Archive for the ‘Historias’ Category

NO QUILOMBO DOS PALMARES O ENSINO DA HISTÓRIA AFRO-BRASILEIRA NAS ESCOLAS SOFRE RESISTÊNCIA

Agosto 5, 2015

quilombo_dos_palmares-al_-_adalbertofarias-jangadafilmes_1Ironia? Não! Esfacelamento político-cultural promovido pela cultura branca dominantemente predadora. O território onde foi travada a mais resistente luta libertária da escravidão no Brasil, o Quilombo dos Palmares, do líder negro Zumbi, é hoje um lugar onde as professoras sentem grande resistência para o ensino da história afro-brasileira.

A afirmação é da diretora Maria Luciete Santos, da Escola Municipal Pedro Pereira  da Silva que fica situada na comunidade quilombola do Muquém, com mais de 149 famílias, em União dos Palmares,  próximo ao Parque Memorial Quilombo dos Palmares, que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A afirmação ocorreu durante a Reunião Ordinária Itinerante do Conselho Nacional de Educação (CNE) que ocorre em Maceió. De acordo com Luciete falta para os jovens estudantes, autoestima e valorização de sua própria história.

Duas normas do CNE que foram aprovadas e homologadas pelo Ministério da Educação foram simbolicamente concedidas à comunidade. Sendo a primeira, em 2004, que trata da educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileiro e africana. E o segundo relativo ao ensino de educação quilombola até o ano de 2012.

“Às vezes o preconceito vem deles mesmos. Eles não se reconhecem, não veem o próprio potencial. Eles não tinham ideia do que era a história deles, o que foi a Serra da Barriga” disse a diretora.

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DIONÍSIO CONCLAMA OS LIVRES: É CARNAVAL, É CARNAVAL, VAMOS EMBORA PESSOAL! AS DIREITAS NÃO BRINCAM, SÃO ESCRAVAS

Fevereiro 14, 2015

carna 001

Dionísio mandou soltar os sátiros e as ninfas! Então, o que estamos esperando? Vamos à embriaguez-criadora que é o carnaval, enquanto a carne não vai. A dogmática diz: carnaval é a carne vai. Mas a carne é o abrigo, ou morada, da sensualidade. Sem carne não há sensibilidade, e não havendo sensibilidade não há conhecimento. E não havendo conhecimento não há festa. Ainda mais, festa dionisíaca.

carna 003Dizem os empiristas: nada existe na mente sem que antes tenha passado pelos sentidos. O que significa que as representações-imagéticas do mundo humano são produzidas primeiramente pelos sentidos. Uma imagem alegre ou uma imagem triste tem seu nascedouro na sensibilidade. Os significados alegres e tristes já são produtos da cognição.

Daí que o carnaval, com a carne bem disposta-sensivelmente, é um reflexo epistemológico da sensibilidade. A embriaguez ou estado euforizante que proporciona a festa dionisíaca é um movimento-vital da poiesis e da práxis. Daí o carnaval ser uma manifestação poiética e produtiva. A liberação que ele proporciona é uma forma geral de revitalização da vida como consagração do existir. Já dizia o filósofo Nietzsche, um filho de Dionísio.

car 001Não é por acaso que não só a estética-trágica saiu de Dionísio como também a filosofia. Ambas exaltam a vida como processual continuou como diziam os gregos como Heráclito. Quando Nietzsche afirma que não acredita em um deus que não dance ele afirma que a vida é uma festa. Como a filosofia é uma festa comunitária.

Apesar da Igreja Católica, ter usado elementos dionisíacos, como a celebração da missa, a estética-teatral, mesmo considerando o teatro uma arte profana-pagã, e os pensamentos filosóficos de Platão e Aristóteles para estruturação de sua dogmática, entretanto ela não teve a sinceridade de deixar o carnaval em seu devir-natural. Para isso aplicou a pena do castigo e da condenação aos foliões que fazem uso de suas sensibilidades como corpus de produção do movimento-vital. Crasso erro!

O carnaval como emanação dionisíaca, movimenta-se, em seus primórdios, como festa agrária da coleta da uva, depois transformada em vinho. O néctar dos deuses. De onde nasce o conceito-natural de cultura: colere, o que cria-vida. Cultura, fazer brotar a vida. Nada a ver com dogmática. Dai que brincar o carnaval significa tomar parte em uma festa coletiva pulsante da vida. Nada que as direitas, como escravas da negação da vida, o existir-reativo, possa vivenciar.  Nelas não há cultua a vida, mas sim tânatos, a morte. Basta observar o comportamento paranoico delas perpetrando trapaças e conspirações contra a democracia brasileira.  

carna 002Daí que não se pode descarnar a vida, mesmo pela força da dogmática. Então, o devir é carnavalesco! Não há “pecado” principalmente abaixo do equador, como diz Chico Buarque. Vamos fazer um frevo rasgado que ninguém é de ferro.

