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DEPOIS QUE SPIKE LEE E A ATRIZ JADA PINKETT PROTESTARAM PELA FALTA DE NEGROS NO OSCAR A PRESIDENTA DA ACADEMIA ADMITIU MUDANÇAS

Janeiro 20, 2016

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Para entender facilmente. O engajado cinegrafista Spike Lee um dos maiores defensores dos direitos dos negros nos Estados Unidos protestou afirmando que não iria participar da cerimônia do Oscar pelo fato de não haver nenhum ator negro e atriz negra nos filmes indicados para receber o prêmio.

No mesmo entendimento e posicionamento se expressou a atriz Jada Pinkett Smith disse que também não vai participar da cerimônia da 88ª Edição do Oscar que ocorrerá no dia 28 de fevereiro, em Los Angeles. Como o humorista afro americano Cris Rock, foi convidado para ser a atração da cerimônia os defensores dos direitos dos negros querem que ele desista da apresentação.

A mostra do entendimento facilmente. Diante da verdade colocada pelos artistas negros, Cheryl Boone Isaacs presidenta da Academia de Cinema dos Estados Unidos decidiu se pronunciar afirmando que a academia precisa mudar. Vai ser páreo duro realizar a mudança porque a entidade que escolhe os filmes vencedores é composta de 6,300 membros, sendo que 93% são brancos e 76%b são do sexo masculino.

“É uma discussão difícil, mais importante, e está na altura de se fazer grandes mudanças, Nas próximas semanas serão tomadas medidas drásticas  para alterar a composição dos membros, em nome de uma necessária diversidade.

Como sabem, nos últimos quatro anos fizemos alterações para diversificar os membros da academia, mas as mudanças não ocorreram tão depressa como desejávamos”, observou a presidenta que se disse está “destroçada e frustrada”.

Por sua vez, o ator negro Davis Oielowo afirmou que a academia não representa o que o que são hoje os Estados Unidos e espera nos próximos meses na organização do Oscar uma mudança radical.

Na simplicidade. Foi mais um ato de luta do cinegrafista Spike Lee que resultou, pelo menos até agora, em preocupação para os representantes da badalação inócua que é o Oscar. O nicho do filme que se quer tido como cinema. A imagem-devir em movimento. O que nunca foi.

NO QUILOMBO DOS PALMARES O ENSINO DA HISTÓRIA AFRO-BRASILEIRA NAS ESCOLAS SOFRE RESISTÊNCIA

Agosto 5, 2015

quilombo_dos_palmares-al_-_adalbertofarias-jangadafilmes_1Ironia? Não! Esfacelamento político-cultural promovido pela cultura branca dominantemente predadora. O território onde foi travada a mais resistente luta libertária da escravidão no Brasil, o Quilombo dos Palmares, do líder negro Zumbi, é hoje um lugar onde as professoras sentem grande resistência para o ensino da história afro-brasileira.

A afirmação é da diretora Maria Luciete Santos, da Escola Municipal Pedro Pereira  da Silva que fica situada na comunidade quilombola do Muquém, com mais de 149 famílias, em União dos Palmares,  próximo ao Parque Memorial Quilombo dos Palmares, que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A afirmação ocorreu durante a Reunião Ordinária Itinerante do Conselho Nacional de Educação (CNE) que ocorre em Maceió. De acordo com Luciete falta para os jovens estudantes, autoestima e valorização de sua própria história.

Duas normas do CNE que foram aprovadas e homologadas pelo Ministério da Educação foram simbolicamente concedidas à comunidade. Sendo a primeira, em 2004, que trata da educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileiro e africana. E o segundo relativo ao ensino de educação quilombola até o ano de 2012.

“Às vezes o preconceito vem deles mesmos. Eles não se reconhecem, não veem o próprio potencial. Eles não tinham ideia do que era a história deles, o que foi a Serra da Barriga” disse a diretora.

8° ENCONTRO DE CINEMA NEGRO ZÓZIMO BULBUL – BRASIL, ÁFRICA E CARIBE

Maio 29, 2015

encontro179626O 8° Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África e Caribe que teve sua abertura no dia 27 e vai ser exibido até o dia 4 de junho, tem como objetivo a troca de experiência de diversos cineastas de outras localidades e resgatar a presença do negro no cinema nacional e internacional.

Durante esse período serão apresentadas várias obras cinematografias com a temática da cultura negra em sua total abrangência. São cinemas que não se reduzem apenas a mostrar o preconceito e as discriminações que sofre o negro, mas também mostrar seu princípio ontológico de ser em sua negritude. Negritude como dimensão política do negro em sua liberdade e identidade. 

A abertura do encontro que ocorreu no Cine Odeon, teve como exibição o filme do guineense Cheick Fantamady Camara, Morbayassa.

De acordo com Joel Zito Araújo, curador do encontro, os negros devem se prepara para o diálogo com o Brasil inteiro e não entre eles nos “guetos” do movimento negro.

