Archive for Junho, 2010

Cri-ações: Roy Lichtenstein

Junho 30, 2010

Com este nome de artista

Empopizando todas artes

Com seus traços e pontos

Presente em todas partes

Quadros que se fazem falar

Como num quadrinho

Com a mão precisa

que corta o papel

E cria a vida no seu jeitinho

Alegre

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Juninartes: Luiz Gonzaga- Quadrilhas e Marchinhas Juninas

Junho 30, 2010

“O Luiz Gonzaga foi que começou tudo, foi quem inseriu e fez com que o zabumba e o triangulo fosse tocado pela primeira vez em uma estação de rádio no Sul. Luiz Gonzaga foi quem levou com dignidade o ritmo nordestino sem esta coisa de música de ponta de rua, que hoje aliás é chique se chamar o forro de pé de serra, mas naquele tempo era altamente pejorativo e o Gonzagão pegou o nosso gênero musical do nordeste e levou pro Sul onde os veículos de comunicação divulgavam a cultura, que naquele tempo até o Nordeste vivia do que se tocava em São Paulo e Rio e o Gonzaga fez a operação inversa, levou a música nordestina pro Sul e conseguiu fazer um sucesso fora de sério e acho que pouca gente igualou o sucesso de Gonzagão com a música nordestina. (SIVUCA)”

Luiz Gonzaga pernanbucano nordestino rei do baião. Pai de Luiz Gonzaga Jr. (o Gonzaguinha) e filho de Januário. Sanfoneiro e criador do terno Sanfona-Zabumba-Triangulo. Viveu uma infância sofrida em Exu no mar sertão, decidiu mudar a vida pegou sua sanfona e colocou no matulão. Viajou então para o Rio, tocou na zona do mangue, moro em vários muquifos, conquistou todo o mundo e juntou os rico e os pobre. Sabido como só ele, propagou sua criação, para que a alegre cultura nordestina hoje fizesse presença, e o forró rasgou o chão. Quando teve que partir, Gonzagão deixou o seu legado, virou tema de cordel, e até hoje trás  a alegria, ao nosso povo sofrido para que nunca se sinta humilhado.

“Toda historia do baião do grande sucesso começou no Rio de Janeiro, o Luiz Gonzaga tinha chegado no início da década de 40, tinha se erradicado aqui no Rio, tinha feito seu circulo, tocava no mangue, tocava na noite, estabeleceu o contato com os músicos cariocas que vieram a criar a sonoridade com ele, os irmãos Marinho, Dino, o pessoal do regional carioca, o cavaquinho, violão de 7 cordas, junto com o triangulo e a sanfona, aquilo tudo criou o som que ele gravou em 56, “O baião”, e aí foi uma série de músicas culminando já no inicio da década de 50 com a música que ele fez sobre o Rio. (Gilberto Gil)”


Quadrilhas e Marchinhas Juninas

No nordeste com o encontro cultural das culturas mouras/arabes, holandesas, francesas, a cultura nordestina se diversificou em diversas festas e tradições. As quadrilhas tem vem de uma tradição dos camponeses franceses e o forró da influência árabe.

As festas juninas são uma celebração tradicional dos povos nordestinos em uma rica diversidade de costumes. A música envolve o tradicional forró com outros ritmos como a polka, o bumba-meu-boi, o baião, xote, entre outros. Gonzagão, sanfoneiro de mão cheia, toca e canta neste disco que embala tranquilo qualquer festa junina. Com algumas músicas instrumentais este e outras cantadas este é um dos LPs mais porretas para animar uma festa com músicas populares como Pagode Russo, Olha pro Céu, São João na Roça, Piriri, Fim de festa e outras.

“A quadrilha é um exemplo de dinâmica da cultura e sobretudo da dinâmica da cultura popular, eras foram danças camponesas na Europa que depois foram incorporadas as cortes, especialmente a corte francesa. E com a vinda da Princesa Leopoldina para o Brasil, a primeira imperatriz, esposa de Dom Pedro I, ela trouxe um grupo de cortesãos de Viena com oficiais, soldados e damas da corte e este pessoal introduziu nos palácios do Rio de Janeiro esta dança. Mas é a rapaziada também introduziu nos cabarés e tavernas, e então a quadrilha acabou caindo no gosto popular e se incorporou as tradições brasileiras.(Roberto Benjamin)


Juninartes: Volpi

Junho 29, 2010

UMA FESTANÇA JUNINA AFINADA

Junho 28, 2010

Afin Junina 01 por você.

