Archive for Agosto, 2010

Agá Q Mafalda

Agosto 31, 2010

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UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Agosto 31, 2010

Nuenen, 17 de novembro de 1885

Alegre companhia,LEYS

A caminhada na neve, Antuérpia, Prefeitura da cidade


 

Van Gogh se mostra seu desejo para partir de Nuenen,  onde já reside há quase dois anos, e já comenta o local que deseja rumar: Antuérpia. A viagem aconteceria aproximadamente cinco dias após esta carta. E sua vontade é logo ter contato com a arte de um pintor local:

”Desejaria ir agora à Antuérpia. Sem dúvida a primeira coisa que eu farei lá será ir ver os quadros de Leys em sua sala de jantar; se é que os podemos ver.”

Jean Auguste Henri Leys, foi um pintor belga conhecido também com Hendrick Leys Baron, que ficou famoso por suas pinturas históricas de atmosfera romântica, cenas do cotidiano, retratos e também algumas gravuras. Sua pintura teve influência dos pintores primitivos flamencos, do romantismo francês e dos alemães da Renascença.

Ele nasceu na Antuérpia em 18 de Fevereiro de 1815. Com 15 anos ele entrou para o atelier de seu cunhado Ferdinand de Braekeleer. No ano de 1833 ele entrou para a Academia de Pintura da Antuérpia, onde estudou com Egide Charles Gustave Wappers. Foi neste ano que seu quadro histórico “Combat de um Grenadier e um Cossack” foi exibido atraindo muita atenção e logo o tornando popular.Depois de viajar pela França (onde teve influência do movimento romântico)  e Holanda, ele voltou para Antuérpia, e neste ponto sua fama já havia se espalhado pela Europa. Suas mais celebradas pinturas foram produzidas depois de 1855.
Suas pinturas, excelentes em outros quesitos, foram especialmente lembradas pelo explendor de seu colorido. Em 1845 Leys se tornou Membro da Academia Real da Bélgica, e em 1849 do conselho de diretores da Academia de Belas Artes em Antuérpia. Ele ainda enviou  pintura “Ano Novo em Flanders” para o Salão de Paris, onde ganhou medalha de ouro. Em seu retorno seus conterraneos o receberam com festa e o deram uma coroa dourada. Nesta época ele se tornou devoto as pinturas históricas, principalmente de cenas medievais da história belga.
Em 1865 ele recebeu o título de barão. Nesta época ele estava quase terminando os afrescos na prefeitura da Antuérpia, representando cenas da história belga, e que pode talvez ser visto como o seu maior esforço. Ele morreu no dia 26 de agosto de 1869.Leys teve como pupilo Alma-Tadem que além de trabalhar em seu atelier foi serviu de assistente, além de ter auxiliado em 1859 Leys na decoração do prédio da prefeitura da Antuérpia.


 

Auto-retrato de Leys

Nesta mesma carta Van Gogh cita quatro de seus quadros que gostaria de levar a Antuérpia como um que mostra uma fileira de choupos amarelos

Avenida de álamos (Avenue of poplars)

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Cri-ações: Walter Gropious

Agosto 30, 2010

Ar(tes)qui(t)etura; é criarconstante.

Bau- Fluxus novas construções

Haus- Potências vida ativa

Prédios, telas, bueiros, metrôs

Undergrounds em ebulições.

Cri-ções mais potente que ogivas



Photo Graphein

Agosto 29, 2010

Foto tirada na cobertura da habitação de Vinicius de Morais, no Jardim Botânico, por causa de uma produção de músicas de carnaval, a pedido da gravadora Philips.