“Existe uma naturalidade das narrativas, como se o ser humano fosse naturalmente branco e o negro ou o índio a exceção. Há muita história para contra, não só da população negra, mas da representação do Brasil como um país da diversidade racial. Não queremos ficar no gueto nem ficar falando para o gueto.

A temática negra não é só a discussão do racismo, envolve também aspectos da cultura negra. É um olhar do negro sobre o mundo, sobre a sua contemporaneidade.

Hoje, efetivamente, há uma nova geração de participantes negros: no Rio o pessoal do Nós do Morro e do Cufa, na Bahia há um núcleo negro importante; em São Paulo também. Estamos em um novo momento no Brasil.

O negro deixou de ter vergonha de ser negro e começou a dizer: queremos mostrar o nosso ponto de vista sobre a realidade, os nossos sonhos, os nossos desejos, as nossas angústias, as nossas vergonhas, as nossas alegrias”, analisou Zito Aráujo.

Participando do encontro, a escritora Ana Maria Gonçalves, disse que as formas de expressões artísticas culturais dos negros é muito singular.

“O universo que a gente retrata ao contar histórias, ao escrever, ao fazer cinema, ou seja o que for, é um universo muito próprio nosso, de nossas experiências pessoas e até experiências externas.

Acho que a importância em se ter mais negros em posição de escolha, do que contar e como contar, permitirá que eles contem histórias próprias, de experiências, que não têm sido contadas pelo mercado branco elitizado.

Por anos, a oralidade do negro não foi considerada literatura, e, em muitos lugares, ainda não é. Talvez o cinema realize essa nossa luta de escritores negros para que a oralidade seja considerada literatura”, observou Ana Gonçalves. 

Também participando do encontro, o escritor e roteiristas Paulo Lins, disse que o negro agora se define como um ser que está fazendo cinema.

“O pessoal negro está fazendo cinema. Antes não fazia. Só quem fazia era branco. O negro está ganhando espaço, está produzindo, usando novas tecnologias, fazendo videoclipe, botando no Youtuby”, disse Paulo Lins.

As sessões cinematográficas também poderão ser assistidas na Biblioteca Parque e no Museu de Arte do Rio. E o que também é bom: gratuitamente.

Quem necessitar de arte e pretender vivenciar novas formas visuais, auditivas e cognitivas, é o momento! É preciso fazer os sentidos e a cognição ultrapassarem o que já se encontra estabelecido como realidade-imutável e necessária como dogmática da vida

A “NOITE NEGRA” SE MOSTROU NEGRITUDE NO PÓRTICO DAS ARTES DA AFIN COMO CINEMA, PALESTRA, MÚSICA, POESIA, CAPOEIRA E, PRINCIPALMENTE, CRIANÇA

Novembro 22, 2014

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A intenção era atualizar o virtual ou realizar o possível. E aconteceu. Artistas, capoeiristas e crianças como composto-estético produziram outras formas de sentir, ver, ouvir e pensar no Pórtico das Artes da Associação Filosofia Itinerante (Afin) no Bairro Nova Cidade, em Manaus.DSC01804 DSC01809 DSC01825 DSC01832 DSC01834

Foi uma Noite Negra que se mostrou singularmente Negritude: a consciência livre do negro sobre si mesmo fora da brancura opressiva do sistema capitalista. Seu engajamento história em viver por si mesmo, sem modelo macho, homem, branco e europeu, como mostram os filósofos Deleuze e Guattari.

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A Negritude do eu-mesmo como liberdade do negro, negando a história branca que o oprimiu, como diz o filósofo da liberdade, Jean Paul Sartre. A estrutura ontológica do negro como resultantes da reflexão que fez sobre a a-história imposta pela voracidade branca. O negro deixando de ser objeto de dominação do olhar do branco para se tornar sujeito de seu próprio olhar sobre o branco. Mostrar o branco como objeto do olhar do outro. Sendo o olhar do negro sua potência criadora livre. Sua Negritude.

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Já na quinta-feira, membros da Afin estiveram na Escola Francisco Guedes de Queiroz, no Bairro Tancredo Neves, mais um bairro pobre da pobre Manaus. Lá, realizaram, junto com os estudantes, professores e pedagogos, a conferência, O Entendimento da Filosofia Política sobre o Conceito de Negritude. Foi uma festa filosófica-política, já que trata-se de poiesis e práxis. Os corpos que produzem transformação.

DSC01909 DSC01914 DSC01915 DSC01916DSC01922 DSC01924 DSC01925Como a vivência não pode ser traduzida em palavras, visto que viver é atuar em consistência e existência em presença, como dizem os filósofos existencialistas, oferecemos aos acessantes deste blog algumas imagens, movimentos e sons, criados nos acontecimentos Negritude. 

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PÓRTICO DAS ARTES DA AFIN ENUNCIA: “UMA NOITE NEGRA”

Novembro 20, 2014

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“O pistão d’Armstrong será no dia do Juízo Final o intérprete dos sofrimentos do homem”

Paul Niger

“África guardei tua memória África

Tu estás em mim

Como o espinho na ferida

Como um fetiche tutelar no centro da aldeia

Faz de mim a pedra de tua funda

De minha boca os lábios de tua chaga

De meus joelhos as colunas quebradas de sua queda

E no entanto

Quero ser apenas de vossa raça operários camponeses de todo os países”.