Vamos nessa que o carnaval com seu espírito dionisíaco-comunitário é uma festa-política! Uma festa democrática! Para quem a existência é um espírito filosófico e uma concepção estética, sempre é carnaval! Por isso, vamos embora pessoal!    

UVA: Carménère

Março 3, 2014

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Dando uma continuidade  sobre series sobre o mundo Dionísio(uvas), vamos falar sobre umas das uvas mais emblemáticas de uma País chamado Chile, uva Carménère.

Essa uva de origem da França, começou ser cultivada de no século XIX, na região de Medoc. Nos anos de 1860 as videiras europeias sofreram com o ataque de um inseto chamado filoxera, que afetava a videira pelas folhas e raízes sugando sua seiva. Essa praga devastou quase todos os vinhedos da Europa.

Muitos achavam essa uva foi extinta pelo inseto filoxera, mas foi novamente plantada pelo francês, chamado Jean-Michel Boursiquot, que ele fez experiências com  cepas de merlot demoravam a maturar. Ai foi atraves desse resultados de estudos realizados concluíram que se tratava na realidade da antiga variedade de Bordeaux, carménère, cultivada por engano como se fosse a merlot. Aí resultado dessa experiência e muito estudos viram essa uva emblemáticas deu ótima composição entre terroir chileno com temperaturas agradavel e equilibro pra uva Carménère. Nome Carménère quer dizer de sua pele de tom forte de carmim que sempre acaba transferindo aos vinhos com ela elaborados. https://i0.wp.com/vinepair.com/wp-content/uploads/2014/01/chile-wine-carmenere.jpg

As principais características da Carménère no visual, aromas e gustativo são: uva possuem cor rubi com reflexos violáceos e lágrimas na taça apresenta lentas e rápidas(depende do produtor que produz a uva), aromas de frutas vermelhas maduras, pode apresentar toque de pimentão, e as vezes até baunilha,  terra úmida e especiarias com notas vegetais que vão se suavizando na medida em que amadurece em barricas de carvalho francês e americanos na própria planta. Em boca apresenta taninos macios, são sedosos e aveludados e acidez equilibrada. Podem envelhecer dependendo como foi produzido vinho cada vinícola, se fores vinho no termo Reserva ou Reservado  dura em média a 3 a 4 anos são vinhos jovens pra ser tomados rápidos. Lembrando temos Reserva tem uma qualidade maior temos Reservado devido maneira que foi produzido.

Harmonizações com essa cepa da Carménére com comida pode variar desde algo como entradas como queijos não muito forte, uma pizza(sendo bem encorpada no preparo e com molhos bem estruturado), carne seca com molho de abóbora, carne bovina feita no churrasco e massas tenha molho estruturado. 

Temos vinhos e vinícolas existia vários vinhos no mercado desde custo-benefício até preço alto. Nesses tempos tomei dois vinhos ótimos Chilenos que são: Santa Helena Reserva 2011 e Chono Carménère 2012 (cortes de uvas como syrah e petite syrah) são vinhos dão essa própria características da uva. Esses dois é fácil encontra no mercado. Dou dica site muito bom, fácil e seguro pra compra de vinhos é Wine.com, http://www.wine.com.br.

Na próxima series uvas, vamos fala da uva Pinnot Noir.

Aproveita que é tempo de carnaval toma boas taças de vinho de maneira Dionísica.

Em novo projeto, Suassuna conta histórias sobre Brasil esquecido

Julho 9, 2013

da Agência Brasil

Está aberta uma nova temporada de arte e cultura com o escritor paraibano Ariano Suassuna, que está rodando o Brasil com seu novo projeto, Arte como Missão. Nele, presenteia o público com uma aula-espetáculo, em que conta uma série de histórias e transporta os espectadores para um Brasil genuíno, simples e intacto.

Com a voz trêmula, justificada por seus 86 anos de idade, e certo tom de pureza em cada frase, como se nunca tivesse saído do sertão da Paraíba, onde passou parte da infância, Suassuna se apresentará para milhares de pessoas em seis cidades. A primeira parada foi em Brasília e lotou o Teatro Nacional. No dia 18 de julho, o Arte como Missão desembarca em Fortaleza. As paradas seguintes serão: Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba e São Paulo.

