Iscariotes que deixou boas lembranças à elas. Além do famoso bolo Luiz Felipe, pipocas, bombons, refrigerantes, chocolates e, como não poderia faltar, a famosa foto junto ao personagem do momento. Sem esquecer que antes da piaçam elas conversaram com ele.

PREVISÕES DA MÃE LUCI PARA O ANO DE 2017

Janeiro 1, 2017

24jun2015-mulher-danca-na-frente-da-estatua-de-san-juan-em-dia-de-sao-joao-na-aldeia-de-curiepe-na-regiao-de-miranda-no-norte-da-venezuela-a-festa-que-tem-raizes-europeias-e-africanas-comeca-1435190

Em tempo-imóvel obstruindo o movimento real democrático por força da estupidez, cobiça e indigência existencial, saber de possíveis prospectivas que possam auxiliar nas manifestações futuras, O Blog Afinsophia, movido por seu engajamento no devir Afrosófico, foi até a Casa da Mãe Luci para ouví-la e saber quais as suas previsões para o ano de 2017.

Mãe Luci é mulher ativista, militante que luta em todos os territórios onde a liberdade encontra-se travada ou em ameaçada. As causas femininas, as defesas das crianças e adolescentes, causas dos trabalhadores, causas LGBT, causas indígenas, causas dos negros, do desemprego, da violência policial, do descaso escolar, etc.

Engajadíssima, Mãe Luci, é uma Mãe singular. Em função de sua estadia concreta na terra, ela pode manter estreitas relações com suas entidades que, como sensíveis observadoras das coisas da terra, lhe presenteiam com informações preciosas aos que acreditam nelas e necessitam de seus auxílios.

Só a título de informação as aberrações expressadas no Brasil através dos golpistas, nazifascistas, capitalistas vorazes e perversos, falsos políticos, entreguistas, americanófilos, entre outras indigências, para que elas não usem seu tempo morto lendo essas previsões, já que nada de alvissareiro encontrarão no futuro, Mãe Luci é uma das maiores defensoras das políticas sociais criadas pelos governos populares de Lula e Dilma. Desde pequena se viu envolvida com o povo, não só através das manifestações populares produzidas pelos moradores do bairro onde morava, mas também pelos comícios de candidatos quando era levada por sua irmã mais velha, que durante a ditadura fora presa e torturas, como foi Dilma.

Colocadas essas breves informações, vamos às previsões que também serão breves, justo porque Mãe Luci ainda tem que realizar uma oferenda na Praia da Ponta Negra que está sendo dominada por falsos pais e mães de santos submissos aos interesses da prefeitura que os têm como bons cabos eleitorais. E como Mãe Luci é original, singular e autêntica representante da cultura Afrosófica, só ela pode encarar os simuladores da Umbanda, Candomblé, Macumba e outras expressões negras que fazem uso da cultura afro para benefício próprio.

Blog Afinsophia (Reverenciando Mãe Luci) – Sua bênção, Mãe Lucia
Mãe Luci (Sorrindo afável) – Axé meus filhos e minhas filhas!

BA- Vamos iniciar provocando: o Brasil tem jeito?

ML – Não!

BF (Surpreso) – Não!?

ML – Não. O Brasil dos golpistas não tem jeito.

BA (Aliviando) – Que susto. Nós pensávamos que fosse o com letras maiúsculas: O BRASIL!

ML (Sorrindo) – Esse BRASIL não precisa de jeito. Ele não é torto. Ele é sua própria substância criada por si mesma. A questão é que nem todos que nascem no Brasil são brasileiros, e não sendo brasileiros não podem saber quem é o Brasil. Não basta ter uma carteira de identidade para se tornar nacionalmente brasileiro-patriota. Vejam os golpistas. Estão entregando as riquezas do país para o capital estrangeiro, principalmente o capital norte-americano. Esse Brasil que esses golpistas-entreguistas estão fazendo uso, não é Brasil substância de si mesma.

BA (Batendo palmas) – Essa pegou na veia. Com essa previsão a gente já poderia terminar a entrevista.