Jacques Roumain                                                                                                                                                                                                        

A Associação Filosofia Itinerante (Afin) é um corpus filosófico, político e estético que sendo apanhada pelos dizeres dos não-filósofos estoicos, Epicuro, Spinoza, Machiavel, Nietzsche, Marx, Engels, Michel Foucault,  Deleuze, Guattari, Toni Negri, Jean Baudrillard, Clément Rosset, Bárbara Cassin, entre outros e outras tenta produzir  novas formas de sentir, ver, ouvir e pensar. E dessa forma, possibilitar novas formas de existências que transcendam os sentidos e os entendimentos cristalizados pelo sistema dominante alienador. A imagem do pensamento dominante  como Estado-paranoico.

Para que essas produções se tornem enunciações políticas, filosóficas e estéticas, a Afin parte de alguns vetores como o teatrosófico, cinemasófico, esquizosom, poiesofia, letrasófica, marionetesófia e etc. O que significa trabalhar com a inteligência coletiva como devir-produtivo continuou.

“Aguardas o próximo chmadao

A inevitável imobilização

Porque tua guerra só conheceu tréguas

Porque não existe terra onde não tenha corrido teu sangue

Língua em que tua cor não tenha sido insultada

Sorris, Black Boy

Cantas,

Danças,

Embalas as gerações

Que em todas as horas partem

Para as frentes do trabalho e do tormento

Que vão lançar-se amanhã ao assalto das bastilhas

Rumo aos bastiões do futuro

Para escrever em todas as línguas

Nas claras páginas de todos os céus

A declaração de teus direitos menosprezados

Há mais de cinco séculos…”

Césaire

Trata-se de uma práxis e poiética que já desenrola, em Manaus, há 13 anos, e sempre sem quaisquer fins lucrativos.  E quase sempre nos território menos atingidos pelas políticas públicas dos governos locais. Que em verdade, são historicamente, omissos por limitação de inteligência política e falta de sentido de solidariedade social.

Embora a Afin sempre esteja envolvida pelas questões das etnias, como a indígena e negra, todavia, como estamos na semana de comemoração da Consciência Negra, ela decidiu produzir uma festa na noite de hoje em seu singular território rizomático filosófico, político e estético: Pórtico das Artes. Local cujo nome foi influenciado pelo templo Pórtico das Pinturas da Escola Estoica (Stoá Pokilé).

“Me devolvam minhas bonecas pretas quero com elas brincar

Os jogos ingênuos de meu instinto

Ficar à sombra de suas leis

Recobrar minha coragem

Minha audácia

Me sentir eu-mesmo.

De novo eu-mesmo como eu era

Ontem

Sem complexidade

Ontem

Quando chegou a hora do desenraizamento…

Eles arrombaram o espaço que era meu”.

A festa cujo título é Uma Noite Negra contará com alguns enunciados como a conferência O Entendimento da Filosofia Política sobre o Conceito Negritude. E mais cantos-negros, poesia-negra, sambas, hip-hop, candomblé, uma roda de capoeira sob a movimentação do Contra Mestre, Salvador, da Academia Manduca da Praia cuja escola é no próprio Pórtico das Artes. Serão apresentadasm, também, algumas iguarias da culinária negra. A festa tem uma cor especial, porque irá compor com os moradores do bairro que são desprovidos de qualquer enunciação política, filosófica e estética. 

O Pórtico das Artes fica no Bairro Nova Cidade, rua 72, n° 4, quadra 149. É um dos  bairros mais pobres de Manaus, entre tantos.

“Minha negritude não é uma pedra, surdez que é lançada contra o clamor do dia,

Minha negritude não é uma catarata de água morta

Sobre o olho morto da terra

Minha negritude não é nem torre nem catedral

Ela mergulha na carne rubra da terra

Ela mergulha na ardente carne do céu

Ela fura o opaco desânimo com sua precisa paciência”.

“O negro não é uma cor, mas a destruição desta clareza

De empréstimo que cai do sol branco.

A liberdade é cor da noite”.

Césaire

Uma Noite Negra.

FESTIVAL LATINIDADE

Julho 24, 2014

 Griôs da Diáspora Negra, o maior festival de mulheres negras da América Latina. Na foto, a ecritora de Moçambique, Paulina Chiziane (Valter Campanato/Agência Brasil)

Começou ontem, dia 23, em Brasília, e vai até segunda-feira, dia 28, o Festival Latinidade, que nessa edição de 2014, traz como tema principal as características da diáspora da literatura negra no século XV saída da África para a América Latina e Caribe. O festival congrega mulheres negras escritoras dos dois territórios onde foi difundida a cultura negra.