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1)    Lenita Plocynska

2)    Edu Lobo

3)    Tom Jobim

4)    Torquato Neto

5)    Caetano Veloso

6)    Capinam

7)    Paulinho da Viola

8)    Sidney Miller

9)    Zé Ketti

10)  Eumir Deodato

11)  Olivia Hime

12)  Helena Gastal

13)  Luiz Eça

14)  Joao Araujo

15)  Dori Caymmi

16)  Chico Buarque

17)  Francis Hime

18)  Nelson Mota

19)  Vinicius de Morais

20)  Dircinha Batista

21)  Luiz Bonfá

22)  Tuca

23)  Braguinha

24)  Jandira Negrão de Lima

Notas sintomáticas

Agosto 28, 2010

  • Nesta semana inaugurou uma exposição sobre uma das mais importantes pessoas que se configura pela lusofonia: Fernando Pessoa que é várias Pessoa. A exposição “Fernando Pessoa, plural como o universo” no Museu da Lingua Portuguesa tem curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith. Navegando que se descobre os novos Pessoas em nós.
  • Um dos compositores de uma das músicas mais divulgadas no mundo pop, o compositor George David Weiss que compôs   “What a Wonderful World” picou a mula esta semana. Além desta outras composições como “Can’t Help Falling in Love”, gravada por Elvis Presley e”The Lion Sleeps Tonight”, gravada pelo The Tokens.
  • A Academia de Cinema de Hollywood que é responsavel pelo Oscar tem a ideia de homenagear filmes e pessoas ligadas ao cinema. Estas homenagens mostram apenas que os artistas se fazem aprisionados dentro do crivo do que a industria diz que é bom, pois esta se crê superior aos homenageados (que se inferiorizam). Eis que esta semana o pessoal oscariado anunciou prêmios de honra aos diretores Francis Ford Coppola e Jean-Luc Godard. Os dois diretores não estão na mesma subjetividade bloqueada da indústria de Hollywood e por isso há uma certa ironia de que Hollywood reconhece os trabalhos deles pois é superior. Nem inferior. Hollywood usa o já constituido e está longe da construção de novas imagens. Que fiquem apenas a ver navios.
  • Um dos mais lendários e malucos grupos do rock’n’roll,  Iggy Pop com Os Stooges, vão serem revividos pelo cineasta Jim Jarmusch que está organizando um documentário sem previsão para sair. O esquizo Stooges está em uma mão confiável.
  • Paris foi uma festa. De lá surgiram as primeiras imagens cinematográficas, ditas uma invenção sem futuro. Foi lá que o mágico e pioneiro Georges Méliès começou trabalhar seus efeitos especiais. Para retratar esta vida kinematica meliesnana o diretor americano Martin Scorsese  vai contar um pouco da história de Méliès em seu novo cinema. Além de Méliès serão ainda mostrados as artes de Harry Houdini entre outros. Hocus Kinemapocus.
  • Um dos mais importantes Festivais de cinema da América Latina, o  Festival do Rio anunciou os longas que competirão em sua mostra que ocorre entre 23 de setembro e 7 de outubro. Dentre os cinemas destacamos: “Boca do Lixo”, de Flavio Frederico (SP),, “É Candeia”, de Márcia Watzl (RJ) e “Positivas”, de Susanna Lira (RJ)

  • Todo artista independente piranga pelas gravadoras com uma fita demo contendo suas músicas. Agora imagine ouvir a gênese musical dos grandes criadores músicais. Neste movimento genial a gravadora de Bob Dylan  vai lançar  47 gravações demo do cantor sob o nome de “The Bootleg Series Volume 9 – The Witmark Demos” que foram feitas para as gravadoras Leeds e Witmark. E o melhor, este trabalho ainda sai neste ano no mês de outubro. No repertório as primeiras versões de clássicos como “Blowin’ In The Wind”, “The Times They Are A Changin’” etc.”Masters Of War”.Dylanbuja pra vocês.
  • Um dos poucos grupos de rap americanos que não estão rendidos totalmente ao fenomeno pouco conteudo, dente de ouro e carrão de barão, o Anti-Pop Consortium , vai tocar em São Paulo hoje (27) no Sesc Pompeia com ingressos em até 20 reais. Se liga nesta quebrada dos império.
  • Quem curte as atrações musicais alienigenas vai se esbajar com o festival de música eletrônica Ultra Music que ocorrerá em São Paulo e já tem confirmado nomes como Moby, Fatboy Slim, Groove Armada e Afrobeta. Já vão se programando.
  • Entre os dias 1 e 3 de setembro (desta semana agora) vai acontecer em Teresina, capital do Piauí, um ciclo de palestras gratuitas sobre Artes Plásticas. As palestras ocorrem na Casa da Cultura de Teresina e abordarão as artes de um aspecto mais criativo e envolvente aos jovens, trazendo temas como o Romantismo, a obra concreta de Lygia Clark, A natureza, Hqs e Arte Afrobrasileira. Se manda pra lá.
  • Snoopy e a turma de Charlie Brown tem mais uns motivos para continuar suas alegres produções: os 60 anos da tira do criador da festa Charles Schulz. E para continuar na festa está sendo lançado no Brasil dois materiais inéditos da Turma de Charlie Brown: o livrão Snoopy Extraordinário, da Cosac Naify,  que trás tiras dos jornais dos anos 1960 e 1970 e ainda com um ensaio do escritor Umberto Eco; o outro lançamento é Peanuts Completo vol. 3: 1955-1956, da L&PM que pretende em 6 volumes reunir todo material já impresso sobre a turma (já completo em Inglês). Woodstocks

