Archive for Junho, 2012

Notas Pixadas

Junho 30, 2012

  • O Projeto MPB Petrobras que está comemorando 15 anos e traz como convidado desta edição Hermeto Pascoal & Grupo. A abertura da nova edição do projeto será em Brasilia no Teatro Nacional Cláudio Santoro nesta terça e quarta (3 e 4) terá também o duo Junior Ferreira e Victor  Angeleas que têm como influência Jacob do Bandolim, Radamés Gnattali, Pixinguinha e Astor Piazzola, dentre  outros. Entradas prapularem a 20 reais.                  
  • Hoje (30) é o grande dia de estréia da “10ª Mostra Brasileira de Dança” que acontece até o próximo dia oito no Teatro Luiz Mendonça em Recife. E na estreia às 20:30 hrs apresenta os espetáculos Coreografias Ballet 101, Bachiana Nº 01, Dom Quixote e Gnawa.  A mostra tem também espetáculos baseados em balés, rituais afrobrasileiros, islâmicos, pinturas obras literárias, entre outros e estará presente em vários espaços de Recife e Olinda como o Alto da Sé, em Olinda, o Parque da Jaqueira, Teatro de Santa Isabel, Parque Dona Lindu, Teatro Barreto Júnior entre outros. Haverá ainda Oficinas de Iniciação e Aperfeiçoamento em Dança em diversos ritmos.
  • O Cine Clube Dragão do Mar em Fortaleza exibe hoje (30) às 16 horas um crássico do cinema nacional, o  nosso “Estranho encontro”de  Walter Hugo Khouri de 1958, com classificação de 12 anos e entradas gratuitas.
  • O Rei do Baião tá tão em voga que até ganhou uma exposição… “O IMAGINÁRIO DO REI – VISÕES SOBRE O UNIVERSO DE LUIZ GONZAGA” está aberta até agosto no Memorial da Cultura Cearense do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura até o dia 18 de agosto. Ela reune além das obras de arte criadas – quase todas especialmente para a  mostra em varias técnicas e linguagens de expressão – fotografias, esculturas, apresentações musicais, livros, CDs e quatro filmes que serão exibidos na exposição. Então não deixe de visitar este espaço do grande mestre Lua.

  • O Museu da Imagem e do Som de São Paulo abre nesta terça-feira (3) a exposição “Mágico do Cinema”, que traz seis seções levam o espectador a conhecer quem foi o mago do cinema Georges Méliès e as suas invenções fantásticas. Cada seção conta um pouco da história como: Méliès Mágico, Méliès Mágico e Cineasta, O Estúdio Méliès, O Universo Fantástico de Méliès, A Viagem à Lua e Fim.
  • O Pará está em festa com a realização do 6º Festival Cultural de Verão que passa por Belém e o Interior do Estado com muita música, desfile de moda, espetáculos teatrais e exibição de curtas,  tudo com entrada gratuita. Em Belém, o evento acontece às segundas-feiras, na Praça do Carmo, e às terças e quartas, no  Píer das Onze Janelas. Às sextas e sábados, o Festival chega ao interior do Estado, este ano  com programações em Cametá, Vigia, Bragança e Soure, com espaço para a  participação dos artistas de cada localidade. Vai ter muita coisa boa com o teatro de rua, orquestras de rabecas e muito mais, confir
  • Hoje (30) no Rio de Janeiro acontece às 18 horas na praça em frente a Biblioteca Parque de Manguinhos, a tradicional festa junina de roça baião de Dois  com  muitos jogos, comidas típicas, danças caipiras e forróbodó ao vivo com  Cassiano e Trio Beija Flor, Carlinhos Calixto e Trio Nordestinidade.
  • O Grupo de Educação Popular organizou a festaça hoje (30) a partir das 15 horas para todos no Arraial Contra as Remoções, na Capela Nossa Senhora do Livramento do Morro da  Providência. A festa contará com presença da banda Corisco e será exibido o filme Distopia  021. Para chegar tem que pegar a kombi no começo da Rua Senador Pompeu (do lado da Estação Central do  Brasil) e pedir para descer na Igreja do Livramento (ao lado da Embratel). Ou ir a pé (veja mapa) pela Rua Bento Ribeiro (Rua da Central do Brasil) , virar à direita na Rua  Barão de São Félix, entrar na primeira rua (Visconde da Gávea) à esquerda, e seguir  até  subir a Ladeira do Barroso.