“Eu acho que tenho a obrigação de mostrar ao povo uma alternativa para essa arte de quarta categoria que anda se espalhando por aí, corrompendo o gosto do nosso povo, procurando nivelar tudo pelo gosto médio”, disse o ocupante da cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Letras. Suassuna diverte o público e exalta um talento esquecido, ou sequer sabido, por muitos. “O povo brasileiro tem uma habilidade extraordinária para inventar as histórias mais valiosas do mundo. Para fazer O Auto da Compadecida, minha peça mais conhecida, me baseei em histórias do povo brasileiro”, contou.

O projeto vai além da aula-espetáculo. O Arte como Missão traz um pacote cultural multimídia. Além dos palcos, Suassuna pode ser apreciado em um ciclo de filmes dedicados à sua obra e visto na exposição fotográfica O Decifrador, de Alexandre Nóbrega.

“[…] Vejo que talvez só eu mesmo pudesse fazer uma coletânea como esta, em que o autor de O Auto da Compadecida é flagrado na vida inusitada de homem comum, um esboço do seu universo particular”, diz Nóbrega, no texto de introdução da exposição.

Genro de Suassuna, Nóbrega acompanha o escritor há dez anos e viaja com ele pelo Brasil para cumprir compromissos. Artista plástico, se valeu de uma máquina fotográfica para registrar diversos momentos da rotina de Suassuna, ou algo próximo disso. Afinal, é difícil conhecer alguém que frequentemente utilize como escritório a Caatinga nordestina, em frente à uma gigantesca formação rochosa, adornada por pinturas rupestres.

De acordo com Nóbrega, seu sogro não sabia que o livro O Decifrador, que deu origem à exposição, estava sendo feito até vê-lo pronto. “Ele ficou muito surpreso, pois não estava a par da confecção do livro, mas não ficou desconfortável com a ideia, ele não é tímido. Sua relação com as pessoas é muito boa, desde quando se tornou professor”, explica Nóbrega. “Por conta do grande assédio, Ariano só não faz duas coisas que gostaria. Ir à missa e ao estádio de futebol”, completa.

O Brasil a ser percorrido pelo escritor nos próximos meses vive um caldeirão político e social. Milhares de pessoas estão indo às ruas para exigir melhoras dos serviços públicos, mostrar a força do poder popular. Na estreia do projeto, em Brasília, Suassuna não teceu comentários a respeito. Mas relembrou episódio da história nacional, quando a sociedade também estava ávida por mudanças.

“Eu acho que Canudos é o episódio mais significativo da história brasileira”, disse, referindo-se à Guerra de Canudos, quando uma pequena comunidade, no interior da Bahia, lutou incansavelmente contra o Exército no final do século 19. Composta por sertanejos pobres e ex-escravos, o povo de Canudos derrotou os militare em três batalhas, se fazendo notar e entrando para a história do país, como reforça o escritor. “Quem não entende Canudos, não entende o Brasil”.

A HISTÓRIA DO DIA DOS TRABALHADORES 1º DE MAIO

Maio 1, 2013

Raridade sobre a história do cinema exclusivo da Afin para o mundo

Outubro 5, 2012

 

A Associação Filosofia Itinerante (Afin) pelo seu vetor kinemasófico vem trazer mais um documento sobre a história do cinema, como já haviamos feito no afinado Um Breve Toque sobre a História dos Cinema: um plano para as crianças. Este novo material conseguido em um antiquário é uma cartilha contando sobre a história do cinema.

Este livreto de cinema que está em domínio público por ser de 1930, é uma obra kinêmica de  R. Millaud, publicada em francês em 1925 e traduzida para o português por Costa Marques (Eng. Industrial I.I.C.P.) dentro da coleção Encyclopedia Pela Imagem. Esta cartilha conta desde os primeiros aparelhos que tentavam reproduzir as imagens com a velocidade da percepção da retina humana, e todos seus elementos como o obturador, mecanismos de desenrolamentos, tiragem da positiva, retardador, armazem, objetivas, mecanismos de arrastamento.

Além disso há capítulos sobre a fabricação dos filmes (sobre estúdio, iluminação, cenário, trajes, fotografia, animação, efeitos especiais, a tentativa de criar o cinema colorido e muito mais), sobre o cinema de amadores (sobre as máquinas para amadores, cinemas no ensino, entre outras coisas).