Na abertura do festival a escritora costa-riquenha Shirley Campbell expos sobre a arte africana e sua diferença com a arte da diáspora e as raízes que as unem. Para ela, as artes por terem funções sociais os artistas têm a obrigação de conceder vozes às artes que ainda não têm. Campbell disse que a forte união entre as negras da África, América Latina e Caribe encontra-se caracterizada na memória de seus antepassados e a defesa do conhecimento e das crenças tradicionais.

“A arte africana é muito ligada a manifestação sobre descrições do cotidiano. A da diáspora, por outro lado, fala sobre a interação da arte negra com outras comunidades. Os artistas da diáspora negra interpretam o sentir comum e o expressam com suas habilidades individuais”, disse Campbell.

O movimento das mulheres negras mostra que suas identidades falam por suas próprias bocas, observou a escritora Nina Silva, uma das participantes.

“O movimento de mulheres negras faz que as suas identidades sejam faladas por suas próprias bocas e não pelas de outros. Há uma sintonia entre as vozes, pois há raízes profundas, mantidas por espiritualidade, memória e genética. Somos uma grande rede e nos retroalimentamos por meio de conhecimento, experiências e dizeres”, observou Nina Silva.

O festival será composto por debates, exposições, projeções de filmes sobre os temas e show musical. No dia 25, sexta-feira, será executado um sarau na parte externa do Museu Nacional. Já, no sábado, dia26, a partir das 19h serão realizados shows.

APOIO DESTE ESQUIZOFIA AO ATIVISTA THIAGO RIBEIRO QUE MILITA CONTRA O RACISMO NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Maio 11, 2014

Os filósofos Deleuze e Guatarri, publicaram na década de 70 uma obra, por eles chamada de Filosofia Política, O Anti Édipo, um tratado sobre a inusitada esquizo-análise. A política do desejo. Não desejo coisificado, reificado, abstraído, proposto pela sociedade capitalista. Como também, não desejo consignado por Freud que se mostra como sublimação. Mas o desejo como potência produtiva do novo.

Nessa obra-revolucionária que fez tremer os alicerces das certezas-fúnebres da psicanálise, com sua perversão imobilizadora: “a criança é o pai do homem”, eles mostram a imobilidade-imobilizadora do delírio paranoico que é expressada pela subjetividade capitalista. A semiótica dominante que agencia todas as formas de expressão e conteúdo que submetem os indivíduos a sujeitos-sujeitados. E, mostraram, também, “o passeio do esquizo” que escapa desse delírio paranoico através de devires com suas zonas de indiscerninilidades, hecceidades, movimentos, repousos, velocidades, lentidões, latitudes, longitudes, e que não se situam como recognição. Ver o mesmo, a repetição do pensamento dogmático do delírio paranoico.

Como esse Blog Esquizofia é um vetor-virtual que pretende junto com seus acessantes tentar criar linhas de cortes, disjunções-esquizas que possam produzir uma cartografia de desejo que nos auxiliem na poieses e na práxis de novas formas de sentir, ver, ouvir e pensar, ele se solidariza com o ativista Thiago Ribeiro que milita criando linhas de fugas (produções, como dizem Deleuze e Guattari) para enfraquecer a força paranoica que domina os principais meios de comunicação do Brasil. Forças paranoicas difíceis de serem enfraquecidas em função de seus alicerces arcaicos traumáticos que erigiram a irracionalidade das formas inumanas claramente sedimentadas nas enunciações dos apresentadores desses programas e de seus fãs.

Nessa composição de devires-transformadores, o Esquizofia, posta o texto de Thiago Ribeiro em que ele mostra sua militância diante do terror psicopata dos marcadores de poder delirante desses meios de comunicação.

Não preciso de bananas. Preciso de justiça

O texto abaixo foi escrito por Thiago Ribeiro, que vem travando na justiça uma luta até aqui inglória contra o racismo do comediante Danilo Gentili.

por : 

Em 2012, durante semanas, acompanhei os comentários racistas e ofensivos proferidos pelo comediante Danilo Gentili, em redes sociais, programas de televisão e apresentações de stand-up comedy.

Em 2009, Danilo Gentili foi investigado pelo Ministério Público, mas entenderam que não houve racismo,ofensa ou qualquer outra coisa que caracterizasse crime.

Com base nas ofensas proferidas contra pessoas de raça negra, formulei uma carta denunciando o comediante por injúria racial e incitamento de ódio e violência.

Entrei em contato com Gentili, através do Twitter, para solicitar emails de contato, dele da BAND, para enviar cópias da denúncia. Enviei mensagens para ele dizendo que “deste macaco ele nunca mais tiraria sarro”. O que a maioria das pessoas não percebeu é que em momento algum eu disse que era um macaco, mas apenas repeti a forma de tratamento usada por Danilo Gentili ao se referir a negros, desde 2009.