ML – Mas essa verdade é tão visível. A sociedade civil, que o Brasil substância de si mesma, vai às ruas, nesse ano de 2017, e desmontar esse golpe alienígena. E isso não é previsão é constatação.

BA – Bem, pelo o que a senhora está afirmando, o Temer vai cair?

ML (Dá uma profunda tragada no charuto) – Ele não vai cair.

BA (Preocupados) – Não vaia cair!?

ML (outra tragada profunda) – Não. Ele nunca esteve em pé.

BA (Aliviando) – É verdade.

ML – Foi por isso que os reacionários tramaram o golpe com ele como chefe. A mídia Rede Globo, CBN, GloboNews, Bandeirantes, Folha de São Paulo, Estadão, Veja, Época, IstoÉ, todas empresas burguesas têm ele como um inútil.

BA – Uma breve variável no entrevista. Esse charuto que a senhora está fumando é Havana?

ML – Sim. Foi uma amiga que trouxe de Cuba. Ela foi participar das homenagens ao comandante e trouxe alguns. Mas aqui no Brasil tem bons charutos. Vocês gostariam de provar?

BA – Não, com todo respeito ao comandante e ao povo cubano, principalmente os trabalhadores que cultivam a folha do fumo. Mas, Mãe Luci, dá para calcular em que momento o “deitado” vai sair?

ML – O “deitado” não vai sair, já que ele não tem pés. Ele vai ser tirado pelo povo. E isso vai acontecer ali pelas bandas das festas juninas. Para o povo aproveitar os fogos.

BA – E em ele saindo, quem vai assumir? Os reacionários tagarelam que querem o príncipe sem trono.

ML – O Brasil não é uma monarquia. E se fosse não haveria lugar para esse tipo entreguista.

BA – Mas quem assumiria? O presidente da Câmara Federal? O Renan não pode de acordo com o acordo que foi feito com Supremo Tribunal Federal. Quem assumiria, então?

ML – Ninguém.

BA – Ninguém!?

ML – Ninguém, porque vai ter eleições diretas. A partir de hoje, o povo vai às ruas lutar pelas Diretas Já. E apressadamente Já.

BA – E quem vai ser eleito?

ML – Putz! Isso é pergunta que se faça? Logo vindo de vocês da Associação Filosofia Itinerante? Gente ultra sacal?

BA – Sabe como é que é…

ML – Sabe como é que é, é Lula. Não tem pra ninguém!

BA – Mas aí, essa onda de perseguição do Moro sobre ele?

ML (Calmamente) – Meus filhos e minhas filhas. O Moro não é Deus. Ele pode até ter um complexo de Deus, mas como Deus não é uma psicopatologia, para Dele sair um complexo, Moro não é superior a Justiça. A Justiça exercida pelos justos que são movidos pela virtude da Justiça, e não pelos que se consideram justos porque concluíram um curso de Direito e foram outorgados pelo Estado como autoridades. Não esquecer que autoridade não é princípio nascido no Estado, mas nas vivências virtuosas que afirma a humanidade.

BA – Cacete, Mãe Luci! A senhora vai nas profundidades e transcende, também, a superfície. Vai muito além!

ML – Ora, minhas filhas e meus filhos, se eu não frequentasse esses territórios, profundidades e transcendência da superfície como eu iria encontrar minhas companheiras entidades, meus cabocos e minhas cabocas? E como eu poderia acreditar que eles e elas são autênticos, honestos e comprometidos com os que trabalham pela vida?

BA – E sobre aqui Manaus. Quais são as previsões?

ML – Olhem, se nós fossemos olhar e pensar através das perspectivas das representações dos poderes Executivo e Legislativos, tudo ficaria no mesmo. Na verdade, pior. Nós temos a pior bancada federal cujo caráter é golpista e é acometida de uma severa indigência intelectual. O que compromete o desempenho político-ético. Uma bancada de deputados estaduais, com pouquíssimas exceções, e uma bancada de vereadores sofrível. Também com pouquíssimas exceções. Por essas perspectivas 2017 será pior do que 2016, o ano perdido. Mas pelas perspectivas do povo amazonense e algumas categorias, o buraco vai ser mais em cima. Por incrível que pareça, até a classe dos professores, que é contagiosamente reacionária, vai fazer exame de autocrítica e vai infernizar, com toda razão o governador e o prefeito.