Ontem, último domingo de junho, a criançada do Novo Aleixo e moçada da Afin realizaram uma brincadeira junina seguindo a alegria do festejar que ocorre nestas quadras por passam na tradição religiosa Santo Antônio, São Pedro e São João, mas que vem das tradições pagãs bárbaras que envolvem manifestações do corpo e do espírito em comungar com a natureza atualizados no comer, no dançar, no brincar…

Afin Junina 02 por você.

E vamos nessa roda, que a quadrilha improvisada já vai marcada no passo da garotada que ri e canta no deslumbre que é dançar embaixo da chuva. É mentira. E vai-e-vem e vem-e-vai nos volteios do serra-serra-serrador. Teve até o casamento, na tradição de amansar pai brabo, do belo Luquinha com a linda Rutinha. E todos ficaram felizes com a festança.

Afin Junina 03 por você.

Afin Junina 05 por você.

Afin Junina 06 por você.

Distanciado do boi cocanestlelizado mercadológico, o boizinho Rizoma se realizou bumba-meu-boi em toda a sua ludicidade como alternativa ao boi artificial plastificado, numa proximidade democrática com a comunidade que o recebeu em seu devir-animal e sua potência política, como soi aos verdadeiros folguedos populares.

Afin Junina 07 por você.

Menina, varre o terreiro

Com a vassoura de algodão

A barra do boi é verde

E não pode arrastar no chão

Afin Junina 08 por você.

Nesse boi ninguém tasca!

Ninguém põe ferrão!

Não é boi de sela nem de canga!

É boi de raça, vindo lá do Maranhão!

Afin Junina 09 por você.

E nessa festança toda, o que não podia faltar? Claro, muitos comes. Então coma lá o mugunzá, o bolo de milho, a tapioca, o mingau de banana, o vatapá… E assim continuou com a lua cheia alumiando os movimentos, os sons, as comilanças na alegria imprevisível e desmedida dessa festança junina.

Afin Junina 10 por você.

Juninartes: Viva São João

Junho 27, 2010

“É uma festa muito antiga e esta festa vem da tradição bárbara, vem de povos bárbaros da Europa, depois ela sincretiza com o cristianismo, com o catolicismo, ai que entra São João (…)  é uma festa integradora com este relacionamento profundo do homem com a natureza, esta gratidão profunda do homem com a natureza, pela colheira, pela safra, pelo alimento, pela provisão das coisas que se necessita. E a música junina no Brasil acabou virando uma coisa maravilhosa, especialmente depois de Luiz Gonzaga.” (Gilberto Gil)

As festas juninas é tempo de alegria, de celebração, de envolvimento. É espaço de músicas, forróbodós, comilanças típicas, brincadeiras, fogos, fogueiras, vidas, vivências. Sanfona, zabumba, pifanos ou pífaros ou pifes, caixas, triangulo, pratos, rabeca. Festa popular onde todo mundo come, dança e se alegra sem precisar ser nada, só um em nenhum. História de encontros de culturas, povos, homens e mulheres. Luiz Gonzaga, Januário, Jackson do Pandeiro, Sivuca, Padre Cícero, Santo Antonio, São João, São Pedro. Fartura, celebrar o natural. “ Comida de São João é canjica, mungunzá, bolo de puba, bolo de aipim, pamonha, milho assado e milho cozido… e laranja pra distrair as idéias e um copinho de licor. (DONA ZITA)”

 

VIVA SÃO JOÃO

 

Diretor: Andrucha Waddigton

País: Brasil

Ano: 2002 

Duração : 90 minutos

Duração :  Gilberto Gil, Marinês, Dominguinhos, Chiquinha Gonzaga (irmã de Luiz Gonzaga), Joquinha Gonzaga, Elba Ramalho, Sivuca, Alceu Valença, Targiano Gondim.

São João Sertão Nordeste  Sudeste Brasil.  Alegria de um povo que se une e se constroi a cada dia. Juazeiro, Petrolina, Caruaru, Exu, Garanhuns, Campina Grande, Estância, Rio de Janeiro , Cruz das Almas, Fagundes, Areia, Santo Antônio de Jesus, Barbalha, Amargosa, Paulo Afonso Areia Branca.

O documentário Viva São João é um documentário que retrata um pouco da história das festas juninas, mas que mostra também a celebração em diversas cidades brasileiras. Além das diversões e comidas, Viva São João mostra a criação do povo brasileiro que supera as adversidades com a alegria de viver.