  • O SESC Belenzinho em São Paulo recebe hoje e amanhã (30 e 1º) o solo  Ocorrências, do bailarino Wellington Duarte que é baseado no pensamento do filósofo francês, Maurice Blanchot, para quem o método é  etimologicamente uma via, um caminho ou uma pluralidade de caminhos. Assim o movimento corporal é constante e não linear, e vai fazer você se movimentar.


  • O Grande Circo de Rua Alegria que é formado por crianças e adolescentes de Alto da Terezinha em Salvador está com seu espetáculo circense “FOME DE CIRCO!” , resultado da oficina de teatro comunitário que acontece a oito anos, aos sábados e domingos, das 09 às 12h, na quadra da Associação Criança e Família do Alto da Terezinha. O espetáculo será apresentado de 01 de Julho a 26 de  Agosto, nas comunidades periféricas de Salvador, sempre a partira das 16:00 horas. No  dia 02 de Julho a apresentação será realizada na Praça 2 de Julho (Campo Grande).  Vai ter muito malabarismo(3 e 4 bolas, 3 e 4 claves, passe com 6 e 7 claves),  acrobacias, palhaço e monociclo standard e girafa.

 Das tentativas em se criar o cinema brasileiro em cartaz nas salas de projeção “A febre do rato”

 

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Gilberto engendra em Gil

Junho 29, 2012




Photo graphein: Robert Mapplethorpe

Junho 28, 2012

Kinemasófico: Os contos do coelho Peter

Junho 27, 2012

Neste kinemasófico dominical a festa foi composta no alegre encontro entre as crianças do Novo Aleixo e também com o cinema. Desta vez o encontro trouxe as belas imagens de

OS CONTOS DO COELHO PETER



Título Original: The world of Peter Rabbit and friends

Ano: 1992

Diretor: Geoff Bunbar (Baseado nos contos de Helen Beatrix Potter)

País: Reino Unido

Duração : 105 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : O coelho Peter traz três histórias animadas que encantam gerações: A primeira chamada “Conto do gatinho Tom e da pata Jemima” conta a história de três gatinhos muito sapecas que dão muito trabalho para sua mãe que quer deixa-los bem arrumado e também a Pata Jemima, que além das brincadeiras dos gatinhos tem que aturar as outras patas que não acreditam que ela consegue chocar seus ovos. Assim ela procura um novo lugar onde possa chocar sossegada, e logo recebe uma proposta de um elegante lobo.
A segunda história “Conto de Samuel, o rato” conta a história de um gatinho que é capturado pelo rato Samuel e que pretende cozinha-lo pro jantar. A último é o “Conto do porquinho Bland Bland” que conta a história deste porquinho e seu irmão guloso e desajeitado Alexandre que vão fazer compras para sua mãe. Porém vários acasos vão acontecer.


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O Kinemasófico é um vetor cinematográfico que a Afin realiza todos os domingos à boca da noite, contando com um curso artístico (teatro, cinema…), sempre com a apresentação ao final da atividade de um cinema. Mais informações, clique aqui.

O artista Alfredo Volpi e as bandeirinhas de São João

Junho 26, 2012

Bandeirinhas e Mastro – Volpi

Alfredo Volpi -Bandeirinhas com mastros e fitas

Alfredo Volpi- Festa de São João

 

Viva a festa do São Bumba-meu-boi João

Junho 26, 2012

Eu conhecia do Bumba-meu-boi aquilo que se lê nos dicionários de folclore e nos raros livros disponíveis. Definições como a de Alceu Maynard de Araújo: “O bumba-meu-boi é um bailado popular largamente praticado no Brasil, no qual se nota a presença de vários elementos da arqueocivilização: animais que falam e dançam, a ressureição do boi, animal este que, para alguns autores, é um elemento totêmico. Há um pequeno enredo, de grande simplicidade, sendo que após algumas peripécias, matam o boi e sua carne é distribuída. É uma reminiscência do banquete totêmico ou tal distribuição simbólica, feita por um cantador, um trovador que sempre provoca hilariedade, não representará o antigo “pottlach ?”