BA – Mas o governador parece que vai ser cassado definitivamente.

ML – Não importa. O governador que for vai andar nas pontinhas dos pés. Vai ter que ouvir os professores. E não só professores, os funcionários públicos em geral, porque são eles que fazem a máquina-produtiva e revolucionária do Estado se mostrar transformadora.

BA – Já que a senhora está falando sobre esses poderes, significa então que poderemos ter nas de 2018, para deputados algumas surpresas, já que os funcionários públicos ao tomarem consciência de suas importâncias para a sociedade, podem votar conscientemente, não votarem mais nesses golpistas atuais, e elegerem verdadeiros democratas.

ML – Certíssimo. Mas eu tenho uma previsão, nessa questão, para 2018.

BA (Ansiosos) – Qual?

ML (Sorrindo baforando) – O ex-deputado Francisco Praciano vai se candidatar, e ganhar com uma votação estrondosa.

BA (Batendo) – É isso aí, mãezita! E tem alguma previsão afirmando que alguns desses deputados reacionários não vão ser eleitos?

ML (Balançando a cabeça sorridente) – Tem algumas. Mas tem uma que vocês vão vibrar. É um deputado que é puta velha em mandatos. Já foi eleito tantas vezes que já poderia ter aposentadoria. Vou apresentar uma pista. Se dizia de esquerda.

BA – Será o…

ML – Eu não posso dizer, porque se não ele, sabendo que não ia ser eleito, não se candidataria, e não gastaria dinheiro na campanha. Como já ganhou muito, é melhor deixar que ele gaste inutilmente.

BA – Agora, Mão Luci, pra terminar duas perguntas. E a AFIN como vai ficar?

ML – Como sempre ficou: comprometida com as comunidades, trabalhando com a inteligência coletiva na produção de novas formas de existências, novas formas de ver, ouvir e pensar.

BA – Valeu. A outra pergunta é, será que o Flamengo vai conseguir ganhar do Vasco? Só mais uma: será que o Vasco volta para segunda divisão.

ML – A existência é vitória, derrota, empate e divisão, mas nada disso é fundamental para nós sermos felizes. O que conta mesmo é o trabalho coletivo que leva todos ao estado de comprometimento, solidariedade e, aí sim, a felicidade.

BA (Abraços e beijos) – Valeu, Mãe Luci! Boa atuação lá na Ponta Negra para espantar os falsos pais e mães de santos sem entidades.         

JONGO SERÁ O DEVIR-AFRICANO NO QUILOMBOLA DA MARAMBAIA NO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Novembro 17, 2015

rj-2870O jongo música e ritmo africano será o devir-afro dos moradores do Quilombo da Marambaia, na Praia Suja, na Baía de Sepetiba, Mata Atlântica, no Dia da Consciência Negra. O jongo, na urbe, tomou outra variação no talento de muitos compositores de samba, mas sem perder seus corpos devirianos.

Os ensaios estão com a coordenação da professora Bárbara Guerra, de 37 anos, que reuniu os estudantes interessados em fortalecer a cultura-afro. O jongo como é um ritmo eminentemente de percussão pede que os participantes tenham graça, molejo e entusiasmo rítmico para poderem expressar seu devir-afro.

rj-3059 rj-2824O Quilombola da Marambaia tem como representação a Associação dos Remanescentes Quilombolas da Ilha da Marambaia (Aqimar) que trabalha com os 430 moradores em seus 53 hectares de terra distribuídos entre 24 casas de famílias quilombolas. Os títulos das terras quilombolas foram entregues pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias.

Os ensaios são realizados na Escola Municipal Levy Brandão que conta com 61 estudantes, e a professora Bárbara Guerra tem a colaboração do professor de biologia Osmar Lima Estanislau, de 31 anos. O jongo é uma atividade contínua do Grupo Cultural Filhos da Marambaia, criado no ano de 2005. Bárbara canta junto com os participantes.