“A festa junina hoje é profana e religiosa ao mesmo tempo, cheia de advinhações de cultos ao encontro casamenteiro, as pessoas enfiam a faca na bananeira para saber o nome do futuro marido ou da futura esposa e é uma festa cheia do misticismo alegre, inocente e uma festa, acima de tudo um encontro (SIVUCA)”

A música é bastante presente no documentário, com a participação e cantorias de diversos músicos brasileiros em uma mistura de sons que cria o São João e as festas juninas, regado a alegria, cachaça, quentão, comidas e forro. “ O forró é o fruto dos vaqueiros, do zabú, da estoada, é o xaxado, é o xote, tudo isto é forro, é o genérico. É uma música morisca, por que a  cultura árabe, veio através dos portugueses para cá pro Brasil, na colonização. (ALCEU VALENÇA)”

Cada lugar, cada comunidade cria uma forma de celebrar esta festa religiosa e alegremente profana (que leva pra fora do individual e dogmático a vida). Em Estância- SE e Cruz das Almas-BA são preparadas durante meses as famosas “espadas” feitas com bambu, cipó e polvora que ao serem acesas cria um objeto desgovernado que pode perigosamente queimar algum brincante. Em Caruaru- PE e outras cidades a festa é alegrada pelas bandas de pífanos. Em Campina Grande o forró dura semanas. E assim constroe-se no Nordeste e alguns lugares do Brasil a alegria social de viver e brincar que continua sempre que matarem um boi ou porco, contratar o sanfoneiro, ligar a luz ou lamparina e xanchar no forró. 

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Junho 26, 2010

Nuenen, Segunda 13 de abril de 1885   

  

Interior de um barco flamenco navegando no Lys (1883) , MELLERY 

 

 

 

  Interior de um barco flamenco navegando no Lys , Haia, Koninkliljke Bibliotheek

 
 

 

“…De Groux é um dos bons mestres do gênero de Millet. Mas se o grande público ainda não o reconheceu, e ainda não o reconhece, e se ele continua à sombra como Daumier, como Tasseart, ainda há, contudo, quem – Mellery, por exemplo, para citar apenas um – atualmente trabalhe de novo segundo sua própria sensibilidade.
 
Ultimamente, eu vi de Mellery, numa revista ilustrada, uma família de barqueiros na cabine de sua chalupa; o homem, a mulher e as crianças ao redor de uma mesa. No que diz respeito à simpátia geral que as pessoas possam ter por mim, li em Renan, há alguns anos, algo que nunca me saiu da lembrança e em que sempre continuarei a acreditar; quem quiser fazer algo de bom ou de útil não deve contar com a aprovação ou a apreciação geral, nem desejá-la, mas, ao contrário, não esperar simpátia ou ajuda senão de muitos poucos, de pouquissímos espíritos.”

Xavier Mellery viveu de 1845 a 1921, belga, nascido em Laken, é por muitos considerado o precussor do Simbolismo. Um dos motivos que confere a ele este fato são a série de desenhos, denominada L´âme des choses (The soul of things), iniciada por volta de 1880. Estes desenhos apreendem em si um insólito mistério que Mellery consegue atribuir a objetos e cenas do cotidiano. O desenho citado por Van Gogh, integrante dessa coleção, assume essas singelas perspectivas que um artista deve possuir ao por em prática sua experiência artística, sem hesitar. A residencia de Mellery, em Laken, próximo de Bruxelas, serviu de inspiração para uma atmosfera rica em claro-escuro de onde irradia uma quieta solidão.

A informação que Van Gogh nos dá acerca do fazer e do elaborar artístico é intensamente inspirador. O ato de criação é o momento na qual o artista controla todo um conjunto de forças dionisíacas por vontade própria, e não por obrigação ou imposição do outro. É nesse momento que arte que se apresenta, um momento de exaltação à beleza, um momento na qual não se está capturado pela moral, pela ordem. Segue um trecho de Nietzsche, para aqueles que sempre fazem ou escolhem fazer de sua vida a inerte continuação de um espírito pobre e decadente: “Aos que silenciam falta-lhes quase sempre finura e cortesia do coração; silenciar é uma objeção, engolir as coisas produz necessariamente mau caráter – estraga inclusive o estômago.”

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 Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

 

 

Juninartes

Junho 24, 2010

Alfredo Volpi foi um artista brasileiro que retratou em suas pinturas todo o colorido das festas juninas. Por isso com seu toque entramos nas Juninartes.