Ele me enviou a seguinte mensagem através do Twitter:

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A mensagem foi apagada logo em seguida, porém recebi uma notificação por email. Isso ocorreu por volta de meia-noite. Então começaram os ataques através do Twitter e Facebook. Centenas de fãs de Danilo Gentili, com o apoio de Marcos Kleine e Roger da banda Ultraje a Rigor, enviaram mensagens racistas, ofensivas, nojentas e quaisquer outros adjetivos nocivos que consigam imaginar. Passei a madrugada inteira, até aproximadamente 6hs da manhã, visualizando e printando todos os comentários.

As ofensas dirigidas a mim poder ser visualizadas aqui.

No dia seguinte entrei em contato com a Secretaria da Justiça de SP para orientação sobre quais providências tomar. Por incrível que pareça, o órgão de combate ao racismo da Secretaria da Justiça já estava ciente da situação, dada a repercussão nas redes sociais.

Me convidaram então para comparecer até o escritório para formalizar a denúncia. Um representante da secretaria me acompanhou até o DECRADI (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) para prestar queixa e lavrar boletim de ocorrência. O delegado que me atendeu não queria registrar a ocorrência, por entender que não havia crime. Com muita insistência consegui registrar o boletim.

Saindo de lá, enviei a denúncia para o Ministério Público Federal, de São Paulo, SEPPIR (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), SOS Racismo (Assembléia Legislativa de São Paulo), além de grupos e organizações de combate ao racismo ligados ao movimento negro. Por último, apresentei a denúncia à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de SP e da OAB-SP.

Todas as denúncias foram protocoladas e, em anexo, apresentadas as provas.

De 2012 até agora, continuei a receber ofensas racistas e ameaças de grupos neonazistas, fãs de Danilo Gentili.

No dia 24 de abril de 2014, mais de um ano após a denúncia, soube através de redes sociais que Danilo Gentili havia sido julgado e absolvido de todas as acusações, entendendo o juiz que “…o réu utilizava a rede social como meio de divulgação e de suas piadas. Assim, na maior parte dos casos, parece-me que a abordagem com seus seguidores, ainda que agressiva, tinha a intenção de fazer rir.”

O resto do mundo vai na direção contrária e condena tais atos com rigor. Exemplos:

1. O torcedor que atirou uma banana para o jogador Daniel Alves acabou banido do estádio na Espanha;

2. O dono de um time de basquete americano foi banido da NBA e pagará multa de 2,5 milhões de dólares por conversa de teor racista entre ele e sua namorada.

Posso afirmar, agora, com a mais absoluta certeza, que este país não me representa, como a nenhum negro ou negra. Afirmo também que ONGs de combate ao racismo servem apenas para receber prêmios e participar de eventos, uma vez que não recebi apoio de nenhuma, a não ser do Quilombo Raça e Classe em SP, liderado pelo meu amigo Wilson Honório da Silva.

Após o julgamento, os fãs de Danilo Gentili recomeçaram as ofensas em meu Twitter e Facebook. Protegidos e com o aval da justiça podem agora, sem medo, exteriorizar seu ódio contra negros e negras em redes sociais. E com o apoio de artistas brasileiros, podem chamar, livremente, negros de macacos e oferecer bananas.

Como de costume, a vítima se torna culpada. O comediantes brasileiros estão acima da lei.

Minha luta continua e farei uso de todos os meios necessários para obter justiça.

Agradeço a todas as pessoas que têm me apoiado e enviado mensagens de solidariedade.

Não quero banana alguma e não sou macaco. Só quero justiça.

Ato contra o genocídio de negros e periféricos marca aniversário da cidade onde não existe amor

Janeiro 24, 2014

Enquanto a direitaça, a mídia reacionária e a classe média ignara “comemoram” a morte do molecote  Kaique Augusto Batista não ter sido (será?) um assassinato homofóbico feito por skinheads ou pelos fardados, centenas de jovens estão sendo escorraçados, assassinados, desumanizados pela polícia, pela segregação espacial, pela moral desumana burguesa e pelo engendramento deste holocausto urbano.

Mas sabemos que os manos e minas das quebradas se organizam e não se calarão nunca frente a esta realidade. Por isto, amanhã (25), no aniversário da maior cidade da América Latina ou São Paulo, não há nada a se comemorar e sim criar novos laços e fluxos para que esta realidade constituída há quase meio milênio pelos que se consideram donos da cidade, ditadores de sua realidade (hoje representados pela classe média alienada, pela Fiesp, pela Daslu, a “minoria branca” e pelos novos “barões”) seja dissolvida e possa brotar novas formas de percepção. Ou como diz o rapper Criolo Doido, é a cidade onde não existe amor. É por isto que a periferia organizada pelo Movimento Contra o Genocídio do povo preto organiza um encontro contra o genocídio da juventude preta, pobre e periférica.

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O ato começará às 09 horas, na Praça da Sé, centro de São Paulo, e se estenderá durante todo o dia na luta pelo fim do racismo institucional do estado brasileiro. “Enquanto a PM por meio do Estado e dos playboys agem na calada ou na caruda, muitas mães sofrem, seja pela humilhação da revista vexatória nos presídios ou pela dor incondicional do luto”, diz o documento de convocatória do ato.