Não esquecendo que quando esta obra foi publicada ainda não havia o cinema totalmente colorido (somente havia a coloração a mão, ou mecânica, mais ainda não satisfatória). Além disso quando ocorreu a publicação em português, havia apenas um ano em que o cinema falado havia sido produzido em O Cantor de Jazz (The jazz singer, 1929).

DO TRATAMENTO

Esta edição foi escaneada afinadamente e teve um tratamento de imagem para retirar a o amarelamento da página via Photoshop, através de experimentos. Para saber como foi retirado o amarelado (ou as páginas amarelas) criados pelo tempo, nosso blog dá a receita.

Abra a imagem no Photoshop, na aba Camada (Layer) clique em nova camada de ajuste (New Adjustment Layer) e em Matiz/ Saturação (Hue/Saturation) e coloque a Saturação (Saturation) em -100% (toda pra esquerda). Pronto a página amarelada ficou branca. Isto só não funciona perfeitamente onde há manchas.

DOWNLOAD

Para baixar O Cynema da Coleção Encyclopédia pela imagem escolha uma das opções abaixo. Esta pode ser impressa, lida e distribuida gratuitamente, uma vez que se encontra em domínio público, ou quando uma obra passa mais de 70 anos de sua publicação.

Tamanho Completo (1350X1890)

Tamanho reduzido (1017 X 1416)

 

 

 

 

Ofendido…

Fevereiro 14, 2012

… com minha perfídia, o garoto fechou a cara pra mim. Mas dali a dias, voltei a atacar. De novo, o acaso voltou a nos favorecer, ouvi que o pai roncava, e comecei a implorar ao garoto que fizesse as pazes comigo, vale dizer, me deixasse voltar às delícias de antes. Gastei, nisso, toda a lábia que o desejo costuma ditar.

Ele, no entanto, furioso, só sabia dizer:

— Volte a dormir, senão eu conto pro meu pai.

Nada é tão difícil que a teimosia não consiga atingir. Ele dizia “vou acordar meu pai“, e eu já estava em cima dele, agarrando-o à força e satisfazendo meu tesão. Não resistiu muito. Não parecia aborrecido com minha violência. Disse que tinha sido objeto da zombaria dos colegas da escola, por causa da minha avareza.

— Mas eu não sou avarento com você. Pode me comer de novo, se quiser.

Eu, feitas as pazes, fiz com o garoto o que o meu desejo queria, e caí no sono. Mas o garoto, com toda sua disposição juvenil, queria levar mais.

Me despertou de repente:

— Não quer mais?

Eu ainda tinha um restinho de tesão, fiz o melhor que pude, e, suando e resfolegando, consegui satisfazê-lo mais uma vez. Exausto, voltei a dormir, cansado de tanto gozar. Dormi só um pouquinho, ele me cutucou:

— Vamos transar de novo.

Acordando furioso, devolvi sua ameaça:

— Ou você dorme, ou eu conto tudo pro seu pai.

Petronio, do Satyricon

(Tradução de Paulo Leminski)

O Rio em sonhos

Abril 8, 2010

Hoje eu tive um sonho inesperado, tão lógico e fiel arquitetonicamente que só um arquiteto poderia sonhar assim.

Sonhei que o rio se transformara por completo: não era mais a Avenida Atlântica com seus prédios de apartamentos a separar, como uma muralha, a cidade do mar. Ao contrário, diante de mim, uma grande ária arborizada a se prolongar até a praia. Um ambiente fantástico como aquele que os portugueses encontraram quando chegaram ao Brasil pela primeira vez.

Ainda em sonho, resolvi descer à rua para ver o que se passava. Por um dos caminhos de saibro penetrei nesse ambiente extraordinário que me levaria até o mar. E entre árvores frondosas e altas palmeiras cercadas de uma vegetação exuberante, fui caminhando devagar. Já não ouvia o barulho dos carros que antes incomodava, substituindo agora pelo canto dos pássaros, que à minha volta voavam tranquilamente. Às vezes, entre palmeiras imperiais que eu andava; outras, protegido pelas enormes áreas de sombra que as árvores maiores espalhavam pelo terreno.

E foi a parar de vez em quando diante de tanta beleza cheguei à pria afinal. E de longe fiquei a olhar a cidade agora tão diferente: as grandes áreas de apartamentos que, urbanisticamente desorganizadas, escondiam parte das montanhas do Rio, não mais se avistavam. Agora eram extensos blocos, tão leves e bonitos que nas encostas pareciam pousar docemente.