Kinemasófico: Uma Sessão Méliès (1898-1908)

Junho 23, 2010

UMA SESSÃO MÉLIÈS: 15 CURTAS


Titulo Original: Une Séance Méliès

Diretor: Jacques Memy/ Georges Méliès

País: França

Ano: 2001 (os curtas entre 1898 e 1908)

Duração : 60 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Senhoras e senhores, crianças e crionças, venham assistir ao espetáculo cinematográfico de Georges Méliès, o mágico do cinema. Antigamente no cinema haviam três pessoas importantes durante a sessão: o apresentador do filme, o projetor e o pianista que embalava a trilha sonora dentro do cinema. Enquanto isto o cinema rolava em seus sons e algazarras.

Famoso pela invenção de seus truques cinematograficos, Méliès pode ser visto nestes 15 curtas fabulosos, dentre eles “A viagem a lua” de 1902, quando Méliès conseguiu pelo cinema chegar a lua antes de Neil Armstrong. Mas não se avexe meus jovens tem cinemas coloridos também, na época alguns filmes eram coloridos a mão, imagem por imagem.

Méliès além de mágico era ator, produtor, diretor e diretor de efeitos especiais. Ele inventou muitos dos truques que são usados hoje e ele é considerado um dos pioneiros do cinema, principalmente pois foi o primeiro a criar um roteiro para um cinema. Este documentário além dos 15 curtas deste genial cineasta trás algumas falas e imagens de uma sala de projeções de antigamente. A apresentadora é a neta de Méliès, existe um pianista e um projetor de manivela. A neta do cineasta conta histórias sobre o inicio do cinema e explica um pouco do trabalho cinematográfico do avô. Um percurso em cinema!

O Kinemasófico é um vetor cinematográfico que a Afin realiza todos os domingos à boca da noite, contando com um curso artístico (teatro, cinema…), sempre com a apresentação ao final da atividade de um cinema. Mais informações, clique aqui.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Junho 22, 2010

Nuenen, Segunda 13 de abril de 1885

As Catadoras de batatas (Estações de Outubro) , LEPAGE

As Catadoras de Batatas, Haia, Koninkliljke Bibliotheek 1879


“… você escreve que quando os citadinos pintam camponeses, por mais que seus personagens sejam magnificamente bem pintados, involuntariamente, entretanto, eles nos lembram mais os habitantes dos arrabaldes parisienses.

Eu também já tive essa impressão (se bem que, em minha opinião, a mulher colhendo batatas de B. Lepage constitua uma evidente exceção), mas isto deriva justamente do fato de que, na maioria das vezes, os pintores não se envolvem pessoalmente com a vida dos camponeses. Por outro lado, Millet disse, ‘na arte é preciso dar o sangue.”

Jules Bastien Lepage, foi um artista que deslocou seu olhar, também, para o campo. O escritor Émile Zola chamou-o de “neto de Millet e Coubert” já que capturou com extremo afeto a vida pastoril. A impressão de Zola, é a priori confirmada com a de Van Gogh, quando este comenta com seu irmão, a substancial impressão que o pintor consegue passar com seu trabalho. As obras de cunho naturalista de Lepage se destacam, também, pelo fato de o pintor ter vivido num período na qual a maioria dos artistas estavam envoltos numa atmosfera épica, num estilo de pintura histórica.

A paleta de Lepage confere a maioria de suas obras uma extrema luminosidade e poesia, deixando que rastros modernos ecoem aos nossos olhos quando estes a percorrem. Percebemos, assim, nos seus pormenores de precisão fotográfica, a dura labuta dos agricultores franceses.

Lepage nasceu em 1 de Novembro de 1848, na vila de Damvillers, França. Cresceu em um ambiente rural e sempre teve seu gosto artístico estimulado por seus familiares. Quando jovem, foi a Paris realizar seus estudos na École des Beaux-Arts, a partir de 1867, sob coordenação de Cabanel. Ao longo de sua carreira é possível perceber gradativamente o interesse que as obras de Gustave Coubert atingiram a percepção e a atenção de Lepage. Fez intensas e frequentes viagens ao interior da França e da Itália, se identificando e re-definindo seu conhecimento a cerca do mundo rural, aliando à memória infantil, configurando, assim, seu ideário pictórico. Jules Bastien Lepage morreu em Paris, em 1884, cheio de projetos.


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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Cri-ações: Pollock

Junho 21, 2010

Amar é traçar

Caminhos em vida

Conexos, cortantes,

Duros, estriados, lisos.


É no emaranhar que eu me perco

e nunca mais me acho,

pois traçarei um novo rumo

que seguirá sem fim, sem juizos.