“Eu nasci,

Nasci de Angola.

Angola que me criou.

Hoje estou na Marambaia, moreno.

E Por isso negra sou”.

“A importância disso tudo não é manter, é continuar a história, porque sem história nós não somos nada. Falam que quem escreveu a história são os vencedores, mas cada um pode escrever sua história. No momento em que você escreve sua história, você já é um vencedor”, disse Bárbara.

O professor Osmar Lima tem como suporte de suas aulas o jongo, a capoeira e as atividades dos moradores do quilombo, como a pesca.

“Faço a integração da cultura com o meio ambiente nas aulas. Introduzo, sempre que possível, a capoeira, o jongo e procuramos mostrar para eles a nossa identidade. A escola tem um papel fundamental na tradição cultural.

Também falo de pesca e de coleta de molusco, porque aqui é muito comum o mexilhão. De como é importante tirar uma parte e deixar outra parte preservada. Se pegar um peixe que não tenha validade para a venda, devolver para o mar. A pesca é a atividade mais importante aqui na ilha da Marambaia”, disse o professor Osmar.

rj-2547 rj-3410 rj-3424Vitória Machado, estudante de 15 anos e participante dos ensaios, disse que o problema ainda é o preconceito.

“O preconceito é uma coisa muito primária, muito primitiva. Ele podia ser evitado com um pouco mais de conhecimento. Se eles os racistas conhecessem nossa história, a nossa cultura, talvez não tivessem esse preconceito”, observou Vitória.

Celebrar o Dia da Consciência Negra que ocorre no dia 20, com o jongo é uma elevada celebração.

O CARIMBÓ AGORA É PATRIMÔNIO IMATERIAL DO BRASIL. VIVA O PARÁ!

Setembro 12, 2014

Carimbó (Gustavo Serrate/Ministério da Cultura)

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural em votação unânime reconheceu o Carimbó, dança de origem indígena do Pará, como patrimônio imaterial do Brasil. Uma festa para os mestres Pinduca, Mestre Manoel e Verequete personagens imortais do carimbó. Eles representam, junto com o povo paraense e de outras localidades, memórias vivas de defesa da música e dança carimbo.

Para Jurema Machado, presidenta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o reconhecimento vai ampliar a visão pública sobre o carimbo.

“Significa o reconhecimento de uma tradição e prática cultural. E o Estado, junto com os detentores desta prática, é agora um parceiro na manutenção, na salvaguarda e na vitalidade desse bem”, disse jurema.

Durante a votação, a ministra da Cultura, Martha Suplicy, encontrava-se em Belém participando de uma festa expressando a música e a dança do carimbo, e acompanhou o reconhecimento por videoconferência e depois fez seu comentário.

“Quando se tem uma expressão cultural deste porte, e não há chancela do Estado, ela tende a desaparecer ao longo dos anos”, comentou a ministra.

Para o Mestre Manoel, do Grupo Uirapuru, de Marapanim, o reconhecimento vai possibilitar a elaboração de novas políticas públicas e mais apoio cultural.

“Foi uma luta de nove anos, uma luta sólida. Esta cultura vem de muitos anos, de nossos antepassados, de nossos irmãos índios. Herdamos a terra e temos que levar à frente essa manifestação, repassando para nossos filhos e netos, e para isso temos que trabalhar com políticas públicas”, observou Mestre Manoel.

Da nossa parte só temos que parabenizar o povo paraense e seus artistas do carimbó. Viva o carimbó!

VEJA E ESCUTE O DOCUMENTÁRIO “CHAMA VEREQUETE 1 E 2”

O TESTAMENTO DE JUDAS ANO 2014

Abril 19, 2014

Que tempo bom, amigos brasileiros! Que bom tempo de Páscoa! Tempo da passagem em meu amicíssimo Jesus Cristo. Transubstancial mudança sempre para melhor. Que alegria incontida de me encontrar novamente aqui no Brasil. Não podia ser diferente: eu amo vocês, brasileiros! E nesse tempo pascoal, tempo de Copa do Mundo, a maior expressão futebolística desse povo guerreiro que quer festa o ano inteiro. Tempo também de eleições. A festa democrática de um povo que soube suplantar uma ditadura desumana. Que tautologia a minha: toda ditadura é desumana.