O documento ainda responsabiliza o estado pelo contínuo e interminável genocídio dos negros e dos povos autóctones (conhecidos como índios) que representam uma boa parte da nossa matriz cultural: “Porém, juntamente com a elite branca o pagamento e o reconhecimento dessa dívida estão sendo efetivado da pior maneira possível, com a continuação do tratamento colonial, inclusive com TORTURAS e as piores condições insuportáveis para sobrevivência dess@s sofredor@s”.

O ato será até as 18 horas e rappers integrantes do Fórum de Hip Hop H2O SMP de São Paulo também se apresentarão na manifestação.

Leia abaixo ou aqui, a convocatória completa

 

2° ATO: “SP 2014 – 460 ANOS DE GENOCÍDIO DA JUVENTUDE PRETA, INDÍGENA, POBRE E PERIFÉRICA”
André Luiz
 
No aniversário da cidade de São Paulo, dia 25 de janeiro vai acontecer o 2° ATO: “SP 2014 – 460 ANOS DE GENOCÍDIO DA JUVENTUDE PRETA, INDÍGENA, POBRE E PERIFÉRICA” ele será realizado pelos movimento sociais do comitê Contra o Genocídio da Juventude Preta, Pobre e Periférica. Durante nove horas , 9h às 18 h, em frente a catedral da Praça da Sé, serão apresentadas as pautas de revindicações dos movimentos sociais e também apresentações artísticas de rapper´s do Fórum de Hip Hop MSP. Todas as ações tem como tema a luta contra o racismo institucional brasileiro e suas consequências na juventude preta, pobre e periférica.
A cidade de São Paulo é a capital do Estado onde mais pessoas são presas (174.060 em 2011),ANUÁRIO BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA 2012, e morrem (4.194 homicídios dolosos) no Brasil, onde temos o maior número de adolescentes cumprindo medida socioeducativa, altíssimos índices de mortalidade infantil, precarização do acesso à saúde, o processo de genocídio tem início com o extermínio em massa das inúmeras comunidades indígenas em nome do dito progresso civilizatório.
Com o avanço da exploração da escravização de africanas(os), foram deixadas sequelas que até hoje sentimos na pele, sendo que a suposta abolição isentou o opressor e jogou a maioria da população aos piores índices de sobrevivência, “..no conjunto da população residente nos 226 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, calcula-se que a possibilidade de um adolescente preto* ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior
em comparação com os brancos” PRVL – PROGRAMA DE REDUÇÃO DA VIOLÊNCIA LETAL CONTRA ADOLESCENTES E JOVENS. 2010. Disponível em: <http://prvl.org.br/>. O racismo institucional, aquele praticado por governos e órgãos públicos, é uma realidade percebida cotidianamente.
 
As exigências principais do ato são respostas do poder público quanto:
  1. Encarceramento em massa
  2. Ausência de Procedimentos de informação, preservação e guarda de objetos e roupas em hospitais ao receberem pessoas baleadas em conflito com policias.
  3. Ausência de Indenizações e apoio a familiares e vítimas fatais ou não, quando provocadas por agentes do Estado.
  4. Ausência de Investigação, apurações e processar de agentes do estado participantes de grupos de extermínio no estado de São Paulo.
  5. Ausência ao Acesso à informação e produção de dados da segurança pública
  6. Ausência de Elucidação das chacinas e mortes com punição aos policiais envolvidos
  7. Ausência Comissões mistas para desenvolver propostas para a redução da letalidade policial
  8. A não retirada dos autos de resistência (aprovação da PL 4.471/2012)
  9. Falta de garantia de segurança para a denúncia
  10. Ausência de Autonomia do IML
  11. Não Independência e fortalecimento da Ouvidoria da Polícia
  12. Falta Demarcação e homologação das terras indígenas com novos limites
  13. Ausência de Serviços de saúde e água tratada nas terras indígenas.
  14. A não Efetivação dos canais de diálogo com os povos indígenas no que se refere às terras indígenas sobrepostas a parques estaduais ou unidades de conservação.
  15. Não aprovação PEC 215, que transfere do Executivo ao Congresso Nacional a função de demarcar terras indígenas.
  16. PLP 227 que autoriza a exploração em terras indígenas por grupos econômicos privados.
  17. O estado militar e a resistência quanto a desmilitarização das polícias e da política
COMITÊ CONTRA O GENOCÍDIO DA JUVENTUDE PRETA, INDÍGENA, POBRE E PERIFÉRICA.
*PRETO, SUBSTUTUÍDO PELO ORIGINAL NEGRO NO TEXTO- Considerando que o Hip Hop difere do movimento negro tradicional e que “O termo ‘preto’, difundido pelos adeptos do Hip Hop, é a adoção traduzida de ‘black’, palavra utilizada por décadas pelo movimento negro estadunidense. Já a rejeição que eles fazem do ‘negro’ deve-se ao fato de que nos Estados Unidos esta palavra origina-se de ‘nigger’, termo que lá tem um sentido pejorativo”, e que esse ‘preto’ é uma categoria que responde por todo ser marginalizado, o que extrapola a fase vanguardista do movimento negro.
 
Serviço:
Rapper Pirata – Fone: 98216 2160
Xico Bezerra – Fone:999099580
Miguel – Fone: 981440473

 

A nova pontuação do escritorativista Amiri Baraka

Janeiro 10, 2014

Morre aos 79 anos o polêmico escritor e ativista Amiri BarakaDa revista Panorama 

Morreu nesta quinta-feira (9), aos 79 anos, o polêmico poeta, dramaturgo e ativista americano Amiri Baraka, considerado “o Malcom X da literatura” e apontado como precursor do hip hop. Homem das letras e incansável agitador e militante, ele escreveu poemas influenciados pela cadência do blues e assertivo, além de peças e críticas. A obra o tornou uma força provocadora e inovadora da cultura dos Estados Unidos.
Sua agente literária, Celeste Bateman, afirmou à Associated Press que Baraka, cujo nome verdadeiro era Everett LeRoi Jones, estava hospitalizado desde dezembro no hospital Newark Beth Israel Medical Center.
Talvez nenhum escritor dos anos 1960 e 1970 tenha sido mais radical e polarizador do que Baraka, e ninguém se esforçou mais para levar usar nas artes os debates políticos da luta pelos direitos civis. Ele inspirou pelo menos uma geração de poetas, dramaturgos e músicos, e sua imersão na tradição oral e linguagem crua das ruas antecipou o rap, o hip-hop e a poesia slam (no orinal “slam poetry”, espécie de batalha de poetas, que usam microfone, nos moldes das batalhas de MCs).

O FBI o temia ao ponto de “homenageá-lo” com a seguinte idenfiticação: “a pessoa que provavelmente emergirá como o líder do movimento panafricano nos Estados Unidos”.
Inicialmente um dos raros negros a se juntar à caravana Beat de Allen Ginsberg e Jack Kerouac, Baraka transformou-se num dos líderes do Black Arts Moviment e aliado do movimento Black Power que rejeitava o otimismo dos primeiros anos da década de 1960. Ele intensificou uma uma divisão sobre como e se os artistas negros deveriam participar das questões sociais.
Desprezando a arte pela arte e a busca por uma unidade entre negros e brancos, Baraka integrou a filosofia que pediu pelo ensino de arte e história negra e que produziu obras que clamavam declaramente pela revolução.
“Queremos poemas que matem”, escreveu no seu famoso “Black Art”, manifesto publicado em 1965, ano em que ele ajudou a fundar o Black Arts Movement. “Poemas assassinos. Poemas que disparem feito armas/ Poemas que derrubem policiais nas vielas/ E tomem suas armas deixando-os mortos/ com línguas de fora e enviados para a Irlanda”.

Ele era tão eclético quanto prolífico: suas inflências variavam de Ray Bradbury a Mao Zedong, Ginsberg e John Coltrane, um músico. Baraka escreveu poemas, contos, novelas, ensaios, peças e críticas musicais e culturais de jazz. Seu livro de 1963 “Blues people” foi considerado a primeira grande história de música negra escrita por afro-americano.
Um verso de seu poema “Black people!” – “Up agains the wall mother fucker” (algo “mão na parede, filho da puta”, em tradução livre”) – se converteu num slogan da contracultura. Servia tanto a estudantes que participavam de protestos quanto à banda de rock Jefferson Airplane. Um poema que ele escreveu em 2002, alegando que alguns israelenses tinham conhecimento prévio dos ataques do 11 de Setembro, causou ira generalizada.

Baraka foi denunciado por críticos como bufão, homofóbico, antissemita e demagogo. Outros consideravam-no gênio, profeta e o Malcom X da literatura. Eldridge Clever o saudou como o bardo dos “assuntos funky”. Ishmael Reed responsabilizou o Black Arts Moviment por encorajar artistas de todas as origens e permitir a ascensão do multiculturalismo.

O acadêmico Arnold Rampersad o colocou ao lado de Frederick Douglass e Richard Wright no pantão das influências culturais dos negros. “Através de Amiri Baraka, eu aprendi que toda arte é política, embora eu não escreva ensaios políticos, disse o dramaturgo ganhador do prêmio Pulitzer August Wilson.

Publicado originalmente nos anos 1950, Baraka fez barulho na cena literária em 1964, no teatro Cherry Lane, no famoso bairro Greenwich Village, em Nova York, quando a peça “Dutchman” estrou e imediatamente fez história no auge do movimento pelos direitos civis. A montagem de um único ato retrata um confronto entre um homem de classe média negro, Clay, e uma mulher branca sexualmente ousada, terminando com uma discussão repleta de provocações e confissões.