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Agosto 27, 2010

Nuenen, 07 de novembro de 1885

Vista do por-do-sol em Dordrecht ,CUYP

Vista do por-do-sol em Dordrecht, Amsterdam, Rijksmuseum

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Van Gogh comenta as formas que gosta de pintar e como eram feito pelos antigos holandeses:

” Quando penso em como os antigos holandeses preparavam seus quadros, constato que há relativamente pouco desenho propriamente dito. E contudo, eles desenham de uma maneira impressionante. Mas creio que na maioria dos casos eles começaram, continuaram e terminaram com pincel.

Eles não prenchiam. Por exemplo,um Van Goyen. Acabo de ver dele, na coleção Dupper, um carvalho numa duna sob uma tempestade, e de Cuyp, uma vista de Dordt.

Uma técnica impressionante, mas feita com nada, como que espontânea, e não se preocupando com a cor, aparentemente não se pode ser mais simples.

Mas quer se trate de figuras ou paisagens, sempre houve, entre os pintores, uma tendência a convencer as pessoas de que um quadro era algo mais do que uma representação da natureza como a veriamos num espelho, algo mais que uma imitação; vale dizer que é uma diversão.”

Aelbert Cuyp foi um grande interprete da paisagem holandesa no estilo italiano. Suas primeiras paisagens como “Uma cena no rio com distantes moinhos” são influenciadas pela paleta monocromática de Van Goyen, e algumas delas mostram Dordrecht, sua cidade natal. O trabalho dos pintores de Utrecht, especialmente Jan Both, que retornou da Itália em 1641, ajudou a direcionar o interesse em pintar paisagens de larga escala no estilo italiano.

Cuyp nasceu em 20 de outurbo de 1620. Ele foi filho de Jacob Gerritsz. Cuyp, pintor de retratos e animais. De seu pai recebeu os primeiros treinamentos, ajudando a completar o fundo das paisagens para pinturas comissionadas. Percebe-se nas obras de Cuyp, alguns retratos ocasionais como ” Retrato de um homem barbado ” o que reflete seu treinamento com seu pai, que após algum tempo logo faz com que Aelbert siga seu próprio estilo. Apesar da maioria das paisagens retratarem a cidade natal, o pintor fez desenhos de todas suas longas viagens pela Holanda.

Quando era jovem viajou com seu pai para Itália, o que lhe rendeu seu novo estilo e logo inseriu em sua pintura elementos de fundo largos em suas cenas panoramicas, preenchendo-as com uma acalorada luz e atmosfera. O motivo ocasionalmente clássico e efeitos luminosos de estilo italiano encontrado em seus trabalhos mais maduros derivam de uma associação com Both, e talvez outros pintores que Cuyp pode ter tido contato em Utrecht, e não exatamente a uma viagem á Itália. Embora não hajam documentos, desenhos de paisagens e de cidades indicam viagens dentro da Holanda e pela Alemanha.

Em 1658 ele casou com Cornelia Bosman, uma rica viuva de um oficial da marinha e depois disso aparentemente pintou pouco provavelmente devido um aumento em suas atividades na igreja e falta de pressões financeiras.

Cuyp aparentemente trabalhou para um largo número de famílias importantes e foi claramente um artista importante em sua cidade, embora pouco se saiba sobre organização ou produção de um atelier. É mencionado apenas um pupilo do pintor, Barent van Calraet cujo o irmão Abraham se não foi pupilo certamente foi seguidor. Aparenta que muitos dos trabalhos de Abraham van Calraet foram autografados por engano como se fossem pinturas de Cuyp no início do século XX quando Hofstede de Groot incluiu mais de 800 entradas no catálogo. É notavel ainda no fim do século XVIII muitos seguidores e imitadores de Cuyp como Jacob Van Strij.

Arnold Houbraken, um conterraneo do pintor percebeu que o pintor tinha um carater impecável, e os alguns documentos diziam respeito ao envolvimento com a reforma da Igreja Holandesa. Ele foi registrado morto no dia 7 de Novembro de 1691 e enterrado na Igreja Augustiniana de Dordrecht.

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.

Histórias das Músicas Brasileiras: Luiz Gonzaga

Agosto 26, 2010

Luiz Gonzaga, o sanfoneio tão querido apelidado de Lua, é uma figura que desde os anos 50 embala os forrós e arrasta-pés por este Brasil. Com sua sanfona e sua inteligência das composições Gonzagão deixou uma herança muito rica para todos brasileiros. Então vamos para mais uma história contada por Gonzaguinha sobre seu pai no Programa Ensaio:

Brincadeiras assim como andar aí pela estrada lendo placa de caminhão. Luiz Gonzaga sabia todas as placas de onde eram, e que carga tinha alí dentro. Então brincavam muito assim:

-Diga o nome da cidade e eu dizia….
-Vem de tal lugar, norte de não sei onde, trás não sei o que lá, vai pra não sei onde e quer ver… Vamos parar ali.

Então paravam ali no posto, o caminhão tinha parado e ele dizia:
-E tem mais o motorista se chama Pedro.
-Rapaz, para com isso.

E a gente ia lá. O motorista se chamava Pedro… E não é mentira não, pode perguntar de Dominguinhos. Memória danada, memória brava, época de rádio.

Luiz Gonzaga foi cantar no seu começo em uma cidade que não me lembro o nome, uma daquelas cidadezinhas lá no meio de não sei onde. Aí chegou lá, subiu no palanque, e o povo tava lá em baixo: Queremos Luiz Gonzaga, Queremos Luiz Gonzaga,Queremos Luiz Gonzaga. E ele subiu no palanque abriu a sanfona e mandou ver. Aí parou de cantar e o pessoal ao invés de aplaudir continuouQueremos Luiz Gonzaga.

– Vocês não conhecem Luiz Gonzaga não? Eu sou Luiz Gonzaga.
– É nada rapaz, é Luiz Gonzaga o que? Queremos Luiz Gonzaga.

Não teve jeito, não convenceu. E pra que convencer. E ele cantou e foi embora que era melhor voltar, voltar inclusive ao melhor da festa.

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De pai pra frilho desde 1912

Deixa que eu levo pra frente, a canção da estrada

O terno Sanfona, Zabumba e triângulo


Photo graphein Cartier-Bresson

Agosto 25, 2010

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Kinemasófico: A gota d’agua e História de um violoncelo

Agosto 25, 2010

A GOTA D’AGUA

Titulo Original: O sklenicku víc (A Drop Too Much)

Diretor: Bretislav Pojar

País: República Checa

Ano: 1954

Duração : 14 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Dos estudios de animação Jiri Trnka. Um motoqueiro viaja para a cidade vizinha para visitar sua amada namorada.  No meio do caminho ele decide parar em um bar para tomar um refrigerante. Ao olhar seu reflexo no espellho descobre que no local estava  ocorrendo um casamento.  Logo ele se torna um convidado e lhe oferecem bebida. Ele olha para o poster do bar ” Não beba e dirija” e nega. Mas com a insistência dos partipantes decide tomar só um copo. Mas logo vem mais outro. E ao sair do bar e dirigir sua moto o efeito da bebida faz com que ele corra para chegar logo em seu paradeiro. Mas como dirigir não combina  sua viagem pode ter consequências maiores. Consiguirá ele  chegar são e salvo e ver sua amada ?

HISTÓRIA DE UM VIOLONCELO

Titulo Original: Román s basou (Story of the Bass Cello)

Diretor: Jiri Trnka (baseado em um conto de Anton Chekhov)

País: Republica Checa

Ano: 1949

Duração : 13 minutos

Sinopse (Resumo da História do Filme) : Um jovem rapaz que toca violoncelo em uma orquestra, no caminho do caminho para a apresentação decide deixar o instrumento encostado em uma pedra e se banhar no rio. Ao nadar percebe uma jovem moça que dorme com uma vara de pescar na mão. Ele se apaixona e colhe algumas flores colocando-as no anzol. Quando decide partir percebe que suas roupas foram roubadas. A moça que acordou decidiu entrar no rio e também tem suas roupas roubadas. Consiguirão os dois achar as roupas à tempo para o concerto?

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O Kinemasófico é um vetor cinematográfico que a Afin realiza todos os domingos à boca da noite, contando com um curso artístico (teatro, cinema…), sempre com a apresentação ao final da atividade de um cinema. Mais informações, clique aqui.

UM CURSO DESEJANTE PARA VAN GOGH

Agosto 24, 2010

Nuenen, 07 de novembro de 1885

Paisagem com dois carvalhos (1641) ,VAN GOYEN

Paisagem com dois carvalhos, Amsterdam, Rijksmuseum

(99,5 X110,5 cm)

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Van Gogh comenta as formas que gosta de pintar e como eram feito pelos antigos holandeses:

” Atualmente nada me agrada mais do que o trabalho com pincel- até para desenhar do que fazer o esboço a carvão.

Quando penso em como os antigos holandeses preparavam seus quadros, constato que há relativamente pouco desenho propriamente dito. E contudo, eles desenham de uma maneira impressionante. Mas creio que na maioria dos casos eles começaram, continuaram e terminaram com pincel.

Eles não prenchiam. Por exemplo,um Van Goyen. Acabo de ver dele, na coleção Dupper, um carvalho numa duna sob uma tempestade, e de Cuyp, uma vista de Dordt”

Jan Josephsz. Van Goyen foi um dos principais pioneiros da paisagem naturalista no início do século XVII na Holanda. Seus muitos desenhos mostram que ele viajou extensivamente a Holanda e outros paises. Em 1634 ele foi retratado pintando em Haarlem, na casa de Isaac, o irmão de Salomon van Ruysdael, que também foi um dos pioneiros da paisagem realista da Holanda.Como Ruysdael, trabalhou principalmente em verdes e cinzas

Van Goyen nasceu no dia 13 de janeiro de 1596 em Leiden. Começou a treinar pintura aos dez anos e logo teve como mestre Isaac van Swanenburgh. Porém ele partir para Haarlem para praticar pintura com o pintor Esaias van de Velde. Em 1618 ele retorna a Leiden e casa com Annetje Willemsdr. van Raelst. Depois de retornar para Leiden ele se mudou para Haia em 1631, onde trabalhou até sua morte. Seus primeiros trabalhos são datados de 1620.

Sua filha Margaretha casou com o seu pupilo Jan Steen, o famoso pintor de cenas cotidianas, em 1649 e a outra filha, Maria casou com o pintor Jacques de Claeu.

A obra de Jan van Goyen representa um ponto alto na retratação da paisagem holandesa. Seus primeiros trabalhos são vivos e coloridos, traindo a tradição flamenca. Mais tarde ele simplificou suas paisagens, graças a influência de seu mestre Esaias.

No curso de sua carreira, Van Goyen usou cada vez menos cores, que ele aplicava a paleta de maneira rápida e folgada. Suas composições geralmente seguem um padrão estabelecido e sua alta velocidade obrigou à repetição. Este método eficiente de trabalho levou a uma produtividade imensa: mais de 1.200 paisagens pintadas por ele sobreviveram.

Van Goyen foi também foi um brilhante esbocista que nos deixou o legado de mais de 800 desenhos. Ele viajou pelo mundo com seu livro de desenho, mostrando paisagens pouco conhecidas. Muito dos elementos topológicos dos esboços passaram para sua pintura.

Seus últimos anos foram gastos, em Haia. Ele passava por dificuldades financeiras quando morreu em 27 de abril de 1656.

Suas pinturas retrando paisagens ficaram conhecidas no mundo todo. Em várias de suas pinturas ele retrata uma paisagem bucólica, com arvores e montanhas. Na pintura “Paisagem com dois carvalhos” , ele compõe uma cena na beira das dunas em algum lugar entre- Haia e Leyden- embora Van Goyen pintasse paisagens tanto inventada quanto observada. Esta tem o mais dramático contraste de qualquer de seus quadros. Composição extremamente simples. Ao longo do horizonte, à esquerda se estendem as dunas. A direita o chão se eleva, coberto de árvores. Em cima avulta o céu ocupando os 2/3 canônicos da superfície pictórica.

Aqui enfim um jogo virtuose de nuanças na luz e atmosfera. O ponto principal da narrativa é dado pelos carvalhos que minuciosamente descritos, arruinados pelo vento, estabelecem uma relação entre o céu e a terra. O peso dos carvalhos é equilibrado pela larga área de luz a seus pés. As duas pequenas figuras conversando sob as árvores e uma terceira, mais abaixo, na encosta, criam uma nota doméstica, com destaque a imensidão do horizonte.

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Às sextas e terças, esta coluna traz obras digitalizadas de outros pintores que influenciaram o pintor monoauricular Van Gogh e obras suas, mas tão somente as que forem citadas nas Cartas a Théo, acompanhadas da data da carta que cita a obra, bem como as citações sobre ela e uma pequena biografia de seu autor. Para outros olhares neste curso, clique aqui.