É isso aí, amigos brasileiros! É isso aí, gente boa! É isso aí, gente fina! Aquela história mitificada e mistificada que inimigos de Cristo propagaram: que eu o traí por 30 moedas, não precisa mais tratar. Vocês já sabem o que verdadeiramente ocorreu. A história-real já explicou. Esse blog da Associação Filosofia Itinerante (Afin), também já explicou. Nossa luta era política. Cristo queria primeiramente a liberdade das almas individuais para depois realizar a liberdade coletiva. Eu pensava que deveria ser o contrário: a liberdade coletiva, primeiro. Errei. E feio, torcida brasileira!

Um povo não pode ser livre sem antes libertar sua alma individual. Cristo sabia disso. Esse o terrível medo dos imperadores romanos e judeus. O ladrão crucificado sabia dessa verdade. Barrabás, que era um militante político pró-Israel, também sabia. Barrabás, cujo sufixo aramaico Abbas, que significa pai, depois passou a ser o nome de uma banda sueca de rock romântico. Não é minha praia, mas fazer o quê? Por isso fizeram a propaganda para denegrir a Cristo e a mim. Todo tirano tem medo dos homens livres, por isso eles cultivam a escravidão. O medo do escravo é a grande segurança do tirano. Cristo era livre. Esse o medo dos tiranos. Para Cristo não havia dívida, não havia culpa para pagar, como quer Paulo. Nada de ressentimento, má consciência, remissão dos pecados, são invencionices dos que queriam Cristo como um tirano, como diz meu amigo filósofo Nietzsche.

Mas a verdadeira história já guardou em sua arqueologia o tempo verdadeiro da Boa Mensagem, e não a história mitificada e mistificada. Agora, se há ainda alguém que credita no tal do beijo da traição, para justificar sua ignorância, nada há o que fazer. Assim como não há o que fazer com alguém que acredita que 30 moedas poderiam comprar um Homem como Cristo.

A prova da trapaça histórica perpetrada pelos tiranos é a minha presença aqui junto de vocês. Se eu tivesse sido um traidor como eu estaria aqui no Brasil, com vocês, meus amigos, se esse é o país mais católico e cristão do mundo? Só se vocês fossem um povo otário. O que não é verdade. Se vocês fossem otários não teriam elegido o meu amigo Lula duas vezes e elegido Dilma, e não estriam prontos para reelegê-la. Quem é tão democrata assim, não é otário.  

Agora vou enunciar, com a permissão de todos vocês, o meu Testamento 2014. 

E agora preclaros brasileiros

Nesta festa pascoal

Vou abrir meu testamento

Com lembranças do bem e do mal

Porque amo esse povo

Desse país tropical.

Agora sem mais delongas

Vou enunciar meu testamento

Espero que cada agraciado

Mostre o seu contentamento

Pois se há coisa que não curto

É falta de reconhecimento.

 

Vou começar com minha amiga Dilma

Que governa com os sentidos e a razão

Por isso deixou-lhe inconteste presente

Sua comprovada reeleição

 

Ao meu companheiro Lula

Que faz tremer candidato afoito

Deixo-lhe a irrefutável realidade

Sua vitória em 2018.

 

Ao príncipe sem trono, Fernando Henrique

Campeão de rejeição

Deixo-lhe o Ulisses de James Joyce

Para lhe acompanhar na solidão.

 

Para o senador Aécio Neves

Candidato da ignara-burguesia

Deixo-lhe muito Sonrisal

Para tratar de sua azia.

 

Ao candidato Eduardo Campos

Socialista de fabulação

Deixo-lhe as orações de Marina

Para acalmar a frustração.