Baraka ainda era LeRoi Jones quando escreveu “Dutchman.” Mas a Revolução Cubana, o assassinato de Malcom X em 1965 e as revoltas de Newark em 1967, quando o poeta foi preso e fotografado atordoado e sangrando, o tornaram radical. Jones deixou sua esposa (Hettie Chohen), cortou relações com seus amigos brancos e se mudou do Greenwich Village para o Harlem. Ele trocou o nome para Imamu Ameer Baraka, “líder espiritual e príncipe abençoado”, e rejeitou Martin Luther King, dizendo que se tratava de um “Negro que sofreu lavagem cerebral”.
O escritor ajudou a organizar em 1972 a National Black Political Convention e fundou o Congresso dos Povos Africanos. Também fundou grupos comunitários no Harlem e em Newark, sua cidade natal, para a qual acabou retornando.

O Black Arts Moviment teve força, essencialmente até meados da década de 1970, e Baraka deixou de corresponder a alguns de seus comentários mais duros – sobre Martin Luther King, sobre os gays e sobre brancos em geral. Mas ele seguiu causando controvérsia. No início dos anos 1990, quando o cineasta Spike Lee estava filmando a cinebiografia “Malcom X”, Baraka ridicularizou o diretor como “um pequeno burguês negro”, que não fazia jus ao seu personagem.

Em 2002, respeitado o suficiente para ser tido como laureado poeta de Nova Jersey, ele chocou de novo com “Somebody blew up America”, poema sobre o 11 de setembro. “Quem sabia que o World Trade Center ia ser ‘bombardeado'”, escreveu num verso. “Quem falou aos 4 mil trabalhadores israelenses das Torres Gêmeas para ficarem em casa naquele dia?”

O governador James E. McGreevey, assim como outras figuras públicas, exigiram desculpas. Baraka recusou, negando que “Somebody to blew up” fosse antissemita (o poema também ataca Hitler e o Holocausto). Ele condenou a “desonesta, conscientemente distorcida e insultante má interpretação”

DEVIR-CRIANÇA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Novembro 26, 2013

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Em seu processual de produção coletiva de enunciados agenciadores de novas formas sentir, ver, ouvir e pensar a Associação Filosofia Itinerante (Afin) tem se movimentado em encadeamentos heterogênicos de conteúdos e expressões que pretendem uma nova forma de existir. Uma produção de novos saberes e novos dizeres. Sendo assim, a Afin – que se encontra em contínuo movimento produtivo com dizeres e saberes de múltiplos territórios -, aproveitou a sua sessão dominical de cinema para criança – que já se encontra em seu quinto ano, Kinemasófico, no Bairro Novo Aleixo, Zona Leste – o território mais pobre e abandonado pelos governos -, apara realização do Devir-Criança Consciência Negra.

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Durante a noite de domingo, dia 24, as crianças foram, como sempre, as produtoras da festa. Foram exibidos alguns curtas com o tema negritude, o ser ontológico do negro, que permeou as comemorações da Consciência Negra durante a semana que passou. Embora seja um tema contínuo para novas formas de existir. As crianças no fim de cada exibição comentavam o conteúdo e manifestavam suas ideias. Depois das exibições dos curtas, as crianças passaram a usar recursos artísticos pessoais para expressarem suas relações com o tema, como a capoeira, a música, a poesia, a dança, as brincadeiras coletivas mostrando a subjugação dos negros pela força imperiosa dos brancos. Como foi a teatralização da fuga de alguns negros de uma fazenda. Nessa teatralização serviu de música incidental o trecho musical “Trabalha, trabalha negro. Trabalha, trabalha negro. O negro está cansado de tanto trabalhar…”

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O que chamou muito a atenção foi o depoimento de crianças que afirmaram sofrer discriminação cotidianamente. Essas crianças afirmaram que são discriminadas nas ruas onde moram, na escola, e nos locais onde têm que ir algumas vezes, como nos comércios. Explicado para elas que a discriminação racial é crime, e que uma pessoa discriminada pode processar o discriminador, a criança Kailane, disse que ela ia processar todo dia muitas pessoas. Elas ficaram também contentes em saber que existe um ministério de Política para Igualdade Racial, criada no governo Lula. Foi fácil para elas entenderem a importância desse ministério, porque elas fazem parte do programa de transferência de renda o Bolsa Família. Compreendendo o objetivo do Bolsa Família, como política que visa diminuir a desigualdade social, o ministério de Política para Igualdade Racial, também tem esse objetivo. Elas apresentaram um saber por similitude.  

Durante as brincadeiras elas foram homenageadas com troféu Valeu, Zumbi!, criado por elas mesmas sob a coordenação do afinado filósofo, artista plástico e escritor, Marcos Nei. No fim, antes do fim, como manda a verdade biológica, elas encararam o mata-broca africano da cocada, passando pelo aluá, o vatapá, entre outras iguarias da culinária negra.

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Foi uma festa na potência libertária de Zumbi, Ganga Zumba e outros. Uma festa tão profundamente negra que no meio das comemorações, baixou a comunidade negritude em forma celestial: faltou energia elétrica e a noite se mostrou em sua negritude total. Depois de dessa revelação-negra-natural, a energia se fez presente. Logicamente mais energizada. 

Valeu, Zumbi!