Sabia que o Boi, em cada região do Brasil, apresentava-se com características absolutamente peculiares e que, no Maranhão, apresentava-se sob quatro formas diferentes: Boi de Matraca, Boi de Zabumba, Boi de Pindaré e Boi de Orquestra, cada qual com suas variantes. Sabia que, em algumas delas, o auto ainda é mantido enquanto que em outras permanecem alguns personagens (vaqueiros, caboclos de pena, Cazumbá, Pai Francisco, Mãe Catirina) e que a parte mais valorizada das “toadas de boi”, improvisos “puxados” pelos “amos do boi” durante toda a noite e repitidos pelo coro dos “brincantes”, como lá são chamados os participantes dos folguedos populares.

São Luiz

Naquela noite morna de São João, tive meu primeiro encontro com o Boi-Bumba do Maranhão. E meus olhos, meus ouvidos, meu coração foram pequenos para sentir toda a beleza, sem dúvida a mais incrível festa que eu já presenciei. Cesário, meu irmão e companheiro nessas andanças, seguia silencioso, ouvidos atentos, gravador em punho, procurando fazer com que pelo menos uma parte de tudo aquilo ficasse fielmente documentada. Foi graças a Américo Azevedo, um apaixonado pelo folclore maranhense, que conseguimos chegar mais perto do Boi. Seus amigos (entre eles, o Gregório Bacic, da TV cultura de São Paulo e velho admirador do Boi do Maranhão) nos levaram até o bairro Madre Deus, atravessando a cidade com suas ruas estreitas, seus velhos casarões, janelas, portões literalmente entupidos de gente alegre, viva, comunicativa.

A chegada no Bairro Madre Deus foi uma experiência extraordinária. Nos contaram que, até há pouco tempo atrás, era um bairro marginal, fechado, no qual “nem a polícia entrava”. Agora as coisas mudaram um pouco, mas continua difícil um forasteiro chegar lá. Madre Deus é um bairro pobre como tantos, em tantas cidades brasileiras. Mas na noite de São João, na noite do Boi, ele se transforma: as ruas ficam embandeiradas e, de espaço em espaço, grandes fogueiras iluminam as casas, os rostos dos homens que, junto ao fogo, afinam os grandes tambores do Boi. A sensação que tivemos foi a de atravessar um túnel do tempo, de entrar numa nova dimensão,num outro mundo.

Tabaco (Boi da Madre Deus)

Fomos à casa do Tabaco, o “dono do Boi’ da Madre Deus, quem organiza a festa e, antes disto, os ensaios (que começavam a se realizar em abril), quem distribui os vários papéis entre os “brincantes”, prepara a grande festa da morte do boi, lá pra fins de julho. Tabaco resolve todos os problemas: os da brincadeira do boi e os da pequena comunidade do bairro e, por força de sua liderança, acaba se transformando numa espécie de “prefeito” de Madre Deus. Quando falei disso, ele riu, satisfeito, acrescentando que “ser dono de boi é uma canseira danada, mas que vale a pena”.

Boi de Anthero

A  casa de tabaco vivia sua noite de glória e confusão. No meio da sala, vestido com um pequeno manto todo bordado de miçangas e pedrarias, a “pele” do Boi. No dia seguinte, Tabaco me mostrou uma dezena delas: todas bordadas com os motivos alegóricos de cada ano (A descoberta do Brasil, A primeira missa, Os mártires da Inconfidência, Alegria do povo, etc.). Nisso ele gasta um dinheirão. Mas, onde é que já se viu um Boi sem “pele” ? E por toda casa circulavam os “caboclos de pena” com suas incríveis fantasias de penas de ema (“ema, agora, não tem mais, então, a gente usa as penas daqueles espanadores, dos grandes, e cada fantasia fica num dinheirão”). Alguém já se encarregava de “molhar” o Boi e a garrafa de cachaça corria, fraternalmente de boca em boca, porque “boi seco” é um boi absolutamente desmoralizado.