 

Para conspiradora TV Globo

Que todo dia perde audiência

Deixo a inteligência do povo

Para lhe levar a falência.

 

Para a trupe dos jornalistas reacionários

Que tramam contra o governo popular

Deixo-lhe o Troféu Cabo Anselmo

Para de sua missão se orgulhar.

 

Para a dublê de jornalista, Sheherazade

Apologista da tortura

Deixo a dignidade dos presos

Vítimas da ditadura.

 

Ao Paulo Henrique Amorim

Molière da ironia afiada

Deixo-lhe as virtudes de Serra

Uma fonte de piada.

 

Ao jornalista Mino Carta

Senhor de inteligência engajada

Deixo-lhe o elixir dos sábios

Para enfrentar a mídia depravada.

 

Aos companheiros da Carta Maior

A potência do jornalismo virtual

Deixo-lhes minha biblioteca

Inclusive a 1º edição do Capital.

 

Aos blogueiros-progressistas

Chamados pelos reaças de sujos

Deixo-lhes documentos inéditos

Que mostram quem são os ditos cujos.

 

Aos parlamentares calculistas

Que assinaram a CPI da Petrobrás

Deixo mais quatro anos pra Dilma

Pra eles curtirem seus ais.

 

Para burguesia-ignara

Cujo espírito é ambição e egoísmo

Deixo-lhe o fim de sua ilusão

A morte do neoliberalismo.

 

Aos médicos-burgueses

Defensores da medicina de mercado

Deixo-lhes o paciente do SUS

Feliz, confiante e curado.

 

Aos profissionais do Mais Médicos

Que os médicos-burgueses querem a destruição  

Deixo-lhes a fé inquebrantável

Praga de invejoso não pega em cristão.

 

Ao deputado Praciano

Que com o PT está frustrado

Deixo-lhe a essência do partido

Que ele não tem lembrado.

 

Ao prefeito Arthur Neto

Que se diz “orgulho do Amazonas”

Deixo o festival de buracos

Com Manaus enterrado em suas zonas.

 

Ainda para o prefeito do PSDB

Cuja administração é marketing puro

Deixo-lhe o quadro que lhe espera

Um fim de mandato obscuro.

 

E o transporte coletivo

Que por ele nada é feito

Reafirma mais uma vez

Que Manaus não tem prefeito.

 

Aos alienados professores de Manaus

Analfabetos políticos por opção

Deixo a inteligência dos estudantes

Para que mudem de profissão.

 

Para a imprensa do Amazonas

Submissa aos governadores

Deixo-lhe o calote desses

Para ver se criam pudores.

 

Aos ‘políticos’ do Amazonas

Que dos governantes são efeitos

Deixo o eleitor consciente

Para jamais sejam eleitos.

 

Para as igrejas pecadoras

Que exploram a fé do cristão

Deixo-lhes a falta de memória

Pra não lembrarem as palavras Deus e religião.

 

Ao ex-prefeito de Coari, Adail

Que se julga acima do bem e do mal

Deixo-lhe o julgamento preciso

Da Justiça Federal.

 

Em tempo de Copa do Mundo

Que para o brasileiro é paixão

Deixo-lhe o caneco de ouro

Embora não tenha seleção.

 

“Nem Cristo agradou a todos”

É o que se ouve falar

E eu como amigo Dele

Também não vou agradar

Por isso peço desculpas

A quem não pude presentear.

 

Porém prometo enviar breve

A lembrança a quem compete

Mas é preciso forçar o Senado

A provar o Marco Civil da Internet.

 

Agora acabo meu testamento

Impregnado de saudade

Mas crente que o brasileiro

Vai impor-se contra a maldade

Porque só ele pode produzir

A democracia com liberdade.

Beijos deste amigo iscarioticamente, Judas!

Festa, procissão e lavagem para Senhor do Bonfim e nosso pai Oxalá

Janeiro 18, 2013

glória a ti nessa altura sagrada
és o eterno farol, és o guia
és, senhor, sentinela avançada
és a guardo imortal da bahia.

dessa sagrada colina
mansão da misericórdia
dai-nos a graça divina
da justiça e da concórdia

aos teus pés que nos deste o direito
aos teus pés que nos deste a verdade

HINO DO SENHOR DO BONFIM DE João Antônio Wanderley

Igreja Senhor do Bonfim em 1911

Igreja Senhor do Bonfim em 1911

Ontem foi realizado a tradicional procissão a Igreja (ou Basiléia) do Senhor do Bonfim em Salvador. Uma festa que mistura fé e paganismo e que sempre é profana (do latim que leva para frente/fora [pro] do templo  [fanum]) pois leva para fora das igrejas  e dissemina por toda a cidade as crenças do católicismo, candomble, umbandismo e outras manifestações religiosas.

A procissão começa com uma missa na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia que fica no centro de Salvador, próximo ao Mercado Modelo e de onde sempre sai rumo a Igreja do Bonfim. Na festa sempre estão presente turistas, os afoxés (ou bloco afros), devotos do catolicismos, babalorixás e ialorixás, filhos de santo, simpatizantes e o povo bahiano.

Lavagem escadaria da Igreja do Senhor do Bonfim

Pobre não tem valor

Pobre é sofredor

E quem ajuda é Senhor do Bonfim

MADALENA DE Gilberto Gil

A procissão que tem por volta de 8 quilômetros atravessa todo o centro e alguns bairros até chegarem na Igreja do Bonfim, onde  as bahianas praticantes do candomblé fazem a lavagem com águas de cheiro e flores.

Esta bela produção ocorre há muitos anos, porém muitos ainda não sabem da história, raizes, e significados da procissão e lavagem da Igreja do Bonfim.   Por isto veremos o que Luís da Câmara Cascudo escreve sobre o Bonfim em seu dicionário de folclore:

“O Senhor Bom Jesus do Bonfim, na igreja de mesmo nome, bairro de Itapagipe, cidade de Salvador, Bahia, é centro de tradicional e popular festa em janeiro de cada ano, reunindo um número incalculável de pessoas que pedem graças, cumprem promessas ou apenas vão conhecer essa festa religiosa que já alcançou repercussão mundial. Em 1745 o capitão-de-mar-e-guerra da Marinha portuguesa Teodósio Rodrigues de Faria trouxe para a Bahia uma imagem do Senhor Crucificado, semelhante à que era venerada em Setúbal. Esta imagem chegou na Páscoa da Ressurreição, 18 de abril de 1745, e foi exposta na capela de Nossa Senhora da Penha, em Itagipe. Fundou-se uma associação para divuldar a devoção e os milagres do Bom Jesus do Bonfim; dez anos depois [em 1855] foi construído um templo, que passou a abrigar a imagem. As novenas começaram a ser celebradas sempre no segundo domingo depois da Epifania, Dia de Reis. O histórico está no livro de José Eduardo Freire de Carvalho, A devoção do Senhor Jesus do Bonfim e Sua História, Bahia, 1923. A casa dos milagres guarda incontável número de ex-votos como pagamento de promessas pelas graças alcançadas.  

Lavagem escadaria da Igreja Senhor do Bonfim

Mas qual a relação da festa com a lavagem e a procissão? E com as fitinhas coloridas para Promessas para Nosso Senhor do Bonfim? Câmara Cascudo continua sua explicação:

” Em sua festa, no mês de janeiro, a igreja pode ser vista a distância, toda iluminada, enfeitada com bandeirinhas e, ao redor, barraquinhas espalhadas vendendo uma variedade de comidas e bebidas típicas, fitas votivas, imagens, etc. O Senhor do Bonfim é identificado como o maior dos orixás iorubanos: Orixalá ou Oxalá.

A lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim, que acontece durante a comemoração da data, é realizada pelas filhas-de-Oxalá e constitui um grande acontecimento de fé e devoção.”

fitinhas coloridas do Senhor do Bonfim Bahia Salvador

E assim todos os anos, geralmente na segunda quinta-feira do mês de janeiro com muita alegria, festa, e um ritual religioso sagrado e profano; da religião dos colonizadores e dos negros que a trouxeram da Áfica; do mais popular ao mais requintado; de Salvador para o Brasil.