Mas o sonho terminara. Curioso, fui até a janela, e senti que a realidade se impunha mais uma vez. Eram os altos edifícios de Copacabana, a rua cheia de carros, e esse ambiente hostil e desumano das grandes cidades modernas.

É evidente que o Rio de Janeiro tão bonito, com suas montanhas a marcarem o céu com as curvas mais inesperadas, ainda resiste a esse crescimento urbano que ocorreu sem um plano geral definido, a se estender pelas praias, a atingir as encostas, sem outra preocupação que não a da especulação imobiliária, que o regime capitalista favorece.

Quando vejo uma foto do Rio antigo, agrada-me sentir que, na simplicidade da sua arquitetura, ainda havia uma boa relação entre volumes e espaços vazios. Mas depois, com a construção de novos prédios mais altos, aquele equilíbrio desapareceu- o espaço entre prédios perdeu a antiga escala e o urbanismo se desmereceu.

É claro que não pretendo cair no pessimismo, que desagrada aos cariocas e a mim próprio, orgulhosos desta cidade magnífica, para nós a mais bela do mundo.

Oscar Niemeyer- Rio de Janeiro. Retirado do belo livro ilustrado Crônicas- Oscar Niemeyer, Editora Revan

Imagem acima: Vista do MAM, projetado por Niemeyer

Dialogo FemmeVardiano

Março 8, 2010


Homens- Mulheres são feitas para ter filhos!
Faça o mesmo que eu, garotinha.
Uma mulher que nunca conheceu a
maternidade não é uma mulher real.

Femmes- Corta esta!
E o homem que não conheceu a
paternidade é menos homem?
E Chevalier? E Einstein?
Mermoz? Balzac? Mozart?

SONHO ETÍLICO REALISTA

Janeiro 3, 2010

Domingo de sol, futebol, suor e sede. Dois amigos estavam fissurados para meter umas amargosas, mas estavam sem um puto. Recorreram a todas as possibilidades de aplicar um empréstimo em algum conhecido, mas nada: todos estavam sem grana.

Navegando na angústia da fissura da impossibilidade que a realidade monetária impunha, já estavam pela bola sete quando o filho de um deles, garoto de uns nove anos, chegou perto dos amigos e disse:

Papai, eu tive um sonho muito doido. Não sei porque acordei com medo.

Ao que o pai perguntou:

Tu sonhastes com quê?

Eu sonhei que dona Lindica tava cheia da grana. Tinha ganhado na loteria.

Os dois amigos soltaram um surpreso e esperançoso “Caralho!”, para um deles logo dizer que seria bom dá uma arriscada, falar com a Dona Lindica, quem sabe ela não tivesse uns ‘mirréis’ e aliviasse a deles. O outro protestou, pessimistamente, dizendo que ela era uma avarenta, que não abria a mão nem pra dá cotoco, que era melhor esquecer e tomar logo um litro com água para acabar a sede e a vontade de tomar as amargosas.

Porém, depois de muito argumento do primeiro fissurado, o segundo foi convencido, e lá foram os dois arriscar o tira-fissura. Chegaram, bateram palmas, chamando pelo nome da personagem-onírica, e ela surgiu toda oferecida, sorriso além do encontro das águas. Eles aproveitaram o sorriso, que era raro na onírica, e mandaram o verbo-fissurante. Ela sorriu mais largo, chegando à Ilha de Marajó, no Pará. Cruzou os braços sobre os seios, que, diga-se de passagem, eram à la mamão, balançou a cabeça e saiu. Menos de dois minutos ela voltou com cem tocos na mão esquerda e entregou para a dupla fissurada. Eles agradeceram sinceros e empolgados como só os afeitos às amargosas são, e foram saindo.

No bar, já empurrando o terceiro copo, o mais otimista dos fissurados conjecturou:

Não teria sido bom a gente ter perguntado se ela tinha mesmo tirado na lotaria?

O ex-pessimista, se engasgando com a lapada, gritou:

Tu tá doido! A mulher nunca teve dinheiro, sempre foi miserável, agora ela joga cenzinho na nossa mão, sorrindo, e a gente querendo saber se ela ganhou na loteria mesmo!? Se o Pablito sonhou que ela ganhou na loteria, tá sonhado, se foi verdade ou não é outra história. Além de quê, dinheiro emprestado não se tem que saber a procedência. Usa-se!