Tabaco deu ordem para começar. Saímos de sua casa e fomos a um pequeno largo, pouco mais abaixo. E, realmente, a “coisa” começou. Não sei de onde, um som enorme tomou conta de tudo. Um som indescritível, uma batida, uma cadência que não tinha nada a ver com as que eu conhecia. Primeiro foi o “amo” “puxando a toada, depois os tambores-onça, depois as matracas (duas tabuinhas, semelhantes a dois pequenos tacos de assoalho), centenas delas batendo. Isso durou talvez meia hora, talvez mais. Depois tambores e matracas silenciaram e o povo começou a entrar numa capelinha, entoando rezas e ladainhas. Entramos também e lá, diante do altar repleto de imagens de santos e bandeirolas, estava o Boi, velas acesas sobre os chifres. Era o batizado do Boi, “porque não presta o Boi sair assim, pagão”.

Boi de Anthero

Só depois do batizado é que o Boi saiu à rua. Aí finalmente, o som dos tambores e das matracas, o canto, a dança e a brincadeira começaram. E só terminariam às nove horas da manhã seguinte, “quando o sol já estivesse alto, porque um Boi que volta para seu bairro antes do amanhecer é mal-falado o ano todo.

Na face A deste disco, tentamos dar uma ideia da Riqueza e beleza do Boi-bumbá do Norte. A beleza musical das toadas está exemplificada em “Me dá, me dá, Moreninha”, recolhida por Vicente Salles, na praia do Mosqueiro, Pará. “Boi-Bumbá” é um exemplo de um compositor erudito ou semi-erudito como Waldemar Henrique, inspirado em tema de Boi. Boi do Amazonas é outro tema de Boi, recolhido por Walter Santos. Com o Boi de Madre Deus fizemos uma colagem, reunindo toadas, batizado e entrevistas. Uma delas foi com Zé Igarapé, um velho “amo” de boi, da “turma de 1905”. Uma figura maravilhosa, respeitadíssimo e considerado pelo pessoal do Boi da Madre Deus uma espécie de patrono, de líder espiritual. Depois, seguem exemplos de Boi de Orquestra, Boi de Zabumba (Guarnicê) e Boi de Pindaré (Urrou), os vários sotaques do Boi maranhense. Guarnicê e Urrou são duas partes mais características da representação do Boi-bumbá. Finalizando mostramos uma gravação de 1938, realizada por uma equipe dirigida por Mário de Andrade, no tempo do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, o trabalho mais sério que já se fez (e isso há quase quarenta anos), no campo da cultura popular, e que prova a permanência das características fundamentais do Boi ao longo de todo esse tempo.

 

CAROLINA ANDRADE, Companheira de Marcus Pereira e coordenadora do projeto “Mapa Musical do Brasil” da nossa música popular. Os textos e fotos estão presente no disco “Música Popular do Norte vol.2” lançado como parte do projeto citado acima pelos Discos Marcus Pereira, e que até hoje é um dos principais registros de nossa cultura, música popular, danças e folclore.

Para baixar este disco ou conhecer mais sobre a coleção “Mapa Musical do Brasil”, clique aqui.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Junho 26, 2012
Bruxelas, janeiro de 1881

O corcunda de Notre Dame: Quasimodo salvando Esmeralda ( 1844), LEMUD


Notre-dame de Paris: Quasimodo sauvé Esmeralda, Paris, Biblioteque Publique


Van Gogh está mais tranquilo e melhor adaptado. Ele está trabalhando com modelos e ainda quer ser um ilustrador de livros e revistas. Ele fala sobre algumas referências em retratos do cotidiano e costumes:

” Meu Caro Théo,
Quase todos os dias tenho algum modelo; um velho contínuo, ou algum operário, um moleque que eu faço posar. Domingo que vem, talvez eu tenha um ou dois soldados que virão posar. E como agora não estou mais de mau humor, faço de você, e de todo o mundo em geral, uma idéia completamente diferente e melhor. Também voltei a desenhar uma paisagem, uma chameca, o que não fazia há muito tempo.
Gosto muito de paisagens, mas gosto dez vezes mais daqueles estudos de costumes, às vezes de uma verdade assustadora, como os de Gavarni, Henry Monnier, Daumier,  de Lemud

François Joseph Aimé de Lemud foi um pintor, esbocista, litógrafo, gravurista e ilustrador de livros francês. Ele ficou famoso por ilustrar magestosamente a edição de 1844 do livro “O corcunda de Notre Dame” de Victor Hugo, além de As canções de Béranger. Ele é classificado como pintor romântico.

Nascido em 1816 em Thionville filho de um bem sucedido coletor de impostos. Ele começou seus estudos na Escola de Arte de Metz. Ele ensinou arte para seu irmão Ferdinand de Lemud que logo se tornou pintor. Embora negasse qulquer ancestralidade germânica, ele sem dúvida imbuiu sua arte com um gosto do medievalismo que se mostrou algo exótico para os românticos franceses.

Em viagem a Paris, Lemud melhora bastante sua técnica de pintura, que posteriormente aos 22 anos deixaria de lado pela gravura. No fim da década de 1830 ele começa a colaborar com a revista de arte L’artiste (O artista). Em 1837 publicou seu evocativo “Monges preparando uma confissão” que conquista um grau de intensa atenção similar a absorção de seus admiradores. Nas publicação das historietas de Hoffman, Lemud fez sua fama. Maître Wolframb foi comissionado por Adolphe Goupil, o maior editor de impressões de Paris,  e deriva da história curta que posteriormente se tornaria a base da ópera “Os Mestres cantores de Nuremberg). O agrupamento de figuras atentas em volta da performance de Wolfram von Eschenbach é com certeza um precendente do “Após o jantar” de Courbet.

O crítico Jules Janin exclamou nas páginas de O Artista” M. Aimé de Lemud é um recem-chegado que apareceu onte: há apenas seis meses atrás ninguém sabia seu nome. De repente, nas vendas de gravuras, as pessoas descobrem um admirável desenho intitulado Maitre Wolframb. O gênio de Hoffman para fantasia nunca inventou nada como isto’ Imediatamente as pessoas param seu caminho frente ao trabalho de M. de Lemud, seu nome voa de boa a boca, e seu trabalho é comprado. Desconhecido hoje, aqui ele é famoso hoje.

Ao citar seu contemporânio, o acadêmico das gravuras, Henri Beraldi, não deixou o comentário mordaz de Janin: “Quando eu te digo que nada é mais fácil que a glória- alguém apenas a mereceu. Para Beraldi, era ainda tentador imaginar alguém sendo parte da cena; para ser (nas palavras de Janin) encantado, tênue pela intima e poderosa docura de um desconhecida melodia.” Lemud aprendeu certamenteme dos litógrafos das gerações anteriores, Aubry-Lecomte para a frente entre eles, como persuadir o meio exprimindo texturas sedosas e sutis efeitos claro-escuro (chiaroscuro effects). Mas sua última realização foi aliar esta façanha técnica com uma motivo que apelava fortemente para a sensibilidade de seus contemporâneos.

Ele foi provavelmente o primeiro litógrafo a ter uma visão independente do que seria essencialmente- embora não exclusivamente- expressada atravez de um novo meio. Admirado por Baudelaire, os Pré-Rafaelitas e Van Gogh, ele foi identificado mais recentemente por Michael Fried como fornecendo “uma fonte positiva e (…) um rival a ser superado” quado o jovem Courbet estava planejando seu decisivo início do seu “Após o jantar em Ornans”.

O caso de Lemud porém mostra como um artista marginal, e um ilustrador livre das expectativas tradicionais, pode em pouco tempo ocupar o centro do palco. Em 1863 ganhou uma medalha no Salão de pintura, o Salon de Paris, por uma gravura de Beethoven.