E quem quiser participar da procissão em Salvador não esqueça de comprar antes suas fitinhas, fazer uma promessa e amarrar no portão da Igreja que o santo milagreiro tem muita força e axé.

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A MALHAÇÃO INTEMPESTIVA DO JUDAS CAMARADA 2011

Abril 25, 2011
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Dizem por aí as línguas maléficas – não pelo poder de causar malefícios, mas pela sua impotência em colocar qualquer tese – que a catártica brincadeira da Malhação do Judas no Sábado de Aleluia está se acabando. Quem diz isso é a ecolalia da mídia sequelada, porque nos bairros e comunidades a tradição continua tanto em sua forma ortodoxa quanto com novos elementos de atualização da festa do discípulo preferido de Cristo, o filho de Maria.

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E é nesse sentido de inovação que a Afin realiza todos os anos com uma garotada da zona leste de Manaus e outras áreas. A começar que o evento se realiza no domingo e não no sábado, o que não tem mesmo importância depois que um historiador descobriu que a última ceia não ocorreu numa quinta, mas sim numa quarta-feira. Para a moçada afinada quem faz a data é a afecção produtora da alegria de se encontrar com o Judas camarada.

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Pra começar, foi feita uma encenação improvisada na rua Rio Jaú por dois atores da Afin, mais a talentosa atriz Pollyana, que interpretou Maria Madalena e mais o Anderson e o Erick, que fizeram um centurião romano e uma criança respectivamente.

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JUDAS (Gritando de um lado) – Jesus! Jesus!

JESUS (Gritando de outro lado) – Judas! Judas!

JUDAS – Eu estava te procurando.

JESUS – Eu também estava te procurando.

JUDAS – Estão querendo me colocar contra ti.

JESUS – Já escolheram até a árvore onde deves te enforcar.

JUDAS – Eu sei.

JESUS – Estão propagando que vais me trair por 30 denários.

JUDAS – Que aqui no Brasil equivale a 30 reais.

JESUS – Uma revolução não vale 30 reais; vale a dignidade de um povo.

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MADALENA (Entrando) – Jesus! Vem nos salvar! Vem salvar teu povo!

JESUS – Eu vou salvar, mas não só eu. Eu vou com você, Madalena. Eu vou com você, companheiro Judas!

UMA CRIANÇA (Vindo da plateia) – Jesus, as crianças estão contigo.

JESUS – Então vamos todas as crianças, todas estas senhoras que estão aqui, toda a população, porque um povo revolucionário salva a si mesmo.

TODOS – Abaixo à tirania! Abaixo à tirania! Abaixo à tirania!

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Depois deste entendimento de uma verdadeira Páscoa como libertação, passou-se às brincadeiras envolvidas na ludicidade-judas, onde todas as crianças participaram, dançando, cantando, pulando, de acordo com os afetos que passaram sem bloqueio pela dor das paixões tristes ao livre movimento dos corpos.

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Depois dessa movimentação toda, era hora de repor as energias com um desbrocante, também chamado mata-broca, um cachorro-quente preparado pela companheira Ana Cristina e a Bianca.

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Então veio o momento da malhação, que, como a Afin tem feito um trabalho pedagógico ano a ano de desmitificação e desmistificação da traição de Judas, assim como nada há de ver com Cristo quanto a uma vingança movida pelo ressentimento, a malhação se dá entre risos e gargalhadas, como uma brincadeira e não pelo ódio que move os impotentes.

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E pra finalizar a festa, quando cada criança já tinha pegado um pedaço, uma peça de roupa do amigo Judas, além dos bombons e outras guloseimas que haviam em sua vestimenta, veio aquele sorvelito do Noelson e as bolotas de chocolate feitas pela Lucicleia e outros afinados.

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Numa Páscoa com essa produção alegre da liberdade, com um Judas companheiro desses é que a moçada Afin e toda a criançada vão tecendo os encontros para realizar uma outra cidade, um outro mundo possível. Valeu, manô!

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