Ele morreu em 1887 em Nancy.

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

ENTES DO FOLCLORE BRASILEIRO: O Curupira

Junho 25, 2012

CURUPIRA. Um dos mais espantosos e populares entes fantásticos das matas brasileiras. De curu, contração de curumi,e pira, corpo, corpo de menino, segundo Stradelli. O Curupira é representado por um anão, cabeleira rubra, peãs ao inverso, calcanhares para a frente. A mais antiga menção de seu nome fê-la o venerável José de Anchieta, de São Vicente, 30 de maio de 1560: “ É coisa sabida e pela boca de todos que há certos demônios e que os brasis chamam Corupira, que acometem aos índios muitas vezes no mato, dão-lhe de açoites, machucam-nos e matam-nos. São testemunhas disso os nossos irmãos, que viram algumas vezes os mortos por eles. Por isso, costumam os índios deixar em certo caminho, que por ásperas brenhas vai ter ao interior das terras, no cume da mais alta montanha, quando por cá passam, penas de aves, abanadores, flechas e outras coisas semelhantes, como uma espécie de oferenda, rogando fervorosamente aos Curupiras que não lhes façam mal”. Nenhum outro fantasma brasileiro colonial determinou oferenda propiciatória. Demônio da floresta, explicador dos rumores misteriosos, do desaparecimento de caçadores, do esquecimento de caminhos, de pavores súbitos, inexplicáveis, foi lentamente o Curupira recebendo atributos e formas físicas que pertenciam a outros entes ameaçadores e perdidos na antiguidade clássica. Sempre com os pés voltados para trás e de prodigiosa força física, engana caçadores e viajantes, fazendo-os perder o rumo certo, transviando-os dentro da floresta, com assobios e sinais falsos. Ver: Barbosa Rodrigues, Poranduba Amazonense; Osvaldo Orico, Mitos Ameríndios; Luís da Câmara Cascudo, Geografia dos Mitos Brasileiros e notas a  Poranduba, edição Briguiet. Do Maranhão para o sul até o Espírito Santo, o seu apelido constante é caipora. Ver Caipora, Kilaino, Matuiús. Eduardo Galvão, Santos e Visagens, Brasiliana, São Paulo, 1955, informa: “Currupira é um gênio da floresta. Na cidade ou nas capoeiras de sua vizinhança imediata não existem currupiras. Habitam mais para longe, muito dentro da mata. A gente da cidade acredita em sua existência, mas ela não é motivo de preocupação porque os Currupiras não gostam de locais muito habitados. Gostam imensamente de fumo e de pinga. Seringueiros e roceiros deixam esses presentes nas trilhas que atravessam, de modo a agrada-los ou pelo menos distraí-los. Na mata os gritos longos e estridentes dos Currupiras são muitas vezes ouvidos pelo caboclo. Também imitam a voz humana, num grito de chamada para atrair as vítimas. O inocente que ouve os gritos e não se apercebe que é um Currupira e dele se aproxima perde inteiramente a noção do rumo”. O estado de São Paulo, pela lei de 11 de setembro de 1970, assinada pelo governador Roberto Costa de Abreu Sodré, “institui o Curupira como o símbolo estadual do guardião das florestas e animais que nelas vivem”. No município de Olímpia, neste estado, por mais de trinta anos consecutivos não são assinados quaisquer documentos oficiais durante a semana em que ocorre o Festival de Folclore, no mês de agosto, período em que a autoridade municipal é representada pelo Curupira, que exerce seu poder protegendo a população local e os visitantes que ali comparecem, pássaros, matas, etc. No Horto Florestal da capital paulista há um monumento ao Curupira, inaugurado no Dia da Árvore, 21 de setembro.

CASCUDO, Luis da Câmara. Dicionário do Folclore brasileiro. São Paulo: Global, 2001, 11ª Ed.  

Para baixar e ler o gibi do curupira clique aqui

Photo graphein: Omar Vega

Junho 25, 2012

Alfredo Volpi e suas bandeirinhas juninas

Junho 24, 2012

 

Alfredo Volpi foi um pintor italiano nascido em Lucca em 1896, mas que com um ano de idade veio com sua família para o Brasil e residindo em São Paulo. Ainda criança, estuda na Escola Profissional Masculina do Brás e posteriormente arranja ofício de marceneiro, entalhador e encadernador. Em 1911, torna-se pintor decorador de ambientes e começa a pintar sobre madeiras e telas. Sua primeira obra é datada de 1914 e até 1930 sua pintura tem como base a aproximação naturalista das formas e cores, resolvidas de maneira impressionista ou expressionista. Em 1925 inicia sua participação em mostras coletivas e dois anos depos conhece Mário Zanini  sobre quem exerceu grande influência.

Na década de 1930 passa a fazer parte do Grupo Santa Helena onde conheceu sua grande influência, o pintor Ernesto de Fiori, e estudou junto com vários artistas, como Mário Zanini e Francisco Rebolo. Em 1936, participa da formação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo e integra, no ano seguinte, a Família Artística Paulista – FAP. Sua produção inicial é figurativa, destacando-se marinhas executadas em Itanhaém, São Paulo. No fim dos anos de 1930, mantém contato com o pintor Emídio de Souza.

Desenvolve a partir de então um cromatismo mais vívido, em detrimento da textura, quase translúcida. Participa em 1938 do Salão de Maio e da I Exposição da Família Artística Paulista, ambos em SP. Em 1939, após visita a Itanhaém, inicia série de marinhas. Participa do VII Salão Paulista de Belas-Artes em 1940. Ainda no mesmo ano, ganha o concurso promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, com trabalhos realizados com base nos monumentos das cidades de São Miguel e Embu e encanta-se com a arte colonial, voltando-se para temas populares e religiosos. Realiza trabalhos para a Osirarte, empresa de azulejaria criada em 1940, por Rossi Osir. Em 1941, do XLVII Salão Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro, da I Exposição do Osirarte e do I Salão de Arte da Feira Nacional de Indústrias, em São Paulo. Sua primeira exposição individual ocorre em São Paulo, na Galeria Itá, em 1944.

Em 1950 viaja para a Europa e visita a Itália na companhia de Rossi Osir e Mário Zanini. Seduz-se com a arte renascentista e dos góticos, principalmente Giotto. Substitui, nesse período, gradativamente o óleo pela têmpera. Inicia, também, uma fase construtivista, que compreende um período estático, com fachadas e casas abstraídas, seguido a uma fase construtivista, que se transforma nos anos 60, em esquemas óticos e vibráteis puramente cromáticos, das bandeirinhas e fitas. Recebe em 53, o prêmio de Melhor Pintor Nacional da II Bienal Internacional de São Paulo, dividido com Di Cavalcanti , e com o qual adquire fama.

Os geométricos paulistas o apontam como seu precursor. Participa da XXVII Bienal de Veneza. Em 1956-57 participa da I Exposição Nacional de Arte Concreta e mantém contato com artistas e poetas do grupo concreto. Em 1957 tem sua primeira retrospectiva, no MAM – Rio. Em 1958,  recebe o Prêmio Guggenheim; em 1962 e 1966, o de melhor pintor brasileiro pela crítica de arte do Rio de Janeiro, entre outros.  Em 1975, no MAM – SP e em 1976 no MAC – Campinas.

Em 1980, a galeria A Ponte, em São Paulo, faz a exposição retrospectiva Volpi/As Pequenas Grandes Obras/ Três Décadas de Pintura. Em 1984 participa da mostra Tradição e Ruptura, Síntese de Arte e Cultura Brasileiras, da Fundação Bienal. Em seu aniversário de 90 anos, o MAM-SP faz a exposição Volpi 90 Anos. Morre em 1988, em São Paulo.

Em 1993 a Pinacoteca do Estado de São Paulo expõe Volpi – projetos e estudos em retrospectiva, Décadas de 40-70. Em Bienais, participou da I, II (Prêmio dePintura Nacional), III, IV (Sala Especial) e XV. Participa da mostra Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal.